2004 editora best seller título original: When Time Began Copyright 1993 by Zecharia Sitchin Sumário



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Guardiões de Segredos
Entre o ocaso e o amanhecer houve a noite.

A Bíblia constantemente afirma a inspiração do Criador na "Hoste do Céu" - as miríades de estrelas e planetas, luas e pequenos satélites que brilham no Domo dos Céus quando cai a noite. "Os céus falam da glória do Senhor e o Domo dos Céus revela o trabalho de sua mão divina", escreve o salmista. Os "céus" assim descritos eram os céus noturnos; a glória à qual ele se refere foi trazida para a humanidade por astrônomos-sacerdotes. Foram eles que tiveram de extrair sentido dos incontáveis corpos celestes, reconhecer as estrelas por seus grupos, distinguir entre as estrelas imóveis e os planetas errantes, conhecer os movimentos do Sol e da Lua, e manter a contagem do Tempo ­o ciclo de dias sagrados e os festivais, o calendário.

Os dias sagrados começavam ao anoitecer da noite anterior - um costume ainda mantido no calendário hebraico. Um texto que descreve os deveres do sacerdote Urigallu durante o festival de Ano Novo de doze dias na Babilônia não apenas esclarece a origem de outros rituais, mas também da ligação entre as observações celestes e os procedimentos no festival. No texto descoberto (geralmente considerado como de origem suméria, assim como o próprio título do sacerdote URI.GALLU), o início, que trata da determinação do primeiro dia do Ano Novo (o primeiro do mês Nissan, na Babilônia) de acordo com o equinócio de primavera, está faltando. A inscrição começa com as instruções para o segundo dia:
No segundo dia do mês Nisanu, duas horas na noite

O sacerdote Urigallu deve acordar e se lavar com água do rio.


Então, colocando uma túnica de puro linho, ele poderia se colocar na presença do grande deus (Marduk na Babilônia) e recitar orações prescritas no Santo dos Santos do zigurate (o Esagil na Babilônia). Essa recitação, que ninguém mais podia ouvir, era considerada tão secreta que antes das linhas onde estavam inscritas as palavras, o sacerdote incluíra o seguinte aviso: "Vinte e uma linhas: segredos do templo Esagil. Quem quer que reverencie o deus Marduk não as irá mostrar para ninguém, a não ser para o sacerdote Urigallu".

Depois que terminava de rezar essa oração secreta, o sacerdote Urigallu abria os portões do templo para deixar entrar os sacerdotes Eribiti, que "continuavam a realizar seus ritos, da forma tradicional", juntamente com músicos e cantores. O texto então detalha o restante dos deveres do sacerdote Urigallu naquela noite.

"No terceiro dia do mês Nisanu", num horário depois do pôr-do-sol, impossível de se identificar no texto original, por este estar danificado demais, o sacerdote Urigallu deveria outra vez realizar determinados ritos e recitações; isso ele fazia ao longo da noite, até "três horas depois do nascer do sol", quando precisava instruir os artesãos que iriam criar imagens de metal e pedras preciosas para ser usadas em cerimônias no sexto dia. No quarto dia, às "três horas e um terço da noite", os rituais se repetiam, mas as orações agora se expandiam para incluir um serviço separado para a esposa de Marduk, a deusa Sarpanit. Os fiéis então prestavam homenagem aos outros deuses do Céu e da Terra e pediam a graça de uma longa vida ao rei e prosperidade para o povo da Babilônia. Foi depois disso que o advento do Ano Novo passou a ser diretamente ligado ao Tempo do Equinócio na constelação do Carneiro: o nascer da estrela do Carneiro próxima ao sol ao amanhecer. Pronunciando a bênção "Iku-estrela" sobre o Esagil, imagem do céu e da terra", o restante do dia passava-se em orações, cantos e músicas. Nesse dia, depois do ocaso, o Enuma Elish, a Epopéia da Criação, era recitado na íntegra.

O quinto dia de Nissan foi comparado por Henri Frankfort (Kingship and the Gods) com o Dia do Perdão dos judeus, pois nesse dia o rei era levado para a capela principal e ali retiravam-­se todos os símbolos de realeza; depois disso, ele era atingido na face pelo sacerdote e humilhava-se prostrando-se no chão, declarando suas culpas e arrependimentos. O texto que temos estudado (por F. Thureau-Dangin, Rituels Accadiens, e E. Ebeling em Altorientalische Texte zum alten Testament) trata, entretanto, apenas dos deveres do sacerdote Urigallu; lemos então que nessa noite o sacerdote, "às quatro horas da noite", recitava doze vezes a oração "Meu Senhor, não é ele meu Senhor", em honra a Marduk, e invocava o Sol, a Lua e as doze constelações do zodíaco. Segue-se uma oração para a deusa, na qual seu epíteto, DAM.KI.ANNA (Senhora da Terra e do Céu), revelava a origem suméria do ritual. O fiel a comparava ao planeta Vênus, que "brilha muito entre as outras estrelas", citando sete constelações. Depois dessas orações, que esgotavam os aspectos astronômico-­calendáricos da ocasião, músicos e cantores desempenhavam suas artes "da forma tradicional" e um café da manhã era servido a Marduk e Sarpanit "duas horas depois da aurora".

Os rituais babilônicos do Ano Novo se originaram do sumério AKITI ("A Vida Construída na Terra"), um festival cujas raízes podem ser traçadas até a visita de Anu e sua esposa Antu à Terra, por volta de 3.800 a.C. (segundo os textos), quando o zodíaco era dominado pelo Touro do Céu, na Era de Touro. Sugerimos que tenha sido nessa época que o Tempo Contado, o calendário de Nippur, foi passado para a humanidade. Inevitavelmente as observações celestes decorrentes levaram à criação de uma classe de sacerdotes-astrônomos.

