1-Introdução 2-Plano de gestão 2001-2004



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Durante o segundo semestre de 2003 foi realizado no Ibilce – Unesp Campus de São José do Rio Preto – SP uma seleção de vários materiais didáticos, lúdicos, principalmente das disciplinas de português e matemática, que foram encaminhados para a capacitação das turmas de Lagarto. Nessa seleção, tivemos a atenção de reforçar a área da disciplina que os, alfabetizadores e alfabetizandos, encontravam mais dificuldades. E como opção de alfabetizar, ensinamos diversos jogos que poderiam ser produzidos a partir de lixo reciclável, e desta forma, a falta dos materiais para a construção dos jogos não seria problema, já que seriam de fácil acesso de todos.

Participamos do “I Encontro dos Bolsistas do Programa Alfabetização Solidária - PAS/UNESP” promovido pela PROEX, durante o período de 27 a 29 de junho de 2003, em Bauru.


Professora Maria de Fátima Rotta Furlanetti- Campus de Presidente Prudente

Estagiárias: Carolina Ferrucci Monção e Rafaela Magalhães da Silva


As atividades foram desenvolvidas no município de Ilha das Flores (zona rural e urbana), no Estado de Sergipe. O início das atividades se deu em 04 de outubro. É um município de 5.000 habitantes onde a porcentagem de analfabetos gira em torno de 20%, assim, têm-se 1.000 pessoas em nível inicial de alfabetização. A cidade fica às margens da Foz do Rio São Francisco e sua principal atividade comercial é a Agricultura com o plantio de arroz. Apesar de estar no Rio São Francisco a pesca não faz mais parte de atividade rentável. O Rio é utilizado para lavar roupas e tomar banhos, pois a cidade não tem esgoto. Possui água encanada mas, não para a população mais carente.

A grande característica deste trabalho é a capacitação de pessoas para estarem em sala de aula trabalhando com educandos em fase inicial de alfabetização. Para isso, procedemos a capacitação e todo mês realizamos visitas ao município para desenvolver a educação continuada dos monitores. Com isso nossos bolsistas universitários adquirem uma prática pedagógica de elaboração, organização e execução de cursos de capacitação, bem como, adquirem práticas pedagógicas para a sala de aula de alfabetização. Podemos verificar que os nossos bolsistas adquirem postura de educador popular entendendo e compreendendo as necessidades dos educandos e dos monitores. Durante este ano, os alunos bolsistas apresentaram o nosso trabalho no Fórum de Ciências da FCT; Fórum de Extensão da FCT e no Congresso de Leitura e Escrita - COLE.

A coordenadora tem apresentado os trabalhos desenvolvidos em Fóruns e Congressos e ao mesmo tempo proferido palestras em Campo Mourão, Ribeirão Preto, Assis, Marília e Rio Claro sobre Educação de Jovens e Adultos e nos Programas da PROEX. Entendemos que a nossa participação em eventos públicos vem colaborando para a divulgação de nosso trabalho assim como a divulgação da PROEX/UNESP. O nosso grande avanço foi o espaço construído dentro do Congresso de Formação de Educadores da UNESP onde temos hoje o Grupo de Trabalho em Formação de Educadores de Pessoas Jovens e Adultas com representantes do PAS. Apesar de termos nossas restrições quanto a este Programa, pois os monitores não podem continuar no Programa além dos cinco meses estipulados pela sua estrutura, consideramos de extrema importância a nossa presença no cenário Nacional, onde a UNESP/PROEX investe numa causa justa e dá a sua contribuição para o pagamento desta dívida, que é uma dívida social. E graças a esta participação a nossa Universidade tem contribuído com pesquisas nesta área, tão carente de iniciativas científicas.

Professora Kátia Regina Coutinho Piravano

Estagiária: Laura Ferreira de Barros
Todas as atividades da Professora Kátia enquanto Coordenadora Pedagógica do PAS e também coordenadora setorial responsável pelo município de Itabaiana foram acompanhadas e auxiliadas pela aluna bolsista. A seguir elencamos as ações desenvolvidas:
Elaboração do Projeto Político Pedagógico da UNESP para atendimento dos municípios do PAS.

