5º festival de cinema latino-americano de sp



Baixar 140.37 Kb.
Página1/3
Encontro11.01.2018
Tamanho140.37 Kb.
  1   2   3

5º Festival de cinema Latino-Americano de SP
137 filmes de 15 países LATINO-AMERICANOS

de 12 A 18/07 em seis SALAS PAULISTANAS,

COM ENTRADA FRANCA
*** novos filmes de Daniel Burman, Pablo Stoll e Miguel Littin
*** as revelações da Costa Rica, Porto Rico, Bolívia, Uruguai e Peru
*** a nova geração do cinema brasileiro
*** homenagens ao brasileiro João Batista de Andrade e ao argentino Marcelo Piñeyro, que apresenta seu inédito “As Viúvas das Quintas-Feiras”
*** retrospectiva Consolidação da Retomada traz obras de Fernando Meirelles, Juan José Campanella, Walter Salles, Fabián Bielinsky, Lucrecia Martel, Alfonso Cuarón, Pablo Trapero, Andrés Wood e Adrián Biniez
*** os destaques latino-americanos dos festivais de Cannes, Berlim, Veneza, Sundance, Roterdã e Locarno
Filmes assinados pelos grandes nomes do cinema latino-americano, como Fernando Meirelles, Juan José Campanella, Walter Salles, Fabián Bielinsky, Lucrecia Martel, Alfonso Cuarón, Pablo Trapero, Andrés Wood e Adrián Biniez. A novíssima geração brasileira.
Obras inéditas do uruguaio Pablo Stoll e dos argentinos Daniel Burman e Marcelo Piñeyro, este último merecendo homenagem ao lado do brasileiro João Batista de Andrade. Os novos talentos da região, cujas obras (a grande maioria inédita no Brasil) estão causando sensação nas grandes vitrines internacionais, como os festivais de Berlim, Veneza, Sundance, Roterdã e Locarno.
Estas são algumas das atrações da quinta edição do Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo. O evento é uma iniciativa do Memorial da América Latina e da Secretaria de Estado da Cultura, órgãos do Governo do Estado de São Paulo. Conta com co-realização do Sesc São Paulo, Cinemateca Brasileira, Museu da Imagem e do Som e Cinusp “Paulo Emílio”.
O evento exibe, de 12 a 18 de julho, 137 filmes, representando 15 países latino-americanos. As projeções têm entrada franca em seis salas paulistanas: Memorial da América Latina (duas ), Cinesesc, Sala Cinemateca, Museu da Imagem e do Som e Cinusp “Paulo Emílio”.

