12 de julho – dia do engenheiro florestal



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EVOLUÇÃO DAS ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS DO ENGENHEIRO FLORESTAL

*CARLOS ADOLFO BANTEL

ANTECEDENTES DA ENGENHARIA FLORESTAL COMO PROFISSÃO NO BRASIL - A Engenharia Florestal como atividade no Brasil, existe desde que o Brasil é Brasil, isto é, século XVI. Contudo, a atividade, como profissão, teve seus primeiros contornos no século XIX quando houve a tentativa de se formar Silvicultores de nível superior conforme Decreto Imperial 5.957, de 1875. Ao longo do período de 1875 até 1933, a atividade de silvicultura foi legada aos agrônomos em eventuais referências em disciplinas do curriculum universitário.

Em 1933 as atividades de “reflorestamento, conservação, defesa, exploração e industrialização de matas” passaram a ser atribuições legais dos engenheiros agrônomos, mesmo não recebendo instrução acadêmica para tal. Com o advento do Código Florestal de 1934, o ensino e a formação de profissionais florestais ficaram oficializados, prevendo a formação de agentes florestais; contudo, não implantada. Essa tentativa foi realizada novamente conforme a Lei 1.514/39, instituindo “Cursos de Aperfeiçoamento e Especialização” regulares titulando “Agrônomo Silvicultor”, os quais apresentaram sérios problemas de operacionalização.

A formação específica de profissionais Engenheiros Florestais só foi abordada no Brasil a partir de 1948, na Conferência Latino-Americana Florestal e de Produtos Florestais onde foi recomendada a criação do Instituto Latino-Americano de Ciências Florestais pela Subcomissão sobre Florestas Inexploradas da FAO (1947). A importância ambiental e comercial das florestas nativas no período pós-guerra e a pouca repercussão das tentativas até então experimentadas nas escolas de agronomia sugeram a criação de cursos de Engenharia Florestal nos modelos norte europeu e americano. A FAO contratou estudo para localização de curso de Engenharia Florestal pioneiro na América Latina, onde houve zoneamento em 7 regiões em função da localização de florestas nativas e, apesar de três destas se localizarem no Brasil, foi o Chile o país contemplado, seguindo-se Argentina e Colômbia com estabelecimento de cursos apoiados pela organização internacional.

Em 1949, o Anuário Brasileiro de Economia Florestal faz referência à necessidade de se formar Engenheiros Florestais, o que continuou a sugerir até 1962. Em 1950, de acordo com Pereira (15), iniciou-se a consciência de criação de cursos de Engenharia Florestal e formação de Engenheiros Florestais no nosso País. No I Congresso Florestal Brasileiro, realizado em 1953, foram apresentadas diversas moções de criação de Escola de Florestas, sugerindo localizações, oportunidades, necessidades e justificativas, onde há relatos interessantes sobre a pouca importância dada aos ensinamentos da silvicultura, manejo e industrialização florestal nos cursos de agronomia. A partir das recomendações do congresso surgiu um projeto de lei para estabelecimento de curso de Engenharia Florestal; contudo, com fraco acompanhamento de tramitação. No ano de 1957, na Reunião Florestal de Itatiaia, é citada a necessidade da criação de Curso de Engenharia Florestal, onde se decide pelo melhor acompanhamento do projeto de lei na Câmara Federal de Deputados.

As negociações sobre o assunto junto ao governo federal progrediram com os ministros da Agricultura, Mario David Meneghetti; da Educação e Cultura, Clóvis Salgado da Gama, tendo sido o Professor Catedrático de Silvicultura em Viçosa, Arlindo de Paula Gonçalves fundamental participação para este acontecimento (CAPDEVILLE,1991). As negociações no âmbito legislativo tiveram integral apoio de Juscelino Kubitshek, com uma condição básica; desde que fosse em Minas Gerais. Outras localidades sugeriam receber uma escola pioneira, como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Pará.