Organização/Coordenação de Reuniões Pedagógicas junto com a Gestora Administrativa do PAS na UNESP, Edemilde Rodrigues.

Participação da IV Semana de Alfabetização promovida pelo PAS, com apresentação de trabalho

Visita em Itabaiana para Seleção de Alfabetizadores do Módulo XIV no município de Itabaiana/SE.

Cadastramento dos dez alfabetizadores e dos 261 alfabetizandos de Itabaiana no site do Programa Alfabetização Solidária.

Capacitação dos alfabetizadores dos cinco municípios de Sergipe atendidos pela UNESP, realizada em Itabaiana/SE, com a colaboração do Professor Eliseu Trabuco do Campus de São José do Rio Preto.

Acompanhamento das atividades e visitas realizadas pelos Coordenadores Setoriais aos seus respectivos municípios.

Elaboração do Relatório final de 2003 do PAS/PROEX.

Acompanhamento e colaboração nas atividades da Gestora Administrativa do PAS, na PROEX em São Paulo.
Edemilde Rodrigues - Gestora Administrativa do PAS na Unesp.
A Gestora Administrativa do PAS na UNESP desenvolveu todas as atividades administrativas pertinentes ao PAS, e ainda acompanhou e colaborou nas reuniões e atividades pedagógicas do Programa.

8.2. PROGRAMA Universidade SOLIDÁRIA: Município de Santa Maria do Cambucá/PE

O Programa Universidade Solidária (UniSol) foi criado em 1995 e tornou-se uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) em 2001. Mobiliza diferentes setores da sociedade e do Estado para trabalharem em municípios pobres de todo o país, visando colaborar para a melhoria da qualidade de vida de suas comunidades. O Módulo Nacional envolve o intercâmbio de conhecimentos entre universitários de todo país e comunidades do Norte e Nordeste do Brasil. As atividades são desenvolvidas no município parceiro ao longo de três semanas, quando são realizadas ações educativas definidas a partir da realidade local, previamente analisada em viagem precursora realizada pelas IES convidada. Após a conclusão dos trabalhos de campo, a continuidade dos projetos executados ocorre por meio do acompanhamento a distância e posterior retorno ao município, para o desenvolvimento de outras ações. Essa troca de conhecimentos entre universidades e comunidades contribui para o fortalecimento da responsabilidade social dos universitários e procura transformar o cotidiano da população. Os estudantes desenvolvem uma valiosa experiência de vida e uma visão mais apurada da realidade brasileira, ao mesmo tempo em que buscam, com a comunidade, soluções locais para os problemas identificados, contribuindo assim para seu desenvolvimento sustentável.

O Programa Universidade Solidária tem como características principais: a adesão voluntária das universidades e dos municípios; o desenvolvimento de um trabalho essencialmente educativo, ligado à informação sobre temas de interesse da população local; o não envolvimento em questões político-partidárias; a promoção de parcerias entre universidades e municípios com o objetivo de colaborar para a melhoria da qualidade de vida das comunidades; o trabalho privilegiando ações que envolvam as pessoas da comunidade (principalmente agentes multiplicadores locais), a fim de assegurar a sustentação dos projetos desenvolvidos; avaliação sistemática e aperfeiçoamento constante. A escolha do município se dá levando–se em conta as características regionais e as condições sócio-culturais do lugar. Havendo interesse de várias localidades, cabe à Universidade indicar sua preferência por determinada localidade, de forma aleatória ou em função de sua posição geográfica, levando-se em conta a necessidade de deslocamento e outros fatores.

