A bíblia da feitiçaria o manual Completo dos Feiticeiros Janet e Stewart Farrar



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O Ponto secreto do Cïrculo sagrado –


Assim eu te assinalo como antigamente,

Com beijos de meus lábios ungindo”.
O Sumo Sacerdote beija a Suma Sacerdotiza nos lábios, e continua :


  1. De “Oh Círculo de Estrêlas” até “uma vez que sois contínua”, esta invocação do Livro das Sombras é tomada da Missa Gnóstica em Magick de Aleister Crowley.

  2. Os “santos pilares gêmeos” são Boaz e Jachin, que ladeavam a entrada ao Santo dos Santos no Templo de Salomão. Boaz (de cor preta) representa a Severidade (“força”), e Jachin (branco) a Misericórdia (“beleza”). Compare com a Árvore da Vida e a lâmina de Tarot da Suma Sacerdotiza. No Grande Rito, eles são claramente simbolizados pelas pernas da mulher-altar.

  3. De “Altar de múltiplos mistérios” até fim, a Invocação foi escrita por Doreen Valiente, que também compôs uma versão completamente rimada.

Abri para mim o caminho secreto,



O caminho da inteligência,

Além dos portões da noite e do dia,

Além dos limites do tempo e do sentido.

Além do correto mistério –

Os cinco pontos verdadeiros da sociedade . . .”
A Suma Sacerdotiza eleva o cálice, e o Sumo Sacerdote abaixa a ponta de seu athame [mergulhando] no vinho. (Ambos usam ambas as mãos para fazer isso – vide Ilustração 19). O Sumo Sacerdote continua:
Aqui onde a Lança e o Graal se umem,

E pés, e joelhos, e peitos, e lábios”.
O Sumo Sacerdote entrega seu athame para a witch feminina e então posiciona ambas as suas mãos em volta das mãos da Suma Sacerdotiza enquanto ela segura o cálice. Ele a beija, e ela sorve o vinho; ela o beija, e ele sorve o vinho. Ambos mantém suas mãos em volta do cálice enquanto fazem isto.

O Sumo Sacerdote então toma o cálice da Suma Sacerdotiza, e ambos ficam de pé.

O Sumo Sacerdote entrega o cálice para a witch feminina com um beijo, e ela sorve; ela passa o cálice para o witch masculino com um beijo, e ele sorve. A partir dele, o cálice é passado homem para mulher, mulher para homem, ao redor do coven, á cada vez com um beijo, do modo normal.

A Suma Sacerdotiza e o Sumo Sacerdote então consagram os bolinhos, que são circulados no modo normal.



O Ritual ‘Real’
O Grande Rito ‘real’ segue o mesmo procedimento como o simbólico acima, com as seguintes exceções.

Os witches feminina e masculino não são convocados, e o athame e o cálice permanecem sobre o altar.

Quando o Sumo Sacerdote chega à “Para a maravilha e a glória de todos os homens” na Invocação, ele para. A Donzela então busca seu athame do altar e ritualmente abre uma passagem no Círculo próxima à porta do recinto. O coven forma uma fila e deixa a sala. A Donzela caminha até o limite do Círculo, sela ritualmente a passagem atrás dela, coloca seu athame no chão fora do Círculo e deixa a sala, fechando a porta atrás dela.

A Suma Sacerdotiza e o Sumo Sacerdote são então deixados a sós no recinto e no Círculo.

O Sumo Sacerdote continua a Invocação até o fim, mas os detalhes reais da encenação do Rito são agora são agora um assunto privativo para ele e a Suma Sacerdotiza. Nenhum membro do coven pode questioná-los sobre isso depois, direta ou indiretamente.

Quando eles estiverem prontos para readmitir o coven, o Sumo Sacerdote toma seu athame do altar, abre ritualísticamente a passagem, abre a porta e convoca o coven. Ele recoloca seu athame no altar.

A Donzela pega seu athame no caminho para dentro e ritualísticamente sela a passagem depois que o coven reentrou no Círculo. Ela repõe seu athame no altar.

Vinho e bolinhos são agora consagrados da forma normal.



I I I O Ritual de Encerramento

Um Círculo Mágico, uma vez lançado, deve sempre e sem exceção ser banido quando a ocasião ou o propósito para o qual ele foi lançado está completado. (1) Seria falta de educação não agradecer, e cumprimentar em despedida, às entidades que você invocou para protegê-lo (o Círculo); é magia incorreta criar uma barreira no plano astral e então deixá-la desmantelada, um obstáculo perdido como um ancinho virado [com os dentes] para cima num trecho de jardim; e é uma psicologia errada ter uma fé tão pequena em sua realidade e eficácia que você assume que ele vai se dissipar no momento em que você parar de pensar nele.


