" a síndrome do afastamento progressivo "



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UM SÁBADO DIFERENTE
" A SÍNDROME DO AFASTAMENTO PROGRESSIVO "

A filosofia de A.A. "é baseada em três aspectos: nossa experiência pessoal, os princípios espirituais comuns a todas as religiões e os preceitos científicos da medicina. Isto todo membro de" A.A. "sabe. Mas é importante fazermos com que essa experiência, um dos pilares de nossa filosofia, não se limite apenas à lembrança do passado, aquele passado terrível que levou muitos de nós até às portas do inferno. Experiência de vida é um processo continuado, e Viver é quase sinônimo de Aprender".


Sob esse aspecto, uma sala de "A.A." é uma fonte inesgotável de aprendizado, para aquele que sabe fazer seu programa com "olhos de ver, e ouvidos de ouvir". Acompanhar os progressos companheiros, sentir a alegria de suas vitórias, e compartilhar a dor de seus fracassos, e a melhor maneira de assegurar para nós mesmos uma tranqüila sobriedade. Até mesmo aqueles que se desviam do caminho certo, e enveredam pela trilha que os levará de volta ao copo, estão de certa forma, nos ajudando, pois como diz um experiente companheiro nosso, `no A.A. não existe ninguém tão ruim que não sirva ao menos para ser um mau exemplo ". Com estes, aprendemos aquilo que deveremos evitar".
Vejamos o caso de um hipotético companheiro, que vamos chamar de João das Couves. Ele chegou ao A.A. como muitos de nós chegamos. Trêmulo, inseguro, cheio de problemas, não acreditava em si mesmo, nem nos homens, e, principalmente, não acreditava em Deus. Logo na primeira reunião, João teve uma surpresa:
Aqueles homens e mulheres pareciam saber exatamente o que se passava com ele. As coisas de que falavam eram velhas conhecidas; os problemas, ele os tinha enfrentado, ou melhor, fugido deles, de igual forma. Logo, uma certeza acalentadora se instalava em seu coração: já não estava só.
Não foi preciso muito tempo para João se transformar em um entusiasta. Não faltava as reuniões. Fazia café, limpava cinzeiros. Brilhava nas temáticas: sabia de cor trechos inteiros do Livro Azul e dos Passos. Era um incentivador dos novatos, fazia abordagens, e, sempre atento era o primeiro a levar uma palavra de conforto a um companheiro que tivesse um problema. Coordenava, secretariava, enfim, era infatigável.
O tempo ia passando, e as fichas foram se acumulando. Azul, rosa, vermelha. Aquela maravilhosa ficha verde, gravada, o símbolo de "A.A." compartilhar a dor de seus fracassos, e a melhor brilhando em ouro na outra face.
Dois anos, pensava João. Dois anos afastado da garrafa era coisa pra deixar qualquer um orgulhoso.
E João fazia uma retrospectiva de sua vida, desde aquele dia tão distante do ingresso. Sua situação financeira havia melhorado bastante. O patrão dava tapinhas em suas costas, que diferença daquele tempo. E a santa esposa, então? Pois não é que ela estava fazendo, aos domingos, o seu prato predileto? E havia ainda os meninos. Sim, ele precisava pensar mais no 9º Passo. "Fizemos reparações diretas...".
João passou a fazer serão no trabalho, O patrão era um sujeito excelente, merecia. Assistir à novela das oito era quase uma obrigação. Bolas, o convívio com a família é uma coisa muito importante. E o Maracanã? As crianças adoravam ir ao jogo com ele. Realmente, ele necessitava dar mais atenção à sua vida afetiva.
As aparições de João em seu Grupo começaram a rarear. Já não conhecia a todos, havia sempre algumas caras novas. E as mensagens? Aquelas reuniões estavam realmente ficando muito chatas.
Hoje em dia a bebida já não me diz mais nada! "Vociferava ele, com a mesma convicção com que antigamente repetia: bebo com meu dinheiro, e ninguém tem nada com isso" Ou então: "Bebo quando quero e paro quando quero!"
Tal qual uma bússola, cuja agulha aponta constantemente para o Norte, a mente de um alcoólatra está sempre voltada para a bebida. Se quisermos desviar a agulha de sua direção, temos de aproximar dela um imã. Assim, também a proximidade de uma sala de "A.A." desvia o nosso pensamento do álcool. Na mesma medida em que a agulha tende a voltar a apontar o Norte, se dela afastamos o ímã, nossa mente tende a se voltar para o álcool, se nos afastamos da sala. E João não podia fugir à regra.
Suas palavras, na chamada "cabeceira de mesa", começaram a ficar vazia de conteúdo. A maneira de viver de A.A. começava a abandoná-lo. Cada vez que aparecia, e isto a intervalos cada vez maiores, ele se revelava mais crítico e agressivo. Seus velhos companheiros tentavam alertá-lo, mas em vão. "Que têm esses fanáticos a me ensinarem?".
Logo a mim! Que é que esses caras estão pensando'?"- resmungava ele".
Há um ponto, nesse tipo de queda espiritual, a partir do qual qualquer coisa que se diga, qualquer auxilio que tente prestar à pessoa, que se deixou vitimar por ela, age sempre de maneira diametralmente oposta ao pretendido. A medida em que a mente se esvazia dos princípios espirituais de A.A, ela começa a se encher daquilo que antes nos levava aos goles. A egolatria, a arrogância, a insegurança e o medo, vão insensivelmente substituindo o companheirismo, a confiança serena, a alegre camaradagem que antes nos tornava fortes. E ficamos cada dia mais desamparados à tentação do álcool.
E um belo dia, um João das Couves confuso, amarrotado, derrotado, voltava à sua sala para confessar que, não sabia porque, havia bebido.
Prezados companheiros, quantos João das Couves você já conheceu?