Cada Unidade da UNESP indicou os seus alunos, de acordo com critérios próprios tendo em vista o preenchimento do número de vagas, previamente determinado. A seleção e a capacitação da equipe ocorreu no período de 13 a 15 de dezembro, na cidade de Botucatu. Foram indicados pelas Unidades 35 alunos de diferentes cursos. Participaram da seleção e capacitação: 32, sendo selecionados para compor a equipe, 10 com quatro suplentes. O coordenador da equipe que atuou no município de Santa Maria do Cambucá, no período de 05 a 27 de fevereiro de 2003 foi o Professor Dr. Elizeu Trabuco.

Participaram do processo de seleção três professores da UNESP, a Profa. Dra. Rita Antunes, Coordenadora do Módulo 2002, o Prof. Dr. Elizeu Trabuco, Coordenador do Módulo 2003 e a Profa. Dra. Ângela Cristina Zuanon, indicada para ser a Coordenadora do Módulo 2004, além de dois ex-alunos Robson Felisbino e Alexandre Fuzuko Koga, participantes do Módulo 2002. Foram desenvolvidas diversas atividades tais como palestras, oficinas, apresentação de projetos e entrevistas, no total de 24 horas. Após a apresentação nominal, os participantes assistiram à palestra proferida pela Profª Drª Rita Antunes, sobre o UNISOL, o que proporcionou a todos tomarem conhecimento das características e dos principais objetivos do Programa. No dia seguinte, houve a palestra “Rumos da Extensão Universitária na UNESP”, pelo Prof. Dr. Benedito Barraviera, Pró-Reitor de Extensão Universitária, momento em que todos puderam tomar conhecimento das principais atividades de extensão, desenvolvidas pela Pró-Reitoria, e da importância da participação dos alunos em projetos de extensão universitária.

Seguindo a programação os professores da UNESP, Hélio Langoni e Rita Antunes, coordenadores de equipes da UNISOL, em anos anteriores, e os ex-alunos Robson Felisbino e Alexandre Fuzuko Koga, também integrantes de outras equipes, apresentaram dados, mostraram fotos e descreveram suas experiências, nos diferentes municípios já visitados. Esta troca de experiência proporcionou ao grupo momentos de grande motivação, devido à riqueza de detalhes e também pela forma como fizeram seus relatos, demonstrando todo orgulho por ter participado do Programa, e recordando com muita satisfação do período que cada um pode dar de si seus conhecimentos, e receber da comunidade muito carinho e atenção. Ainda, durante o período da tarde, tivemos palestras proferidas pelo Médico Dr. José Roberto Fioretto sobre “Noções de Primeiros Socorros”; Prof. Dr. Antonio César Frasseto, o qual discorreu sobre “Autoridade e Alteridade”, e as alunas Patrícia da Cruz Nascimento, Talita Storti Garcia e Manuela Costa Pereira, da UNESP de S. J. Rio Preto, que apresentaram o tema “Letramento e Alfabetização”. No período noturno e também no outro dia foram realizadas entrevistas com os alunos presentes, nas quais os candidatos tiveram a oportunidade de expor suas idéias e responder as perguntas dos entrevistadores.

Ao final do período de capacitação todos os presentes, professores, ex-alunos e alunos inscritos foram convidados a propor uma lista de 10 nomes, dentre os candidatos, para compor a equipe. Os nomes mais citados tornaram-se fortes candidatos. A relação final dos nomes foi estabelecida em função do perfil de cada candidato, levando-se em conta as características do aluno e as necessidades do município a ser visitado, detectadas anteriormente, e trabalhadas na capacitação. No tocante aos recursos humanos disponíveis estes, foram suficientes, já que além dos Coordenadores e alunos das equipes anteriores, também participaram da capacitação outros docentes da UNESP, ligados ao Programa Alfabetização Solidária – PAS, e dirigentes e funcionários da Universidade, através da Pró-Reitoria de Extensão – PROEX.

