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OS GRANDES VULTOS DO ESPIRITISMO PAULO ALVES GODOY �NDICE Algumas Palavras do Autor Nota da Editora CAP�TULO 1 = AD�LIA RUEFF CAP�TULO 2 = ADOLFO BEZERRA DE MENEZES CAP�TULO 3 = ALLAN KARDEC CAP�TULO 4 = AM�RICO MONTAGNINI CAP�TULO 5 = AN�LIA FRANCO CAP�TULO 6 = ANT�NIO GON�ALVES DA SILVA BATU�RA CAP�TULO 7 = ARTUR LINS DE VASCONCELOS LOPES CAP�TULO 8 = AUGUSTO MILIT�O PACHECO CAP�TULO 9 = AURORA A. DE LOS SANTOS DE SILVEIRA CAP�TULO 10 = BENEDITO GODOY PAIVA CAP�TULO 11 = CA�RBAR SCHUTEL CAP�TULO 12 = CAMILLE FLAMMARION CAP�TULO 13 = CARLOS GOMES DE SOUZA SHALDERS CAP�TULO 14 = CL�LIA SOARES DA ROCHA CAP�TULO 15 = CORINA NOVELINO CAP�TULO 16 = COSME MARI�O CAP�TULO 17 = EMMA HARDINGE BRITTEN CAP�TULO 18 = EUR�PEDES BARSANULFO CAP�TULO 19 = FRANCISCO ANT�NIO BASTOS CAP�TULO 20 = FREDRICH WILLIAN HENRY MYERS CAP�TULO 21 = GEORGE VALE OWEN CAP�TULO 22 = GUILHERME TAYLOR MARCH CAP�TULO 23 = IN�CIO BITTENCOURT CAP�TULO 24 = JO�O BATISTA PEREIRA CAP�TULO 25 = JO�O FUSCO (JOFUS) CAP�TULO 26 = JO�O LE�O PITTA CAP�TULO 27 = JOS� PETITINGA CAP�TULO 28 = J�LIO ABREU FILHO CAP�TULO 29 = JUV�NCIO DE ARA�JO FIGUEIREDO CAP�TULO 30 = MIGUEL VIVES Y VIVES CAP�TULO 31 = PEDRO DE CAMARGO VIN�CIUS CAP�TULO 32 = PEDRO LAMEIRA DE ANDRADE CAP�TULO 33 = UMBERTO BRUSSOLO CAP�TULO 34 = VIANA DE CARVALHO CAP�TULO 35 = WILLIAM STAINTON MOSES Algumas palavras do autor O meio esp�rita brasileiro, h� largos anos vem-se ressentindo da falta de informa��es biogr�ficas de grandes vultos do Espiritismo. Sentindo essa lacuna, iniciamos, h� mais de vinte anos, a publica��o, pelas p�ginas dos jornais "O Semeador", �rg�o da Federa��o Esp�rita do Estado de S. Paulo, e "Unifica��o", �rg�o da Uni�o das Sociedades Esp�ritas do Estado de S. Paulo, subs�dios biogr�ficos de numerosos pioneiros e divulgadores do Espiritismo, os quais exerceram suas tarefas no Brasil e em outros pa�ses. Esse trabalho alcan�ou acentuada repercuss�o. Atendendo a solicita��es de numerosos n�cleos esp�ritas do Brasil e, particularmente, de muitos estudiosos do Espiritismo, os quais se interessam pela vida e obra de grandes seareiros da Doutrina dos Esp�ritos, achamos de bom alvitre publicar um livro de biografias, aproveitando o material j� publicado naqueles jornais. Nesses vinte e poucos anos, grande n�mero de trabalhos biogr�ficos foram divulgados. Entretanto, se eles fossem todos enfeixados numa s� obra, al�m de ela tornar-se muito volumosa, seria dispendiosa e inacess�vel ao bolso de muitos, devido ao pre�o atual dos livros. Levando em considera��o esse e outros fatores, achamos conveniente publicar volumes com cerca de trinta registros biogr�ficos, eventualmente dando � publicidade mais de um volume. A escolha dos primeiros nomes foi feita de forma indiscriminada, pois � tarefa sumamente dif�cil, entre tantos seareiros de renome, escolher apenas um n�mero limitado. Por isso, tomamos de forma aleat�ria, dentre os esp�ritas brasileiros e estrangeiros, o n�mero necess�rio para a forma��o do primeiro volume, sem levar em conta a magnitude das tarefas por eles desempenhadas. Estamos animados da esperan�a de que, dentro em breve, outros livros ser�o dados � lume, quando ent�o a vida e obra de outros grandes batalhadores da causa esp�rita poder�o ser legadas ao p�blico ledor. PAULO ALVES GODOY Nota da editora � gritante a falta de informa��es biogr�ficas de muitos seareiros que desempenharam papel de relev�ncia na Terra. Alguns livros surgiram recentemente, os quais ensejaram a oportunidade de projetar na posteridade, os nomes de alguns dos mais salientes militantes esp�ritas, no entanto, um elevado n�mero de outros obreiros permanece relegado ao esquecimento. Embora reconhecendo que muitos Esp�ritos desencarnados n�o d�o qualquer apre�o �s homenagens terrenas, � �bvio que os nossos p�steros n�o podem e n�o devem ignorar, ainda que de forma bastante resumida e apagada, a obra por eles deixada na Terra, pois muitos deles por aqui passaram como verdadeiros rasgos de luz a iluminar os horizontes do mundo. Alguns �rg�os da imprensa esp�rita, num trabalho herc�leo, t�m procurado pesquisar e difundir ligeiros dados biogr�ficos de muitos esp�ritas que desempenharam tarefas de proje��o na Terra, o que tem contribu�do, de algum modo, para preencher essa lacuna. As "Edi��es FEESP", da Federa��o Esp�rita do Estado de S�o Paulo, sentindo a extens�o desse problema, deliberou lan�ar um ou mais livros desse g�nero, tendo, para tanto, encarregado o jornalista Paulo Alves Godoy, de prepar�-los, uma vez que aquele companheiro tem desenvolvido uma tarefa, que perdura h� mais de 20 anos, no campo da pesquisa e publica��o de informes biogr�ficos de grandes vultos do Espiritismo. Neste livro houve a preocupa��o de circunscrever ao menor espa�o poss�vel esses dados, para que maior n�mero de personalidades esp�ritas pudesse ser nele enfeixado, e o fato de n�o ter sido poss�vel abranger a todos, no que n�o vai nenhuma desconsidera��o pelas tarefas por eles desempenhadas, esperamos que, futuramente, novos volumes sejam lan�ados, nos quais mais alguns vultos esp�ritas tenham sua vida e obra registradas. A Federa��o Esp�rita do Estado de S. Paulo presta, assim, o seu tributo, lan�ando a lume esta obra que, temos a certeza, vir� satisfazer a aspira��o de elevado n�mero de esp�ritas. A EDITORA 1 AD�LIA RUEFF Nascida em Pinhal, Estado de S�o Paulo, no dia 5 de Junho de 1868 e desencarnada na mesma cidade, no dia 2 de Fevereiro de 1953, com 84 anos de idade. Desde o seu surgimento na Terra, no ano de 1857, o Espiritismo enfrentou tenaz resist�ncia por parte da religi�o majorit�ria do Brasil. Entretanto, na d�cada de 1930, essa press�o acentuou-se de maneira inusitada, fazendo-se sentir em toda a sua intensidade. Na cidade de Pinhal, o clima n�o era diferente. Entretanto, como Deus situa em cada cidade um Esp�rito que desenvolve tarefas pioneiras e santificantes, aquele n�cleo populacional do Estado de S�o Paulo, n�o poderia constituir exce��o, por isso ali reencarnou o Esp�rito mission�rio de Ad�lia Rueff, mais conhecida por "tia Ad�lia", que teve a oportunidade �mpar de desenvolver santificante trabalho em favor do esclarecimento dos seus semelhantes, alicer�ada na recomenda��o de Jesus do "Amai-vos uns aos outros". A fim de propiciar aos nossos leitores uma apagada s�mula biogr�fica dessa grande vida, passamos a transcrever um substancioso trabalho elaborado pelo confrade Jo�o Batista Laurito, atual presidente da Federa��o Esp�rita do Estado de S�o Paulo, que teve a oportunidade feliz de com ela conviver, locupletando-se com os frutos sazonados que ela t�o bem sabia doar aos que usufru�ram de sua benfazeja orienta��o espiritual. "Foi exatamente em 1936 que tive os meus olhos abertos para as claridades fulgurantes da Doutrina Consoladora. Embora nascido em ber�o esp�rita, foi somente nesse ano que, indo residir em Pinhal, a fim de estudar na "Escola Agr�cola", conheci o "Centro Esp�rita Estrela da Caridade", brilhante fanel de luzes na Regi�o Mojiana, centro de irradia��o de caridade e amor a todos os que tinham a oportunidade de freq�ent�-lo. Essa Casa foi fundada em 11 de janeiro de 1911 e, desde o dia de sua funda��o at� 1950, ininterruptamente, foi essa c�lula de fraternidade, s�bia e amorosamente presidida por sua fundadora AD�LIA RUEFF (Tia Ad�lia), assim chamada, porque solteira, abrigou em seu lar enorme contingente de sobrinhos de outras cidades, que na idade pr�pria buscavam Pinhal, para aculturamento escolar, fato que durou muitos anos. E esses sobrinhos eram tantos, que generalizaram entre outras pessoas, a alcunha "Tia Ad�lia". O Dr. Francisco Silviano de Almeida Brand�o, por ocasi�o de sua cola��o de grau como m�dico, houvera feito uma promessa no final do s�culo 19 que se tudo transcorresse bem por ocasi�o de sua formatura, abriria um Centro Esp�rita, pois j� nessa �poca professava a cren�a reencarnacionista. Mas como as coisas na ocasi�o eram, al�m de dif�ceis, o esp�rito popular muito antag�nico, foi postergando a id�ia at� desencarnar. No mundo espiritual, viu a necessidade do cumprimento da promessa, e surgindo a primeira oportunidade, comunicou-se com Tia Ad�lia, pedindo- lhe que cumprisse por ele a promessa. Assim nasceu o "Centro Esp�rita Estrela da Caridade". Durante cinco anos, moramos com ela. E �s ter�as e s�bados, �s 19:30 horas, l� est�vamos no "Estrela da Caridade", e a sua voz, firme, inflex�vel, embora mansa e doce, ainda ecoa em nossos ouvidos, quando iniciava a sess�o declamando: "Deus nosso Pai, que sois todo poder e bondade... e ao encerrar: Sublime estrela, farol das imortais falanges... Nasceu no dia 5 de junho de 1868, ali mesmo em Pinhal, predestinada a somente servir, n�o casou. Durante toda a sua f�rtil exist�ncia, amou e deu tanto de si aos outros, que formou em seu derredor uma aur�ola de inenarr�vel admira��o. M�dium de exuberantes propor��es bastava a imposi��o de suas compassivas m�os, para aliviar instantaneamente as pessoas, que a procuravam com tanta avidez, sem lhe permitir sossego ou descanso. Certa feita ela viajou. E n�s, que aos domingos aproveit�vamos para dormir at� bem mais tarde, sem nenhuma alegria ou boa vontade, atendemos 17 pessoas que a procuraram para tomar passes, das 8 �s 12 horas. Uma ocasi�o, um confrade de Jacutinga - Minas Gerais -, viajou, a p�, 26 quil�metros para presente�-la com um saquinho de feij�o verde, numa atitude de comovedora gratid�o. A mesa diretora dos trabalhos era formada. Na cabeceira principal sentava Tia Ad�lia, sob uma iluminada Estrela de l�mpadas coloridas, s�mbolo do Centro. Na outra cabeceira, o Vice-Presidente, Z� Caf�. As laterais para os m�diuns, Dona Ordalha, Tereza, Idalina, Dona Eug�nia, e a extraordin�ria Dona Ad�lia Neto, que quando recebia o Guia Espiritual do Centro "Irm�o Silviano", se colocava de p�, abria os olhos, e de uma criatura t�mida e simples, embora bela, se transformava num tribuno imponente e erudito. Pudera, m�dium inconsciente dando passividade ao Esp�rito Dr. Francisco Silviano de Almeida Brand�o, m�dico, Presidente do Estado de Minas Gerais. Na porta de entrada, controlando com vigil�ncia e severidade a admiss�o dos freq�entadores, a Mariana e a Rosa Domiciano, zeladoras do grupo. Viajando em charretes, excepcionalmente em autom�veis e quase sempre a p�, l� ia Tia Ad�lia, � periferia Pinhalense e aos s�tios vizinhos, cumprindo a predestina��o de sua encarna��o como l�dima mission�ria do Cristo: atendendo aos aflitos, curando os obsediados, levantando os ca�dos, vestindo as vi�vas, alimentando as crian�as e amparando os velhos. Que criatura extraordin�ria! Doce, mansa, boa. Jamais a vimos encolerizada, jamais a vimos levantar a voz. � medida que envelhecia, fruto de dois acidentes graves, se curvava, se encarquilhava, tornando-se menor. Fatos que nunca a fizeram perder a paci�ncia. Olhos vivos, argutos, mente clara, pensamento limpo, conselheira oficial de quase toda a popula��o pinhalense. Fato que lhe proporcionou tributo de grande admira��o, respeito e afei��o por seus contempor�neos. Descrever fatos do desenvolvimento esp�rita de "Tia Ad�lia" no campo da benemer�ncia, seria tarefa que preencheria um enorme livro. M�dium de determina��o na cren�a do trabalho doutrin�rio, deixava sempre para segundo plano a necessidade de repouso f�sico, aproveitando todo tempo dispon�vel no atendimento dos mais necessitados do caminho. Por ocasi�o das festividades comemorativas no "Estrela da Caridade", Tia Ad�lia, com muito carinho e intelig�ncia, preparava seus discursos e em p�, inflamada, erecta, impressionava os presentes ao transmitir seus inequ�vocos conhecimentos a respeito da Doutrina. Empolgava tanto as suas palestras, que os menos avisados, desconhecedores das virtudes medi�nicas, n�o conseguiam reconhec�- la na oradora. Os frequentadores do "Centro Esp�rita Estrela da Caridade", chegavam a venerar a tal ponto o Guia Espiritual do Grupo, Irm�o Silviano, que narraremos um acontecimento inusitado para o conhecimento dos leitores: Em determinada ocasi�o, brinc�vamos com um grupo de crian�as, quando uma garota nos contou algo muito s�rio. Exigimos dela que jurasse se aquilo era verdade. E ela, jurou por Deus que tudo quanto dissera representava a express�o da verdade. N�o aceitamos o juramento e retrucamos: jurar por Deus n�o interessa; voc� jura pelo "Irm�o Silviano"? - Era exigir demais dela, que n�o teve coragem de ratificar o juramento, pois para jurar em nome do "Irm�o Silviano" s� se fosse inabal�vel verdade. A resid�ncia de Tia Ad�lia era mais freq�entada que o Centro Esp�rita. Era gente que entrava, era gente que sa�a, uns tomando passes, outros recebendo conselhos e orienta��es. Aos domingos verdadeiras filas se formavam, algu�m querendo ser grato empunhava uma cesta de laranjas, um feixe de verduras; outro, uma bra�ada de flores, pacotes de cereais, frangos, ovos, lenha rachada, frutas, etc... Guard�vamos tudo. Na segunda-feira, inici�vamos a caminhada inversa dos presentes. Eram necessitados de toda sorte que iam visit�-la, e ap�s o passe reparador, a palavra conselheira e amiga, e um agradozinho representado por ovos, frutas, legumes, flores. Tudo que vinha no domingo sa�a na segunda-feira, numa viv�ncia "Dai de gra�a o que de gra�a receberdes". 2 ADOLFO BEZERRA DE MENEZES Nascido na antiga Freguesia do Riacho do Sangue, hoje Solon�pole, no Cear�, aos 29 dias do m�s de agosto de 1831, e desencarnado no Rio de Janeiro, a 11 de abril de 1900. Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti, no ano de 1838, entrou para a escola p�blica da Vila do Frade, onde em dez meses apenas, preparou-se suficientemente at� onde dava o saber do mestre que lhe dirigia a primeira fase de educa��o. Bem cedo revelou sua fulgurante intelig�ncia, pois, aos onze anos de idade, iniciava o curso de Humanidades e, aos treze anos, conhecia t�o bem o latim que ministrava, a seus companheiros, aulas dessa mat�ria, substituindo o professor da classe em seus impedimentos. Seu pai, o capit�o das antigas mil�cias e tenente-coronel da Guarda Nacional, Ant�nio Bezerra de Menezes, homem severo, de honestidade a toda prova e de ilibado car�ter, tinha bens de fortuna em fazendas de cria��o. Com a pol�tica, e por efeito do seu bom cora��o, que o levou a dar abonos de favor a parentes e amigos, que o procuravam para explorar-lhe os sentimentos de caridade, comprometeu aquela fortuna. Percebendo, por�m, que seus d�bitos igualavam seus haveres, procurou os credores e lhes prop�s entregar tudo o que possu�a, o que era suficiente para integralizar a d�vida. Os credores, todos seus amigos, recusaram a proposta, dizendo-lhe que pagasse como e quando quisesse. O velho honrado insistiu; por�m, n�o conseguiu demover os credores sobre essa resolu��o, por isso deliberou tornar-se mero administrador do que fora sua fortuna, n�o retirando dela sen�o o que fosse estritamente necess�rio para a manuten��o da sua fam�lia, que assim passou da abastan�a �s priva��es. Animado do firme prop�sito de orientar-se pelo car�ter �ntegro de seu pai, Bezerra de Menezes, com minguada quantia que seus parentes lhe deram, e animado do prop�sito de sobrepujar todos os �bices, partiu para o Rio de Janeiro a fim de seguir a carreira que sua voca��o lhe inspirava: a Medicina. Em novembro de 1852, ingressou como praticante interno no Hospital da Santa Casa de Miseric�rdia. Doutorou-se em 1856 pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, defendendo a tese "Diagn�stico do Cancro". Nessa altura abandonou o �ltimo patron�mico, passando a assinar apenas Adolfo Bezerra de Menezes. A 27 de abril de 1857, candidatou-se ao quadro de membros titulares da Academia Imperial de Medicina, com a mem�ria "Algumas Considera��es sobre o Cancro encarado pelo lado do Tratamento". O parecer foi lido pelo relator designado, Acad�mico Jos� Pereira Rego, a 11 de maio de 1857, tendo a elei��o se efetuado a 18 de maio do mesmo ano e a posse a 1� de junho. Em 1858 candidatou-se a uma vaga de lente substituto da Sec��o de Cirurgia da Faculdade de Medicina. Por intercess�o do mestre Manoel Feliciano Pereira de Carvalho, ent�o Cirurgi�o-Mor do Ex�rcito, Bezerra de Menezes foi nomeado seu assistente, no posto de Cirurgi�o-Tenente. Eleito vereador municipal pelo Partido Liberal, em 1861, teve sua elei��o impugnada pelo chefe conservador, Haddock Lobo, sob a alega��o de ser m�dico militar. Objetivando servir o seu Partido, que necessitava dele a fim de obter maioria na C�mara, resolveu Bezerra de Menezes afastar-se do Ex�rcito. Em 1867 foi eleito Deputado Geral, tendo ainda figurado em lista tr�plice para uma cadeira no Senado. Quando pol�tico, levantou-se contra ele, a exemplo do que ocorre com todos os pol�ticos honestos, uma torrente de inj�rias que cobriu o seu nome de improp�rios. Entretanto, a prova da pureza da sua alma deu-se quando, abandonando a vida p�blica, foi viver para os pobres, repartindo com os necessitados o pouco que possu�a. Corria sempre ao tug�rio do pobre, onde houvesse um mal a combater, levando ao aflito o conforto de sua palavra de bondade, o recurso da ci�ncia de m�dico e o aux�lio da sua bolsa minguada e generosa. Desviado interinamente da atividade pol�tica e dedicando-se a empreendimentos empresariais, criou a Companhia de Estrada de Ferro Maca�, a Campos, na ent�o prov�ncia do Rio de Janeiro. Depois, empenhou-se na constru��o da via f�rrea de S. Ant�nio de P�dua, etapa necess�ria ao seu desejo, n�o concretizado, de lev�-la at� o Rio Doce. Era um dos diretores da Companhia Arquitet�nica que, em 1872, abriu o "Boulevard 28 de Setembro", no ent�o bairro de Vila Isabel, cujo top�nimo prestava homenagem � Princesa Isabel. Em 1875, era presidente da Companhia Carril de S. Crist�v�o. Retornando � pol�tica, foi eleito vereador em 1876, exercendo o mandato at� 1880. Foi ainda presidente da C�mara e Deputado Geral pela Prov�ncia do Rio de Janeiro, no ano de 1880. O Dr. Carlos Travassos havia empreendido a primeira tradu��o das obras de Allan Kardec e levara a bom termo a vers�o portuguesa de "O Livro dos Esp�ritos". Logo que esse livro saiu do prelo levou um exemplar ao deputado Bezerra de Menezes, entregando-o com dedicat�ria. O epis�dio foi descrito do seguinte modo pelo futuro M�dico dos Pobres: "Deu-mo na cidade e eu morava na Tijuca, a uma hora de viagem de bonde. Embarquei com o livro e, como n�o tinha distra��o para a longa viagem, disse comigo: ora, adeus! N�o hei de ir para o inferno por ler isto... Depois, � rid�culo confessar-me ignorante desta filosofia, quando tenho estudado todas as escolas filos�ficas. Pensando assim, abri o livro e prendi-me a ele, como acontecera com a B�blia. Lia. Mas n�o encontrava nada que fosse novo para meu Esp�rito. Entretanto, tudo aquilo era novo para mim!... Eu j� tinha lido ou ouvido tudo o que se achava no "O Livro dos Esp�ritos". Preocupei-me seriamente com este fato maravilhoso e a mim mesmo dizia: parece que eu era esp�rita inconsciente, ou, mesmo como se diz vulgarmente, de nascen�a". No dia 16 de agosto de 1886, um audit�rio de cerca de duas mil pessoas da melhor sociedade enchia a sala de honra da Guarda Velha, na rua da Guarda Velha, atual Avenida 13 de Maio, no Rio de Janeiro, para ouvir em sil�ncio, emocionado, at�nito, a palavra s�bia do eminente pol�tico, do eminente m�dico, do eminente cidad�o, do eminente cat�lico, Dr. Bezerra de Menezes, que proclamava a sua decidida convers�o ao Espiritismo. Bezerra era um religioso no mais elevado sentido. Sua pena, por isso, desde o primeiro artigo assinado, em janeiro de 1887, foi posta a servi�o do aspecto religioso do Espiritismo. Demonstrada a sua capacidade liter�ria no terreno filos�fico e religioso, quer pelas r�plicas, quer pelos estudos doutrin�rios, a Comiss�o de Propaganda da Uni�o Esp�rita do Brasil, incumbiu-o de escrever, aos domingos, no "O Pa�s" tradicional �rg�o da imprensa brasileira, a s�rie de "Estudos Filos�ficos", sob o t�tulo "O Espiritismo". O Senador Quintino Bocai�va, diretor daquele jornal de grande penetra��o e circula��o, "o mais lido do Brasil", tornou-se mesmo simpatizante da Doutrina Esp�rita. Os artigos de Max, pseud�nimo de Bezerra de Menezes, marcaram a �poca de ouro da propaganda esp�rita no Brasil. De novembro de 1886 a dezembro de 1893, escreveu ininterruptamente, ardentemente. Da bibliografia de Bezerra de Menezes, antes e ap�s a sua convers�o do Espiritismo, constam os seguintes trabalhos: "A Escravid�o no Brasil e as medidas que conv�m tomar para extingui-la sem dano para a Na��o", "Breves considera��es sobre as secas do Norte", "A Casa Assombrada", "A Loucura sob Novo Prisma", "A Doutrina Esp�rita como Filosofia Teog�nica", "Casamento e Mortalha", "P�rola Negra", "L�zaro - o Leproso", "Hist�ria de um Sonho", "Evangelho do Futuro". Escreveu ainda v�rias biografias de homens c�lebres, como o Visconde do Uruguai, o Visconde de Carval�s, etc. Foi um dos redatores de "A Reforma", �rg�o liberal da Corte, e redator do jornal "Sentinela da Liberdade". Bezerra de Menezes tinha a fun��o de m�dico no mais elevado conceito, por isso, dizia ele: "Um m�dico n�o tem o direito de terminar uma refei��o, nem de perguntar se � longe ou perto, quando um aflito qualquer lhe bate � porta. O que n�o acode por estar com visitas, por ter trabalhado muito e achar-se fatigado, ou por ser alta hora da noite, mau o caminho ou o tempo, ficar longe ou no morro, o que sobretudo pede um carro a quem n�o tem com que pagar a receita, ou diz a quem lhe chora � porta que procure outro - esse n�o � m�dico, � negociante de medicina, que trabalha para recolher capital e juros dos gastos de formatura. Esse � um desgra�ado, que manda para outro o anjo da caridade que lhe veio fazer uma visita e lhe trazia a �nica esp�rtula que podia saciar a sede de riqueza do seu Esp�rito, a �nica que jamais se perder� nos vaiv�ns da vida." * * * Em 1883, reinava um ambiente francamente dispersivo no seio do Espiritismo brasileiro e os que dirigiam os n�cleos esp�ritas do Rio de Janeiro sentiam a necessidade de uma uni�o mais bem estruturada e que, por isso mesmo, se tornasse mais indestrut�vel. Os Centros, onde se ministrava a Doutrina, trabalhavam de forma aut�noma. Cada um deles exercia a sua atividade em um determinado setor, sem conhecimento das atividades dos demais. Esse sentimento levou-os � funda��o da Federa��o Esp�rita Brasileira. Nessa �poca j� existiam muitas sociedades esp�ritas, por�m, as �nicas que mantinham a hegemonia de mando eram quatro: a "Acad�mica", a "Fraternidade", a "Uni�o Esp�rita do Brasil" e a "Federa��o Esp�rita Brasileira", entretanto, logo surgiram entre elas vivas disc�rdias. Sob os ausp�cios de Bezerra de Menezes, e acatando prescri��es das importantes "Instru��es" recebidas do plano espiritual pelo m�dium Frederico J�nior, foi fundado o famoso "Centro Esp�rita", o que, entretanto, n�o impediu que Bezerra desse a sua colabora��o a todas as outras institui��es. O entusiasmo dos esp�ritas logo se arrefeceu, e o velho seareiro se viu desamparado dos seus companheiros, chegando a ser o �nico freq�entador do Centro. A cis�o era profunda entre os chamados "m�sticos" e "cient�ficos", ou seja, esp�ritas que aceitavam o Espiritismo em seu aspecto religioso, e os que o aceitavam simplesmente pelo lado cient�fico e filos�fico. Em 1893, a convuls�o provocada no Brasil pela Revolta da Armada, ocasionou o fechamento de todas as sociedades esp�ritas ou n�o. No Natal do mesmo ano Bezerra encerrou a s�rie de "Estudos Filos�ficos" que vinha publicando no "O Pa�s". Em 1894, o ambiente mostrou tend�ncias para melhora e o nome de Bezerra de Menezes foi lembrado como o �nico capaz de unificar o movimento esp�rita. O infatig�vel batalhador, com 63 anos de idade, assumiu a presid�ncia da Federa��o Esp�rita Brasileira, cargo que ocupou at� a sua desencarna��o. Iniciava-se o ano de 1900, e Bezerra de Menezes foi acometido de violento ataque de congest�o cerebral, que o prostrou no leito, de onde n�o mais se levantaria. Verdadeira romaria de visitantes acorria � sua casa. Ora o rico, ora o pobre, ora o opulento, ora o que nada possu�a. Ningu�m desconhecia a luta tremenda em que se debatia a fam�lia do grande ap�stolo do Espiritismo. Todos conheciam suas dificuldades financeiras, mas ningu�m teria a coragem de oferecer fosse o que fosse, de forma direta. Por isso, os visitantes depositavam suas esp�rtulas, delicadamente, debaixo do seu travesseiro. No dia seguinte, a pessoa que lhe foi mudar as fronhas, surpreendeu-se por ver ali desde o tost�o do pobre at� a nota de duzentos mil reis do abastado!... * * * Ocorrida a sua desencarna��o, verdadeira peregrina��o demandou sua resid�ncia a fim de prestar-lhe a �ltima visita. No dia 17 de abril, promovido por Leopoldo Cirne, reuniram-se alguns amigos de Bezerra, a fim de chegarem a um acordo sobre a melhor maneira de amparar a sua fam�lia, tendo ent�o sido formada uma comiss�o que funcionou sob a presid�ncia de Quintino Bocai�va, senador da Rep�blica, para se promover espet�culos e concertos, em benef�cio da fam�lia daquele que mereceu o cognome de "Kardec Brasileiro". * * * Digno de registro foi um caso sucedido com o Dr. Bezerra de Menezes, quando ainda era estudante de Medicina. Ele estava em s�rias dificuldades financeiras, precisando da quantia de cinq�enta mil r�is (antiga moeda brasileira), para pagamento das taxas da Faculdade e para outros gastos indispens�veis em sua habita��o, pois o senhorio, sem qualquer contempla��o, amea�ava despej�-lo. Desesperado - uma das raras vezes em que Bezerra se desesperou na vida - e como n�o fosse incr�dulo, ergueu os olhos ao Alto e apelou a Deus. Poucos dias ap�s bateram-lhe � porta. Era um mo�o simp�tico e de atitudes polidas que pretendia tratar algumas aulas de Matem�tica. Bezerra recusou, a princ�pio, alegando ser essa mat�ria a que mais detestava, entretanto, o visitante insistiu e por fim, lembrando-se de sua situa��o desesperadora, resolveu aceitar. O mo�o pretextou ent�o que poderia esbanjar a mesada recebida do pai, pediu licen�a para efetuar o pagamento de todas as aulas adiantadamente. Ap�s alguma relut�ncia, convencido, acedeu. O mo�o entregou-lhe ent�o a quantia de cinq�enta mil r�is. Combinado o dia e a hora para o in�cio das aulas, o visitante despediu-se, deixando Bezerra muito feliz, pois conseguiu assim pagar o aluguel e as taxas da Faculdade. Procurou livros na biblioteca p�blica para se preparar na mat�ria, mas o rapaz nunca mais apareceu. No ano de 1894, em face das dissens�es reinantes no seio do Espiritismo brasileiro, alguns confrades, tendo � frente o Dr. Bittencourt Sampaio, resolveram convidar Bezerra a fim de assumir a presid�ncia da Federa��o Esp�rita Brasileira. Em vista da relut�ncia dele em assumir aquele espinhoso encargo, travou-se a seguinte conversa��o: Querem que eu volte para a Federa��o. Como voc�s sabem aquela velha sociedade