Vários textos, alguns bem preservados e outros que só sobreviveram em fragmentos, descrevem a pompa e circunstância da visita de Anu e Antu a Uruk (a Erech bíblica) e as cerimônias que se tornaram os rituais do festival de Ano Novo nos milênios que se seguiram. Os trabalhos de F. Thureau-Dangin e E. Ebeling ainda constituem a fundação na qual estudos subseqüentes seriam baseados; os textos antigos foram então brilhantemente utilizados pelos escavadores alemães de Uruk para localizar, identificar e reconstruir o antigo santuário sagrado - os muros e portões, os pátios, altares e construções específicas, assim como os três templos principais: o zigurate E.ANNA ("Casa de Anu"), o Bit-Resh (Templo Principal), que também era uma torre em estágios, e o Irigal, o templo dedicado a Inana/Ishtar. Dos muitos volumes dos relatórios dos arqueólogos (Ausgrabungen der Deutschen Forschungsgemeinschaft in Uruk- Warka), de particular interesse para a espantosa correlação entre textos e modernas escavações são o segundo (Archaische Texte aus Uruk) e o terceiro (Topographie Von Uruk), por Adam Falkenstein.

Surpreendentemente, os textos nas tábuas de argila (cujos colofões do escriba identificam como cópia de um original anterior) claramente descrevem dois grupos de rituais - um acontecendo no mês de Nissan (o mês do equinócio de primavera) e o outro em Tishrei (o mês do equinócio de outono); o primeiro se tornaria o Ano Novo babilônico e assírio, e o último seria marcado no calendário judeu, seguindo o mandamento bíblico para comemorar o Ano Novo "no sétimo mês", Tishrei. Embora o motivo para essa diversidade ainda intrigue os estudiosos, Ebeling reparou que os textos de Nissan pareciam mais bem preservados do que os de Tishrei, mais fragmentados, sugerindo uma certa influência dos últimos sacerdotes escribas; Falkenstein reparou que os rituais de Nissan e Tishrei, que pareciam idênticos, não o eram; o primeiro enfatizava as várias observações celestes, enquanto o segundo priorizava os rituais no interior do Santo dos Santos e em sua ante-sala.

Dos vários textos, dois em especial tratavam dos rituais do anoitecer e do amanhecer. O mais antigo, longo e bem preservado é especialmente legível desde o ponto em que Anu e Antu, os visitantes divinos de Nibiru, estão sentados no pátio do santuário, prontos a começar um banquete generoso. Enquanto o Sol se punha no oeste, os astrônomos-sacerdotes nos vários estágios do zigurate deviam observar os planetas e anunciar o momento em que avistavam a chegada de cada um, começando com Nibiru.


No primeiro turno da noite do telhado do estágio mais alto da torre do templo principal, quando o planeta Grande Anu do Céu e o planeta Grande Antu do Céu aparecem na constelação do Carro, o sacerdote deve recitar as composições Ana tamshil zimu bane Kakkab shamami Anu sharru e Ittatza tzalam banu.
Enquanto essas composições ("Para aquele que brilha mais, o planeta celestial do Senhor Anu" e "A imagem do Criador chegou") eram executadas a partir do zigurate, o vinho era oferecido aos deuses, de um vaso sagrado de ouro. Depois, em sucessão, os sacerdotes anunciavam a aparição de Júpiter, Vênus, Mercúrio, Saturno, Marte e a Lua. A cerimônia de lavar as mãos se seguia, honrando, com sete recipientes de ouro a derramar água, os seis luzeiros da noite mais o Sol. Uma grande tocha de "petróleo misturado com especiarias" era acesa; todos os sacerdotes cantavam o hino Kakkab Anu etellu shamame (O Planeta de Anu ergueu-se no céu) e o banquete podia começar. Depois Anu e Antu saíam para a noite e conduziam os deuses ao lugar onde ficariam de vigia até o amanhecer. Então, "quarenta minutos depois da aurora", Anu e Antu eram acordados "trazendo um fim para sua estadia noturna".

As comemorações matutinas começavam no lado de fora do templo, no pátio da Bit Akitu ("Casa do Festival de Ano Novo" em acadiano). Enlil e Enki aguardavam Anu no "suporte de ouro", permanecendo ao lado dele ou segurando vários objetos; os termos acadianos, cujo significado preciso parece escapar, são mais bem traduzidos como "aquilo que abre os segredos", "os discos do Sol" (plural!) e "os postes esplêndidos e brilhantes". Anu então chegava ao pátio, acompanhado pelos deuses em procissão. "Ele caminhava até o Grande Trono no pátio do Akitu e sentava-se de frente para o sol nascente." Então Enlil juntava-se a ele, acomodando-se à direita, e Enki, à esquerda; Antu, Nanar/Sin e Inana/ Ishtar assumiam seus lugares atrás de Anu, que estava sentado.

A afirmação de que Anu se sentava "de frente para o Sol nascente não deixa dúvida de que a cerimônia envolve a determinação de um momento ligado ao nascer do Sol num dia em particular - o primeiro dia de Nissan (o dia do equinócio de primavera) ou o primeiro dia de Tishrei (o equinócio de outono). Só quando essa cerimônia da aurora se completava é que Anu era levado por um dos deuses e pelo sumo sacerdote para o BARAG.GAL - o "Santo dos Santos" no interior do templo.

(BARAG significa "santuário interno, lugar oculto" e GAL significa "grande, mais importante". O termo evoluiu para Baragu/Barakhu/Parakhu em acadiano, com os significados: "Santuário Interior, Santo dos Santos" incluindo a tela que o separava da ante-sala. Esse termo aparece na Bíblia como a palavra hebraica Parokhet, que designava tanto o Santo dos Santos como o tecido que o separava da ante-sala. As tradições e rituais que se iniciaram na Suméria foram assim conservadas, tanto física como lingüisticamente).

Outro texto de Uruk, instruindo os sacerdotes a observar o sacrifício diário, pede que sejam sacrificados "carneiros gordos e limpos, cujos chifres e pelego estivessem inteiros" para as divindades Anu e Antu, "para os planetas Júpiter, Vênus, Mercúrio, Saturno e Marte; para o Sol que se levanta e para a Lua quando aparecer". O texto explica que "aparecer" diz respeito a cada um dos corpos celestes: significa o momento quando eles vêm descansar no instrumento que está "no meio do Bít Mahazzat" ("Casa da Visão"). Instruções posteriores sugerem que esse aposento fosse "no estágio superior da torre-templo do deus Anu".