O evento tem como objetivo divulgar e discutir a singularidade estética da cinematografia recente e histórica da América Latina.
A curadoria da programação é de André Sturm, Francisco Cesar Filho e Jurandir Müller – os dois últimos também diretores do evento. Responde pela organização a Associação do Audiovisual.
Presente em São Paulo para proferir uma aula magna e acompanhar a exibição de seis de seus longas-metragens, Marcelo Piñeyro é homenageado, ao lado do brasileiro João Batista de Andrade. Piñeyro mostra o inédito “As Viúvas das Quintas-Feiras” (2009), ao lado dos elogiados “Cinzas no Paraíso” (1997), “Plata Quemada” (2000), “Kamchatka” (2002) e “O Que Você Faria?” (2005), além do pouco visto “Música Feroz” (1993).
A Mostra Contemporâneos reúne a nova safra da cinematografia latino-americana, destacando a primeira exibição no Brasil de “Dois Irmãos” (Daniel Burman, Argentina), “Hiroshima” (Pablo Stoll, Uruguai), “Memórias do Desenvolvimento” (Miguel Coyula, Cuba/EUA), “Zona Sul” (Juan Carlos Valdivia, Bolívia), “Impulso” (Mateo Herrera, Equador), “Mente” (Rafi Mercado, Porto Rico), “Paraíso” (Hector Galvez, Peru), “Noturno de Bachelard” (José Eduardo Alcázar, Paraguai), “Quebra-Cabeças” (Natalia Smirnoff, Argentina) e “Juntos” (Nicolás Pereda, México).
Outros destaques inéditos são o filme de terror experimental uruguaio “A Casa Muda” (de Gustavo Hernandez), captado com câmera fotográfica digital, e a surpreendente produção da Costa Rica "Água Fria do Mar", de Paz Fábrega, programado para a sessão de abertura do Festival. Completam a lista dos selecionados da Mostra Contemporâneos longas do veterano Miguel Littin (“Dawson, Isla 10”) e do estreante Cristián Jiménez (“Ilusões Óticas”), ambos chilenos, e do mexicano Pedro González-Rubio (“Ao Mar”).
A representação brasileira da seção inclui “A Fuga da Mulher Gorila” (Felipe Bragança e Marina Meliande), “Estrada para Ythaca” (Guto Parente, Luiz Pretti, Pedro Diógenes e Ricardo Pretti), “Carmo” (Murilo Pasta), “A Guerra dos Vizinhos” (Rubens Xavier), A Falta Que Me Faz” (Marília Rocha), “Natimorto” (Paulo Machline), “Leite e Ferro” (Cláudia Priscilla) e “Eldorado” (Paula Goldman).
A profícua carreira do brasileiro João Batista de Andrade reúne desde o curta-metragem “Liberdade de Imprensa” (1966) até o recente longa “Travessia” (2009), passando por sucessos como “Doramundo” (1977), “O Homem Que Virou Suco” (1979), “A Próxima Vítima” (1983), “O País dos Tenentes” (1986) e “Vlado – 30 Anos Depois” (2005). Homenageado desta edição - ao lado de Marcelo Piñeyro -, o cineasta merece ainda do Festival uma mesa redonda dedicada à sua filmografia e um evento de lançamento da nova edição do livro “João Batista de Andrade - Alguma Solidão e Muitas Histórias”.
A Retrospectiva Consolidação da Retomada apresenta 20 títulos pinçados entre os maiores destaques da produção latino-americana no período 2000-2009, quando a qualidade do cinema contemporâneo da região tornou-se definitivamente reconhecida. Na retrospectiva estão os sucessos de bilheteria e os grandes premiados em festivais, como “Nove Rainhas” e “O Pântano” (ambos de 2000); “E Sua Mãe Também” e “O Filho da Noiva” (2001); “Cidade de Deus” e “Do Outro Lado da Lei” (2002); “Diários de Motocicleta” e “Whisky” (2003); “Abraço Partido” e “Machuca” (2004); “A Aura” e “Cinema, Aspirinas e Urubus” (2005); “O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias” e “A Que Distância” (2006); “O Banheiro do Papa” e “XXY” (2007); “A Babá” e “Gasolina” (2008); “Gigante” e “A Teta Assustada” (2009).
Uma programação especial celebrando os 200 anos de independência da Argentina, Chile, Colômbia, México e Venezuela, uma competição de produções de escolas de cinema, mesas redondas e oficinas audiovisuais fecham a programação do Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo.

Mais informações podem ser acessadas através do endereço www.memorial.gov.sp.br.