(1) O Rito de Hagiel, como descrito no Capítulo XIV de O Que As Feiticeiras Fazem, pode parecer quebrar esta regra; porém as circunstâncias especiais devem estar claras para os leitores atentos do mesmo. Para uma coisa, os Senhores das Torres de Vigia não são invocados.
A Preparação
Estritamente falando, nenhuma preparação é necessária para o ritual de banimento do Círculo; mas duas provisões devem ser mantidas em mente, durante suas atividades dentro do Círculo, em antecipação à este.

Primeiro, se quaisquer objetos tiverem sido consagrados no Círculo, eles devem ser mantidos juntos – ou pelo menos cada um deles deve ser lembrado – de forma que eles possam ser coletados e carregados por alguém posicionado atrás do coven durante o banimento. Fazer os gestos de um Pentagrama de Banimento na direção de um objeto recentemente consagrado teria um efeito neutralizante.

Segundo, voce deve observar que pelo menos um bolinho, ou biscoito, e um pouco do vinho são conservados, de forma que estes possam ser retirados depois e lançados ou despejados como um oferenda à Terra. (Vivendo na Irlanda, seguimos a tradição local ao fazer esta oferenda de um modo ligeiramente diferente; nós deixamos este material durante a noite em dois pratinhos, para fora em um peitoril de janela na direção oeste, para os sidhe (pronúncia Inglesa ‘shee’), ou duendes. Os sidhe, casualmente, são famosos por apreciarem um pouco de manteiga sobre o bolinho ou biscoito.)

O Ritual
A Suma Sacerdotiza fica de frente para o Leste com seu athame em sua mão. O Sumo Sacerdote fica à sua direita, e o resto do coven fica atrás deles. Todos portam seus athames, caso os possuam, com exceção da pessoa que estiver carregando os objetos recém-consagrados (se houver), que fica bem atrás. A Donzela (ou alguém nomedo pela Suma Sacerdotiza para este propósito) fica próxima à frente, pronta para soprar cada vela por vez.

A Suma Sacerdotiza diz:


Vós Senhores das Torres de Vigia do Leste, vós Senhores do Ar; nós vos agradecemos por terdes assistido aos nossos ritos; e antes de vós partirdes para vossos reinos agradáveis e aprazíveis, nós vos saudamos e nos despedimos . . . Saudações e adeus”.
Enquanto ela fala, vai traçando o Pentagrama de Banimento da Terra, com seu athame traçando no ar à sua frente, assim:
Banimento (o desenho está no livro original, página 57)
Após traçar o Pentagrama, ela beija a lâmina de seu athame e o coloca sobre seu coração por um segundo ou dois.

O Sumo Sacerdote e o resto do coven imita todos estes gestos com seus próprios athames; e os que não tiverem athames usam seus dedos indicadores direitos. (Aquele que estiver portando os objetos consagrados não faz gesto algum). Todos dizem o segundo “Saudações e adeus” com ela.

A Donzela caminha para frente e sopra a vela do Leste.

Todo o procedimento é repetido de frente para o Sul, com a Suma Sacerdotiza dizendo:


Vós Senhores das Torres de Vigia do Sul, vós Senhores do Fogo; nós vos agradecemos . . .” etc.
Então para o Oeste, com a Suma Sacerdotiza dizendo:
Vós Senhores das Torres de Vigia do Oeste, vós Senhores da Água; vós Senhores da Morte e da Iniciação; nós vos agradecemos . . .” etc.
Então para o Norte, com a Suma Sacerdotiza dizendo:
Vós Senhores das Torres de Vigia do Norte, vós Senhores da Terra;Boreas, tu guardião dos portais do Norte; tu Deus poderoso, tu Deusa bondosa; nós vos agradecemos . . .” etc.
Ao Norte, a Donzela meramente sopra a vela do Norte; por razões puramente práticas, ela deixa as duas velas do altar queimando até que as luzes do recinto sejam acesas.

Está encerrado o Sabá.



Os Sabás
IV Imbolg, 2 de Fevereiro

Nós temos chamado os quatro Sabás Maiores por seus nomes Celtas por consistência, e temos usado as formas Irlandês Gaélicas daqueles nomes pelas razões que apresentamos na página 14 (do original – N.do T.). Mas o Imbolg é mais usualmente conhecido, mesmo entre witches, pelo bonito nome de Candlemas sob o qual ele foi cristianizado – suficientemente compreensível, porque esta Festa de Luzes pode e deve ser uma bela ocasião.