Companheiro Cristiano F.


(Fonte: Boletim Unidade Set. / Out. 2002)
" RECUPERAÇÃO E RECAIDA "

Uma breve História

1935 – Fundação de A. A.
1938 - Doze passos são escritos
1949 - Associação Médica Americana
1962 - Organização Mundial de Saúde

As características principais da doença são a compulsão, obsessão, egocentrismo que atinge o doente no físico, emocional e espiritual.


Doença incurável, mas pode ser estacionada.
Doença caracterizada como doença da solidão - solidão causada pelas
conseqüências do comportamento do doente que se volta cada vez mais para seu mundo (ativa) álcool + insanidades + isolamento (vergonha/culpa) + álcool + insanidades + isolamento (muita vergonha/culpa) não consegue mais se esconder de si mesmo (fundo de poço).

Tratamento - doze passos

a) Recuperação - o processo
*Físico *Mental *Espiritual

b) Recaída — o processo


*Espiritual *Mental *Físico

c) Recaída — o processo (comportamento / sentimentos):


Expectativa desmedida
Frustração / Magoa
Raiva/Ressentimento
Auto - Piedade
Isolamento
Uso

d) Recaída — o processo (sinais/sintomas):


- Porre Seco
- Porre Adormecido
- Grandiosidade
- Desafio

e) O Tratamento — o processo


Abstinência + reformulação de Vida

Objetivo:


* Prevenção à recaída (10º passo ao 12° passo)

Obs: ter estas informações e saber sobre o processo de recaída é a melhor forma de ajudar o indivíduo, ser humano, sujeito, o alcoólico em recuperação a identificar sou processo de recaída.


- Devo estar atento aos meus comportamentos / atitudes para interromper o processo.

Alternativa na recuperação

PODER SUPERIOR
ORAÇÃO
MEDITAÇÃO
LAZER SOCIAL
EDUCAÇÃO
FAMÍLIA
REUNIÃO DE AA
TRABALHO
SEXO

"Vá com calma, mas vá fazer uma coisa bem (uma de cada vez) ao invés de muitas mal".

J.C.F.
Psicólogo e Conselheiro em Adicções

" O PROCESSO DE RECAÍDA E SUA PREVENÇÃO "

O que é Recaída?


É voltar ao uso do álcool após um período de abstinência.

Por que me preocupar com a recaída?