est� sem presidente e desorientada. Em vez de trabalhos met�dicos sobre Espiritismo ou sobre o Evangelho, vive a discutir teses bizantinas e a alimentar o esp�rito de hegemonia. O trabalhador da vinha, disse Bittencourt Sampaio, � sempre amparado. A Federa��o pode estar errada na sua propaganda doutrin�ria, mas possui a Assist�ncia aos Necessitados, que basta por si s� para atrair sobre ela as simpatias dos servos do Senhor. De acordo. Mas a Assist�ncia aos Necessitados est� adotando exclusivamente a Homeopatia no tratamento dos enfermos, terap�utica que eu adoto em meu tratamento pessoal, no de minha fam�lia e recomendo aos meus amigos, sem ser, entretanto, m�dico homeopata. Isto ali�s me tem criado s�rias dificuldades, tornando-me um m�dico in�til e deslocado que n�o cr� na medicina oficial e aconselha a dos Esp�ritos, n�o tendo assim o direito de exercer a profiss�o. E por que n�o te tornas m�dico homeopata? disse Bittencourt. N�o entendo patavinas de Homeopatia. Uso a dos Esp�ritos e n�o a dos m�dicos. Nessa altura, o m�dium Frederico J�nior, incorporando o Esp�rito de S. Agostinho, deu um aparte: Tanto melhor. Ajudar-te-emos com maior facilidade no tratamento dos nossos irm�os. Como, bondoso Esp�rito? Tu me sugeres viver do Espiritismo? N�o, por certo! Viver�s de tua profiss�o, dando ao teu cliente o fruto do teu saber humano, para isso estudando Homeopatia como te aconselhou nosso companheiro Bittencourt. N�s te ajudaremos de outro modo: Trazendo-te, quando precisares, novos disc�pulos de Matem�tica... 3 ALLAN KARDEC Nascido em Lyon, Fran�a, no dia 3 de outubro de 1804 e desencarnado em Paris, no dia 31 de mar�o de 1869. Muito se tem escrito sobre a personalidade de Allan Kardec, existindo mesmo v�rias e extensas biografias sobre a sua obra mission�ria. � sobejamente conhecida a sua vida anteriormente ao dia 18 de abril de 1857, quando publicou a magistral obra "O Livro dos Esp�ritos", que deu in�cio ao processo de codifica��o do Espiritismo. Nesta s�mula biogr�fica, procuraremos esbo�ar alguns informes sobre a sua inconfund�vel personalidade, alguns deles j� do conhecimento geral. O seu verdadeiro nome era Hippolyte-L�on-Denizard Rivail. "Hippolite" em fam�lia; "Professor Rivail" na sociedade e "H-L-D. Rivail" na literatura era, desde os 18 anos mestre colegial de Ci�ncias e Letras, e, desde os 20 anos renomado autor de livros did�ticos. Suas obras esp�ritas foram escritas com o pseud�nimo de Allan Kardec. Destacou-se na profiss�o para a qual fora aprimoradamente educado na Su��a, na escola do maior pedagogo do primeiro quartel do s�culo 19, de fama mundial e at� hoje paradigma dos mestres: Jo�o Henrique Pestalozzi. E, em Paris, sucedeu ao pr�prio mestre. Allan Kardec contava 51 anos quando se dedicou � observa��o e estudo dos fen�menos esp�ritas, sem os entusiasmos naturais das criaturas ainda n�o amadurecidas e sem experi�ncia. A sua pr�pria reputa��o de homem probo e culto constituiu o obst�culo em que esbarraram certas afirma��es levianas dos detratores do Espiritismo. Dois anos depois, em 1857, divulgava "O Livro dos Esp�ritos". Em 1858, iniciava a publica��o da famosa "Revue Spirite". Em 1861, dava a lume "O Livro dos M�diuns". Em 1864, aparecia "O Evangelho segundo o Espiritismo"; seguido de "O C�u e o Inferno" em 1865. Finalmente, em 1868 "A G�nesis�, completava o pentateuco do Espiritismo. Na ingente tarefa de codifica��o do Espiritismo, Allan Kardec contou com o valioso concurso de tr�s meninas que se tornaram as m�diuns principais no trabalho de compila��o de "O Livro dos Esp�ritos": Caroline Baudin, Julie Baudin e Ruth Celine Japhet. As duas primeiras foram utilizadas para a concatena��o da ess�ncia dos ensinos esp�ritas e a �ltima para os esclarecimentos complementares. Ultimada a obra e ratificados todos os ensinamentos ali contidos, por sugest�o dos Esp�ritos, Allan Kardec recorreu a outros m�diuns, estranhos ao primeiro grupo, dentre eles Japhet e Roustan, m�diuns intuitivos; a senhora Canu, son�mbula inconsciente; Canu, m�dium de incorpora��o; a sra. Leclerc, m�dium psic�grafa; a sra. Clement, m�dium psic�grafa e de incorpora��o; a sra. De Pleinemaison, auditiva e inspirada; sra. Roger, clarividente; e srta. Aline Carlotti, m�dium psic�grafa e de incorpora��o. Escrevendo sobre a personalidade do �nclito mestre, o em�rito Dr. Silvino Canuto Abreu afirmou o seguinte: "De cultura acima do normal nos homens ilustres de sua idade e do seu tempo, imp�s-se ao geral respeito desde mo�o. Temperamento infenso � fantasia, sem instinto po�tico nem romanesco, todo inclinado ao m�todo, � ordem, � disciplina mental, praticava, na palavra escrita ou falada, a precis�o, a nitidez, a simplicidade, dentro dum vern�culo perfeito, escoimado de redund�ncias. De estatura me�, apenas 165 cent�metros, e constitui��o delicada, embora saud�vel e resistente, o professor Rivail tinha o rosto sempre p�lido, chupado, de zigomas salientes e pele sardenta, castigado de rugas e verrugas. Fronte vertical comprida e larga, arredondada ao alto, erguida sobre arcadas orbit�rias proeminentes, com sobrancelhas abundantes e castanhas. Cabelos lisos e grisalhos, ralos por toda a parte, falhos atr�s (onde alguns fios mal encobriam a larga coroa calva da madureza), repartidos, na frente, da esquerda para a direita, sem topetes, confundidos, nos temporais, com as barbas grisalhas e aparadas que lhe desciam at� o l�bulo das orelhas e cobriam, na nuca, o colarinho duro, de pontas coladas ao queixo. Olhos pequenos e afundados, com olheiras e p�pulas. Nariz grande, ligeiramente acavaletado perto dos olhos, com largas narinas entre rictos arqueados e auteros. Bigodes rarefeitos, aparados � borda do l�bio, quase todo branco. Pera triangular sob o bei�o, disfar�ando uma pinta cabeluda. Semblante severo quando estudava ou magnetizava, mas cheio de vivacidade amena e sedutora quando ensinava ou palestrava. O que nele mais impressionava era o olhar estranho e misteriosos, cativante pela brandura das pupilas pardas, autorit�rio pela penetra��o a fundo na alma do interlocutor. Pousava sobre o ouvinte como suave farol e n�o se desviava abstrato para o vago sen�o quando meditava, a s�s. E o que mais personalidade lhe dava era a voz, clara e firme, de tonalidade agrad�vel e oracional, que podia mesclar agradavelmente desde o murm�rio acariciante at� as explos�es de eloq��ncia parlamentar. Sua gesticula��o era s�bria, educada. Quando distra�do, a ler ou a pensar, confiava os "favoris". Quando ouvia uma pessoa, enfiava o polegar direito no espa�o entre dois bot�es do colete, a fim de n�o aparentar impaci�ncia e, ao contr�rio, convencer de sua toler�ncia e aten��o. Conversando com disc�pulos ou amigos �ntimos, apunha algumas vezes a destra no ombro do ouvinte, num gesto de familiaridade. Mantinha rigorosa etiqueta social diante das damas." Pelo seu profundo e inexced�vel amor ao bem e � verdade, Allan Kardec edificou para todo o sempre o maior monumento de sabedoria que a Humanidade poderia ambicionar, desvendando os grandes mist�rios da vida, do destino e da dor, pela compreens�o racional e positiva das m�ltiplas exist�ncias, tudo � luz meridiana dos postulados do ninfo Cristianismo. Filho de pais cat�licos, Allan Kardec foi criado no Protestantismo, mas n�o abra�ou nenhuma dessas religi�es, preferindo situar-se na posi��o de livre pensador e homem de an�lise. Compungia-lhe a rigidez do dogma que o afastava das concep��es religiosas. O excessivo simbolismo das teologias e ortodoxias, tornava-o incompat�vel com os princ�pios da f� cega. Situado nessa posi��o, em face de uma vida intelectual absorvente, foi o homem de pondera��o, de car�ter ilibado e de saber profundo, despertado para o exame das manifesta��es das chamadas mesas girantes. A esse tempo o mundo estava voltado, em sua curiosidade, para os in�meros fatos ps�quicos que, por toda a parte, se registravam e que, pouco depois, culminaram no advento da altamente consoladora doutrina que recebeu o nome de Espiritismo, tendo como seu codificados, o educador em�rito e imortal de Lyon. O Espiritismo n�o era, entretanto, cria��o do homem e sim uma revela��o divina � Humanidade para a defesa dos postulados legados pelo Meigo Rabi da Galil�ia, numa quadra em que o materialismo avassalador conquistava as mais pujantes intelig�ncias e os c�rebros proeminentes da Europa e das Am�ricas. A primeira sociedade esp�rita regularmente constitu�da foi fundada por Allan Kardec, em Paris, no dia 1� de abril de 1858. Seu nome era "Sociedade Parisiense de Estudos Esp�ritas". A ela o codificador emprestou o seu valioso concurso, propugnando para que atingisse os nobilitantes objetivos para os quais foi criada. Allan Kardec � invulner�vel � increpa��o de haver escrito sob a influ�ncia de id�ias preconcebidas ou de esp�rito de sistema. Homem de car�ter frio e severo, observava os fatos e dessas observa��es deduzia as leis que os regem. A codifica��o da Doutrina Esp�rita colocou Kardec na galeria dos grandes mission�rios e benfeitores da Humanidade. A sua obra � um acontecimento t�o extraordin�rio como a Revolu��o Francesa. Esta estabeleceu os direitos do homem dentro da sociedade, aquela instituiu os liames do homem com o universo, deu-lhe as chaves dos mist�rios que assoberbavam os homens, dentre eles o problema da chamada morte, os quais at� ent�o n�o haviam sido equacionados pelas religi�es. A miss�o do �nclito mestre, como havia sido prognosticada pelo Esp�rito de Verdade, era de escolhos e perigos, pois ela n�o seria apenas de codificar, mas principalmente de abalar e transformar a Humanidade. A miss�o foi-lhe t�o �rdua que, em nota de 1� de janeiro de 1867, Kardec referia-se as ingratid�es de amigos, a �dios de inimigos, a inj�rias e a cal�nias de elementos fanatizados. Entretanto, ele jamais esmoreceu diante da tarefa. 4 AM�RICO MONTAGNINI PROF. AM�RICO MONTAGNINI Nascido na cidade de S�o Jo�o da Boa Vista, Estado de S. Paulo, no dia 1� de maio de 1897, e desencarnado em S. Paulo, no dia 29 de novembro de 1966. Na hist�ria do Espiritismo paulista um lugar de destaque � reservado ao Prof. Am�rico Montagnini, quer seja pela sua atua��o incessante, quer pelo seu grande esfor�o em favor do engrandecimento da causa comum que esposamos. Montagnini foi presidente da tradicional Associa��o Esp�rita S�o Pedro e S�o Paulo, uma institui��o que prestou inestim�veis servi�os ao Espiritismo, numa �poca quando ele era mal compreendido e olhado por muitos com reservas. Essa associa��o teve a sua sede na rua Bar�o de Paranapiacaba n� 7, na capital do Estado de S. Paulo, tendo passado por ela grandes vultos esp�ritas, dentre eles os Drs. Augusto Milit�o Pacheco e Pedro Lameira de Andrade. Pertencendo ao quadro diretivo dessa famosa entidade esp�rita, o Prof. Montagnini foi um dos elementos que mais propugnaram para que tanto a Associa��o Esp�rita S. Pedro e S. Paulo como a Sociedade Metaps�quica de S. Paulo se extinguissem, fundindo-se numa nova institui��o: a Federa��o Esp�rita do Estado de S. Paulo, com um programa muito mais vasto e arrojado. Desta forma, no dia 12 de julho de 1936, com a funda��o da Federa��o, Montagnini passou a lhe dar todo o concurso poss�vel. Com a ren�ncia, em 10 de dezembro de 1939, do ent�o presidente da institui��o, Dr. Jo�o Batista Pereira, Am�rico Montagnini assumiu a sua presid�ncia, cargo que exerceu com raro descortino at� a data da sua desencarna��o. O trabalho do Prof. Montagnini no campo da divulga��o do Espiritismo foi dos mais salientes, entretanto, ele trabalhava em sil�ncio, sem alardes. M�dium de apreci�veis recursos foi companheiro do Dr. Augusto Milit�o Pacheco nas tarefas de esclarecimento daqueles que necessitavam tomar conhecimento dos consoladores ensinamentos dessa Doutrina. Desta forma, al�m de propiciar novas luzes �queles que dela necessitavam ele procurava minorar os sofrimentos daqueles que buscavam lenitivo para o corpo alquebrantado. Homem dotado de not�vel senso de responsabilidade, comedido em suas atitudes, leal, de invej�vel integridade moral, o Prof. Montagnini tornou-se de direito e de fato um dos baluartes no campo da divulga��o do Espiritismo no Estado de S�o Paulo. 5 AN�LIA FRANCO Nascida na cidade de Resende, Estado do Rio de Janeiro, no dia 1� de fevereiro de 1856, e desencarnada em S. Paulo, no dia 13 de janeiro de 1919. Seu nome de solteira era An�lia Em�lia Franco. Ap�s consorciar-se em matrim�nio com Francisco Ant�nio Bastos, seu nome passou a ser An�lia Franco Bastos, entretanto, � mais conhecida por An�lia Franco. Com 16 anos de idade entrou num Concurso de C�mara dessa cidade e logrou aprova��o para exercer o cargo de professora prim�ria. Trabalhou como assistente de sua pr�pria m�e durante algum tempo. Anteriormente a 1875 diplomou-se Normalista, em S. Paulo. Foi ap�s a Lei do Ventre Livre que sua verdadeira voca��o se exteriorizou: a voca��o liter�ria. J� era por esse tempo not�vel como literata, jornalista e poetisa, entretanto, chegou ao seu conhecimento que os nascituros de escravas estavam previamente destinados � "Roda" da Santa Casa de Miseric�rdia. J� perambulavam, mendicantes, pelas estradas e pelas ruas, os negrinhos expulsos das fazendas por impr�prios para o trabalho. N�o eram, como at� ent�o "negoci�veis", com seus pais e os adquirentes de cativos davam prefer�ncia �s escravas que n�o tinham filhos no ventre. An�lia escreveu, apelando para as mulheres fazendeiras. Trocou seu cargo na Capital de S�o Paulo por outro no Interior, a fim de socorrer as criancinhas necessitadas. Num bairro duma cidade do norte do Estado de S. Paulo conseguiu uma casa para instalar uma escola prim�ria. Uma fazendeira rica lhe cedeu a casa escolar com uma condi��o, que foi frontalmente repelida por An�lia: n�o deveria haver promiscuidade de crian�as brancas e negras. Diante dessa condi��o humilhante foi recusada a gratuidade do uso da casa, passando a pagar um aluguel. A fazendeira guardou ressentimento � altivez da professora, por�m, naquele local An�lia inaugurou a sua primeira e original "Casa Maternal". Come�ou a receber todas as crian�as que lhe batiam � porta, levadas por parentes ou apanhadas nas moitas e desvios dos caminhos. A fazendeira, abusando do prest�gio pol�tico do marido, vendo que a sua casa, embora alugada, se transformara num albergue de negrinhos, resolveu acabar com aquele "esc�ndalo" em sua fazenda. Promoveu dilig�ncias junto ao coronel e este conseguiu facilmente a remo��o da professora. An�lia foi para a cidade e alugou uma casa velha, pagando de seu bolso o aluguel correspondente � metade do seu ordenado. Como o restante era insuficiente para a alimenta��o das crian�as, n�o trepidou em ir, pessoalmente, pedir esmolas para a meninada. Partiu de manh�, � p�, levando consigo o grupinho escuro que ela chamava, em seus escritos, de "meus alunos sem m�es". Numa folha local anunciou que, ao lado da escola p�blica, havia um pequeno "abrigo" para as crian�as desamparadas. A fama, nem sempre favor�vel da novel professora, encheu a cidade. A curiosidade popular tomou-se de espanto, num domingo de festa religiosa. Ela apareceu nas ruas com seus "alunos sem m�es", em bando precat�rio. Mo�a e magra, modesta e altiva, aquela impressionante figura de mulher, que mendigava para filhos de escravas, tornou-se o esc�ndalo do dia. Era uma mulher perigosa, na opini�o de muitos. Seu afastamento da cidade principiou a ser objeto de considera��o em rodas pol�ticas, nas farm�cias. Mas rugiu a seu favor um grupo de abolicionistas e republicanos, contra o grande grupo de cat�licos, escravocratas e monarquistas. Com o decorrer do tempo, deixando algumas escolas maternais no Interior, veio para S. Paulo. Aqui entrou brilhantemente para o grupo abolicionista e republicano. Sua miss�o, por�m, n�o era pol�tica. Sua preocupa��o maior era com as crian�as desamparadas, o que a levou a fundar uma revista pr�pria, intitulada "�lbum das Meninas", cujo primeiro n�mero veio a lume a 30 de abril de 1898. O artigo de fundo tinha o t�tulo "�s m�es e educadoras". Seu prest�gio no seio do professorado j� era grande quando surgiram a aboli��o da escravatura e a Rep�blica. O advento dessa nova era encontrou An�lia com dois grandes col�gios gratuitos para meninas e meninos. E logo que as leis o permitiram, ela, secundada por vinte senhoras amigas, fundou o instituto educacional que se denominou "Associa��o Feminina Beneficente e Instrutiva", no dia 17 de novembro de 1901, com sede no Largo do Arouche, em S. Paulo. Em seguida criou v�rias "Escolas Maternais" e "Escolas Elementares", instalando, com inaugura��o solene a 25 de janeiro de 1902, o "Liceu Feminino", que tinha por finalidade instruir e preparar professoras para a dire��o daquelas escolas, com o curso de dois anos para as professoras de "Escolas Maternais" e de tr�s anos para as "Escolas Elementares". An�lia Franco publicou numerosos folhetos e op�sculos referentes aos cursos ministrados em suas escolas, tratados especiais sobre a inf�ncia, nos quais as professoras encontraram meios de desenvolver as faculdades afetivas e morais das crian�as, instruindo-as ao mesmo tempo. O seu op�sculo "O Novo Manual Educativo", era dividido em tr�s partes: Inf�ncia, Adolesc�ncia e Juventude. Em 1� de dezembro de 1903, passou a publicar "A Voz Maternal", revista mensal com a apreci�vel tiragem de 6.000 exemplares, impressos em oficinas pr�prias. A Associa��o Feminina mantinha um Bazar na rua do Ros�rio n� 18, em S. Paulo, para a venda dos artefatos das suas oficinas, e uma sucursal desse estabelecimento na Ladeira do Piques n� 23. An�lia Franco mantinha Escolas Reunidas na Capital e Escolas Isoladas no Interior, Escolas Maternais, Creches na Capital e no Interior do Estado, Bibliotecas anexas �s escolas, Escolas Profissionais, Arte Tipogr�fica, Curso de Escritura��o Mercantil, Pr�tica de Enfermagem e Arte Dent�ria, L�nguas (franc�s, italiano, ingl�s e alem�o); M�sica, Desenho, Pintura, Pedagogia, Costura, Bordados, Flores artificiais e Chap�us, num total de 37 institui��es. Era romancista, escritora, teatr�loga e poetisa. Escreveu uma infinidade de livretos para a educa��o das crian�as e para as Escolas, os quais s�o dignos de serem adotados nas Escolas p�blicas. Era esp�rita fervorosa, revelando sempre inusitado interesse pelas coisas atinentes � Doutrina Esp�rita. Produziu a sua vasta cultura tr�s �timos romances: "A �gide Materna", "A Filha do Artista", e "A Filha Adotiva". Foi autora de numerosas pe�as teatrais, de di�logos e de v�rias estrofes, destacando-se "Hino a Deus", "Hino a Ana Nery", "Minha Terra", "Hino a Jesus" e outros. Em 1911 conseguiu, sem qualquer recurso financeiro, adquirir a "Ch�cara Para�so". Eram 75 alqueires de terra, parte em matas e capoeiras e o restante ocupado com benfeitorias diversas, entre as quais um velho solar, ocupado durante longos anos por uma das mais not�veis figuras da Hist�ria do Brasil: Diogo Ant�nio Feij�. Nessa ch�cara fundou An�lia Franco a "Col�nia Regeneradora D. Romualdo", aproveitando o casar�o, a estrebaria e a antiga senzala, internando ali sob dire��o feminina, os garotos mais aptos para a Lavoura, a horticultura e outras atividades agropastoris, recolhendo ainda mo�as desviadas, conseguindo assim regenerar centenas de mulheres. A vasta sementeira de An�lia Franco consistiu em setenta e uma Escolas, 2 albergues, 1 col�nia regeneradora para mulheres, 23 asilos para crian�as �rf�s, uma Banda Musical Feminina, 1 orquestra, 1 Grupo Dram�tico, al�m de oficinas para manufatura de chap�us, flores artificiais, etc., em 24 cidades do Interior e da Capital. Sua desencarna��o ocorreu precisamente quando havia tomado a delibera��o de ir ao Rio de Janeiro fundar mais uma institui��o, id�ia essa concretizada posteriormente pelo seu esposo, que ali fundou o "Asilo An�lia Franco". A obra de An�lia Franco foi, incontestavelmente, uma das mais salientes e merit�rias da Hist�ria do Espiritismo. 6 ANT�NIO GON�ALVES DA SILVA BATU�RA Nascido a 19 de mar�o de 1839, em Portugal, na Freguesia de �guas Santas, hoje integrada no Conselho da Maia, e desencarnado em S�o Paulo, no dia 22 de janeiro de 1909. Completada a sua instru��o prim�ria, veio para o Brasil, com apenas onze anos de idade, aportando no Rio de Janeiro, a 3 de janeiro de 1850. Seu nome de origem era Ant�nio Gon�alves da Silva, entretanto, devido a ser um mo�o muito ativo, correndo daqui para acol�, a gente da rua o apelidara "o batu�ra", o nome que se dava � narceja, ave pernalta, muito ligeira, de v�o r�pido, que frequentava os charcos na v�rzea formada, no atual Parque D. Pedro 2�, em S. Paulo, pelos transbordamentos do rio Tamanduate�. Desde ent�o o cognome "Batu�ra" foi incorporado ao seu nome. Batu�ra desempenhou uma s�rie de atividades que n�o cabe registrar nesta concisa biografia, entretanto, podemos afirmar que defendeu calorosamente a id�ia da aboli��o da escravatura no Brasil, quer seja abrigando escravos em sua casa e conseguindo-lhes a carta de alforria, ou fundando um jornalzinho a fim de colaborar na campanha encetada pelos grandes abolicionistas Luiz Gama, Jos� do Patroc�nio, Raul Pomp�ia, Paulo Ney, Ant�nio Bento, Rui Barbosa e tantos outros grandes paladinos das id�ias liberais. Homem de costumes simples, alimentando-se apenas de hortali�as, legumes e frutas, plantava no quintal de sua casa tudo aquilo de que necessitava para o seu sustento. Com as economias, adquiriu os ent�o desvalorizados terrenos do Lavap�s, em S. Paulo, edificando ali boa casa de resid�ncia e, ao lado dela, uma rua particular com pequenas casas que alugava a pessoas necessitadas. O tempo contribuiu para que tudo ali se valorizasse, propiciando a Batu�ra apreci�veis recursos financeiros. A rua particular deveria ser mais tarde a Rua Esp�rita, que ainda l� est�. Tomando conhecimento das altamente consoladoras verdades do Espiritismo, integrou-se resolutamente nessa causa, procurando pautar seus atos nos moldes dos preceitos evang�licos. Identificou-se de tal maneira com os postulados esp�ritas e evang�licos que, ao contr�rio do "mo�o rico" da narrativa evang�lica, como que procurando dar uma demonstra��o eloq�ente da sua comunh�o com os preceitos legados por Jesus Cristo, desprendeu-se de tudo quanto tinha e p�s-se a seguir as suas pegadas. Distribuiu o seu tesouro na Terra, para entrar de posse daquele outro tesouro do C�u. Tornou-se um dos pioneiros do Espiritismo no Brasil. Fundou o "Grupo Esp�rita Verdade e Luz", onde, no dia 6 de abril de 1890, diante de enorme assembl�ia, dava in�cio a uma s�rie de explana��es sobre "O Evangelho Segundo o Espiritismo". Nessa oportunidade deixara de circular a �nica publica��o esp�rita da �poca, intitulada "Espiritualismo Experimental" redigida desde setembro de 1886, por Santos Cruz Junior. Sentindo a lacuna deixada por essa interrup��o, Batu�ra adquiriu uma pequena tipografia, a que denominou "Tipografia Esp�rita", iniciando a 20 de maio de 1890, a publica��o de um quinzen�rio de quatro p�ginas com o nome "Verdade e Luz", posteriormente transformado em revista e do qual foi o diretor- respons�vel at� a data de sua desencarna��o. A tiragem desse peri�dico era das mais elevadas, pois de 2 ou 3 mil exemplares, conseguiu chegar at� 15 mil, quantidade fabulosa naquela �poca, quando nem os jornais di�rios ultrapassavam a casa dos 3 mil exemplares. Nessa tarefa gloriosa e ingente Batu�ra despendeu sua velhice. Era de v�-lo, tr�pego, de grandes �culos, debru�ado nos cavaletes da pequena tipografia, catando, com os dedos tr�mulos, letras no fundo dos caixotins. Para a manuten��o dessa publica��o, Batu�ra despendeu somas respeit�veis, j� que as assinaturas somavam quantia irris�ria. Por volta de 1902 foi levado a vender uma s�rie de casas situadas na Rua Esp�rita e na Rua dos Lavap�s, a fim de equilibrar suas finan�as. N�o era apenas esse peri�dico que pesava nas finan�as de Batu�ra. Esp�rito animado de grande bondade, cora��o aberto a todas as desventuras, dividia tamb�m com os necessitados o fruto de suas economias. Na sua casa a caridade se manifestava em tudo: jamais o socorro foi negado a algu�m, jamais uma pessoa saiu dali sem ser devidamente amparada, havendo mesmo muitas afirmativas de que "um bando de aleijados vivia com ele". Quem ali chegasse, tinha cama, mesa e um cobertor. Certa vez um desses homens que viviam sob o seu amparo, furtou-lhe um rel�gio de ouro e corrente do mesmo metal. Houve uma den�ncia e amea�as de pris�o. A esposa de Batu�ra lamentou-se, dizendo: "� o �nico objeto bom que lhe resta". Batu�ra, por�m, impediu que se tomasse qualquer medida, afirmando: "Deixai-o, quem sabe precisa mais do que eu". Batu�ra casou-se em primeiras n�pcias com D. Brandina Maria de Jesus, de quem teve um filho, Joaquim Gon�alves Batu�ra, que veio a desencarnar depois de homem feito e casado. Em segundas n�pcias, casou-se com D. Maria das Dores Coutinho e Silva; desse casamento teve um filho, que desencarnou repentinamente com doze anos de idade. Posteriormente adotou uma crian�a retardada mental e paral�tica, a qual conviveu em sua companhia desde 1888. Figura bastante popular em S. Paulo, Batu�ra tornou-se querido de todos, tendo v�rios �rg�os da imprensa leiga registrado a sua desencarna��o e apologiado a sua figura exponencial de homem caridoso e dedicado aos sofredores. 