2004 editora best seller título original: When Time Began Copyright 1993 by Zecharia Sitchin Sumário



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Os templos que olhavam para o céu
Quanto mais sabemos sobre Stonehenge por meio da ciência moderna, mais incrível Stonehenge se torna. Na verdade, não fosse pela evidência visível dos megálitos e pela terraplanagem - se de alguma forma eles desaparecessem, assim como ocorreu com muitos outros monumentos antigos, devido aos caprichos do tempo e da natureza, ou a devastações causadas pelo homem -, a história completa das pedras que podiam calcular o tempo e dos círculos que podiam prever eclipses e determinar os movimentos do Sol e da Lua teria parecido tão implausível para os ingleses da Idade da Pedra que teria sido considerada apenas um mito.

A grande antiguidade de Stonehenge, que foi se mostrando cada vez mais antiga à medida que os métodos científicos progrediam, é o que mais perturba os cientistas. Foram as datas estabelecidas para Stonehenge I e II + III que levaram os arqueólogos a procurar visitantes do Mediterrâneo e eminentes cientistas a se referirem aos deuses, como explicações únicas para o enigma.

Entre toda a série de perguntas perturbadoras, como Quem e Para quê, o Quando foi a mais satisfatoriamente respondida. Arqueólogos e físicos (por meio de modernos métodos de datação, tais como medidas baseadas no carbono-14) foram unidos pela arqueoastronomia, para concordar sobre as datas: 2.900/2.800 a.C. para Stonehenge I, 2.100/2.000 a.C. para Stonehenge II e III.

O pai da ciência da arqueoastronomia - embora ele preferisse chamar de astroarqueologia, que traduzia melhor o seu pensamento - foi, sem a menor dúvida, sir Norman Lockyer. Uma forma de medir quanto a ciência oficial demora a aceitar mudanças é observar que um século se passou desde a publicação do principal trabalho de Lockyer, The Dawn of Astronomy, em 1894.

Tendo visitado o Oriente em 1890, ele observou que, enquanto nas antigas civilizações da Índia e China havia poucos monumentos mas uma abundância de registros escritos estabelecendo a idade, o oposto ocorria em relação ao Egito e à Babilônia: eram “duas civilizações de antiguidade indefinida", onde abundavam monumentos de idade incerta (na época dos escritos de Lockyer).

Em seus escritos, ele afirmou que ficou impressionado com o fato de que, na Babilônia, "desde o início das coisas o sinal para "simbolizar Deus era uma estrela" e algo semelhante acontecia no Egito, nos textos hieroglíficos, em que havia três estrelas representando o plural, deuses. Os registros babilônicos em tábuas e tijolos de argila queimada davam a impressão de lidar com os ciclos regulares de "posições da Lua e dos planetas com extrema precisão". Planetas, estrelas e as constelações do zodíaco estão representados nas paredes das tumbas egípcias e nos papiros. No panteão hindu, encontramos o culto ao Sol e à Aurora: o nome do deus Indra significa "O Dia Trazido pelo Sol", e o da deusa Ushas significa "Aurora".

Pode a astronomia ajudar a egiptologia?, perguntou-se ele; pode ajudar a definir a medida da antiguidade dos egípcios e babilônios?

Quando consideramos o livro hindu Rig Veda e as inscrições dos egípcios a partir de um ponto de vista astronômico, escreveu Lockyer, "ficamos surpresos com o fato de que, em ambos, todas as observações e a adoração iniciais estão relacionadas ao horizonte... Isso era verdadeiro não apenas em relação ao Sol, mas igualmente em relação às estrelas que brilham no espaço do céu". "O horizonte", continua ele, é o lugar onde o círculo que prende nossa vista à superfície da terra e o céu parecem se encontrar”. Um círculo, em outras palavras, onde o Céu e a Terra se tocam e encontram. Era ali que os povos antigos buscavam quaisquer sinais ou premonições que seus observadores procuravam. Como o fenômeno mais comum observável no horizonte era o nascer e o pôr-do-sol a cada dia, era natural que essa fosse a base para nossas antigas observações astronômicas e para relacionar outros fenômenos (tais como o aparecimento ou o movimento de planetas e até estrelas) a seu "despertar helíaco", sua breve aparição no horizonte oriental enquanto a Terra atinge os poucos instantes do amanhecer, quando o Sol começa a se erguer mas o céu está suficientemente escuro para se enxergar as estrelas.