A recaída é uma realidade que faz parte da doença (Alcoolismo) e possui particularidades. Conhecendo tais particularidades, é possível evitá-la, ou melhor, preveni-la.
Você pode estar em uma recaída antes mesmo de usar o álcool. Isto pode durar dias, semanas, meses ou anos.
Existem sinais de alerta, são os Sintomas de Recaída Emocional (antes do 1º gole).
Aqui está a lista de alguns deles, mais significativos e freqüentes:

1. MUDANÇA DE COMPORTAMENTO

- Discussões sem motivo aparente;
- Abandono ou menor participação em AA;
- Parar num bar ou outro local de ativa socialmente para beber refrigerante;
- Compulsão para cigarro, sexo, jogo, comida, consumismo etc.

2. MUDANÇA DE ATITUDES

- Não se preocupar com o passado ou com a manutenção de abstinência; Pensamentos negativos e auto destrutivos;
- Não valoriza as conquistas adquiridas sem o álcool.

3. MUDANÇA DE SENTIMENTO OU HUMOR

- Depressão;
- Raiva e ressentimento de si próprio ou de outros;
- Irritabilidade;
- Oscilações bruscas de humor (angústia e súbita euforia);

4. MUDANÇA DE PENSAMENTOS

- Achar que merece beber por passar algum tempo de abstinência;
- Pensar em substituir o tipo de bebida ou droga, concluindo que não faria mal;
- Pensar estar curado após um determinado período sem uso;
- Achar que pode controlar a quantidade de químicos;
- Achar que pode se automedicar ou usar outras drogas;

Estes são alguns dos sinais. Podem indicar que o seu processo de recaída esteja em andamento. Neste caso, é importante que você tenha um plano estratégico para lidar com situações que podem colocar a recuperação em risco. Observe a lista a seguir e identifique as suas possíveis situações de alto risco (procure relacionar, inclusive aquelas que já lhe proporcionaram uma recaída):

( ) Dificuldade de externar raiva (não expressa adequadamente, age passiva ou agressivamente)
( ) Ansiedade ou nervosismo
( ) Monotonia ou falta de interesse em lazeres construtivos ( ) Negação — "eu não sou alcoólatra..."
( ) Depressão
( ) Outras compulsividades (desafios, sexo, jogo, comida, cigarro, roubo etc)
Cansaço
( ) Medos que parecem sem fundamento
( ) Baixa auto-estima
( ) Culpa
( ) Auto-piedade
( ) Impaciência com o plano de recuperação (imediatismo)
( ) Solidão / isolamento
( ) Auto-suficiência e prepotência
( ) Ressentimento Irritabilidade/Intolerância
( )Vergonha
( ) Voltar aos ambientes da ativa
( ) Fantasiar o prazer dos químicos sem lembrar as conseqüências
( ) Dificuldade de dizer não, recusar álcool e outras drogas oferecidos por amigos
( ) Descrédito no programa de AA ( ) Achar que o seu alcoolismo é diferente dos outros
( ) Não aceitar o envolvimento da família em atividades de Recuperação (Al-anon e Nar-anon, por exemplo)
( ) Problemas de relacionamento — conjugal, familiar e social
( ) Dificuldade de fazer novos relacionamentos / amizades
( ) Auto-desconfiança e de terceiros
( ) Companheiro (a) com problemas de dependência química na ativa
( ) Problemas sexuais — associar sempre o sexo aos químicos, medo do sexo na sobriedade, impotência temporária, compulsão sexual, baixo auto-valor
( ) Expectativas desmedidas em terceiros e em si
( ) Perfeccionismo
( ) Grandiosidade
( ) Orgulho
( ) Ter químicos ao alcance (em casa, no trabalho, etc)
( ) Desafiar o químico
( ) Associar ambientes e odores ao químico, lembrança constante Sucesso no trabalho
( ) Inadequação ao ficar limpo
( ) Dificuldades de lidar com estresse e frustrações
( ) Responsabilizar terceiros por suas perdas e problemas
( ) Procurar causas para sua doença
( ) (outros)

J.C.F.
Psicólogo e Conselheiro em Adicções



AUTO-ESTIMA

DR. LAIS MARQUES DA SILVA


EX-CUSTÓDIO E EX-PRESIDENTE DA JUNAAB.

Auto-estima. Valorização de si mesmo, amor próprio.

Entre os alcoólicos, é comum observar que, anteriormente ao desenvolvimento da dependência química, eram egocêntricos, apresentavam baixa capacidade de suportar tensões nervosas e que tinham baixa auto-estima, embora esses traços não concorram para elevar o risco de se tornarem alcoólicos.