Mostra Contemporâneos
Com um total de 24 filmes, a Mostra Contemporâneos reúne produções da mais recente safra da região e apresenta trabalhos, em sua maioria totalmente inéditos no país, assinados por nomes familiares ao público do festival, como Daniel Burman, Miguel Littin e Pablo Stoll, ao lado de uma série de talentos descobertos recentemente na Argentina, Bolívia, Chile, Cuba, Equador, Paraguai, Peru e Porto Rico.
Considerado o mais importante cineasta do Chile da atualidade, Miguel Littin focaliza em “Dawson, Isla 10”, a ilha que, após o golpe de estado de 11 de setembro de 1973, foi transformada no centro de detenção mais importante da ditadura chilena, com cerca de 400 presos - incluindo, além de ministros e colaboradores de Salvador Allende, Sergio Bitar, autor do livro no qual o filme foi baseado.
Um dos expoentes do internacionalmente aclamado “novo cinema argentino”, Daniel Burman traz o inédito “Dois Irmãos”, sobre um ourives que, após longo e asfixiante jugo materno, é levado a exilar-se em um pequeno balneário uruguaio. Na Retrospectiva Consolidação da Retomada está o sucesso de Burman “Abraço Partido”.
Responsável por dois títulos que colocaram o Uruguai no cenário cinematográfico mundial (“24 Watts” e “Whisky”, ambos co-dirigidos com o cineasta precocemente falecido Juan Pablo Rebella), Pablo Stoll apresenta seu primeiro longa-metragem solo, “Hiroshima”. Esta co-produção entre Uruguai, Espanha, Colômbia e Argentina tem a forma de musical e acompanha um dia na vida de um misterioso cantor de uma banda de rock que não fala muito. “Whisky” está na programação da Retrospectiva Consolidação da Retomada.
Espécie de resposta ao clássico cubano “Memórias do Subdesenvolvimento” (de Tomás Gutiérrez Alea, 1968), a co-produção Estados Unidos/Cuba “Memórias do Desenvolvimento” é igualmente baseada em livro homônimo de Edmundo Desnoes. Dirigido por Miguel Coyula (que tem presença confirmada no Festival), este filme inédito no Brasil é uma colagem de lembranças e sonhos, um composto de ficção, animação e elementos documentais. Nela, um intelectual cubano abandona a revolução e o “subdesenvolvimento” apenas para descobrir que não cabe em sua nova vida no “desenvolvimento”.
Sensação nos festivais de Roterdã (recebeu o prêmio do júri), Sundance, Berlim, Miami (grande prêmio do júri da competição iberoamericana) e Toulouse (prêmio da crítica para diretor estreante), “Ao Mar”, do mexicano Pedro González-Rubio, investe na plasticidade e na sensorialidade tendo por objeto um jovem de origem maia e seu filho, que embarcam em uma viagem ancestral em direção ao mar aberto.
"Água Fria do Mar" é considerado marco da retomada da produção cinematográfica na Costa Rica e foi escolhido como filme de abertura do 5º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, com presença confirmada de sua diretora, Paz Fábrega. Trata-se de uma co-produção com a França, Espanha, Holanda e México inédita no Brasil que se passa em uma noite de virada de ano, quando um jovem casal se dirige até a costa do Pacífico e lá encontra uma menina de sete anos, que fugiu de casa - mas ao amanhecer a garota desaparece. O filme foi incensado em reputadas vitrines internacionais, como os prestigiosos festivais de Roterdã (onde venceu o Tiger Awards), Toulouse e Buenos Aires.

 
Realização do uruguaio Gustavo Hernandez inédita no Brasil, “A Casa Muda” tem despertado atenção por ser um longa-metragem de terror produzido com baixíssimo orçamento (seis mil dólares) e filmado em apenas quatro dias com câmara fotográfica digital emprestada que se passa em tempo real (já que acompanha os últimos 74 minutos da vida de um grupo de pessoas que é assassinado). Gustavo Rojo, produtor do longa, que foi lançado no Festival de Cannes deste ano, é um dos convidados presentes do 5º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo.


Já no drama cômico “Ilusões Óticas” um segurança de um shopping center apaixona-se por uma elegante ladra, enquanto que um empregado dedicado é preparado por sua empresa para ficar desempregado e um esquiador cego recupera a visão e fica aterrorizado com o mundo que ele finalmente vê. O ator Eduardo Paxeco é um dos convidados confirmados para o Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo. Vencedor do Festival de Valdívia e selecionado para San Sebástian, Biarritz, Varsóvia, Tokio, Miami e Toulouse, o longa marca a estréia do chileno Cristián Jiménez e é uma co-produção Chile/Portugal/França.

 

Também sensação no circuito internacional recente, e igualmente em primeira exibição no Brasil, “Zona Sul”, do boliviano Juan Carlos Valdivia (outro convidado do 5º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo), mereceu prêmios de direção e roteiro no Sundance Festival, prêmios de melhor roteiro, melhor ator e especial do júri no Festival de Guadalajara, e ainda melhor fotografia em Huelva.