Enquanto isso, outras ações importantes no ensino e preparo profissional da Engenharia Florestal se desenvolviam no nosso país, devendo-se especial destaque ao atual Instituto Florestal de São Paulo, à cadeira e posterior departamento de Silvicultura da Esalq/USP, bem como ao IPT-SP, INP (Instituto Nacional do Pinho),UFV, UFRGS, UFPR e, no setor privado, à Companhia Paulista de Estrada de Ferro e Klabin. A formação de Agrônomos com especialização em Silvicultura atingiu, de maneira incontestável, seus objetivos na “Escola Superior de Agricultura Luiz de Queirós”, a partir de 1961, já sob outro regulamento legal, contudo com procura limitada (MELLO, 1964).

No Quinto Congresso Florestal Mundial, em 1960, consta o relato intitulado “The New School Of Forestry Of Brazil” (SOUZA,1960) descrevendo o Decreto 48.247 assinado por Juscelino Kubitshek de Oliveira criando o primeiro curso de Engenharia Florestal no Brasil. O curso foi implantado ainda no primeiro semestre daquele ano em Viçosa - MG recebendo valiosas contribuições dos projetos ETA – 55 (1960) e FAO-BRA 45 (1962).
EVOLUÇÃO DAS ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS DO ENGENHEIRO FLORESTAL NO BRASIL – As atribuições profissionais do Engenheiro Florestal ao longo de quase 50 anos receberam muitas mudanças quanto à legislação, ensino com seus currículos e conteúdos programáticos, mercado, meio ambiente e sociedade. Era natural que isto acontecesse visto que a tecnologia na ciência florestal à luz de brilhantes pesquisas vivenciou constantes evoluções e redirecionamento de rumos, além de inserir modernos conceitos operacionais considerando os princípios de ordem ambiental e social exigidos principalmente a partir de 1992. Ressalte-se que a Engenharia Florestal foi a primeira profissão no Brasil a se destacar na habilitação em ecologia, manejo de bacias hidrográficas, além do pioneirismo em segurança do trabalhador.

As primeiras atribuições baseadas nas disciplinas discriminadas no Decreto 48.247/60 foram Silvicultura, Dendrologia, Genética Aplicada às Florestas, Ecologia, Fitogeografia, Aerofotogrametria, Inventários florestais, Construções, Proteção florestal, Tecnologia de Produtos Florestais e Matérias Optativas, permitindo certa flexibilidade de acordo com os conteúdos programáticos de cada curso.

A Lei nº 4.643/65 determina a inclusão da especialização de Engenheiro Florestal na enumeração do art. 16 do Decreto-Lei nº 8.620/46, o que significa que a profissão está inserida na categoria da Engenharia, e não na Agronomia, como administrativamente o CONFEA e o Ministério da Educação (MEC) a enquadram. Este vício legal tem prejudicado muito o estabelecimento de corretas atribuições profissionais no âmbito da ciência florestal cerceando Engenheiros Florestais e permitindo a atuação de profissionais diversos sem as devidas prerrogativas curriculares, prejudicando a sociedade e comprometendo o meio ambiente.

Em 1969 o CONFEA publicou a Resolução 186 descrevendo as seguintes atribuições do Engenheiro Florestal: Engenharia Rural, compreendendo: atividades aplicadas para fins florestais de topografia, foto-interpretação, hidrologia, irrigação, drenagem e açudagem; instalações elétricas de baixa tensão, para fins florestais; construções para fins florestais, desde que não contenham estruturas de concreto armado ou aço; construção de estradas exclusivamente de interesse florestal; Defesa sanitária, compreendendo controle e orientação técnica na aplicação de defensivos para fins florestais; Mecanização, compreendendo experimentação, indicação do emprego de tratores, máquinas e implementos necessários a fins florestais; Pesquisa, introdução, seleção, melhoria e multiplicação de matrizes, sementes e mudas, no campo florestal; Padronização, conservação, armazenagem, classificação, abastecimento e distribuição de produtos florestais; Florestamento, reflorestamento, adensamento, proteção e manejo de florestas; Exploração e utilização de florestas e de seus produtos; Levantamento, classificação, análise, capacidade de uso, redistribuição, conservação, correção e fertilização do solo, para fins florestais; Tecnologia e industrialização de produtos e sub - produtos florestais; Arborização e administração de parques, reservas e hortos florestais; Fitopatologia, microbiologia, parasitologia e entomologia florestais; Xilologia. Secagem, preservação e tratamento da madeira; Meteorologia, climatologia e ecologia; Silvimetria, dendrologia e métodos silviculturais; Extensão, cadastro, estatística e inventários florestais; Política e economia florestais; Promoção e divulgação de técnicas florestais; Assuntos de engenharia legal referentes a florestas, correspondendo a vistorias, perícias, avaliações, arbitramentos e laudos respectivos; Planejamento e projetos referentes à engenharia florestal.

