13ª Mostra da Produção Universitária



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13ª Mostra da Produção Universitária

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Rio Grande/RS, Brasil, 14 a 17 de outubro de 2014.


ENTRE A PEQUENA E A BREVE HISTÓRIA DA LITERATURA: DE RONALD DE CARVALHO A ERICO VERISSIMO

ROIG, José Antonio Klaes Roig (autor)

SOUZA, Raquel Rolando (orientador)

joseroig7@hotmail.com
Evento: Encontro de Pós-Graduação

Área do conhecimento: Linguística, Letras e Artes
Palavras-chave: História, Literatura, Crítica
1 INTRODUÇÃO
O presente texto busca apresentar o livro Breve História da Literatura Brasileira (1945), de autoria de Erico Veríssimo, suas influências e distinções com a obra de Ronald Carvalho, Pequena História da Literatura Brasileira (1919), ambas as obras elaboradas a partir de escolhas de dois escritores e historiadores da literatura nacional, que propõem visões literárias, com enfoque sociológico, em textos significativos para a identidade nacional, debruçando-se mais no conteúdo e suas repercussões histórico-sociais do que em seus autores. Traz como proposta análise teórico-literária com base nas teorias da história da literatura, em especial, de David Perkins e Hans Robert Jauss. E tem como hipótese mostrar visão histórica peculiar, em que a literatura procura explicar a história nacional, deixando nas próprias entrelinhas de suas históriografias literárias pistas do perfil da chamada “alma brasileira”, que encontra eco ainda na contemporaneidade.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
Para Martius apud Zilberman (1987), a narrativa de uma história da literatura deveria estimular o interesse do leitor, dentro de uma concepção nacionalista, e não ser apenas um catálogo de livros, autores e datas. Nesse ponto, tanto Ronald de Carvalho como Erico Veríssimo, seguiram essa lição, tornando justamente suas análises o diferencial de outras, até aquele momento. Segundo PERKINS, “a função da narrativa em história da literatura é a explanação” (p. 22) e “o mesmo acontecimento pode ser visto tanto como ascensão quanto como queda, dependendo da perspectiva do historiador literário” (p. 14).. Nesse ponto, tanto Carvalho como Veríssimo tiveram pontos de vista similares. Se para Iser apud Perkins, “uma narrativa de sucesso ativa a atenção e a imaginação através de lacunas ou 'partes não escritas', as quais o leitor deve completar conjeturando, sendo ele mesmo criativo” (p. 24); em se tratando de narrativas histórico-literárias, a explicação proposta pelo autor, deverá, na opinião de Perkins, “deixar a imaginação do leitor com uma menor esfera de ação”. Por esse motivo, ele conclui que a narrativa histórica literária não pode usar técnicas da ficção moderna e pós-moderna (p. 25), por serem estas o oposto das narrativas convencionais, lineares e fechadas. Portanto, toda a narrativa histórica ou histórica literária é uma forma de entender e explicar o passado, descrevendo os fatos considerados pelo narrador como os mais significantes e propondo ao leitor o real significado.

3 MATERIAIS E MÉTODOS (ou PROCEDIMENTO METODOLÓGICO)
O ensaio propõe análise crítico-literária dos livros acima mencionados. O texto está dividido em duas partes: Histórias da Literatura: Diversidade e Unidade; Entre a Breve e a Pequena História da Literatura Brasileira: influências e distinções, mais considerações finais. A partir de pesquisa bibliográfica, na primeira parte, há a análise literária dos referidos livros e, na segunda, ocorre a análise crítica.
4 RESULTADOS e DISCUSSÃO
Ao analisar as histórias da literatura de Ronald de Carvalho e de Erico Veríssimo, foi possível reconhecer em seus relatos, algumas das características da sociedade atual, a partir da produção dos escritores mais destacados da literatura nacional, que deram voz a personagens e situações onde a história oficial preferiu silenciar. Escritas, há quase um século e mais de meio século, respectivamente, a Pequena e a Breve História da Literatura Brasileira têm em comum, além da busca pela identidade nacional através da literatura; a visão ingênua de seus autores, talvez influenciados pelo tempo em que escreveram suas obras, em um período de construções discursivas vinculadas à visão positivista e humanista de pensar e escrever de instituições de caráter histórico-literário.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Homens de seu tempo, com sólidas amizades nos círculos histórico-literários, o que os distingue como historiadores literários é o fato de que Carvalho tinha uma visão refratária ao estrangeiro, buscando uma identidade genuinamente nacional, enquanto Veríssimo procurou apresentar visão mais crítica de nossa história e literatura ao exterior, e, em especial, aos norte-americanos, quando lá residia e proferia aulas e conferências.
REFERÊNCIAS
CARVALHO, Ronald de. Pequena História da Literatura Brasileira. 6ª ed. Rio de Janeiro: F. Briguet & C., Editores, 1937.
JAUSS, Hans Robert. A História da Literatura como Provocação à Teoria Literária. São Paulo: Ática, 1994.
PERKINS, David. História Narrativa da Literatura. In: História da Literatura e Narração. Porto Alegre: Centro de Pesquisas Literárias PUCRS (Série Traduções), [s.a.].
VERISSIMO, Erico. Breve História da Literatura Brasileira. (tradução Maria da Glória Bordini). Porto Alegre: Ed. Globo, 1995.
ZILBERMAN, Regina. Romance histórico, história romanceada. In: AGUIAR, Flávio e alii (orgs.) Gêneros de fronteira: cruzamentos entre o histórico e o literário. São Paulo: Xamã, 1987, p. 179-192.



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