É um meio de sentir o vento perpassar o nosso corpo, porque o balanço pode ser o objeto que em seu deslocamento faz com que percebamos o vento; sendo assim uma espécie de vento inventado



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Rio Grande/RS, Brasil, 23 a 25 de outubro de 2013.



INVENTO
AZAMUJA, Flávia Leite

PAIM, Claudia Teixeira

Flavia.leite09@gmail.com
Evento: Congresso de Iniciação Científica

Área do conhecimento: Linguística, Letras e Artes

Palavras-chave: intervenção na paisagem, deslocamentos, paisagem sulina
1 INTRODUÇÃO
Invento é uma instalação de arte contemporânea na paisagem, que propõe que em dois balanços pendurados em uma árvore em forma de balança, pessoas sentem-se para que percebam a paisagem pela desaceleração corpórea e o frio que corre sobre a pele através do vento. A invencionice pode ser pensada como tática para tornar a rotina mais agradável. Portanto Invento é um meio de sentir o vento perpassar o nosso corpo, porque o balanço pode ser o objeto que em seu deslocamento faz com que percebamos o vento; sendo assim uma espécie de vento inventado. A instalação reinventa o espaço, podendo modificar a percepção de quem vivencia, traçando relações de espaço, dimensões, percebendo a imensidão que nos rodeiam.
2 MATERIAIS E MÉTODOS (ou PROCEDIMENTO METODOLÓGICO)
A intervenção aconteceu em Domingos Petroline, onde busquei em meio a uma paisagem esvaziada, elementos que pudessem ser suporte e complemento em meu trabalho. Procurando refletir questões como: “Estética do frio” de Vitor Ramil; deslocamento e paisagem, onde busco a quietude, pois a paisagem mais esvaziada faz com que nos sintamos mais a vontade em meio as nossas reflexões; Entre o frio, o deslocamento e a paisagem, existe um corpo que se deixa contaminar por esta paisagem e corpos que são convidados a esta contaminação em meus trabalhos. A reflexão que gerou a instalação parte inicialmente de duas composições: “Invento” de Vitor Ramil que diz: - Oh vento que vem / pode passar / Inventa fora de mim / outro lugar... e a canção “Cais” de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, interpretada por Elis Regina, que diz:- Eu queria tanto ser feliz / Invento o mar / Invento em mim o sonhador... Invento consiste em dois balanços, com uma distância de escuta, um observatório da paisagem e espaço para conversas, para que se possa entender o frio percebendo o deslocamento de nosso corpo em meio a massa de ar. Pois anteriormente percebia a paisagem como algo distante de mim, vendo-a por uma janela, entendendo-me enquanto câmera. Enquanto agora procuro vivenciar e convido a vivência.

3 RESULTADOS e DISCUSSÃO
A pesquisa trata da paisagem sulina, refletidas a partir de “Invenção da paisagem” de Anne Cauquelin, “Estética do frio” de Vitor Ramil e o “Templadismo” de Daniel Drexler que percebe o território pensando uma Geografia da milonga que liga Argentina, Uruguai e Rio Grande do Sul. A intervenção tinha o objetivo de ativar o espaço e repensar a paisagem, pois pude sentir o vento produzido em meu deslocamento no balanço. O trabalho teve seus registros em fotografia e vídeo. Como desdobramento proponho a união desse com outros trabalhos, em um livro denominado Registros invernais realizado no período de 90 dias da estação mais fria. A produção do mesmo propõe deslocamento entre as cidades de Rio Grande, Pelotas e Bagé, onde busco semelhanças entre elas, desde a fronteira terrestre de países, até a fronteira beira-mar.
Figura 1 – Invento

Fonte: acervo do autor


4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A instalação Invento é vinculada a textos anteriormente citados, e produções artísticas como vídeo “Limbo” de Cao Guimarães, pois todos refletem questões ligadas a paisagem. Estreitando-se até chegar em escritos produzidos por habitantes do sul, que buscam novas formas de pensar a paisagem, vivenciar e ativar espaços. O deslocamento fez-se necessário para que percebesse que existem elementos singulares em nossa região, alguns semelhantes e outros díspares por se tratar de paisagens que se tornam fronteiras. A fronteira de países, facilmente diluída por nossas semelhanças culturais, e a fronteira de elementos como paisagens de vastos campos onde o sol esconde-se atrás das coxilhas, e a paisagem de mar e céu onde ambos se unem formando um só território. Durante o deslocamento as observâncias foram expandindo-se e começaram a materializar-se em instalações artísticas.
REFERÊNCIAS
DREXLER, Daniel. Templadismo. Disponível em:

< http://danieldrexler.blogspot.com.br/2006/08/daniel-drexler_115557354892179839.html >. Acesso em: 13 junho. 2013.

RAMIL, Vitor. Estética do frio: conferência de Genebra. Porto Alegre – RS: Satolep, 2004.



8ª Bienal do Mercosul: ensaios de geopoética:guia/coordenação Alexandre Dias Ramos. Curador – geral José Roca; colaboração de Alexia Tala, Aracy Amaral, Cauê Alves, Fernanda Albuquerque, Pablo Helguera, Paola Santoscoy. Porto Alegre: Fundação Bienal do Mercosul, 2011.

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