Em 1973 o CONFEA edita a Resolução 218, onde em seu art. 10 descrimina as atribuições do Engenheiro Florestal no desempenho de atividades referentes a Engenharia Rural, Construções para fins Florestais e suas instalações complementares, Silvimetria, Inventário Florestal, Melhoramento Florestal, Recursos Naturais Renováveis, Ecologia, Climatologia, Defesa Sanitária Florestal, Produtos Florestais, sua Tecnologia e sua Industrialização, Edafologia, Processos de Utilização de Solo e de Floresta, Ordenamento e Manejo Florestal, Mecanização na Floresta, Implementos Florestais, Economia e Crédito Rural para fins Florestais, seus Serviços afins e correlatos, permitindo igualmente certa flexibilidade de acordo com os currículos dos cursos.

De 1974 a 2005 foram emitidas inúmeras decisões pelo CONFEA tratando de atribuições específicas relativas a atividades em Parques e Jardins, Topografia, Manejo de Florestas, Aplicação de Defensivos, fortemente influenciadas por interesses políticos sobrepujando os aspectos técnicos e legais, contrariando os interesses dos Engenheiros Florestais. Leis e Decretos federais também determinaram atribuições em relação ao uso e manuseio de defensivos agrícolas e aviação agrícola.

A adoção do sistema de “currículo mínimo” em 1981 pelo CFE/ MEC diferenciou os critérios de ensino e, enquanto a Engenharia Florestal recebia o tratamento de especialização e aprofundamento na ciência, a Agronomia recebeu o tratamento da formação enciclopédica dos profissionais refletindo a percepção de que os conhecimentos técnicos aprofundados não são necessários, bastando ter uma visão abrangente da área, ainda que superficial (CAPDEVILLE,1991).”A ação política da classe agronômica, envolvendo a seu favor inclusive o CONFEA, fez com que prevalecesse na atividade da ciência florestal a participação do agrônomo, independente de sua formação curricular em prol da ameaça de iminente mutilação da carreira agronômica e do desaparecimento do “engenheiro-agrônomo eclético”, profissional “indispensável” para o desenvolvimento rural do Brasil, conforme afirmações contidas no processo do Parecer nº 1/84, na CFE/ MEC.

Novamente Capdeville(1991) assim se manifesta: A regulamentação de uma profissão, por meio de lei, destina-se, principalmente, a estabelecer áreas privativas para o exercício profissional. Enquanto há espaços para dividir, não há problemas. Na medida, porém, em que o mercado de trabalho se retrai, passa-se a defender as posições conquistadas. Ou, quando determinado mercado oferece muitas oportunidades de trabalho passa-se a reinvindicar direitos que retratam uma realidade da década de 1930. Dentro das atividades profissionais da Engenharia Florestal isto aconteceu de forma flagrante no mínimo três vezes. A primeira por ocasião dos incentivos fiscais para o reflorestamento nas décadas de 1960 a 1980. A segunda vez com a normatização e implantação do plano de manejo florestal sustentável a partir da década de 1980 e, atualmente, com a espectativa do Brasil passar de 5 milhões de hectares de florestas plantadas para 15 milhões até o fim da próxima década. Nos três casos ocorreu verdadeira corrida de profissionais agrônomos para as atividades florestais, sempre protegidos por forte política de “reserva de mercado” no âmbito das organizações de fiscalização profissional.

Em 2006 o MEC publicou a Resolução CNE/CES nº 3 instituindo as Diretrizes Curriculares Nacionais para a graduação em Engenharia Florestal conforme previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394/96) (LDB). Esse instrumento propicia novo enfoque para as atribuições profissionais levando os cursos de graduação a atualizarem projetos pedagógicos enfocando aspectos antes não contemplados na formação acadêmica. O perfil do profissional deve ensejar: sólida formação científica e profissional que possibilite absorver e desenvolver tecnologia; capacidade crítica e criativa na identificação e resolução de problemas, considerando seus aspectos políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais, com visão ética e humanística, em atendimento às demandas da sociedade; compreensão e tradução das necessidades de indivíduos, grupos sociais e comunidades, com relação aos problemas tecnológicos, socioeconômicos, gerenciais e organizativos, bem como utilização racional dos recursos disponíveis, além da conservação do equilíbrio do ambiente; capacidade de adaptação, de modo flexível, crítico e criativo às novas situações. Os conteúdos programáticos dos cursos devem contemplar atividades profissionais que identifiquem o Engenheiro Florestal em: Avaliação e Perícias Rurais; Cartografia e Geoprocessamento; Construções Rurais; Comunicação e Extensão Rural; Dendrometria e Inventário; Economia e Mercado do Setor Florestal; Ecossistemas Florestais; Estrutura de Madeira; Fitossanidade; Gestão Empresarial e Marketing; Gestão dos Recursos Naturais Renováveis; Industrialização de Produtos Florestais; Manejo de Bacias Hidrográficas; Manejo Florestal; Melhoramento Florestal; Meteorologia e Climatologia; Política e Legislação Florestal; Proteção Florestal; Recuperação de Ecossistemas Florestais Degradados; Recursos Energéticos Florestais; Silvicultura; Sistemas Agrossilviculturais; Solos e Nutrição de Plantas; Técnicas e Análises Experimentais; e Tecnologia e Utilização dos Produtos Florestais.
ATUAIS ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS DO ENGENHEIRO FLORESTAL - No ano de 2005 foi aprovada a Resolução 1010 do CONFEA, entrando em vigor em julho de 2007, inovando o sistema de atribuições profissionais para todas as profissões vinculadas ao Conselho, adaptando-se a e considerando os princípios da nova LDB e as Diretrizes Curriculares das diversas profissões. Merecem destaque os artigos 7 a 11 que regulamentam a interdisciplinariedade das modalidades possibilitando a habilitação de todos profissionais vinculados ao sistema CONFEA/CREA, independentemente de sua formação básica, a partir do princípio de obtenção de qualificações e conhecimentos adquiridos cursando disciplinas oferecidas nas diversas instituições regulamentadas e registradas conforme a Lei 5.194/65.

Há nesta resolução o disciplinamento dos campos de atuação profissional e das atribuições profissionais, classificadas como inicial e de extensão. A atribuição inicial é aquela que o profissional adquire ao se diplomar no curso freqüentado; a extensão da atribuição inicial é aquela adquirida pelo profissional ao freqüentar e obter certificação em disciplinas cursadas em estabelecimentos de ensino devidamente credenciados após a diplomação inicial, que podem ser de graduação ou pós-graduação. A extensão de atribuição inicial pode ser adquirida na mesma modalidade ou não, contudo restrita ao âmbito da mesma categoria profissional. Compõem a mesma categoria da Engenharia Florestal a Agronomia, Engenharia Agrícola, Engenharia de Pesca, Meteorologia, Engenharia de Segurança do Trabalho e Tecnologias afins. Assim, ao Engenheiro Florestal é possibilitado adquirir atribuição profissional em qualquer uma das outras modalidades componentes da sua categoria, a Agronomia. Igualmente é possibilitado aos demais profissionais da categoria Agronomia adquirir atribuições próprias do campo de atuação da Engenharia Florestal. A possibilidade de extensão de habilitação veio regulamentar uma série de campos considerados de interface entre modalidades, bem como permite a partir de agora ao profissional, de maneira mais dinâmica e coerente adquirir novas atribuições de acordo com sua vocação, oportunidade de exercício profissional, tendência do mercado, desejo da sociedade e necessidades do meio ambiente.



Esclareça-se que a Engenharia Florestal, de acordo com a Lei nº 4.643/65 é enquadrada na categoria de Engenharia, de tal maneira que, legalmente, as modalidades afins são: Civil, Elétrica, Industrial, Química, Minas, Geologia, Agrimensura e Geografia. Historicamente a Engenharia Florestal, por interesses políticos de exercício profissional por parte da Agronomia, está enquadrada administrativamente no CONFEA e no MEC como sendo uma modalidade da categoria de Agronomia, trazendo constrangimentos legais aos Engenheiros Florestais e benesses profissionais, sob ponto de vista legal, ilegais aos Agrônomos, notadamente agora com a implantação das diretrizes previstas na LDB e legislação complementar. Assim, os profissionais de modalidades da categoria da Agronomia, sob enfoque legal só poderão exercer atividades habilitadas desenvolvidas na Engenharia Florestal desde que inseridas nos conteúdos programáticos previstos em disciplinas de modalidades componentes legalmente da categoria de Agronomia, o que não é o caso da Engenharia Florestal. Administrativamente tem sido um caminho repleto de obstáculos políticos e de interesses de “direitos adquiridos” e de “reserva de mercado” exercidos pelas lideranças da Agronomia. Contudo, queiram ou não queiram, em determinado momento o sistema CONFEA/CREA e o MEC terão que se enquadrar na legislação vigente desde 1965, eliminando a habilitação ilegal de profissionais com contornos errôneos de legalidade. O prejuízo é da sociedade e do meio ambiente, entidades únicas do objetivo da existência da Lei 5.194/65 em que se delega ao CONFEA a defesa da sociedade no exercício profissional das categorias da tecnologia (engenharia, arquitetura e agronomia).
ATIVIDADES PROFISSIONAIS - A partir de julho de 2007 as atividades profissionais previstas aos Engenheiros Florestais estão relacionadas no art. 5º da Resolução 1010/65 do CONFEA: Gestão, supervisão, coordenação, orientação técnica; Coleta de dados, estudo, planejamento, projeto, especificação; Estudo de viabilidade técnico-econômica e ambiental; Assistência, assessoria, consultoria; Direção de obra ou serviço técnico; Vistoria, perícia, avaliação, monitoramento, laudo, parecer técnico, auditoria, arbitragem; Desempenho de cargo ou função técnica; Treinamento, ensino, pesquisa, desenvolvimento, análise, experimentação, ensaio, divulgação técnica, extensão; Elaboração de orçamento; Padronização, mensuração, controle de qualidade; Execução de obra ou serviço técnico; Fiscalização de obra ou serviço técnico; Produção técnica e especializada; Condução de serviço técnico; Condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção; Execução de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção; Operação, manutenção de equipamento ou instalação; Execução de desenho técnico.

SETORES DOS CAMPOS DE ATUAÇÃO PROFISSIONAL - No Anexo III da mesma resolução estão discriminados os campos de atuação profissional, divididos nos seguintes setores: Geociências Aplicadas, para fins Agropecuários, Florestais, Agrícolas e Pesqueiros; Tecnologia para fins Agropecuários, Florestais, Agrícolas e Pesqueiros; Engenharia para fins Agropecuários, Florestais, Agrícolas e Pesqueiros ; Meio Ambiente; Administração e Economia . Estes setores estão classificados por tópicos, que, por sua vez, novamente estão classificados em sub-tópicos.

TÓPICOS DOS SETORES DOS CAMPOS DE ATUAÇÃO PROFISSIONAL – Os Setores dos campos de atuação profissional estão classificados nos seguintes tópicos:

Geociências Aplicadas, para fins Agropecuários, Florestais, Agrícolas e Pesqueiros: Sistemas, Métodos, Uso e Aplicações da Topografia, Cartografia e das Geociências (Aerofotogrametria; Sensoriamento Remoto; Fotointerpretação; Georreferenciamento); Planejamento Rural e Regional (Ordenamento Territorial Agrossilvipastoril; Desmembramento; Remembramento; Cadastro Técnico de Imóveis Rurais); Agrometeorologia; Climatologia Agrícola.
Tecnologias para fins Agropecuários, Florestais, Agrícolas e Pesqueiros: Sistemas e Métodos Agropecuários e Agrossilvipastoris (Fitotecnia; Zootecnia; Edafologia; Microbiologia; Fitossanidade; Fitopatologia; Entomologia; Química Agrícola; Fertilizantes e Fertilização; Corretivos e Correção; Inoculantes e inoculação; Nutrição Vegetal; Plantas Espontâneas; Plantas Bioativas; Biometria; Sementes; Mudas; Cultivo em Ambientes Controlados; Propagação in vitro; Viveiros; Horticultura); Nutrição Animal (Agrostologia; Rações); Biotecnologia (Engenharia Genética; Melhoramento Animal; Melhoramento Vegetal); Sistemas de Produção Agropecuária (Tradicionais; em Ambientes Controlados); Tecnologia de Produtos Agropecuários (Produção; Pós Colheita); Tecnologia da Transformação de Produtos de (Origem Vegetal; Origem Animal); Sistemas de Condicionamento do Meio Para (Armazenamento dos Produtos Agropecuários; Preservação dos Produtos Agrícolas; Conservação de Produtos Agrícolas; Processamento de Produtos Agrícolas); Silvicultura(Métodos Silviculturais; Crescimento Florestal; Manejo de Florestas; Produção Florestal; Processos de Cultivo de Florestas; Processos de Condução de Florestas; Controle Biológico na Área Florestal; Dendropatologia; Dendrocirurgia; Formação de Florestas; Proteção de Florestas; Utilização de Florestas; Reflorestamento; Silvimetria; Fitometria; Inventário Florestal; Inventários relativos a Meios Florestais; Sistemas e Métodos de Arborização; Arborismo); Produtos e Subprodutos Florestais (Tecnologia da Madeira; Aproveitamento; Colheita; Estoque; Industrialização da Transformação; Tecnologia da Transformação; Produtos Madeiráveis e Não-Madeiráveis Oriundos das Florestas); Sistemas de Produção Aqüícola (Aqüicultura; Piscicultura); Organismos Aquáticos (Melhoramento; Propagação; Cultivo; Fisiologia; Biotecnologia); Tecnologia Pesqueira (Dinâmica de Populações e Avaliações de Estoques Pesqueiros; Inspeção); Biossegurança Agropecuária (Inspeção Sanitária; Defesa Sanitária; Controle Sanitário; Vigilância Sanitária); Biossegurança Florestal (Inspeção Fitossanitária; Defesa Fitossanitária; Controle Fitossanitário; Vigilância Fitossanitária); Biossegurança Pesqueira (Inspeção Sanitária; Defesa Sanitária; Controle Sanitário; Vigilância Sanitária); Receituário; Receitas; Rastreabilidade de (Produtos Agropecuários; Produtos e Subprodutos Florestais; Produtos Pesqueiros); Certificação de (Produtos Agropecuários; Produtos e Subprodutos Florestais; Produtos Pesqueiros); Licenciamento de (Produtos Agropecuários; Produtos e Subprodutos Florestais; Produtos Pesqueiros); Classificação de (Produtos Agropecuários; Produtos e Subprodutos Florestais; Produtos Pesqueiros); Tecnologia de Ambientação e Manejo De (Plantas; Animais Domésticos; Fauna Silvestre; Outros Organismos); Bromatologia; Zimotecnia; Embalagens para Comercialização de Produtos Agrícolas e Derivados; Agricultura de Precisão; Aplicações da Aviação Agrícola.
Engenharia para fins Agropecuários, Florestais, Agrícolas e Pesqueiros: Tecnologia dos Materiais de Construção; Construções, Edificações e Instalações para fins (Agropecuários; Agroindustriais; Florestais; Aquícolas; Pesqueiros); Estruturas de Madeira; Estradas Rurais; Hidráulica Aplicada à (Irrigação; Drenagem); Barragens no âmbito da categoria; Solos e Obras de Terra no âmbito da categoria; Hidrologia aplicada a manejo integrado; Manejo Integrado de Bacias Hidrográficas; Sistemas Mecânicos; Sistemas Térmicos; Sistemas Agroindustriais(Ergonomia; Métodos de Controle dos Processos Agropecuários; Métodos de Automação dos Processos Agropecuários); Mecanização Agrícola (Mecanização da Aplicação de Insumos Agrícolas; Máquinas Agrícolas; Implementos Agrícolas; Máquinas Agroindustriais; Implementos Agroindustriais; Equipamentos Agroindustriais; Motores); Instalações Elétricas de pequeno porte em Baixa Tensão para Fins (Agropecuários; Silviculturais; Pesqueiras); Fontes de Energia (a partir de Recursos Naturais Renováveis; a partir de Resíduos Silviculturais); Conservação de Energia (a partir de Recursos Naturais Renováveis; a partir de Resíduos Silviculturais); Diagnóstico Energético (Eficientização de Sistemas Energéticos para fins agropecuários); Métodos, Sistemas e Equipamentos da Engenharia de Pesca referentes a (Localização; Captura; Transporte de produtos pesqueiros; Armazenamento de produtos pesqueiros); Tecnologia de Produtos da Pesca (Matérias Primas Pesqueiras; Beneficiamento; Processamento; Conservação); Equipamentos de Conforto do Ambiente Interno para (Animais; Plantas); Transporte (Agrícola; Agroindustrial; Produtos e Insumos Agropecuários; Produtos Florestais; Produtos Fitossanitários; Agrotóxicos); Navegação.
Meio Ambiente: Ecologia; Biodiversidade (Preservação; Manejo); Ecossistemas (das Florestas Nativas; de Biomas; de Reflorestamentos; Florestais); Sistemas e Métodos utilizados em Áreas e Meios Degradados para (Avaliação; Monitoramento; Mitigação; Remediação; Recuperação; Manutenção; Aproveitamento Racional); Sistemas e Métodos utilizados em Ecossistemas e Recursos Naturais Renováveis para (Planejamento; Conservação e Preservação; Manejo; Gestão; Avaliação; Monitoramento; Proteção; Mitigação; Manutenção; Recuperação; Aproveitamento Racional; Desenvolvimento; Proteção); Sistemas e Métodos utilizados em Ecossistemas Florestais e Biomas para (Manejo; Gestão; Avaliação; Monitoramento; Proteção; Mitigação; Manutenção; Recuperação; Aproveitamento Racional; Preservação e Proteção); Meio Ambiente (Avaliação; Planejamento; Zoneamento Sócio-Ambiental; Viabilização Sócio-Ambiental; Plano Diretor Florestal; Conservação; Manejo; Gestão; Preservação e Proteção); Impactos Ambientais (Avaliação; Controle da Poluição Ambiental no Meio Rural; Controle da Poluição em Florestas; Controle da Poluição Ambiental nos Corpos d'Água); Planejamento, Conservação, Manejo e Gestão de Ecossistemas (Aquáticos Continentais; Aquáticos Estuarinos; Aquáticos Costeiros; Aquáticos Oceânicos); Patrimônio Público e Valores Culturais e Sócio-Econômicos Associados à Floresta e Meio Ambiente (Conservação; Proteção); Fitofisionomia Paisagística (Urbana; Rural; Ambiental); Parques e Jardins; Saneamento referente ao Campo de Atuação Profissional Agrossilvipastoril (Tratamento de Resíduos e Efluentes; Aproveitamento de Resíduos e Efluentes; Uso de Resíduos e Efluentes; Reuso de Resíduos e Efluentes; Controle de Vetores).

Administração e Economia: Política e Desenvolvimento Rural (Política Agrícola; Política Agrária; Política Agroindustrial; Política Florestal; Política Pesqueira); Economia; Sócio-Economia; Empreendimentos (Agrossilvipastoris; Agroindustriais); Agronegócio; Gestão Empresarial; Administração (Otimização de Sistemas; Gerenciamento de Projetos; Marketing; Mercado); Crédito Rural; Associativismo; Cooperativismo.
PERFIL PROFISSIONAL DO ENGENHEIRO FLORESTAL

O mercado procura profissionais com perfil adequado às necessidades presentes e projetadas para o futuro próximo. Assim, os Engenheiros Florestais formados pelas escolas nas décadas de 1960 e 1070 tinham um perfil calcado nos sistemas de implantação de florestas homogêneas. Conhecer os métodos de formar mudas, preparo de terreno tanto mecanizado como manual, elaborar projetos, conviver com servidores de limitados conhecimentos operacionais, saber improvisar equipamentos e máquinas eram qualidades altamente desejadas pelos contratantes de profissionais. Nas regiões de florestas nativas era fundamental conhecer inventário florestal, dendrologia e estar preparado para permanecer longos períodos isolado em acampamentos improvisados.

Ao longo da década de 1970 surgiu a tecnologia do esmero de qualidade de implantação florestal, manutenção de bosques, quantificação de volumes comerciais e, na área administrativa eram valorizados os métodos operacionais que garantiam os abastecimentos fabris em quantidade e custos. Iniciou-se uma geração de Engenheiros Florestais com perfil ambientalista que por sua vez foi se moldando a constantes novos conceitos e conhecimentos. As florestas de cunho social passaram a serem estudadas e seus serviços requisitavam técnicos especialistas. Os conhecimentos em melhoramento florestal tinham especial atenção por parte dos investidores na atividade florestal. A partir da década de 1980 as florestas nativas passaram a ser administradas e avaliadas por profissionais que tinham grande conhecimento em técnicas de manejo florestal, serviços de inventário florestal, elaboração e administração de planos de manejo sustentados. Passou-se a cuidar de restauração e recuperação de áreas nativas. A partir da década de 1990 as atividades ambientais urbanas, atividades desenvolvidas por organizações ambientalistas, clonagem, produção de florestas em sistemas de cultivo mínimo, sofisticação na mecanização da colheita e transporte passaram a ter relevância no preparo profissional dos Engenheiros Florestais. Nos últimos anos especial destaque tem-se dado aos sistemas de geoprocessamento, obtenção e uso de dados florestais e ambientais além de envolvimento com os aspectos sociais das florestas tanto de produção como de conservação.

Quais serão os profissionais solicitados para o futuro próximo? Seguramente aqueles que tiverem boa formação nas atividades florestais de cunho social, informação geográfica, colheita, industrialização e extensão florestal. Haverá respeitável crescimento nos sistemas de produção de florestas de pequenas dimensões permitindo que muitos profissionais passem a ser produtores de florestas, implantando e manejando bosques de sua propriedade. O cooperativismo florestal seguramente terá um crescimento significativo necessitando de profissionais hábeis nas negociações entre produtores e consumidores de matéria prima. O estabelecimento de profissionais hábeis na prestação de serviços florestais também irá crescer visto que até hoje este é um setor desenvolvido por empreendedores práticos e vocacionados, contudo carentes de conhecimentos técnicos desejáveis neste tipo de atividade.

O manejo de ambientes naturais ainda pouco conhecidos como a própria floresta amazônica, a caatinga, os biomas costeiros, remanescentes da mata atlântica e o cerrado com fins alimentares, fármacos e artesanais também terá forte incremento nas oportunidades profissionais do futuro próximo. Os serviços de floresta urbana serão procurados pela sociedade e administradores públicos, além das oportunidades ambientais como MDL, fixação de carbono, zelo pelo solo e água, maciços investimentos sociais em educação ambiental e empreendedorismo em atividades, produtos e benefícios de origem florestal.

Em um país com dimensões continentais como o nosso, apresentando tantas vantagens ambientais para a produção de florestas com fins comerciais de altíssima qualidade e produtividade, além de termos ainda quase a metade de nossa superfície coberta por florestas e formações nativas detentoras de muitos produtos cada vez mais valorizados, reconhecidos e procurados pelo mercado internacional, as oportunidades profissionais para os Engenheiros Florestais são inúmeras. Há necessidade de preparo profissional específico para cada área e região com oportunidades florestais e ambientais específicas. Quais são estas áreas e regiões? Seguramente, cada uma das 49 ecorregiões oficiais que compõem o mapa fitogeográfico do país, cada um dos programas de expansão de empreendimentos florestais, cada um dos tópicos do PNF (Programa Nacional de Floretas), dos programas florestais de governos estaduais, cada uma das mais de 50 regiões metropolitanas, a geração de serviços referentes aos mecanismos de contenção de poluição e mitigação de dano ambiental da água e do ar.



FONTES CONSULTADAS:

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* CARLOS ADOLFO BANTEL, Engenheiro Florestal e de Segurança do Trabalho, Técnico Agrícola, Msc em Agronomia, Voluntário Mestre da FCA/UNESP.

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