Não houve produção de material didático específico, já que as atividades foram principalmente palestras e oficinas. Os projetos desenvolvidos pelos grupos de alunos foram apresentados oralmente, sem a confecção de documentos descritivos. Os planos de ação, a serem implementados quando da estada da equipe no município foram, em sua maioria, planejados em função do diagnóstico das necessidades do município obtidos durante a viagem precursora e apresentado pelo Coordenador. Dentre o material fornecido pela UNISOL, os mais utilizados foram o Guia de Referência e o Livro Experiências Solidárias. Os outros recursos, livros e folders foram também de grande utilidade para o entendimento do conceito e da filosofia do Programa, além de esclarecer todas as questões dos procedimentos a serem seguidos, durante a capacitação e posteriormente, também no trabalho de campo.

Após a divulgação do grupo de estudantes selecionados, foi dado início aos trabalhos de preparação. Cada qual na sua área, apoiados por docentes de suas unidades universitárias, passou a elaborar um plano de atuação e a preparar materiais de trabalho, para facilitar as atividades de campo. A constante troca de informações entre os integrantes da equipe colaborou para a arrecadação de grande volume de material, parte dele conseguido por doação de empresas, e outra parte preparada pelos próprios estudantes. Foram levados folders, cartazes, modelos, jogos, fitas de vídeo, vidraria para a coleta de materiais, bússola e até um microscópio de alta resolução, além de materiais básicos: cartolinas, canetas coloridas, fitas adesivas, etc. Uma reunião prévia dos estudantes, anterior à partida, serviu para organizar e ordenar as primeiras atividades a serem aplicadas.

TRABALHO DE CAMPO – AÇÕES REALIZADAS.

As ações realizadas durante o período do trabalho de campo abrangeram praticamente todas as áreas de interesse de uma comunidade: relacionamento humano, direitos e cidadania, educação, saúde, meio-ambiente, manejo sanitário animal, etc. Quase sempre as atividades envolviam mais que uma área de atuação, e praticamente todas elas apresentavam um forte caráter educativo. A prática da solidariedade, o respeito à vida, aos direitos e obrigações das pessoas, e o respeito aos princípios democráticos foram repetidas vezes enfocados, em muitas das atividades. O tema “Cidadania” foi intensamente trabalhado, principalmente junto aos professores das escolas públicas municipais e estaduais, os quais foram convidados a refletir sobre a posição de cada um na sociedade, seus direitos e obrigações. Nessas ocasiões foram distribuídos exemplares da Cartilha do Cidadão, confeccionada pelo PET (Programa Especial de Treinamento) do curso de Administração Pública da UNESP/Araraquara-SP, que continha as seguintes informações: o que é ser cidadão, direitos do cidadão (individuais, sociais, políticos e das minorias – crianças e adolescentes, mulheres, idosos, portadores de deficiência), racismo e preconceito, defesa do consumidor e do usuário de serviços públicos, o poder público, participação e voto, além de um gibi da Turma da Mônica sobre O Estatuto da Criança e do Adolescente, para mesclar aprendizado e diversão. Estes materiais foram também utilizados como fontes de discussão em reuniões de trabalho envolvendo diferentes setores da administração pública municipal.

O primeiro trabalho reuniu os funcionários internos da prefeitura, incluindo chefes de seções e diretores de serviços, além do próprio Secretário de Administração. Através de uma palestra seguida de um debate discorreu-se sobre qualidade de vida, cliente-cidadão e cidadania; o respeito das funções dos funcionários e suas inter-relações, do atendimento ao cidadão e o porquê de bem atendê-lo, da busca contínua na melhoria dos serviços prestados e dos deveres do cidadão e seus direitos e não privilégios. Foram também realizadas visitas periódicas à prefeitura e suas secretarias, com o objetivo de detectar possíveis falhas na condução dos trabalhos e orientar no sentido de uma coerente solução. Nessas ocasiões foram abordados assuntos como organograma da prefeitura (reorganização hierárquica dos órgãos), estabelecimento do “cargo-tarefa” (quem faz o quê), relacionamento interno (a necessidade e o benefício de se compartilhar informação e dividir decisões) e “ouvidoria” ao cidadão (enxergar as necessidades sob o olhar de quem as enfrenta, ou seja, dar voz ao cidadão).

Na tentativa de aproximação do poder legislativo do município, a equipe participou de em uma sessão da Câmara Municipal. Naquela oportunidade disponibilizou seus serviços aos vereadores, porém não foi possível desenvolver mais nenhum outro trabalho devido ao fato de as sessões na Câmara serem quinzenais. Outra atividade da área de administração pública envolveu representantes das demais áreas da equipe, e reuniu quase todos os secretários municipais. Nesta reunião foram discutidos os pontos da administração municipal que apresentavam alguma deficiência e que mereciam uma reorganização, propondo-se as possíveis alternativas para minimizar essas deficiências. Como exemplo propôs-se treinamento e desenvolvimento dos talentos humanos e multiplicação dos conhecimentos, através de cursos, seminários e palestras, muitas vezes oferecidos pelos próprios governos estadual e federal.

A preocupação com a saúde da pessoa e da família, vigilância sanitária e segurança no trabalho foram temas tratados nas escolas, nos jogos e brincadeiras, nas feiras da saúde, desenvolvidas junto à população em praça pública, e também na zona rural, nas visitas aos PSFs (Programa de Saúde da Família) e também nas visitas domiciliares. Nas escolas o trabalho se desenvolveu através de palestras aos alunos e professores, versando sobre os mais variados assuntos ligados à saúde, como educação em higiene básica e conscientização sobre a dengue, palestra sobre drogas lícitas e ilícitas, doenças sexualmente transmissíveis – DST/AIDS e métodos contraceptivos, doenças transmitidas por insetos e animais, primeiros socorros, tratamento da água, coleta e deposição adequada do lixo, etc. Também deve-se destacar o empenho da equipe da UniSol junto aos agentes de saúde e de controle epidemiológico, por meio de palestras e de treinamento, com visitas constantes nos PSF, localizados na zona rural. Foram coletados materiais para análises de sangue e de fezes. Também foram encaminhadas amostras de sangue humano para serem analisadas no Laboratório de Hemoglobinas e Genética das Doenças Hematológicas, da UNESP, Campus de São José do Rio Preto-SP, especializado em detecção de anomalias do sangue, que podem levar a doenças graves tais como anemia hereditária falciforme e talassemia. Destaca-se que exames laboratoriais comuns não são capazes de identificar essas alterações genéticas.



Foram entrevistadas 19 pessoas na região urbana, a maioria do sexo feminino na faixa etária de 20 a 30 anos, solteiras e que possuem o 1º grau incompleto. O levantamento de alguns dados indica que há uma grande parcela da população que já teve ou tem anemia e/ou a mãe já teve anemia. Dos exames realizados, 26% das pessoas possuem algum tipo de talassemia. Os resultados foram encaminhados aos interessados, e também às autoridades de saúde do município.

Os exames das amostras de fezes foram feitos de acordo com três metodologias: KATO-MODIFICADO (para verificar a existência de ovos de helmintos), LUTZ (para verificar a existência de ovos de helmintos e cistos de protozoários) e RUGAI (para verificar a existência de larvas de Ancilostomídeos e Strongyloides stercoralis). Realizaram-se 18 exames e os parasitas encontrados foram: Ascaris lumbricoides, Ancilostomídeo, Strongyloides stercoralis e Entamoeba histolytica. Mais de 40% das amostras encontravam-se positivas, sendo que, 20% com mais de um agente.