Para sair de um padrão emocional baixo, os alcoólicos dependem de novas e poderosas fontes de auto-estima e de esperança, sendo observado que uma abstinência estável esteja ligada a uma mudança profunda de personalidade que ocorre, não por coincidência, com a evolução que se verifica no decurso do crescimento espiritual.

Em A.A. não se estuda o problema do alcoolismo nem se faz diagnóstico.
Diagnosticar como alcoólico corresponderia a rotular de um modo que pode causar dano tanto à auto-estima quanto à aceitação social.
A auto-estima recebe um reforço considerável quando o alcoólico entra em serviço, uma vez que não só percebe que pode fazer alguma coisa pelos outros, mas também porque o serviço tende a reduzir a preocupação mórbida que o alcoólico tem consigo mesmo, além de fortalecer a ligação entre o membro de A.A. e o grupo.

A elevação da auto-estima é de enorme importância, pois leva os alcoólicos a mudanças de atitude e a melhores resultados do que os que se conseguem simplesmente fazendo ameaças ou apelando para a racionalidade ao se procurar fazer aconselhamento. É uma mudança de atitude. A recuperação está intimamente associada ao ganho de auto-estima.

Um outro fato importante ligado ao aumento da auto-estima é que, na medida em que ela aumenta, o alcoólico readquire a capacidade de ouvir as mensagens que são passadas nos grupos. Ele se torna permeável, aceita a comunidade formada pelo grupo.

Auto-estima é alguma coisa que não se pode pegar, mas ela influi na nossa maneira de sentir e de ser. Não se pode vê-la, mas está lá quando nos vemos no espelho. Não podemos ouvi-la, mas esta lá quando falamos com nós mesmos.

Estima é a palavra que usamos para coisa ou pessoa que avaliamos como sendo de valor. Se se acha que uma pessoa tem valor, isso significa que ela está em elevada estima. Temos estima por um troféu porque ele traduz o valor da conquista. Auto significa de si mesmo e, aí está então a auto-estima significando que nos achamos importantes. É como nos vemos e como sentimos acerca das nossas realizações. É a maneira silenciosa de se achar de valor, de ser amado e aceito pelas pessoas.

A auto-estima ajuda a manter a cabeça elevada, a ter orgulho de si mesmo e do que podemos fazer. Dá coragem para tentar novas coisas e poder para acreditar em si mesmo. Dá respeito a si mesmo quando se comete um engano. Quando nos respeitamos, as outras pessoas também o fazem. É também necessária para fazer opções certas acerca de nós mesmos.

Naturalmente, todos nós temos altos e baixos, mas ter baixa auto-estima não é bom. Sentir-se sem importância causa tristeza e isso pode inibir as nossas ações, dificultar fazer novas amizades. Ter elevada auto-estima é importante para crescer.

É preciso fazer uma lista das coisas em que somos bons, quaisquer que sejam elas. É preciso que nos cumprimentemos a cada dia por todas as coisas que fazemos bem e de bom e ainda lembrar delas antes de dormir.

É preciso gostar do nosso corpo porque ele é nosso, afinal. Se há algo que pode ser corrigido, é corrigir. Mas é necessário aceitar o que não se pode modificar.
Se pensamentos negativos invadem a nossa mente, que se dê um basta neles.

É preciso manter o foco nas boas coisas e nas boas qualidades que temos e, sobretudo, aprender a nos aceitar. É preciso fazer brilhar a nossa auto-estima.


PENSAMENTOS QUE AJUDAM


"Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato. E, então, pude relaxar. Hoje sei que isso tem nome ... Auto-estima".

"Quando me amei de verdade, comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável:


pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início, a minha razão chamou essa atitude de egoísmo. Hoje sei que se chama ...
Amor-próprio".

"Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é ...Plenitude".

"Quando me amei de verdade, desisti de querer ter sempre razão e, com isso, errei menos vezes. Hoje descobri a ... Humildade".

"Quando me amei de verdade, deixei de temer meu tempo livre, desisti de fazer grandes planos e abandonei os projetos megalômanos de futuro. Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo. Hoje sei que isso é ... Simplicidade".

"Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou que a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é ... Respeito".

"Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. Hoje chamo isso de ... Amadurecimento".