Um observador na Antiguidade poderia determinar com facilidade se o Sol sempre se ergue no lado leste do céu, mas teria reparado que no verão o sol parece elevar-se num arco mais alto do que no inverno e os dias são mais longos. Isso, explica a moderna astronomia, se deve ao fato de que o eixo da Terra ao redor do qual giramos não é perpendicular ao eixo de nosso movimento ao redor do sol (a Eclíptica), e sim inclinado - cerca de 23,5 graus hoje em dia. Isso cria as estações e os quatro pontos no movimento aparente do Sol para o alto e para baixo nos céus: os solstícios de verão e de inverno, e os equinócios de primavera ("verna!") e de outono (que já descrevemos anteriormente).

Estudando a orientação dos templos antigos e não tão antigos, Lockyer descobriu que aqueles chamados de "Templos Solares" eram de dois tipos: os orientados de acordo com os equinócios, e os orientados de acordo com os solstícios. Embora o Sol apareça todos os dias no oriente e se ponha nos céus do lado oeste, só nos dias dos equinócios é que ele nasce precisamente no leste e se põe precisamente no oeste, visto de qualquer lugar da Terra. Portanto, Lockyer deduziu que tais templos "equinociais" eram mais universais do que aqueles construídos com o eixo para o solstício; porque o ângulo formado pelos solstícios mais ao norte e mais ao sul (para alguém no hemisfério norte, o inverno e o verão) dependia de onde estivesse o observador - da latitude. Portanto, templos de solstício eram mais individuais, específicos para a localização geográfica (e mesmo a altitude).

Como exemplos de templos equinociais, Lockyer cita o Templo de Zeus em Baalbek, o Templo de Salomão em Jerusalém, e a grande basílica de São Pedra, no Vaticano, em Roma todos orientados segundo um eixo preciso leste-oeste. Em relação a esta última, ele citou estudos sobre a arquitetura de igrejas que descrevem como na antiga São Pedro (iniciada com Constantino, no século IV, e derrubada no início do século XVI), no dia do equinócio vernal, "as grandes portas do pórtico dos quadriporticus eram abertas ao amanhecer, e também as portas orientais da igreja; à medida que o sol se erguia, seus raios passavam pelas portas externas e, penetrando diretamente pela nave, iluminavam o Altar Principal". Lockyer acrescentou que "a igreja atual preenche as mesmas condições". Como exemplos de templos solares de "solstício", Lockyer descreve o principal "Templo do Céu" chinês em Pequim, onde "a mais importante de todas as datas observadas na China, o sacrifício executado ao ar livre no altar sul do Templo do Céu", ocorria no dia do solstício de inverno, em 21 de dezembro; e a estrutura em Stonehenge, orientada para o solstício de verão.

Tudo isso, entretanto, era só um prelúdio para os estudos principais de Lockyer, no Egito.

Estudando a orientação de templos egípcios antigos, Lockyer concluiu que os mais velhos eram "equinociais" e os mais novos, "solsticiais". Ficou surpreso ao descobrir que os templos antigos revelavam maior sofisticação astronômica do que os mais recentes, pois tinham sido feitos para observar e venerar não apenas o nascer e o pôr-do-sol, mas também as estrelas. Além do mais, os santuários mais antigos sugerem uma adoração mista Sol-Lua, que mudava para um foco equinocial. Esse santuário equinocial era o templo em Heliópolis ("Cidade do Sol", em grego), cujo nome egípcio, Anu, também foi mencionado pela Bíblia, como On. Lockyer calculou que a combinação de observações solares com o período em que a brilhante estrela Sírius, durante a cheia anual do Nilo, uma conjunção tripla na qual o calendário egípcio se baseava, indicava que em tempo egípcio o Ponto Zero de ajuste era cerca de 3.200 a.C.

O santuário de Anu, sabemos pelas inscrições egípcias, continha o Ben-Ben ("Pássaro-Pirâmide"), tido como a parte cônica da "Barca Celeste" na qual o deus Rá veio para a Terra, do "Planeta de Um Milhão de Anos". Geralmente mantido no interior do sacrário no templo, era colocado em exposição pública uma vez por ano, e nos tempos dinásticos peregrinações ao santuário continuaram a ser feitas, para venerá-lo como algo sagrado. a objeto em si já desapareceu ao longo dos milênios, mas uma réplica de pedra foi encontrada, mostrando o grande deus visível através da porta ou escotilha da cápsula. A lenda da Fênix, o pássaro mítico que morre e ressurge depois de um determinado período, também foi relacionada a esse santuário e a sua veneração.

O Ben-Ben ainda estava lá na época do faraó Pi-Ankhi (cerca de 750 a.C.), pois foi encontrada uma inscrição descrevendo a visita dele ao santuário. Com desejo de entrar no aposento do Santo dos Santos e ver o objeto celeste, Pi-Ankhi começou o processo oferecendo sacrifícios elaborados ao amanhecer no pátio do templo. Depois entrou no templo propriamente dito, curvando-se para o grande deus. Uma prece foi oferecida pela segurança do rei, para que pudesse entrar e sair do Santo dos Santos sem sofrer danos. Seguiram-se cerimônias que incluíam a lavagem, purificação e defumação do rei com incensos, para que ele pudesse entrar no aposento chamado "Sala da Estrela". Recebeu então flores e galhos de plantas raras para oferecê-las ao deus, ,depositando-as em frente ao Ben-Ben. Então Pi-Ankhi subiu os degraus que levavam ao "grande tabernáculo" que continha o objeto sagrado. Chegando ao alto, puxou o ferrolho e abriu as portas para o Sagrado entre os Sagrados; "e viu seu ancestral Rá na câmara do Ben-Ben". Então recuou, fechou as portas atrás de si e as selou com argila, pressionando ali seu lacre.

Esse santuário não sobreviveu aos milênios, contudo o que pode ter sido um santuário modelado de acordo com o de Heliópolis foi encontrado por arqueólogos. É o assim chamado templo do faraó Ne-user-Rá, da V dinastia, que durou de 2.494 a 2.345 a.C. Construído num lugar chamado Abusir, ao sul de Gizé e das Grandes Pirâmides, consistia em princípio num grande terraço, onde se erguia sobre uma plataforma de proporções com­ patíveis um objeto curto em forma de obelisco. Uma rampa, onde ficava um corredor coberto iluminado por janelas a espaços regulares no teto, ligava a elaborada entrada do templo a um grande portão no vale abaixo. A base do objeto em forma de obelisco erguia-se cerca de vinte metros acima do nível do pátio do templo; o obelisco, que pode ter sido encapado de cobre, elevava-se mais 36 metros.

O templo, com paredes que criavam várias salas e compartimentos, formava um retângulo perfeito, que media 80 por 110 metros. Estava claramente orientado segundo um eixo leste­ oeste para os equinócios, mas o longo corredor obviamente fora reorientado para ficar de frente para o nordeste. Foi uma reorientação do antigo santuário heliopolitano (que era orientado apenas no sentido leste-oeste), o que fica claro pelas inscrições e desenhos que decoravam o corredor. Comemorava o trigésimo aniversário do reinado do faraó, época provável da construção do corredor. A comemoração seguiu os ritos misteriosos do festival Sed (o significado do termo permanece incerto), que marcava algum tipo de "jubileu" e sempre começava no primeiro dia do calendário egípcio - o primeiro dia do primeiro mês, chamado de mês de Thot. Em outras palavras, o festival Sed era uma espécie de Dia do Ano Novo, comemorado não a cada ano, mas depois da passagem de um certo número de anos.

A presença de orientações tanto para o equinócio quanto para o solstício nesse templo implica familiaridade - no terceiro milênio a.C. - com o conceito dos Quatro Cantos. Desenhos e inscrições encontrados nos corredores do templo descrevem a "dança sagrada” do rei. Foram copiados, traduzidos e publicados por Ludwig Borchardt com H. Kees e Friedrich Von Bissing em Das Re-Heiligtum des Königs Ne-Woser-Re. Concluíram que a “dança" representava o "ciclo de santificação dos Quatro Cantos da Terra".

A orientação para o equinócio do templo propriamente dito e para o solstício do corredor, aludindo aos movimentos do Sol, levou os egiptólogos a aplicar o termo "Templo Solar" à estrutura. Encontraram reforço para essa denominação na descoberta de um "barco solar" (parcialmente esculpido na rocha e parcialmente construído com tijolos secos e pintados) enterrado sob a areia logo ao sul de onde o templo se encontrava. Textos hieroglíficos que tratavam de medidas de tempo e do calendário do Egito Antigo afirmavam que os corpos celestes atravessavam o céu em barcos. Muitas vezes os deuses, ou mesmo os faraós deificados (tendo se unido aos deuses no Pós-vida), eram representados em tais barcos, velejando sobre o firmamento dos céus, mantidos elevados pelos quatro cantos do céu.

O grande templo seguinte claramente imita o conceito pirâmide-sobre-plataforma do "Templo do Sol" de Ne-user-Rá, mas já estava completamente orientado para os solstícios desde o início, tendo sido planejado e executado ao longo de um eixo noroeste-sudeste. Foi construído do lado oeste do Nilo (próximo à vila atual de Deir-el-Bahari) no Alto Egito, como parte da grande Tebas, pelo faraó Mentuhotep I, por volta de 2100 a.C.

Seis séculos mais tarde, Tutmósis III e a rainha Hatshepsut, da XVIII dinastia, construíram seus templos ao lado; a orientação foi similar - mas não exatamente igual. Foi em Tebas (Karnak) que Lockyer fez sua mais importante descoberta, a que estabeleceu as bases para a arqueoastronomia.

A seqüência de capítulos, fatos e argumentos em The Dawn of Astronomy revela que a rota de Lockyer para Karnak e os templos egípcios passou pelas evidências da Europa. Havia a orientação da velha Igreja de São Pedro, em Roma, e a informação sobre o raio de sol na aurora do solstício de primavera; e havia também a praça de São Pedro com semelhanças impressionantes com Stonehenge...

Ele observou o Partenon, em Atenas, o principal templo da Grécia e descobriu que "há o velho Partenon, uma construção que pode estar em pé desde a guerra de Tróia, e o novo Partenon, com um pátio externo parecido com os templos egípcios, mas com o santuário ao centro da construção. Foi pela diferença de direção desses dois templos em Atenas que tive minha atenção despertada para o assunto".

Ele possuía plantas de vários templos egípcios, nas quais as orientações pareciam variar do início da construção para reformas posteriores, e ficou impressionado com uma em que havia dois templos, de costas um para o outro, num local não muito distante de Tebas, denominado Medinet-Habu. Chamou a atenção para as semelhanças entre a "diferença de orientação” egípcia e grega, em templos que de um ponto de vista puramente arquitetônico deveriam ser paralelos e com o mesmo eixo de orientação.

Poderia essa orientação alterada resultar de mudanças na amplitude (na posição dos céus) do Solou das estrelas que tenham sido causadas pelo eixo da Terra? Lockyer sentiu que a resposta era sim.

Agora sabemos que os solstícios resultam do fato de que o eixo da Terra é inclinado em relação a seu plano de órbita ao redor do Sol, e os pontos de "parada" combinam com essa inclinação. Porém os astrônomos estabeleceram que esse ângulo não é constante. A Terra oscila, como um navio, de um lado para o outro - talvez o resultado de algum choque que tenha recebido no passado (pode ter sido a colisão original que colocou a Terra em sua órbita atual, ou o impacto de um grande meteoro, cerca de 65 milhões de anos atrás, que teria extinguido os dinossauros). A atual oscilação de cerca de 23,S graus pode diminuir até talvez 21 graus, ou, por outro lado, aumentar até 24 – ninguém sabe ao certo, já que a mudança de 1 grau demoraria milhares de anos (7.000, de acordo com Lockyer). Tais mudanças na obliqüidade resultam em mudanças dos pontos de parada do Sol. Isso significa que a construção de um templo cuja orientação seja precisa para o solstício numa determinada época não estaria adequadamente alinhada com essa orientação algumas centenas - e muito menos milhares - de anos mais tarde.

A sensacional inovação de Lockyer era essa: ao determinar a orientação de um templo e sua longitude geográfica, seria possível calcular a obliqüidade que prevalecia na época da construção; ao determinar as mudanças na obliqüidade ao longo dos milênios, seria possível concluir com certeza razoável a época de construção do templo.

A Tabela de Obliqüidade, que durante o século XIX tornou-­se ainda mais afinada e precisa, mostra a mudança no ângulo da Terra a intervalos de quinhentos anos, desde os 23 graus e 27 minutos do presente (23,5 graus).


500 a.C. cerca de 23,75 graus

1000 a.C. cerca de 23,81 graus

1500 a.C. cerca de 23,87 graus

2000 a.C. cerca de 23,92 graus

2500 a.C. cerca de 23,97 graus

3000 a.C. cerca de 24,02 graus

3500 a.C. cerca de 24,07 graus

4000 a.C. cerca de 24,11 graus


Lockyer aplicou suas descobertas primeiramente ao grande templo de Amon-Rá em Karnak. Esse templo, que foi ampliado por vários faraós, consistia em duas estruturas retangulares construídas de costas uma para a outra, num eixo sudeste-noroeste, significando uma orientação para o solstício. Lockyer concluiu que o propósito da orientação e o projeto do templo eram de molde a permitir que um raio de sol, no dia do solstício, passasse por um longo corredor, entre dois obeliscos, e atingisse o Santo dos Santos com um raio de luz divina na parte mais interna da construção. Lockyer reparou que os eixos dos dois templos, de costas um para o outro, não eram orientados da mesma forma: o mais novo representava um solstício resultante de uma obliqüidade menor do que o mais velho. As obliqüidades determinadas por Lockyer mostram que o templo mais antigo fora construído por volta de 2.100 a.C., e o mais novo por volta de 1.200 a.C.