7 ARTUR LINS DE VASCONCELOS LOPES Nascido a 27 de mar�o de 1891 na cidade de Teixeira, Estado da Para�ba, e desencarnado em S�o Paulo, no dia 21 de mar�o de 1952. Seu sepultamento ocorreu na cidade de Curitiba, capital do Estado do Paran�. O Dr. Artur Lins de Vasconcelos Lopes foi expressiva figura do Espiritismo brasileiro. Franco e combativo, jovial e sereno, sincero e leal, bom e caridoso, fazia dessas virtudes uma coisa rotineira em sua vida de rela��o, sem jamais ostent�-la no conv�vio com seus companheiros de ideal. Foi presidente da "Coliga��o Nacional Pr�-Estado Leigo", institui��o republicana fundada em 17 de maio de 1931, a qual desenvolveu ingente trabalho em favor da separa��o entre a Igreja e o Estado, principalmente por ocasi�o dos trabalhos constituintes que culminaram com a promulga��o da nova Constitui��o Brasileira, no ano de 1946, tendo enviado numerosas a��es c�vicas de grande profundidade nos anos subseq�entes. O esfor�o de Lins de Vasconcelos em favor do congra�amento dos esp�ritas do Brasil foi dos mais salientes, contribuindo de forma decisiva para o advento do Pacto �ureo de unifica��o dos esp�ritas do Brasil, no dia 5 de outubro de 1949. A ele se deve apreci�vel parcela dos trabalhos encetados nos anos de 1947 a 1952, em favor de um maior entrela�amento entre os esp�ritas em nosso pa�s. Do jornal "Mundo Esp�rita", que se edita em Curitiba, extra�mos os seguintes dados biogr�ficos desse grande vulto do Espiritismo brasileiro: "A batalha travada por Lins de Vasconcelos foi ingente, �rdua e her�ica. Nascido numa regi�o �spera, princ�pio geogr�fico da caatinga, entre Para�ba e Pernambuco, era natural que Artur Lins trouxesse no Esp�rito a agressividade do ber�o agreste. Lutando, todavia, contra o meio, aprimorando qualidades, resistindo aos meios desonestos de ganho, foi abrindo um caminho limpo para a vida. Ainda na adolesc�ncia, Lins deixou a Para�ba para residir no Rio de Janeiro. Na antiga Capital Federal a demora foi curta. Imaturo, com aquela �nsia de aventuras pr�prias da idade, e tamb�m �vido de conhecimento, Lins partiu para o sul do pa�s, fixando-se em Curitiba. Constituiu fam�lia; formou-se em agronomia; fez concurso para cartor�rio. Sua vida seguiu firme. Tornou-se esp�rita, integrando-se totalmente na doutrina. Em 1926 houve grave incidente entre o governo do Estado e elementos liberais, por quest�es religiosas. � que o governo estadual, sem autoriza��o da Assembl�ia, presenteara terrenos e dinheiro do patrim�nio p�blico ao clero. Pequeno n�mero de cidad�os protestou contra o ato ind�bito do governo. Entre eles estava Lins de Vasconcelos. Este defendeu, de forma corajosa, perante o governo, que os princ�pios tutelares da democracia s�o inderrog�veis ainda ao arb�trio dos governadores. Aquela posi��o destemida de Lins na quest�o dos bispados acarretou-lhe demiss�o do cargo. Vencera o fanatismo religioso; sobrepunha-se a intoler�ncia ao direito intang�vel de um democrata. E sobrava raz�o a Lins: o governo n�o podia dar ao clero, de m�o beijada, terrenos e dinheiro do Estado. Uma vez demitido, Lins n�o se deixou abater pela sanha intolerante. Colocou suas energias na ind�stria. Venceu. Tornou-se milion�rio. Mas o dinheiro que amealhava facilmente como ele pr�prio dizia - era um dep�sito que lhe fazia Deus para o distribuir aos pobres, atrav�s do Espiritismo. Fez-se banqueiro dos desafortunados! Era simples e sem vaidades. O que mais se admirava em Artur era o triunfo do seu Esp�rito sobre uma das mais terr�veis provas a que uma criatura pode submeter-se: a riqueza! Rico, mais do que rico, opulento, Lins de Vasconcelos venceu galhardamente o fasc�nio do ouro, esmagou o poderio que a fortuna traz, afogou no nascedouro os gozos ef�meros que o dinheiro carreia. A moeda que lhe vinha dos neg�cios era destinada �s creches, a orfanatos, a albergues, a sanat�rios, a escolas, a revistas e a jornais doutrin�rios. H� lindos lances, de puro Cristianismo, na vida de Artur Lins de Vasconcelos, mas relat�-los seria, por certo ferir a humildade do nosso querido irm�o desencarnado. Basta chamar-lhe: Banqueiro dos Pobres! � um t�tulo magnificente que milh�es e milh�es de desencarnados gostariam de possuir. Arthur Lins de Vasconcelos obteve esse t�tulo em vida, aben�oado por milhares de bocas! Lins de Vasconcelos n�o se empolgou com seus sucessos mundanos. Fez, isso sim, da riqueza material, instrumento para a realiza��o do Bem. Foi bom, vestindo os desnudos, dando de comer aos esfomeados, instru��o e educa��o aos que dessa assist�ncia precisavam. Tendo desencarnado em S. Paulo, seu corpo foi para Curitiba �cidade que tanto amou� e em cujo solo desejava que sua mat�ria repousasse no dia que o Pai o chamasse. Seu pedido foi satisfeito. Assim, no Jardim em frente ao Pavilh�o Administrativo do Sanat�rio Bom Retiro, no bairro do Pilarzinho, em Curitiba, encimado por uma pedra simples, mas que revela bom gosto, na qual h� uma placa de bronze com expressiva inscri��o, foi inumado o corpo do querido companheiro de ideal esp�rita, aquele que tantas lutas sustentou ante a incompreens�o dos homens, para que a Doutrina dos Esp�ritos demonstrasse ser capaz de transformar as criaturas desajustadas em seres com capacidade para amar o pr�ximo, assim como Jesus nos amou. A Federa��o Esp�rita do Paran�, que tantos benef�cios recebeu de Lins de Vasconcelos, prestou-lhe ultimamente significativa homenagem, dando seu respeit�vel e inesquec�vel nome ao educand�rio que naquele bairro mant�m, no momento, funcionando com o curso ginasial, o Instituto "Lins de Vasconcelos". 8 AUGUSTO MILIT�O PACHECO Nascido no dia 13 de junho de 1866 e desencarnado em S�o Paulo, a 7 de julho de 1954. Muito deve o Espiritismo ao Dr. Augusto Milit�o Pacheco, pelo testemunho que deu da Doutrina dos Esp�ritos. Animado de uma f� imorredoura na vida espiritual conseguiu prelibar, atrav�s da exist�ncia transit�ria do corpo, a vida imortal do Esp�rito imperec�vel. Formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, no ano de 1904, Milit�o Pacheco foi nesse mesmo ano convidado a ir ao Estado do Maranh�o a fim de ajudar a debelar um surto de peste bub�nica que grassava naquela regi�o do norte do Brasil. Apesar de n�o contar com qualquer esp�cie de hospital de isolamento nem com condi��es adequadas para o combate �quela enfermidade contagiosa, dirigiu-se para l� em companhia do diretor do Hospital de Isolamento de S. Paulo, dois m�dicos mineiros e mais um outro, conseguindo marcante sucesso na tarefa. Nessa altura foi convidado para ser diretor do Servi�o Sanit�rio do Estado do Maranh�o pelo per�odo de dois anos. Para l� transferiu-se com sua esposa e tr�s filhos, por�m, renunciou ap�s oito meses de atividades intensas, por n�o ver atendidas as suas reivindica��es, imprescind�veis para o bom andamento dos servi�os. Nos primeiros anos do presente s�culo (n�o nos foi poss�vel comprovar se em 1901 ou 1902), comparecendo a uma sess�o esp�rita, ali lembrou-se de sua filhinha desencarnada com apenas cinq�enta e dois dias de vida e formulou ardente solicita��o mental para que ela viesse beij�-lo. Sem que tivesse qualquer conhecimento do desejo que alimentava, os m�diuns videntes que ali estavam presentes, decorridos alguns minutos descreveram que o Esp�rito da menina havia se dirigido ao pai e ali estava cobrindo-o de beijos. Esse testemunho foi o suficiente para que Milit�o Pacheco se convertesse ao Espiritismo. Um outro fato veio mudar o rumo de sua vida, Sua esposa sofria, h� alguns anos, de pertinaz enfermidade e, para cur�-la havia ele esgotado todos os recursos que a medicina alop�tica lhe havia proporcionado. Visitando a fam�lia do Juiz de Direito, de Campinas, ela teve ali uma das suas crises. A esposa do juiz pediu permiss�o para recomendar-lhe um rem�dio homeop�tico. O rem�dio foi comprado e o tratamento iniciado. Ap�s essa ocorr�ncia ela teve apenas duas amea�as de crise e o mal desapareceu por completo. O Dr. Pacheco, que vinha exercendo a medicina alop�tica h� cinco anos, procurou o �nico m�dico homeopata existente em Campinas, iniciando assim um estudo profundo sobre a homeopatia, para o que conseguiu alguns livros a t�tulo de empr�stimo. Dali por diante deixou por completo de praticar a medicina alop�tica. No dia 23 de julho de 1896, atrav�s de decreto assinado pelo ent�o presidente do Estado de S. Paulo, Jorge Tibiri�� e por Gustavo de Oliveira Godoy, Milit�o Pacheco foi nomeado, em comiss�o, para exercer o cargo de inspetor sanit�rio do Estado, cargo no qual foi efetivado a 26 de setembro do mesmo ano, exercendo-o at� 1920, quando se aposentou. Durante mais de meio s�culo, o Dr. Pacheco exerceu na capital paulista o apostolado da Medicina. E dizemos apostolado porque foi not�vel m�dico no sentido cordial, humanit�rio, prestativo, dedicando-se inteiramente � tarefa de auxiliar o seu pr�ximo, conseguindo desta forma realizar gigantesco trabalho de assist�ncia individual e coletiva como poucos conseguiram realizar na Terra. O prestigioso jornal "Di�rio de S. Paulo", em sua edi��o de 27 de junho de 1944, publicou extensa reportagem sobre as festividades comemorativas do cinq�enten�rio de formatura e de exerc�cio de profiss�o do Dr. Augusto Milit�o Pacheco. Atrav�s de numerosos discursos proferidos na oportunidade, pudemos conhecer verdadeiros rasgos de generosidade e de amor, partidos da figura inconfund�vel daquele que tinha em alta conta a dignidade humana e o sacerd�cio da Medicina. Foi sempre de incompar�vel bondade no tratamento de todos os seus incont�veis clientes, retornando ao mundo espiritual aben�oado por milhares de cora��es, legando aos homens uma vida que se constituiu em verdadeiro modelo de virtude, um exemplo incompar�vel de beleza moral, emanada de um car�ter reto e de uma decis�o inquebrant�vel. Muitas pessoas que n�o podiam pagar consultas, eram atendidas com igual dedica��o e n�o raras voltavam com o aux�lio financeiro para a aquisi��o dos rem�dios prescritos por aquelas m�os aben�oadas. No terreno filos�fico, conquanto fosse grande admirador de geniais pensadores de v�rias escolas, pois era um cidad�o independente e portador de invej�vel cultura intelectual e cient�fica, nunca negou a sua incondicional dedica��o � Doutrina Esp�rita, tornando-se um dos esp�ritas mais respeit�veis e dignos em nosso Estado e mesmo no Brasil. M�dico essencialmente homeopata, honrou e dignificou a medicina hahnemaniana, tendo consagrado ao Espiritismo o melhor de sua nobilitante e proveitosa exist�ncia. Era na realidade aut�ntica fonte inexgot�vel destinada a suavizar as dores do corpo e minorar os sofrimentos da alma. Em julho de 1936, quando se cogitou da funda��o da Federa��o Esp�rita do Estado de S. Paulo, foi um dos elementos que mais propugnaram para essa realiza��o. A reuni�o convocada para apreciar a reda��o final dos estatutos sociais e proceder � elei��o da primeira diretoria, foi por ele presidida, passando a figurar como um dos seus s�cios fundadores e sido eleito vice-presidente da primeira diretoria constitu�da. Durante muitos anos foi presidente da Associa��o Esp�rita S�o Pedro e S�o Paulo, uma das mais prestigiosas institui��es esp�ritas de seu tempo, a qual posteriormente veio a se integrar na Federa��o. 9 AURORA A. DE LOS SANTOS DE SILVEIRA Aurora A. de los Santos de Silveira, pioneira esp�rita uruguaia, nasceu no dia 28 de agosto de 1890 e desencarnou no dia 10 de agosto de 1969, em Montevid�u. O Espiritismo uruguaio muito deve a essa mulher idealista, que atrav�s do seu exemplo e dedica��o contribuiu para fazer germinar, naquela na��o, a semente generosa da Doutrina dos Esp�ritos. Sofrendo as agruras de pris�es e da separa��o dos filhos revelou a sua fibra de mission�ria, n�o deixando jamais o desempenho de uma tarefa apost�lica que a impulsionava, e que culminou com a funda��o de uma institui��o esp�rita que tamb�m se tornou a pioneira naquela p�tria irm�. Filha de Jos� Fabr�cio dos Santos, brasileiro, e Petrona Tejera, espanhola, Aurora morava no Departamento da Rivera, na Rep�blica Oriental do Uruguai, motivo que a levou a cursar apenas um ano da escola prim�ria. Sua vida foi repleta de dificuldades e sacrif�cios junto a seus familiares, nos afazeres da agricultura. Desde pequena se revelaram nela fen�menos medi�nicos de vid�ncia, que seus pais procuravam reprimir, por desconhecer sua verdadeira causa e por temerem que ela enveredasse pelo caminho da loucura. Foi m�e extremosa de 7 filhos, em dois matrim�nios. Em 1933 desencarnou o seu segundo esposo, Gerv�sio Silveira, deixando-a na maior pen�ria com absoluta falta de recursos, o que a levou, juntamente com seus filhos, a passar por angustiosa fase. Nesses momentos de grandes afli��es, conheceu uma senhora de nome Valentina, que lhe deu alguns folhetos e revistas esp�ritas. A leitura dessas publica��es atuou como verdadeiro b�lsamo, preenchendo uma grande lacuna naquele Esp�rito bondoso e abnegado. Cheia de f� e esperan�a, Aurora come�ou a levar os seus filhos a pequenos Centros Esp�ritas que existiam nas cidades de Rivera e Livramento, na fronteira entre o Brasil e Uruguai, sentindo-se da� por diante bastante aliviada em suas ang�stias, dedicando-se � leitura de "O Evangelho Segundo o Espiritismo", de Allan Kardec. No dia 5 de julho de 1935, transferiu seu domic�lio para a capital uruguaia, em busca de melhores condi��es econ�micas, passando a trabalhar como costureira. Em Montevid�u, certo dia, estando muito cansada e aflita, pediu a seu filho Baltazar que lesse o �nico livro esp�rita que possu�a, "O Evangelho Segundo o Espiritismo", ocasi�o em que se manifestou um esp�rito que, diante do assombro do mo�o, apenas disse: "N�o temais, venho para ajudar-vos", solicitando que procurassem reunir tr�s ou quatro pessoas, quando ent�o voltaria. Ao despertar, Aurora inteirou-se daquela solicita��o e, no dia seguinte promoveu a reuni�o, segundo a vontade expressa pelo esp�rito comunicante, que deu o nome de "Bon Ajou". Ap�s a realiza��o dessa sess�o, Aurora teve desabrochada a sua mediunidade, passando a fazer curas assombrosas de cegos, paral�ticos, cancerosos e de uma s�rie de pessoas desenganadas pela medicina oficial. Sua fama se expargiu e doentes vinham de todos os lugares em busca da cura. Nessa �poca o Espiritismo no Uruguai era praticamente desconhecido e Aurora foi acusada de exerc�cio ilegal da Medicina, sendo presa e recolhida a uma pris�o de mulheres, onde permaneceu durante 6 meses. Seus filhos foram parar nos mais diversos lugares, inclusive em orfanatos. Terminada a senten�a, abandonou a pris�o, debilitada e abatida, por�m isso n�o impediu que dentro de poucos dias voltasse ao mesmo lugar, reiniciando o seu trabalho apost�lico, ajudando os seus irm�os mais necessitados e lutando pela divulga��o dos ideais esp�ritas. Ap�s grandes lutas conseguiu ver realizado o seu sonho, obtendo personalidade jur�dica para uma institui��o que fundou, o "Centro Evang�lico Espiritual Hacia la Verdad", sociedade beneficente cuja inaugura��o ocorreu em 31 de maio de 1944, e cuja sede pr�pria foi levantada em 1950, na Avenida General Flores, 4.689, em Montevid�u. Tudo isso atrav�s do seu esfor�o, coadjuvado por um livro e um Esp�rito amigo. Os dados acima foram obtidos por interm�dio de Baltazar Silveira, filho da grande pioneira, entretanto, a t�tulo de subs�dios biogr�ficos, transcreveremos abaixo o que o erudito escritor e orador brasileiro, Newton Boechat, escreveu sobre essa not�vel batalhadora, em outubro de 1966, quando ela ainda estava entre n�s: "D. Aurora de los Santos de Silveira, pioneira no Movimento Esp�rita Uruguaio, m�dium not�vel e destemida, hoje repousando das lutas de antanho, quando era vigoroso seu organismo f�sico. Enfrentou, vezes in�meras, o c�rcere, a persegui��o, os ataques de advers�rios terr�veis, para evidenciar a Mensagem Esp�rita: o "Hacia la Verdad", � o fruto de seus labores em fun��o do Bem, obtendo, finalmente, personalidade jur�dica desde 1944. A venerada sra., junto � lareira da resid�ncia de Canellones, muito nos contou das lutas de outrora, com seus ard�s e embargos, mas que n�o lhe puderam frustrar a perseveran�a. Hoje, o "Hacia la Verdad" � organiza��o respeit�vel, com centenas de s�cios, em sede confort�vel de 200 butacas (poltronas) e preciosa biblioteca. Seu auditorium lembra o da "Confedera��o Esp�rita Jo�o Evangelista" da Penha, no Rio de Janeiro. D. Aurora, quando mais tarde for escrita a Historia do Espiritismo Uruguaio, em seus pr�dromos, aparecer� como inesquec�vel criatura que, quase s�, n�o poupou esfor�os na hora do testemunho. Ela � l� o que o Dr. Bezerra, Say�o, Bittencourt, Ca�rbar, Eur�pedes, Lins, Ol�mpio Teles, Petitinga, Batu�ra e tantos outros que j� desencarnaram, foram aqui. N�s, espiritistas brasileiros, devemos envolver o nome de d. Aurora de los Santos Silveira, em nosso carinhoso respeito. Que no sil�ncio de sua resid�ncia em Canellones, meditando nas lutas sublimes de outros tempos, junto � lareira amiga e ao chimarr�o de que tanto gosta, receba o rocio de nossas irradia��es". 10 BENEDITO GODOY PAIVA Nascido em S. Paulo no dia 19 de abril de 1885, e desencarnado na mesma cidade, aos 17 de maio de 1962. Durante mais de vinte e cinco anos, um orador era invariavelmente requisitado para a maior parte das festividades de cunho esp�rita realizadas em S�o Paulo. Sua palavra tinha o m�rito de atrair numerosa assist�ncia, pois, al�m de abalizado conferencista, possu�a um estilo todo peculiar de proferir suas locu��es, iniciando-as com um conto, um ap�logo ou uma anedota de cunho singelo, que preparava os esp�ritos dos presentes, predispondo-os � assimila��o dos ensinamentos contidos no tema que iria ser abordado. Por isso dizia ele: "Em nossa longa peregrina��o pelas tribunas esp�ritas, pelas esta��es de r�dio e pela imprensa esp�rita, a falar sobre o Evangelho de Jesus, sempre fizemos o poss�vel para n�o enfastiar os ouvintes ou os leitores com longas e pesadas disserta��es sobre a Doutrina esp�rita, achando prefer�vel prender-lhes a aten��o por meio de outro processo, qual o de buscar na vida pr�tica fatos ou exemplos elucidativos dos temas abordados, ainda que por vezes pecando contra a sisudez de alguns confrades pouco amantes de literatura desse g�nero. Para se trazer uma assist�ncia atenta, nada melhor do que entremear a palestra com a narra��o de fatos interessantes e por vezes c�nscio da vida de sociedade, elucidativos do tema a ser abordado. Nenhum mal h� nisso, para a propaganda e compreens�o da Doutrina Esp�rita. O esp�rita deve ser alegre e nunca um indiv�duo avesso ao riso, �s alegrias s�s, aos divertimentos inofensivos, nunca devendo imitar aqueles frades da Ordem do Sil�ncio que, proibidos de falar, s� podiam dizer ao se encontrarem: "Irm�o! Lembra-te da morte!" * * * Esse em�rito esp�rita chamava-se Benedito Godoy Paiva. Foi um homem de ilibado car�ter, franco e leal, dotado de invej�vel operosidade. Anteriormente ao ano de 1941, pertenceu ao quadro diretivo da Uni�o Federativa Esp�rita Paulista, ali desenvolvendo intenso trabalho de divulga��o da Doutrina Esp�rita, fazendo-o atrav�s da imprensa e do r�dio. Nesse mesmo ano passou a prestar servi�os no corpo de colaboradores da Federa��o Esp�rita do Estado de S�o Paulo, onde teve grande destaque e exerceu numerosas atividades, pois, al�m de orador oficial, foi diretor do Departamento Cultural e Social e membro do Conselho Deliberativo, ajudando Pedro de Camargo Vin�cius, a instituir as Tert�lias Evang�licas substituindo-o em seus impedimentos todos os domingos de manh�. Colaborou decididamente na funda��o da Escola de Aprendizes do Evangelho e de outros cursos ministrados por aquela institui��o, assessorando os trabalhos de prepara��o de apostilas e livros para os aludidos cursos. Em 1947 tomou parte saliente na funda��o da Uni�o das Sociedades Esp�ritas do Estado de S. Paulo, formando a Comiss�o da Reda��o Final das delibera��es do 1� Congresso Esp�rita do Estado de S�o Paulo e integrando o primeiro Conselho Deliberativo daquela entidade. Os dados biogr�ficos que se seguem foram obtidos da Professora Zilda de Paiva Barbosa, uma das filhas daquele grande seareiro. Benedito Godoy Paiva enviuvou duas vezes, deixando sete filhos, netos e bisnetos. Aos 16 anos de idade, ap�s ter feito o Curso Ginasial no Externato Molina, estudou e completou os cursos de geometria, matem�tica e de l�ngua inglesa, ingressando ent�o como funcion�rio da Estrada de Ferro Sorocabana, em 1901. Entretanto, fez ainda o curso de Contador na Academia de Com�rcio do Brasil, a qual freq�entou � noite, passando depois a trabalhar em horas extras como guarda-livros, a fim de equilibrar a economia do lar. Aposentou-se ap�s 46 anos de servi�o naquela ferrovia, deixando uma grande folha de inestim�veis servi�os a ela prestados, com toda dedica��o e efici�ncia. Fez carreira brilhante de praticante a assessor administrativo, chegando a Chefe do Escrit�rio do Tr�fego e Chefe Geral do Expediente do Departamento dos Transportes, onde recebeu elogios em sua folha corrida. Tomou parte em inqu�ritos administrativos e em outras comiss�es que lhe foram confiadas, por conhecer profundamente todos os regulamentos e ordens expedidas pelas administra��es anteriores. Foi jornalista, colaborando na imprensa religiosa e profana, sendo redator de uma das colunas do "Di�rio de S�o Paulo". Como poeta e charadista colaborou em "Nossa Estrada", revista cujo nome foi sugerido por ele e aceito por vota��o por todo o pessoal da Sorocabana. Era m�sico. Executava cerca de seis instrumentos, por�m, a sua predile��o era pela flauta. Comp�s diversas m�sicas e foi seresteiro. Fazia serenatas sob as janelas, nos tempos da velha S�o Paulo. Freq�entou a Igreja Evang�lica, onde era organista e regente do coro. Na ata de funda��o da 3� Igreja Presbiteriana Independente de S�o Paulo o seu nome consta, em primeiro lugar, como fundador. Conhecia profundamente as Escrituras e dos Evangelhos tirou ensinamentos sublimes que o nortearam em toda a sua vida, t�o �til � fam�lia e � Humanidade. Convertendo-se ao Espiritismo, tomou parte inicialmente na Uni�o Federativa e posteriormente na Federa��o Esp�rita do Estado de S�o Paulo, deixando a Igreja Presbiteriana de onde solicitou afastamento, escrevendo uma carta ao seu grande amigo, Rev. Dr. Seth Ferraz, pastor da 3a. Igreja, expondo os motivos que o levavam a se afastar do seio daquela comunidade, uma vez que os ensinamentos da Igreja condenam o Espiritismo, doutrina baseada na reencarna��o e na evolu��o dos Esp�ritos. Foi uma nova fase em sua vida. Dedicou-se inteiramente � Doutrina Esp�rita. Fez in�meras confer�ncias, cujos audit�rios eram repletos quando ele ocupava a tribuna. Baseado nessas confer�ncias editou o livro "Quando o Evangelho diz N�o!" Publicou diversos folhetos, entre eles "Quais os que entrar�o no c�u" e "A Verdade vos Libertar�". Escreveu poesias diversas: "A Reencarna��o", "Saudades do Marido", "As Tr�s Cruzes", "A Mulher Pecadora", "O Ju�zo Final", "O Bom Samaritano", "Salva��o pela F�", "O Sonho da Princesa" e, com Cid Franco, escreveu o poema "Avatar". Revisou "A Grande S�ntese", livro medi�nico de Pietro Ubaldi e, em parceria com Em�lio Manso Vieira, escreveu o "Manual do Dirigente de Sess�es Esp�ritas". No dia de sua desencarna��o, � sua cabeceira estiveram presentes tr�s representantes de correntes religiosas: um pastor evang�lico, um bispo da Igreja Cat�lica Brasileira e um membro da Federa��o Esp�rita do Estado de S�o Paulo. Todos lhe tributaram adeus com o mesmo carinho. 11 CA�RBAR SCHUTEL Nascido na cidade do Rio de Janeiro, a 22 de setembro de 1868 e desencarnado em Mat�o, Estado de S. Paulo, no dia 30 de janeiro de 1938. No dealbar do s�culo 20, quando eram ensaiados os primeiros passos no grandioso programa de divulga��o do Espiritismo, e quando a Doutrina dos Esp�ritos era vista como uma novidade que vinha abalar os conceitos at� ent�o prevalecentes sobre a imortalidade da alma e a comunicabilidade dos Esp�ritos, dentre os pioneiros da �poca, surgiu um vulto que se destacou de forma inusitada, fazendo com que a difus�o da nova Doutrina tivesse uma penetra��o at� ent�o desconhecida. O nome desse seareiro era Ca�rbar de Souza Schutel, nome esse que se imp�s, em pouco tempo, ao respeito e considera��o de todos. Ele jamais esmoreceu no prop�sito de fazer com que a nova revela��o, que vinha fazer o mundo descortinar novos horizontes e prometia restaurar, na Terra, as prim�cias dos ensinamentos legados por Jesus Cristo quase vinte s�culos antes, pudesse conquistar os cora��es dos homens, implantando-se na face do nosso planeta como uma nova for�a cujo objetivo b�sico era de extirpar o fantasma do materialismo avassalador. Biografar um vulto dessa estirpe n�o � f�cil tarefa, uma vez que as suas atividades n�o conheciam limita��es nem eram bitoladas por conveni�ncias de grupos ou de pessoas. Conseq�entemente, tudo aquilo que se disser sobre Ca�rbar Schutel n�o passa de uma s�mula muito apagada de uma vida cheia de lutas, de percal�os e sobretudo de ardente idealismo. Registraremos, entretanto, alguns dados biogr�ficos desse insigne batalhador esp�rita: Ca�rbar de Souza Schutel, aos nove anos de idade, ficava �rf�o de pai e, seis meses ap�s, de m�e. Seu av�, Dr. Henrique Schutel, interessou-se pela sua educa��o, matriculando-o no Col�gio Nacional, depois Col�gio D. Pedro 2�, onde estudou durante dois anos. Animado de novos prop�sitos, abandonou os estudos e a casa do av�, passando a trabalhar como pr�tico em farm�cia, o que fez com que, aos 17 anos de idade j� se tornasse respeit�vel profissional desse ramo. Nessa �poca abandonou a antiga Capital Federal e rumou para o Estado de S. Paulo, onde se localizou primeiramente em Piracicaba e logo ap�s em Araraq�ara e Mat�o. Esta �ltima cidade era ent�o um lugarejo muito singelo, com poucas casas e dependendo quase que exclusivamente do com�rcio de Araraq�ara, a cujo munic�pio pertencia. Nessa humilde cidade, Ca�rbar Schutel acalentou o prop�sito de servir � coletividade, o que fez com que batalhasse arduamente para que Mat�o subisse � categoria de Munic�pio. Conseguindo colimar esse desiderato, foi eleito seu primeiro Prefeito. Homem dotado de ilibado car�ter, de ampla vis�o e de grande humildade, conseguiu conquistar os cora��es de todos. Na pol�tica n�o enfrentava obst�culos. Deve-se a ele a edifica��o do pr�dio da C�mara Municipal, o que fez com seus pr�prios recursos financeiros. A pol�tica, no entanto, n�o era o seu objetivo, por isso, t�o logo ele teve a sua Estrada de Damasco, representada pela sua convers�o ao Espiritismo, abandonou esse campo, passando a dedicar-se inteiramente � nova Doutrina. Conheceu o Espiritismo atrav�s de Manoel Pereira do Prado, mais conhecido por Manoel Calixto, que na �poca era um dos poucos e o mais destacado esp�rita do lugar. Embora n�o sendo profundo conhecedor dos princ�pios b�sicos da Codifica��o Kardequiana, Manoel Calixto conseguiu impressionar o futuro ap�stolo, com uma mensagem medi�nica de elevado cunho espiritual, recebida por seu interm�dio. Em seguida a esse epis�dio, Ca�rbar integrou-se no conhecimento das obras fundamentais da Doutrina Esp�rita e, t�o logo se sentiu compenetrado daquilo que ela ensina, fundou, no dia 15 de julho de 1904, o primeiro n�cleo esp�rita da cidade e da zona, denominando-o "Centro Esp�rita Amantes da Pobreza". N�o satisfeito com essa arrojada realiza��o, no m�s de agosto de 1905, lan�ou a primeira edi��o do jornal "O Clarim", �rg�o esse que vem circulando desde ent�o e que se constituiu, de direito e de fato, num dos mais tradicionais e respeit�veis ve�culos da imprensa esp�rita. Numa �poca quando pontificava verdadeira intoler�ncia religiosa e quando o Espiritismo e outras religi�es sofriam o impacto da a��o exercida pela religi�o majorit�ria, Ca�rbar Schutel tamb�m teve o seu Calv�rio: um sacerdote reacion�rio e profundamente intolerante, resolveu promover gest�es no sentido de fechar as portas do Centro Esp�rita, usando como arma ardilosa uma campanha persistente no sentido de fazer com que a farm�cia de Ca�rbar fosse boicotada pelo povo. Com o apoio do delegado de pol�cia, conseguiu deste a ordem para o fechamento do Centro onde se difundia o Espiritismo. Ca�rbar Schutel, no entanto, n�o era dos que se intimidam e, contra o padre e o delegado, levantou a barreira da sua autoridade moral e da sua coragem. A ordem do delegado n�o foi respeitada por atentar contra a letra da Constitui��o Federal de 1891, e o valoroso esp�rita foi � pra�a p�blica protestar