"Quando me amei de verdade, pude perceber que a minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra as minhas verdades.
Hoje seu que isso é ... Autenticidade".

"Quando me amei de verdade, percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada. Tudo isso é ... Saber Viver".



ABAIXO OS PRECONCEITOS

Companheiro Isaias - Ex-Custódio da Região Sudeste


ESTÁ HAVENDO DISCRIMINAÇÕES EM A.A.?

Em 1939 a primeira edição do livro "Alcoólicos Anônimos" já firmava as
bases do que viria a ser uma das mais queridas tradições, quando dizia: "O único requisito para ser membro é o desejo sincero de deixar de beber (...)
Simplesmente almejamos ajudar os afligidos por esse mal.".
Assim sendo, com o passar do tempo este princípio mostrou-nos que A.A. nunca deveria ser exclusivo; não deveria excluir ninguém. Pelo contrário, deveríamos ser sempre inclusivos, devendo, portanto, incluir todos aqueles que nos procuram em busca de solução para seu alcoolismo. Para alcançar este propósito, a experiência de A.A. nos
ensinou que não devemos ter regras para o ingresso na Irmandade, que um único requisito precisa ser atendido, o desejo de abandonar a bebida.
Este entendimento, hoje bem sedimentado entre nós, porém ainda não é suficientemente forte ou não foi devidamente aprofundado, para entendermos que a aplicação da Terceira Tradição vai além da chegada do membro pela primeira vez em uma sala de reuniões de A.A. Vejamos:

"Discriminação: Tratamento pior ou injusto dado a alguém por causa de


características pessoais; intolerância, preconceito.
Ato que quebra o princípio da igualdade, como distinção, exclusão, restrição ou preferências, (o grifo é nosso) motivado por raça, cor, sexo, idade, trabalho, credo religioso ou convicções políticas
(Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa)."

Duas definições para a palavra discriminação. Ao aceitarmos a


Terceira Tradição como permanente norma de procedimento para o recebimento de novos membros, conseguimos suplantar o contido na primeira definição. Quanto à segunda, precisamos levar em consideração algo ali contido e para nós de fundamental importância: o princípio da igualdade. No livro "Alcoólicos Anônimos Atinge a Maioridade", página 87, existe
um alerta sobre este princípio quando diz: "As Tradições garantem a
igualdade de todos os membros...".
Atualmente nos deparamos em A.A. com alguns costumes que nos trazem preocupações quanto a quebra do princípio da igualdade entre nós. À luz deste princípio vejamos alguns procedimentos que contém características discriminatórias:

RESTRIÇÃO – Livro de assinaturas – ao criar constrangimento a


membros ou visitantes que não saibam assinar, pode restringir a sua participação nas reuniões.

EXCLUSÃO – Reunião fechada só para membros ou pessoas que tenham


problemas com a bebida - exclui aqueles que nos procuram "pela mera suspeita de que possa ser um alcoólico".(A Tradição de A.A. Como se Desenvolveu – pág.16)

DISTINÇÃO – Fichas por ingresso ou tempo de sobriedade – atinge


profundamente o princípio de que o programa "é só por hoje", ao evidenciar a distinção por tempo de permanência em A.A.

DISTINÇÃO / PREFERÊNCIAS – Festa por tempo de abstinência alcoólica –


transformou - se em verdadeiras homenagens, que vão de encontro ao objetivo do programa que é o desinflar do ego. Criam a tendência de privilegiar - se àquele ou aquela que possam oferecer grandes "festas" em detrimento dos que não podem fazê-lo.

DISTINÇÃO – Aplausos e palmas – privilegiam alguns com a maior ou


menor intensidade da ovação.

EXCLUSÃO – Orações e preces em conjunto realizadas ao início ou final


das reuniões – excluem aqueles que não são religiosos, quebrando o princípio de que a prática do programa é individual.

DISTINÇÃO / EXECUÇÃO / RESTRIÇÃO / PREFERÊNCIAS – Lista de


contribuições, rifas e GAF (Grupo de Apoio Financeiro) – criam distinção ao privilegiar os que podem contribuir com maiores quantias, excluem os que não tem condições financeiras para participarem dessas práticas, restringem a participação dos que o fazem apenas na sacola anônima e voluntariamente como prevêem os princípios e criam a tendência de dar-se "preferência" aos que contribuem mais.

DISTINÇÃO / RESTRIÇÃO – Aquisição ou construção de sede própria –


cria distinção ao tornar o membro que a construíram "benfeitores de A.A."; o fato de não terem contribuído para a construção de tal sede torna-se uma restrição àqueles que chegam depois, porque neste aspecto jamais serão iguais aos que lá já estavam quando da construção ou aquisição da mesma. Além de constituir-se numa violação flagrante da Sexta Tradição e da Garantia Dois do Conceito Doze.

Por tudo isso, somos levados a refletir a respeito da importância de


obedecer os princípios de nossa Irmandade. Quando deles nos afastamos colocamos em risco as nossas vidas e a daqueles que ainda estão por vir. A Terceira Tradição visa tornar possível o ingresso e a permanência de qualquer alcoólico em nossa Irmandade. Ao chegar e ao retornar cada dia às salas de A.A., onde a única identificação requerida seja a mínima que de imediato nos identifica: "sou um alcoólico"; que juntamente com a expressão "hoje eu não bebi", torna o indivíduo participante com todos os direitos que as Tradições lhe garantem e mais do que isso, cria a indispensável igualdade que nos une em torno de um propósito comum – a busca da Sobriedade
pela Recuperação.

Se buscarmos nos princípios de A.A. as soluções espirituais que


comprovadamente funcionam, estaremos livres das ameaças que poderiam por em risco o nosso futuro.
Quando as Tradições pedem a cada indivíduo, Grupo e Setor de
A.A. que ponham de lado todos os seus desejos, ambições e ações inconvenientes, elas nos lembram "que a unidade é tão vital para nós, membros de A.A., que não podemos nos arriscar tomando aquelas atitudes e práticas, que têm às vezes, desmoralizado outras formas de sociedade humana".

A Terceira Tradição na sua forma integral alerta – Nossa experiência


em Alcoólicos Anônimos nos ensinou que:

"Nossa Irmandade deve incluir todos os que sofrem do alcoolismo. Não podemos, portanto, recusar quem quer que deseje se recuperar. A condição para tornar-se membro não deve nunca depender de dinheiro ou formalidade. Dois ou três alcoólicos quaisquer reunidos em busca da sobriedade podem se autodeterminar um grupo de A.A., desde que como grupo não possuam qualquer outra afiliação".


XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX


BIBLIOGRAFIA: Os Doze Passos e as Doze Tradições,


Alcoólicos Anônimos Atinge a Maioridade.
A Tradição de A.A. como se desenvolveu - Por Bill W.
Relatório Final da XXVI Conferência de Serviços Gerais


DOZE PASSOS PARA A RECAIDA:

Porque alguns, não conseguem ficar em AA? Cada recaída tem uma origem.


Conheça os sintomas de perigo.

1-Comece a faltar às reuniões por qualquer motivo real ou imaginário.

2-Critique os métodos utilizados por outras pessoas, que não estejam em completo acordo com os que você emprega.

3-Alimente a idéia de que algum dia, você poderá beber novamente e converter-se em um bebedor controlado.

4-Deixe que outros membros de seu grupo façam, o trabalho do Décimo segundo passo por você, já que você vive muito ocupado.

5-Adquira consciência de sua 'Antiguidade' e olhe cada recém-chegado com cinismo e ironia.

6-Sinta-se tão satisfeito com seus pontos de vista acerca do programa que se considere como um 'velho mentor'.

7-Organize dentro de seu grupo 'um clã', um 'grupinho' de poucos membros que compartam absoluta e totalmente suas idéias.

8-Diga em segredo aos recém-chegados que você não tem necessidade de levar a serio alguns dos 'Doze Passos'.

9-Permita que se aprofunde em sua mente, mais e mais, a grande ajuda que você presta a outras pessoas e não trate de se lembrar de que o programa de AA, esta ajudando você.

10-Desqualifique de imediato o membro que haja sofrido uma recaída.

11-Cultive o habito de emprestar ou de pedir dinheiro a seus companheiros, e comece a afastar-se das reuniões para evitar encontros desagradáveis.

12-Convença-se de que o programa de 24 horas e vital para os 'novos' Porem que você já 'superou esta etapa.

(Traduzido da revista " Plenitude de A.A.", do México)



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