Investigações mais recentes, especialmente por Gerald S. Hawkins, sugerem que os raios do Sol, no solstício de inverno, deveriam ser vistos de uma parte do templo que Hawkins chamou de "Sala Elevada do Sol", e não como um raio passando por todo o comprimento do eixo, uma visão que não altera as conclusões básicas de Lockyer em relação à orientação para o solstício. Na verdade, descobertas arqueológicas posteriores em Kamak corroboram a inovação principal de Lockyer - de que a orientação dos templos muda ao longo do tempo para refletir as mudanças dessa obliqüidade. Portanto, a orientação pode servir como pista para a época de construção dos templos. Os últimos avanços arqueológicos confirmam que a construção das partes mais antigas coincide com o início do Médio Império sob a XI dinastia, por volta de 2.100 a.C. Consertos, demolições e reconstruções continuaram ao longo dos séculos seguintes, realizados por faraós de outras dinastias; os dois obeliscos foram erigidos por faraós da XIX dinastia, que reinou em 1.216-1.210 a.C. - tudo como Lockyer determinara.

A arqueoastronomia - ou astroarqueologia como sir Norman Lockyer a chamou - provou seu mérito e valor.
No início do século XX, Lockyer voltou sua atenção para Stonehenge, tendo se convencido de que o fenômeno que ele descobrira regia a orientação de templos em todas as partes do mundo antigo, como no Partenon, em Atenas. Em Stonehenge, o eixo de visão do centro através do Círculo Sarsen indicava claramente uma orientação para o solstício de verão, e Lockyer realizou suas medidas de acordo. A Pedra do Calcanhar, concluiu ele, era o indicador do ponto no horizonte onde aconteceria a esperada aurora; e o aparente giro da pedra (com o respectivo alargamento e reorientação da Avenida) sugeria a ele que à medida que os séculos passavam e a mudança no eixo da Terra alterava o ponto desse nascer do Sol, ainda que levemente, as pessoas encarregadas de Stonehenge continuavam ajustando a linha de visão.

Lockyer apresentou suas conclusões em Stonehenge and Other British Stone Monuments (1906); elas podem ser resumidas em um desenho. Presumem um eixo que começa na Pedra do Altar, passa entre as pedras sarsen numeradas de 1 a 30, ao longo da Avenida, na direção da Pedra do Calcanhar e do pilar de focalização. O ângulo de obliqüidade indicado por esse eixo o leva a sugerir que Stonehenge foi construída em 1.680 a.C. Desnecessário dizer que tal data recuada foi uma sensação e tanto na época, um século atrás, quando os estudiosos ainda pensavam em Stonehenge como sendo do tempo do rei Artur.

Os refinamentos nos estudos da obliqüidade terrestre, com margens de erro, e a determinação das várias fases de Stonehenge não diminuíram a contribuição básica de Lockyer. Embora Stonehenge III, que é o que essencialmente enxergamos hoje em dia, agora seja datado de cerca de 2.000 a.C., geralmente se concorda que a Pedra do Altar foi removida quando a reconstrução começou, em cerca de 2.100 a.C., com o duplo Círculo de Dolerito (Stonehenge II), e que foi reerguida onde está agora apenas quando os doleritos foram trazidos outra vez e os orifícios Y e Z cavados. Essa fase, designada Stonehenge III b, não foi datada com precisão; ocorreu num período entre 2.000 a.C. (Stonehenge III a) e 1.550 a.C. (Stonehenge III c) - muito possivelmente a data de 1.680 a.C. à qual chegou Lockyer. Como o desenho mostra, ele não designou uma data muito anterior para as fases iniciais de Stonehenge; isso também combina com a data atualmente aceita de 2900/2800 a.C. para Stonehenge I.

Dessa forma, a arqueoastronomia junta-se às descobertas arqueológicas e datações com carbono-14 para chegar às mesmas datas para as construções das várias fases de Stonehenge, com os três métodos em separado confirmando um ao outro. Com uma determinação tão convincente das datas para Stonehenge, a questão sobre quem a construiu toma-se mais importante. Quem, por volta de 2.900/2.800 a.C., possuía conhecimentos de astronomia (para não mencionar engenharia e arquitetura), para construir tal "computador-calendário", e, por volta de 2.100/2.000 a.C., para arranjar os vários componentes e chegar a um novo alinhamento? E por que tal realinhamento seria necessário ou desejável?

A transição da humanidade do Paleolítico (Velha Idade da Pedra), que durou centenas de milhares de anos, para o Mesolítico (Idade Média da Pedra) ocorreu abruptamente no antigo Oriente Próximo. Lá, por volta de 11.000 a.C. - logo depois do Dilúvio, segundo nossos cálculos -, a agricultura intencional e a domesticação de animais se iniciou numa profusão abundante. Evidências arqueológicas e de outra natureza (recentemente ampliadas por estudos de padrões lingüísticos) mostram que a agricultura do Mesolítico espalhou-se do Oriente Próximo para a Europa como resultado da migração de pessoas com tal conhecimento. Chegou à península Ibérica entre 4.500 e 4.000 a.C., à costa oeste de onde hoje é a França e as Terras Baixas entre 3.500 e 3.000 a.C., e às Ilhas Britânicas entre 3.000 e 2.500 a.C. Logo em seguida, o "Povo Béquer", que sabia como fazer utensílios de argila, chegou ao cenário de Stonehenge.

Porém, àquela altura o antigo Oriente Próximo já havia entrado no Neolítico (Nova Idade da Pedra), que lá começou por volta de 7.400 a.C. e cujas marcas eram a transição de pedras e argila para metais, e o aparecimento de centros urbanos. Nessa época, essa fase chega às Ilhas Britânicas com o assim chamado "Povo de Wessex" (depois de 2.000 a.C.), enquanto no Oriente Próximo a grande civilização suméria já tinha quase 2.000 anos e a egípcia mais de mil anos de idade.

Se, como todos concordam, o conhecimento científico sofisticado necessário para o planejamento, localização, orientação e construção de Stonehenge tinha de vir de fora das Ilhas Britânicas, as antigas civilizações do Oriente Próximo pareciam ser as únicas fontes possíveis, na época.

Seriam os Templos do Sol, no Egito, protótipos para Stonehenge? Temos visto que, nas datas estabelecidas para as várias fases de Stonehenge, já existiam no Egito templos elaborados que eram orientados astronomicamente. O Templo do Sol (equinocial) em Heliópolis foi construído por volta de 3.100 a.C., quando o império começou no Egito (se não antes) - vários séculos antes de Stonehenge I. A construção da fase mais antiga do templo orientado para o solstício, em homenagem a Amon-Rá, em Kamak, ocorreu em cerca de 2.100 a.C. - uma data que coincide (talvez não por acaso) com a data para a "reforma" de Stonehenge.

Portanto, é teoricamente possível que um povo Mediterrâneo - os egípcios ou um povo com a tecnologia egípcia - poderia de alguma forma contribuir para a construção de Stonehenge I, II e III, em épocas em que isso seria impossível para os habitantes do local.

Enquanto, de um ponto de vista temporal, o Egito poderia ser a fonte desse conhecimento, devemos ter em mente uma diferença entre todos os templos egípcios e Stonehenge; nenhum dos templos egípcios, sem importar a orientação, era circular como Stonehenge o era já durante as fases iniciais. As várias pirâmides eram de base quadrada; o mesmo valia para os suportes para obeliscos e os objetos piramidais; os numerosos templos eram todos retangulares. Com todas as pedras que o Egito tinha, nenhum de seus templos era um círculo de pedra.

Desde o início dos templos dinásticos no Egito, com os quais a aparência de uma civilização egípcia distinta está ligada, tinham sido os faraós a contratar arquitetos e pedreiros, sacerdotes e sábios, e decretar o planejamento e a construção dos maravilhosos edifícios de pedra. Nenhum deles, entretanto, parece ter projetado, orientado ou construído um templo circular.

E quanto aos famosos navegadores, os fenícios? Não apenas eles alcançaram as Ilhas Britânicas (principalmente em busca de estanho) tarde demais para terem construído Stonehenge I, assim como II e III, mas também nenhum exemplo de sua arquitetura apresenta a menor semelhança com o formato circular de Stonehenge. Podemos ver um templo fenício na moeda de Biblos, e ele certamente é retangular. Nas vastas plataformas de pedra em Baalbek, nas montanhas do Líbano, povos após povos e conquistadores após conquistadores construíram seus templos exatamente nas ruínas e de acordo com o formato do templo anterior. Esses, como as últimas ruínas da era romana, representam um templo retangular (área escura) com um pátio quadrado (os pavilhões com formato de losango são reformas romanas). O templo é claramente orientado segundo um eixo les­te-oeste, voltado diretamente para o leste, na direção do nascer do sol - um templo equinocial. Isso não deveria constituir surpresa, posto que nos tempos antigos o local era chamado de "Cidade do Sol" - Heliópolis, para os gregos, Bet-Sames ("Casa do Sol") na Bíblia, na época do rei Salomão.

O fato de que a forma retangular e o eixo leste-oeste não fossem uma moda passageira na Fenícia é atestado pelo templo de Salomão, o primeiro templo de Jerusalém, que foi construído segundo a ajuda dos arquitetos fenícios providenciados por Ahiram, rei de Tiro; era uma estrutura retangular num eixo leste-oeste, de frente para o leste, construído sobre uma grande plataforma feita pelo homem. Sabatino Moscati (The World of the Phoenicians) afirma sem qualificar que, "se não existem ruínas de templos fenícios, o templo de Salomão em Jerusalém, construído por trabalhadores fenícios, é descrito em detalhes no Antigo Testamento - e os templos fenícios deviam ser parecidos uns com os outros". Não havia nada circular neles.

Os círculos aparecem, no entanto, no caso de outros "suspeito" no Mediterrâneo - os micenenses, o primeiro povo helênico da Grécia Antiga. Mas estes eram no início o que os arqueólogos chamaram de Tumbas Circulares - poços para sepultamento cercados por um círculo de pedras, que evoluíram para tumbas circulares ocultas sob um monte cônico de terra. Porém isso aconteceu por volta de 1.500 a.C., e o maior deles, chamado de "O Tesouro de Atreus", por causa dos artefatos de ouro encontrados ao redor dos mortos, remonta a 1.300 a.C. Os arqueólogos que aderiram à ligação com Micenas comparam tais montes fúnebres no Mediterrâneo oriental com Silbury Hill, na região de Stonehenge, ou com um outro em Newgrange, do outro lado do mar da Irlanda, em Boyne Valley, County Meath, na Irlanda; porém Silbury Hill foi datada por carbono, e não foi construída depois de 2.200 a.C., assim como o monte fúnebre em Newgrange é da mesma época - quase mil anos antes que o Tesouro de Atreus e outros exemplos micênicos; o período dos montes fúnebres é ainda mais distante de Stonehenge I. Na verdade, os montes fúnebres nas Ilhas Britânicas são mais parecidos, em construção e na época, com aqueles exemplos do Mediterrâneo ocidental, como Los Millares, no sul da Espanha.

Acima de tudo, Stonehenge nunca serviu como túmulo. Por todos esses motivos, a busca de um protótipo - uma estrutura circular que sirva a propósitos astronômicos - deve continuar além do Mediterrâneo oriental.

Mais antiga do que os egípcios e possuindo muito mais conhecimentos científicos avançados, a civilização suméria poderia ter servido, teoricamente, como inspiração para Stonehenge. Entre as surpreendentes conquistas dos sumérios estão as grandes cidades, uma linguagem escrita, literatura, reis, tribunais, leis, juízes, mercadores, artesãos, poetas e dançarinos. As ciências surgiram no interior dos templos, onde os "segredos dos números e dos céus" - matemática e astronomia - eram mantidos, ensinados e transmitidos por gerações de sacerdotes que realizavam suas funções por trás das paredes dos templos sagrados. Tais templos geralmente incluíam santuários dedicados a várias divindades, residências, locais de trabalho e de estudo para os sacerdotes, armazéns e outros prédios administrativos e - como figura dominante do local mais sagrado da cidade - um zigurate, uma pirâmide que se elevava ao céu em andares (geralmente sete). O andar mais alto era uma estrutura de vários aposentos, cujo propósito - literal - era servir de residência do grande deus cujo "centro de culto" (como os estudiosos gostam de chamar) era a própria cidade.

Uma boa ilustração do projeto de tal construção sagrada; o zigurate, é uma reconstrução baseada em descobertas arqueológicas na área local sagrada em Nippur (NI.IBRU em sumério), o "quartel-general" dos primeiros dias do deus Enlil; mostra um zigurate com uma base quadrada no interior de um terreno retangular. Arqueólogos bafejados pela sorte desenterraram uma tábua na qual um cartógrafo antigo desenhou um mapa de Nippur; mostra claramente o terreno sagrado retangular com o zigurate de base quadrada, o nome (em escrita cuneiforme), o E.KUR - "Casa, que parece urna montanha". A orientação do zigurate e dos templos era tal que os cantos da estrutura apontavam para os quatro pontos cardeais, de forma que os lados da estrutura se voltavam para o nordeste, sudoeste, noroeste e sudeste.

Orientar os cantos do zigurate de acordo com os pontos cardeais - sem uma bússola - não era uma tarefa fácil. Mas era tal orientação que tomava possível varrer os céus em muitas direções e ângulos. Cada estágio do zigurate providenciava um ponto mais alto, e, dessa forma, um horizonte diferente, ajustável à localização geográfica; a linha entre os cantos leste e oeste providenciava a orientação para os equinócios; os lados proporcionavam uma vista do solstício tanto no nascer quanto no pôr-do-sol, no verão e no inverno. Astrônomos modernos têm encontrado muitas dessas orientações para observação no famoso zigurate da Babilônia, cujas medidas precisas e planos de construção foram localizados em tábuas de argila.

Estruturas quadradas ou retangulares, com ângulos precisos, eram as formas tradicionais dos zigurates e templos da Mesopotâmia, quer examinemos o local sagrado de Ur - por volta de 2.100 a.C., a época de Stonehenge II -, quer retornemos aos templos mais antigos, construídos numa plataforma mais elevada, que remontam a 3.100 a.C. - dois ou três séculos antes das datas de Stonehenge I.

A forma deliberada pela qual os templos mesopotâmicos, em todas as épocas, receberam o formato retangular e orientações específicas podem ser facilmente inferida do projeto na Babilônia, ao se comparar o traçado aleatório dos prédios e cidades nos tempos babilônicos com o desenho perfeitamente geométrico e reto dos locais sagrados e com a forma quadrada de seu zigurate.

mm encontradas nas ruínas de cidades mais novas; um local sagrado (como esse num local chamado Khafajeh) era muitas vezes cercado por um muro oval. Fica claro que evitar a conhecida forma circular nos templos foi intencional.

Os templos mesopotâmicos eram assim retangulares, e os zigurates, de base quadrada e intencional. Para o caso de alguém se perguntar se isso era porque os sumérios e seus sucessores não conheciam o círculo nem eram capazes de construir um, é suficiente lembrar que nas tabelas matemáticas certos números-­chave do sistema sexagesimal (base 60) eram representados por círculos; em tabelas que lidavam com geometria e medidas de terras, as instruções para medir áreas regulares e irregulares incluíam círculos. A roda circular era conhecida - mais uma "inovação" suméria. Residências claramente circulares foram encontradas nas ruínas de cidades mais novas; um local sagrado (como esse num local chamado Khafajeh) era muitas vezes cercado por um muro oval. Fica claro que evitar a conhecida forma circular nos templos foi intencional.­


Assim havia diferenças básicas quanto ao projeto, à arquitetura e à orientação entre os templos sumérios e Stonehenge, ao que se poderia acrescentar que os sumérios não trabalhavam com pedras (pois não havia pedreiras nas planícies de aluvião entre os rios Tigre e Eufrates). Os sumérios não foram os que planejaram e executaram Stonehenge; e a única coisa que pode ser considerada uma exceção às descobertas e templos sumérios, como veremos, reforça essa conclusão.

Portanto, se os egípcios, fenícios, primeiros gregos ou os sumérios e seus sucessores não construíram Stonehenge, quem teria vindo à planície de Salisbury para planejar e supervisionar sua construção?

Uma pista interessante emerge quando se lêem as lendas que se referem aos túmulos de Newgrange. Segundo Michael J. O'Kelly, um grande arquiteto e explorador do local e seus arredores (Newgrange: Archaeology, Art and Legend), o local era conhecido no folclore da Irlanda por vários nomes que o designavam como Brug Oengusa, a "Casa de Oengus", filho do deus principal do panteão pré-celta, que viera "do Outromundo" para a Irlanda. Esse deus principal era conhecido como An Dagda, "An, o bom deus"...

De fato era impressionante encontrar o nome da divindade principal em todos esses locais diversos - na Suméria e em seu E.ANNA, o zigurate de Uruk; na Heliópolis dos egípcios, cujo verdadeiro nome era Anu; e na Irlanda distante...

Isso poderia ser uma pista importante e não uma insignificante coincidência, o que se torna possível ao se examinar o nome do filho desse" deus-chefe", Oengus. Quando o sacerdote babilônico Beroso escreveu, por volta de 290 a.C., a história e a pré-história da Mesopotâmia e da humanidade, segundo os registros sumérios e babilônicos, ele (ou os gregos que os copiaram) citam o nome de Enki, "Oanes". Enki era o líder do primeiro grupo de anunaques que desceu à Terra, no golfo Pérsico; era o cientista-chefe dos anunaques e o que escrevia toda a sabedoria nos ME, enigmáticos objetos que, com nossa tecnologia presente, poderíamos comparar a discos de memória de computador. De fato, ele era filho de Anu; teria sido ele quem se tornaria o deus Oengus do mito pré-celta, o filho de An Dagda?

"Tudo o que sabemos foi ensinado pelos deuses", repetiam sempre os sumérios.

Quer dizer que não foram os povos antigos que criaram Stonehenge e sim os deuses antigos?



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