Imbolg é i mbolg (pronunciado “immol’g’, com uma vogal leve àtona entre o ‘l’ e o ‘g’) que significa ‘no ventre’. Isto é o reavivamento do ano, os primeiros movimentos fetais da Primavera no útero da Mãe Terra. Como todos os Grandes Sabás Celtas, este é um festival de fogo – mas aqui a ênfase é sobre a luz mais do que sobre o calor, a centelha de luz fortalecedora que começa à trespassar a obscuridade do Inverno. (Bem ao sul, onde o inverno é menos severamente obscuro, a ênfase pode ser de outro modo; os Cristãos Armenos, por exemplo, acendem seu novo fogo sagrado do ano na Véspera de Candlemas, não na Páscoa como em outros lugares).

A Lua é a luz-símbolo da Deusa, e a Lua acima de tudo se relaciona com seu tríplice aspecto de Donzela, Mãe e Anciã (Encantamento, Amadurecimento e Sabedoria). A luz lunar é particularmente aquela da inspiração. Então é adequado que o Imbolg deva ser a festa de Brigid (Brid, Brigante) a radiante tríplice Deusa- Musa ,que é também a portadora da fertilidade; pois no Imbolg, quando os primeiros trompetes da Primavera podem ser ouvidos à distância, o espírito é avivado tanto quanto o corpo e a Terra.

Brigid (que também deu seu nome à Brigantia, o reino Celta no todo do Norte da Inglaterra sobre a linha de Wash até Staffordshire) é um exemplo clássico de uma divindade pagã cristianizada com pouca tentativa de ocultar o fato – ou como Frazer coloca em O Ramo Dourado (pag.177) (1), ela é “uma antiga deusa pagã da fertilidade, disfarçada em um manto cristão puído”. O Dia de Santa Brígida, Lá Fhéile Bríd (pronunciado aproximadamente ‘law ella breed’) na Irlanda, é em 1 de Fevereiro, a véspera do Imbolg.

A Santa Brigida histórica viveu cerca de 453-523 AD; mas suas lendas, características e lugares santos são aqueles da Deusa Brid, e os costumes folclóricos do Dia de Santa Brigida nas terras Celtas são evidentementes pré-cristãos. É significativo que Brigid seja conhecida como “a Maria do Gael”, pois como Maria ela transcende os dados biográficos humanos para atender ao ‘anseio pela forma-de-Deusa’ dos homens (vide página 139 abaixo – No livro original). A tradição, incidentalmente, diz que Santa Brígida foi trazida por um feiticeiro e que ela tinha o poder de multiplicar comida e bebida para alimentar os necessitados - incluindo a deliciosa habilidade de transformar a sua água de banho em cerveja.

A confecção das Cruzes de Santa Brígida de junco ou palha (e elas ainda são amplamente confeccionadas na Irlanda, tanto em casa como para as lojas de artesanato)”é provavelmente derivada de uma antiga cerimônia pré-cristã relacionada à preparação das sementes para o cultivo na Primavera” (The Irish Times, de 1 de Fevereiro de 1977).

Na Escócia, na véspera do Dia de Santa Brigida, as mulheres da casa confeccionavam um fardo de aveia no molde de roupa de mulher e o depositavam num cesto chamado ‘cama de Brigid’, lado a lado com um bastão de forma fálica. Elas então chamariam três vezes: “Brid chegou, Brid é bemvinda!” e deixariam velas queimando próximas à ‘cama’ por toda a noite. Caso as impressões em relevo do bastão fossem encontradas nas cinzas do chão da lareira pela manhã, o ano seria frutífero e próspero. O antigo significado é claro: com o uso de símbolos apropriados, as mulheres da casa preparam um lugar para a Deusa e a recepcionam cordialmente,e convidam o Deus fertilizador para vir e a impregnar. Elas então se retirariam discretamente – e, quando a noite acabasse, retornariam para buscar por um sinal da visita do Deus (sua pegada próxima ao fogo da Deusa da Luz?). Se o sinal ali estiver, sua invocação terá sido bem sucedida, e o ano estará grávido da esperada doação.

Na Isle of Man, um ritual similar era conduzido; lá, a ocasião era chamada Laa’l Breeshey. No Norte da Inglaterra – a antiga Brigantia, Candlemas era conhecido como ‘o Dia de Festa das Esposas’.