As representações têm mostrado os seres divinos nos dois lados da entrada de um templo e segurando postes aos quais estão presos objetos que parecem anéis. A natureza celeste da cena é indicada pela inclusão dos símbolos do Sol e da Lua. Por um lado, o artista antigo pode ter pretendido ilustrar a cena descrita no texto ritual Uruk - mostrando Enlil e Enki flanqueando um portal através do qual Anu faz uma grande entrada. Os dois deuses estão segurando postes aos quais estão ligados dispositivos para ver (instrumentos circulares, com um furo no meio, o que está de acordo com o texto que falava dos discos solares no plural); os símbolos do Sol e da Lua são mostrados sobre o portão.

Outras representações dos postes com anéis sem ninguém a segurá-los, ao lado das entradas dos templos, sugerem que eram os ancestrais das estruturas eretas que flanqueavam os templos em todo o Oriente Médio nos milênios seguintes, seja nas colunas do templo de Salomão, seja nos obeliscos dos egípcios. Que os originais tivessem uma função verdadeira e não apenas astronômica pode ser deduzido de uma inscrição pelo rei assírio Tiglatpileser I (1.115-1.077 a.C.), na qual ele registrou a restauração do templo de Anu e Adad, que fora construído 641 anos antes e estava em ruínas havia sessenta anos. Descrevendo como ele limpou os destroços para chegar até a fundação e seguiu o desenho original na reconstrução, o rei assírio disse:
Duas grandes torres para discernir dois grandes deuses

Construí na Casa do Brilho ­um lugar para a alegria deles, um lugar para que Se orgulhem ­ um brilho das estrelas do céu.

Com a habilidade do arquiteto, com meu próprio planejamento e Execução, os interiores dos templos tornei esplêndidos

E em seu meio fiz um lugar para os raios diretos dos céus, nas paredes fiz Com que as estrelas aparecessem.

Tornei grande seu brilho, as torres que fiz para se elevarem ao céu.
De acordo com esse relato, as duas grandes torres do templo não eram apenas aspectos da arquitetura, mas serviam a um propósito astronômico. Walter Andrae, que liderou algumas das mais compensadoras escavações na Assíria, expressou a idéia de que as "coroas" serradas que encimavam as portas dos templos em Assur, a capital assíria, de fato serviam a tal propósito (Die Jüngeren Ishtar-Tempel). Ele encontrou confirmação para a conclusão de que, em ilustrações relevantes em cilindros assírios, as torres são associadas com símbolos celestes. Andrae supôs que alguns dos altares mostrados (geralmente aparece um sacerdote realizando os ritos) também serviam a um propósito celeste (astronômico). Em suas superestruturas serradas essas instalações, altas nos portais dos templos ou nos pátios abertos dos santuários, criaram substitutos para os estágios em degraus dos zigurates, quando estes deram lugar a templos de telhado achatado, mais fáceis de construir.

A inscrição assíria também serve como lembrete de que não apenas o Sol na aurora, e o nascer de estrelas e planetas, mas também a Hoste do Céu noturno era observada pelos sacerdotes-astrônomos. Um exemplo perfeito de tais observações duplas é o do planeta Vênus, que, por ter um tempo de órbita menor em torno do Sol do que da Terra, parece, a um observador situado em nosso planeta, metade do tempo uma estrela da noite e metade do tempo uma estrela da manhã. Um hino sumério a Inana/ Ishtar, cujo equivalente celeste é o planeta que chamamos de Vênus, adorava o planeta de início como estrela da noite, depois como estrela da manhã.


O sagrado aparece contra o céu claro;

Sobre todas as terras e todas as pessoas a deusa olha docemente do meio do céu...

À tarde uma estrela radiante, uma grande luz que enche o céu;

A Dama da Noite, Inana, está orgulhosa no horizonte.


Descrevendo como pessoas e animais se retiram para passar a noite" em seus lugares de dormir" depois do aparecimento da estrela vespertina, o hino continua a oferecer adoração a Inana/Vênus como a estrela da manhã: "Ela faz a manhã chegar, traz a luz do dia; e nos quartos, o doce sono chega ao fim".

Enquanto tais textos lançam luz sobre o papel dos zigurates e seus estágios mais elevados na observação do céu noturno, eles também levantam uma intrigante pergunta: os sacerdotes-astrônomos observavam o céu a olho nu ou possuíam instrumentos para apontar com precisão essas observações? A resposta é fornecida por representações de zigurates em cujos estágios superiores existem postes encimados por objetos circulares; sua função celeste é indicada pela imagem de Vênus ou da Lua.

Os dispositivos em forma de chifres servem como conexão para representações egípcias de instrumentos de observação astronômica associados aos templos. Lá, os dispositivos de visão consistiam em um aro circular colocado no centro de um par de chifres no alto de um poste em frente aos templos de um deus chamado Min. O festival deste, celebrado uma vez por ano na época do solstício de verão, envolvia o erguimento de um mastro alto por grupos de homens puxando cordas - um antecessor, talvez, dos festivais que usam mastros enfeitados na Europa. No topo desse mastro está o emblema de Min - o templo com os chifres lunares de visão.

A identidade de Min é misteriosa. As evidências sugerem que ele já era adorado na época pré-dinástica, mesmo no período arcaico que precedeu o reinado dos faraós em muitos séculos. Como os primitivos deuses Neteru ("Guardiões") egípcios, ele veio para o Egito de algum outro lugar. G. A. Wainwright ("Algumas Associações Celestes de Min", no Journal of Egyptian Archaeology, v. XXI) e outros acreditam que veio da Ásia; outra opinião (Martin Isler, no Journal of the American Research Center in Egypt, v. XXVII) é que Min chegou ao Egito por mar. Min também era conhecido como Amsu ou Khem, o que, segundo E. A. Wallis Budge (The Gods of Egyptians), representava a Lua e significava "regeneração" - uma conotação calendárica.

Em algumas representações egípcias a Deusa da Lua, Qetesh, era mostrada em pé junto a Min. Ainda mais interessante é o símbolo de Min, que alguns chamam seu "machado duplo", mas outros consideravam um gnômon, um instrumento de operação manual para auxiliar a visão do céu, representando os crescentes da Lua.

Seria Min outra encarnação de Thot, que estava firmemente ligado ao calendário lunar no Egito? O certo é que Min possuía um relacionamento celeste com o Touro do Céu, a constelação de Touro, cuja era foi de cerca de 4.400 a 2.100 a.C. Os dispositivos de visão que temos examinado nas representações mesopotâmicas e suas associações com Min no Egito representam alguns dos mais antigos instrumentos astronômicos na Terra.

De acordo com os textos rituais de Uruk, um instrumento chamado Itz Pashshuri era usado para observações planetárias. Thureau-Dangin traduziu o termo simplesmente como "um aparato", mas o termo literalmente significa um instrumento "que resolve, que abre segredos". Esse instrumento seria tal qual os objetos circulares que ficavam no alto de postes, ou se trataria de um termo genérico, significando "instrumento astronômico" em geral? Não podemos ter certeza porque os dois tipos de textos e representações foram descobertos, desde o tempo dos sumérios, o que atesta a existência de uma variedade de tais instrumentos.

O dispositivo astronômico mais simples era o gnômon (do grego "aquele que sabe"), um instrumento que seguia os movimentos do Sol pela sombra projetada por uma vareta ou um poste; o comprimento da sombra (vai ficando menor à medida que o sol se aproxima do meio-dia) indicava a hora do dia, enquanto a direção (onde os raios de sol apareceram primeiro e lançaram a maior sombra) podia indicar a estação. Os arqueólogos encontraram tais dispositivos em locais egípcios que eram marcados para mostrar o tempo. Como na época do solstício as sombras ficam longas demais, os dispositivos achatados eram melhorados inclinando-se a escala horizontal, reduzindo portanto o comprimento da sombra. Com o tempo, isso levou a relógios de sol estruturais, construídos como escadas que indicam o tempo à medida que a sombra avança para cima e para baixo.

Relógios de sol também se desenvolveram quando o suporte do poste recebeu uma base semicircular na qual era marcada uma escala angular. Arqueólogos descobriram tais instrumentos em locais egípcios, porém o mais antigo descoberto até agora vem da cidade cananéia de Gezer, em Israel; possui uma escala angular comum num dos lados e uma cena de adoração do deus egípcio Thot do outro. Esse relógio de sol, feito de marfim, ostenta o cartucho do faraó Merenptah, que reinou no século XIII a.C.

Relógios de sol são mencionados na Bíblia. O Livro de Jó refere-se a gnômons portáteis que eram usados para marcar o tempo; quando se diz que um trabalhador contratado "desejava merecidamente a sombra", isso indicava que era o momento de receber seus salários do dia (Jó 7:2). Menos clara é a natureza do relógio de sol que apresentou um miraculoso incidente, narrado em Reis II, capítulo 20, e em Isaías, capítulo 38. Quando o profeta Isaías disse ao rei Ezequias que este iria se recuperar completamente em três dias, o rei não acreditou. Então o profeta fez uma previsão: ao invés de se mover para a frente, as sombras do relógio de sol do templo seriam trazidas "dez graus para trás". O texto hebreu usa o termo Ma'aloth Ahaz, as "escadas" ou "graus" do rei Ahaz. Alguns estudiosos interpretam a afirmação como referente a um relógio de sol com uma escala angular (graus), enquanto outros acreditam que se trata de uma escadaria verdadeira. Talvez fosse uma combinação dos dois, uma versão primitiva do relógio de sol ainda existente em Jaipur, na Índia.

Seja como for, os estudiosos concordam, em sua maioria, que o relógio mencionado na profecia foi um presente para o rei judeu Ahaz, por parte do rei assírio Tiglatpileser II no século VIII a.C. A despeito de seu nome grego (gnômon), cujo uso persistiu durante a Idade Média, não se tratava de uma invenção grega, ao que parecia, nem mesmo egípcia. Segundo Plínio, o Velho, o sábio que viveu no século I, a ciência da gnomônica foi descrita primeiramente por Anaximandro de Mileto, que possuía um instrumento chamado "caçador de sombras". Porém o próprio Anaximandro, em seu trabalho (escrito em grego) Sobre a Natureza (547 a.C.) escreveu que havia obtido seu gnômon nas terras da Babilônia.

Ao que nos parece, o texto em Reis II, capítulo 20, sugere um mostrador desenhado ao invés de uma escadaria e ficava no pátio do Templo (tinha de ficar em espaço aberto, onde o Sol criasse sombras). Se Andrae estava certo em relação à função astronômica do altar, era possível que o instrumento fosse colocado sobre o altar principal do Templo. Tal altar possuía quatro "chifres", um termo hebreu (Keren) que também significa "canto, esquina", além de "raio" - termos que sugerem uma origem astronômica. Evidências em desenhos apoiando tal possibilidade vão desde a representação dos zigurates, na Suméria, onde os "chifres" precederam os objetos circulares, até a época dos gregos. Em tábuas representando altares de vários séculos depois da época de Ezequias, podemos ver um anel de mira num suporte curto colocado entre os dois altares; numa segunda ilustração vemos um altar flanqueado por instrumentos para ver o Sol e a Lua.

Ao considerar os instrumentos astronômicos da Antiguidade, estamos na verdade lidando com conhecimento e sofisticação que remontam alguns milênios atrás, até a antiga Suméria.

Uma das representações mais arcaicas da Suméria, que mostra uma procissão de assistentes de templo segurando instrumentos e ferramentas, apresenta um deles segurando um poste com um instrumento astronômico ao alto: um dispositivo que liga dois postes curtos com miras no alto. Os dois anéis iguais nessa disposição são familiares até mesmo hoje em dia, em modernos binóculos ou teodolitos, para criar e medir profundidade e distância. Ao carregar tudo, o assistente mostra que se tratava de um dispositivo portátil, um instrumento que poderia ser empregado em várias posições.

Se o processo da observação celeste progrediu de zigurates maciços e de círculos de pedras enormes para torres de observação e altares especialmente desenhados, os instrumentos com os quais os astrônomos-sacerdotes varriam os céus à noite ou seguiam o Sol durante o dia devem ter progredido na mesma direção. Que tais instrumentos se tenham tornado portáteis é uma afirmativa que faz sentido, especialmente se alguns tiverem sido usados não apenas para propósitos calendáricos (fixar as datas dos festivais), mas também para navegação. Ao final do segundo milênio a.C. os fenícios, do norte de Canaã, se tornaram os melhores navegadores do mundo antigo; percorrendo as rotas de comércio, entre os pilares de pedra em Biblos e os que existem nas Ilhas Britânicas, seu posto mais avançado a oeste foi Cartago (Keret-Hadash, "Cidade Nova"). Lá adotaram como seu símbolo divino principal o desenho de um instrumento astronômico; antes que começasse a aparecer em estelas e lápides, foi mostrado em associação com dois pilares de dois anéis que flanqueavam a entrada do templo - como antes, na Mesopotâmia. O anel flanqueado por dois crescentes, um oposto ao outro, sugere observação das fases do Sol e da Lua.

Uma "tabela votiva" encontrada nas ruínas de um acampamento fenício na Sicília representa uma cena num quintal aberto, sugerindo que os movimentos do Sol e não os da noite eram o objetivo astronômico. Um pilar com o anel e um altar ficavam em frente à estrutura de três colunas; lá, também, existe um dispositivo para observação: um anel entre dois postes verticais curtos, colocados numa barra horizontal e montados sobre uma base triangular. Essa forma em particular para observação do Sol traz à mente o hieróglifo egípcio para "horizonte" - o sol erguendo-se entre duas montanhas. Na verdade, o dispositivo fenício (os acadêmicos se referem a ele como" objeto de culto") sugere um par de mãos levantadas e está relacionado ao hieróglifo egípcio para Ká, que representa o espírito ou alter ego do faraó para a jornada depois da morte rumo à habitação dos deuses, no "Planeta de milhões de anos". A origem do Ká poderia ter sido um início como instrumento astronômico, como sugere a antiga representação egípcia de um dispositivo de visão à frente de um templo.

Todas essas semelhanças e sua origem astronômica deveriam adicionar idéias novas à compreensão da representação egípcia da subida do Ká na direção do planeta dos deuses com as mãos estendidas para emular o dispositivo sumério; encontra-se no alto de um pilar com degraus ou estágios.

O hieróglifo egípcio que mostra esse pilar chamava-se Ded, que significava "Eternidade". Era freqüentemente mostrado aos pares, porque dois pilares daquela forma ficavam em frente ao templo principal de Osíris, em Abidos. Nos Textos das Pirâmides, nos quais são descritas as viagens dos faraós, os dois pilares Ded são mostrados flanqueando a "Porta do Céu". As portas duplas ficam fechadas até que a alma do faraó recém-chegada pronuncie a fórmula mágica: "Ó Excelso, vossa Porta do Céu: o rei veio até vós; abre a porta para ele". Então, subitamente, as "portas duplas se abriam... o espaço entre as janelas celestes se abria". Alçando vôo como um grande falcão, o Ká do faraó se junta aos deuses na eternidade.

O Livro dos Mortos dos egípcios não nos alcançou na forma de um livro coeso, presumindo-se que essa concepção como "livro" tivesse existido de verdade; ao invés disso, deve ter sido uma espécie de coletânea dos textos escritos nas paredes das sepulturas reais. Porém um livro completo chegou até nós do Egito Antigo, e mostra que uma subida para o céu a fim de conquistar imortalidade era tida como ligada ao calendário.

O livro ao qual nos referimos é o Livro de Enoch, uma antiga composição conhecida em duas versões, uma etíope, que os acadêmicos chamam de "Enoch 1", e uma versão eslava, identificada como "Enoch 2", que também é conhecida como O Livro dos Segredos de Enoch. As duas versões, das quais os manuscritos copiados foram encontrados principalmente em traduções latinas e gregas, são baseadas em fontes mais antigas que aumentam a curta referência bíblica a Enoch, o sétimo patriarca depois de Adão, que não morreu, porque, com a idade de 365, ele "andou com Deus" - foi levado na direção do céu para reunir-se com a divindade.

Aumentando esse breve episódio na Bíblia (Gênesis, capítulo 5), o livro descreve em detalhes as duas viagens de Enoch ao céu - a primeira para aprender os segredos celestes, voltar e transmitir sua sabedoria aos filhos; a segunda para ficar na habitação celeste. As várias versões indicam grande conhecimento astronômico em relação aos movimentos do Sol e da Lua, os solstícios e equinócios, os motivos para a diminuição e o aumento dos dias, a estrutura do calendário, os anos solar e lunar, além da regra para a intercalação. Em essência, os segredos atribuídos a Enoch e passados por ele a seus filhos eram o conhecimento de astronomia relativo ao calendário.

Acredita-se que autor de O Livro dos Segredos de Enoch, a assim chamada versão eslava, seja (para citar R. H. Charles, The Apocrypha and Pseudepigrapha of the Old Testament) "um judeu que viveu no Egito, provavelmente em Alexandria", em alguma época por volta do começo da era cristã. Assim conclui o livro:
Enoch nasceu no sexto dia do mês de Tsivan, e viveu trezentos e sessenta e cinco anos.

Ele foi levado para o céu no primeiro dia do mês Tsivan e permaneceu no céu por sessenta dias.

Escreveu todos os sinais de toda a criação que o Senhor criou, e escreveu trezentos e sessenta e seis livros, e os entregou a seus filhos.

Foi levado (outra vez) para o céu no sexto dia do mês de Tsivan, no mesmo dia e hora em que nasceu.

Matusalém e seus irmãos, todos filhos de Enoch, apressaram-se em construir um altar no lugar chamado Ahuzan, onde Enoch foi levado para o céu.
Não apenas o conteúdo do Livro de Enoch - astronomia relacionada com o calendário - mas também a própria vida e ascensão de Enoch estão repletos de aspectos calendáricos. Seus anos na Terra, trezentos e sessenta e cinco, correspondem ao número de dias inteiros num ano solar; seu nascimento e a partida da Terra estão ligadas a um mês específico, até mesmo ao dia do mês.

A versão etíope é tida pelos acadêmicos como sendo vários séculos mais antiga do que a eslava, e partes da versão mais antiga foram retiradas de manuscritos ainda mais antigos, tais como a obra perdida O Livro de Noé. Fragmentos dos livros de Enoch foram descobertos entre os Manuscritos do Mar Morto. A história astronômico-calendárica de Enoch assim mergulha em grande antiguidade - talvez, como a Bíblia afirma, até a tempos antediluvianos.

Agora, que é certo que a história bíblica do Dilúvio e dos Nefilim (os anunaques bíblicos), da própria criação de Adão e da própria Terra, e dos patriarcas antediluvianos são formas abreviadas dos textos originais da Suméria, é quase certo que o Enoch bíblico seja o equivalente ao primeiro sacerdote sumério, EN.ME.DUR.AN.KI ("Alto Sacerdote dos ME da Ligação Céu­-Terra"), o homem da cidade Sippar levado para o céu a fim de aprender os segredos do Céu e da Terra, da adivinhação e do calendário. Foi com ele que a geração de astrônomos-sacerdotes, de Guardiões de Segredos, começou.

O fato de Min entregar aos astrônomos-sacerdotes o dispositivo de visão não foi uma ação extraordinária. Uma escultura suméria moldada em relevo mostra um grande deus segurando um dispositivo astronômico para um rei-sacerdote. Numerosas outras representações sumérias mostravam o rei recebendo uma régua de medir e uma corda graduada enrolada para o propósito de garantir a correta orientação astronômica dos templos. Tais representações só destacam a evidência textual explícita sobre a maneira como começou a linha de astrônomos-sacerdotes.

Teria o homem se tornado suficientemente arrogante para presumir que conseguiu todo esse conhecimento sozinho? Milênios atrás a questão foi abordada quando Jó recebeu ordem para admitir que nenhum homem, mas El, "o Magnífico", era o Guardião dos Segredos do Céu e da Terra:
Diz se conheces o segredo da ciência:

Quem mediu a Terra, que seja conhecido?

Quem estendeu uma corda sobre ela?

Onde foram forjadas suas plataformas?

Quem lançou sua pedra fundamental?
Você já arrumou a manhã, ou já compreendeu a Aurora de acordo com os cantos da terra?, foi perguntado a Jó. Sabe onde a luz do dia e a escuridão trocam de lugar, ou como a neve e o granizo caem do céu, ou a chuva, ou o orvalho? "Conhece as leis celestes, ou como elas regulam o que está sobre a superfície da Terra?”

O texto e as representações eram destinados a tomar claro que os humanos Guardiões de Segredos eram alunos, não professores. Os registros da Suméria não deixam dúvida de que os professores, os Guardiões de Segredos originais, eram os anunaques.

O líder do primeiro grupo de anunaques que veio à Terra, amerissando nas águas do golfo Pérsico, foi E.A – ele "cuja casa é a água". Foi o cientista-chefe dos anunaques e sua tarefa inicial era obter o ouro de que eles precisavam extraindo-o das águas do golfo - uma tarefa que exigia conhecimentos de física, química e metalurgia. Quando se tornou necessária uma mudança para mineração e a operação se transferiu para o sudeste da África, o conhecimento de geografia, geologia, geometria - de tudo o que chamamos de Ciências da Terra - entrou em jogo; não é de espantar que seu nome-epíteto fosse mudado para EN.KI, "Senhor da Terra", pois dele era o domínio dos segredos do nosso planeta. Finalmente, sugerindo e realizando a engenharia genética que trouxe Adão à existência - um feito no qual foi auxiliado por sua meia-irmã Ninharsag, a oficial-chefe dos médicos -, ele demonstrou sua capacidade nas Ciências da Vida: biologia, genética, evolução. Mais de cem MEs, os enigmáticos objetos que, como os discos de computador, continham a sabedoria, eram mantidos em seu centro, Eridu, na Suméria; ao sul do continente africano, uma estação científica guardava a "tábua da sabedoria" .

Toda essa sabedoria foi, a seu tempo, partilhada por Enki com seus seis filhos, cada um dos quais se tornou especialista em um ou mais desses segredos científicos.

O meio-irmão de Enki, EN.LIL - "Senhor do Comando" -, chegou em seguida à Terra. Sob essa liderança, o número de anunaques na Terra aumentou para seiscentos; além disso, trezentos IGI.GI ("Aqueles que Observam e Vêem") permaneceram na órbita terrestre, tripulando estações e operando transportes espaciais que chegavam e saíam. Estabeleceu o primeiro Centro de Missão de Controle em NI.IBRU, conhecida por nós pelo nome acadiano, Nippur, e as comunicações com o planeta natal, o DUR.AN.KI - "Ligação Céu-Terra". Cartas espaciais, dados celestes, os segredos da astronomia eram dele para saber e guardar. Ele planejou e supervisionou o estabelecimento da primeira base espacial em Sippar ("Cidade dos Pássaros"). Assuntos meteorológicos, ventos e chuvas eram as suas preocupações; assim também a certeza de transportes e suprimentos suficientes, incluindo a provisão local de estoques e as artes e ofícios da agricultura e pastoreio. Ele mantinha a disciplina entre os anunaques, presidia o conselho dos "Sete que Julgam", e permaneceu o deus supremo da lei e da ordem quando a humanidade começou a proliferar. Ele regulava as funções dos sacerdotes e, quando a realeza foi instituída, era chamado pelos sumérios de "enlileza".

Um longo e bem preservado Hino a Enlil, o Bondoso, encontrado entre as ruínas do E.DUB.BA, "Casa das Tábuas de Escrever" em Nippur, mencionou, em suas 170 linhas, muitas das conquistas científicas e organizacionais de Enlil. Em seu zigurate, o E.KUR "Casa que é como uma montanha", ele possuía um "raio que penetrava o coração de todas as terras". Ele "montou o Duranki", a "Ligação Céu-Terra". Em Nippur, erigiu "um termômetro do universo". Justiça e honestidade ele distribuía. Com os "ME do céu" que "ninguém podia contemplar" ele estabeleceu, na parte mais oculta do Ekur, "um zênite celeste, tão misterioso como o mar distante", contendo os "emblemas das estrelas... até a perfeição"; esses permitiram o estabelecimento dos rituais e festivais. Foi sob a orientação de Enlil que "cidades foram construídas, acampamentos estabelecidos, currais foram construídos, e também cercados para ovelhas", margens de rios foram controladas para evitar enchentes, foram feitos canais artificiais, para que os campos e riachos ficassem "cheios de grão abundante", jardins começaram a produzir frutas, aprendeu-se a tecer e a tricotar.

Esses foram os aspectos da sabedoria e civilização que Enlil transmitiu a seus filhos e netos, e, por meio deles, para a humanidade.

O processo pelo qual os anunaques resolveram partilhar esses diversos aspectos da ciência e da tecnologia com a humanidade permanece um campo de estudos negligenciado. Pouco foi feito para resolver, por exemplo, uma questão tão importante sobre como os sacerdotes-astrônomos começaram a existir - um evento sem o qual, hoje em dia, não saberíamos muito sobre nosso Sistema Solar, nem seríamos capazes de nos aventurar pelo espaço. Um dos acontecimentos mais importantes, o ensinamento dos segredos celestes para Enmeduranki, pode ser lido numa tábua conhecida que felizmente foi trazida à luz por W. G. Lambert em seu estudo Enmeduranki and Related Material:


Enmeduranki [foi] um príncipe em Sippar,

Amado por Anu, Enlil e Ea.

Shamash no Templo Brilhante o escolheu [como sacerdote].

Shamash e Adad [o levaram] para a reunião [dos deuses]...

Mostraram a ele como observar óleo e água, um segredo de Anu, Enlil e Ea.

Deram a ele a Tábua Divina,

O segredo kibbu do Céu e da Terra...

Eles o ensinaram a fazer cálculos com números.


Quando as instruções de Enmeduranki na sabedoria secreta dos anunaques ficaram completas, ele foi devolvido à Suméria. Os "homens de Nippur, Sippar e da Babilônia foram chamados a sua presença". Ele os informou de suas experiências e do estabelecimento da instituição do sacerdócio e que os deuses mandavam que fossem passados de pai para filho:
A sabedoria aprendida que guarda os segredos dos deuses irá prender seu filho favorito a um juramento perante Shamash e Adad...

E o irá instruir nos segredos dos deuses.


A tábua possui um post-scriptum:
Assim foi criada a linhagem de sacerdotes,

Daqueles a quem é permitido aproximar-se de Shamash e Adad.


Segundo as Listas de Reis Sumérios, Emnedurana foi o sétimo rei antediluviano e reinou em Sippar durante seis órbitas de Nibiru antes que fosse sumo sacerdote e rebatizado Emneduranki. No Livro de Enoch foi o arcanjo Uriel ("Deus é minha Luz") quem mostrou a Enoch os segredos do Sol (solstícios e equinócios, seis "portais" no total) e as "leis da Lua" (incluindo a intercalação), assim como as doze constelações de estrelas, "todos os trabalhos do céu". E ao final do aprendizado, Uriel deu a Enoch - assim como Shamash e Adad teriam dado a Enmeduranki - as "tábuas do céu", instruindo-o a estudar cuidadosamente e reparar em "qualquer fato individual". Retornando à Terra, Enoch passou sua sabedoria a seu filho mais velho, Matusalém. O Livro dos Segredos de Enoch inclui na sabedoria transmitida a ele "todos os trabalhos do céu, da terra e dos mares, e todos os elementos, suas passagens e caminhos, e o trovejar dos trovões; os segredos do Sol e da Lua; as mudanças nas estrelas; as estações, anos, dias e horas". Isso estaria de acordo com Shamash - o deus cujo equivalente celeste era o Sol e que comandava o espaçoporto, e de Adad, que era o "deus do clima" da antiguidade, deus das chuvas e tempestades. Shamash (Utu em sumério) era geralmente representado segurando a régua e a corda; Adad (Ishkur em sumério) era representado segurando um forcado de raios. A representação do selo real assírio (Tukulti-Ninurta I) mostra o rei sendo apresentado aos dois grandes deuses, talvez com o propósito de garantir a ele a sabedoria dada a Enmeduranki.

Apelos dos reis para serem agraciados com tanta "Sabedoria" e conhecimento científico quanto aqueles que antigos sábios famosos tinham possuído, ou o fato de esses reis se gabarem por saber tanto quanto eles não eram incomuns. A correspondência real da Assíria louvava um rei como "ultrapassando em conhecimento todos os homens sábios do Mundo Inferior" porque era um descendente do "sábio Adapa". Em outra instância, um rei babilônio declarou que possuía "sabedoria que ultrapassava até o que estava contido nos escritos que Adapa deixara". Essas eram referências a Adapa, o Sábio de Eridu (o centro de Enki na Suméria), a quem Enki ensinara "compreensão ampla" dos "projetos da Terra" - os segredos das Ciências Terrestres.

Não se pode deixar de fora a possibilidade de que, como Enmeduranki e Enoch, Adapa também fosse o sétimo numa linhagem de sábios, os Sábios de Eridu, e assim outra versão da memória suméria ecoa no registro bíblico sobre Enoch. Segundo essa história, sete Homens Sábios foram treinados em Eridu, a cidade de Enki; seus epítetos e conhecimentos em particular variavam de versão para versão. Rykle Borger, examinando essa história à luz da tradição de Enoch ("Die Beschworungsserie Bit Meshri und die Himmelfahrt Henochs", no Journal of Near Eastern Studies, V. 33), ficou especialmente fascinado pela inscrição na terceira tábua da série de Encantamentos Assírios. Nele, o nome de cada sábio é dado, assim como sua principal contribuição é explica da; fala assim do sétimo: "Utu-abzu, aquele que subiu aos céus". Citando esse texto, R. Borger concluiu que esse sétimo sábio, cujo nome combinado de Utu/Shamash com o domínio de Enki, o Mundo Inferior (Abzu), era o assírio "Enoch".

Segundo as referências assírias à sabedoria de Adapa, ele compôs um livro de ciências, chamado USAR d Anum d ENLILA - "Escritos em relação ao Tempo; do divino Anu e do divino Enlil". Adapa, assim, recebe o crédito por ter escrito o primeiro livro de astronomia e calendário para a humanidade.

Quando Enmeduranki subiu ao céu para aprender os vários segredos, seus deuses patronos eram Utu/Shamash e Adad/Ishkur, um neto e um filho de Enlil. Sua subida, portanto, estava sob cuidados enlilitas. De Adapa ficamos sabendo que quando Enki o enviou para o céu, na habitação de Anu, os dois deuses que agiram como "padrinhos" foram Dumuzi e Gizida, dois filhos de Ea/Enki. Lá, "Adapa, do horizonte do céu ao zênite do céu observou; viu seu espanto" - palavras refletidas no Livro de Enoch. Ao final da visita, Anu negou a ele vida eterna; em vez disso, decretou para Adapa "o sacerdócio da cidade de Ea para glorificar no futuro".

As implicações dessas histórias é que existiram duas linhas de sacerdotes - uma enlilita e a outra enkiita; e duas academias científicas centrais, uma na Nippur de Enlil e a outra em Eridu, de Enki. Ambos competindo e cooperando, sem dúvida, como os próprios irmãos faziam, parecendo ter adquirido suas especialidades. Essa conclusão, apoiada por eventos e artigos recentes, reflete o fato de que encontramos os anunaques mais importantes como tendo cada um seus talentos, especialidades e tarefas específicas.

À medida que continuamos a examinar essas especialidades e tarefas, iremos descobrir que o estreito relacionamento templo-astronomia-calendário também era expresso no fato de que as várias divindades, na Suméria e no Egito, combinavam essas especialidades com seus atributos. E considerando-se que os zigurates e templos serviam como observatórios - para determinar a passagem dos tempos Terrestre e Celeste -, as divindades com o conhecimento astronômico também foram aquelas com o conhecimento da orientação e projeto dos templos e seus planos.

"Diz, se tiveres ciência. Quem mediu a Terra, que seja conhecido? Quem estendeu uma corda sobre ela?" Assim foi perguntado a Jó, quando ele foi chamado para admitir que Deus, e não o homem, era o mais importante Guardião dos Segredos. Na cena da apresentação do rei-sacerdote para Shamash, o propósito ou essência do ocorrido é indicado por dois Divinos Seguradores de Corda. As duas cordas que eles esticam para um planeta emissor de raios formam um ângulo, sugerindo uma medida, não tanto de distância quanto de orientação. Uma representação egípcia de um motivo similar, uma cena pintada no Papiro da Rainha Nejmet, mostra como dois seguradores de cordas mediram um ângulo com base no planeta chamado o "Olho Vermelho de Hórus".

O esticar das cordas para se obter a orientação adequada de um templo era a tarefa de uma deusa chamada Shesheta, no Egito. Ela era, por um lado, a deusa do Calendário; seus epítetos eram "a grande, senhora das cartas, amante da Casa dos Livros" e seu símbolo era o estilo, feito de galho de palmeira, o que os egípcios chamavam de "contar os anos". Ela era representada com uma estrela de sete raios no interior do Arco do Céu em sua cabeça. Era a Deusa da Construção, mas apenas (conforme foi observado por sir Norman Lockyer, em The Dawn of Astronomy) para o propósito de determinar a orientação dos templos. Tal orientação não era errática nem matéria de adivinhação. Os egípcios dependiam de guias divinos para determinar a orientação e o eixo principal do templo; a tarefa era entregue a Shesheta. Auguste Mariette, relatando suas descobertas em Dendera, onde representações e inscrições pertencentes a Shesheta foram descobertas, disse que era ela "quem se certificava que a construção de santuários sagrados estava acontecendo exatamente de acordo com as instruções contidas nos Livros Divinos".

Determinar a orientação correta exigia uma cerimônia especial chamada Put-ser, que significa "a esticada da corda". A deusa enterrava o poste no solo, batendo nele com uma clava de ouro; o rei, guiado por ela, enterrava outro poste. Uma corda era então esticada entre os dois postes, indicando a orientação adequada; era determinada pela posição de uma estrela específica. Um estudo por Z. Zaba, publicado pela Academia Tchecoslovaca de Ciências (Archiv Orientalni, Suplemento 2, 1953), concluiu que a cerimônia revelava conhecimento do fenômeno da precessão e da divisão zodiacal do círculo celeste. O aspecto astral da cerimônia fica aparente por meio de relevantes inscrições, como aquela encontrada nas paredes do templo de Hórus, em Edfu. Registrou as palavras do faraó:
Apanho o poste,

Agarro o martelo pelo cabo,

Estico a corda com Sesheta.

Volto meu olhar para seguir os movimentos da estrela,

Fixo meus olhos na astralidade de Msihetu.

O deus-estrela que anuncia o tempo atinge o ângulo de seu Merkhet;

Estabeleço os quatro cantos do templo do deus.
Em outra oportunidade, relacionada ao trabalho de reconstrução de um templo em Abidos pelo faraó Seti I, a inscrição cita o rei:
O martelo em minha mão era de ouro.

Atingi o poste com ele.

Estavas comigo na capacidade de Harpedonapt.

Tua mão segurou a espada durante a fixação dos quatro cantos do templo Com precisão pelos quatro apoios do céu.


A cerimônia foi registrada por meio de ilustrações nas paredes do templo.

Sesheta era, de acordo com a teologia egípcia, a companheira e assistente de Thot, o deus egípcio das ciências, da matemática e do calendário - o Escriba Divino, que mantinha os registros dos deuses e o Guardião dos Segredos de construção das pirâmides.

Como tal, era o mais importante Arquiteto Divino.



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