A bíblia da feitiçaria o manual Completo dos Feiticeiros Janet e Stewart Farrar



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“Reunam-se em volta, Oh Filhos da Colheita!”


O resto do coven se reúne em torno da Suma Sacerdotiza e o Sumo Sacerdote ajoelhado. (Se a Suma Sacerdotiza e a Donzela não souberem suas falas de cor, a Donzela poderá trazer o texto e uma vela do altar e ficar ao lado da Suma Sacerdotiza onde ambas possam ler o mesmo, já que ambas as mãos da Suma Sacerdotiza estão ocupadas).

A Suma Sacerdotiza diz:

Observai, o Rei do Holly está morto – ele que é também o Rei do Milho. Ele abraçou a Grande Mãe, e morreu de seu amor; assim tem sido, ano após ano, desde que o tempo começou. Mas se o Rei do Holly está morto – ele que é o Deus do Ano Minguante – tudo está morto; tudo que dorme em meu útero da Terra dormiria para sempre. O que faremos, portanto, para que o Rei do Holly possa viver novamente?”

A Donzela diz:

Daí-nos para comer o pão da Vida. Então os que dormem serão conduzidos ao renascimento”.

A Suma Sacerdotiza diz:

Que assim seja”.

(A Donzela pode agora recolocar o texto e a vela do altar e retornar para seu lugar ao lado da Suma Sacerdotiza).

A Suma Sacerdotiza parte pequenos pedaços do pão e dá um pedaço para cada witch, que o come. Ela mesma ainda não come um pedaço mas mantém o suficiente em suas mãos para pelo menos mais três porções.

Ela convoca as duas mulheres originais para ficarem de pé em cada lado do Sumo Sacerdote. Quando elas estiverem em posição, ela gesticula para que elas levantem o cachecol da cabeça do Sumo Sacerdote; elas o fazem e colocam o cachecol sobre o chão.

A Suma Sacerdotiza diz:

Voltai para nós, Rei do Holly, para que a terra seja frutífera”.

O Sumo Sacerdote se levanta e diz:

Eu sou uma lança empenhada na batalha;



Eu sou um salmão na lagoa (?);

Eu sou uma colina de poesia;

Eu sou um porco selvagem implacável;

Eu sou um estrondo ameaçador do mar;

Eu sou uma onda do mar;

Quem além de mim conhece os segredos dos dolmens não abatidos?”

(dolmen – pedra erguida como em Stonehenge)


A Suma Sacerdotiza então dá a ele um pedaço do pão e toma para si um pedaço; ambos comem, e ela repõe o restante do pão sobre o altar. A Suma Sacerdotiza e o Sumo Sacerdote então conduzem uma dança circular, desenvolvendo o passo de maneira que ele se torne mais e mais alegre, até que a Suma Sacerdotiza grite “Para baixo!” e todos sentam.

O Grande Rito é então encenado.

A parte remanescente do pão, após o Círculo ter sido banido, torna-se parte da oferenda à Terra juntamente com o remanescente do vinho e bolos.
IX Equinócio de Outono, 21 de Setembro
Os dois Equinócios são, como já ressaltamos, tempos de equilíbrio. Dia e noite estão equalizados, e a maré do ano flui regularmente. Mas enquanto o Equinócio da Primavera manifesta o equilíbrio de um atleta pronto para ação, o tema do Equinócio de Outono é o do descanso após o trabalho. O Sol está prestes à ingressar no signo de Libra, a Balança. Nas Estações da Deusa, o Equinócio da Primavera representa Iniciação; o Equinócio de Outono, Repouso. A safra foi colhida, ambos grão e fruto, mesmo que o Sol – embora mais suave e menos intenso do que era – ainda está conosco. Com aptidão simbólica, ainda há uma semana a seguir antes de Michaelmas, o festival de Michael/Lucifer, Arcanjo do Fogo e da Luz, ao qual devemos começar à dizer au revoir ao seu esplendor.

Doreen Valiente (Um ABC do Witchcraft, pág.166) ressalta que as aparências espectrais mais frequentes de certas assombrações recorrentes estão em Março e Setembro, “os meses dos Equinócios – períodos bem conhecidos para os ocultistas como sendo tempos de stress psíquico”. Isto pareceria contradizer a idéia de os Equinócios serem tempos de equilíbrio; embora o paradoxo seja apenas aparente. Tempos de equilíbrio, de atividade suspensa, são por sua natureza as ocasiões quando o véu entre o visível e o invisível é diáfano. Estas são também as estações quando os seres humanos ‘mudam a marcha’ para uma fase diferente, e portanto tempos de turbulência tanto psicológica quanto psíquica. Esta é toda a maior razão para nós reconhecermos e compreendermos o significado daquelas fases naturais, de forma que sua turbulência nos animem ao invés de nos angustiar.

Se observarmos o Calendário da Árvore que Robert Graves mostrou para sustentar tanto do nosso simbolismo mágico e poético Ocidental, nós descobriremos que o Equinócio de Outono vem um pouquinho antes do fim do mês do Vinho e do começo do mês da Hera. Vinho e Hera são as únicas das árvores-mês que crescem espiraladas – e a espiral (especialmente a espiral dupla, enrolar e desenrolar) é um símbolo universal de reencarnação. E o pássaro do Equinócio de Outono é o Cisne, outro símbolo da imortalidade da alma – tal como é o ganso selvagem, cuja variedade doméstica é o tradicional prato de Michaelmas.

Incidentalmente, a amora é um substituto frequente para o Vinho no simbolismo dos países do norte. A tradição popular em muitos lugares, particularmente no Oeste da Inglaterra, insiste que as amoras não devem ser comidas após o fim de Setembro (que também é o fim do mês do Vinho) porque elas então se tornam propriedade do Demônio. Poderíamos advinhar que isso significa: “Não tente se agarrar à espiral entrante uma vez que ela acabou – olhe adiante para o que se projeta”? (1)


(1) Na Irlanda, por outro lado, o último dia para colher amoras é a Véspera de Samhain. Após aquilo, o Pooka (vide página 122) “cospe nelas”, eis aqui um de seus nomes – Púca na sméar, ‘o duende da amora’.
Lughnasadh marcou a verdadeira colheita da safra de grãos, mas em seu aspecto sacrificial; o Equinócio de Outono marca a conclusão da colheita, e ação de graças por abundância, com ênfase no retorno futuro daquela abundância. Este Equinócio era a ocasião dos Mistérios Eleusinos, os maiores mistérios da antiga Grécia; e embora todos os detalhes não sejam conhecidos (os iniciados guardaram bem os segredos), os rituais de Eleusis certamente se basearam no simbolismo da colheita do milho. É dito que o climax tem sido o de mostrar ao iniciado uma simples espiga de grãos, com a advertência: “Em silêncio é recebida a semente da sabedoria”.

Para o nosso próprio Sabá de Outono, então, nós tomamos os seguintes temas inter-relacionados: a conclusão da colheita, uma saudação ao poder decrescente do Sol; e um reconhecimento de que Sol e colheita, e também homens e mulheres, compartilham o ritmo universal de renascimento e reencarnação. Como diz a declamação no Livro das Sombras: “Portanto os Sábios não choram, mas regozijam”.

No ritual do Livro das Sombras para este festival, os únicos itens substanciais são a declamação da Suma Sacerdotiza “Adeus, Oh Sol...” e o Jogo da Vela, ambos os quais nós preservamos.
A Preparação

Sobre o altar está um prato contendo uma única espiga de trigo ou outro cereal colhido, coberto por um pano.

O altar e o Círculos estão decorados com pinhos em cone, grãos, [um tipo de] nozes de carvalho, papoulas vermelhas (símbolo da Deusa do Milho Demeter) e outras flores, frutos e folhas de outono.

Ritual

Após a Runa das Feiticeiras, o coven se arruma ao redor do perímetro do Círculo, olhando para dentro.

A Donzela pega o prato coberto do altar, coloca-o no centro do Círculo (deixando-o coberto) e retorna ao seu lugar.

A Suma Sacertdotiza diz:

Agora é o tempo do equilibrio, quando Dia e Noite se confrontam um com o outro como iguais. Porém nesta estação a Noite está crescendo e o Dia está minguando; pois nada permanece sempre sem mudança, nas marés da Terra e do Céu. Sabei e lembrai, que tudo aquilo que cresce deve também decrescer, e tudo aquilo que decresce deve também crescer. Em recordação do que, dancemos a Dança do Partir e Retornar!”

Com a Suma Sacerdotiza e o Sumo Sacerdote conduzindo, o coven dança lentamente widdershins (anti-horário), de mãos dadas mas não fechando o anel cabeça-à-cauda. Gradualmente a Suma Sacerdotiza conduz para dentro em uma espiral até que o coven esteja próximo ao centro. Quando ela estiver pronta, a Suma Sacerdotiza pára e instrui a todos para se sentarem formando um anel apertado próximo ao prato coberto, olhando para dentro.

A Suma Sacerdotiza diz:



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