contra tamanho desrespeito. O padre, n�o tolerando aquela manifesta��o promovida por Ca�rbar, tamb�m promoveu uma passeata de desagravo. Outros sacerdotes, nessa �poca, j� estavam em Mat�o, apregoando a necessidade de se manter o "her�tico" circunscrito, de nada se adquirirem sua farm�cia, e, sobretudo proibindo a todos a freq��ncia ao Centro Esp�rita. Em face da tremenda press�o exercida, Ca�rbar anunciou que falaria ao povo em pra�a p�blica, refutando ponto por ponto todas as acusa��es gratuitas que lhe eram atribu�das pelos sacerdotes. O delegado proibiu-o de falar. Ca�rbar n�o acatou a proibi��o do delegado e, estribando-se na Constitui��o, dirigiu-se para a pra�a p�blica, falando aos poucos que, n�o temendo as repres�lias do padre, tiveram a coragem de l� comparecer. Este, por sua vez, expressou a id�ia de que, se a liberal�ssima Constitui��o brasileira permitia esse direito a Ca�rbar, a Igreja de forma alguma consentiria e, aliciando um grupo de homens fanatizados, marchou para a pra�a p�blica, cantando hinos e cantorias f�nebres, portando, al�m disso, v�rios tipos de armas. O objetivo da prociss�o noturna era de abafar a voz do orador e atemorizar o povo. Essa barulhenta manifesta��o provocou a repulsa de algumas pessoas cultas da cidade, as quais, dirigindo-se � pra�a, pediram a aquiesc�ncia do orador para, de p�blico, manifestarem a desaprova��o �quelas manifesta��es e responsabilizando o padre pelas conseq��ncias danosas daquele desrespeito � Carta Magna, afirmando que o orador tinha todo o direito de falar e de se defender. Diante dessa rea��o, o padre ficou assombrado e decidiu dispersar os acompanhantes, o que possibilitou a Ca�rbar prosseguir na defesa dos seus direitos e dos seus ideais. Ca�rbar sabia ser amigo at� dos seus pr�prios inimigos. Sempre inspirava simpatia e respeito. Sempre feliz no seu receitu�rio, tornou-se, dentro em pouco, o M�dico dos Pobres e o Pai da Pobreza, de Mat�o. Al�m de prescrever o medicamento, ele o dava gratuitamente aos necessitados. Sua resid�ncia tornou-se um ref�gio para os pobres da cidade. Muitas pessoas eram socorridas pela sua generosidade. Muitos recebiam socorros da mais variada esp�cie, em v�veres, em roupas e sobretudo assist�ncia espiritual. O sentimento de amor ao pr�ximo teve nele incompar�vel paradigma. Estava sempre sol�cito e pronto para socorrer um enfermo ou um obsediado. Atos de ren�ncia e de desapego eram comuns em sua vida. Sua resid�ncia chegou a ser transformada em hospital de emerg�ncia para doentes mentais e obsediados. Em vista do crescente n�mero de enfermos, em 1912 alugou uma casa mais ampla, na qual tratava com maiores recursos e com mais liberdade todos aqueles que apelavam para a sua ajuda fraternal. No dia 15 de fevereiro de 1925, lan�ou o primeiro n�mero da "Revista Internacional de Espiritismo", �rg�o que desde ent�o vem circulando sem solu��o de continuidade. Quando foi rasgada a Constitui��o ultra- liberal de 1891, Ca�rbar Schutel foi � pra�a p�blica apoiando a Coliga��o Nacional Pr�- Estado Leigo, entidade fundada no Rio de Janeiro pelo Dr. Artur Lins de Vasconcelos Lopes. Nesse prop�sito combateu sistematicamente a pretens�o, esposada por alguns grupos, de se introduzir o ensino religioso obrigat�rio nas escolas. Certa vez programou uma reuni�o num cinema de cidade vizinha para abordar esse tema. Na hora aprazada ali estavam apenas alguns dos seus amigos, dentre eles Jos� da Costa Filho e Jo�o Le�o Pitta. Ca�rbar n�o se perturbou. Mandou comprar meia d�zia de foguetes e soltou-os � porta do cinema. Da� a 20 minutos o recinto estava repleto. Foi pioneiro no lan�amento de programa esp�rita pelo r�dio, pois em 1936 inaugurou, pela PRD- 4 - R�dio Cultura de Araraq�ara, uma s�rie de palestras que mais tarde publicou num volume de 206 p�ginas. Como jornalista escreveu muito. Durante muito tempo manteve uma sec��o de cr�nicas e reportagens no "Correio Paulistano" e na "Plat�ia", antigos �rg�os da imprensa leiga. Sua bibliografia � bastante vasta, dela destacamos as seguintes obras: "Espiritismo e Protestantismo", "Histeria e Fen�menos Ps�quicos", "O Diabo e a Igreja", "M�diuns e Mediunidade", "G�nese da Alma", "Materialismo e Espiritismo", "Fatos Esp�ritas e as For�as X", "Par�bolas e Ensinos de Jesus", "O Esp�rito do Cristianismo", "A Vida no Outro Mundo", "Vida e Atos dos Ap�stolos", "Confer�ncias Radiof�nicas", "Cartas a Esmo" e "Interpreta��o Sint�tica do Apocalipse". Fundou tamb�m a Empresa Editora "O Clarim", que passou a editar livros de outros autores. Ca�rbar Schutel foi um homem de f�, orador convincente, trabalhador infatig�vel, din�mico, realizador e portador dos mais vivificantes exemplos de virtude crist�. 12 CAMILLE FLAMMARION Nascido em Montigny-Le-Roy, Fran�a, no dia 26 de fevereiro de 1842, e desencarnado em Juvissy no mesmo pa�s, a 4 de junho de 1925. Flammarion foi um homem cujas obras encheram de luzes o s�culo 19. Ele era o mais velho de uma fam�lia de quatro filhos, entretanto, desde muito jovem se revelaram nele qualidades excepcionais. Queixava-se constantemente que o tempo n�o lhe deixava fazer um d�cimo daquilo que planejava. Aos quatro anos de idade j� sabia ler, aos quatro e meio sabia escrever e aos cinco j� dominava rudimentos de gram�tica e aritm�tica. Tornou-se o primeiro aluno da escola onde freq�entava. Para que ele seguisse a carreira eclesi�stica, puseram-no a aprender latim com o vig�rio Lassalle. A� Flammarion conheceu o Novo Testamento e a Orat�ria. Em pouco tempo estava lendo os discursos de Massilon e Bonsuet. O padre Mirbel falou da beleza da ci�ncia e da grandeza da Astronomia e mal sabia que um de seus auxiliares lhe bebia as palavras. Esse auxiliar era Camille Flammarion, aquele que iria ilustrar a letra e a significa��o �talo-romana do seu nome - Flammarion: "Aquele que leva a luz". Nas aulas de religi�o era ensinado que uma s� coisa � necess�ria: "a salva��o da alma", e os mestres falavam: "De que serve ao homem conquistar o Universo se acaba perdendo a alma?". Foi dura a vida dos Flammarions, e Camille compreendeu o m�rito de seu pai entregando tudo aos credores. Reconhecia nele o mais belo exemplo de energia e trabalho, entretanto, essa situa��o levou-o a viver com poucos recursos. Camille, depois de muito procurar, encontrou servi�o de aprendiz de gravador, recebendo como parte do pagamento casa e comida. Comia pouco e mal, dormia numa cama dura, sem o menor conforto; era �spero o trabalho e o patr�o exigia que tudo fosse feito com rapidez. Pretendia completar seus estudos, principalmente a matem�tica, a l�ngua inglesa e o latim. Queria obter o bacharelado e por isso estudava sozinho � noite. Deitava-se tarde e nem sempre tinha vela. Escrevia ao clar�o da lua e considerava-se feliz. Apesar de estudar � noite, trabalhava de 15 a 16 horas por dia. Ingressou na Escola de desenho dos frades da Igreja de S�o Roque, a qual freq�entava todas as quintas-feiras. Naturalmente tinha os domingos livres e tratou de ocup�-los. Nesse dia assistia as confer�ncias feitas pelo abade sobre Astronomia. Em seguida tratou de difundir as associa��es dos alunos de desenho dos frades de S�o Roque, todos eles aprendizes residentes nas vizinhan�as. Seu objetivo era tratar de ci�ncias, literatura e desenho, o que era um programa um tanto ambicioso. Aos 16 anos de idade, Camille Flammarion foi presidente da Academia, a qual, ao ser inaugurada, teve como discurso de abertura o tema "As Maravilhas da Natureza". Nessa mesma �poca escreveu "Cosmogonia Universal", um livro de quinhentas p�ginas; o irm�o, tamb�m muito seu amigo, tornou-se livreiro e publicava-lhe os livros. A primeira obra que escreveu foi "O Mundo antes da Apari��o dos Homens", o que fez quando tinha apenas 16 anos de idade. Gostava mais da Astronomia do que da Geologia. Assim era sua vida: passar mal, estudar demais, trabalhar em exagero. Um domingo desmaiou no decorrer da missa, por sinal, um desmaio muito providencial. O doutor Edouvard Forni� foi ver o doente. Em cima da sua cabeceira estava um manuscrito do livro "Cosmologia Universal". Ap�s ver a obra, achou que Camille merecia posi��o melhor. Prometeu-lhe, ent�o, coloc�-lo no Observat�rio, como aluno de Astronomia. Entrando para o Observat�rio de Paris, do qual era diretor Lev�rrier, muito sofreu com as impertin�ncias e persegui��es desse diretor, que n�o podia conceber a id�ia de um rapazola acompanh�-lo em estudos de ordem t�o transcendental. Retirando-se em 1862 do Observat�rio de Paris, continuou com mais liberdade os seus estudos, no sentido de legar � Humanidade os mais belos ensinamentos sobre as regi�es silenciosas do Infinito. Livre da atmosfera sufocante do Observat�rio, publicou no mesmo ano a sua obra "Pluralidade dos Mundos Habitados", atraindo a aten��o de todo o mundo estudioso. Para conhecer a dire��o das correntes a�reas, realizou, no ano de 1868, algumas ascens�es aerost�ticas. Pela publica��o de sua "Astronomia Popular", recebeu da Academia Francesa, no ano de 1880, o pr�mio Montyon. Em 1870 escreveu e publicou um tratado sobre a rota��o dos corpos celestes, atrav�s do qual demonstrou que o movimento de rota��o dos planetas � uma aplica��o da gravidade �s suas densidades respectivas. Tornando-se esp�rita convicto, foi amigo pessoal e dedicado de Allan Kardec, tendo sido o orador designado para proferir as �ltimas palavras � beira do t�mulo do Codificador do Espiritismo, a quem denominou "o bom senso encarnado". Suas obras, de uma forma geral, giram em torno do postulado esp�rita da pluralidade dos mundos habitados e s�o as seguintes: "Os Mundos Imagin�rios e os Mundos Reais", "As Maravilhas Celestes", "Deus na Natureza", "Contempla��es Cient�ficas", "Estudos e Leitura sobre Astronomia", "Atmosfera", "Astronomia Popular", "Descri��o Geral do C�u", "O Mundo antes da Cria��o do Homem", "Os Cometas", "As Casas Mal-Assombradas", "Narra��es do Infinito", "Sonhos Estelares", "Ur�nia", "Estela", "O Desconhecido", "A Morte e seus Mist�rios", "Problemas Ps�quicos", "O Fim do Mundo" e outras. Camille Flammarion, segundo Gabriel Delanne, foi um fil�sofo enxertado em s�bio, possuindo a arte da ci�ncia e a ci�ncia da arte. Flammarion -"poeta dos C�us", como o denominava Michelet - tornou-se baluarte do Espiritismo, pois, sempre coerente com suas convic��es inabal�veis, foi um verdadeiro idealista e inovador. 13 CARLOS GOMES DE SOUZA SHALDERS Nascido no dia 3 de outubro de 1863, e desencarnado em S. Paulo, no dia 10 de dezembro de 1963, com 100 anos de idade. O professor Shalders fez seus estudos preliminares na Inglaterra, estudando mais tarde na Escola Polit�cnica do Rio de Janeiro. Formado, veio para S. Paulo, ingressando na Companhia Mojiana de Estradas de Ferro, da qual foi um dos pioneiros, dirigindo a constru��o do ramal de Moji-Mirim a Sapucaia. Contribuiu para a funda��o da Escola Polit�cnica da Universidade de S�o Paulo, da qual foi catedr�tico de Complementos de Matem�tica e �lgebra Superior, lecionando nessa cadeira desde a funda��o da Escola, a 15 de fevereiro de 1894, at� a sua aposentadoria, em 1934. Foi tamb�m diretor dessa mesma Escola, nos anos de 1931 e 1932, num per�odo bastante dif�cil. Pelos seus eminentes servi�os, o prof. Shalders foi distinguido com o t�tulo de doutor "Honoris Causa" e de "Professor Em�rito", no dia 13 de maio de 1949, pela Universidade de S. Paulo. Durante muitos anos foi vice-presidente e membro do Conselho Deliberativo da Federa��o Esp�rita do Estado de S. Paulo, dirigindo concomitantemente o seu departamento de pesquisas ps�quicas. Foi o primeiro presidente da Associa��o Crist� de Mo�os, de S. Paulo. Foi um dos mais aut�nticos esp�ritas dos nossos dias. Em mat�ria de f� racional e tranq�ilidade de esp�rito, assemelhava-se a Ca�rbar Schutel e Milit�o Pacheco. Encarava o Espiritismo como doutrina para ser vivida e n�o apenas difundida. Foi um verdadeiro exemplificador dos deveres de crist�o, encarando-os com absoluta seriedade. No tocante ao cumprimento das obriga��es do homem, afirmava sempre: "N�o h� deveres pequenos, todos s�o iguais". Apesar de plenamente convicto, n�o se apaixonava pelos fen�menos e nem pelos Esp�ritos a ponto de lhes devotar f� cega; colocava-os na ordem das coisas naturais e s�rias. Grande conhecedor dos assuntos b�blicos, por�m desde a sua milit�ncia no Protestantismo divergia de muitos deles. Procurando estudar esses problemas � luz do Espiritismo, nele encontrou solu��es para velhas indaga��es. At� aos 95 anos de idade, era sistem�tica a presen�a do prof. Shalders, aos domingos, na Federa��o Esp�rita do Estado de S. Paulo, onde ia ouvir as palestras evang�licas, tendo ele pr�prio proferido diversas. Como era de uma pontualidade impec�vel, preocupava-se muito com as pessoas que entravam ap�s o in�cio da confer�ncia. Algumas vezes, no instante de ser iniciada a palestra, subia � tribuna e fazia observa��es severas ao p�blico com refer�ncia � observ�ncia do hor�rio. Dedicava a m�xima aten��o �s palestras e, quando o tema era controvertido, n�o muito do seu agrado, por encontrar nelas diverg�ncias doutrin�rias, no dia seguinte estava ele na casa do conferencista com uma s�rie de argumentos, mostrando incoer�ncias e protestando evangelicamente contra aquilo que n�o aceitava. Por mais respeit�vel que fosse o expositor, por mais autoridade que desfrutasse na mat�ria, n�o escapava ao interrogat�rio, �s dedu��es e ao crivo da raz�o, sempre clara, apresentadas de maneira evang�lica e da mais apurada �tica de educa��o. J� ultrapassava a casa dos 90 anos de idade, quando ainda trabalhava na S�o Paulo Light. Nessa �poca publicou um livro intitulado "Uma An�lise Cr�tica da B�blia", no qual exp�s com uma lucidez extraordin�ria, as suas id�ias e o seu racioc�nio tratando de um assunto t�o �rido. Com 96 anos de idade, para n�o ficar sem fazer nada, realizando o seu desejo de fazer o bem, empreendia, uma vez por semana, uma peregrina��o juntamente com um grupo de confrades, visitando doentes, ministrando-lhes passes e proferindo palavras de conforto espiritual. Era profundo respeitador de Jesus Cristo e n�o permitia que sua personalidade fosse mal entendida ou que algu�m achasse nele motivos de piedade. Certa vez a Federa��o Esp�rita do Estado de S. Paulo recebeu, de presente, um enorme e art�stico quadro do Mestre, com as chagas abertas nas m�os e nos p�s. O quadro foi colocado no sal�o de confer�ncias daquela institui��o. Por�m, dentro de poucos dias foi dali retirado devido aos insistentes protestos do Prof. Shalders, nessa �poca vice- presidente da Casa. O fato causou estranheza a muitos freq�entadores, os quais n�o concordaram com a retirada do quadro. Mas prevaleceu o bom-senso. O transcurso do seu centen�rio de exist�ncia (estando ele ainda entre n�s), foi comemorado pela Escola Polit�cnica de S. Paulo, pela Associa��o dos Antigos Alunos da Escola Polit�cnica e pelo Instituto de Engenharia de S. Paulo, tendo havido uma sess�o solene da congrega��o, com a instala��o do retrato do prof. Shalders, procedendo tamb�m a uma cerim�nia de inaugura��o do medalh�o de bronze, com placa alusiva � data, no Departamento de Matem�tica da Escola Polit�cnica, na cidade Universit�ria, em S. Paulo, placa essa ofertada pelos ex-alunos da primeira escola superior criada pelo governo do Estado de S. Paulo, logo ap�s a proclama��o da Republica. A passagem do prof. Shalders, pela Terra, foi um centen�rio de exemplos vivos num preparo eficiente para o reencontro com os amigos do Plano Maior. A demonstra��o da sua humildade e submiss�o aos des�gnios de Deus, eram fatores predominantes em sua inconfund�vel personalidade. No Departamento de Metaps�quica da Federa��o Esp�rita do Estado de S. Paulo, exerceu atividades incompar�veis, interessando-se profundamente pelos fen�menos, sem contudo ficar a eles escravizado, porque sabia dar-lhes o valor e o apre�o que mereciam, compreendendo que o aspecto mais importante da Doutrina Esp�rita � o de evangelizar o homem, conduzindo-o no roteiro da reforma interior. 14 CL�LIA SOARES DA ROCHA Mais conhecida por Cl�lia Rocha, nasceu na cidade de Barra Mansa, Estado do Rio de Janeiro, no dia 18 de outubro de 1886 e desencarnou, com 50 anos de idade, no dia 16 de fevereiro de 1936. Foi educada como interna do Col�gio Bom Conselho, na cidade de Taubat�, completando sua educa��o na cidade de Piracicaba, onde recebeu o diploma de professora prim�ria. Lecionou durante v�rios anos no Col�gio das Freiras, da cidade de S�o Carlos. De fam�lia tradicionalmente cat�lica, Cl�lia Rocha logo demonstrou repugn�ncia pelos dogmas da religi�o de seus pais, o que aconteceu logo em sua primeira inf�ncia, originando-lhe s�rios castigos no Col�gio interno, onde passou a ser considerada crian�a rebelde. Em Piracicaba ainda quando estudante, conheceu um jovem m�dico, com quem acertou casamento. Entretanto, o rapaz desencarnou repentinamente, frustrando todo o seu sonho de menina mo�a, que nunca mais pensou no casamento, dedicando toda sua vida ao magist�rio e ao amparo da crian�a �rf� e desvalida. Um dia deliberou abrir um estabelecimento de ensino na cidade de Dourados, para a alfabetiza��o de adultos que n�o tivessem condi��es de freq�entar aulas no per�odo diurno, mantendo-o por algum tempo e fornecendo gratuitamente o material de ensino para todos aqueles que n�o o pudessem adquirir. Nessa �poca a grande mission�ria An�lia Franco fez uma visita � cidade e, vendo o sacrif�cio inenarr�vel pelo qual passava a jovem professora, convidou-a a fazer parte da sua equipe de trabalho, prontificando-se a ajud�-la no que lhe fosse poss�vel. Dessa �poca em diante, tornaram-se grandes amigas e m�tuas colaboradoras. Fundaram uma Creche para as m�es pobres daquela redondeza e um abrigo para �rf�os. An�lia Franco depositava irrestrita confian�a no trabalho de Cl�lia Rocha. Numa das suas cartas chegou mesmo a afirmar: "Voc� � a diretora que mais assimilou os nossos ideais e muito tem produzido. Se todas as demais cooperadoras fizessem como voc�, muito realizar�amos". Em fins de 1918, An�lia Franco fundou um Asilo na cidade de Uberaba, em Minas Gerais, e convidou Cl�lia Rocha para ser sua diretora. Logo ap�s, no dia 13 de janeiro de 1919, An�lia desencarnou em S. Paulo, n�o podendo concretizar a obra. Cl�lia, fiel � sua mem�ria, respeitando a sua �ltima vontade, deliberou transferir-se para Uberaba, com todas as suas pupilas, fundando mais tarde naquela cidade um Col�gio com 18 pensionistas, para manter as suas 72 alunas internas. Diante de sua obra assistencial pleiteou por v�rias vezes subven��es municipais, estaduais e federais, nunca conseguindo resson�ncia para as suas peti��es, pois, pelo fato de ser esp�rita, intensa persegui��o lhe foi movida pelos sacerdotes locais. Como An�lia Franco, organizou um Conjunto L�tero-Art�stico e Musical, com as pr�prias pupilas e demandou as cidades do interior dos Estados de S�o Paulo e Minas Gerais, conseguindo meios de subsist�ncia para manter o seu estabelecimento, tendo para tanto alcan�ado algum �xito. Fiel � mem�ria de An�lia Franco, tudo fez para que os ideais por ela esposados fossem mantidos em toda a sua plenitude, conduzindo-se sempre com verdadeiro esp�rito de abnega��o e sacrif�cio, atestando sempre a sua grandeza espiritual. Fundou com suas pupilas maiores de 16 anos a Liga Feminina Oper�rias do Bem, objetivando a forma��o de novas equipes de cooperadoras que pudessem mais tarde dar continuidade ao seu grandioso trabalho assistencial. Em 1924 transferiu-se para a cidade de S�o Manoel, no Estado de S. Paulo, onde conheceu Amando Sim�es, rico fazendeiro da regi�o, esp�rito bem formado e cora��o generoso que, conhecendo as suas grandes dificuldades e est�ica coragem, resolveu ajud�-la, fazendo a doa��o de um pr�dio e parte de seu terreno para que ali Cl�lia pudesse instalar o seu estabelecimento educacional. Gra�as ao prest�gio desse abnegado confrade, contou logo com o concurso de parte da popula��o e a simpatia da C�mara Municipal, podendo desta forma ampliar a sua obra beneficente. Acolheu no "Lar de An�lia Franco" dezenas de crian�as �rf�s e ali realizou numerosos casamentos de suas ex-educandas, entregando-as ao mister de donas de casas, reintegradas na sociedade, para servirem como esposas e como m�es. Em 1930, na �poca do Natal, fundou a "Creche Ber�o de Ouro", destinada a receber as criancinhas, mantendo-a com todo o carinho de sua alma. Era esp�rita fervorosa e muito se interessava pelos assuntos doutrin�rios. Como An�lia foi literata, jornalista, poetisa, escritora, teatr�loga, musicista e professora de l�nguas. Escreveu v�rias pe�as para teatro; dramas, com�dias e enquetes de sua autoria foram encenadas com muito �xito no Grupo Teatral. Apresentou ainda muitas poesias e composi��es musicais. Ex�mia professora de trabalhos manuais, ministrava aulas de flores artificiais, pinturas, bordados, arte culin�ria e m�sica, preparando suas filhas adotivas para tornar-se prendadas donas de casa do futuro. Na intimidade era chamada "M�e Lili", por todas as suas filhas adotivas. Deu o seu pr�prio nome a muitas delas, quando enjeitadas na "Creche Ber�o de Ouro" e n�o apareciam os parentes. Tendo que regularizar os seus registros civis, n�o hesitava jamais, registrava-as com o seu pr�prio nome. Fundou o jornal liter�rio "L�rio Branco" e o "Mensageiro do �rf�o" hoje "Mensageiro do Lar", �rg�o de divulga��o do Espiritismo, que continua a ser editado nas oficinas gr�ficas do Lar An�lia Franco, na cidade de S. Manoel. Cl�lia Rocha foi, portanto, uma mission�ria na verdadeira acep��o da palavra, pertencendo � pl�iade de valorosas mulheres esp�ritas do mesmo n�vel de An�lia Franco, Ol�mpia Bel�m, Aura Celeste, Eur�dice Panar, Abigair Lima e tantas outras. (Subs�dios fornecidos por Ant�nio de Souza Lucena) 15 CORINA NOVELINO Nascida na cidade de Delfin�polis Estado de Minas Gerais, no dia 12 de agosto de 1912, e desencarnada em Sacramento, naquele mesmo Estado, no dia 10 de fevereiro de 1980. Filha do casal Jos� Gon�alves Novelino e Josefina de Melo Novelino, nasceu na pequena cidade de Delfin�polis, onde passou muito pouco de sua inf�ncia, pois ainda jovem ficou �rf� de pai e m�e, passando a residir com um casal que lhe dispensou todo o amor e carinho. A tarefa desenvolvida por Corina Novelino, na cidade de Sacramento, foi das mais relevantes, o que fez com que se tornasse uma das figuras mais estimadas na cidade. Desde muito jovem revelou-se um Esp�rito caritativo, com profundos rasgos de desprendimento, disposto a dar tudo de si em favor dos seus emelhantes. Com apenas vinte anos de idade, foi convidada por uma denodata seareira chamada Maria Modesto Cravo, para ajud�-la a administrar um Lar de Crian�as, na cidade mineira de Uberaba. Indecisa sobre o convite procurou orienta��o do m�dium Francisco C�ndido Xavier, ent�o residente em Pedro Leopoldo. Devido ao elevado n�mero de pessoas que procurava o m�dium, n�o conseguiu entrevistar-se com ele. Por�m, grande foi a sua surpresa quando foi por ele chamada, recebendo de suas m�os bela mensagem assinada pelo Esp�rito de Eur�pedes Barsanulfo, na qual, entre outras coisas, ele dizia: "Corina, voc� � minha �ltima esperan�a em Sacramento". Diante do imperativo da mensagem, declinou do convite de Maria Modesta e decidiu-se pela perman�ncia em Sacramento, onde fundou o Clube das Maezinhas, composto de m�es caridosas que se dispunham a fazer roupinhas para crian�as necessitadas, as quais eram distribu�das semanalmente. No limiar do ano de 1950, deliberou fundar um Lar para crian�as abandonadas. Por�m, al�m de faltar-lhe os meios necess�rios, n�o sabia onde nem como implantar essa institui��o. A maior rifa realizada em Sacramento propiciou-lhe os meios necess�rios para adquirir uma casa e ali inaugurar o "Lar de Eur�pedesb". Aplicava o seu ordenado na manuten��o do Lar. Entretanto, o n�mero de crian�as aumentava e os recursos tornavam-se assim cada vez mais escassos. A casa havia tamb�m se tornado pequena. Animada de decis�o inquebrant�vel, e contando com a ajuda do Alto, decidiu-se a edificar um novo "Lar de Eur�pedes". O povo de Sacramento e de regi�es vizinhas cooperou no empreendimento e, dentro em pouco, surgia o novo pr�dio, onde foram amparadas mais de 100 crian�as e onde a seareira abnegada passou a ser a "m�e Corina". Devido � insufici�ncia de recursos para a sua manuten��o, pois o estabelecimento era mantido quase completamente com o sal�rio de Corina Novelino, houve apelos e o Lar foi reconhecido como �rg�o de utilidade p�blica, passando ent�o de internato para semi-internato. Ali as crian�as passam o dia, recebendo alimenta��o, vestu�rio e educa��o intelectual e religiosa. Escritora de grandes recursos que era, Corina escreveu os livros "Escuta, meu filho", cuja renda foi revertida inteiramente � manuten��o do Lar. Mais recentemente, em 1979, escreveu a obra "Eur�pedes, o homem e a miss�o", dando in�cio aos atos comemorativos do centen�rio de nascimento daquele grande vulto do Espiritismo. Criatura infatig�vel, sempre disposta a cooperar, tomou parte saliente na vida s�cio-econ�mica, religiosa e cultural de Sacramento. Colaborou em todos os jornais da cidade, desde a "Tribuna", editada por Hamilton Wilson, at� os jornais atuais: "Estado do Tri�ngulo" e "Jornal de Sacramento". Prestou colabora��o em outros �rg�os de divulga��o do Espiritismo, notadamente no "Anu�rio Esp�rita", editado em Araras, e uma revista editada em Portugald. Foi na realidade uma vida bem vivida, repleta de rasgos de generosidade, de amor e de dedica��o aos seus semelhantes. A sua desencarna��o representou irrepar�vel perda para a comunidade sacramentana, um grande vazio se fez na cidade, t�o grande quanto a tristeza dos que perderam o calor, a ternura e a dedica��o de uma amiga. Foram as seguintes as palavras do Presidente da C�mara Municipal de Sacramento, por ocasi�o do sepultamento do seu corpo f�sico: "Que o pavilh�o de Sacramento cubra o seu ata�de numa demonstra��o de homenagem maior que o Poder P�blico presta aos seus grandes filhos. Aqui a gratid�o de todo um povo que reconheceu no seu labor humilde e silencioso a "M�e Corina" de todos. Com o aux�lio de suas m�os n�o foram poucas as vezes que testemunhamos o seu amor, no pr�prio esquecimento de si mesma, chamando para si a responsabilidade dessa enorme tarefa de promo��o do pr�ximo. Foi a M�e Corina dos pobres, dos sofredores, dos �rf�os, dos loucos, dos necessitados, dos abandonados, dos miser�veis... M�e Corina de todos n�s, nosso eterno e imorredouro Muito Obrigado". * * * Nota do GEAE: a querida irm� Alba das Gra�as Pereira enviou-nos mais informa��es sobre a vida de Corina. Alba conviveu com D. Corina por ocasi�o da feitura de seu livro sobre Eur�pedes Barsanulpho. Para n�o alterar o formato original do livro, as novas informa��es ser�o colocadas como notas de rodap�. a) - O casal com quem ela passa a residir chamava-se Jos� e Edalides Rezende (era, irm� consangu�nea de Eur�pedes Barsanulpho). b) - O Lar de Eur�pedes, fundado por D. Corina passou de internato para semi-internato apenas depois de seu desencarne em 10/02/1980. c) - Dentre as obras de sua lavra, acrescenta-se: "A Grande Espera", romance medi�nico datado sobre a era de Jesus e ditado � ela por Eur�pedes Barsanulpho, ed. I.D.E, Araras, S.P.; d) - Sobre as revistas onde escreveu: "Fon Fon" do Rio de Janeiro (1939),"Jornal das Mo�as", Rio de Janeiro e "Revista de Estudos Ps�quicos", editada em Portugal. 16 COSME MARI�O Nascido em Buenos Aires, Rep�blica Argentina, no dia 27 de setembro de 1847, e desencarnado no dia 18 de agosto de 1927, tendo sido um dos mais destacados propagadores esp�ritas naquela na��o. Seus pais foram comerciantes modestos e honrados, foi educado dentro dos princ�pios da igreja cat�lica e se sentiu atra�do para o sacerd�cio, no qual vislumbrou a possibilidade de exercer a sua propens�o inata de servidor da Humanidade. Fez o curso superior de teologia, convencendo-se logo ap�s de que a sua voca��o n�o estava circunscrita aos estreitos dogmas da religi�o dominante. Abandonou, portanto, a carreira iniciada e ingressou na Faculdade de Direito, tendo em seguida interrompido tamb�m esse curso para entrar na carreira jornal�stica, onde junto com Jos� C. Paz fundou o grande di�rio portenho: "La Prensa", do qual foi diretor em 1896. Em 1871, tomou parte ativa na her�ica "Comiss�o Popular", constitu�da com o objetivo nobilitante de combater a epidemia de febre amarela que flagelava os seus concidad�os, e embora tivesse sido contaminado pelo mal, conseguiu restabelecer-se, tendo posteriormente merecido do povo de Buenos Aires a condecora��o da Cruz de Ferro e a impress�o de 5.000 retratos com a inscri��o: "O povo a Cosme Mari�o - Epidemia de 1871". No evento a Municipalidade de Buenos Aires tamb�m lhe outorgou oficialmente a medalha de ouro, como pr�mio aos seus nobres servi�os. Em 1872, Mari�o dedicou-se de corpo e alma no af� de promover o Comit� de Ajuda ao Chile, durante a epidemia de var�ola. Na qualidade de secret�rio desse comit� teve o ensejo de, juntamente com outros abnegados, enviar meio milh�o de pesos, arrecadados em subscri��o p�blica. A Municipalidade de Santiago do Chile tamb�m lhe conferiu uma medalha de ouro como gratid�o pela sua generosidade. Foi Cosme Mari�o fundador da Sociedade Protetora de Inv�lidos, conseguindo, gra�as � sua incessante atividade, construir o Edif�cio dos Inv�lidos. Transferindo sua resid�ncia para a cidade de Dolores, na prov�ncia de Buenos Aires, no ano de 1874 foi designado membro honor�rio da Comiss�o de Justi�a, membro titular do Conselho Escolar e Presidente da Comiss�o do Hospital de Dolores. Nessa cidade teve o ap�stolo a oportunidade de assistir a algumas sess�es esp�ritas, convertendo-se a essa Doutrina. Da� por diante, revelou-se um verdadeiro paladino da Terceira Revela��o. Em 1879 ingressou nos quadros da "Sociedad Const�ncia", tendo em 1881 tomado parte em sua dire��o. Em 1882 tornou-se diretor da revista "Const�ncia", pioneira dos peri�dicos esp�ritas na Argentina. Em 1883 foi eleito presidente dessa institui��o, desenvolvendo ali vasto programa de atividade. No desempenho de sua tarefa jornal�stica viu-se obrigado a sustentar acirradas pol�micas com alguns cl�rigos que viam no Espiritismo um constante obst�culo � manuten��o do dom�nio da f� cega, e tamb�m com alguns cientistas que viam no Espiritismo t�o-somente loucura, fraude e sugest�o. Alguns jesu�tas que publicaram artigos e op�sculos contr�rios ao Espiritismo, mereceram de Mari�o a mais ampla refuta��o, que pulverizou todas as argumenta��es. No dia 3 de abril de 1892, foi v�tima de um atentado por parte de uma fan�tica de nome Dolores Gonz�lez, que lhe disparou um tiro. Felizmente o fato n�o teve maiores consequ�ncias. A vida desse singular personagem foi toda ela entrecortada de gestos nobres e altru�sticos, e n�o cabe nesta ligeira s�mula biogr�fica enumerar todos os fatos ocorridos em sua exist�ncia, contudo, devemos acrescentar que Cosme Mari�o foi autor brilhante, tendo escrito v�rios livros; foi inspirador de v�rias campanhas, destacando-se uma em favor da aquisi��o de livros esp�ritas para serem revendidos a menor custo; outra em favor do reconhecimento da Sociedade "Const�ncia" como personalidade jur�dica; e mais as seguintes: forma��o de uma comiss�o permanente para aux�lios funer�rios a indigentes, prepara��o de enfermeiros atrav�s de cursos adequados, funda��o da Confedera��o Espiritista Argentina, para cuja concretiza��o colaborou intensamente Ant�nio Ugarte e outros, organiza��o da Sociedade Protetora da Crian�a Desvalida; a��o em favor da aboli��o da pena de morte na Argentina, campanha contra os falsos m�diuns e exploradores do Espiritismo, e finalmente, em 1925, a inaugura��o do "Asilo 1� Centen�rio". Foi justamente cognominado "Kardec Argentino", pois ele representa para os esp�ritas platinos o mesmo que Bezerra de Menezes representa para o Brasil, e o mesmo que a tr�ade "Kardec-Denis-Delanne" representa para a Fran�a. Em outubro de 1947, escrevia Ismael Gomes Braga sobre Cosme Mari�o: "A luta contra os preconceitos materialistas e o fanatismo religioso somente pode ser levada a bom t�rmino por Esp�ritos muito superiores � massa humana que habita nosso planeta. O mission�rio que se encarna para defender uma id�ia nova contra erros arraigados durante mil�nios, para for�ar a Humanidade a dar um passo mais no caminho do progresso, n�o pode ser um esp�rito comum, porque falharia antes do fim da jornada, espantado pelos ataques de toda classe de advers�rios que surgem das trevas, furiosos, defendendo suas tradi��es, que julgam sagradas e seus interesses, que consideram divinos. A luta do mission�rio argentino foi mais prolongada e mais violenta que a de Kardec, que trabalhou pelo Espiritismo durante 14 anos, mas Cosme Mari�o teve que lutar meio s�culo para conquistar e consolidar as posi��es que nos legou. Foi agredido n�o somente por palavra e por escrito, sen�o tamb�m por arma de fogo: uma fan�tica religiosa tentou assassin�-lo a tiros; sem embargo, nada o fez desanimar, nada o intimidou, porque foi um grande Mission�rio consciente do seu poder, certo do valor imenso da id�ia que defendia com risco da pr�pria vida. A superioridade de Cosme Mari�o se revelava em toda sua vida e lhe conferia um prest�gio social que lhe dava autoridade para predicar essa grande revolu��o espiritual que � o Espiritismo." 17 EMMA HARDINGE BRITTEN Desencarnada em 1889. Nenhuma hist�ria do Espiritismo seria completa sem refer�ncias a essa not�vel escritora, que foi denominada Ap�stolo Paulo feminino do movimento esp�rita. Ela era uma mocinha inglesa que havia ido para Nova Iorque com uma empresa de teatro e tinha permanecido nos Estados Unidos, onde viveu em companhia de sua m�e. De educa��o protestante, repelia com energia qualquer aproxima��o com os esp�ritas, entretanto, no ano de 1856, foi novamente posta em contato com o Espiritismo, quando teve provas irrefut�veis das verdades por ele apregoadas. Logo descobriu que era, tamb�m ela, poderosa m�dium, podendo-se afirmar que um dos casos mais bem documentados, e que alcan�ou not�vel sensacionalismo, foi a sua informa��o de que o navio "Pacific" tinha naufragado no Atl�ntico m�dio, perecendo todos os passageiros. Ap�s essa revela��o ela foi perseguida pela companhia propriet�ria do navio, por haver repetido o que lhe havia dito o Esp�rito de uma das v�timas da cat�strofe. Verificou-se posteriormente que a sua informa��o medi�nica era verdadeira, pois o navio havia realmente naufragado e nunca mais apareceu. Em 1866 voltou ela para a Inglaterra, onde desenvolveu intensas atividades, produzindo duas grandes obras: "Moderno Espiritualismo Americano" e "Milagres do S�culo Dezenove", livros esses que representaram interessantes pesquisas, unidas a um racioc�nio claro e l�gico. No ano de 1870 casou-se com o Dr. Britten, esp�rita t�o devotado quanto ela. Tudo indica que foi uma uni�o realmente feliz. Em 1878 foram � Austr�lia e Nova Zel�ndia, na qualidade de mission�rios do Espiritismo, ali demorando muitos anos e fundando numerosas sociedades. Quando na Austr�lia, ela escreveu: "F�, Fatos e Fraudes da Hist�ria Religiosa", livro que ainda hoje exerce relativa influ�ncia. Entre outros monumentos de sua autoria, Emma Hardinge Britten fundou "Os Dois Mundos", de Manchester, �rg�o que ainda atualmente desfruta de grande circula��o, representando um ve�culo publicit�rio de grande penetra��o em todo o mundo. Ernesto Bozzano, um dos maiores escritores esp�ritas, profundo investigador, homem de ci�ncia, polemista em�rito, cuja obra honra e engrandece a Doutrina Esp�rita, em not�vel depoimento escrito para a revista "La Luz Del Porvenir", relatou que o livro "Moderno Espiritualismo Americano", lhe foi muito proveitoso no per�odo de sua convers�o ao Espiritismo. A obra de Emma Harding Britten, nos prim�rdios do Espiritismo, foi das mais relevantes, devendo-se a ela grande n�mero de convers�es, inclusive de pessoas de grande proje��o na �poca. A sua desencarna��o aconteceu no ano de 1889. 18 EUR�PEDES BARSANULFO Nascido em 1� de maio de 1880, na pequena cidade de Sacramento, Estado de Minas Gerais, e desencarnado na mesma cidade, aos 38 anos de idade, em 1� de novembro de 1918. Logo cedo manifestou-se nele profunda intelig�ncia e senso de responsabilidade, acervo conquistado naturalmente nas experi�ncias de vidas pret�ritas. Era ainda bem mo�o, por�m muito estudioso e com tend�ncias para o ensino, por isso foi incumbido pelo seu mestre-escola de ensinar aos pr�prios companheiros de aula. Respeit�vel representante pol�tico de sua comunidade, tornou-se secret�rio da Irmandade de S�o Vicente de Paula, tendo participado ativamente da funda��o do jornal "Gazeta de Sacramento" e do "Liceu Sacramentano". Logo viu-se guindado � posi��o natural de l�der, por sua segura orienta��o quanto aos verdadeiros valores da vida. Atrav�s de informa��es prestadas por um dos seus tios, tomou conhecimento da exist�ncia dos fen�menos esp�ritas e das obras da Codifica��o Kardequiana. Diante dos fatos voltou totalmente suas atividades para a nova Doutrina, pesquisando por todos os meios e maneiras, at� desfazer totalmente suas d�vidas. Despertado e convicto, converteu-se sem delongas e sem esmorecimentos, identificando-se plenamente com os novos ideais, numa atitude sincera e pr�pria de sua personalidade, procurou o vig�rio da Igreja matriz onde prestava sua colabora��o, colocando � disposi��o do mesmo o cargo de secret�rio da Irmandade. Repercutiu estrondosamente tal acontecimento entre os habitantes da cidade e entre membros de sua pr�pria fam�lia. Em poucos dias come�ou a sofrer as conseq��ncias de sua atitude incompreendida. Persistiu lecionando e entre as mat�rias incluiu o ensino do Espiritismo, provocando rea��o em muitas pessoas da cidade, sendo procurado pelos pais dos alunos, que chegaram a oferecer-lhe dinheiro para que voltasse atr�s quanto � nova mat�ria e, ante sua recusa, os alunos foram retirados um a um. Sob press�es de toda ordem e impiedosas persegui��es, Eur�pedes sofreu forte traumatismo, retirando-se para tratamento e recupera��o em uma cidade vizinha, �poca em que nele desabrocharam v�rias faculdades medi�nicas, em especial a de cura, despertando-o para a vida mission�ria. Um dos primeiros casos de cura ocorreu justamente com sua pr�pria m�e que, restabelecida, se tornou valiosa assessora em seus trabalhos. A produ��o de v�rios fen�menos fez com que fossem atra�das para Sacramento centenas de pessoas de outras paragens, abrigando-se nos hot�is e pens�es, e at� mesmo em casas de fam�lias, pois a todos Barsanulfo atendia e ningu�m sa�a sem algum proveito, no m�nimo o lenitivo da f� e a esperan�a renovada e, quando merecido, o benef�cio da cura, atrav�s de bondosos Benfeitores Espirituais. Auxiliava a todos, sem distin��o de classe, credo ou cor e, onde se fizesse necess�ria a sua presen�a, l� estava ele, houvesse ou n�o condi��es materiais. Jamais esmorecia e, humildemente, seguia seu caminho cheio de percal�os, por�m animado do mais vivo idealismo. Logo sentiu a necessidade de divulgar o Espiritismo, aumentando o n�mero dos seus seguidores. Para isso fundou o "Grupo Esp�rita Esperan�a e Caridade", no ano de 1905, tarefa na qual foi apoiado pelos seus irm�os e alguns amigos, passando a desenvolver trabalhos interessantes, tanto no campo doutrin�rio, como nas atividades de assist�ncia social. Certa ocasi�o caiu em transe em meio dos alunos, no decorrer de uma aula. Voltando a si, descreveu a reuni�o havida em Versailles, Fran�a, logo ap�s a 1� Guerra Mundial, dando os nomes dos participantes e a hora exata da reuni�o quando foi assinado o c�lebre tratado. Em 1� de abril de 1907, fundou o Col�gio Allan Kardec, que se tornou verdadeiro marco no campo do ensino. Esse instituto de ensino passou a ser conhecido em todo o Brasil, tendo funcionado ininterruptamente desde a sua inaugura��o, com a m�dia de 100 a 200 alunos, at� o dia 18 de outubro, quando foi obrigado a cerrar suas portas por algum tempo, devido � grande epidemia de gripe espanhola que assolou nosso pa�s. Seu trabalho ficou t�o conhecido que, ao abrirem-se as inscri��es para matr�culas, as mesmas se encerravam no mesmo dia, tal a procura de alunos, obrigando um col�gio da mesma regi�o, dirigido por freiras da Ordem de S. Francisco, a encerrar suas atividades por falta de freq�entadores. Liderado a pulso forte, com diretriz segura, robustecia-se o movimento esp�rita na regi�o e esse fato incomodava sobremaneira o clero cat�lico, passando este, inicialmente de forma velada e logo ap�s, declaradamente, a desenvolver uma campanha difamat�ria envolvendo o digno mission�rio e a doutrina de liberta��o, que foi galhardamente defendida por Eur�pedes, atrav�s das colunas do jornal "Alavanca", discorrendo principalmente sobre o tema: "Deus n�o � Jesus e Jesus n�o � Deus", com argumenta��o abalizada e incontest�vel, determinando fragorosa derrota dos seus opositores que, diante de um gigante que n�o conhecia esmorecimento na luta, mandaram vir de Campinas, Estado de S. Paulo, o reverendo Feliciano Yague, famoso por suas prega��es e conhecimentos, convencidos de que com suas argumenta��es e convic��es infringiriam o golpe derradeiro no Espiritismo. Foi assim que o referido padre desafiou Eur�pedes para uma pol�mica em pra�a p�blica, aceita e combinada em termos que foi respeitada pelo conhecido ap�stolo do bem. No dia marcado o padre iniciou suas observa��es, insultando o Espiritismo e os esp�ritas, "doutrina do dem�nio e seus adeptos, loucos pass�veis das penas eternas", numa demonstra��o de falso zelo religioso, dando assim testemunho p�blico do �dio, mostrando sua alma repleta de intoler�ncia e de sectarismo. A multid�o que se mantinha respeitosa e confiante na r�plica do defensor do Espiritismo, antevia a derrota dos ofensores, pela pr�pria fragilidade dos seus argumentos vazios e inconsistentes. O mission�rio sublime, aguardou serenamente sua oportunidade, iniciando sua parte com uma prece sincera, humilde e bela, implorando paz e tranq�ilidade para uns e luz para outros, tornando o ambiente prop�cio para inspira��o e assist�ncia do plano maior e em seguida iniciou a defesa dos princ�pios nos quais se alicer�avam seus ensinamentos. Com delicadeza, com l�gica, dando vaz�o � sua intelig�ncia, descortinou os desvirtuamentos doutrin�rios apregoados pelo Reverendo, reduzindo-o � insignific�ncia dos seus parcos conhecimentos, corroborado pela manifesta��o alegre e ruidosa da multid�o que desde o princ�pio confiou naquele que facilmente demonstrava a l�gica dos ensinos apregoados pelo Espiritismo. Ao terminar a famosa pol�mica e reconhecendo o estado de alma do Reverendo, Eur�pedes aproximou-se dele e abra�ou-o fraterna e sinceramente, como sinceros eram seus pensamentos e suas atitudes Barsanulfo seguiu com dedica��o as m�ximas de Jesus Cristo at� o �ltimo instante de sua vida terrena, por ocasi�o da pavorosa epidemia de gripe que assolou o mundo em 1918, ceifando vidas, espalhando l�grimas e afli��o, redobrando o trabalho do grande mission�rio, que a previra muito antes de invadir o continente americano, sempre falando na gravidade da situa��o que ela acarretaria. Manifestada em nosso continente, veio encontr�-lo � cabeceira de seus enfermos, auxiliando centenas de fam�lias pobres. Havia chegado ao t�rmino de sua miss�o terrena. Esgotado pelo esfor�o despendido, desencarnou no dia 1� de novembro de 1918, �s 18 horas, rodeado de parentes, amigos e disc�pulos. Sacramento em peso, em verdadeira romaria, acompanhou-lhe o corpo material at� a sepultura, sentindo que ele ressurgia para uma vida mais elevada e mais sublime. 19 FRANCISCO ANT�NIO BASTOS Nascido em S�o Paulo, no dia 6 de janeiro de 1850 e desencarnado no dia 19 de agosto de 1929, com a idade de 79 anos. Muito jovem dedicou-se aos trabalhos altru�sticos ao lado da grande mission�ria An�lia Franco, fazendo as escritas fiscais de mais de 70 obras assistenciais por ela fundadas no Estado de S�o Paulo, abrangendo Escolas Maternais, Escolas Elementares, Albergues Noturnos, Col�nia Regeneradora, vinte e tr�s lares para crian�as abandonadas e um Patronato Agr�cola. A conviv�ncia de An�lia Franco e Francisco Ant�nio Bastos no trabalho crist�o e esp�rita da assist�ncia social era t�o antigo que, no ano de 1906, apesar de ambos terem mais de 50 anos de idade, resolveram casar-se, unindo assim os seus esfor�os para que a obra n�o viesse a sofrer solu��o de continuidade. No decurso da 1� Guerra Mundial profunda crise avassalou as institui��es mantidas pelo casal, devido aos cortes nas subven��es oficiais e outros aux�lios recebidos da popula��o. Essa situa��o de emerg�ncia fez com que o casal promovesse extensa excurs�o art�stica pelas cidades do interior do Estado, levando a "Banda Musical Feminina Regente Feij�", composta por suas educandas e por um Grupo Dram�tico formado pelas participantes da "Col�nia Regeneradora D. Romualdo". Deste modo foram conseguidos os recursos necess�rios para a manuten��o daquelas institui��es: duzentos e trinta contos de r�is, pequena fortuna naquela �poca. An�lia Franco, que ap�s o seu cons�rcio acrescentou ao seu nome o sobrenome Bastos, imortalizou-se como figura m�xima de mulher dedicada e bondosa, conseguindo projetar seu nome em todo o Brasil, dado o seu trabalho infatig�vel e entrecortado de idealismo. Francisco Ant�nio Bastos foi o seu assessor mais dedicado, desde os prim�rdios do seu trabalho, apagando-se na humildade e dando os mais vivos testemunhos na singular prova de amor espiritual, que o ligava �quela renomada seareira. Ap�s a desencarna��o de An�lia, ocorrida no dia 13 de janeiro de 1919, como prova de sua dedica��o e afeto, fundou o "Asilo de �rf�os An�lia Franco", na cidade mineira de Juiz de Fora, fato ocorrido em junho desse mesmo ano, tudo com o objetivo de perseverar na difus�o dos benef�cios que sua esposa se acostumara a realizar e dos quais o seu magn�nimo cora��o era vasto celeiro. Na cidade de Juiz de Fora sofreu a incompreens�o da popula��o. Encontrou na cidade a mais tenaz resist�ncia, pois dada a sua condi��o de esp�rita, esbarrou com a intolerancia religiosa ali prevalecente. O povo somente acatava solicita��es feitas pela religi�o majorit�ria. Batalhador infatig�vel, sofreu toda a sorte de persegui��es, inspiradas pelo p�roco da igreja local, vendo-se finalmente na dura conting�ncia de transferir a sede da institui��o para o Rio de Janeiro, onde se instalou em maio de 1922, no bairro do M�ier. Com a ajuda de um grupo dedicado de auxiliares, conseguiu receber o apoio irrestrito de muitos, e sem qualquer esp�rito de hegemonia, elevou a simp�tica institui��o a uma situa��o bastante privilegiada. Com o decorrer do tempo conseguiu adquirir bela e acolhedora casa na Rua da Figueira, hoje Avenida Marechal Rondon, no bairro do Rocha, onde a institui��o se consolidou de forma definitiva. � digno de registro que a funda��o do Lar dos �rf�os em Juiz de Fora, como salutar exemplo de desprendimento desse grande ap�stolo da caridade, deve-se inteiramente ao montepio legado por sua esposa, na import�ncia de dezesseis contos de r�is que, num gesto liberal muito do seu feitio, doou � institui��o, fazendo quest�o que essa doa��o constasse de uma das atas de sua diretoria, lavrada em fins de 1922. Francisco Ant�nio Bastos era intimorato empreendedor de obras sociais, deixando entrever o seu esp�rito sonhador, arguto e realizador, assessorando An�lia Franco na dissemina��o de numerosas obras assistenciais que passaram a constituir uma das mais monumentais realiza��es da �poca. Contagiado pelo esp�rito de luta de sua companheira desencarnada, ele adquiriu a virtude de tudo vencer sem esmorecimento. Organizou numerosas institui��es esp�ritas onde atuou como dirigente; editou duas revistas: "Nova Revela��o" e "Natal�cio de Jesus", tornando-se o seu redator-chefe, �rg�os esses que pertenciam � Col�nia Regeneradora D. Romualdo. Sua incr�vel operosidade, esp�rito de sacrif�cio, energia e perseveran�a no bem, traduziram-se em aut�nticas conquistas espirituais. Foi tamb�m dedicado trabalhador no campo da difus�o doutrin�ria do Espiritismo, proferindo confer�ncias e encetando tarefas de diversos matizes. Foi verdadeiro "pai" para as crian�as abrigadas no "An�lia Franco", as quais o estimavam e respeitavam sobremaneira, dispensando-lhe carinho e gratid�o. Seu regresso ao plano espiritual foi precedido de insidiosa enfermidade que o prendeu ao leito por v�rios dias. O venerando velhinho de longas barbas e grande cora��o foi aut�ntico seguidor de Jesus Cristo, pois tudo o que fez ele, aprendeu a faz�-lo nas p�ginas dos Evangelhos, assim como os consoladores ensinamentos que sabia espargir, ele os assimilou nas obras b�sicas da Doutrina Esp�rita. (Subs�dios fornecidos por Ant�nio de Souza Lucena) 20 FREDRICH MYERS Nascido em Keswick (Cumberland), Inglaterra, a 6 de fevereiro de 1843, e desencarnado em Roma, It�lia, a 17 de janeiro de 1901. Fredrich William Henry Myers, mais conhecido por Fredrich Myers, foi erudito literato ingl�s, famoso pelos seus escritos not�veis e estudos sobre os fen�menos esp�ritas. Educou-se no Col�gio da Trindade, de Cambridge, e, ap�s ter colimado uma s�rie apreci�vel de triunfos, foi nomeado professor do mesmo instituto de ensino e, em 1872, inspetor de todas as escolas do Distrito. Nessa �poca j� havia publicado um poema intitulado "S�o Paulo". Nos anos de 1870 e 1872 lan�ou mais dois volumes de poesias. Em 1883 publicou seus "Ensaios Cl�ssicos e Modernos" (Essays Classical and Modern), obra que alcan�ou not�vel valor liter�rio. No ano de 1882, ap�s v�rios ensaios, estudos e discuss�es, figurou, em primeiro lugar, na lista dos fundadores da "Sociedade de Investiga��es Ps�quicas de Londres", tornando-se o porta-voz da mesma sociedade, dando sua contribui��o valiosa na revis�o da magistral obra "Fantasma dos Vivos" (1886), cuja introdu��o escreveu. De sua autoria � ainda a obra "A Ci�ncia e a Vida Futura". Posteriormente � sua desencarna��o foi publicado seu livro "Human Personality and its Survival of Bodily Death", vertido para o portugu�s com o t�tulo "A Personalidade Humana" obra que constituiu, de direito e de fato, preciosa contribui��o no campo das investiga��es ps�quicas e que foi qualificada pelo sa�bio William James como a primeira tentativa de se considerar os fen�menos de alucina��o, hipnotismo, automatismo e dupla personalidade como partes de um s� todo. A sua obra "A Personalidade Humana" foi dedicada a Henry Sidgwick e a Edmond Gurney, constituindo um reposit�rio de fulgurantes ensinamentos. Nessas Myers proclama que "assim como S�crates fez descer a Filosofia do C�u para a Terra, o m�dium Emmanuel Swedenborg foi quem levantou a Filosofia da Terra para o C�u". O Espiritismo muito deve a Fredrich Myers pelo interesse que sempre demonstrou pelas pesquisas dos fen�menos ps�quicos e pelo idealismo que o norteou, procurando convencer muita gente mediante um trabalho met�dico e de divulga��o das verdades esp�ritas, atrav�s de obras que tiveram o m�rito de sensibilizar muitas pessoas de not�ria influ�ncia, dentre elas Sir" Arthur Conan Doyle, o genial criador de "Sherlock Holmes", que chegou a afirmar num dos seus relatos que a obra de Fredrich Myers "A Personalidade Humana" foi aquela que mais o impressionou, contribuindo decisivamente para a sua convers�o ao Espiritismo. Em sua obra "Hist�ria do Espiritismo", Conan Doylc presta testemunho sobre Myers, asseverando: "A F� que F. W. H. Myers havia perdido no Cristianismo foi restaurada pelo Espiritismo". Em seu livro "A F� Final", diz ele: "N�o posso, num sentido profundo, contrastar a minha cren�a atual com o Cristianismo. Considero-a antes um desenvolvimento cient�fico da atitude e do ensino do Cristo". Fredrich Myers foi, como decorr�ncia, um dos mais eruditos pesquisadores do s�culo passado e sua contribui��o em favor da divulga��o dos postulados esp�ritas foi das mais apreci�veis. 21 REV. GEORGE VALE OWEN C�lebre m�dium ingl�s desencarnado a 9 de mar�o de 1931. Um periodista ingl�s que, na d�cada de 1920, se atrevesse a tratar temas esp�ritas devia possuir muita perspic�cia e muita coragem, sustentados por uma autoridade indiscut�vel. Esse periodista foi Lord Northcliffe, que o fez publicando nada menos que os escritos recebidos mediunicamente pelo famoso m�dium brit�nico Rev. George Vale Owen. As publica��es do "Correio Semanal", contendo tais escritos despertaram inusitado interesse, tanto na Inglaterra como em outros pa�ses, o que ali�s redundou num ataque sistem�tico por parte das Igrejas, que movimentaram todos os seus recursos materiais com o objetivo de minorar os "catastr�ficos efeitos" que estavam produzindo em todas as camadas da sociedade os escritos de Vale Owen. Quem era George Vale Owen, que deste modo alterava a calma natural de todos e produzia semelhante impacto nas arraigadas convic��es religiosas do conservador povo brit�nico? Vale Owen era um sacerdote, membro de poderosa ramifica��o religiosa que havia monopolizado o sentimento de religiosidade dos povos da Inglaterra e de outras na��es. Nessa altura dos acontecimentos ele j� estava trabalhando nas lides esp�ritas e havia-se integrado entre os homens de renome que deram grandes passos no sentido de implantar as id�ias esp�ritas naquele pa�s. Os problemas relacionados com o Esp�rito, despertaram em Owen a inten��o de fazer com que um novo conceito de Deus se tornasse acess�vel �s criaturas humanas, conceito esse despojado de dogmas, de ritos, de fanatismo e de obscurantismo. Animado desse prop�sito foi buscar na carreira eclesi�stica um meio mais r�pido e eficiente de colocar-se em contacto com as almas daqueles que desejavam encaminhar-se para uma vida melhor e mais segura, no al�m-t�mulo. Aconteceu a Vale Owen o que sucede geralmente com muitas pessoas dotadas de poderosa voca��o: distanciou-se do roteiro palmilhado por sacerdotes sectaristas. O seu objetivo foi ent�o o de procurar desesperadamente a verdade, o �nico caminho que conduz a Deus. Owen conseguiu chegar ao sacerd�cio solidamente alicer�ado nos princ�pios filos�ficos e cient�ficos, os quais lhe propiciaram profunda perspic�cia no sentido de adentrar o �mago de todas as quest�es que reclamam a aten��o da mente humana. Realizou seus primciros estudos no famoso "Col�gio da Rainha", passando em seguida ao Instituto Midland, onde atingiram os mais elevados graus os seus conhecimentos cient�ficos e religiosos. Ordenou-se sacerdote em Liverpool, quando tinha apenas 24 anos de idade, tendo sido designado para desempenhar o seu minist�rio no humilde curato de Seaford. Ele era um homem humilde, embora atr�s dessa humildade crist� ocultasse uma fortaleza de �nimo e um Esp�rito sempre predisposto para a luta. Devido a essa humildade e apesar de sua s�lida forma��o espiritual, jamais logrou alcan�ar um lugar proeminente no seio do clero ou qualquer proje��o dentro de sua Igreja. Os des�gnios de Deus, no entanto, eram outros, e nos humildes curatos de Seaford, de Pairfields e de S. Mateus, bem como nos sub�rbios de Liverpool e mais tarde nas cercanias de Oxford, dedicou-se com verdadeiro devotamento ao seu minist�rio, e quanto mais se sentia perto de Deus, mais ficava abalado em sua situa��o de sacerdote. No prop�sito de buscar um contacto mais �ntimo com o mundo espiritual lembrou-se do "Batei e abrir-se-vos-�" dos ensinamentos evang�licos e, com isso viu desabrochar a sua mediunidade, gra�as � interfer�ncia de sua m�e, desencarnada em 1909, e que come�ou a dar suas primeiras manifesta��es em 1913. A princ�pio ele relutou em aceitar a realidade dos fatos, dado o seu excessivo apego � verdade. N�o tardou muito em ter as provas mais convincentes, o que fez com que se convertesse inteiramente ao espiritismo. As mensagens recebidas foram condensadas em quatro livros. Nessa �poca come�ou a receber mensagens de um Esp�rito que se intitulava "Astriel" mensagens essas eivadas da mais profunda filosofia. Sua primeira obra, "Os baixos Campos do C�u" e, logo a seguir, "Os Altos Campos do C�u", tiveram not�vel repercuss�o. A fase seguinte foi a publica��o do livro "Os Mist�rios do C�u", inspirada por um Esp�rito que se subscrevia "Leader". Esp�rito esse que assumiu um controle �nico sobre todas as comunica��es dadas posteriormente e cujo nome ele pr�prio mudou para "Ariel", formando o quarto e �ltimo livro "Os Batalh�es do C�u". Os pr�logos das obras de Vale Owen foram elaborados por "Sir" Arthur Conan Doyle, o genial criador de Sherlock Holmes, o que demonstra o elevado sentido das comunica��es recebidas do plano espiritual. Num desses pr�logos dizia o famoso escritor ingl�s: "Com que seguran�a se afirma que Deus fechou as fontes da inspira��o h� 2000 anos. N�o � infinitamente mais razo�vel dizer-se que um Deus vivente continua demonstrando sua for�a vivente e que novas ajudas e novos conhecimentos continuam a ser por ele derramados para impulsionar a evolu��o dos homens?" Lord Northcliffe tinha s�rias e profundas inquietudes espiritualistas que em nenhum momento foram sufocadas por sua imensa fortuna material. Ele descobriu Vale Owen e por isso p�s sua fortuna e influ�ncia no af� de divulgar as obras do famoso m�dium, n�o receando jamais colocar em jogo o seu prest�gio e a sua fortuna, na realiza��o de uma obra que ele considerava extraordin�ria e mesmo absurda e atrevida para a �poca. Ele era um periodista de nervos fortes, de cora��o e de voca��o, que jamais titubeou em publicar o que era atualidade e realidade, mesmo que isso viesse a redundar num abalo do seu prest�gio de diretor de uma cadeia enorme de jornais di�rios. Lord Northcliffe afirmou ainda, referindo-se a Owen: "Encontrei-me frente a um homem dotado de grande sinceridade e de uma convic��o inabal�vel; era possuidor de grandes dotes espirituais e quando lhe ofereci grossa quantia em dinheiro para a publica��o de suas obras, ele a recusou, solicitando apenas o suficiente para uma modesta publica��o de seus livros. Essas obras poderiam dar a Vale Owen imensa fortuna, dado o interesse que elas despertaram; poderiam ter dado ao m�dium facilidades para deixar o pobre quarto onde habitava em Oxford, podendo ainda, com esse dinheiro, aspirar a uma par�quia mais respeit�vel, entretanto, tudo foi recusado por ele e esse dinheiro foi investido por Lord Northcliffe em obras filantr�picas. Os trabalhos do m�dium, publicados no "Correio Semanal", fizeram com que esse peri�dico atingisse tiragens surpreendentes. Suas obras s�o conhecidas na Inglaterra por "Escrituras de Owen". Sabe-se que a vers�o de seus livros para o vern�culo seria sob o t�tulo "A Vida Al�m do V�u". O �xito colimado por ele no campo esp�rita acarretou-lhe a perda da sua par�quia, pois a ela teve que renunciar, perdendo a fonte de onde tirava o necess�rio para o seu sustento. Nesse evento ele proclamou: "Muitos s�o os que podem ser vig�rios de Oxford, por�m n�o s�o muitos os que podem fazer o meu trabalho de propaganda". Aos 53 anos de idade George Vale Owen iniciou sua tarefa de divulga��o do Espiritismo. Dirigiu-se aos Estados Unidos da Am�rica onde ele j� estava bem difundido, fazendo ali muitas pr�dicas, grangeando grande n�mero de amigos e disc�pulos, tendo posteriormente regressado � Inglaterra, onde proferiu mais de 150 confer�ncias, esgotando todos os seus recursos materiais e ficando quase na indig�ncia. "Sir" Arthur Conan Doyle, seu grande amigo, saiu em seu aux�lio e encabe�ou uma coleta com o nome de "Caixa de Vale Owen", que se encheu prontamente, por�m o m�dium n�o fez dela qualquer uso. Em 1931 foi acometido de grave enfermidade, por�m, prosseguiu na tarefa de propaganda sem dar demonstra��es das horr�veis dores que o acometiam. No dia 9 de mar�o desse mesmo ano veio a desencarnar. 22 GUILHERME TAYLOR MARCH Nascido no planalto da Serra dos �rg�os, atualmente cidade de Teres�polis, no Estado do Rio de Janeiro, no dia 21 de agosto de 1838, e desencarnado na cidade de Niter�i no mesmo Estado, no dia 21 de junho de 1922. Era filho de George March, cidad�o nascido e criado em Portugal, mas ingl�s por direito diplom�tico, e de D. Ign�cia March, de nacionalidade brasileira. George March havia adquirido, antes de 1821, uma gleba de mais de 170 milh�es de metros quadrados de terra, que destinou � agricultura e � cria��o de cavalos de ra�a. Essa enorme Fazenda que primitivamente se chamava Fazenda dos �rg�os, passou a ser denominada Fazenda do March. A atual cidade de Teres�polis, no Estado do Rio de Janeiro, foi constru�da dentro de seus limites. Com a desencarna��o de seu pai, Guilherme Taylor March, que nessa �poca tinha apenas 12 anos de idade, foi confiado a um tutor nomeado pela Justi�a, o qual despendeu enormes quantias para que o jovem alcan�asse aprimorada cultura, matriculando-o em v�rios col�gios e posteriormente na Faculdade de Medicina da Corte, onde recebeu seu diploma de m�dico no dia 30 de novembro de 1859. O seu tutor foi demasiadamente pr�digo no trato de seus bens, n�o administrou suas propriedades e dep�sitos banc�rios com a devida precau��o, fazendo com que Guilherme March ficasse arruinado de bens materiais. Tendo sido acometido de var�ola e, vivendo numa habita��o coletiva, teria que ser removido para um hospital, entretanto, uma senhora esp�rita tratou-o com rem�dios homeop�ticos, fazendo com que ele se restabelecesse, sem sequer ficar marcado pelas cicatrizes deformantes que as p�stulas produzem. Esse fato fez com que Guilherme March se tornasse apologista da ci�ncia de Hahnemann, passando a praticar essa terap�utica at� a data da sua desencarna��o. Observando os exemplos vivos propiciados pela sua hospedeira e por um velho esp�rita chamado Nascimento, que curava muita gente atrav�s da homeopatia e da sua mediunidade, mudou de modo de pensar. Viu que o verdadeiro Deus era diferente daquele que lhe mostraram no Col�gio. Os exemplos vividos por ambos fizeram com que se interessasse pelo estudo das obras b�sicas de Allan Kardec, pois era muito culto, estudioso e poliglota. Sua convers�o foi comprovada pelo seu filho Edmundo March, em carta datada de 22 de setembro de 1940, onde dizia: "N�o fazendo alarde de sua cren�a, n�o a negava em absoluto. Educado como geralmente todos os do seu tempo, na religi�o cat�lica, procurou, depois de emancipado, conhecer a Doutrina de Kardec e, tendo encontrado nela a melhor forma de Cristianismo, adotou-a". O Dr. March manteve rela��es cordiais com muitos vultos conhecidos do Espiritismo daquela �poca, dentre eles os Drs. Faria J�nior, Figueiras Lima, o m�dium Nascimento e muitos outros. Desprendendo-se de todo interesse material, passou a integrar-se inteiramente, de dia e de noite, sem fadigas nem revoltas, � tarefa sublime de suavizar os sofrimentos do pr�ximo, tendo por isso merecido o cognome de "Pai dos Pobres". Fez isso por mais de cinquenta anos, descuidando-se de si e da pr�pria sa�de, numa afirma��o patente de ren�ncia e de dedica��o, tornando-se, por isso mesmo, um homem que realmente viveu os ensinamentos evang�licos, levando a paz e a sa�de a milhares e milhares de sofredores de todos os matizes. Chegava mesmo a rasgar as pr�prias vestes a fim de enxugar l�grimas alheias. Alcan�ando grande proje��o na cidade, muitos sacerdotes cat�licos tentaram atra�-lo, mesmo nos �ltimos momentos de sua vida, procurando faz�-lo em confiss�o, sendo preciso que seu filho lhes dissesse, sem rebu�os, que n�o mais permitiria aquele ass�dio impertinente, porque seu pai desde muito adotara o Espiritismo e n�o aceitava dogmas e sacramentos religiosos. O Dr. March casou-se no Rio de Janeiro, em 1860, com D. Francisca de Paula Correia March. Pouco depois transferiu sua resid�ncia para Niter�i, no Estado do Rio de Janeiro, onde come�ou a clinicar intensamente. Possu�a enorme clientela. A todos os pacientes que o procuravam ele passava a considerar um membro da sua fam�lia e, portanto, com direito � sua assist�ncia material. Os pobres da cidade faziam verdadeiras romarias � sua casa, modesta resid�ncia onde morava e onde vivia do modo mais humilde poss�vel. O nosso biografado ocupou um �nico emprego, o de cl�nico do consult�rio homeop�tico criado na Santa Casa de Miseric�rdia de Niter�i, inicialmente sem remunera��o e posteriormente recebendo o sal�rio de cinquenta mil-r�is mensais. Dada a sua dedica��o extrema � pobreza, apesar de possuir uma das cl�nicas mais vastas da capital fluminense a sua renda era por demais reduzida. Sua situa��o econ�mica tornou-se muito cr�tica devido � enfermidade que o atacara na mocidade e que come�ava a tolher-lhe os movimentos locomotores. Nessa altura dos acontecimentos, a massa an�nima, percebendo a situa��o prec�ria em que vivia o grande mission�rio do bem, adquiriu e lhe fez doa��o de uma casa para que ele pudesse nela residir. Uma comiss�o de senhoras da melhor sociedade fluminense fez nova subscri��o para adquirir os m�veis. Tomando posse daquele im�vel, o Dr. March abriu-lhe as portas de par em par, e nunca mais as fechou, para que por ela entrassem livremente todos os infortunados e por isso exclamava: "Esta casa n�o � minha, mas de todos os que n�o tem teto". Durante cerca de 33 anos residiu o Dr. March na casa que lhe havia sido doada pelo povo e para onde entrou j� enfermo. Posteriormente esse im�vel foi reformado a expensas do governo municipal. No dia 21 de junho de 1922, com a avan�ada idade de 84 anos, dos quais 63 dedicados ao exerc�cio de atividades profissionais, desencarnou o velho ap�stolo do bem. O sepultamento dos seus restos mortais foi uma apoteose. O povo em massa acorreu e carregou-lhe o f�retro nos bra�os, at� o cemit�rio, onde foi sepultado com flores e l�grimas. A Prefeitura Municipal de Niter�i custeou-lhe os funerais e mandou que fosse hasteado, por 48 horas, o pavilh�o municipal. O seu nome foi dado a um logradouro p�blico da cidade. A Federa��o Esp�rita do Estado do Rio de Janeiro, denominou "Instituto Dr. March" a um grande e modelar educand�rio por ela fundado, onde est�o abrigadas mais de 100 meninas. Esta �, portanto, a s�mula muito apagada de sua grande vida. De um homem que, imobilizado em seu leito de dor durante 20 anos, mesmo assim socorria a todos aqueles que o procuravam. Trabalhou para minorar os sofrimentos alheios, sem encontrar quem pudesse suavizar os seus pr�prios sofrimentos. Na sua vida profissional havia assumido consigo mesmo o compromisso solene de cuidar dos aflitos e dos doentes, e assim a todos atendeu, n�o apenas receitando, mas doando os pr�prios medicamentos, no que era ajudado pela sua pr�pria fam�lia que chegava muitas vezes a se privar de muitas coisas. Imobilizado sobre o leito, este virtuoso homem, cuja bondade o santificou em vida, nunca esbo�ou um murm�rio contra a justi�a do Criador, jamais teve uma impreca��o contra as prova��es que o acometiam. (Subs�dios fornecidos por Alfredo D'Alc�ntara) 23 IN�CIO BITTENCOURT Nascido a 19 de abril de 1862, na Ilha Terceira, Arquip�lago dos A�ores, Freguesia da S� de Angra do Hero�smo (Portugal), e desencarnado no Rio de Janeiro a 18 de fevereiro de 1943. Em plena juventude, emigrou para o Brasil, sem alimentar id�ia de enriquecimento, mas buscando um ideal que sua intui��o afirmava poder encontrar em sua segunda p�tria. Sem qualquer prote��o ou amparo, desembarcou no Rio de Janeiro, sozinho e com irris�ria quantia no bolso. Entretanto, j� era um jovem de car�ter s�rio e de grandes dotes morais. In�cio Bittencourt foi um desses abnegados, que s� se alegravam com a alegria do seu semelhante. Por isso foi aquinhoado com a mediunidade natural, que geralmente depende da evolu��o espiritual do indiv�duo. Ela surgiu espontaneamente, sem qualquer esfor�o de planejamento, como um imperativo da ess�ncia de sua alma boa e sempre disposta � pr�tica do bem. Aos vinte anos de idade inteirou-se da verdade esp�rita. Bastante enfermo e desesperan�ado, foi levado � presen�a de um m�dium chamado Cordeiro, residente na Rua da Miseric�rdia, no Rio de Janeiro, e, gra�as ao aux�lio espiritual recebido, teve a sua sa�de completamente restabelecida. Inconformado com a rapidez da cura, voltou e indagou do m�dium: "N�o sendo o senhor m�dico, n�o indagando quais eram os meus padecimentos e n�o me tendo auscultado ou apalpado qualquer um dos �rg�os, como p�de curar-me?" E a resposta veio incontinenti: "Leia "O Evangelho Segundo o Espiritismo" e "O Livro dos Esp�ritos". Medite bastante e neles encontrar� a resposta para a sua indaga��o". Bittencourt seguiu o conselho e, desde logo, com grande surpresa e naturalidade, se apresentaram nele algumas faculdades medi�nicas. Descortinando novos horizontes, rompido o v�u que impedia que conhecesse novas verdades, integrou-se resolutamente na tarefa de divulga��o evang�lica e de assist�ncia espiritual aos mais necessitados. Bem cedo, com trinta anos de idade, sua personalidade alcan�ou grande destaque nos meios esp�ritas e mesmo fora deles. Poderia ter alcan�ado culmin�ncia na pol�tica, desde que aceitasse a indica��o de seu nome para uma chapa de deputado, uma vez que era apoiado por v�rios senadores da Rep�blica. Sua vit�ria na elei��o n�o sofreria d�vida. Por�m, sempre humilde, fugindo aos movimentos alheios � caridade, preferiu viver no seu mundo, no qual reinava a figura exponencial e amorosa de Jesus Cristo. Fundou a 1� de maio de 1912, e dirigiu-o durante mais de trinta anos, o seman�rio "Aurora", que se tornou conhecido e apreciado ve�culo de divulga��o doutrin�ria. Sob sua presid�ncia foi fundado em 1919 o "Abrigo Tereza de Jesus", tradicional obra assistencial at� hoje em pleno funcionamento, com larga soma de benef�cios a crian�as desamparadas, de ambos os sexos. Fundou o Centro C�ritas, juntamente com Samuel Caldas e Viana de Carvalho, presidindo-o at� a data da sua desencarna��o. Tomou parte ativa na funda��o da "Uni�o Esp�rita Suburbana" e do "Asilo Legi�o do Bem", que acolhe vovozinhas desamparadas. Durante alguns anos exerceu tamb�m a Vice-Presid�ncia da Federa��o Esp�rita Brasileira, presidiu o "Centro Humildade e F�", onde nasceu a "Tribuna Esp�rita", por ele dirigida durante alguns anos. A mediunidade receitista e curadora de In�cio Bittencourt mereceu diversas opini�es. Algumas vezes chegou a ser processado "por exerc�cio ilegal da medicina", mas sempre foi absolvido. Em 1923 houve um acord�o importante do Supremo Tribunal Federal, a respeito. Certa vez, no Centro C�ritas, ao ensejo de uma prece, ouviram-se na sala, de forma bastante n�tida, acordes de um violino. O artista invis�vel executava estranha e bel�ssima melodia, envolvendo a todos em profunda emo��o. Bittencourt, ent�o, salientou que aquela audi��o representava magn�nima manifesta��o da gra�a de Jesus Cristo, permitindo que chegasse ao grupo o de que mais ele necessitava, para compreender a resson�ncia de uma prece sincera no plano divino. Manifesta��es dessa natureza n�o eram raras no Centro C�ritas, possibilitando sempre vibra��es amorosas dos encarnados, protegidas pelos Mentores Espirituais, de maneira que essas for�as ali chegavam para as sensibilizantes demonstra��es de afeto e carinho. N�o foi somente como m�dium receitista e curador que In�cio Bittencourt grangeou a notoriedade, a estima e a admira��o de todos, mas igualmente como m�dium apto a receber do Alto maravilhosa inspira��o que, durante larga fase do seu mediunato, se manifestou not�ria e admir�vel, sempre que ele assomava �s tribunas doutrin�rias, principalmente � da Federa��o Esp�rita Brasileira, a cujas sess�es de estudos comparecia com bastante assiduidade. Embora n�o fosse dotado de cultura acad�mica, escrevia artigos doutrin�rios de forma surpreendente, e fazia uso da palavra em audit�rios esp�ritas de forma bastante eloq�ente. O simples fato de dirigir um jornal de grande penetra��o como o foi "Aurora", demonstra a fibra e o valor desse seareiro incompar�vel e incans�vel. Com 80 anos de idade, retornou � patria espiritual, ap�s lenta agonia. Dias antes da sua desencarna��o, com a coragem e a serenidade de um justo, ditara para os seus familiares os termos do convite para os seus funerais: "A fam�lia In�cio Bittencourt comunica o seu falecimento. A pedido do morto, dispensam-se flores". Dona Rosa, sua bondosa companheira, ponderou: "Voc� amontoou flores na vida terrena, e essas flores vir�o agora engalanar a sua vida espiritual". O velho seareiro, dando, mais uma vez, prova admir�vel da capacidade de transig�ncia do seu Esp�rito altamente evolu�do, aquiesceu: "Est� bem. Concordo com voc� e aceito as flores. Elas significar�o a simpatia e o afeto de bondosos amigos para com o meu Esp�rito. Mas desejo que se transformem na derradeira homenagem que presto a voc�, nesta encarna��o, ofertando-lhas logo ap�s receb�-las. Nosso filho Israel se encarregar� de proceder � oferenda". In�cio Bittencourt foi um exemplo vivo de virtudes santificantes. A todos os golpes de malqueren�a e a todos os gestos de ofensa, sempre replicava com sorriso e perd�o. Soube sempre ser tolerante e compreensivo para com aqueles que o criticavam. Levou sempre a assist�ncia material e espiritual a todos aqueles que dela necessitavam, fazendo com que sua a��o fecunda e benfazeja se baseasse sempre nos l�dimos preceitos evang�licos, pois, como poucos, ele soube viver e praticar os ensinamentos do Meigo Rabi da Galil�ia. Falando com clareza e simplicidade, esfor�ou-se sempre em desvendar, para os seus semelhantes, o v�u que oculta as verdades eternas que os homens chamam de mist�rios divinos. Caminhou sempre sem protestos ou lamenta��es. Que a vida bem vivida desse grande propagador do Espiritismo possa nos servir de b�ssola a fim de nos orientar nos momentos de vacila��es e de tribula��es. As curas operadas atrav�s da mediunidade de In�cio Bittencourt foram das mais marcantes. In�meros casos, que eram considerados perdidos pela medicina oficial, foram resolvidos pela sua interfer�ncia, tornando-se assim um ponto de converg�ncia para os sofredores de todos os matizes. (Subs�dios fornecidos por Artur Silva Ara�jo) 24 JO�O BATISTA PEREIRA O Dr. Jo�o Batista Pereira foi not�vel advogado, nascido na cidade de Cachoeiro do Itapemirim, Estado do Esp�rito Santo. Exercendo a advocacia no foro de S. Paulo, ali desenvolveu intensa tarefa em favor da divulga��o do Espiritismo, principalmente nos idos de 1935 a 1940, quando se salientou como figura de proje��o em quase todas as realiza��es do movimento esp�rita. Tribuno eloq�ente e dotado de elevado conhecimento dos assuntos doutrin�rios, conseguiu empolgar grandes audit�rios, o que fez com que seu nome se tornasse conhecido de todos os esp�ritas, principalmente no Estado de S�o Paulo. Foi presidente do Conselho Deliberativo da extinta Sociedade Metaps�quica de S. Paulo (S.M.S.P.) e um dos mais ass�duos colaboradores da famosa revista "Metaps�quica", que durante muitos anos circulou no Brasil. Em mar�o de 1936, foi um dos animadores da realiza��o da Semana Metaps�quica, que culminou com a sess�o solene de encerramento, no Teatro Municipal de S. Paulo, com o comparecimento de representa��es dos Estados do Paran�, Esp�rito Santo, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro e do antigo Distrito Federal. O seu esfor�o n�o se limitou � tribuna e imprensa esp�ritas, fez tamb�m publicar longos artigos de propaganda dos ideais esp�ritas na imprensa leiga. Na edi��o de 3 de outubro de 1936, do tradicional �rg�o da imprensa paulista "Correio Paulistano", fez publicar substancioso trabalho sobre a personalidade de Allan Kardec, o qual ocupou duas p�ginas. O trabalho de divulga��o do Espiritismo, encetado por Jo�o Batista Pereira foi dos mais relevantes. V�rias cidades do Estado de S. Paulo e de outros Estados do Brasil foram percorridas por ele, em aut�nticas tarefas doutrin�rias. No dia 30 de janeiro de 1937, inaugurou uma s�rie de confer�ncias na sede da Uni�o Esp�rita Mineira, sediada em Belo Horizonte. Em 11 de dezembro de 1938, teve posi��o de destaque na realiza��o da Grande Concentra��o Esp�rita, levada a efeito no Teatro Municipal de Araraq�ara, Estado de S. Paulo, conclave inteiramente transmitido pela PRD-4-R�dio Cultura de Araraq�ara, emissora que at� poucos meses antes vinha sendo invariavelmente utilizada por Ca�rbar Schutel, na difus�o de suas memor�veis confer�ncias. Quando, na presid�ncia do Conselho Deliberativo da Sociedade Metaps�quica de S. Paulo, se concretizou a integra��o dessa sociedade e da Associa��o Esp�rita S. Pedro e S. Paulo na Federa��o Esp�rita do Estado de S. Paulo, extinguindo-se as duas primeiras e permanecendo somente a �ltima. No dia 20 de novembro de 1938, com a ren�ncia do ent�o presidente e de outros diretores dessa Federa��o, numa chapa da qual constava o nome do Prof. Am�rico Montagnini, para vice-presidente, e Fl�vio Ant�nio Paciello, para segundo tesoureiro, o Dr. Jo�o Batista Pereira foi eleito presidente, cargo que desempenhou com apreci�vel descortino at� o dia 10 de dezembro de 1939, quando resignou, passando a elevada investidura ao seu substituto legal. � frente da Federa��o Esp�rita do Estado de S. Paulo, desenvolveu ingente tarefa, dinamizando seus trabalhos, devendo-se a ele a amplia��o da sede pr�pria dessa institui��o, na Rua Maria Paula, 158, cuja inaugura��o oficial ocorreu no dia 31 de maio de 1939. Sob a sua presid�ncia, a Federa��o inaugurou nova fase de atividades, projetando-se como um dos mais laboriosos n�cleos de a��o em favor do movimento esp�rita. Pouco sabemos da vida p�blica do Dr. Jo�o Batista Pereira. Entretanto, teve grande repercuss�o em S. Paulo, a sua nomea��o, pelo governo federal, em outubro de 1939, para o elevado cargo de membro do Conselho Administrativo da Caixa Econ�mica Federal em S. Paulo, fun��o que exerceu com efici�ncia e dedica��o. 25 JO�O FUSCO (JOFUS) Jo�o Fusco, mais conhecido por Jofus, nasceu na cidade de Araraq�ara, Estado de S�o Paulo, no dia 1� de junho de 1895, e desencarnou em S. Paulo, com 50 anos de idade a 6 de julho de 1945. Filho de pais humildes e cat�licos, viveu a maior parte de sua inf�ncia e mocidade na cidade de Araraq�ara, casando-se no ano de 1910, com D. Regina Pavezi Fusco. Fez ainda nessa mesma cidade os cursos prim�rio e de Contabilidade e, mais tarde, em S. Paulo, estudou Ci�ncias Econ�micas. Era profundo conhecedor de Direito e Hist�ria. Possu�a marcante intelig�ncia e uma personalidade moral que causava assombro a todos que com ele conviviam. Jo�o Fusco tornou-se esp�rita na cidade de Rio Preto, no long�nquo ano de 1929, ap�s ler alguns livros sobre Espiritismo. O que contribuiu decididamente para a sua convers�o foi a cura, por seu interm�dio, de uma senhora doente, ap�s ter ela sido desenganada por m�dicos, padres, pastores e curandeiros. A partir dessa �poca tornou-se profundo estudioso das obras da Codifica��o Kardequiana. O Centro Esp�rita "Allan Kardec", da cidade de S. Jos� do Rio Preto, foi o marco inicial de uma nova era na vida de Jo�o Fusco, pois os dirigentes daquela institui��o, vendo nele um homem culto, estudioso, en�rgico e moralista, resolveram entregar-lhe a dire��o do Centro. Jofus reorganizou v�rios Centros Esp�ritas do Estado de S. Paulo e do Tri�ngulo Mineiro, instituindo a escritura��o, elabora��o de estatutos, quadro associativo, bibliotecas, venda e distribui��o de livros, jornais e revistas esp�ritas. Instalou cursos de Evangeliza��o da Inf�ncia, de estudos de "O Livro dos Esp�ritos", de alfabetiza��o de adultos e crian�as, de orat�ria e de desenvolvimento medi�nico, tornando-se mesmo um pioneiro na implanta��o das escolas esp�ritas. Encetou numerosas viagens pelos Estados de S. Paulo e Minas Gerais, proferindo palestras, distribuindo livros e folhetos de sua autoria, numa l�dima campanha contra os conspurcadores da Doutrina Esp�rita. Em 1931 travou conhecimento pessoal com Ca�rbar Schutel, passando a manter estreito contacto com o ap�stolo de Mat�o, em tudo aquilo que dizia respeito � difus�o do Espiritismo, formando-se mesmo o eixo Mat�o-S. Jos� do Rio Preto, na obra de esclarecimento e de combate aos pseudos crist�os. Entre os escritos de Jo�o Fusco podemos destacar os folhetos "O Anticristo", "Os Violadores da Lei", "Desfazendo Cal�nias do Clero Romano", "Advert�ncias", "Falsos Profetas", "Contrastes", "Aviso aos Incautos", "Deus", "Os Centros e suas Denomina��es", "Escola Nova", "Os Mortos Vivos", e outros. Em 1933 transferiu sua resid�ncia para S. Paulo e, nessa cidade, prosseguiu sua tarefa persistente em favor da dissemina��o do Espiritismo. Recebia diariamente volumosa correspond�ncia vinda de pessoas que demandavam o consolo espiritual, conselhos e orienta��o para a cura do corpo e da alma. Jofus possu�a v�rias faculdades medi�nicas, dentre as quais a vid�ncia, audi��o, curas e transporte. H� uma enorme bagagem de feitos ben�ficos efetuados por interm�dio desse saudoso companheiro, durante a sua perman�ncia entre n�s, notadamente no per�odo de 1929 a 1945. Esp�rito varonil, comunicativo, af�vel para com todos, a sua palavra consolava sobremaneira. Todos sentiam-se bem em sua presen�a. Situava a Doutrina dos Esp�ritos acima de tudo e era intransigente no cumprimento dos seus deveres crist�os. Em 30 de janeiro de 1939 fundou no bairro do Itaim, na Capital do Estado de S. Paulo, o primeiro Centro Esp�rita a prestar homenagem ao ap�stolo de Mat�o, dando-lhe o nome de Centro Esp�rita Ca�rbar Schutel. Foi ainda fundador de outras sociedades esp�ritas, dentre elas o Centro Esp�rita Ismael, em Vila Guarani, na mesma cidade, fato ocorrido no dia 30 de junho de 1940. O efeito de sua obra ainda hoje se faz sentir e sua amplitude n�o pode ser descrita numa pequena s�mula biogr�fica. 26 JO�O LE�O PITTA Nascido no dia 11 de abril de 1875, na Ilha da Madeira, Portugal e desencarnado no dia 11 de fevereiro de 1957, no Brasil. Jo�o Le�o Pitta fez os seus primeiros estudos em sua terra natal, cursando um col�gio particular e alcan�ando um grau de instru��o equivalente ao nosso curso secund�rio. Terminados esses estudos deliberou ir para o continente a fim de se aperfei�oar e escolher uma carreira. Nessa altura surgiu um imprevisto: seus pais alimentavam a id�ia de fazer com que ele seguisse a carreira eclesi�stica e se ordenasse padre cat�lico. Entretanto, a sua propens�o era norteada no sentido de ser admitido na marinha portuguesa. N�o conseguindo estudar o que aspirava, veio para o Brasil sem o consentimento de seus pais, aportando no Rio de Janeiro com apenas 16 anos de idade e com quatrocentos r�is no bolso. N�o tendo conhecidos nem parentes, empregou-se numa padaria, onde, pelo menos, tinha acomoda��o e alimenta��o. N�o se sentindo bem na antiga Capital Federal, deliberou transferir-se para a cidade de Piracicaba, no Estado de S. Paulo, onde se casou com D. Maria Joaquina dos Reis, de cujo cons�rcio teve 12 filhos. Posteriormente voltou para o Rio de Janeiro, onde se ocupou da profiss�o de tecel�o, chegando a ser contramestre da f�brica. Um acontecimento, no entanto, mudou o rumo de sua vida. Uma de suas filhas ficou bastante doente, e ele, sem recursos para sustentar sua numerosa prole e atender � enfermidade da filha, resolveu procurar um Centro Esp�rita. N�o estava animado do prop�sito de haurir os benef�cios doutrin�rios do Espiritismo, mas sim, de obter a cura de sua filha. Foi ali que conheceu um m�dium receitista. Pitta tinha o h�bito de discutir. Por�m, o m�dium n�o admitia discuss�es com refer�ncia � Doutrina Esp�rita e deu-lhe alguns livros para que os lesse. Fez as primeiras leituras com manifesta m� vontade, mas, aos poucos, foi tomando interesse e estudou as obras b�sicas da codifica��o kardequiana. Com a desencarna��o de tr�s de suas filhas, v�timas de uma epidemia, sua esposa, cumulada de profundos desgostos, fez com que a fam�lia voltasse de novo para Piracicaba. Conhecedor do Espiritismo, n�o perdeu tempo e logo descobriu que, na cidade, as reuni�es esp�ritas eram realizadas mais por curiosidade de que por apego aos estudos. Tomou ent�o a delibera��o de conclamar alguns amigos, demonstrando-lhes a responsabilidade moral de cada um, ap�s o que conseguiu, em companhia de outros confrades, compenetrados do car�ter s�rio e nobilitante da Doutrina dos Esp�ritos, fundar, no ano de 1904, a "Igreja Esp�rita Fora da Caridade n�o h� Salva��o", a pioneira das institui��es esp�ritas da cidade. Logo ap�s a funda��o do Centro Esp�rita, o clero cat�lico moveu-lhe acerba campanha e, como decorr�ncia n�o conseguiu emprego na cidade e ficou sem cr�dito por mais de um ano. Todos lhe negavam servi�o, apesar de ser homem honesto e trabalhador. Nesse per�odo cr�tico de sua vida, sua esposa costurava para ganhar algum dinheiro, conseguindo assim amparar a fam�lia e superar a crise. Logo ap�s, conseguiu arranjar emprego numa loja de ferragens de propriedade de Pedro de Camargo, que mais tarde se tornou o famoso Vin�cius. Nessa firma trabalhou durante 20 anos, chegando a ser s�cio interessado, tal a sua operosidade e honestidade � toda prova. Nos idos de 1926 � 1929, como pretendesse melhorar sua situa��o econ�mico-financeira, a fim de propiciar melhor educa��o para seus filhos, instalou uma f�brica de bebidas. Tudo ia bem. Por�m, como estivesse sempre pronto a atender aos amigos e aos necessitados, impulsionado pelo seu bom cora��o, acabou perdendo tudo, mais de duzentos contos de r�is, verdadeira fortuna naquele tempo. Viu-se ent�o face � dura conting�ncia de hipotecar sua pr�pria moradia, perdendo-a por excesso de amor ao pr�ximo. Em 1930, resolveu trabalhar na divulga��o do Espiritismo, fazendo propaganda e angariando assinaturas para a "Revista Internacional de Espiritismo" e para o jornal "O Clarim". Deixou o conv�vio sossegado de seu lar, de seus filhos, para viajar pelo Brasil, percorrendo centenas de cidades, pregando o Evangelho e disseminando aquelas publica��es e as obras esp�ritas do grande mission�rio que foi Ca�rbar Schutel. Em todas as cidades por onde passava, fazia suas prega��es doutrin�rias. Profundo conhecedor dos textos evang�licos, esmiu�ava-os com profundidade e com bastante clareza, tornando-os intelig�veis para todos. Quando falava, suas palavras eram cadenciadas e precisas. Nessa obra mission�ria viveu 21 anos ininterruptos, percorrendo v�rios Estados do Brasil, notadamente Goi�s, Mato Grosso, S�o Paulo, Minas Gerais, Esp�rito Santo, Rio de Janeiro, Paran�, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os transportes por ele utilizados eram dos mais prec�rios. Muitas vezes fazia longas caminhadas a p�, a cavalo, de trem, de caminh�o e de �nibus, alimentando-se e dormindo mal. Tinha imenso prazer em atender aos convites que lhe eram formulados e, sentindo-se sempre inspirado pelo Alto, levava o conhecimento de "O Evangelho Segundo o Espiritismo" a milhares de pessoas e lares. Fez milhares de confer�ncias em Centros Esp�ritas, pra�as p�blicas e cinema. Nessas extensas caminhadas, algumas de muitos quil�metros, auxiliava os mais necessitados com os recursos que ia amealhando. Socorria muitas pessoas, sem distin��o de cren�a religiosa, dando-lhes dinheiro para consultar m�dicos, comprar �culos, adquirir mantimentos e para outros fins. Era modesto no trajar. Possu�a longas barbas brancas e a crian�ada o chamava de Papai Noel, pois tamb�m sabia brincar com as crian�as e orient�-las. Sofria sempre calado, sem lam�rias, c�nscio de que os sofrimentos na Terra s�o oriundos de transgress�es cometidas em vidas anteriores. Com a idade de 75 anos, foi acometido de pertinaz enfermidade e submetido a delicada interven��o cir�rgica, vindo a desencarnar 6 anos mais tarde. Jo�o Le�o Pitta deixou v�rias monografias in�ditas. 27 JOS� PETITINGA Nascido no dia 2 de dezembro de 1866 e desencarnado a 25 de mar�o de 1939. Cabe a Jos� Florentino de Sena, mais conhecido por Jos� Petitinga, a gl�ria de fazer Espiritismo organizado no Estado da Bahia, tornando-se um dos esp�ritas de maior proje��o naquele Estado. Consta que freq�entara e abandonara, em sua mocidade, por falta de recursos econ�micos, um curso acad�mico. Era, no entanto, um homem dotado de s�lida cultura geral, sendo not�veis suas lides jornal�sticas, liter�rias e esp�ritas. Na qualidade de poeta, jornalista, contabilista e ling�ista, era sobejamente estimado em sua �poca; como sertanista sabia recolher da Natureza virgem os grandes ensinamentos da vida. Grande conhecedor da nossa flora medicinal, jamais regateava a sua terap�utica de emerg�ncia a quantos dele se socorriam nas muitas viagens que fazia ao longo do Rio S�o Francisco. Era zeloso cultor do vern�culo, ao ponto de merecer de C�sar Zoma - pol�tico, latinista e orador baiano, a seguinte afirma��o: "N�o Bahia, em conhecimentos de latim, eu, e de portugu�s, o Petitinga". Com 21 anos de idade leu "O Livro dos Esp�ritos", e ulteriores estudos e perquiri��es levaram-no a fundar, na cidade de Juazeiro, o "Grupo Esp�rita Caridade", onde foram recebidas, atrav�s do conceituado m�dium Floris de Campos Neto, belas e incentivadoras mensagens da entidade espiritual que assinava "Ignotus". Indo, em 1912, para a adade do Salvador, Petitinga reviveu em sua resid�ncia, o "Grupo Esp�rita Caridade", a� reunindo companheiros realmente dedicados � Doutrina dos Esp�ritos e isentos do personalismo desagregador. Convidado, logo ap�s, a participar do "Centro Esp�rita Religi�o e Ci�ncia", que passava por uma fase de decl�nio, ele tudo fez para restaur�-lo. Mesmo com os poderes extraordin�rios que a Assembl�ia Geral lhe outorgou, tudo foi em v�o. Notando que a decad�ncia daquela sociedade se devia em parte � falta de unidade doutrin�ria, � aus�ncia de uma dire��o geral, Petitinga pensou, ent�o, em fundar uma sociedade orientadora do movimento esp�rita no Estado, o que conseguiu materializar no dia 25 de dezembro de 1915, quando, em hist�rica reuni�o realizada na sede do "Grupo Esp�rita F�, Esperan�a e Caridade", instalou a UNI�O ESP�RITA BAIANA, hoje transformada em Federa��o Esp�rita do Estado da Bahia. No in�cio a Uni�o Esp�rita Baiana n�o tinha sede em lugar definido, transferindo-se v�rias vezes de local, at� que nasceu, cresceu e vingou a id�ia da aquisi��o de sede pr�pria, t�o necess�ria � tranq�ilidade dos dirigentes daquele movimento divulgador do Espiritismo. Em 4 de julho de 1920, a Diretoria recebia plenos poderes para trabalhar naquela dire��o e, em 3 de outubro do mesmo ano, foi solenemente inaugurada a sede pr�pria situada no hist�rico Terreiro de S. Francisco (hoje Pra�a Padre Anchieta n� 8), onde funciona at� o presente. Jos� Petitinga nasceu na fazenda denominada "S�tio da Pedra", margem direita do Rio Paragua�u, termo de Monte Cruzeiro, Comarca de Amargosa, no Estado da Bahia, e desencarnou na cidade de Salvador. Era filho de Manoel Ant�nio de Sena e Maria Florentina de Sena. Jornalista com brilhante atua��o em diversas publica��es da �poca, poeta elogiado por S�lvio Romero, M�cio Teixeira, Teot�nio Freire e outros literatos de renome, orador fluente e ilustrado, Jos� Petitinga se constituiu de direito e de fato, o centro de converg�ncia do movimento esp�rita naquele Estado, que teve as prim�cias da propaganda doutrin�ria em nosso pa�s. Sua figura, misto de humildade e austeridade, tornou-se popular naquela velha capital, infundindo respeito e considera��o at� aos pr�prios advers�rios da Doutrina Esp�rita. S�o de sua autoria os livros de poesias "Harpejos Vespertinos", "Madressilvas" e "Tonadilhas", obras essas que mereceram grandes elogios de v�rios jornais importantes da �poca, inclusive do "Jornal do Com�rcio", do Rio de Janeiro. O nome Petitinga foi usado como pseud�nimo, nos primeiros artigos que escreveu, para fugir � censura paterna e de seus patr�es, que n�o admitiam que um rapazola se metesse em lutas pol�ticas, desafiando com sua preclara intelig�ncia tradicionais pol�ticos da �poca. Colaborou assiduamente em v�rios jornais e publica��es de Nazar�, Amargosa, Juazeiro, Salvador e outras cidades. Em face da popularidade do pseud�nimo, pelo qual passou a ser conhecido em todo o mundo, resolveu adot�-lo como sobrenome, em substitui��o ao "Florentino de Sena", fazendo, para tanto, declara��o p�blica atrav�s de Cart�rio. Jos� Petitinga, exemplo fiel de perseveran�a e trabalho, presidiu a Uni�o Esp�rita Baiana at� a data da sua desencarna��o, dando tudo de si - material e espiritualmente - para o engrandecimento daquela tradicional institui��o e para a difus�o do Espiritismo naquele grande Estado brasileiro. 28 J�LIO ABREU FILHO Nascido na cidade de Quixad�, Estado do Cear�, a 10 de dezembro de 1893, e desencarnado em S. Paulo, no dia 28 de setembro de 1971. Fez os cursos preparat�rios no Estado do Cear�, no Col�gio S. Jos� (Serra do Est�v�o). Em 1911, ingressou na Escola Polit�cnica da Bahia, sediada em Salvador, n�o chegando a completar o curso. Em seguida transferiu-se para a cidade de Ilh�us, tamb�m no Estado da Bahia, onde passou a trabalhar na Delegacia de Terras, da Secretaria da Agricultura. Foi funcion�rio da Prefeitura Municipal e da Estrada de Ferro Inglesa, participando ativamente da constru��o do trecho Ilh�us-Conquista, naquele mesmo Estado. No ano de 1921, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde passou a trabalhar na companhia Light. Em 1929, ainda trabalhando nessa mesma empresa, foi transferido para S�o Paulo, participando da constru��o da usina hidroel�trica de Cubat�o. Nos idos de 1934 e 1935 dedicou-se ao magist�rio secund�rio, lecionando em v�rios col�gios da Capital paulista. Em 1936, como funcion�rio da Secretaria da Agricultura do Estado de S. Paulo, sec��o de engenharia rural, tomou parte saliente em v�rios e importantes projetos no interior do Estado. No seio do Espiritismo exerceu numerosas atividades. Foi membro da diretoria da Uni�o Federativa Esp�rita Paulista. Participou ativamente da funda��o da Uni�o das Sociedades Esp�ritas do Estado de S. Paulo, da qual foi conselheiro durante muitos anos. Teve marcante atua��o no 1� Congresso Brasileiro de Unifica��o Esp�rita, realizado em S. Paulo. No ano de 1949, deu in�cio a gigantesca tarefa de verter para o vern�culo a "Revue Spirite", revista esp�rita publicada por Allan Kardec durante doze anos consecutivos. Com esse prop�sito fundou a "�dipo �Edi��es Populares", lan�ando concomitantemente o jornal "�dipo" que teve vida ef�mera. A divulga��o da tradu��o da "Revue Spirite" foi mais tarde encetada pela "Edicel", de S. Paulo. De sua bibliografia constam os livros "Erros Doutrin�rios", "Poeira da Estrada". Efetuou tamb�m a tradu��o para o portugu�s das obras "O Evangelho Segundo o Espiritismo" e "Profecias de Daniel e o Apocalipse". J�lio Abreu Filho colaborou assiduamente em muitos jornais e publica��es esp�ritas. Era orador bastante requisitado, tendo ocupado a tribuna de numerosas institui��es esp�ritas. Foi ainda representante no Brasil, de v�rios organismos esp�ritas do exterior. Nos �ltimos anos de sua vida viveu paral�tico, passando por sofrimentos que lhe causaram muitos dissabores. 29 JUV�NCIO DE ARA�JO FIGUEIREDO Nascido a 27 de setembro de 1865, em Coqueiros, Florian�polis, Estado de Santa Catarina, e desencarnado a 6 de abril de 1927, na mesma cidade. Juv�ncio de Ara�jo Figueiredo foi um infatig�vel servidor da Doutrina Esp�rita, devendo-se a ele grande parte dos trabalhos de divulga��o que foram realizados no Estado de S. Catarina. Iniciou sua vida como tip�grafo, passando posteriormente a colaborar em v�rios jornais, tanto de sua terra como de outros pontos do pa�s. Poeta mavioso, teve a honra de fazer parte de um grupo de beletristas, do qual faziam parte Cruz e Souza, Santos Lostada, Oscar Rosas, Virg�lio V�rzea, Hor�cio de Carvalho e outros. Em 1904, escreveu "Ascet�rios". Logo ap�s produziu alguns trabalhos in�ditos, tais como "Praias" e "Novenas de Maio." Foi companheiro e amigo predileto do genial Cruz e Souza, fazendo parte da Academia Catarinense de Letras, onde ocupava o n�mero 17. No exerc�cio de fun��es p�blicas, foi secret�rio da Municipalidade, em S�o Jos�, naquele Estado, galgando posteriormente o elevado cargo de secret�rio da Assembl�ia Legislativa, em Florian�polis. Ara�jo Figueiredo foi um dos mais not�veis m�diuns esp�ritas, podendo-se mesmo dizer que foi uma das raras j�ias da mediunidade, pois, al�m das incalcul�veis possibilidades que os Esp�ritos do Senhor nele encontravam para suavizar as dores dos alquebrantados da alma e do corpo, era dotado de not�vel poder de an�lise e de discernimento. A sua mediunidade era das mais seguras, pois, como m�dium meticuloso e amante da verdade, tudo submetia ao crivo da raz�o e da l�gica. Correm por centenas os fatos produzidos por seu interm�dio, principalmente as extraordin�rias curas que conseguia realizar. Era tamb�m de se admirar as revela��es que fazia a respeito daqueles que chegavam at� a sua casa, atra�dos meramente por curiosidade sobre os fen�menos que se produziam por seu interm�dio. Ara�jo Figueiredo viveu na Terra 62 anos, grande parte dos quais destinados � difus�o do Espiritismo. Os que tiveram a oportunidade de conhecer ou conviver com esse grande seareiro, m�dium e conselheiro, puderam sentir o quanto vale um homem que tem dons de Esp�rito e que os coloca a servi�o do seu pr�ximo. (Dados biogr�ficos extra�dos do "Boletim Esp�rita", de Florian�polis) 30 MIGUEL VIVES Y VIVES Nascido na Espanha e ali desencarnado, na cidade de Tarrasa, no dia 23 de janeiro de 1906. A Espanha foi o ber�o dos grandes Congressos Esp�ritas, tendo os espanh�is exercido verdadeiro pioneirismo nesse campo, bastando citar o Congresso Esp�rita Internacional de 1888, levado a efeito em Barcelona. Em congressos realizados posteriormente, principalmente no de 1934, a delega��o espanhola desenvolveu ingente tarefa em favor da tese reencarnacionista. Anteriormente � guerra civil de 1936 � 1939, a Espanha se destacava, de forma inusitada, na divulga��o do Espiritismo, bastando dizer-se que j� em 1873 havia sido proposto no Parlamento Espanhol o ensino da Doutrina Esp�rita. Miguel Vives y Vives foi um dos mais destacados vultos do Espiritismo naquele pa�s. Seu nome teve proje��o mundial e sua a��o foi das mais not�rias. Quando um homem consegue cumprir fecunda tarefa na defesa e difus�o do ideal que sustenta, fazendo dele um culto e predispondo-se a lutar de forma ininterrupta em seu favor, podemos, na realidade, qualific�-lo de ap�stolo. Vives y Vives foi o Ap�stolo do Espiritismo na Espanha e, pela popula��o de Tarrasa, era denominado Ap�stolo do Bem. Foi um exemplo vivo de abnega��o. Evangelizou pela palavra escrita e falada - atrav�s da tribuna, do livro e da imprensa. Toda a sua obra se apoiou sobre a for�a moral da exemplifica��o e viv�ncia dos ideais esp�ritas e crist�os. Fundou a "Federa��o Esp�rita de Vall�s", da qual surgiu a "Federa��o Esp�rita da Catalunha", entidade que teve vida ef�mera. Em Tarrasa fundou o "Centro Esp�rita Fraternidade Humana" e lan�ou a famosa obra "Guia Pr�tico do Esp�rita", h� muitos anos vertida para o portugu�s, em edi��o da Federa��o Esp�rita Brasileira. Mais recentemente, a "Edicel", de S. Paulo, lan�ou, no vern�culo, a sua obra tamb�m famosa "O Tesouro dos Esp�ritas". Foi tamb�m fundador da revista "Uni�o", �rg�o esse que se incorpou � revista "La Luz del Porvenir", de marcante atividade na difus�o dos ideais reencarnacionistas. Foi presidente do "Centro Barcelon�s de Estudos Psicol�gicos". Sua esplendorosa mediunidade fez com que se desenvolvesse, em Tarrasa, verdadeira obra em favor dos necessitados do corpo e da alma, socorrendo os desajustados, os enfermos e os humildes, ao ponto de, ao desencarnar, causar profundo golpe � popula��o daquela cidade espanhola. As f�bricas paralisaram suas atividades, o com�rcio cerrou suas portas � hora do sepultamento do seu corpo, a fim de permitir aos seus empregados o acompanhamento do esquife ao cemit�rio. Durante o trajeto, verdadeira muralha humana se formou ao longo das ruas e na necr�pole, no prop�sito de atender aos pedidos de todos que desejavam v�-lo, o ata�de permaneceu aberto durante uma hora e aproximadamente 5.000 pessoas desfilaram diante dele. Ele n�o era pol�tico, n�o cortejava a popularidade e, no entanto, gra�as ao seu exemplo de abnega��o, recebeu uma das maiores consagra��es p�blicas de sua terra, apesar de viver num pa�s de profundas tradi��es cat�licas, onde homens e livros foram queimados no decorrer de muitos s�culos. Miguel Vives foi not�vel esp�rita. Foi um homem que se dignificou pela pr�tica das boas obras e pelo desempenho de verdadeira miss�o de toler�ncia e de amor. Num dos seus escritos, publicados na revista "A Doutrina" �rg�o da "Federa��o Esp�rita do Paran�", de cuja institui��o era s�cio honor�rio, escreveu em 1906: "Os Centros Esp�ritas devem ser a catedra do Esp�rito de Verdade, porque a n�o ter o Esp�rito de luz a sua c�tedra, teria sua influ�ncia o Esp�rito do erro e infelizes deses Esp�ritos que se acham sob a influ�ncia do Esp�rito das trevas, porque pouco, muito pouco se adiantam na senda do progresso. 31 PEDRO DE CAMARGO VIN�CIUS Nascido no dia 7 de maio de 1878, na cidade de Piracicaba, Estado de S. Paulo, e desencarnado no dia 11 de outubro de 1966, na cidade de S�o Paulo. N�o se pode fazer o esbo�o hist�rico do Espiritismo no Estado de S. Paulo, na primeira metade do presente s�culo, sem levar em considera��o a personalidade inconfund�vel de Pedro de Camargo, mais conhecido pelo pseud�nimo de Vin�cius. Os seus primeiros anos de escolaridade foram feitos no Col�gio Piracicabano, educand�rio de orienta��o metodista, de funda��o norte-americana. A diretora do estabelecimento era ent�o a mission�ria Martha H. Watts, de quem Pedro de Camargo guardou sempre as mais caras recorda��es e grande admira��o. S�o dele as seguintes palavras extra�das de um artigo que escreveu por ocasi�o da desencarna��o daquela mission�ria, ocorrida nos Estados Unidos: "Sempre que se oferecia ensejo de inocular princ�pios de virtude e regras de moral, era quando se mostrava admir�vel, comprovando a rara e excepcional compet�ncia de que fora dotada para exercer t�o sublime miss�o. Eu bem me lembro que perto de Miss Watts ningu�m era capaz de mentir ou dissimular; as traquinadas e travessuras, escondidas cautelosamente, eram-lhe fielmente narradas quando nos interpelava, tal o imp�rio que sobre n�s sabia exercer, sem jamais usar para isso de outro meio que n�o a for�a do bem e o devotamento com que praticava seu sagrado sacerd�cio. Muito lhe deve a sociedade piracicabana; muito lhe devem seus ex-alunos; muito lhe devo eu. Os princ�pios salutares de moral que me ministrou, assim como os conselhos elevados que me dispensou com tanto carinho e solicitude durante minha inf�ncia, repercutem-me ainda na alma como uma voz amiga que me dirige os passos, e por isso, ao saber que ela j� n�o mais vive na Terra, rendo-lhe este preito de homenagem, simples e singelo, por�m sincero e verdadeiro, como que desfolhando sobre a campa da querida mestra umas p�talas humildes que em seguida o vento arrebatar�, mas cujo t�nue perfume chegar� at� ela, levando-lhe o penhor de minha gratid�o pelo muito que de suas benfazejas m�os recebi." * * * Durante muitos anos, Pedro de Camargo presidiu a Sociedade de Cultura Art�stica, de Piracicaba, tendo a oportunidade de levar para l� famosos artistas. Jamais teve tend�ncia para a pol�tica. Chegou a assumir uma cadeira de Vereador, na C�mara Municipal de Piracicaba, eleito por indica��o do extinto Partido Republicano. Como n�o quisesse "seguir outra disciplina que n�o fosse a do dever, e ouvir outra voz que n�o a da raz�o e da consci�ncia", dizia ele mais tarde --esse crit�rio n�o serviu ao Partido, por isso n�o o quiseram mais. Os estudos b�blicos eram met�dicos no Col�gio Piracicabano, de maneira que Pedro de Camargo se tornou um dos maiores entusiastas dessa mat�ria, tornando-se mais tarde uma das maiores autoridades no trato da exegese evang�lica. No ano de 1904, foi fundada em Piracicaba a primeira institui��o esp�rita da cidade, com o nome de Igreja Esp�rita Fora da Caridade n�o h� Salva��o. Dentre os seus fundadores salientava-se a figura veneranda de Jo�o Le�o Pitta. O funcionamento dessa tradicional institui��o acarretou a esse pioneiro uma s�rie de persegui��es movidas por inspira��o de outras entidades religiosas, chegando ao ponto de n�o conseguir nem mesmo um emprego, t�o necess�rio para o amparo de sua fam�lia, a qual ficou mais de um ano na emin�ncia de completo desamparo. Um ano mais tarde, em 1905, Pedro de Camargo interessou-se pelo Espiritismo, uma vez que nele encontrou a solu��o para tudo aquilo que constitu�a inc�gnitas em seu Esp�rito. Tomando conhecimento do que sucedia com Le�o Pitta, prontamente o empregou em sua loja de ferragens e, como segundo passo, desfez a sec��o de armas de fogo que representava apreci�vel fonte de renda em seu estabelecimento comercial. Durante cerca de trinta anos, Pedro de Camargo desenvolveu, em sua cidade natal, prof�cuo e intenso trabalho de divulga��o das verdades evang�licas � luz da Doutrina Esp�rita. Nessa �poca passou a adotar o pseud�nimo de Vin�cius; suas prele��es eram estenografadas e logo em seguida largamente difundidas, fazendo com que sua fama se propagasse por toda a circunvizinhan�a. No ano de 1938, transferiu seu domic�lio para a cidade de S. Paulo. Ali substituiu o confrade Moreira Machado na presid�ncia da Uni�o Federativa Esp�rita Paulista e, juntamente com Thietre Diniz Cintra, fundou uma escola para evangeliza��o da inf�ncia e juventude, tendo para tanto elaborado normas e diretrizes para esse g�nero de educa��o. Em 1939 tornou-se um dos diretores do Programa Radiof�nico Esp�rita Evang�lico do Brasil, levado ao ar, diariamente, atrav�s da R�dio Educadora de S. Paulo. Em 31 de mar�o de 1940, quando a Uni�o Federativa Esp�rita Paulista fundou a R�dio Piratininga, emissora de cunho nitidamente esp�rita, Vin�cius foi eleito seu diretor-superintendente e, em companhia de outros valores do Espiritismo paulista, orientou aquela emissora e seu programa esp�rita di�rio at� o ano de 1942. Nessa �poca Vin�cius j� havia se integrado na Federa��o Esp�rita do Estado de S. Paulo, tornando-se um dos seus conselheiros e ali introduzindo as suas "Tert�lias Evang�licas", realizadas todos os domingos de manh�, com apreci�vel assist�ncia que invariavelmente superlotava o seu sal�o. Durante muitos anos, foi delegado da Federa��o Esp�rita Brasileira, em S. Paulo, representando-a em todas as solenidades onde a sua presen�a se fazia necess�ria. Quando a Federa��o Esp�rita do Estado de S. Paulo, em mar�o de 1944, lan�ou o seu �rg�o "O Semeador", Vin�cius foi designado seu diretor-gerente, cargo que desempenhou durante mais de uma d�cada, emprestando �quele jornal a sua costumada coopera��o. Em outubro de 1949, em companhia de Carlos Jord�o da Silva, integrou a representa��o do Estado de S. Paulo junto ao 2� Congresso Esp�rita Pan-americano, conclave de grande repercuss�o que se realizou no Rio de Janeiro. No ensejo desse acontecimento, reuniram-se na antiga Capital Federal v�rias representa��es de entidades esp�ritas de �mbito estadual, as quais, numa feliz gest�o, conseguiram materializar o sonho de muitos seareiros esp�ritas, criando o Conselho Federativo Nacional e assinando o c�lebre Pacto �ureo de Unifica��o. Pedro de Camargo foi um dos signat�rios desse importante instrumento de pacifica��o esp�rita nacional, no dia 5 de outubro de 1949. Vin�cius foi ass�duo colaborador de numerosos �rg�os esp�ritas. De sua bibliografia destacamos os livros: "Em torno do Mestre", "Na Seara do Mestre", "Nas Pegadas do Mestre", "Na Escola do Mestre, "O Mestre na Educa��o", e "Em Busca do Mestre", obras de marcante relev�ncia no campo da divulga��o evang�lico-doutrin�ria. A sua a��o se fez sentir vigorosamente quando se cogitou da funda��o de uma institui��o educacional esp�rita. Lutou durante muitos anos por esse ideal. Exultou-se com a funda��o do Educand�rio Pestalozzi, na cidade de Franca, entretanto, o seu sonho concretizou-se quando da funda��o do "Instituto Esp�rita de Educa��o", do qual foi presidente. No �mbito desse instituto foi fundado o "Externato Hil�rio Ribeiro", em cuja dire��o permaneceu at� o ano de 1962. A par de todas essas atividades, Pedro de Camargo ocupava assiduamente as tribunas das institui��es esp�ritas, principalmente as da Capital do Estado, tornando-se um dos oradores mais requisitados e o que sempre conseguia atrair maior assist�ncia. Homem dotado de ilibado car�ter, comedido em suas atitudes e de moral inatac�vel, tornou-se, de direito e de fato, verdadeira bandeira do movimento esp�rita. Quando seu nome figurava � testa de qualquer realiza��o, esta infundia confian�a e respeito, dada a indiscut�vel proje��o do seu nome e a sua qualidade de paladino das causas boas e nobres. Vin�cius tamb�m teve not�ria atua��o no campo da assist�ncia social esp�rita, situando, entretanto, em primeiro plano o trabalho em prol do esclarecimento evang�lico-doutrin�rio, imprescind�vel � ilumina��o interior dos homens. 32 PEDRO LAMEIRA DE ANDRADE Nascido na cidade do Rio de janeiro, em 16 de setembro de 1880, e desencarnado em S�o Paulo, no dia 1� de mar�o de 1938. Numa �poca quando o Espiritismo era ainda muito mal compreendido, e quando reinava verdadeira desuni�o entre os seus adeptos e at� no seio de suas institui��es, um vulto not�vel e infatig�vel surgiu no cen�rio da divulga��o doutrin�ria, constituindo-se num dos mais salientes esp�ritas da �poca. Nos anais da Hist�ria do Espiritismo, os registros biogr�ficos do Dr. Pedro Lameira de Andrade s�o bastante escassos, em flagrante contraste com o vulto da obra que t�o bem soube desempenhar, e que projetou o seu nome na posteridade. A exemplo do que sucedeu com outros grandes mission�rios, cujas obras foram legadas aos homens das futuras gera��es, atrav�s dos informes de disc�pulos dedicados, a miss�o fulgurante de Lameira de Andrade somente � suficientemente conhecida por aqueles que com ele conviveram, os quais a ele se referem como um aut�ntico benfeitor da Humanidade, um homem que procurou impulsionar seus companheiros de jornada terrena, na senda do aprimoramento espiritual e do aculturamento, poderosas alavancas que atuam no laborioso processo de reforma �ntima das criaturas humanas. Seus pais foram Boaventura Pl�cido Lameira de Andrade e Carolina Levereuth de Andrade, tendo o seu nascimento corrido no bairro de Vila Isabel, no antigo Distrito Federal. Aos 17 anos de idade, perdeu seu pai e, atendendo a um convite de seu padrinho foi para S�o Paulo, ingressando no Col�gio Mackenzie, onde se formou em Teologia. N�o chegou a ordenar-se pastor protestante, em virtude de haverem surgido algumas diverg�ncias entre ele e o reitor do Semin�rio. Lameira era ex�mio tenor e, em 1904, casou-se com D. Elvira Silveira, pianista e professora de Pedagogia e Psicologia da Escola Normal. Desse cons�rcio teve seis filhas. Nessa �poca ele era tamb�m professor de portugu�s, grego e latim, lecionando na escola da For�a P�blica, atual Pol�cia Militar de S. Paulo. Ingressando na Facudade de Direito de S. Paulo, formou-se em 1912. Dessa data em diante deixou de lecionar para consagrar-se � profiss�o de advogado, tendo montado escrit�rio em S. Paulo. A desencarna��o de sua filha mais idosa, deixou-o desolado e revoltado, passando a descrer de tudo. Aconselhado por amigos procurou o Espiritismo, doutrina que lhe trouxe o consolo e a certeza da imortalidade da alma. Na d�cada de 1920, Lameira de Andrade j� antevia a necessidade da instru��o como fator decisivo para a liberta��o do Esp�rito, atrav�s do conhecimento da verdade, por isso sonhava com a funda��o de escolas prim�rias e gin�sios, que viessem a funcionar alicer�ados nos postulados da Doutrina Esp�rita. Nos idos de 1928 e 1929, com vistas ao desenvolvimento de um programa nesse sentido, ao lado de outros companheiros que estavam inspirados do mesmo ideal, lutou arduamente para a implanta��o de um instituto de ensino que servisse de modelo para as futuras organiza��es do g�nero. Seu sonho concretizou-se quando viu funcionar o Liceu Esp�rita Brasileiro, entidade que teve vida ef�mera, durando pouco mais de um ano. Entretanto, a semente ficou lan�ada. Homem dotado de um dinamismo invulgar, arrojado em seus cometimentos e animado de um idealismo inquebrant�vel, Lameira tornou-se figura bastante conhecida em todo o Brasil e principalmente no Estado de S. Paulo e no Rio de Janeiro, em cujo cen�rio, teve a oportunidade de desempenhar a sua gigantesca tarefa. A miss�o de Lameira de Andrade, no seio do Espiritismo, foi desenvolvida, em grande parte, ao lado do Dr. Augusto Milit�o Pacheco, renomado m�dico e um dos grandes baluartes esp�ritas da �poca. Atrav�s dos seus escritos, das suas confer�ncias, esse infatig�vel seareiro n�o media esfor�os em suas peregrina��es. Muitas cidades brasileiras foram por ele visitadas e seu nome conseguiu empolgar grandes audit�rios, pois sabia abordar, com raro descortino, os ensinamentos evang�licos � luz da Doutrina Esp�rita. Foi procurador do "Abrigo Batu�ra", tendo sido um dos seus fundadores. Durante 19 anos prestou inestim�veis servi�os a "Institui��o Verdade e Luz". Embora n�o conhecesse pessoalmente o grande mission�rio que foi Ant�nio Gon�alves da Silva Batu�ra sucedeu-o na dire��o da revista "Verdade e Luz", fundada no ano de 1890. Foi membro da diretoria da Associa��o Esp�rita S�o Pedro e S�o Paulo, onde trabalhou intensamente e com raro devotamento, ao lado de grandes seareiros. Teve tamb�m marcante atua��o no campo da assist�ncia social, tendo nesse af�, chegado at� o sacrif�cio. Foi ainda s�cio benem�rito da Cruz Azul de S. Paulo, tendo prestado a esse organismo o fruto de scu esfor�o, dando viva demonstra��o do scu Esp�rito magn�nimo, sempre pronto a servir e a cooperar na implanta��o e desenvolvimento de obras altru�sticas. Em 12 de julho de 1936, ao ser fundada a Federa��o Esp�rita do Estado de S. Paulo, Lameira de Andrade foi eleito seu orador oficial, em sua primeira diretoria, passando a representar aquela egr�gia institui��o em quase todas as solenidades promovidas pelas associa��es esp�ritas do Estado. Na pr�pria Federa��o, ele era invariavelmente requisitado pelos freq�entadores, para proferir palestras, as quais eram bastante concorridas. Certa ocasi�o, chegada a hora designada para a realiza��o de uma confer�ncia sobre o tema "O Perd�o", na Sede da Associa��o "Verdade e Luz" choveu torrencialmente. Apenas estavam na sede da institui��o o orador, El�i Lacerda e outros dois companheiros. Lameira, vendo o sal�o vazio, aventou a ideia de fazer uma prece e encerrar a reuni�o, sugest�o prontamente repelida pelos presentes. A palestra foi proferida, portanto, como se o sal�o estivesse repleto. A determinada hora entrou no recinto uma pobre mulher, toda molhada, esperando resguardar-se da chuva. Assentando-se nas �ltimas cadeiras, passou a prestar inusitada aten��o �s palavras do conferencista. Ao finalizar a palestra, ela aproximou-se do orador e lhe disse: "Gra�as a Deus entrei nesta casa e ouvi suas palavras. Eu estava decidida a cometer um crime nesta noite. Entretanto, agora compreendo as raz�es de minha desorienta��o e vou tomar rumo diferente, vou lutar contra as for�as negativas que quase me desviaram do caminho do bem." Lameira abra�ou-a comovido, alegrando-se intimamente pelo fato de ter servido de ponte para que aquela criatura se reencontrasse e viesse a descortinar novos horizontes. Lameira de Andrade viveu na Terra pouco menos de 58 anos, desencarnando v�tima de fulminante derrame cerebral que o prostrou em poucas horas. Ele soube aproveitar bem esses curtos anos de trabalho, desenvolvendo tarefa de gigante, no sentido de distribuir, em profus�o, tudo aquilo que era patrim�nio de seu Esp�rito esclarecido e evangelizado. Ele soube assimilar, em sua plenitude, os ensinamentos de Jesus Cristo, no sentido de colocar a luz sobre o velador. Foi o bom obreiro que soube restituir ao Senhor, em dobro, os talentos recebidos. Sua desencarna��o representou irrepar�vel perda para os esp�ritas de S�o Paulo e do Brasil, uma lacuna que dificilmente seria preenchida. 33 UMBERTO BRUSSOLO Nascido em Veneza It�lia, no dia 30 de junho de 1877, veio para o Brasil em 1889. Sua desencarna��o ocorreu em S. Paulo, no dia 8 de setembro de 1938. Numerosos seareiros esp�ritas das primeiras horas, embora tivessem desempenhado tarefas relevantes, tiveram seus nomes esquecidos pelos homens, entretanto, � indubit�vel que nos planos espirituais, as miss�es que desenvolveram na Terra ficassem registradas de forma indel�vel. Dentre esses mission�rios houve um que, durante mais de um quarto de s�culo, desenvolveu em S�o Paulo, miss�o de grande envergadura, fazendo com que seu nome se projetasse e se impusesse ao respeito e � admira��o de todos. Ele foi amigo e companheiro de luta de velhos propagadores e eminentes vultos do Espiritismo, dentre outros Ca�rbar Schutel, Milit�o Pacheco, Lameira de Andrade, Jacques Motol� e Pedro de Camargo (Vin�cius). Referimo-nos a Umberto Brussolo, um italiano que escolheu o Brasil como sua segunda p�tria e que aqui se integrou resolutamente, de corpo e alma, dando o testemunho de sua f� inquebrant�vel na elevada destina��o do nosso pa�s, como Cora��o do Mundo e P�tria do Evangelho. Umberto Brussolo casou-se no ano de 1897 com D. Maria Peruchi, tendo dessa uni�o seis filhos. Ele encarava a arte como eficiente meio de divulga��o do Espiritismo e, por isso, tornou-se, artista teatral que era, um entusiasta do Teatro Esp�rita, escrevendo pe�as, orientando e preparando atores e dirigindo as apresenta��es. Ele pr�prio idealizava os cen�rios, levando avante as v�rias pe�as teatrais, projetando seu nome nesse campo de atividade. Muitas sociedades que realizavam festivais de fundo teatral, procuravam Brussolo para que lhes recomendasse o g�nero de pe�a mais adequado para a finalidade. N�o satisfeito em militar nesse campo, tamb�m contribuiu para melhor divulga��o da imprensa esp�rita, principalmente atrav�s da difus�o de "O Clarim" e da "Revista Internacional de Espiritismo", ambos fundados por Ca�rbar Schutel. Nesses �rg�os, alem de ensaiar a publica��o de v�rios artigos doutrin�rios, promovia tamb�m a divulga��o dos mesmos, levando-os a numerosos lares da Capital paulista, os quais, devido � sua insist�ncia e idealismo, passavam a interessar-se pela Doutrina dos Esp�ritos. Atrav�s do seu esfor�o inaudito, grande n�mero de pessoas passou a freq�entar Centros e Sociedades Esp�ritas. Sua inicia��o no Espiritismo remonta ao ano de 1910, quando iniciou os estudos de v�rias obras doutrin�rias existentes na �poca. A fim de poder dedicar-se com mais efici�ncia � divulga��o do Espiritismo e � sua pr�pria fam�lia, abandonou a carreira de artista teatral. Em 1917 fundou o "Centro Esp�rita Luz e Caridade", institui��o essa que existe at� os dias presentes, sendo sucessivamente dirigida pelos seus descendentes. Trabalhou e lutou bastante, foi na realidade um grande e dedicado servidor da Terceira Revela��o, numa �poca quando ela era bastante incompreendida e vista por muitos com grande reserva. Como representante dos �rg�os esp�ritas de Mat�o, enchia sua pasta de jornais, revistas e livros doutrin�rios e percorria os bairros da Capital paulista e cidades circunvizinhas, fazendo persistente campanha de difus�o da doutrina reencarnacionista. Como dramaturgo, escreveu diversas pe�as de fundo nitidamente esp�rita, muitas delas levadas � cena para fins beneficentes. Ele mesmo preparava os personagens das pe�as. Destacaram-se, dentre outros, os seguintes dramas: "Ressurgir de uma Alma", "Os Mortos Falam", "Maria das Dores" e "Quinze Minutos de Prece". Uma quantidade apreci�vel de pe�as de sua autoria foi encenada em S. Paulo e Moji das Cruzes. Diligente, honesto e esp�rito dedicado, Umberto Brussolo conseguiu formar vasto c�rculo de amizade sincera e de admiradores de sua obra. Possuindo not�vel capacidade de comunica��o, tornou-se amigo de todos e a sua presen�a era requisitada em muitos Centros Esp�ritas, onde tinha a oportunidade de difundir o Espiritismo, fazendo confer�ncias e sobretudo incentivando a arte, atrav�s de um sadio Teatro Esp�rita. 34 VIANA DE CARVALHO Nascido na cidade de Ic�, Estado do Cear�, aos 10 de dezembro de 1874, era filho do professor Tom�s Ant�nio de Carvalho e de D. Josefa Viana de Carvalho. Desencarnou a bordo do navio "�ris", sendo o seu corpo sepultado na Bahia, aparentemente em Salvador. Era o dia 13 de outubro de 1926. Numa �poca quando a divulga��o da Doutrina Esp�rita ensaiava os seus primeiros passos e encontrava pela frente a mais obstinada oposi��o, o Major Dr. Manuel Viana de Carvalho, com pulso firme e animado do mais vivo idealismo, desbravava o terreno para nele lan�ar a semente generosa da propaganda. Como esp�rita foi dos mau animosos. O seu nome representou verdadeira bandeira no campo da dissemina��o do Espiritismo. O que ele fez, em v�rios anos de luta e de atividades intens�ssimas, � algo que ainda n�o se pode colocar em dados estat�sticos, tal o gigantismo da tarefa por ele desenvolvida em todo o pa�s. A sua palavra era atraente e arrebatadora, conseguindo, entre os esp�ritas uma penetra��o inusitada e inconfund�vel. Como conferencista era dos mais requisitados; como polemista, um dos mais salientes. Seu verbo inspirado, sua voz harmoniosa, sua anima��o, assumiam, �s vezes, tonalidades e aspectos impressionantes. Foi na realidade um m�gico da palavra, esteta do sentimento. Viana de Carvalho fez os primeiros estudos de Humanidades no Liceu de Fortaleza. Posteriormente, em 1891, matriculou-se na extinta Escola Militar do Cear�, onde mereceu classifica��o de destaque pelo seu comportamento e merecimentos intelectuais. Embora desde 1891 tivesse dado in�cio � sua gigantesca tarefa de divulga��o do Espiritismo, ela somente tomou vulto ap�s ter-se matriculado no curso superior da antiga Escola Militar da Praia Vermelha, em 11 de fevereiro de 1895. Nessa �poca funcionava no Rio de Janeiro o "Centro da Uni�o Esp�rita de Propaganda no Brasil". Integrando-se nesse grupo, Viana de Carvalho passou a proferir confer�ncias que conseguiam atrair compactos audit�rios de mais de quinhentas pessoas. No ano de 1896 foi transferido para Porto Alegre, como aluno da Escola Militar que ali funcionava. Naquela capital sulina o Espiritismo j� era difundido por alguns pioneiros, dentre eles Joaquim Xavier Carneiro, dirigente do Grupo Esp�rita Allan Kardec, que dada a sua austeridade de costumes e pr�ticas humanit�rias exercia enorme influ�ncia. De posse de uma lista com nome e endere�o de simpatizantes do Espiritismo, Viana de Carvalho conseguiu reunir todos numa casa abandonada, desprovida de mesas e cadeiras. De p�, os freq�entadores das reuni�es ouviam, com verdadeiro enlevo, o seu verbo inflamado. Posteriormente conseguiu formar um n�cleo de estudos que passou a funcionar no andar t�rreo de uma casa no centro da cidade. Em 1898 publicou a sua primeira produ��o liter�ria "Facetas", contos e fantasias. Em seguida publicou "Coloridos e Modula��es". Nesse mesmo ano foi transferido para o Rio de Janeiro, onde recome�ou as prele��es no Centro da Uni�o Esp�rita e em outros grupos, participando de um congresso e encetando numerosas viagens ao interior do Estado do Rio de Janeiro. Transferido para Cuiab�, Mato Grosso, ali fundou o Centro Esp�rita Cuiabano. Em 1907, regressou ao Rio de Janeiro a fim de matricular-se no curso de engenharia da Escola do Realengo, tornando-se o orador oficial da Federa��o Esp�rita Brasileira, realizando ainda viagens aos Estados do Rio de Janeiro, S�o Paulo, Minas Gerais e Esp�rito Santo. Foi ainda colaborador ass�duo da revista "Reformador". Ap�s concluir o curso de engenharia militar, rumou para Fortaleza, Estado do Cear�, em abril de 1910. Ali iniciou uma s�rie de confer�ncias esp�ritas na Loja Ma��nica e, no dia 10 de junho, fundou o Centro Esp�rita Cearense. N�o satisfeito com as atividades desenvolvidas, criou ainda os jornais "Combate" e "L�baro", o primeiro destinado a contestar os argumentos do clero cat�lico, que nessa �poca desencadeava uma campanha difamat�ria contra o Espiritismo, atrav�s do �rg�o "Cruzeiro do Sul"; a segunda publica��o destinada a difundir o Espiritismo. Atrav�s dos jornais "O Unit�rio", "A Rep�blica" e "Jornal do Cear�", manteve vivas pol�micas, refutando argumentos infundados sobre o Espiritismo. Suas atividades em Fortaleza perduraram at� novembro de 1911, quando, por imposi��o do servi�o militar foi transferido para Curitiba, no Paran�, onde sustentou o mesmo n�vel de atividades, publicando artigos di�rios no "Di�rio da Manh�". De volta ao Rio de Janeiro, em 1912, deu in�cio a um persistente trabalho de unifica��o dos grupos esp�ritas, do qual resultou a funda��o posterior da "Uni�o Esp�rita Suburbana", sob a presid�ncia de Manuel Fernandes Figueira. Em princ�pios de 1913, foi servir em Macei�, onde proferiu numerosas confer�ncias e encetou verdadeira jornada no sentido de reorganizar os grupos esp�ritas dispersos ou com falta de orienta��o. Pouco depois era transferido para Recife, Pernambuco, onde deu prosseguimento � sua tarefa de divulga��o, publicando numerosos trabalhos, fazendo confer�ncias e mantendo pol�micas que abalaram os meios religiosos da cidade. Regressando ao Rio de Janeiro, Viana de Carvalho retomou a prega��o da Doutrina Esp�rita nos sub�rbios, o que fez de 1914 a 1916, quando foi transferido para Santa Maria da Boca do Monte, no Estado do Rio Grande do Sul. Ali tamb�m teve a oportunidade de reorganizar e fundar v�rios grupos esp�ritas e de realizar confer�ncias que foram publicadas no "Di�rio do Interior", e posteriormente em outros �rg�os da imprensa ga�cha. Em 1917, de novo no Rio de Janeiro, ali desenvolveu intensa campanha contra as fraudes e trapa�as dos pseudos-esp�ritas. No ano seguinte voltou para Santa Maria da Boca do Monte, em comiss�o do Governo Federal, junto � 9� Brigada de Infantaria, desenvolvendo durante quinze meses intensa difus�o do Espiritismo. Em 1919, novamente em Macei�, foi surpreendido com as atividades dos detratores do Espiritismo, os quais tentaram proibir-lhe as palestras e at� mesmo expuls�-lo. Sem esmorecimentos travou intensos debates pela imprensa e pela tribuna, sustentando acirradas pol�micas, tendo, nessa altura, os seus opositores pleiteado, no Rio de Janeiro, a sua transfer�ncia, tendo ele sido removido para o Estado do Paran�, em meados desse mesmo ano. Em Curitiba realizou confer�ncias no Teatro Alem�o, na sede da Federa��o Esp�rita do Paran� e em outras institui��es. Atrav�s do "Di�rio da Tarde" publicou uma s�rie de artigos doutrin�rios que tiveram muita penetra��o. Da capital paranaense veio para S. Paulo, onde proferiu v�rias palestras, muitas delas com o comparecimento de mais de mil pessoas. Em 1920 voltou novamente ao Rio de Janeiro, de onde partia para proferir confer�ncias em cidades vizinhas. Em 1923, seguiu para Recife, reorganizando os Centros Esp�ritas ali existentes, mantendo novas pol�micas com detratores do Espiritismo. Posteriormente rumou para o Cear� e da� para Sergipe, onde fora designado para o comando do 28� B.C., em 1924. Nesse Estado as suas atividades tamb�m foram amplas. Em 1926, adoeceu gravemente, ficando decidido o seu recolhimento ao Hospital de S. Sebasti�o, em Salvador. Suas for�as estavam periclitantes. Conduzido ao navio "�ris", por colegas oficiais e soldados, n�o conseguiu entretanto chegar ao destino, pois, na altura de Amaralina, desencarnou a bordo, sendo seu corpo dado � sepultura na Bahia. 35 WILLIAM STAINTON MOSES Nascido a 5 de novembro de 1839, em Domington, Lincolnshire, Inglaterra, e desencarnado a 5 de setembro de 1892. William Stainton Moses Seu pai, William Moses, era reitor da Escola de Gram�tica, e sua m�e era filha de Thomas Stainton d'Alford. O jovem William Stainton Moses iniciou os seus estudos sob a dire��o de seu pai e foi em seguida confiado a um professor particular que, maravilhado pelas suas aptid�es, se empenhou fervorosamente com seu genitor para que enviasse o filho a uma escola p�blica. Em 1855, ingressou na Escola de Gram�tica de Bedford, onde estudou durante tr�s anos, merecendo dos mestres os mais francos elogios, pois a par da sua dedica��o aos estudos revelava acendrado sentimento do dever. Ap�s receber numerosos pr�mios deixou essa escola. De Bedford, Stainton Moses entrou para o "Exeter College", de Oxford, no ano de 1858. A sua vida de estudante foi digna dos maiores enc�mios, tendo mesmo adoecido gravemente devido ao demasiado apego �s mat�rias escolares. A fim de convalecer da enfermidade, viajou durante um ano pelo continente europeu e, na volta, passou seis meses no velho mosteiro grego do Monte Athos. A curiosidade e sobretudo uma grande necessidade de medita��o e de isolamento o obrigaram a permanecer todo esse tempo no convento. Alguns anos ap�s o seu mentor espiritual, conhecido por Imperator, explicou-lhe que desde essa �poca ele vinha sendo influenciado por entidades espirituais, interessadas em ajudar a sua educa��o espiritual ... Com 23 anos de idade, Stainton Moses voltou para Oxford. Ali, recebendo o diploma, deixou a Universidade em 1863. Embora estivesse desfrutando de melhor sa�de, a necessidade de viver uma vida no campo, levou-o a aceitar um curato em Maughold, perto de Ramsay, Ilha de Man, permanecendo ali durante cinco anos, substituindo o reitor que, devido � sua idade avan�ada, n�o podia mais exercer essas fun��es. Isso levou Moses a exercer tarefa dupla. Uma epidemia de var�ola, que se manifestou nessa regi�o, p�s em relevo a sua dedica��o e intrepidez. Como n�o havia m�dico no lugar, o jovem, que tinha alguns conhecimentos de medicina, tratou dos corpos e das almas dos habitantes da regi�o. Dia e noite ele se desdobrava, por�m a epidemia progredia lentamente, fazendo com que ele al�m de pastor religioso se transformasse no m�dico e no coveiro daquele n�cleo populacional. A sua extrema dedica��o fez com que se tornasse ainda mais querido por parte dos seus paroquianos. Entretanto, a sua sa�de, que n�o podia suportar as obriga��es impostas pela administra��o de duas par�quias, obrigou-o a procurar uma nova resid�ncia. Apesar de uma peti��o que lhe foi dirigida pelos habitantes do local, Stainton Moses retirou-se pesaroso, para ocupar em 1868, o curato de Saint-Georges, Douglas, Ilha de Man, onde caiu gravemente enfermo, sendo tratado pelo Dr. Stanhope Speers, que residia em Douglas com sua esposa, e que j� n�o exercia a sua profiss�o. Em setembro de 1869, abandonou o curato, deixando ali profunda impress�o pela pr�dica e caridade praticadas. Decorridos alguns meses, nos quais exerceu fun��es eclesi�sticas em Langton, e em um curato da diocese de Salisbury, uma mol�stia da garganta obrigou-o a renunciar ao minist�rio. Ao findar-se o ano de 1870, Stainton obteve um lugar de professor de ingl�s na University College School, cargo que ocupou at� 1889. Em 1870 sua aten��o foi atra�da para o Espiritismo durante o Tempo em que residiu na casa do Dr. Speers em Londres. A esposa desse m�dico permaneceu enferma durante tr�s semanas e, para distrair-se, lia o livro "Debatable Land" (Regi�o em Lit�gio entre este mundo e o outro), de autoria de Dale Owen. Interessando-se intensamente por esse livro, logo que ela conseguiu reassumir o lugar na reuni�o de fam�lia, pediu a Stainton Moses para ler e procurar descobrir o que poderia haver de verdadeiro nos fatos que o autor narrava. O Dr. Speers e Stainton Moses discutiam reiteradamente alguns pontos doutrin�rios da religi�o que professava, e como n�o estivessem muito satisfeitos com as doutrinas existentes, o Dr. Speers havia se tornado um materialista intransigente. Em 1872, Stainton Moses come�ou a estudar o Espiritismo, a fim de cumprir a promessa formulada � Sra. Speers, tendo para tanto assistido a algumas sess�es esp�ritas, principalmente uma que tinha como m�dium Lottie Towler. Numa sess�o realizada na resid�ncia do casal Speers, tendo Stainton Moses como m�dium, todos se tornaram convictos da realidade da exist�ncia de Esp�ritos comunicantes, consolidando assim a cren�a na imortalidade da alma. Nessa �poca come�ou a desabrochar a mediunidade de Moses, que era dotado de um poder extraordin�rio. Nunca se produziram menos de dez esp�cies diferentes de manifesta��es no decurso das sess�es realizadas por seu interm�dio. Quando as condi��es eram favor�veis, as manifesta��es multiplicavam-se, as pancadas tornavam-se mais freq�entes, as luzes mais brilhantes e os sons musicais mais distintos. Fen�menos maravilhosos produziram-se por seu interm�dio: sons musicais, pancadas, clar�es, balsamiza��o do ambiente com perfumes diversos, passos pesados produzidos por um Esp�rito que se denominava "Rector", os quais estremeciam o ambiente, tilintar de campainhas, levita��o de corpos pesados: mesas, cadeiras; transposi��o da mat�ria, fen�menos de voz-direta, al�m de uma variedade indescrit�vel de fen�menos dos mais variados matizes. Durante o periodo ativo da sua mediunidade, Stainton Moses ocupou-se assiduamente da forma��o de sociedades com o fim de estudar o Espiritismo. Contribuiu para a funda��o da Associa��o Nacional Brit�nica dos Espiritualistas, em 1873, da Sociedade Psicol�gica da Gr�-Bretanha, em abril de 1875, da qual foi um dos primeiros membros do conselho; da Sociedade de Pesquisas Ps�quicas, em 1882 e finalmente da Alian�a Espiritualista de Londres, da qual foi o primeiro presidente, cargo que exerceu at� a sua desencarna��o. Al�m dessas atividades, dirigiu a revista Light, peri�dico de fundo esp�rita. Embora a sua faculdade medi�nica decrescesse de intensidade, ele conservou sempre a faculdade de psicografia. Desde 1889, a sua sa�de ficou bastante combalida, ataques sucessivos de influenza, minaram-lhe a constitui��o, que nunca fora robusta, causando a sua desencarna��o. A sua obra "Ensinos Espiritualistas" foi vertida para o portugu�s por Oscar D'Argonnel. Trata-se de uma obra que encerra uma s�rie de ensinamentos ministrados pelo Esp�rito Imperator, e que Stainton Moses, que tamb�m usava o pseud�nimo de A. Oxon, publicou, e que a Alian�a Espiritualista de Londres, atrav�s do seu Conselho, fez publicar em edi��o comemorativa, prestando efusiva homenagem ao seu inolvid�vel fundador. Em sua vida de rela��o, Stainton Moses era um homem cordato, justo, que sempre exercia julgamentos retos, modesto, sem vaidade, que jamais dirigia palavras �speras aos seus detratores e que, em resumo, possu�a um conjunto de qualidades raras entre os homens. Fim 85

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