1. o texto a seguir é de autoria de Machado de Assis. Leia e responda: o estrume



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Conj.

Código

Período

Turma

Data

2o.

P23

M

B

07/06/2006


1. O texto a seguir é de autoria de Machado de Assis. Leia e responda:
O Estrume

“Súbito deu-me a consciência um repelão, acusou-me de ter feito capitular a probidade de D. Plácida, obrigando-a a um papel torpe, depois de uma longa vida de trabalho e privações. Medianeira não era melhor que concubina, e eu tinha-a baixado a esse ofício, à custa de obséquios e dinheiros. Foi o que me disse a consciência; fiquei uns dez minutos sem saber que lhe replicasse. Ela acrescentou que eu me aproveitara da fascinação exercida por Virgília sobre a ex-costureira, da gratidão desta, enfim da necessidade. Notou a resistência de D. Plácida, as lágrimas dos primeiros dias, as caras feias, os silêncios, os olhos baixos, e a minha arte em suportar tudo isso, até vencê-la. E repuxou-me outra vez de um modo irritado e nervoso.

Concordei que assim era, mas aleguei que a velhice de D. Plácida estava agora ao abrigo da mendicidade: era uma compensação. Se não fossem os meus amores, provavelmente D. Plácida acabaria como tantas outras criaturas humanas; donde se poderia deduzir que o vício é muitas vezes o estrume da virtude. O que não impede que a virtude seja uma flor cheirosa e sã. A consciência concordou, e eu fui abrir a porta à Virgília.”
a) A que obra do autor pertence o texto? (1,0 ponto)

b) Qual é o ofício de D. Plácida? Por que seria um “papel torpe”? (1,0 ponto)
2. Em 1881 foram publicados dois romances importantes no Brasil, com os quais se inicia um novo movimento literário na prosa brasileira.

a) Quais são esses romances? (1,0 ponto)

b) Com que movimento literário eles rompem? (1,0 ponto)
Leia os textos a seguir, de Dom Casmurro, Machado de Assis, para responder a questão 3:

LXXII – Uma Reforma Dramática

“Nem eu, nem tu, nem qualquer outra pessoa desta história poderia responder mais, tão certo é que o destino, como todos os dramaturgos, não anuncia as peripécias nem o desfecho. Eles chegam a seu tempo, até que o pano cai, apagam-se as luzes, e os espectadores vão dormir. Nesse gênero há porventura alguma coisa que reformar, e eu proporia, como ensaio, que as peças começassem pelo fim. Otelo mataria a si e a Desdêmona no primeiro ato, os três seguintes seriam dados à ação lenta e decrescente do ciúme, e o último ficaria só com as cenas iniciais da ameaça dos turcos, as explicações de Otelo e Desdêmona, e o bom conselho do fino Iago: "Mete dinheiro na bolsa." Desta maneira o espectador, por um, acharia no teatro a charada habitual que os periódicos lhe dão, porque os últimos atos explicariam o desfecho do primeiro, espécie de conceito, e, por outro lado, ia para a cama com uma boa impressão de ternura e de amor.”



CXXXV – Otelo

“Jantei fora. De noite fui ao teatro. Representava-se justamente Otelo, que eu não vira nem lera nunca; sabia apenas o assunto, e estimei a coincidência. Vi as grandes raivas do mouro, por causa de um lenço, – um simples lenço! – e aqui dou matéria à meditação dos psicólogos deste e de outros continentes, pois não me pude furtar à observação de que um lenço bastou a acender os ciúmes de Otelo e compor a mais sublime tragédia deste mundo. Os lenços perderam-se, hoje são precisos os próprios lençóis, alguma vez nem lençóis há, e valem só as camisas. Tais eram as idéias que me iam passando pela cabeça, vagas e turvas, à medida que o mouro rolava convulso, e Iago destilava a sua calúnia. Nos intervalos não me levantava da cadeira; não queria expor-me a encontrar algum conhecido. As senhoras ficavam quase todas nos camarotes, enquanto os homens iam fumar. Então eu perguntava a mim mesmo se alguma daquelas não teria amado alguém que jazesse agora no cemitério, e vinham outras incoerências, até que o pano subia e continuava a peça. O último ato mostrou-me que não eu, mas Capitu devia morrer. Ouvi as súplicas de Desdêmona, as suas palavras amorosas e puras, e a fúria do mouro, e a morte que este lhe deu entre aplausos frenéticos do público.”



3. (FUVEST) O narrador afirma, no capítulo CXXXV, que "não vira nem lera nunca Otelo" e que estimou a coincidência, ao chegar ao teatro.

a) A que coincidência está se referindo? (1,0 ponto)

b) Ele já tornara a peça assunto do capítulo LXXII e, apenas agora, tem ocasião de vê-la. Do ponto de vista da estrutura do romance, isso implicaria alguma contradição? Justificar, se for o caso. (1,0 ponto)
4. (UNICAMP) “Capitu era Capitu, isto é, uma criatura mui particular, mais mulher do que eu era homem. Se ainda não o disse, aí fica. Se disse, fica também. Há conceitos que se devem incutir na alma do leitor, à força de repetição.” (Machado de Assis, Dom Casmurro) Nesse trecho o narrador, Bentinho, apresenta uma interessante comparação ao leitor: "Capitu (...) era mais mulher do que eu era homem". Que características do comportamento das duas personagens, quando crianças, permitem entender a afirmação de Bentinho? (2,0 pontos)
5. A que estilo de época (escola literária) se referem as afirmações abaixo?
a) Esse estilo é o meio de expressão do homem da época, saudoso da religiosidade medieval e, ao mesmo tempo, seduzido pelas solicitações terrenas e pelos valores do mundo – amor, dinheiro, luxo, aventura, posição social. (0,5 ponto)

b) Partindo de uma concepção de vida simples, sem ambições de glória ou fortuna, o poeta desse período elegeu a vida pastoril como modelo de existência. (0,5 ponto)

c) O amor, para os escritores desse período, é considerado o valor supremo da vida. É algo puro, casto e, muitas vezes, platônico e irrealizável. A não-realização amorosa geralmente leva à loucura, à morte ou ao suicídio. (0,5 ponto)

d) Fazem parte dessa escola literária: bucolismo, valorização da natureza, tranqüilidade no relacionamento amoroso, universalidade, presença de entidades mitológicas, predomínio da lógica e utilização de períodos curtos. (0,5 ponto)

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