A qualidade da água utilizada pela população foi também motivo de preocupação da equipe UniSol, visto que a cidade não possui sistema de distribuição de água encanada. O objetivo de analisar a água foi verificar se a água servida pelos caminhões-pipas era adequada para o consumo humano. Foram feitos dois tipos de análise, nas amostras coletadas de alguns pontos da cidade e da zona rural, a físico-química (para averiguar a quantidade de cloro na água) e a microbiológica, com o objetivo de verificar a existência de agentes microbianos. Os testes físico-químicos, empregando um comparador de cor e um identificador de cloro, realizados somente nas amostras de água provenientes de cidades vizinhas, coletadas na zona urbana, indicaram a inexistência de cloro residual, o que leva à conclusão de que a água não estava sendo tratada corretamente. Os testes biológicos foram feitos tanto na zona rural quanto urbana, e o resultado foi positivo para coliformes totais. Para o teste microbiológico utilizou-se a medotologia do Readycult Coliforms 100. Não se pode fazer o teste para coliformes fecais, pois não havia equipamento acessível (lâmpada UV). Apesar de ser resultados qualitativos, o que não permite uma avaliação da real situação de quanto a água está contaminada, o fato do resultado positivo, acima citado, deve ser motivo de preocupação das autoridades de saúde locais.

Na área odontológica os trabalhos tiveram um forte caráter preventivo, com a finalidade de iniciar um processo de conscientização da população para a promoção da saúde bucal. O apoio da Secretaria da Saúde, que disponibilizou o transporte para as visitas à zona rural e forneceu materiais odontológicos (gases, luvas, máscaras, flúor e moldeiras descartáveis) e uma unidade odontomédica móvel para a prática das atividades preventivas (palestras de instrução de higiene oral e prevenção), da odontóloga responsável, Lúcia Maria David de Almeida, dos professores das escolas municipais e estaduais e dos agentes da saúde dos PSF(s), foi primordial para o sucesso das atividades desenvolvidas.

Foi aplicada a prática odontológica (anamnese, exame clínico, aplicação de flúor) em oito escolas da zona rural, atendendo cerca de 300 crianças, na faixa etária de seis a doze anos. Também nas escolas da cidade houve a apresentação de palestras e aplicação de flúor, além de um período de capacitação para os professores, para poderem dar continuidade ao processo educativo de prevenção iniciado. Nas salas de aula foi utilizado um modelo da arcada dentária, esculpido em isopor, para a apresentação das estruturas dentárias. Foram, ainda, abordados assuntos tais como as doenças de alta prevalência como a gengivite e a cárie, e suas conseqüências, objetivando estimular o ato de higienizar a cavidade bucal.

Outros temas de interesse também foram abordados, como a necessidade de prevenção odontológica em grávidas e atuações odontológicas precoces em bebês; noções de inflamação (gengivite e periodontite); doença cárie; problemas orofaciais relacionados aos músculos mastigatórios e ATM; problemas sistêmicos relacionados à saúde bucal (câncer bucal, candidose e endocardite bacteriana).

Em vista de uma previsão sobre a situação odontológica da população local, o que se confirmou, foi enviado um ofício, para o Centro de Serviços Educacionais da Colgate, Caixa Postal 61.049 – CEP: 05071-970 – SP, solicitando o apoio daquela empresa, com a doação de 1000 kits odontológicos (Dr. Dentuço), para incentivar o projeto de manutenção das escovas e escovação nas escolas, com a finalidade de instruir e confirmar a higienização oral diária.



Feira de Saúde para a População (Ação Saúde): Foi realizada em duas segundas-feiras, juntamente com a feira livre, e assim pode atingir também uma grande parte da população da zona rural, que vindo para a cidade para expor seus produtos e fazer suas compras, também passava pelo estande para aferição de pressão e tirar suas dúvidas de saúde. Os temas abordados foram: hipertensão arterial; doenças provocadas ou transmitidas por animais - Zoonoses; doença de Chagas; dengue; conceitos básicos para uma nutrição adequada; DST/AIDS; prevenção de doenças da boca; auto - exame das mamas; prevenção do câncer de colo de útero; hanseníase e tuberculose; diabetes e colesterol. Algumas pessoas com uma pressão arterial muito alta foram imediatamente encaminhadas ao posto de saúde mais próximo.

Nos dois dias de feira, foram instruídas mais de 500 pessoas, e detectou-se que grande parte da população assistida nos eventos sofre de doenças crônicas como hipertensão arterial e diabete. As entrevistas com os visitantes da Feira indicaram que algumas pessoas fazem uso de medicamentos com o acompanhamento nos postos de saúde, mas de modo geral, a população não adere ao tratamento proposto pelos profissionais de saúde e também resistem a qualquer tentativa de mudança de hábitos, principalmente no que se refere à alimentação.



Outra feira “Ação Saúde” foi executada no Sítio Manso (PSF II) juntamente com a campanha de vacinação que o PSF promovera. A participação da equipe UniSol , nesse dia, foi somente passar informações, já que as enfermeiras e agentes de saúde se encarregaram de fazer a aferição da pressão arterial e pesar as crianças. Foram utilizados para tanto, cartazes e panfletos. Os temas escolhidos, na área de saúde foram: osteoporose, colesterol, anemia, menopausa e plantas medicinais. Dessa forma, a população foi instruída para a importância da realização do tratamento proposto pela equipe de saúde bem como a mudança dos hábitos alimentares para uma vida mais saudável e melhor.

No setor agropecuário, as principais intervenções se deram junto aos proprietários de pequenas áreas, criadores de cabras, ovelhas e bovinos. Foram feitas reuniões com agricultores e pecuaristas, no Sindicato Rural, com apresentação de filmes e palestras, nas quais foram abordados temas como zoonoses, vacinação e vermifugação dos animais, indicando a importância de um manejo correto e os prejuízos que podem acarretar a falta de um planejamento das ações, acidentes com animais peçonhentos, aproveitamento do leite na produção de queijos e iogurtes e outros derivados, além do casqueamento dos animais, melhorando a produção. As reuniões eram abertas a questionamentos e debate, visando a troca de experiências e dirimir dúvidas. A continuidade dos trabalhos deu-se por meio de visitas técnicas às propriedades rurais. O objetivo destas visitas foi conhecer as técnicas aplicadas pelos produtores locais, bem como sugerir modificações para possibilitar melhor aproveitamento do plantel, reduzir custos e facilitar práticas. Ocorreram várias visitas, sendo que em cada propriedade foi observado um diferente nível de produção e de estrutura, cujos proprietários e empregados foram orientados para o correto manejo dos animais, principalmente no tocante aos cuidados com os cascos, os quais devem ser rotineiramente verificados e mantidos curtos, o que evita acúmulo de sujeiras, o que aumenta a possibilidade de infecção. Em alguns casos foram realizadas coletas de fezes dos animais, para análises.

A equipe UniSol visitou o Matadouro Municipal, também conheceu o Mercado Municipal, onde são comercializadas as carnes dos animais abatidos no matadouro. Os estudantes constataram inúmeras irregularidades em todas as etapas, desde o condicionamento dos animais, abate, separação das carcaças, desossa e comercialização das carnes. Em vista disso, os administradores dos dois locais, bem como seus usuários foram orientados sobre a maneira correta de se trabalhar, visando minimizar a ocorrência de problemas de saúde, em virtude do manuseio incorreto daqueles alimentos. Baseado nas visitas aos abatedouros das cidades vizinhas, acompanhado pelo Médico Veterinário Sancho Neto Queiroz Arruda, responsável técnico local, foi redigido um relatório sucinto sobre o Matadouro Municipal, com considerações sobre as condições de trabalho naquele local, consideradas precárias, demonstrando que com pequenas alterações estruturais da área física e com mudanças comportamentais dos usuários daquele estabelecimento, muitas das irregularidades apontadas podem ser corrigidas. O documento foi encaminhado às autoridades municipais.

A área da educação foi bastante privilegiada. Os trabalhos envolveram os alunos de todas as faixas etárias, mas o objetivo principal era, quase sempre, trabalhar com os professores da rede pública de ensino. Além das atividades já descritas, quase todas de caráter educativo, também enfocou-se as estratégias pedagógicas de ensino. Foram proferidas palestras sobre Alfabetização e o Ensino da Matemática, para os professores e alunos do 1º módulo do Programa Alfabetização Solidária – PAS, e em reuniões separadas com os professores da zona rural e com os professores do Ensino Fundamental da escola municipal “Prof. Agripino de Almeida”. O objetivo central do trabalho com a alfabetização foi mostrar que, segundo alguns pesquisadores, todo educando, adulto ou criança, em processo de alfabetização, passa por um processo de aquisição da leitura e escrita. Sendo assim as atividades pedagógicas devem condizer com a necessidade da fase em que se encontra o educando para que o ensino possa ter significado e conseqüentemente torna-los leitores e produtores de textos – desde que este seja o objetivo do professor. Para um melhor aproveitamento dos trabalhos foram utilizados textos teóricos, aulas expositivas/participativas e fitas VHF, que demonstravam processo de aquisição da língua escrita.

O objetivo do trabalho com a Matemática foi de desenvolver o raciocínio lógico matemático fundamentado em pré-requisitos como os conceitos de seriação, classificação, dentre outros e na seqüência com as operações fundamentais da matemática de forma que se compreenda o processo e não apenas se decore os passos matemáticos. Neste caso empregou-se o Material Dourado, como material concreto de apoio, o Alfabeto Móvel, além de textos utilizados nos cursos de graduação.

Os professores foram divididos em grupos, de acordo com a série que eles trabalhavam e as atividades foram adequadas a cada grupo, sendo: Alfabetização (pré III) e primeira série discutiram as fases pela qual o educando passa no processo de aquisição da escrita, com aula expositiva e o filme “A construção da escrita”; a segunda série trabalhou com o livro didático, fazendo exercícios de análise crítica sobre os conteúdos do material, e as salas com os professores de terceira e quarta séries recebeu orientação de como tratar a higiene bucal da criança no cotidiano da escola e seu ensino em sala de aula. Os temas foram trabalhados com a maioria dos professores, em sistema de revezamento dos palestrantes.

As análises dos livros didáticos e dos conteúdos programáticos das disciplinas de Geografia, História, Biologia e Ciências também foram temas de discussão junto aos professores. Alguns livros adotados nas escolas eram pouco carregados de informação local, por isso trabalhar com a realidade vivida permitia uma melhor absorção do conteúdo apresentado. Assim a orientação foi para utilizar o livro para instruções didáticas, e quando fosse passar conceitos novos, transportar o “mundo vivido pelos alunos” para dentro da sala de aula.



Atualização da base cartográfica do município: O trabalho elaborado partiu de uma solicitação da prefeitura que questionava o não conhecimento da dimensão espacial atual da sede do município e a distribuição estratégica de pontos importantes para a administração. O estudo elaborado gerou um croqui que transmitia as informações solicitadas, que apesar de não ser dotado de escala, e por isso não poder tomar como base real para interferência ou modificações concretas nas obras ou novos arruamentos que poderiam vir a acontecer, possibilitou uma visualização de qualquer atividade e dimensionou os espaços produzidos, mostrando os eixos de crescimento e as tendências que o município pode tomar, sendo base para um possível planejamento estratégico. O trabalho foi baseado em uma base inicial de 1990, e teve como função a atualização dos novos loteamentos, e a marcação dos novos aglomerados. Foi feito o cadastramento das ruas e das avenidas mais importantes, dos pontos comerciais e dos locais representativos. O trabalho foi acompanhado em toda a primeira etapa, pelos funcionários da prefeitura, tentando capacitá-los para estarem sempre atualizando o material. O esboço produzido serviu como orientação para a confecção de uma base cartográfica completa, feita após o retorno da equipe, com a utilização de equipamentos de informática adequados. O conteúdo final foi encaminhado à Prefeitura de Santa Maria do Cambucá e permitirá visualizar a distribuição dos pontos “chaves” do município e a dimensão espacial que este está tomando, contribuindo para as políticas públicas de atuação.


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