O ritual de recepção é ainda parte de Lá Fhéile Bríd em muitos lares irlandeses. Philomena Rooney de Wexford, cuja família vive próximo à fronteira Leitrim-Donegal, nos conta que ela ainda volta para casa para este evento sempre que ela pode. Enquando seus avós ainda estavam vivos, a família inteira se reunia em sua casa na Véspera de Santa Brígida, 31 de Janeiro. Seu tio traria uma carroça cheia de juncos da fazenda e os levaria até a porta à meia noite. O ritual é sempre o mesmo.


“A pessoa que traz os juncos para a casa cobre sua cabeça e bate na porta. A Bean an Tighe (mulher da casa) manda alguém abrir a porta e diz à pessoa que entra “Fáilte leat a Bhríd” (“Benvinda, Brigid”), ao que o entrante responde “Beannacht Dé ar daoine an tighe seo” (“Deus abençoe as pessoas desta casa”). A água benta é aspergida nos juncos, e todos se unem para confeccionar as cruzes. Quando as cruzes são feitas, os juncos remanescentes são enterrados, e seguindo-se à isto todos se unem em uma refeição. Em 1 de Fevereiro as cruzes do ano passado são queimadas e repostas pelas recentemente confeccionadas”.
Na família de Philomena, dois tipos eram confeccionados. Sua avó, que veio de North Leitrim, fazia a Cruz Celta, de braços iguais e anexada à um círculo. Seu avô, que veio de South Donegal, fazia a cruz simples de braços iguais. Ela supõe que estes eram estilos locais tradicionais (2). Era atribuída grande importância à queima das cruzes do ano anterior. “Nós temos esta coisa (no sentido de costume – N.do T.) de que você nunca deve jogá-la fora, você deve queimá-la”. Aqui novamente está o tema recorrente através do ciclo ritualístico anual: a importância mágica do fogo.
(2) Os padrões locais das Cruzes de Brigid realmente variam consideravelmente. A cruz ‘simples’de Philomena de fato tem os quatro braços trançados em separado com suas raízes fora do centro, produzindo um efeito de swástika (roda de fogo). Esse é tembém o nosso tipo em County Mayo, embora também tenhamos visto padrões diamante simples e múltiplos. Um tipo de County Armagh dado à nós por um amigo tem cada uma das peças da cruz consistindo de três feixes, entrelaçando com os outros três no centro, e temos visto tipos similares dos Counties Galway, Clare e Kerry; talvez memória das ‘Três Brigids’, a Tríplice Deusa Musa original ?: (Vide A Deusa Branca, págs.101, 394 e em outras partes). Um exemplo de County Derry tem cinco faixas ao invés de três, e um de West Donegal tem uma tríplice [haste_?] vertical e uma [haste_?] simples horizontal. Tal diversidade local demonstra o quão profundamente enraizado é o costume popular. A Cruz de Brigid na forma de roda-de-fogo, com braços de três faixas, é o símbolo da Radio Telefis Éireann.
(3) Estes pedaços de pano provávelmente simbolizam roupas. As ciganas, em sua famosa peregrinação anual à Saintes-Maries-de-la-Mer no sul da França em 24 e 25 de Maio, deixam peças de roupa, representando os ausentes ou doentes, na cripta-capela de sua padroeira Black Sara. “O cerimonial é claramente não original. O rito de pendurar artigos de vestuário é conhecido entre os Drávidas do norte da Índia que ‘acreditam de fato que a roupa branca(?) e vestes de uma pessoa doente tornam-se impregnadas de sua doença, e que o paciente será curado se a sua roupa branca for purificada pelo contacto com uma árvore sagrada’. Consequentemente, entre eles são vistas árvores ou imagens cobertas por trapos de roupas que eles chamam Chitraiya Bhavani, ‘Nossa Senhora dos Trapos’. Existe de forma similar uma ‘Árvore para Trapos’ (sinderich ogateh) entre os Kirghiz do Mar de Aral. Pode-se provavelmente encontrar outros exemplos desta profilaxia mágica”. (Jean-Paul Clébert, Os Ciganos, pág.143). Deveras pode-se encontrar. Gostaríamos de saber, por exemplo, porque os itinerantes irlandeses parecem sempre deixar alguma peça de roupa para trás nos arbustos nas cercanias de um campo abandonado. Estas estão notóriamente em desordem, é verdade, mas muitos destes itens de vestuário não são de forma alguma lixo. Um poço mágico próximo à cidade de Wexford não era consagrado à nenhum santo ou divindade, embora ainda assim fosse muito venerado; seu arbusto cheio de roupas, registra o historiador local Nicky Furlong, “foi cortado por um clérigo normalmente bem ajustado. Aquilo finalizou o culto secreto. (Ele morreu muito repentinamente mais tarde, que Deus lhe conceda o descanso).”
Na Irlanda, esta terra de poços mágicos (são listados mais de três mil poços santos irlandeses), há provavelmente mais poços de Brigid do que mesmo os de São Patrício - o que é difícilmente surpreendente, porque a senhora estava aqui primeiro há incontáveis séculos. Existe um tobar Bhríd (Poço de Brigid) quase uma milha de nossa primeira casa irlandesa, próximo a Ferns em County Wexford, num campo de fazenda na vizinhança; é uma fonte muito antiga, e sabe-se que a localidade foi sagrada para Brigid por bem uns mil anos, e sem dúvida por um tempo muito longo antes daquilo. O fazendeiro (lamentavelmente, por ele ser sensível à tradição) teve que tapar o poço com uma pedra porque ele se tornou um perigo para as crianças. Mas ele nos disse que sempre havia pedaços de tecido (3) sendo vistos amarrados à arbustos próximos, postos ali secretamente por pessoas que invocavam a ajuda de Brid como eles assim tem feito por tempos imemoriais; e nós podemos, literalmente, ainda sentir o poder do lugar ao colocar nossas mãos sobre a pedra.

(Incidentalmente, se como a maioria das witches você acredita na magia dos nomes, você deveria pronunciar Brid ou Bride como ‘Bride’e não rimar com ‘hide’ como isso foi de alguma forma asperamente anglicizado - por exemplo no próprio tobar Bhríd de Londres, Bridewell).

Na antiga Roma, Fevereiro era tempo de purificação – Februarius mensis, ‘o mês da purificação ritual’. Em seu início vinha a Lupercalia, quando os Luperci,os sacerdotes de Pan corriam através das ruas nus exceto por uma faixa de pele de bode e portando tiras (?) de pele de bode. Com estas eles atacavam todo mundo que passava, e em particular mulheres casadas, as quais se acreditava seriam tornadas férteis deste modo. Esse ritual era popular como também aristocrático (está registrado que Marco Antônio teria desempenhado o papel de Lupercus) e sobreviveu por séculos dentro da era cristã. As mulheres desenvolveram o hábito de se despirem também, para permitir aos Luperci mais raio de ação. O Papa Gelasius I, que reinou entre 492-6 AD, baniu este ritual animadamente escandaloso e enfrentou tamanho tumulto que teve que pedir desculpas. Ele foi finalmente abolido no início do século seguinte.

Lupercalia à parte, a tradição da purificação de Fevereiro continuou forte. Doreen Valiente diz em Um ABC da Feitiçaria Passada e Presente: “As sempre-verde (tipo de planta_?) para decoração Yuletide eram compostas de holly (tipo de planta), hera, mistletoe (tipo de planta), a bay (tipo de planta) de perfume adocicado e alecrim, e galhos verdes de (box tree_?) árvore. Em Candlemas, tudo tinha que ser coletado e queimado, ou maus espíritos assombrariam a casa. Em outras palavras, naquela ocasião uma nova maré da vida tinha começado a fluir através do mundo da natureza,e as pessoas deviam se livrar do passado e olhar para o futuro. A purificação da primavera era originalmente um ritual da natureza”. Em algumas partes da Irlanda, nós achamos, existe uma tradição de deixar a árvore de Natal no lugar (despida de sua decoração mas mantendo suas luzes) até Candlemas; caso ela mantivesse seus espinhos verdes, boa sorte e abundância são assegurados pelo ano a seguir.

Uma outra estranha crença de Candlemas está propagada pelas Ilhas Britânicas, França, Alemanha e Espanha: que um bom tempo no Dia de Candlemas significa mais Inverno a chegar, porém mau tempo naquele dia significa que o Inverno acabou. Talvez este seja um tipo de reconhecimento de ‘madeira de toque’ do fato que Candlemas é o ponto de virada natural entre o Inverno e a Primavera, e assim ser impaciente sobre isto traz má sorte.

No Ritual de Candlemas do Livro das Sombras, a Suma Sacerdotiza invoca o Deus no Sumo Sacerdote, ao invés dele invocar a Deusa nela. Talvez isso também, como a tradição escocesa da ‘cama de Brigid’, seja realmente um convite sazonal para o Deus impregnar a Mãe Terra. Nós mantivemos este procedimento e retivemos a forma da invocação.

O Livro das Sombras também menciona a Dança Volta (décimo-sexto século); mas gostaríamos de saber se o que é realmente significativo é a dança muito mais antiga das feiticeiras na qual o homem e a mulher entrelaçam os braços de costas um para o outro. Tivemos portanto utilizado esta dança mais antiga.

Na tradição cristã, a Coroa de Luzes é muitas vezes portada por uma garota bem jovem, presumivelmente para simbolizar a extrema juventude do ano. Isso é perfeitamente válido, naturalmente; mas nós, com nosso encenamento da Deusa Tríplice, preferimos designá-lo para a Mãe – porque é a Mãe Terra que é vivificada no Imbolg.


A Preparação
A Suma Sacerdotiza seleciona duas witches femininas que, com ela própria, representarão a Deusa Tríplice – Donzela (Encantamento), Mãe (maturidade) e Anciã (Sabedoria) - e designa as três funções.

Uma Coroa de Luzes é preparada para a Mãe e deixada sobre o altar ou próximo. Tradicionalmente, a Coroa deveria ser de velas ou mechas enceradas (?), que são acesas durante o ritual; mas isso exige cuidado, e muitas pessoas podem ser reservadas quanto a isso. Se uma Coroa de velas ou mechas é confeccionada, ela deve ser construída firme o suficiente para sustentá-las sem balançar e deve incluir uma capa para proteger a cabeça dos pingos de cera derretida. (Voce pode fazer maravilhas com folhas de alumínio de cozinha).

Descobrimos que velas de bolo de aniversário, que podem ser compradas em pacotes em quase todos os lugares, fazem uma Coroa de Luzes ideal. Elas não pesam práticamente nada, difícilmente pingam e queimam durante um tempo suficiente para o ritual. Uma coroa de velas de aniversário muito simples pode ser confeccionada como segue. Pegue um rolo de fita auto-adesiva com largura de aproximadamente três quartos de polegada (o tipo de fita plástica com uma cor única é adequado) e corte num comprimento de quatro ou cinco polegadas a mais do que a circunferência da cabeça da dama. Pregue-a, com a parte colante para cima, numa mesa. Fixe as partes inferiores das velas ao longo desta, com espaçamentos de aproximadamente uma e meia polegadas, mas deixando umas boas três polegadas de cada extremidade da fita em vazio. Agora corte um segundo pedaço de fita do mesmo comprimento que o primeiro, mantenha-a esticada com o lado colante para baixo, e afixe-a cuidadosamente sobre a primeira fita, moldando-a ao redor da base de cada vela. Despregue as extremidades, e agora voce terá uma faixa de velas bem caprichada que pode ser fixada ao redor da cabeça, sendo as extremidades livres unidas por um alfinete de segurança na parte de trás. A faixa de velas deve ser fixada ao redor de um protetor de cabeça feito de folha de alumínio que tenha sido anteriormente moldado para a cabeça; a folha de alumínio pode ser recortada para combinar com a parte inferior da faixa. Voce pode ver o resultado do acabamento em uso na Ilustração 5 (do livro original); naquele caso, ela foi ainda mais aperfeiçoada ao encaixar a folha de alumínio e a faixa de velas dentro de uma coroa de cobre já existente.

(Incidentalmente, aquela coroa de cobre – vista mais de perto na Ilustração 10 [do livro original] – com sua frente em lua crescente foi confeccionada para Janet pelo nosso amigo artesão em cobre Peter Clark de Tintine, The Rower, County Kilkenny. Peter fornece belos equipamentos ritualísticos em cobre ou bronze, seja do estoque ou confeccionada conforme suas requisições).

Uma forma alternativa da Coroa de Luzes, evitando o risco dos pingos de vela, seria um trabalho de pessoa especialista em aparatos mais complexos – uma coroa incorporando um número de bulbos de lâmpadas brilhantes, soldadas em suas guias (?), com pilhas pequenas escondidas sob um pedço de pano no tipo Legião Estangeira caindo sobre o pescoço; a ‘tomada liga-desliga’ sendo um clip ‘crocodilo’ pequeno, ou simplesmente duas extremidades de fio não encapadas que podem ser curvadas para fazerem contacto. Esta coroa de lâmpadas pode ser conservada de ano para ano, e decorada com folhagem fresca à cada vez. (Isso realmente exige, contudo, alguma experiência na construção, tanto referente à distribuição do peso das pilhas quanto aos componentes e fiação; muitas lâmpadas em paralelo causarão um belo efeito de luz no primeiro minuto e então vão se gastar rápidamente devido à drenagem excessiva da carga). Se voce não gostar de nenhuma destas, a terceira possibilidade é uma coroa incorporando pequenos espelhos – tantos deles quanto possível, voltados para fora a fim de captar a luz.

Um fardo de palha no comprimento de um pé à dezoito polegadas, com uma peça transversal de palha para os braços, deve ser vestida com roupas de mulher – um vestido de boneca servirá, ou simplesmente um pano pregado em volta. Se voce possui uma boneca de milho de forma adequada para vestir (uma Cruz de Brigid é o ideal), isso pode ser ainda melhor. (Vide Ilustração 6 – do livro). Esta figura é chamada de uma ‘Biddy’ – ou, caso você prefira o Gaélico, ‘Brídeóg” (pronunciado ‘breed-oge’).

Voce também necessita de uma vara fálica, que pode ser um simples bastão mais ou menos no mesmo comprimento da Biddy; embora, já que os rituais do Livro das Sombras frequentemente designam uma vara fálica como sendo distinta da vara ‘normal’do coven, valha a pena voces mesmos confeccionarem uma versão permanente. A nossa é um pedaço de galho fino com um pinho em cone afixado na ponta, e faixas preta e branca fazendo espirais em direções opostas ao longo da haste. (Vide Ilustração 6 – do livro).

A Biddy e a vara devem estar prontas ao lado do altar, junto com duas velas apagadas dentro dos porta-velas.

Também ao lado do altar está um buquê de folhagem (tão primaveril quanto possível e incorporando flores da primavera se voce poder obtê-las) para a mulher que representa a Donzela; e uma echarpe ou manto de cor escura para a Anciã.

A vassoura (o tradicional besom -?-, vassoura feita com o cabo e vários ramos pequenos) também está ao lado do altar.

O caldeirão, com uma vela queimando dentro dele, é posicionada ao lado da vela do Sul. Próximo ao caldeirão são colocadas três ou quatro ramos de vegetação sempre verde ou seca como holly, hera, mistletoe, bay, alecrim ou box (?).

Se, como nós, voce segue a tradição de manter a Árvore de Natal (sem suas decorações, mas com suas luzes) na casa até Candlemas, ela deveria, se possível, estar no recinto onde o Círculo é realizado, com todas as suas luzes acesas.


O Ritual

O Ritual de Abertura é mais curto para o Imbolg. O Sumo Sacerdote não Invoca a Lua sobre a Suma Sacerdotiza, nem ele faz a invocação “Grande Deus Cernunnos”; e a Investidura não é declamada até mais tarde.

Após a Runa das Feiticeiras, todos os parceiros operativos (incluindo a Suma Sacerdotiza e o Sumo Sacerdote) dançam um de costas para o outro em pares, com seus braços entrelaçados nos cotovelos um do outro. Witches sem companhia dançam à sós, embora dali a pouco os parceiros se soltam e recombinam com aqueles que estão solitários, de forma que todos possam participar.

Quando a Suma Sacerdotiza decide que a dança já durou o suficiente, ela a suspende, e o coven se organiza ao redor do Círculo olhando para dentro. O Sumo Sacerdote fica em pé de costas para o altar,e a Suma Sacerdotiza fica de frente para ele.

O Sumo Sacerdote aplica à Suma Sacerdotiza o Beijo Quíntuplo; ela então por sua vez aplica-lhe o Beijo Quíntuplo. O Sumo Sacerdote toma a vara em sua mão direita e o chicote em sua esquerda, e assume a Postura de Osíris (vide página 40 – do livro original).

A Suma Sacerdotiza, olhando para o Sumo Sacerdote enquanto ele permanece perante o altar, invoca (4):



“Terrível Senhor da Morte e Ressurreição,

Da Vida, e o Doador da Vida;

Senhor dentro de nós mesmos, cujo nome é Mistério de Mistérios,

Encorajai nossos corações,

Deixai tua Luz se cristalizar em nosso sangue,

Realizando em nós ( ? ) ressurreição;

Pois não existe parte de nós que não seja dos Deuses.

Descei, nós a ti oramos, sobre teu servidor e sacerdote.”
(4) As linhas 3 – 5 desta invocação são da Missa Gnóstica de Crowley
O Sumo Sacerdote traça o Pentagrama de Invocação da Terra no ar, na direção da Suma Sacerdotiza, e diz:

“Bendito(a) seja.”
O Sumo Sacerdote dá um passo para o lado, enquanto a Suma Sacerdotiza e as mulheres do coven preparam a ‘cama de Brigid’. Elas colocam a Biddy e a vara fálica lado a lado no centro do Círculo, com as cabeças na direção do altar. Elas colocam as velas em um e outro lado da ‘cama’ e acendem as velas. (Vide Ilustração 6 – do livro).

A Suma Sacerdotiza e as mulheres ficam de pé ao redor da ‘cama’ e dizem juntas:

Brid chegou – Brid é bemvinda!” (Repetido três vezes).

O Sumo Sacerdote deposita sua vara e seu chicote sobre o altar. A Suma Sacerdotiza reune as duas mulheres selecionadas; ela e as outras duas assumem agora seus papéis de Deusa Tríplice. (Vide Ilutração 5 – do livro). A Mãe fica em pé de costas para o centro do altar, e o Sumo Sacerdote a coroa com a Coroa de Luzes; a Donzela e a Anciã arrumam o cabelo dela de modo vistoso, e o Sumo Sacerdote acende as velas sobre a Coroa (ou acende as lâmpadas).

A Anciã fica de pé agora ao lado da Mãe, à sua esquerda, e o Sumo Sacerdote e a Donzela cobrem com o xale ou manto os ombros dela.

A Donzela fica de pé agora ao lado da Mãe, à sua direita, e o Sumo Sacerdote coloca o buquê em suas mãos.

O Sumo Sacerdote vai para o Sul, onde fica olhando para as três mulheres. Ele declama :
“Contemplai a Deusa das Três Formas;

Ela que é sempre Três – Donzela, Mãe e Anciã;

Ainda assim ela é sempre Uma.

Pois sem a Primavera não pode haver nenhum Verão,

Sem Verão, nenhum Inverno,

Sem Inverno, nenhuma nova Primavera”.
O Sumo Sacerdote então pronuncia a Investidura de forma integral, desde “Ouvi as palavras da Grande Mãe” diretamente até “aquilo que é obtido ao fim do desejo” – porém substituindo “ela, dela” por “eu, mim, meu”.

Quando ele tiver terminado, a Donzela pega a vassoura e abre seu caminho devager em deosil ao redor do Círculo, varrendo de forma ritual para limpar de tudo o que está velho e desgastado. A Mãe e a Anciã caminham atrás dela em imponente procissão. A Donzela então repõe a vassoura ao lado do altar, e as três mulheres retomam seus lugares em frente ao altar.

O Sumo Sacerdote então vira esse ajoelha perante o caldeirão. Ele pega cada um dos ramos de sempre verde (?) por vez, põe fogo em cada um com a vela do caldeirão, assopra o ramo para apagar e o coloca dentro do caldeirão ao lado da vela. (Esta queima simbólica é tudo o que se pode recomendar para dentro de um recindo pequeno, devido à fumaça; ao ar livre, ou em um recinto de grandes dimensões, eles podem ser queimados completamente).

Assim que vai fazendo isso, ele declama:


“Assim nós banimos o inverno,

Assim nós damos boas vindas à primavera;

Diga adeus para o que está morto,

E saúde cada coisa viva.

Assim nós banimos o inverno,

Assim nós damos boas vindas à primavera!”
O Sumo Sacerdote vai até a Mãe, sopra as velas ou desliga as lâmpadas da Coroa de Luzes e a remove da cabeça da Mãe. Com este sinal, a Donzela deixa seu buquê, e a Anciã deixa seu xale ou manta, ao lado do altar, e o Sumo Sacerdote também deixa ali a Coroa de Luzes.

O Sumo Sacerdote caminha para o lado, e as três mulheres pegam a Biddy, a vara fálica e as velas (as quais elas apagam) do centro do Círculo e as depositam ao lado do altar.

O Grande Rito é agora encenado.

Após os Bolos e o Vinho, um jogo adequado para o Imbolg é o Jogo da Vela. Os homens sentam em formação de anel olhando para dentro, próximos o suficiente para alcançar um ao outro, e as mulheres ficam de pé atrás deles. Os homens passam uma vela acesa no sentido deosil de mão em mão, enquanto as mulheres (sem pisar para dentro do círculo de homens) curvam-se para frente e tentam apagá-la. Quando uma mulher consegue fazer isso, ela dá três batidinhas com o chicote no homem que estava segurando a vela naquele instante, e ele aplica nela o Beijo Quíntulo em resposta. A vela é então novamente acesa e o jogo continua.

Se o costume de manter a Árvore de Natal até Candlemas tiver sido observado, a Árvore deverá ser retirada da casa e descartada tão rápido quanto possível após o ritual.



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