Eleito como melhor filme no Festival de Toulouse, o equatoriano inédito no Brasil “Impulso”, de Mateo Herrera, se passa numa antiga fazenda na serra de Cayambe, na qual seus habitantes guardam um misterioso segredo. Cecilia Vallejo, atriz do filme, é uma das convidadas do Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo.
Outro inédito no Brasil, “Mente”, de Rafi Mercado (que também é esperado em São Paulo), é uma rara produção de Porto Rico a ganhar circulação internacional. Eleito como melhor direção no Festival de Havana, tem como protagonista um jovem artista, tímido e retraído, cuja vida transita entre a realidade e a fantasia em uma sociedade urbana que nem sempre é o que parece.
Produção peruana (em parceria com Alemanha e Espanha) lançada no Festival de Veneza, “Paraíso”, de Héctor Gálvez, é inédito no Brasil e foi ainda selecionado para Huelva, Cartagena e Toulouse. O roteiro se passa em um bairro da periferia de Lima, onde um grupo de amigos procura alguma ilusão à qual se apegar: entrar para o exército, terminar o colégio, construir una piscina, ver a foto de um pai desaparecido ou até mesmo poder voar.
Em “Noturno de Bachelard” (José Eduardo Alcázar, Paraguai), que é exibido no Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo em première internacional, um cineasta busca inspiração e seu roteiro original aos poucos é substituído pela imaginação. Como nos últimos anos, Alcázar é presença confirmada em São Paulo durante o Festival.

 
Ex-assistente de Lucrecia Martel, a argentina Natalia Smirnoff estréia na direção de longas com “Quebra-Cabeças”, selecionado para o Festival de Berlim e inédito no Brasil. No filme, elogiado por sua apurada edição, uma dona de casa de 50 anos conhece um milionário que sonha participar de um torneio de quebra-cabeças.


Inédito no Brasil, o mexicano “Juntos”, do jovem diretor mexicano Nicolás Pereda, reúne três moradores em um precário apartamento na Cidade do México que partem em viagem rumo ao campo. Segundo a crítica internacional, Pereda explora as possibilidades sensoriais da imagem cinematográfica e joga habilmente com a fronteira que separa a ficção do documentário.

Mostra Contemporâneos – os brasileiros
Filmado em apenas oito dias, o road movie “A Fuga da Mulher Gorila” acompanha duas irmãs que atravessam as estradas do Rio de Janeiro apresentando um espetáculo circense. Selecionado para o prestigioso Festival de Locarno, a obra foi premiada na Mostra de Cinema de Tiradentes. Seus diretores, Felipe Bragança e Marina Meliande, exibiram este ano em Cannes “A Alegria”, seu novo longa-metragem.
Duplamente laureado em Tiradentes, e programado no Festival de Cinema Independente de Buenos Aires, o cearense “Estrada para Ythaca” traz seus quatro diretores - Guto Parente, Luiz Pretti, Pedro Diógenes e Ricardo Pretti - como atores de uma original busca inspirada em texto do poeta grego Konstantínos Kaváfis.

 
Após 18 anos radicado na Inglaterra, onde atuou em publicidade, Murilo Pasta mergulha na remota fronteira do Mato Grosso do Sul com o Paraguai em “Carmo”, longa-metragem feito em uma co-produção entre Brasil, Espanha e Polônia. Exibido no Sundance Festival, o filme é protagonizado por uma rebelde e intempestiva personagem grávida de dois meses, desesperada em obter dinheiro para um aborto.



 
Comédia de vocação popular, “A Guerra dos Vizinhos” tem no elenco Eva Wilma, Karin Rodrigues, Eva Mancini, Ângela Dip, Tony Correia, Fabíola Nascimento, Gero Pestalozzi, Vic Militello, Artele Montenegro, Wandi Doratiotto e Francarlos Reis. Trata-se da história de três irmãs em guerra contra a nova oficina mecânica que se instalou na vizinhança, que perdem o caso na justiça e são cruelmente discriminadas na cidadezinha onde moram. A obra marca a estréia na direção de longas de Rubens Xavier, premiado curta-metragista e ex-assistente de João Batista de Andrade.

Convidado para eventos como os festivais de Roterdã, Buenos Aires e Kinoteatr.doc (Moscou),A Falta Que Me Faz” focaliza com delicadeza e sensibilidade um grupo de meninas que vive o fim da adolescência. Moradoras na região da Cordilheira do Espinhaço (MG), as personagens revelam um romantismo impossível, que deixa marcas em seus corpos e na paisagem a seu redor. É o terceiro longa-metragem da mineira Marília Rocha (de “Aboio”, vencedor do É Tudo Verdade).
Estréia no longa-metragem do cineasta Paulo Machline, que teve seu curta-metragem “Uma História de Futebol” indicado ao Oscar da categoria, “Natimorto” é uma adaptação do romance homônimo do quadrinista e escritor Lourenço Mutarelli, que também faz parte do elenco, ao lado de Simone Spoladore e Betty Gofman. Trata-se de um mergulho na loucura e fumaça da história.


Com música de Livio Tragtenberg e fotografia de Kiko Goifman, “Leite e Ferro”, de Cláudia Priscilla, retrata a vivência da maternidade em uma situação limite, discutindo amamentação, sexualidade, drogas e religião no cárcere. O filme é a estréia em longas-metragens da diretora, responsável pelo premiado curta “Sexo e Claustro”.

O contundente “Eldorado”, de Paula Goldman, aborda o tráfico de pessoas na América do Sul, mesclando pequenas dramatizações com depoimentos das próprias vítimas e acusados, além de especialistas no caso e autoridades dos governos federal e estadual paulista. 
A exemplo das últimas edições, o Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo premia dois filmes da Mostra Contemporâneos - um selecionado pelo público que assiste às sessões e o segundo eleito pela crítica, cujo júri é composto em 2010 por Eduardo Valente, Francis Vogner e Liciane Mamede.


Homenagem a Marcelo Piñeyro
Um dos homenageados em 2010 pelo Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo e responsável pela aula magna desta edição do evento, o argentino Marcelo Piñeyro é autor de vários sucessos do cinema recente na América Latina, tendo se firmado, desde os anos 1990, como um dos mais importantes diretores da região. A programação reúne seis longas-metragens, dirigidos pelo cineasta entre 1993 e 2009. Piñeyro profere ainda uma aula magna no dia 17/07, às 16h00, no Memorial da América Latina.
Nascido em Buenos Aires em 1953, formado em cinema na Faculdade de Belas Artes de La Plata, o cineasta  começou, na década de 1980, como sócio de Luis Puenzo em uma grande produtora publicitária, a Cinemania. Em 1984, foi produtor de “A História Oficial”, longa-metragem dirigido por Puenzo que venceu o Oscar de melhor filme estrangeiro ao propor uma pioneira abordagem do período da ditadura militar argentina e suas conseqüências sobre uma família.
Piñeyro carrega vários prêmios na bagagem, entre os quais o Goya por filme e roteiro, além de premiações no Festival del Nuevo Cine Latino Americano. Seus filmes têm tido grande êxito de público tanto na Argentina como fora do país. Logo em sua estréia como diretor, “Música Feroz” (1993), quebrava um recorde histórico de espectadores na Argentina, com um retrato do surgimento da cultura do rock no país como pano de fundo de uma história de amor.

 
A filmografia do realizador reflete o momento histórico de maneira indireta, através do foco em uma família ou em um grupo específico de pessoas. “O Que Você Faria?” – uma de suas co-produções com países europeus - acompanha um processo seletivo para contratação de executivo, cuja dinâmica de grupo acontece durante um dia de reunião do G-8 e manifestações antiglobalização. A obra lembra ao mesmo tempo filmes de confinamento (como “Doze Homens e Uma Sentença”, de Sidney Lumet) e um pós-moderno Big Brother, em que os candidatos vão sendo eliminados, e, neste caso, fica o que tiver menos escrúpulos e mais sangue frio.

 
“Kamchatka” acompanha o cotidiano de uma família que tem que mudar-se para o interior por causa da ditadura militar. As conseqüências sofridas são observadas pela perspectiva de um garoto, um dos filhos do casal. Já no inédito “As Viúvas das Quintas-Feiras”, a crise argentina de 2001 passa pela TV, enquanto seguimos a investigação de misteriosas mortes em um condomínio de luxo.

Marcelo Piñeyro joga com elementos dos gêneros clássicos, apropriando-se da estrutura do thriller em “Cinzas do Paraíso”, “O Que Você Faria?” e “As Viúvas das Quintas-Feiras”, construindo cenas musicais em “Kamchatka” e “Plata Quemada”. Dessa maneira, Piñeyro tem levado adiante uma carreira de filmes que conquistam sucesso de bilheteria, combinando linguagem de apelo ao público, com qualidade estética e senso crítico.
Filmes a serem exibidos na Homenagem a Marcelo Piñeyro


“Música Feroz” (Argentina/ Espanha, 1993) - A história de amor entre Tanguito e Mariana é utilizada como pretexto para mostrar una época, final dos anos 60 e princípio dos 70, o nascimento do rock argentino, o enfrentamento entre os velhos valores e a liberdade, o amor, a paz, a amizade e a solidariedade da juventude argentina da época.

Cinzas do Paraíso” (Argentina, 1997) - Duas mortes dão início a esta história. O juiz Costa Makatantasis morre ao cair do terraço do Palácio de Justiça, e a jovem Ana Muro é encontrada assassinada com quinze punhaladas na mesma noite. Cada um dos três filhos do juiz se dirá culpado pelo crime da garota. Uma juíza deverá solucionar o caso, em uma história de revelações, intrigas e traições.
Plata Quemada” (Argentina/ Espanha/ França/ Uruguai, 2000) - Buenos Aires, 1965. Nene e Ángel são delinqüentes profissionais e, de certo modo, sócios: trabalham juntos ou não trabalham. São procurados para assaltar o caminhão com o pagamento dos funcionários da Prefeitura. No momento decisivo, Nene acredita que um dos policiais vai ferir Ángel e perde o controle do que parecia ser um trabalho sem violência. O bando foge para o Uruguai, onde aguardam documentação falsa. Mas já não suportam o enclausuramento: na noite de Montevidéu, cada um sai em busca de sua sorte.

  
“Kamchatka” (Argentina/ Espanha/ Itália, 2002) - Drama ambientado nos anos da ditadura militar argentina, tempos difíceis analisados pelo olhar inocente de Harry, um menino de 10 anos. Em sua vida, só precisa de tempo para brincar e fazer travessuras com seu irmão menor, mas em 1976 tudo muda. Diante da perseguição dos militares da ditadura, a família terá que se esconder, começando uma nova vida que acabará com qualquer resquício de sua infância...

 
“O Que Você Faria?” (Argentina/Espanha/ Itália, 2005) - Sete aspirantes a um posto de alto executivo apresentam-se para um exame de seleção de pessoal para uma empresa multinacional em um arranha-céu de escritórios do complexo Azca. Entre eles, as personalidades mais diferentes: o vitorioso, o agressivo, a mulher insegura, o crítico, o indeciso.

  
“As Viúvas das Quintas-feiras” (Argentina/Espanha, 2009) - No condomínio Altos de la Cascada, a vida prossegue idílica, entre casas que imitam mansões com jardins e piscinas climatizadas. Em uma manhã, um acontecimento macabro: são encontrados três cadáveres flutuando em uma piscina. A descoberta comove a fechada comunidade, que se apressa a classificar como acidente e a definir como tragédia e infortúnio. Mas a revisão das últimas atividades das vítimas levanta dúvidas sobre o caráter acidental dessas mortes. Filme inédito no Brasil.



Homenagem a João Batista de Andrade
A quinta edição do Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo presta homenagem também ao cineasta brasileiro João Batista de Andrade, que, com mais de 40 anos de carreira, representa como poucos a persistência pelo cinema brasileiro. Além das exibições dos filmes, realizados no período 1996-2009, a programação do evento prevê no dia 14/07 o lançamento da edição atualizada do livro “João Batista de Andrade - Alguma Solidão e Muitas Histórias” (Maria do Rosário Caetano, IMESP, 2010), às 18h, e uma mesa redonda na qual sua obra é discutida por Jean-Claude Bernardet e outros nomes a confirmar, às 20h.


Vindo de Ituiutaba (MG), onde nasceu em 1939, a São Paulo para estudar engenharia, João Batista de Andrade envolveu-se com a política e daí logo com o cinema, sendo seu primeiro filme, “Liberdade de Imprensa”, de 1966, produzido pelo Grêmio da Faculdade de Filosofia.

No final dos anos 1960, num período de aproximação com os produtores da Boca do Lixo e com o chamado Cinema Marginal, realizou “Gamal, o Delírio do Sexo”, e “O Filho da Televisão”, episódio do longa “Em Cada Coração Um Punhal”. No início da década de 1970, dirigiu, com Jean-Claude Bernardet, dois filmes para a Comissão Estadual do Cinema sobre a história do cinema paulista, “Paulicéia Fantástica” e “Eterna Esperança”.


Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal