2004 editora best seller título original: When Time Began Copyright 1993 by Zecharia Sitchin Sumário



Baixar 0.87 Mb.
Página1/14
Encontro30.12.2018
Tamanho0.87 Mb.
  1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   14


Zecharia Sitchin
O Começo do Tempo

TRADUÇÃO

Luís Fernando Martins Esteves

2004

EDITORA BEST SELLER

Título original: When Time Began

Copyright 1993 by Zecharia Sitchin

Sumário
Prefácio 7 

1 Os ciclos do tempo 8 

2 Um computador feito de pedra 34 

3 Os templos que olhavam para o céu 58 

4 Dur.an.ki - a "ligação Céu-Terra" 87 

5 Guardiões de Segredos 116 

6 Os arquitetos divinos 147 

7 Um Stonehenge no Eufrates 177 

8 Histórias do calendário 205 

9 Onde o sol também nasce 230 

10 Nas pegadas deles 262 

11 Exílios numa Terra em mudança 298 

12 A Era do Carneiro 323 

13 Conseqüências 355



Prefácio
Desde os tempos antigos, os terráqueos têm erguido seus olhos para o céu. Intimidados e ao mesmo tempo fascinados, eles aprenderam os Caminhos do Céu: as posições das estrelas, os ciclos da Lua e do Sol, a rotação de uma Terra inclinada. Como tudo isso começou, como isso irá terminar - e o que irá acontecer no meio?

O Céu e a Terra se encontram no horizonte. Por milênios os terráqueos olharam as estrelas da noite dar lugar aos raios de Sol naquele lugar de encontro, e escolheram como um ponto de referência o momento em que o dia e a noite tinham a mesma duração, o dia do equinócio. O homem, auxiliado pelo calendário, tem contado o tempo terrestre a partir desse ponto.

Para identificar os céus estrelados, os firmamentos foram divididos em doze partes, as doze casas do zodíaco. Mas conforme o milênio se passou as "estrelas fixas" não pareciam fixas de forma alguma, e o dia do equinócio, o dia do Ano Novo, parecia ter passado de uma casa zodiacal para outra; e ao tempo terrestre foi adicionado o tempo celeste - o começo de uma Nova Era.

À medida que chegamos ao limiar de uma Nova Era, quando o nascer do sol do dia do equinócio de primavera irá ocorrer na casa zodiacal de Aquário, em vez de fazê-lo na casa zodiacal de Peixes, como ocorreu nos 2.000 últimos anos, muitos se perguntam o que a mudança irá anunciar: bem ou mal, um novo começo ou um fim - ou nenhuma mudança?

Para entender o futuro devemos examinar o passado; porque desde que a raça humana começou a contar o tempo terrestre, ela já experimentou a medida do tempo celeste - a chegada de Novas Eras. O que precedeu uma Nova Era e o que a ela sucedeu guardam grandes lições para nossa própria situação atual no curso do tempo.
1

Os Ciclos do Tempo
Conta-se que perguntaram a santo Agostinho, bispo da Cartago romana (354-430 d.C.), o maior pensador da Igreja Cristã nos primeiros séculos e responsável por fundir a religião do Novo Testamento com a tradição platônica da filosofia grega: "O que é o tempo?" Sua resposta foi: "Se ninguém me perguntar, sei o que é; se eu quiser explicar o que é a quem pergunta, não sei mais".

O tempo é essencial à Terra e a tudo o que está sobre ela, assim como o é a cada um de nós como indivíduos; pois, como sabemos por meio de nossa própria experiência e observações, o que nos separa do momento em que nascemos e do momento em que paramos de viver é o TEMPO.

Embora não saibamos o que é o Tempo, encontramos formas de medi-lo. Contamos nosso tempo de vida em anos, o que - se pensarmos bem - não deixa de ser outra forma de dizer "órbitas", pois isso é o que significa um "ano" na Terra: o tempo que nosso planeta demora para completar uma órbita ao redor de nossa estrela, o Sol. Não sabemos o que é o tempo, mas a forma como o medimos nos faz pensar: viveríamos mais se nosso ciclo de vida fosse diferente, se morássemos em outro planeta cujo "ano" fosse mais longo? Seríamos "imortais" se vivêssemos num "planeta de milhões de anos" - como, na verdade, os faraós egípcios acreditavam que seria, num pós-vida eterno, uma vez que se juntassem aos deuses nesse "planeta de milhões de anos"?

Na verdade, existem outros planetas "lá fora" e, mais que isso, planetas em cuja superfície a vida conforme a conhecemos pode ter se desenvolvido. Seria nosso sistema planetário único, a vida na Terra também única, ficando a humanidade sozinha, ou os faraós sabiam do que falavam em seus Textos das Pirâmides?

"Olha para o alto e conta as estrelas", disse Iavé para Abraão quando fizeram a aliança. O homem tem olhado para o céu desde tempos imemoriais perguntando-se se existem outros como nós no espaço, em outras terras. A lógica e a probabilidade matemática determinam uma resposta afirmativa; porém foi somente em 1991 que os astrônomos, pela primeira vez, conforme destacado, encontraram outros planetas orbitando outros sóis pelo universo.

A primeira descoberta, em julho de 1991, revelou não ser totalmente correta. Foi um anúncio feito por um grupo de astrônomos ingleses com base num período de observações de cinco anos, que os levou a concluir que uma estrela de rápida rotação, chamada Pulsar 1829-10, possuía um "companheiro do tamanho de um planeta", cerca de dez vezes o tamanho da Terra. Os pulsares são tidos como centros de estrelas extraordinariamente densas, que por um motivo ou outro regrediram. Girando muito rápido, eles emitem pulsos de rádio em fluxos regulares, muitas vezes por segundo. Tais pulsos podem ser monitorados por radiotelescópios; ao detectar uma flutuação cíclica, os astrônomos supuseram que um planeta orbitando a Pulsar 1829-10 uma vez a cada seis meses poderia explicar essas flutuações.

Vários meses depois, os astrônomos ingleses admitiram que seus cálculos tinham sido imprecisos e portanto não poderiam apoiar sua conclusão de que um pulsar, a 30.000 anos-luz de distância, possuísse um satélite planetário. A essa altura, entretanto, um grupo americano havia feito uma descoberta similar em relação a um pulsar bem mais próximo, identificado como PSR 1257 + 12 - um sol decaído a apenas 1.300 anos-luz de nós. Ele explodiu, de acordo com as estimativas dos astrônomos, há apenas um bilhão de anos; definitivamente possuía dois, talvez três planetas orbitando ao redor. Os dois planetas tidos como certos orbitam a uma distância equivalente a Mercúrio de nosso Sol, enquanto o terceiro possível orbita a uma distância como a da nossa Terra para o Sol.

"A descoberta despertou a especulação de que os sistemas planetários fossem não apenas relativamente comuns mas que também pudessem ocorrer sob diversas circunstâncias", escreveu John Noble Wilford no New York Times de 9 de janeiro de 1992. "Cientistas declaram que seria altamente improvável que planetas orbitando pulsares pudessem ser favoráveis à vida; porém as descobertas encorajaram os astrônomos, que neste outono irão começar uma varredura sistemática dos céus para descobrir sinais de inteligência extraterrestre”.

Os faraós, então, tinham razão?

Bem antes dos faraós e dos Textos das Pirâmides, uma civilização antiga - a primeira conhecida pelo homem - possuía uma cosmogonia avançada. Seis mil anos atrás, na antiga Suméria, o que os astrônomos descobriram em 1990 já era conhecido; não apenas a verdadeira natureza e composição de nosso sistema solar (incluindo os planetas mais distantes), porém também a noção de que existem outros sistemas solares no universo, que suas estrelas ("sóis") podem implodir ou explodir, que seus planetas podem ser tirados de órbita - que a vida, na verdade, pode assim ser carregada de um sistema estelar para outro. Era uma cosmogonia detalhada colocada por escrito.

Um texto longo escrito em sete tábuas, nos alcançou principalmente em sua posterior versão babilônica. Chamado de a Epopéia da Criação e conhecido por suas palavras iniciais, Enuma Elish, era lido publicamente durante as festividades do Ano Novo, que se iniciavam no primeiro dia do mês de Nissan, o qual coincidia com o primeiro dia da primavera.

Esboçando o processo pelo qual nosso próprio Sistema Solar começou a existir, o longo texto descreve como o Sol ("Apsu") e seu mensageiro ("Mummu") foram primeiro encontrados por um planeta antigo chamado Tiamat; como o par de planetas Vênus e Marte ("Lahamu e Lahmu") aglutinados entre o Sol e Tiamat, seguidos por outro par, além de Tiamat - Júpiter e Saturno ("Kishar" e "Anshar") e Urano e Netuno ("Anu" e "Nudimud"), os dois que permaneceram desconhecidos da astronomia moderna até 1781 e 1846 respectivamente - foram descritos pelos sumérios milênios atrás. Enquanto aqueles recém-criados "deuses celestes" empurravam e puxavam uns aos outros, alguns desenvolveram satélites - luas. Tiamat, no meio daquela instável família planetária, desenvolveu onze deles, sendo que um, "Kingu", ficou tão grande que começou a assumir os aspectos de um "deus celeste", um planeta por si. Astrônomos modernos permaneceram totalmente ignorantes quanto à possibilidade de um planeta possuir várias luas até que Galileu descobriu as quatro maiores luas de Júpiter, em 1609, com a ajuda do telescópio; contudo, os sumérios estavam conscientes do fenômeno milênios antes.



Naquele instável sistema solar, de acordo com a milenar Epopéia da Criação, pareceu surgir um invasor do espaço exterior: outro planeta. Um planeta que não nasceu com a família de Apsu, mas que pertencera à família de alguma outra estrela e fora atirado para o espaço. Milênios antes dos modernos astrônomos descobrirem pulsares e estrelas que implodiam, a cosmogonia suméria já falava de outros sistemas planetários e de estrelas que implodiam ou explodiam, e expulsavam seus planetas. Assim, o Enuma Elish relata que um desses planetas atingiu os limites de nosso Sistema Solar e começou a ser atraído para o centro.

À medida que passava por outros planetas, provocou mudanças responsáveis por vários enigmas que ainda espantam a astronomia moderna - tal como a causa para a inclinação do eixo de Urano para um dos lados, ou a órbita retrógrada de Tritão, a maior lua de Netuno, ou o que colocou Plutão para fora de sua órbita como satélite, transformando-o num planeta com uma órbita estranha. Quanto mais o invasor era atraído para o centro do Sistema Solar, mais ele era forçado a um curso de colisão com Tiamat, resultando numa "Batalha Celeste". Na série de colisões, com os satélites do invasor chocando-se repetidamente com Tiamat, o planeta mais velho foi partido em dois. Uma das metades foi transformada numa nuvem de pedaços pequenos e tornou-se o Cinturão de Asteróides (entre Marte e Júpiter), dando origem a vários cometas; a outra metade, quase intacta, foi atirada a uma nova órbita e transformou-se no planeta que chamamos de Terra ("Ki", em sumério), capturando em sua órbita o maior satélite de Tiamat, que se tornou nossa Lua. O próprio invasor foi capturado em órbita permanente ao redor do Sol, passando a ser o décimo segundo membro de nosso Sistema Solar (Sol, Lua e dez planetas). Os sumérios o chamaram de Nibiru­ - "Planeta da Travessia". Os babilônios o rebatizaram de Marduk em honra a seu deus nacional. Foi durante a Batalha Celeste, esse antigo épico, que a "semente da vida", trazida de outro lugar por Nibiru, foi passada à Terra.














Filósofos e cientistas, contemplando o universo e oferecendo cosmogonias modernas, invariavelmente terminam discutindo o Tempo. Seria o Tempo uma dimensão em si mesmo, ou talvez a única dimensão verdadeira neste universo? Será que o Tempo só flui para a frente, ou pode correr para trás? O presente é uma parte do passado ou seria o começo do futuro? Além disso, o Tempo teve começo? Se assim foi, terá um fim? Se o universo sempre existiu, sem começo e portanto sem fim, seria o Tempo também sem começo nem fim - ou o universo teria tido um começo, talvez com o Big Bang propagado por tantos astrofísicos, caso no qual o Tempo teria começado quando o universo começou?

Aqueles que conceberam a cosmogonia dos sumérios, impressionantemente precisa, também acreditavam num Princípio (o que inexoravelmente leva a um Fim). Fica claro que conceberam 12 o Tempo como medida, o que estabelece o ritmo de uma saga celeste e o define como o marcador dela; pois a primeira palavra da antiga Epopéia da Criação, Enuma, significa Quando:


Enuma elish la nabu shamamu

Quando nas alturas o céu ainda não recebera um nome

Shaplitu amatum shuma la zacrat

E abaixo, a terra firme ainda não fora chamada


Devem ter sido necessárias grandes mentes científicas para conceber uma fase primordial em que "nada existia a não ser o Apsu primordial, o progenitor deles; Mummu e Tiamat" - quando a Terra ainda não existia; e para compreender que para a Terra e tudo sobre ela o "Big Bang" não aconteceu quando o universo ou mesmo o Sistema Solar foram criados, mas sim quando ocorreu o evento da Batalha Celeste. Foi então, naquele momento, que o Tempo começou para a Terra. No instante em que, separada da metade de Tiamat que se tornou o Cinturão de Asteróides ("céu"), a Terra foi atirada a sua nova órbita e pôde começar a contar os anos, os meses, os dias e as noites - para medir o Tempo.

Essa visão científica, central para a cosmogonia, religião e matemática antigas, foi expressa em muitos outros textos sumérios além da Epopéia da Criação. Um texto tratado pelos estudiosos como o "mito" de "Enki e a ordem do mundo", mas que é literalmente uma história autobiográfica de Enki, o deus sumério das ciências, descreve o momento quando o Tempo começa a contar para a Terra:


Nos dias de antanho,

quando o céu estava separado da Terra,

Nas noites de antanho,

quando o céu estava separado da Terra...


Outro texto, em palavras muitas vezes repetidas nas tábuas de argila sumérias, trazia a noção do início ao listar os muitos aspectos da evolução e civilização que ainda não haviam começado a existir antes do evento crucial. Antes disso, afirmava o texto, "o nome do Homem não fora chamado" e "coisas necessárias ainda não tinham sido trazidas para a existência". Todos esses fatos começaram a acontecer apenas "depois que o céu se afastou da Terra, depois que a Terra se separou do céu".

Não é surpresa que as mesmas noções sobre o início do tempo também orientassem as crenças egípcias, cujo desenvolvimento ocorreu depois dos sumérios. Lemos nos Textos da Pirâmide (§ 1466) as seguintes descrições do Início das Coisas:


Quando o céu ainda não entrara em existência,

Quando o homem ainda não entrara em existência,

Quando os deuses ainda não haviam nascido,

Quando a morte ainda não chegara à existência...


Essa sabedoria, universal em antiguidade e que deriva da cosmogonia suméria, ecoou no primeiro verso do Gênesis, o primeiro livro da Bíblia Hebraica:
No princípio

Criou Elohim o céu e a terra

E a terra estava sem forma e vazia

E as trevas cobriam a face de Tehom,

E o vento do Senhor pairava sobre as águas
Hoje está bem estabelecido que essa história bíblica da criação foi baseada nos textos mesopotâmicos, como o Enuma Elish, com Tehom significando Tiamat, o "vento" significando satélites em sumério, e o "céu" descrito como "Pulseira Feita a Martelo", o Cinturão de Asteróides. A Bíblia, entretanto, é mais clara em relação ao momento do Princípio no que se refere à Terra; a versão bíblica se utiliza da cosmogonia mesopotâmica apenas do ponto de vista da separação da Terra do Shama'im, a "Pulseira Feita a Martelo", como resultado da quebra de Tiamat.

Para a Terra, o Tempo começou com a Batalha Celeste.


A história mesopotâmica da criação se inicia com a formação de nosso Sistema Solar e o surgimento de Nibiru/Marduk numa época em que as órbitas planetárias ainda não estavam fixas ou estáveis. Termina atribuindo a Nibiru/Marduk a forma atual de nosso Sistema Solar, onde cada planeta ("deus celeste") recebe seu lugar definido ("estação"), caminho orbital ("destino") e rotação, até mesmo suas luas. Na verdade, como um grande planeta cuja órbita percorre a de todos os outros planetas, que "atravessa o céu e vigia as regiões", era considerado aquele que tinha estabilizado o Sistema Solar:
Ele estabeleceu a estação de Nibiru,

para determinar suas faixas celestes,

que ninguém poderia atravessar ou não obedecer...
Ele estabeleceu para os planetas seus

céus sagrados,

Ele detém os caminhos,

determina seus cursos.


Assim afirma o Enuma Elish (Tábua V, linha 65): "Ele criou o Céu e a Terra" - exatamente as mesmas palavras usadas no Livro do Gênesis.

A Batalha Celeste eliminou Tiamat como membro do antigo Sistema Solar, atirou metade dele numa nova órbita para que viesse a se tornar o planeta Terra, reteve a Lua como componente essencial do novo Sistema Solar, colocou Plutão numa órbita independente e acrescentou Nibiru como o décimo segundo membro da Nova Ordem em nossos céus. Para a Terra e seus habitantes, foram esses os elementos que determinaram o Tempo.

Até hoje, o papel-chave que o número doze desempenha na ciência suméria e na vida diária (alinhada com o Sistema Solar de doze membros) nos tem acompanhado ao longo de milênios. Dividiram o "dia" (de pôr-do-sol a pôr-do-sol) em doze "horas duplas", cuja expressão persiste até nossos dias com o mostrador de doze horas e o dia de 24. Os doze meses do ano ainda estão conosco, assim como os signos do zodíaco. Esse número celeste possui muitas outras expressões, como as doze tribos de Israel ou os doze apóstolos de Jesus.

O sistema matemático sumério é chamado de sexagesimal, quer dizer, com "base 60", ao invés de 100, como no sistema métrico (no qual um metro é igual a 100 centímetros). Entre as vantagens do sistema sexagesimal estava sua divisibilidade por 12. O sistema sexagesimal progredia multiplicando-se alternadamente seis e dez: começando com 6, multiplicando por 10 (6 x 10 = 60), depois por seis, para obter 360 - o número aplicado pelos sumérios ao círculo e ainda utilizado, tanto em geometria quanto em astronomia. Por sua vez, esse número era multiplicado por dez, para obter o sar ("chefe", "senhor"), o número 3 600, que era escrito traçando-se um grande círculo, e assim por diante.

O sar, 3.600 anos terrestres, era o período orbital de Nibiru ao redor do Sol; para todos em Nibiru tratava-se simplesmente de mais um ano-Nibiru. Segundo os sumérios, havia outros seres inteligentes em Nibiru, bem mais desenvolvidos do que os hominídeos na Terra. Os sumérios os chamavam de anunaques, significando literalmente: "Aqueles que do Céu para a Terra vieram". Os textos sumérios afirmam repetidamente que os anunaques vieram de Nibiru para a Terra na remota Antiguidade; quando vieram, não contaram o tempo usando termos terrestres, e sim a órbita de Nibiru. A unidade do Tempo Divino, um ano dos deuses, era o sar. 

Textos conhecidos como a Lista dos Reis Sumérios, descrevendo os primeiros acampamentos dos anunaques na Terra, listam os governos dos dez primeiros líderes anunaques antes do Dilúvio em sars, os ciclos terrestres de 3.600 anos. Desde a primeira aterrissagem até o Dilúvio, segundo aquele texto, 120 sars se passaram: Nibiru orbitou o Sol 120 vezes, o que perfaz 432.000 anos terrestres. E na centésima vigésima primeira órbita o impulso gravitacional de Nibiru foi tanto que a calota polar acumulada sobre a Antártida deslizou para os mares do sul, criando uma onda enorme que varreu a Terra - a Grande Enchente ou Dilúvio, registrada na Bíblia a partir das fontes anteriores e mais detalhadas dos sumérios.

As lendas e o folclore antigo conferem a esse número, 432.000, um significado cíclico além da terra que era chamada Suméria. No Moinho de Hamlet, Giorgio de Santillana e Hertha Von Dechend, procurando "um ponto em que os mitos e a ciência se encontram", concluíram que 432.000 era um número de significado para os antigos. "Entre os exemplos citados por eles estava a lenda nórdica do Valhala, o local mítico de descanso dos guerreiros mortos em batalha, que no Dia do Julgamento irão passar pelos portões do Valhala para lutar ao lado do deus Odin ou Woden, contra os gigantes. Eles sairiam pelos 540 portões do Valhala, oitocentos guerreiros de cada um. O número total de guerreiros-heróis, dessa forma, seria 432.000, ressaltam Santillana e Von Dechend. Esse número deve ter tido um significado muito antigo, pois também é o número de sílabas no Rig Veda, o Livro Sagrado de Versos, escrito em sânscrito, no qual se encontram as sagas de deuses e heróis indo-europeus. Quatrocentos e trinta e dois mil, escrevem os autores, remete ao número básico 10.800, o número de estrofes no Rig Veda, com 40 sílabas por estrofe (10.800 x 40 = 432.000)”.

A tradição hindu claramente associa o número 432.000 com as iugas ou eras que a Terra e a humanidade experimentaram. Cada catur-iuga ("grande iuga") foi dividida em quatro iugas ou eras, cujas durações decrescentes eram expressões de 432.000: primeiro a Era Quádrupla (4 x 432.000 = 1.728.000 anos), que corresponde à Idade de Ouro, depois a Era Tríplice da Sabedoria (3 x 432.000 = 1.296.000 anos), seguida pela Era Dupla do Sacrifício (2 x 432.000 = 864.000 anos); finalmente nossa era atual, a Era da Discórdia, que deverá durar apenas 432.000 anos. Todas essas tradições hindus prognosticam dez éons, num paralelo com os dez líderes sumérios antediluvianos, mas expandindo o tempo até 4.320.000 anos.

Ainda mais expandidos, tais números astronômicos baseados no número 432.000 foram aplicados à religião hindu e às tradições do kalpa, o "Dia do Senhor Brahma". Foi definido que um éon compreende doze milhões de devas (Anos Divinos). Cada Ano Divino por sua vez compreende 360 anos terrestres. Portanto, um "Dia do Senhor Brahma" equivaleria a 4.320.000.000 anos terrestres - um período de tempo bem semelhante ao que os modernos estimam como a imagem de nosso Sistema Solar ­ calculado por multiplicações de 360 e 12.

A cifra 4.320.000.000, entretanto, é um milhar de grandes iugas - um fato descoberto no século XI pelo matemático árabe Abu Rayhan al-Biruni, que explicou que os kalpa consistiam em 1.000 ciclos de catur-iugas. Assim, poderíamos parafrasear os matemáticos do calendário celeste hindu afirmando que aos olhos do Senhor Brahma mil ciclos eram apenas um único dia. Isso traz à lembrança a enigmática afirmação em Salmos (89:4) em relação ao Dia Divino do Deus bíblico:


Porque mil anos, aos teus olhos,

São como o dia de ontem, que passou.


Essa afirmação tradicionalmente tem sido encarada apenas como um simbolismo da eternidade do Senhor. Porém em vista dos numerosos traços de dados sumérios no Livro dos Salmos (assim como em outras partes da Bíblia Hebraica), uma fórmula matemática precisa pode ter sido intencional - uma fórmula também mencionada na tradição hindu.

As tradições hindus foram trazidas para o subcontinente Índico pelos emigrantes "arianos" das praias do mar Cáspio, primos dos indo-europeus que eram os hititas da Ásia Menor (Turquia atual) e dos assírios das cabeceiras do rio Eufrates, por meio dos quais a sabedoria e as crenças sumérias foram transmitidas aos indo-europeus. Acredita-se que as migrações arianas devem ter ocorrido no segundo milênio a.C. e os Vedas foram tidos como "de origem não humana", tendo sido elaborados pelos próprios deuses numa era anterior. Com o tempo, vários componentes dos Vedas e a literatura auxiliar que deriva deles (os Mantras, Brahmanas etc.) foram ampliados pelos Puranas não-védicos ("Escritos Antigos") e pelos grandes relatos épicos do Mahabharata e do Ramayana. Neles, as eras que derivam de múltiplos de 3.600 também predominam; assim, de acordo com o Vishnu Purana, o "dia em que Krishna partirá da Terra será o primeiro dia da Era de Kali; continuará por 360.000 anos dos mortais". Esta é uma referência ao conceito de que a Kali-iuga, a era atual, é dividida em alvorada ou "crepúsculo matutino" de 100 anos divinos que perfazem 36.000 anos terrestres ou "mortais", a idade em si (1.000 anos divinos, iguais a 360.000 anos terrestres), e um "crepúsculo vespertino" dos 100 anos divinos finais (36.000 anos terrestres), perfazendo 1.200 anos divinos ou 432.000 anos terrestres.

A profundidade da crença disseminada num ciclo divino de 432.000 anos, equivalentes a 120 órbitas de 3.600 anos terrestres cada uma em Nibiru, nos faz pensar se representam meros truques aritméticos, ou, de alguma forma desconhecida, um fenômeno natural ou básico astronômico reconhecido na Antiguidade pelos anunaques. Mostramos em O 12º. Planeta, o primeiro livro da série Crônicas da Terra, que o Dilúvio foi uma calamidade global antecipada pelos anunaques, resultando do impulso gravitacional da aproximação de Nibiru sobre a calota instável da Antártida. O evento trouxe um final à última era glacial por volta de 13.000 anos atrás, e assim foi gravado nos ciclos terrestres como uma importante mudança climática e geológica.

Tais mudanças, dentre as quais as mais longas teriam sido as eras geológicas, foram verificadas por meio de estudos da superfície terrestre e de sedimentos do solo oceânico. A última era geológica, chamada Pleistoceno, começou cerca de 2.500.000 anos atrás e terminou na época do Dilúvio; foi o período de tempo durante o qual os hominídeos se desenvolveram, os anunaques chegaram à Terra e o homem, Homo sapiens, foi trazido à existência. E durante o Pleistoceno um ciclo de aproximadamente 430.000 anos foi identificado em sedimentos marinhos. Segundo uma série de estudos realizados por grupos de geólogos liderados por Madeleine Briskin, da Universidade de Cincinnati, mudanças no nível do mar e registros climáticos de alto-mar mostram uma "ciclicidade quase periódica de 430.000 anos". Tal periodicidade cíclica está de acordo com a teoria astronômica de modulações climáticas que leva em conta mudanças devido à obliqüidade (a inclinação da Terra), a precessão (o pequeno retardo orbital) e a excentricidade (forma da órbita elíptica). Milutin Milankovich, que esboçou a teoria na década de 20, estimou que a grande periodicidade resultante era de 413.000 anos. Tanto ele quanto o ciclo mais recente proposto por Briskin encaixam-se quase perfeitamente no ciclo sumério de 432.000 anos terrestres atribuídos aos efeitos de Nibiru: a convergência de órbitas, perturbações e ciclos climáticos.


O "mito" das Eras Divinas parece ser apoiado por fatos científicos.

O elemento Tempo apresentado nos antigos registros, tanto sumérios quanto bíblicos, não se limita a um ponto de partida - quando O processo da criação está ligado ao ato de medir o tempo, cuja medição, por sua vez, é ligada a determinados movimentos celestes. A destruição de Tiamat e a subseqüente criação do Cinturão de Asteróides e da Terra exigiam, segundo a versão mesopotâmica, duas órbitas do Senhor Celeste (o invasor Nibiru/Marduk). Na versão bíblica, foram necessários dois dias "divinos" para completar a tarefa; esperamos que até mesmo os fundamentalistas concordem agora que os dias não foram dias comuns como os conhecemos agora, já que os dois "dias" ocorreram antes mesmo da existência da Terra (além disso, deixemos que eles considerem a afirmação do salmista que o dia do Senhor é igual a aproximadamente mil anos). A versão mesopotâmica claramente mede o Tempo da Criação ou Tempo Divino pelas passagens de Nibiru, numa órbita equivalente a 3.600 anos terrestres.

Antes de essa antiga história da Criação se voltar para a recém-formada Terra e para a evolução nesta, ela é uma história de estrelas, planetas, órbitas celestes; e o tempo mencionado é o Tempo Divino. Porém, uma vez que o foco se volta para a Terra e para o homem nela, a escala de Tempo também muda - para um Tempo Terrestre - para uma escala apropriada não apenas para o lar do homem, mas para uma que a humanidade pudesse entender e medir: Dia, Mês e Ano.
Ao considerar esses elementos familiares do Tempo Terrestre, devemos ter em mente que todos os três são expressões de movimentos celestes - cíclicos - envolvendo uma correlação complexa entre a Terra, a Lua e o Sol. Agora sabemos que a seqüência diária de luz e escuridão, à qual chamamos de Dia (de 24 horas), resulta do fato de que a Terra gira sobre seu eixo; assim, enquanto um dos lados está iluminado, o outro está em escuridão. Agora sabemos que a Lua está sempre lá, mesmo quando não a vemos, e que diminui e aumenta não porque desapareça, mas porque, dependendo das posições Terra-Sol-Lua, enxergamos a Lua completamente iluminada ou obscurecida pela sombra da Terra, com todas as fases intermediárias. Nesse relacionamento triplo que estende o período orbital da Lua ao redor da Terra de cerca de 27,3 dias (o "mês sideral") para o ciclo observado de 29,53 dias (o "mês sinódico") e para o fenômeno do reaparecimento ou Lua Nova, com todas suas implicações em termos de calendário e religiosidade. E o ano ou Ano Solar, agora sabemos, é o período que a Terra demora para completar uma órbita ao redor do Sol, nossa estrela.
Porém tais verdades básicas em relação aos movimentos terrestres que causam os ciclos de dias, meses e anos não são óbvias, e foram necessários determinados avanços científicos para que fossem notados. Durante boa parte de um período de 2.000 anos acreditou-se, por exemplo, que o ciclo dia/noite era causado pelo movimento do Sol ao redor da Terra; desde a época de Ptolomeu de Alexandria (século 11 d.C.) até a "Revolução de Copérnico", em 1543 d.C., a crença inquestionável era a de que todos os corpos celestes giravam em volta da Terra, considerada o centro do universo. A sugestão de Nicolau Copérnico de que o Sol estava no centro e de que a Terra era apenas outro corpo celeste girando ao redor dele, como qualquer outro planeta, foi tão revolucionária em termos científicos e tão herege em termos religiosos que ele adiou a elaboração de seu grande trabalho astronômico (Sobre as Revoluções dos Orbes Celestes) e seus amigos adiaram a impressão até seu último dia de vida, 24 de maio de 1543.

Ainda assim, é evidente que a sabedoria dos sumérios nos primórdios incluía familiaridade com o relacionamento triplo Sol-Terra-Lua. O texto do Enuma Elish descreve as quatro fases da Lua, claramente explicadas em termos de sua posição em relação ao Sol, enquanto o satélite circundava a Terra: uma lua cheia no meio do mês enquanto ela "fica oposta ao Sol" e seu desaparecimento ao final do mês enquanto ela "fica contra o Sol". Esses movimentos eram atribuídos aos destinos (órbitas) que o Senhor Celeste (Nibiru) designou para a Terra e a Lua como resultado da Batalha Celeste:


A Lua ele pôs a brilhar,

Confiando a ela a noite;

Na noite os dias a sinalizar

Ele designou (dizendo):

Mensalmente, sem cessar, forma desenhos com uma coroa.

No começo do mês, erguendo-se sobre a Terra,

Terás chifres luminosos para significar seis dias,

Alcançando um crescente no sétimo.

Ao meio do mês fica ao lado oposto do Sol;

Ele deve te ultrapassar no horizonte.

Depois diminui tua coroa e entrega a luz,

Dessa vez aproxima-te do Sol;

E no trigésimo dia ficarás contra ele.

Indiquei a ti um destino; segue esse caminho.


"Assim o Senhor Celeste mostra os dias e estabelece os padrões da noite e do dia", conclui o texto.

(Vale notar que pela tradição bíblica e hebraica, o dia de 24 horas inicia-se ao pôr-do-sol - "foi a noite e foi a manhã, um dia" -, o que já era expresso nos textos mesopotâmicos. Nas palavras do Enuma Elish, a Lua foi "designada à noite para sinalizar os dias").

Mesmo sendo a versão condensada dos textos mesopotâmicos mais detalhados, a Bíblia (Gênesis 1:14) expressa a tripla relação entre a Terra, a Lua e o Sol, que se aplica aos ciclos do dia, mês e ano:
Deus disse: façam-se uns luzeiros

No firmamento do Céu

Que dividam o dia e a noite

E sirvam de sinais nos tempos

As estações, os dias e os anos.
O termo hebraico Mo'edim usado aqui para "estações" significa a reunião ritual na noite da lua nova, estabelece o período orbital da Lua e suas fases como um componente integral do calendário mesopotâmico-hebraico desde a origem. Ao listar os dois luzeiros (Sol e Lua) responsáveis pelos meses, dias e anos, a natureza complexa da antiguidade do calendário também é apresentada. Ao longo de milênios de esforços da humanidade para medir o tempo utilizando um calendário, alguns (como os muçulmanos até hoje) só seguiram os ciclos lunares; outros (corno os antigos egípcios e os calendários da Era Comum em uso no mundo ocidental) adotaram o ciclo solar, dividido convenientemente em "meses". Porém, o calendário idealizado há cerca de 5 800 anos em Nippur (o centro religioso da Suméria) e ainda usado pelos judeus retém a complexidade afirmada na Bíblia e baseada no relacionamento entre a Terra e seus dois luzeiros. Ao fazer isso, o fato de que a Terra orbita o Sol foi reconhecido pelo termo Shanah para "ano", que deriva do sumério shatu, um ter­ mo astronômico que significa "passar, orbitar", sendo o termo completo Tekufath ha-Shanah, "a órbita circular ou anua!", usado para designar a passagem de um ano completo.

Os estudiosos permanecem intrigados pelo fato de o Zohar (Livro do Esplendor), uma composição em hebraico e aramaico que é o trabalho central na literatura mística judaica conhecida como Cabala, explicar sem nenhuma dúvida - no século XIII da Era Cristã - que a causa da mudança do dia em noite eram as voltas que a Terra faz em torno de seu próprio eixo. Aproximadamente 150 anos antes de Copérnico afirmar que a seqüência dia-noite não resultava de o Sol circular a Terra, mas do girar da Terra em tomo de seu eixo, o Zohar afirmava que "toda a Terra gira, rodando como uma esfera. Quando uma parte está para baixo, outra está para cima. Quando está iluminada uma parte, a outra está escura; quando é dia para eles, para os outros é noite". A fonte do Zohar foi o rabino Hamnuna, do século III!

Embora pouco conhecido, o papel dos sábios judeus ao transmitir conhecimento astronômico para a Europa Cristã na Idade Média foi convincentemente documentado pelos livros sobre astronomia escritos em hebraico e com ilustrações claras. Na verdade, os escritos de Ptolomeu de Alexandria, conhecidos do mundo ocidental como o Almagesto, foram preservados pelos conquistadores árabes do Egito no século VIII e se tornaram disponíveis para os europeus por meio de traduções feitas por sábios judeus; é significativo ver que algumas dessas traduções continham comentários que lançavam dúvidas sobre a precisão das teorias geocêntricas de Ptolomeu séculos antes de Copérnico. Tais traduções de trabalhos árabes e gregos sobre astronomia, assim como tratados independentes, foram a fonte principal para o estudo da astronomia na Europa Medieval. Nos séculos IX e X, astrônomos judeus compuseram tratados sobre os movimentos da Lua e dos planetas, e calcularam as trajetórias do Sol e a posição das constelações. Na verdade, a compilação de tabelas astronômicas, fosse para reis europeus, fosse para califas muçulmanos, era uma especialidade de astrônomos judeus na corte.

Tais conhecimentos avançados, aparentemente à frente de seu tempo, podem ser explicados apenas pela retenção de conhecimentos anteriores e sofisticados que permeiam a Bíblia e suas fontes sumérias mais antigas. Na verdade, Cabala significa literalmente "o que foi recebido", um conhecimento secreto transmitido de geração a geração. O conhecimento dos sábios judeus da Idade Média pode ser ligado diretamente a grupos da Judéia e da Babilônia que comentaram e guardaram dados bíblicos. O Talmude, que registra tais dados e comentários de cerca de 300 a.C. até cerca de 500 d.C., está repleto de ensinamentos astronômicos; incluía o comentário de que o rabino Samuel "conhece os caminhos do céu" como se fossem as ruas de sua cidade, ou a referência pelo rabino Joshua ben-Zakai a "uma estrela que aparece uma vez a cada 75 anos e confunde os marinheiros" - indicando a familiaridade com o cometa Halley, cujo retorno periódico a cada 75 anos presumiu-se ser desconhecido até a descoberta por Edmund Halley no século XVIII. O rabino Gamliel de Jabneh possuía um instrumento óptico tubular com o qual observava estrelas e planetas - quinze séculos antes da invenção "oficial" do telescópio.

A necessidade de conhecer os segredos do céu deriva da natureza lunar-solar do calendário hebreu (nipuriano), que exigia um ajuste complexo - intercalação - entre o ano solar e o ano lunar, o último sendo mais curto 10 dias, 21 horas, 6 minutos e 45,5 segundos. A diferença equivale a 7/19 do mês sinódico, por­ tanto um ano lunar pode ser realinhado com o solar, adicionando sete meses lunares a cada dezenove anos solares. Os livros de astronomia creditam ao astrônomo ateniense Meton (cerca de 430 a.C.) a descoberta desse ciclo de dezenove anos; porém a sabedoria na verdade vai a milênios antes, na antiga Mesopotâmia.

Os estudiosos têm ficado intrigados pelo fato de que no panteão sumério-mesopotâmico, Shamash (o "deus-sol") fosse representado como filho do "deus da Lua", Sin, de menor estatura hierárquica, ao invés de ser ao contrário. A explicação pode estar nas origens do calendário, em que a notação dos ciclos lunares precede as medidas de ciclos solares. Alexandre Marshack, em The Roots of Civilization, sugeriu que as marcas em ossos e ferramentas de pedra nos tempos de Neanderthal não eram decorações, e sim calendários primitivos.

Nos calendários puramente lunares, como ainda acontece com os muçulmanos, os feriados recuam cerca de um mês a cada três anos. O calendário nipuriano, tendo sido projetado para manter um ciclo de feriados relacionados com as estações, não podia permitir tais deslizes: o Ano Novo, por exemplo, tinha de começar no primeiro dia de primavera. Isso exigia, desde o início da civilização suméria, um conhecimento preciso dos movimentos da Terra e da Lua, e sua correlação com o Sol, dessa forma chegando aos segredos da intercalação. Também era necessária uma compreensão de como as estações aconteciam.

Atualmente sabemos que o movimento anual do Sol de norte para sul e depois a volta, que causa as estações, resulta do fato de que o eixo da Terra é inclinado em relação ao plano de sua órbita ao redor do Sol; essa "obliqüidade" atualmente vale 23,5 graus. Os pontos mais longínquos alcançados pelo Sol ao norte e ao sul, onde ele parece hesitar, depois voltar, são chamados solstícios (literalmente "paradas do Sol"), e ocorrem a 21 de junho e 22 de dezembro. A descoberta dos solstícios também foi atribuída a Meton e seu colega, o astrônomo ateniense Euctemon. Contudo, tal conhecimento remonta a tempos bem mais antigos. O rico vocabulário astronômico do Talmude já aplicava o termo neti'yah (do verbo Natoh, "virar, inclinar, voltar-se de lado") ao equivalente moderno "obliqüidade"; um milênio antes, a Bíblia reconheceu a noção do eixo da Terra ao atribuir o ciclo dia/noite a uma "linha" desenhada através da Terra (Salmos 19:5); e o Livro de Jó, falando da formação da Terra e de seus mistérios, atribuía ao Senhor dos Céus a criação de uma linha inclinada, um eixo inclinado para a Terra (Jó 38:5). Usando o termo Natoh, o Livro de Jó se refere ao eixo inclinado da Terra e ao pólo norte quando afirma:


Ele inclinou para o norte por sobre o vazio

E pendurou a Terra sobre o nada.


Em Salmos 74:16-17 não só se admite a correlação entre a Terra, a Lua e o Sol, assim como a rotação da Terra sobre seu eixo, como a causa do dia, da noite e das estações, como também se reconhecem os pontos extremos, os "limites" dos movimentos aparentemente regulares do Sol, que chamamos de solstícios:
Vosso é o dia

E vossa também é a noite;

A Lua e o Sol organizastes.

Todos os limites da Terra estabelecestes,

Verão e inverno criastes.
Se uma linha fosse desenhada entre o ponto do nascer do sol e do crepúsculo para cada solstício, o resultado seria que as duas linhas iriam se cruzar sobre a cabeça do espectador, formando um "X" gigante dividindo a Terra e os céus acima em quatro partes. Essa divisão foi reconhecida na antiguidade e é referida na Bíblia, como "os quatro cantos da Terra" e "os quatro cantos do céu". A divisão resultante em quatro partes que parecem triângulos arredondados nas bases criou para os povos antigos a impressão de "asas". A Bíblia fala das "quatro asas da Terra", assim como das "quatro asas dos céus".

Um mapa babilônico da Terra, do primeiro milênio a.C., ilustra esse conceito de "quatro cantos da Terra", representando literalmente quatro "asas" saindo da Terra circular.

O movimento aparente do Sol de norte para sul e de volta resulta não apenas nas duas estações claramente opostas do verão e do inverno, mas também nas estações do outono e da primavera. Essas últimas são associadas com os equinócios, quando o sol passa pelo equador da Terra (uma vez indo, outra voltando) - épocas na qual a duração do dia e da noite é igual. Na antiga Mesopotâmia, o Ano Novo começava no equinócio de primavera - o primeiro dia do primeiro mês (Nisanu - "quando o sinal é dado"). Mesmo então, na época do Êxodo, a Bíblia (Levítico 23) decretou que o Ano Novo fosse celebrado no dia do equinócio de outono, sendo o mês designado (Tishrei) "o sétimo mês", admitindo-se que Nisanu fosse o primeiro. Em qualquer caso, o conhecimento dos equinócios, atestados pelos dias de Ano Novo, claramente se estende aos tempos sumérios.

A divisão do ano solar em quatro estações (dois solstícios e dois equinócios) foi combinada na Antiguidade com os movimentos lunares para criar o primeiro calendário formal conhecido, o calendário lunar-solar de Nippur. Foi usado pelos acadianos, babilônios, assírios e outras nações depois deles, e permanece até os dias de hoje como o calendário hebraico.

Para a humanidade, o tempo terrestre iniciou-se em 3.760 a.C.; sabemos a data exata, porque no ano de 1992 da Era Comum o calendário hebraico contou o ano 5.752.
Entre o Tempo Terrestre e o Tempo Divino existe o Tempo Celeste.

Desde o momento em que Noé saiu da Arca, precisando saber se toda a vida não iria terminar outra vez na água, a humanidade tem vivido com uma noção que perdura - ou seria uma lembrança? - dos ciclos ou éons ou eras de destruição e ressurreição, e tem olhado para os céus à procura de sinais, vaticínios de coisas boas ou ruins ainda por acontecer.

Desde as raízes na Mesopotâmia a linguagem hebraica utiliza o termo Mazal para significar "sorte, fortuna", que podem ser boas ou más. Não nos damos conta de que o termo é celeste, significando casa do zodíaco, e remonta ao tempo em que a astronomia e a astrologia eram a mesma coisa, e sacerdotes nos topos das torres dos templos seguiam os movimentos dos deuses celestes para ver em que casa do zodíaco - em que Manzalu, em acadiano - estariam naquela noite.

Porém não foi o homem quem primeiro agrupou as miríades de estrelas em constelações passíveis de reconhecimento, definidas, e as nomeou de acordo com aquelas que se estendiam sobre a eclíptica, e as dividiu em doze partes para criar as doze casas do zodíaco. Foram os anunaque que conceberam tudo isso, para suas próprias necessidades; o homem apenas adotou como sua essa ligação, esse meio de ascender aos céus a partir da vida mortal na Terra.

Para alguém que chegasse de Nibiru com seu vasto "ano" orbital para um planeta de giro rápido (Terra, o "sétimo planeta", como os anunaques nos chamavam), cujo ano é apenas uma parte do ano-Nibiru, que corresponde a 3.600 anos terrestres, a contagem do tempo pareceria um grande problema. Torna-se evidente nas Listas de Reis Sumérios e em outros textos que falam dos negócios dos anunaque que por um longo tempo - certamente até o Dilúvio - eles mantiveram o sar, os 3.600 anos terrestres, como unidade divina de tempo. Mas o que eles podiam fazer para de alguma forma criar uma relação razoável, que não fosse 1:3.600, entre esse Tempo Divino e o Tempo Terrestre?

A solução veio no fenômeno chamado precessão. Por causa da oscilação da órbita da Terra ao redor do Sol, existe um retardo a cada ano; esse retardo, ou precessão, é da ordem de 1 grau a cada 72 anos. Idealizando a divisão da eclíptica (o plano das órbitas planetárias ao redor do Sol) em doze - para combinar com a disposição de doze membros do Sistema Solar - os anunaques inventaram as doze casas do zodíaco; isso conferia a cada casa 30 graus, o que significava que o retardo relativo a cada uma delas perfazia 2 160 anos (72 x 30 = 2.160) e o Ciclo Precessional completo ou "Grande Ano" era 25.920 anos (2.160 x 12 = 25.920). Em Gênesis Revisitado sugerimos que, relacionando 2.160 com 3.600, os anunaque chegaram à Razão Áurea de 6:10, e, o mais importante, ao sistema sexagesimal de matemática que multiplicava 6 por 10 por 6 e assim por diante.

"Por um milagre que ainda não achei quem me explicasse", escreve o especialista em mitos Joseph Campbell em As Máscaras de Deus: Mitologia Oriental (1962), "a matemática que foi desenvolvida na Suméria em 3200 a.C., fosse por coincidência, fosse por dedução intuitiva, combinava tanto com a ordem celeste que consistia em uma revelação em si mesma". O "milagre", como temos apontado, foi providenciado por conta do conhecimento avançado dos anunaques.

A astronomia moderna, assim como as ciências exatas modernas, deve muito às primeiras descobertas dos sumérios. Entre elas está a divisão dos céus, e todos os outros círculos, em 360 partes (graus), talvez a mais básica. Hugo Winckler, que com nada além de uns poucos outros, na virada do século, combinou o domínio da "assiriologia" com o conhecimento da astronomia, compreendeu que o número 72 era fundamental como elo de ligação entre "Céus, Calendário e Mitos" (Altorientalische Forschungen). Foi assim por meio do Hameshtu, "vezes cinco", escreveu ele, criando o número fundamental 360 multiplicando o 72 celeste (o desvio precessional de 1 grau) pelo 5 da mão humana. Essa idéia nova, como seria de esperar na época dele, não o levou a divisar o papel dos anunaque, cuja ciência foi necessária para se conhecer o retardo da Terra em primeiro lugar.

Entre os milhares de tábuas matemáticas descobertas na Mesopotâmia, muitas das que serviram como tabelas prontas de divisão começavam com o número astronômico 12.960.000 e terminavam com 60, como a ducentésima décima sexta milésima (1/216.000) parte de 12.960.000. H. V. Hilprecht (The Babylonian Expedition of the University of Pennsylvania), que estudou milhares de tábuas matemáticas da biblioteca do rei assírio Assurbanipal, em Nínive, concluiu que o número 12.960.000 era literalmente astronômico, derivando de um Grande Ciclo de 500 Grandes Anos de desvios precessionais completos (500 x 25.920 = 12.960.000). Ele, e outros, não tinham dúvida de que o fenômeno da precessão, presumivelmente mencionado pelo grego Hiparco no século 11 a.C., já era conhecido e seguido na época dos sumérios. O número, reduzido em dez vezes para 1.296.000, aparece na tradição hindu como a duração da Era da Sabedoria, num múltiplo de três do ciclo de 432.000 anos. Os ciclos-dentro­-de-ciclos, que relacionam 6 e 12 (os 72 anos do primeiro giro zodiacal), 6 e 10 (a razão entre 2.160 e 3.600) e 432.000 e 12.960, podem assim refletir ciclos cósmicos e astronômicos, pequenos e grandes - segredos ainda a ser revelados, dos quais os números sumérios oferecem apenas um vislumbre.

A seleção do equinócio vernal (ou, inversamente, do dia do equinócio de outono) como o momento para começar o Ano Novo não foi acidental, pois, em virtude da inclinação do eixo da Terra , só nesses dois dias o sol se ergue em pontos onde o equador celeste e o círculo eclíptico se interceptam. Por causa da precessão - o termo completo é Precessão dos Equinócios -, a casa zodiacal onde tal interseção ocorre se modifica, recuando 1 grau no zodíaco a cada 72 anos. Embora esse ponto ainda seja referido como o Primeiro Ponto de Áries, na verdade estamos na Era (ou zodíaco) de Peixes desde cerca de 60 a.C. e lenta mas inexoravelmente iremos logo entrar na Era de Aquário. É uma mudança tão grande - a passagem do término de uma era zodiacal para o início de uma outra - que dizemos se tratar do surgimento de uma Nova Era.



Enquanto a humanidade na Terra aguarda a mudança com antecipação, muitos de nós perguntamos o que essa mudança trará consigo - de que tipo de Mazal ela será portadora? Bênçãos ou problemas, um final... ou um novo início? O final da Velha Ordem ou o começo de uma Nova Ordem na Terra, talvez o profetizado retorno do Reino dos Céus na Terra?

Será que o tempo apenas flui para a frente ou também pode fluir para trás, perguntaram-se os filósofos. Na verdade, o Tempo vai para trás, pois essa é a essência do fenômeno da precessão: o retardo da órbita terrestre ao redor do Sol, que causa, uma vez a cada 2.160 anos, a observância do nascer do sol no equinócio de primavera não na casa zodiacal seguinte, mas na anterior... O Tempo Celeste, como o conhecemos, não progride na direção do Tempo Terrestre (e de todos os tempos planetários), no sentido anti-horário; ao invés disso, move-se em sentido horário, na direção oposta, combinando com a direção orbital de Nibiru (sentido horário).

O Tempo Celeste flui para trás, no que se refere a nós na Ter­ ra; portanto, em termos zodiacais, o Passado é o Futuro.

Vamos examinar o Passado.



Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   14


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal