A bíblia da feitiçaria o manual Completo dos Feiticeiros Janet e Stewart Farrar



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“Contemplai o mistério: em silêncio é recebida a semente da sabedoria”.


Ela então retira o pano do prato, revelando a espiga de grãos. Todos contemplam a espiga de grãos por um momento em silêncio (Vide Ilustração 14).

Quando ela estiver pronta, a Suma Sacerdotiza se levanta e vai para a vela do Leste. O Sumo Sacerdote se levanta e vai para a vela do Oeste e um olha para o outro por entre o coven sentado. A Suma Sacerdotiza declama: (2)


(2) Escrito por Doreen Valiente. Na Irlanda, ao invés de “para a Terra da Juventude”, nós dizemos “to Tír na nÓg” (pronunciado ‘teer nuh noge’) que significa literalmente a mesma coisa mas tem poderosas associações legendárias – um Elíseo celta visualizado como uma ilha mágica fora da Costa Oeste da Irlanda, “onde a felicidade pode ser obtida por um penny (divisão de moeda – N.do T.)”
Adeus, Oh Sol, Luz que sempre retorna,

O Deus oculto, que ainda assim sempre permanece.

Ele agora parte para a Terra da Juventude

Através dos Portais da Morte

Para habitar entronado, o juiz dos Deuses e homens,

O líder cornudo das hostes do ar.

Porém, como ele permanece invisível fora do Círculo,

Assim ele reside dentro da semente secreta –

A semente do grão recém colhido, a semente da carne;

Escondida na terra, a maravilhosa semente das estrelas.

Nele está a Vida, e a Vida é a Luz do homem,

Aquilo que nunca nasceu,e nunca morre.

Portanto os Sábios não choram, mas regozijam.”
A Suma Sacerdotiza ergue ambas as mãos para o alto em bênção para o Sumo Sacerdote, o qual responde com o mesmo gesto.

Suma Sacerdotiza e Sumo Sacerdote reúnem-se ao coven (que agora fica de pé) e o lidera em uma dança lenta deosil (horário), gradualmente formando espiral para fora na direção do perímetro do Círculo. Quando ela julgar que o movimento da espiral foi suficientemente enfatizado, a Suma Sacerdotiza fecha o anel pegando a mão da última witch da corrente e acelera o passo até que o coven esteja circulando rápido e alegremente. Após um momento ela grita “Para baixo!” e todos sentam.

A Donzela repõe o prato com a espiga de grão sobre o altar, e o pano que o cobria ao lado do altar.

O Grande Rito é agora encenado, seguido por vinho e bolos.

Após o vinho e os bolos é a hora do Jogo da Vela, tal como descrito na página 71 para o Imbolg; e aquilo deve levar a pessoa ao correto estado de ânimo para a etapa da festa.
X Samhain, 31 de Outubro
A véspera de 1o de Novembro, quando o Inverno celta começa, é a contraparte obscura da Véspera de Maio que saúda o Verão. Mais do que isso, o 1o de Novembro para os celtas era o próprio início do ano, e a festa de Samhain era a sua Véspera de Ano Novo, o momento misterioso que não pertencia nem ao passado nem ao presente, nem à este mundo nem ao Outro. Samhain (pronunciado ‘sow-in’, o ‘ow’ rimando com ‘cow’) é o irlandês gaélico para o mês de Novembro; Samhuin (pronunciado ‘sav-en’, com o ‘n’ como o ‘ni’ em ‘onion’) é o escocês gaélico para Todos os Santos, 1o de Novembro.

Para os antigos pastores, cuja criação de rebanho era sustentada apenas por uma agricultura primitiva ou simplesmente nada, manter rebanhos inteiros alimentados durante o inverno simplesmente não era possível, assim o estoque mínimo de criaçãoera mantido vivo, e o resto era abatido e salgado – o único jeito, então, de preservar a carne (aqui, sem dúvida, o uso tradicional do sal em ritual mágico como um ‘desinfetante’ contra males espirituais ou psíquicos). Samhain era a ocasião onde este abate e preservação era feito; e não é difícil imaginar que situação nervosamente crítica esta era. O estoque de criação correto – ou suficiente – fora selecionado ? Seria o inverno vindouro longo e árduo ? E caso fosse, o estoque de criação iria sobreviver à este, ou a carne estocada alimentaria a tribo durante o inverno ?

As colheitas, também, tinham que serem todas recolhidas por volta de 31 de Outubro, e tudo o que ainda não tinha sido colhido seria abandonado – por causa do Pooka (Púca), um mau espírito mutante noturno que se deliciava em atormentar os humanos, o qual se acreditava passar a noite de Samhain destruindo ou contaminando tudo o que ficou sem ser colhido. O disfarce favorito do Pooka parece ter sido a forma de um feio cavalo negro.

Portanto à incerteza econômica era adicionado um sentido psiquicamente sinistro, pois na virada do ano – o velho perecendo e o novo ainda por nascer – o Véu era muito fino. Os portais dos sidh-mounds (túmulos dos mortos_?) eram abertos, e nessa noite nem humanos nem fadas precisavam de qualquer palavra mágica para vir e ir. Nessa noite, também, os espíritos dos amigos mortos buscavam o calor do fogo do Samhain e a comunhão com seus parentes vivos. Esta era a Féile na Marbh (pronunciado ‘fayluh nuh morv’), a Festa dos Mortos,e também Féile Moingfhinne (pronunciado ‘fayluh mong-innuh’), a Festa d’Aquela de Cabelos Brancos, a Deusa da Neve. Isto era “um retorno parcial ao chaos primordial . . . a dissolução da ordem estabelecida como um prelúdio para a sua recriação em um novo período de tempo”, como Proinsias mac Cana diz em Mitologia Celta.

Então Samhain era por um lado um tempo de propiciação, advinhação e comunhão com os mortos, e por outro lado, uma festa desinibida para se comer, beber e a afirmação desafiadora de vida e fertilidade na própria cara da obscuridade que se aproxima.

Propiciação, nos velhos dias quando se sentia que a sobrevivência dependia desta, era um assunto severo e sério. Pode haver pouca dúvida de que à um só tempo ela envolvia sacrifício humano – de criminosos poupados para este propósito ou, na outra extremidade da balança, de um rei idoso; há pouca dúvida, também, que estas mortes rituais eram através do fogo, pois na mitologia celta (e, consequentemente, Nórdica) muitos reis e heróis morrem em Samhain, muitas vezes numa casa em chamas, pegos em cilada pelos ardis de mulheres sobrenaturais. O afogamento pode suceder à queima, tal como com os Reis de Tara do sexto século, Muirchertach mac Erca e Diarmait mac Cerbaill (1).


(1)Estes dois são interessantes. Em Lebor Gabála Érenn, Parte V (vide Bibliografia sobre

MacAlister), nós encontramos (em tradução do Irlandês Antigo): “Agora a morte de Muirchertach foi desta maneira; ele foi afogado num tonel de vinho, depois sendo queimado, na noite de Samhain no topo de Cletech sobre o Boyne; de onde St.Cairnech disse : -


‘Eu tenho medo da mulher

à volta da qual muitas rajadas vão brincar;

para o homem que será queimado no fogo,

ao lado do Cletech o vinho irá afogá-lo.”


A mulher era Sín (pronunciado ‘Sheen’, e significando ‘tempestade’) a amada feiticeira de Muirchertach por causa da qual St.Cairnech o amaldiçoou; os homens da Irlanda ladearam o rei e Sín contra o Bispo. O Rei achava que ela era “uma deusa de grande poder”, mas ela dizia que, embora ela possuísse grande poder mágico, ela pertencia à raça de Adão e Eva. Sín é claramente uma sacerdotiza da Deusa Negra, presidindo sobre um sacrifício popularmente aprovadoà despeito de sua mágoa pessoal. (A versão de que ela trouxe o fim do Rei em vingança pelo assassinato de seu pai [pelo rei] parece uma racionalização posterior). Sobre sua própria morte subsequente o Lebor diz: “Sín, filha de Sige dos montes-sídh de Breg, morreu repetindo seus nomes -
‘Suspiro, Gemido, Rajada sem reprovação,

Vento Rude e Gelado,

Sofrimento, Pranto, um dito sem falsidade -

Estes são os meus nomes em qualquer estrada.’”


A estória de Muirchertach e Sín é contada na obra Herança Celta de Reese, da pág.338 em diante, e na obra Mulheres dos Celtas de Markale, págs. 167-8.

Diarmait mac Cerbaill, segundo o Lebor, foi assassinado por Black Aed mac Suibne após um reinado de vinte e um anos (o tradicional múltiplo de sete do rei sacrificado?). O Lebor diz que Aed “paralizou, incomodou, matou, queimou e rápidamente o afogou”, o que novamente tem todas as características de sacrifício ritual; e Gearóid MacNiocaill diz que Diarmait “era quase certamente um pagão” (A Irlanda Antes dos Vikings, pág. 26).


Mais tarde, naturalmente, o sacrifício propiciatório se tornou simbólico, e as crianças inglesas ainda sem noção do que estão fazendo, encenam este simbolismo na Noite de Guy Fawkes, que foi trazido desde a fogueira de Samhain. É interessante que, como assassino fracassado de um rei, o Guy queimado é em certo sentido o substituto do rei.

Ecos do sacrifício real de Samhain podem ter sido mais tarde substituidos pelo sacrifício de animais. O nosso Garda (policial) da vila, Tom Chambers, um bem informado estudante da história e folclore de County Mayo, nos diz por da memória viva que o sangue de frango era aspergido nos cantos das casas, dentro e fora, na Véspera de Martinmas como um encantamento protetor. Agora Martinmas é 11 de Novembro – que é 1o de Novembro conforme o antigo calendário Juliano, um deslocamento que muitas vezes aponta para a sobrevivência de um costume particularmente não oficial (vide nota de rodapé na página 95). Então este pode ter sido originalmente uma prática de Samhain.

O fim do costume do sacrifício real de fato é talvez comemorado na lenda da destruição de Aillen mac Midgna, do sidhe Finnachad, de quem se diz ter incendiado Tara real em todo Samhain até que Fionn mac Cumhal finalmente o matou. (Fionn mac Cumhal é um herói do tipo Robin Hood, cujas lendas são relembradas por toda a Irlanda. As montanhas acima da nossa vila de Ballycroy são chamadas a cadeia [de montanhas] de Nephin Beg, que Tom Chambers verte do Irlandês Antigo como ‘o pequeno lugar de repouso de Finn’.)

A noite das fogueiras e fogos de artifício da Irlanda ainda é Hallowe’en, e algumas das sobrevivências inconscientes são notáveis. Quando nós moramos em Ferns em County Wexford, dentre muitas das crianças que nos abordavam de surpresa no Hallowe’en esperando por maçãs, nozes ou “dinheiro para o Rei, dinheiro para a Rainha” estava incluida uma que estava mascarada como “o Homem de Preto”. Ele nos desafiaria com “Eu sou o Homem de Preto – voces me conhecem?”- ao que tínhamos que responder “Eu seu quem voce é, mas voce é o Homem de Preto”. Gostaríamos de saber se ele perceberia que uma das peças de evidência significativamente recorrentes nos julgamentos de bruxaria do período de perseguição é que “o Homem de Preto” era o Sumo Sacerdote do coven, cujo anonimato deve ser obstinadamente protegido.

Na Escócia e em Gales, fogueiras de Samhain familiares individuais costumavam ser acesas; elas eram chamadas Samhnagan na Escócia e Coel Coeth em Gales e eram construídas com dias de antecedência no campo mais elevado próximo à casa. Isso ainda era um costume florescente em alguns distritos quase dentro da memória viva, embora nesse tempo ele tenha se tornado (como a noite da fogueira na Inglaterra) em maior parte uma celebração de crianças. O hábito das fogueiras de Hallowe’en também sobreviveu em Isle of Man.

Frazer, em O Ramo Dourado (pág.831-3), descreve várias destas sobrevivências Escocesas, de Gales e Manx, e é muito interessante que, tanto nestes como nos costumes da fogueira de Bealtaine correspondentes que ele registra (págs. 808-14), há muitos traços da escolha de uma vítima sacrificial por sorteio – algumas vezes através da distribuição de pedaços de um bolo recém assado. Em Gales, uma vez que a última centelha da fogueira de Hallowe’en era extinta, todos “súbitamente ficariam nas pontas dos pés, gritando no tom mais alto de suas vozes ‘A leitoa negra colhe e se apossa de trás!’ “ ( ? ? ? ) (Frazer pode ter adicionado que na mitologia de Gales a leitoa representa a Deusa Cerridwen em seu aspecto obscuro). Todos estes rituais de escolha da vítima desde há tempos se suavizaram em uma mera brincadeira, mas Frazer não tinha dúvidas sobre seu severo propósito original. O que uma vez fora um sério ritual mortal na grande fogueira tribal tornou-se um jogo nas festas entre outros nas famílias.

Falando sobre isso, em Callander (familiar aos telespectadores britânicos de poucos anos atrás como o ‘Tannochbrae’ da Estante do Dr Finlay) um método levemente diferente prevalesceu na fogueira de Hallowe’en. “Quando o fogo tinha se apagado”, diz Frazer, “as cinzas eram cuidadosamente recolhidas na forma de um círculo, e uma pedra era colocada dentro, próxima à circunferência, para cada pessoa das várias famílias interessadas na fogueira. Na manhã seguinte, se fosse cogitado que qualquer uma dessas pedras foi deslocada ou danificada, as pessoas ficavam seguras de que a pessoa representada pela pedra era fey, ou devota, e que esta não poderia viver doze meses a partir daquele dia”. Seria isso um estágio intermediário entre o antigo rito da vítima sacrificial e o atual costume da festa de Hallowe’en da animada advinhação através do modo pelo qual saltam as nozes tostadas no fogo ?

O aspecto divinatório de Samhain é compreensível por duas razões. Primeiro, o clima psíquico da estação o favorecia; e segundo, a ansiedade acerca do inverno vindouro o exigia. Originalmente os Druidas eram “fartados com sangue e carne frescos até que entravam em transe e profetizavam”, lendo as profecias do ano vindouro para a tribo (Cottie Burland, As Artes Mágicas); mas na sobrevivência do folclore a advinhação se tornou mais pessoal. Em particular, jovens mulheres buscavam identificar o futuro marido, pelo jeito assando nozes [e interpretando _?_ o modo como saltavam] (vice acima) ou conjurando sua imagem num espelho. Em County Donegal, uma garota lavaria sua camisola tres vezes em agua corrente e a penduraria em frente ao fogo da cozinha para secar à meia-noite na Véspera de Samhain, deixando a porta aberta; seu futuro esposo seria trazido para entrar e virá-lo. Uma fórmula alternativa dizia que a agua para lavar deveria ser trazida “de um poço onde noivas e enterros passam por cima”. Outro método difundido era para uma garota cobrir sua mesa com uma refeição tentadora, à qual o ‘fetch’ de seu futuro marido viria e, tendo comido, ficaria preso à ela. (O ‘fetch’ é naturalmente o corpo astral projetado – implicando que em Samhain não apenas o véu entre a matéria e o espírito era muito fino mas também o astral estava menos firmemente preso ao físico).

As nozes e maçãs de Hallowe’en ainda tem seu aspecto divinatório na tradição popular; mas como a junção das nozes de Bealtaine, seu significado original era o de fertilidade, pois Samhain, também, era um tempo de liberdade sexual deliberada (e cheia de propósitos tribais). Este aspecto de fertilidade ritual é, como se poderia esperar, refletido nas lendas de deuses e heróis. O deus Angus mac Óg, e o herói Cu Chulainn, ambos tinham casos em Samhain com mulheres que poderiam se transformar em pássaros; e em Samhain o Dagda (o ‘Deus Bom’) se casava com a Morrigan (o aspecto sombrio da Deusa) enquanto ela caminhava sobre o Rio Unius, e também com Boann, deusa do Rio Boyne.

Samhain, como os outros festivais pagãos, era tão profundamente enraizado na tradição popular que o cristianismo teve que tentar vencê-lo. O aspecto de comunhão com os mortos, e com outros espíritos, foi cristianizado como Todos os Santos, transferido de sua data original de 13 de Maio para 1o de Novembro, e extendido para toda a Igreja pelo Papa Gregório IV em 834. Mas seus sobretons pagãos continuavam inconfortávelmente vivos, e na Inglaterra a Reforma aboliu Todos os Santos. Este não foi formalmente restaurado pela Igreja da Inglaterra até 1928, “na assunção de que todas as antigas associações pagãs de Hallowe’en estavam por fim realmente mortas e esquecidas; uma suposição que era certamente prematura” (Doreen Valiente, Um ABC da Bruxaria).

Com relação à própria festa – no sentido de banquete, a comida original era naturalmente uma proporção do gado recentemente abatido, assado no fogo purificador de Samhain, e sem dúvida tendo a natureza dos ‘primeiros frutos’ ritualisticamente oferecidos; o fato de que o sacerdotado recebia a primeira chamada para estes para propósitos divinatórios, e que o que eles não utilizariam provia uma festa para a tribo, aponta para isso.

Em séculos posteriores, a comida ritual conhecida como ‘sowens’ era consumida. Robert Burns refere-se à esta em seu poema Hallowe’en :

“Till butter’d sowens, wi’ fragrant lunt,

Set a’ their gabs a-steerin’. . .”

- e em suas próprias notas ao poema, diz “Sowens, com manteiga ao invés de leite para eles, é sempre a Ceia do Hallowe’en”. O Dicionário de Inglês Oxford define Sowens como ‘um artigo de dieta antigamente em uso comum na Escócia (e em algumas partes da Irlanda), consistindo de matéria farinácea extraída do farelo ou cascas de sementes de carvalho imersos na água, deixado para fermentar levemente e preparado por cozimento”, e diz que isto provávelmente deriva de sugh ou subh , ‘seiva’. Talvez – mas é interessante que ‘sowen’é próximo o suficiente da pronúncia de ‘Samhain’.

Na Irlanda, ‘barm brack’, um pão ou bolo marrom escuro feito com frutas frescas é tanto uma característica de Hallowe’en quanto o pudim [doce_?] o é com relação ao Natal e retém a função divinatória sazonal ao incorporar símbolos com a sorte que aquele que prova e guloseima, sortudo ou não, encontra em sua fatia. O papel de embrulho de um barm brack comercial à nossa frente neste momento apresenta um desenho tipo bruxa-e-vassoura e a informação: “Contém – anel, casamento em doze meses; ervilha, pobreza; feijão, riqueza; bastão, baterá na parceira da vida; trapo, solteirona ou solteiro”. As lojas estão cheias deles a partir do meio de Outubro. Para o barm brack caseiro, o ítem essencial é o anel. O bolo tem que ser cortado e passado com manteiga por uma pessoa casada, fora da vista daqueles que o estarão comendo.

Para quaisquer amigos mortos cujos espíritos poderão estar visitndo, as famílias irlandesas costumavam deixar um pouco de tabaco e um prato de mingau de aveia – e algumas cadeiras vazias – próximo ao fogo.

Paul Huson, em seu livro interessante porém mágicamente amoral, Controlando a Bruxaria, diz : “A Ceia Silenciosa pode ser realizada em honra dos falecidos estimados, e vinho e pão podem ser cerimoniosamente oferecidos à eles, o último na forma de um bolo feito em nove segmentos similar ao quadrado da Terra”. Ele provávelmente se refere ao Quadrado de Saturno, que tem nove segmentos como um jogo-da-velha (e que o próprio Huson apresenta na página 140 do seu livro). Existem quadrados mágicos também para Júpiter (dezesseis segmentos), Marte (vinte e cinco), Sol (trinta e seis), Vênus (quarenta e nove), Mercúrio (sessenta e quatro), e Lua (oitenta e um), mas nenhum para a Terra. Em qualquer caso, Saturno seria mais sazonalmente apropriado; ele tem fortes ligações com ambos o Rei do Holly e o Senhor do Desgoverno – de fato os três se sobrepõe e resultam um bom negócio.

Uma coisa Samhain tem sempre sido, e ainda o é : uma festa lasciva e sem reservas, uma Noite de Travessuras, o começo do reinado daquele mesmo Senhor do Desgoverno, que tradicionalmente dura desde agora até Candlemas – embora com sérios sub-tons. Não é que nós nos rendamos à desordem mas, como o Inverno começa, nós parecemos o ‘caos primordial’ na face de modo que podemos reconhecer nisso as sementes de uma nova ordem. Ao desafiá-lo, e mesmo rindo com ele, nós proclamamos nossa fé de que a Deusa e o Deus não podem, devido à sua própria natureza, permitir que ele nos varra para longe.

Como, então, celebrar o Samhain como feiticeiros do século vinte ?

Uma sugestão imediata que se tornou nosso hábito, e que outros podem julgar útil, é ter duas celebrações – uma sendo o ritual de Samhain para o próprio coven, e a outra sendo a festa de Hallowe’en para o coven, as crianças e os amigos. As crianças esperam por alguma diversão no Hallowe’en, e assim também (nós descobrimos) amigos e vizinhos realmente esperam algo das feiticeiras no Hallowe’en. Então monte uma festa e ofereça à eles – abóboras, máscaras, vestidos de fada, brincadeiras (?), música, ‘castiguinhos’(relativos à jogos específicos), tradições locais – tudo. E faça o ritual de Samhain de seu coven numa noite em separado.

Surge aqui uma dúvida geral : o quão importante é realizar os Sabás nas noites tradicionais exatas ? Nós diríamos que é preferível, mas não vital. Devemos encarar o fato de que tanto para os Esbás quanto para os Sabás, muitos covens tem que se reunir em noites em particular – geralmente nos fins de semana – por motivos de trabalho, viagens, preocupações com bebês e daí em diante. Mesmo a Investidura admite isso ao dizer “melhor que seja quando a lua está cheia” – e não “deve ser”. E com relação aos Sabás, a maioria das feiticeiras não se sentem mal ao realizá-los (digamos) no Sábado mais próximo da data verdadeira.

Na revista Quest de Março de 1978, “Diana Demdike’ faz uma boa idéia sobre o assunto de celebrar festivais antes ou depois da data verdadeira. “É sempre melhor estar atrasado do que adiantado”, ela diz, “pois sabendo disso ou não, voce está trabalhando com os poderes das marés mágicas da terra, e essas começam no ponto solar real em tempo, então trabalhar assim dessa forma antes significa que voce se encontra no ponto mais baixo da maré anterior, não muito útil”.

Em Samhain, para ser prático, existe uma consideração adicional : em muitos lugares (incluindo a América, Irlanda e partes da Bretanha) a privacidade em 31 de Outubro não pode ser garantida. Ter o seu sério ritual de Samhain perturbado por crianças exigindo “guloseimas ou travessuras”, ou “dinheiro para o Rei, dinheiro para a Rainha”, ou pelos seus vizinhos balançando abóboras iluminadas no seu jardim da frente e corretamente aguardando por serem convidados para uma bebida não é claramente uma boa idéia. Assim “melhor seria” talvez transferir seu Sabá de Samhain por uma noite ou duas, e encarar a própria Noite de Hallowe’en com as nozes e maçãs apropriadas, pouca mudança e garrafas prontas para fazer, ou melhor lançar (?_ gíria) uma festa. Não é próprio das feiticeiras fazer qualquer coisa que possa parecer desencorajar, ou mesmo excluí-las, de tais celebrações tradicionais.

De fato, as tradições locais devem sempre ser respeitadas – tudo o mais caso seja genuinamente existente. Eis o porque, aqui em nosso County Mayo, nós acendemos a nossa fogueira de Meio de Verão na Véspera de São João, 23 de Junho, quando muitos outros pontilham a paisagem em sua extensão como estrelas alaranjadas no crepúsculo; nós acendemos a nossa fogueira de Lughnasadh em Domhnach Chrom Dubh, o último domingo de Julho, que ainda recebe seu nome de um dos Deuses antigos, e ao qual os muitos costumes dos festivais de Lughnasadh que sobrevivem no Oeste da Irlanda estão ligados; e fazemos nossa festa de Samhain uma festa ao ar livre, caso o tempo permita, pois Hallowe’en é noite de fogueira familiar através da Irlanda.

Porém voltemos ao próprio ritual de Samhain, que é nossa preocupação aqui. Quais dos antigos elementos devem ser incluidos ?

Propiciação – não. A propiciação reduz os Deuses à um nível humano de insignificância, no qual eles tem que ser subornados e alegrados desviando-os de seus modos caprichosos de rancor e mau humor. Isso pertence à um estágio muito primitivo da Antiga Religião, e sobreviveu, sentimos, mais ‘por exigência popular’ do que por sabedoria sacerdotal. As modernas feiticeiras não temem os Deuses, as expressões do poder e ritmo cósmicos; elas os respeitam e cultuam e trabalham para compreender e colocar-se em sintonia com eles. E ao rejeitar a propiciação como superstição, uma vez compreensível mas agora superado, elas não estão traindo a antiga sabedoria, elas a estão realizando; muitos dos antigos sacerdotes e sacerdotizas (que possuíam uma compreensão mais profunda do que alguns de seus mais simples seguidores) teriam indubitávelmente sorrido em modo de aprovação. (Embora, em lealdade para com aqueles ‘simples seguidores’, nós devemos adicionar que muitos ritos que para o estudante moderno parecem propiciação não eram de fato nada desse tipo mas eram magia simpática; vide O Ramo Dourado, pág.541).

Mas a comunhão com os amados falecidos, a advinhação, a festividade, o humor, a afirmação da vida – muito certamente sim. Esses estão todos de acordo com o ponto do Samhain sobre os ritmos naturais, humanos e psíquicos do ano.

Sobre a questão da comunhão com os mortos, deve-se sempre ser lembrado que eles são convidados, não invocados. Retirada e descanso entre encarnações é um processo de estágio por estágio; o quanto cada estágio dura, e quais experiências necessárias (voluntárias ou involuntárias) são passadas em cada estágio, é uma estória muito individual, sendo que a totalidade desta jamais pode ser conhecida mesmo pelo mais íntimo dos amigos ainda encarnados do indivíduo. Então forçar a comunicação com ele ou ela pode bem ser infrutífero, ou mesmo danoso; e sentimos que este é o erro que muitos espiritualistas cometem, não importa o quão sincero e genuinamente dotado alguns de seus médiuns possam ser. Assim, como Raymond Buckland coloca (A Árvore, o Livro Completo da Bruxaria Saxônica, pág.61): “As feiticeiras não ‘chamam de volta’ os mortos. Elas não realizam sessões – sendo que estas pertencem ao Espiritismo. Elas, contudo, crêem que, se os próprios mortos assim o quiserem, eles retornarão no Sabá para compartilhar o amor e a celebração desta ocasião”.

Qualquer convite aos amigos mortos, em Samhain ou qualquer outra ocasião, deve ser feito com esta atitude em mente.

Como Stewart salientou em O Que as Bruxas Fazem: “De todos os oito festivais, é neste que o Livro das Sombras insiste mais enfáticamente a respeito do Grande Rito. Caso não seja possível na ocasião, o livro diz que o Sumo Sacerdote e a Suma Sacerdotiza devem celebrá-lo eles mesmos tão rápido quanto for conveniente, ‘de forma simbólica, ou se possível na realidade’. O caso presumívelmente é que uma vez que o ritual de Hallowe’en é intimamente relacionado com a morte e os mortos, ele deveria terminar com uma solene e intensa reafirmação da vida”.

No presente livro, nós assumimos que o Grande Rito é sempre possivel nos Sabás, ao menos em sua forma simbólica. Mas nós achamos que a insistência do Livro das Sombras em seu significado particular em Samhain é válido, e provávelmente uma genuína tradição da Arte. Assim nós buscamos, em nosso ritual, por um modo de oferecer à este aquela ênfase especial – aqui o plano do coven circundante, o que para nós alcança o efeito desejado.

Se o Grande Rito ‘real’ for usado, naturalmente o coven estará fora do recinto, e qualquer meio de ênfase deve ser deixado para a Suma Sacerdotiza e o Sumo Sacerdote que o encenam. Mas a ênfase ainda pode ser, assim falando, transmitida para o coven no seu retorno; aqui a estratégia de a Suma Sacerdotiza e o Sumo Sacerdote abençoarem o vinho e os bolos imediatamente após o retorno, e o Sumo Sacerdote entregando-os pessoalmente para cada mulher, e a Suma Sacerdotiza para cada homem, ao invés da circulação habitual. Nós sugerimos que essa entrega pessoal deve ser conduzida também se o Grande Rito for simbólico.
A Preparação

O caldeirão está posicionado no centro do Círculo, com carvão incandescente dentro de uma tampa de estanho ou de outro recipiente dentro deste, e incenso para lançar. (O incensário habitual sobre, ou próximo ao altar, pode ser utilizado no momento apropriado, mas um outro em separado é melhor).

Para a Suma Sacerdotiza, prepare um tabbard (?) branco simples de chiffon (tipo de tecido) ou filó (tecido de terylene tal como vendido para cortinas podem servir, embora o chiffon seja mais bonito). O padrão é fácil – dois quadrados ou retângulos costurados juntos ao longo da parte superior e laterais, mas deixando aberturas para pescoço e braços no centro da parte superior, e partes superiores das laterais. Um refinamento à mais pode ser um terceiro quadrado ou retângulo do mesmo tamanho, com sua parte superior costurada à parte superior dos outros dois ao longo dos ombros e parte posterior da abertura para o pescoço; isto pode ficar suspenso atrás como um manto, ou ser jogado para cima e puxado por sobre a cabeça e face como um véu. (Vide diagrama e também Ilustrações 7, 11, 16 e 17).

(Incidentalmente, nós fizemos uma seleção desses tabards (?) de chiffon,com mantos/véus e laço apropriado ao longo das costuras e bainhas, em várias cores para vários propósitos ritualísticos. Eles podem ser vestidos ou por sobre os robes ou sobre o corpo vestido de céu, são baratos e simples de fazer e são notávelmente efetivos).

Para o Senhor do Desgoverno, faça uma vara de poder (?), tão simples ou elaborada como voce queira. Mais elaborado é o bastão do bobo da corte tradicional encimado com uma cabeça de boneca e decorado com sininhos. O mais simples é um bastão liso com um balão de borracha (ou mais tradicionalmente, uma bexiga de porco inflada) amarrada em uma ponta. Este é deixado pronto ao lado do altar.

Círculo, altar e caldeirão são decorados com folhagem e frutos da temporada – dentre os quais maçãs, e se possível nozes no ramo, devem aparecer com proeminência.


(ilustração do livro com a veste apresentando véu e aberturas para braços e pescoço)
Todos os Sabás são festas, mas Samhain é naturalmente especial. Comida e bebida devem estar prontas para o fim do ritual. Nozes devem ser incluidas, mesmo se voce conseguir apenas aquelas com casca no mercado ou pacotes de amendoim do armazém. A tradição de tostá-los para prever o futuro a partir do modo em que estes saltam (uma forma de advinhação melhor abordada com um estado de espírito leve !) é aplicável apenas se voce tiver um fogo aberto (?) no recinto.

Nota pessoal : nós temos uma gata chamada Suzie que (à parte de nossos muitos gatos) é o nosso familiar auto-nomeado. Ela é muito sensitiva e insiste em estar presente em todos os rituais; no momento em que estabelecemos o Círculo ela dispara da porta para poder entrar. Ela se comporta muito bem mas ainda não aprendeu à aceitar que a festa vem depois do ritual. Então nós temos que esconder a comida em uma tábua lateral até o momento certo. Se voce estiver na mesma situação, fique alerta !



O Ritual

A Suma Sacerdotiza veste seu tabard branco para o ritual de abertura, com o véu jogado para trás, caso ela tenha um.

Após a Runa das Feiticeiras, o Sumo Sacerdote e a Suma Sacerdotiza pegam seus athames. Ele fica de pé de costas para o altar, ela de frente para ele do outro lado do caldeirão. Eles então traçam no ar simultâneamente o Pentagrama de Invocação da Terra com seus athames, um na direção do outro, após o que deitam seus athames – o dele sobre o altar, o dela próximo ao caldeirão.

A Suma Sacerdotiza lança incenso no carvão dentro do caldeirão. Quando ela estiver satisfeita ao ver que ele está queimando, ela fica em pé – ainda de frente ao Sumo Sacerdote, do outro lado do caldeirão. Ela chama um wicca masculino para que traga uma das velas do altar e a segure ao lado dela (de modo que ela ainda possa ler suas palavras quando, mais tarde, ela puxar o véu por sobre sua face). Ela declama (2):


(2) Escrito por Gerald Gardner.
“Terrível Senhor das Sombras, Deus da Vida, e o Doador da Vida –

Ainda que seja o conhecimento sobre ti, o conhecimento da Morte.

Totalmente abertos, eu oro a ti, os Portais pelos quais tudo deve passar.

Deixai nossos entes queridos que partiram antes

Retornar esta noite para serem felizes conosco.

E quando chegar a nosssa vez, como deve ser,

Oh tu o Confortador, o Consolador,o Doador de Paz e Descanso,

Entraremos em teus reinos alegremente e sem medo;

Pois sabemos que quando descansados e revigorados entre nossos entes amados

Seremos novamente renascidos por tua graça, e pela graça da Grande Mãe.

Que seja no mesmo local e no mesmo tempo que nossos entes queridos,

E que possamos nos reunir, e saber, e lembrar,

E amá-los novamente.

Descei, a ti oramos, em teu servo e sacerdote”.


A Suma Sacerdotiza então caminha deosil ao redor do caldeirão e aplica ao Sumo Sacerdote o Beijo Quíntuplo.

Ela retorna ao seu lugar, frente ao Sumo Sacerdote do outro lado do caldeirão, e se o seu tabard tiver um véu, ela agora o puxa para frente de modo a cobrir sua face. Ela então chama cada witch feminina por vez, pelo nome, para virem para frente e também aplicarem ao Sumo Sacerdote o Beijo Quíntuplo.

Quando todas tiverem feito isso, a Suma Sacerdotiza conduz o coven para que todos fiquem em pé ao redor do perímetro do Círculo, homem e mulher alternados, com a Donzela próxima à vela do Oeste. Assim que todos estiverem nos lugares, a Suma Sacerdotiza diz :

“Observai, o Oeste é Amenti, a Terra dos Mortos, para a qual muitos de nossos entes amados partiram para repouso e renovação. Nesta noite, nós mantemos comunhão com eles; e assim como a nossa Donzela permanece em [atitude de_?_] boas vindas próximo ao portal Ocidental,eu chamo a todos vós, meus irmãos e minhas irmãs da Arte, para manter a imagem desses entes amados em seus corações e mentes, de forma que nossas boas vindas os possa alcançar.

“Há mistério dentro de mistério; pois o lugar de repouso entre vida e vida é também Caer Arianrhod, o Castelo da Roda de Prata no eixo das estrelas giratórias além do Vento do Norte. Aqui reina Arianrhod, a Senhora Branca, cujo nome significa Roda de Prata. Para isso, em espírito, nós chamamos os nossos entes queridos. E que a Senhora os conduza movendo-se no sentido anti-horário para o centro. Pois o caminho espiral entrante para Caer Arianrhod conduz para a noite, e repouso, e é contra o caminho do Sol”.

A Donzela caminha, lentamente e com dignidade, no sentido widdershins (anti-horário) ao redor do Círculo, formando lentamente uma espiral para dentro, fazendo três ou quatro circuitos para alcançar o centro. Durante isto, o coven mantém absoluto silêncio e se concentram em dar boas vindas aos seus amigos falecidos.

Quando a Donzela atinge o centro, ela fica frente à Suma Sacerdotiza do outro lado do caldeirão e pára. A Suma Sacerdotiza eleva sua mão direita até a altura do ombro, por sobre o centro do caldeirão, com a palma aberta e olhando para a esquerda. A Donzela posiciona sua própria palma [da mão] direita aberta tocando e cobrindo a mão da Suma Sacerdotiza. A Suma Sacerdotiza diz :

“Aqueles que voce traz consigo são verdadeiramente benvindos ao nosso Festival. Possam eles permanecer conosco em paz. E voce, Oh Donzela, retorne pelo caminho espiral para ficar com nossos irmãos e irmãs; mas deosil (horário) – pois o caminho do renascimento,saindo de Caer Arianrhod, é o caminho do Sol”.

Donzela e Suma Sacerdotiza quebram seu contacto de mãos, e a Donzela caminha lentamente e com dignidade em uma espiral deosil (horário) de volta para seu lugar ao lado da vela do Oeste.

A Suma Sacerdotiza aguarda até que a Donzela esteja em seu lugar e então diz :

“Que todos nos aproximemos das paredes do Castelo”.

O Sumo Sacerdote e o coven movem-se para dentro, e todos (incluindo a Suma Sacerdotiza e a Donzela) sentam-se formando um anel fechado ao redor do caldeirão. A Suma Sacerdotiza renova o incenso.

Agora é a hora da comunhão com os amigos falecidos – e para isso nenhum ritual estabelecido pode ser iniciado, porque todos os covens diferem em suas abordagens. Alguns preferem sentar em silêncio ao redor do caldeirão, olhando fixamente para a fumaça do incenso, falando sobre o que eles vêem e sentem. Outros preferem circular de mão em mão um espelho mágico ou uma bola de cristal. Outros covens podem ter um médium talentoso e pode usá-lo(a) como um canal. Qualquer que seja o método, a Suma Sacerdotiza o direciona.

Quando ela achar que esta parte do Sabá preencheu o seu propósito, a Suma Sacerdotiza retira o véu de seu rosto e ordena que o caldeirão seja carregado e colocado ao lado da vela do Leste, o quadrante do renascimento. (Ele deve ser colocado ao lado da vela, não em frente à este, para deixar espaço para o que segue).

O Sumo Sacerdote agora toma a palavra para dar a explicação. Ele diz ao coven, informalmente mas sériamente, que, como o Samhain é um festival dos mortos, ele deve incluir uma forte reafirmação da vida – tanto por parte do próprio coven quanto por parte dos amigos falecidos que estão se movendo rumo à reencarnação. Ele e a Suma Sacerdotiza encenarão agora, portanto, o Grande Rito, como é o costume em todo Sabá; mas como esta é uma ocasião especial, haverá leves diferenças para enfatizá-lo. Ele explica estas diferenças, de acordo com a forma que o Grande Rito irá tomar.

Se o Grande Rito fôr simbólico, o cálice e o athame serão posicionados no chão, não carregados; e a Donzela e o resto do coven caminharão lentamente deosil ao redor do perímetro do Círculo durante todo o Rito. Quando este terminar, Sumo Sacerdote e Suma Sacerdotiza primeiramente oferecerão o vinho um ao outro do modo usual; porém o Sumo Sacertote então oferecerá pessoalmente o vinho à cada mulher, após o que a Suma Sacerdotiza oferecerá pessoalmente o vinho à cada homem. Então eles consagrarão os bolos e oferecê-los pessoalmente do mesmo modo. O propósito disto (o Sumo Sacerdote explica) é passar adiante o poder de vida criado pelo Grande Rito diretamente para cada membro do coven.

Se o Grande Rito fôr ‘real’, uma vez que a Donzela e o coven tenham retornado para o recinto, Sumo Sacerdote e Suma Sacerdotiza consagrarão o vinho e os bolos e os ministrarão pessoalmente da mesma forma.

Terminadas as explicações, o Grande Rito é encenado.

Posteriormente, e antes da festa, resta apenas uma coisa a ser feita. A Suma Sacerdotiza pega o bastão de ofício do Senhor do Desgoverno e o apresenta para um witch masculino escolhido (preferivelmente um com senso de humor). Ela diz à ele que ele é agora o Senhor do Desgoverno e que até o resto do Sabá ele está privilegiado para interromper os procedimentos como ele achar que deve ser e para “tirar o sarro” de qualquer um, incluindo ela mesma e o Sumo Sacerdote.

O resto do programa é dedicado à festividade e aos jogos. E se voces, como nós, tem o hábito de reservar uma pequena oferenda de comida e bebida mais tarde para os sidhe ou seus equivalentes locais – nesta noite de todas as noites, fiquem certos que isso é algo particularmente gostoso e generoso !


XI Yule, 22 de Dezembro
No Solstício de Inverno, os dois temas-de-Deus do ciclo anual coincidem – ainda mais drasticamente do que o fazem no Solstício de Verão.Yule, (que, segundo o Venerável Bedes, provém do nórdico Iul significando ‘roda’) marca a morte e o renascimento do Deus-Sol; ele também marca a conquista do Rei do Holly, Deus do Ano Minguante, por parte do Rei do Carvalho, Deus do Ano Crescente. A Deusa, que era a Morte-em-Vida no Meio do Verão, agora apresenta seu aspecto de Vida-na-Morte; pois embora nessa estação ela seja a “senhora branca leprosa”, Rainha da escuridão fria, ainda assim este é o seu momento de dar a luz ao Filho da Promessa, o Filho Amante que a refertilizará e trará de volta a luz e o calor para o reinado dela.

A estória da Natividade é a versão cristã do tema do renascimento do Sol, pois Cristo é o Deus-Sol da Era Cristã. O nascimento de Jesus não está datado nos Evangelhos, e não foi até AD 273 que a Igreja deu o passo simbólicamente sensível de fixá-lo oficialmente no meio do inverno, para alinhá-lo com os outros Deuses-Sóis (tal como o Mitras persa, também nascido no Solstício de Inverno). Tal como São Crisóstomo, Arcebispo de Constantinopla, explicou um século depois com uma elogiada franqueza, a Natividade “do Sol da Virtude” fôra fixada de forma que “enquanto os pagãos estavam ocupados com seus ritos pagãos, os cristãos poderiam realizar seus ritos sagrados sem perturbação”.

“Profano”ou “sagrado” dependia do seu ponto de vista, porque ambos estavam celebrando básicamente a mesma coisa – o ciclo da maré anual da escuridão em direção à luz. Santo Agostinho reconheceu o significado solar do festival quando ele instigou os cristãos à celebrá-lo para aquele que criou o Sol, mais do que para o próprio Sol.

Maria em Belém é novamente a Deusa como a Vida-na-Morte. Jerome, o maior estudioso dos Padres cristãos, que viveu em Belém de 386 até sua morte em 420, nos conta que havia também um bosque de Adonis (Tammuz) ali. Já Tammuz, amado da Deusa Ishtar, era o modelo supremo naquela parte do mundo do Deus Morto e Ressucitado. Ele era (como muitos de seu tipo) um deus de vegetação ou milho; e Cristo absorveu este aspecto deste tipo tanto quanto o aspecto solar, como sugere o Sacramento do Pão. Assim como Frazer ressalta (O Ramo Dourado, pág.455), é significativo que o nome Belém significa ‘a Casa de Pão’.

A ressonância entre o ciclo do milho e o ciclo do Sol é refletido em muitos costumes: por exemplo, a tradição escocesa de manter a Donzela do Milho (o último punhado colhido) até Yule e então distribuindo-o entre o gado para fazê-lo se desenvolver todo o ano; ou, no outro sentido, a tradição alemã de espalhar as cinzas do Tronco de Yule pelos campos, ou de manter seus restos carbonizados para atá-los ao último fardo da próxima colheita (1). (Aqui novamente nos encontramos com as propriedades mágicas de tudo à respeito do fogo do Sabá, incluindo suas cinzas; pois o Tronco do Yule é, em essência, a fogueira do Sabá trazida para dentro [da casa] pelo frio do inverno).
(1) A transferência mágica da fertilidade de uma estação para outra através de um objeto físico encantado – particularmente por grãos ou seus produtos, ou pelos subprodutos do fogo – é um costume universal. Falando sobre o templo de Afrodite e Eros no declive ao norte da Akrópolis, onde residia a ‘Afrodite dos Jardins’, Geoffrey Grigson nos conta: “Foi à este templo que duas garotas, duas crianças, faziam uma visita ritual em toda primavera, trazendo com elas, do templo de Atenas no topo, pães moldados como falos e cobras. No templo de Afrodite os pães adquiriam o poder da fecundidade. No outono eles eram levados de volta à Akropolis, e eram esmigalhados nas sementes, para assegurar uma boa produção após a próxima semeadura. (A Deusa do Amor, pág.162).
Mas retornemos à Maria. Era difícilmente surpreendente que, para a cristandade permanecer como uma religião viável, a Rainha do Céu tinha que ser readmitida à algo como o seu verdadeiro status, com uma mitologia e uma devoção popular que em muito excedia (algumas vezes até mesmo conflitante com) os dados bíblicos sobre Maria. Ela tinha que receber aquele status, porque ela respondia ao que Geoffrey Ashe chama “um anseio em forma de Deusa” – um anseio que quatro séculos de cristianismo pronunciadamente machista-chauvinista, em ambos os níveis divino e humano, tornaram insuportável. (Deve ser enfatizado que o machismo-chauvinismo da Igreja não foi inaugurado por Jesus, que tratava as mulheres como seres totalmente humanos, mas pelo misogenista doentio e odiador do sexo São Paulo).

A deificação virtual de Maria veio com alarmante velocidade, iniciada pelo Conselho de Éfeso em 431 “entre grande júbilo popular devido, sem dúvida, à influência que o culto da virgem Artemis ainda havia na cidade” (Enciclopédia Britânica, tópico ‘Éfeso’). Significativamente, isto concidia íntimamente com a supressão determinada do culto à Ísis, que tinha se espalhado através do mundo conhecido. Daí para frente, os teólogos lutaram para disciplinar Maria, permitindo sua hyperdulia (‘super-veneração’, uma versão graduada, única para ela, da dulia, veneração, consentida ao santos), mas não latria (a adoração que era monopólio do Deus masculino). Eles manipularam para criar, através dos séculos, uma síntese oficial da Rainha do Céu, pela qual eles realizaram o notável feito duplo de dessexualizar a Deusa e desumanizar Maria. Mas eles não podiam abafar o seu poder; é para ela que o adorador comum (não sabendo nem se preocupando com nada à respeito da distinção entre hyperdulia e latria) se volta, “agora e na hora da nossa morte”.



ERRATA : Onde se encontra “Senhora Branca Leprosa” é provável que o adjetivo se refira à cor, embora a mesma não conste nos dicionários comuns.
Xxx
O protestantismo foi para o outro extremo e em graus variados tentou mais uma vez banir a Deusa por completo. Tudo que este conseguiu foi a perda da magia, a qual o catolicismo, seja de que forma distorcida e mutilada fosse, [ainda] mantia; pois a Deusa não pode ser banida.

(Para uma compreensão mais aprofundada sobre o fenômeno Mariano consulte as obras de Ashe A Virgem e de Marina Warner À Parte de Todo o Seu Sexo (?) (Alone of All Her Sex).

a Deusa no Yule também preside sobre o outro tema de Deus- aquele do Rei do Carvalho e do Rei do Holly, que também sobreviveu na tradição popular do Natal, embora muito da teologia oficial o ignorasse. Na maré de Yule há um jogo, o brilhante São Jorge matou o negro ‘Cavaleiro Turco’ e então imediatamente gritou que havia matado seu irmão. “Sombra e Luz, inverno e verão, são complementares um ao outro. Então vem o misterioso ‘Doutor’, com sua garrafa mágica, que ressucita o homem morto, e tudo termina com música e regozijo. Há muitas variações locais deste jogo, mas a ação é substancialmente a mesma em toda extensão”. (Doreen Valiente Um ABC da Feitiçaria – págs. 358-60). O jogo em Yule ainda sobrevive localmente – por exemplo em Drumquin, County Tyrone, onde jovens fazendeiros exoticamente mascarados e fantasiados vão de casa em casa encenando o antigo tema com palavras e ações trazidas desde seus ancestrais; a Radio Telefís Éireann fez um filme excelente sobre isto como sua obra para o Festival da Harpa Dourada de 1978.

Muitas vezes, naturalmente, o equilíbrio harmonioso dos gêmeos da escuridão e da luz, do minguar e crescer necessários, tem sido distorcido em um conceito de Bem-versus-Mal. Em Dewsbury, Yorkshire, durante aproximadamente sete séculos, os sinos da igreja tem badalado ‘o Badalar do Demonio’(?) ou ‘A Passagem do Velho Rapaz’ (?) na última hora da Véspera de Natal, alertando ao Príncipe do Mal que o Príncipe da Paz está vindo para destruí-lo. Então, a partir da meia-noite, eles dão salvas e saúdam o Nascimento. Um valioso costume, face à isto – mas de fato ele encobre uma triste degradação do Rei do Holly.

Suficientemente curioso, o nome popular ‘Old Nick’ (Velho Nick) para o Demonio reflete a mesma degradação. Nik era um nome para Woden, que é muito uma figura do Rei do Holly - tal como o Papai Noel é, de outra forma, São Nicolau (que no folclore primitivo não era transportado por renas mas cavalgava um cavalo branco através do céu – como Woden). Assim Nik, Deus do Ano Minguante, foi cristianizado de duas formas: como Satan e como o mais alegre dos santos. A Dança do Chifre de Bromley, de Abbot (agora um rito de Setembro, outrora um rito de Yule) é baseada na igreja paroquial de São Nicolau, o que sugere uma continuidade direta desde os dias quando o patrono da localidade não era Nicolau, mas Nik. (Sobre Nik e São Nicolau, consulte a obra de Doreen Valiente ABC da Feitiçaria, págs.258-9).

Incidentalmente, na Itália o lugar do Papai Noel é tomado por uma bruxa, e uma dama bruxa neste. Ela é chamada Befana (Epifania), e ela voa nas redondezas na Décima Segunda Noite em sua vassoura, trazendo presentes para as crianças através das chaminés.

Uma extraordinária versão persistente do tema Rei do Carvalho/Rei do Holly no Solstício de Inverno é a caçada ritual e a matança dos wren (uma espécie de pássaro) – uma tradição folclórica considerada isolada no tempo e no espaço praticada nas antigas Roma e Grécia e nas atuais Ilhas Britânicas. O wren, ‘pequeno rei’ do Ano Minguante, é morto por sua contraparte do Ano Crescente, o robin de peito vermelho, que o encontra escondido num arbusto de hera (ou algumas vezes na Irlanda, num arbusto de holly, como é adequado ao Rei do Holly). A árvore do robin é o vidoeiro, que segue o Solstício de Inverno no calendário celta das árvores. No ritual representado, os homens caçavam e matavam os wren com galhos de vidoeiro.

Na Irlanda, o dia dos ‘Garotos Wren’ é o Dia de São Estéfano (?), 26 de Dezembro. Em alguns locais (a vila de pescadores de Kilbaha, em County Clare no estuário Shannon, por exemplo), os Garotos Wren são grupos de músicos adultos, cantores e dançarinos em trajes coloridos, que vão de casa em casa portando a pequena efígie de um wren em um arbusto de holly. Em County Mayo os Garotos (e garotas) Wren são festas de crianças, que também carregam arbustos de holly, batem em nossas portas e recitam seus temas para nós :

“O wren, o wren, o rei dos pássaros,

No Dia de Estéfano foi capturado no furze; (*)

Levante a chaleira e abaixe a panela,

E nos dê algum dinheiro para enterrar o wren”.

( * - tipo de arbusto)
Costumava-se dar ‘um penny’, mas a inflação deturpou a tradição. Toda a decoração de holly na Irlanda deve ser retidada da casa após o Natal; é considerado fator propício ao azar permitir que estes símbolos do Ano Minguante continuem.

A aparente ausência de uma tradição de Meio de Verão correspondente, onde se esperaria por uma caçada ao robin, é enigmática.

Mas pode haver um traço disso na curiosa crença Irlandesa sobre uma Kinkisha (Cincíseach), uma criança nascida em Pentecostes (Cincís), sendo que tal pessoa está fadada ou a matar ou a ser morta – à menos que a ‘cura’ seja aplicada. Essa ‘cura’ é capturar um pássaro e esmagá-lo até a morte dentro da mão da criança (enquanto se recita três Ave Marias). Em alguns locais pelo menos, o pássaro tem que ser um robin, e nós achamos que esta é provavelmente a tradição original, pois Pentecostes é uma festividade móvel, caindo em qualquer data desde 10 de Maio até 13 de Junho – isso é, rumo ao final do reinado do Rei do Carvalho. Pode ser que há muito tempo atrás, uma criança nascida nessa estação corria o risco de se tornar um sacrifício substituto para o Rei do Carvalho, e que escapada melhor do que encontrar uma reposição na forma de seu próprio pássaro substituto, o robin de peito vermelho ? E o perigo de ‘matar ou ser morto’ pode ser uma recordação do destino de matar do Rei do Carvalho no Meio do Inverno e de ser morto no Meio do Verão. (2)

O robin do Ano Minguante nos leva até Robin Hood, aparecendo em ainda outro festival sazonal. “Em Cornwall”, Robert Graves nos conta, “Robin” significa falo. ‘Robin Hood’ é um nome campestre para campion vermelho (‘campion’significa ‘campeão’), talvez porque sua pétala fendida sugere um casco de carneiro, e porque Campeão Vermelho era um título do deus das Bruxas. . . . ‘Hood’ (ou Hod ou Hud) significava ‘tronco’ – o tronco colocado atrás do fogo – e era nesse tronco, cortado do carvalho sagrado, que se acreditou uma vez que Robin residia – daí ‘montaria [ou cavalo_?] de Robin Hood’, o parasita da madeira que escapava quando o tronco de Yule era queimado. Na superstição popular o próprio Robin escapou por cima da chaminé na forma de um robin e, quando Yule terminou, saiu como Belin contra seu rival Bran, ou Saturno – que tinha sido ‘Senhor do Desgoverno’ nos festejos da maré de Yule. Bran se escondeu da perseguição no arbusto de hera disfarçado como um Wren de Crista Dourada; mas Robin sempre o capturava e enforcava”. (A Deusa Branca, pág.397).

A menção do calendário celta de árvores (e de A Deusa Branca de Graves, sua análise moderna mais detalhada) nos traz de volta ao aspecto da Deusa e do Deus-Sol. Como será visto no nosso diagrama na página 26, as “Cinco Estações da Deusa” de Graves estão distribuidas ao longo do ano, mas duas delas (Morte e Nascimento) estão juntas em dias consecutivos no Solstício de Inverno, 22 e 23 de Dezembro. O último é um ‘dia extra’, que não pertence à qualquer uma das treze árvores-mês. Antes dele vem Ruis, a árvore-mês mais antiga, e após vem Beth, a árvore-mês vidoeiro. O padrão, cujo simbolismo valerá o estudo (embora preferívelmente no contexto do ano civil completo) é tal como segue, ao redor do Solstício de Inverno :

25 de Novembro – 22 de Dezembro : Ruis, a árvore mais antiga; uma árvore de julgamento e do aspecto sombrio da Deusa, com flores brancas e fruto negro (“Antiga é a árvore da Senhora – não a queime, ou serás amaldiçoado”). Pássaro, a gralha (rócnat); a gralha, ou corvo, é o pássaro profético de Bran, a divindade do Rei do Holly, que também está ligado aos wren na Irlanda, enquanto que em Devonshire o wren é o ‘cuddy vran’ ou ‘pardal de Bran’. Côr, vermelho-sangue (ruadh). Uma linha da Canção de Amergin: “Eu sou uma onda do mar” (para peso).

22 de Dezembro. Estação da Morte da Deusa: Árvore, o teixo, (idho), e a palmeira. Metal, o chumbo. Pássaro, águia (illait). Côr, muito branco (irfind).

23 de Dezembro O Dia Extra; Estação do Nascimento da Deusa: Árvore, fir (?) prateada (ailm), a Árvore de Natal original; também mistle-toe (?). Metal, prata. Pássaro, lapwing (?) (aidhircleóg), o piebald trapaceiro. Côr, piebald (algo como pintado ou malhado) (alad). Amergin pergunta: “Quem além de mim conhece os segredos dos dolmens não abatidos (?) ?”

24 de Dezembro – 20 de Janeiro: Beth, a árvore vidoeiro; uma árvore de começo e o exorcismo dos maus espíritos. Pássaro, faisão (besan). Côr, branco (bán). Amergin proclama: “Eu sou um cervo de sete chifres (?)” (para força).

O renascimento do Solstício de Inverno, e a parte da Deusa neste, foram retratados no antigo Egito através de um ritual no qual Isis circundava o santuário de Osíris sete vezes, para representar seu lamento por ele e suas andanças em busca dos membros espalhados de seu corpo. O texto de sua canção fúnebre para Osiris, no qual sua irmã Nephthys (que em um sentido é seu próprio aspecto obscuro) se reunira à ela, pode ser encontrado em duas versões de alguma forma diferentes em O Ramo Dourado, pág.482, e na obra de Esther Harding Mistérios da Mulher, págs.188-9. Typhon ou Set, o irmão/inimigo que o matou, era afastado pelo sacudir do sistro (tipo de sino_?) de Isis, para trazer o renascimento de Osiris. A própria Isis era representada pela figura de uma vaca com o disco solar entre seus chifres. Para o festival, as pessoas decoravam a parte externa de suas casas com lâmpadas de óleo que queimavam toda a noite. À meia noite, os sacerdotes emergiam de uma capela interna gritando “A Virgem concebeu ! A luz está aumentando !” e mostrando a imagem de um bebê aos adoradores. O posicionamento na tumba do Osiris morto era em 21 de Dezembro, após seu longo ritual de mumificação (que começava, interessantemente, em 3 de Novembro – virtualmente em Samhain); em 23 de Dezembro sua irmã/esposa Isis deu a luz à seu filho/outro self Horus. Osiris e Horus representam ao mesmo tempo os aspectos de Deus solar e vegetal; Horus é ambos o Sol renascido (os gregos o identificaram com Apolo) e o ‘Senhor das Colheitas’. Um outro nome de Horus, ‘Touro de Tua Mãe’, nos lembra que o Deus-criança da Deusa é, em outro ponto do ciclo, seu amante e fecundador, pai no devido curso de seu próprio self renascido.

As lâmpadas queimando toda a noite na véspera do Meio de Inverno sobrevivem, na Irlanda e em outros lugares, como uma única vela queimando na janela na Véspera de Natal, acesa pela pessoa mais jovem da casa – um símbolo da saudação microcósmica ao Macrocosmo, não diferente do lugar extra deixado na mesa de Pesach de uma família judia (em cuja mesa, incidentalmente, o filho mais jovem com sua pergunta “Pai, porque esta noite é diferente de todas as outras noites?”, também tem um papel importante a desempenhar).

A proprietária do pub da nossa vila oferece sua própria saudação microcósmica, seguindo uma tradição que ela nos diz que foi outrora difundida entre os donos de hospedarias irlandeses. Ela limpa um banco de estábulo, coloca palha fresca e deixa ali alguma comida, uma garrafa de vinho e uma mamadeira com leite- de modo que haverá ‘vaga na hospedaria’. Ela fica tímida para falar sobre isso mas lamenta que o costume pareça estar acabando.

Um amigo que viveu com os eskimós na Groenlândia, onde o cristianismo oprimiu um equilíbrio anterior bem integrado de crença e modo de vida, nos conta como os rituais do Solstício de Inverno morreram sem ser significativamente repostos. Pode-se dificilmente dizer que os eskimós celebram o Natal, em comparação com o festival tal como é conhecido nos países cristãos ‘antigos’; embora os ritos de solstício tradicionais (que aparentemente eram ocasiões memoráveis) não são mais observados pois eles dependem de cálculo exato do solstício através de observação estelar – uma habilidade que a geração atual não mais possui. Tudo para as bênçãos da civilização tecnológica !
Legendas das ilustrações : Pág.145 – Quando a privacidade permitir, os rituais ao ar livre são os melhores; segue – (12) Lughnasadh e Bealtaine: A Caça do Amor, (13) (acima) Lughnasadh: A Dança do Milho, (14) (abaixo) Equinócio de Outono: “Observai o mistério”; (15) Quando uma Suma Sacerdotiza tem mais dois covens formados fora do seu próprio, ela é autorizada à se denominar ‘Bruxa Rainha’ e à usar o número apropriado de fivelas em sua liga [de meia] de bruxa; (16) Yule: A Deusa lamenta a morte do Deus Sol; (17) Consagrando o Vinho; (18) Espada e Athame simbolizam o elemento Fogo em nossa tradição. Outras os atribuem ao Ar; (19) O Grande Rito Simbólico: “Aqui onde a Lança e o Graal se unem”; (20) (outro lado) A Lenda da Descida da Deusa: “Tal era a sua beleza que a própria Morte se ajoelhou e deitou sua espada e coroa aos seus pés”
Em Atenas, o ritual do Solstício de Inverno era o Lenaea, o Festival das Mulheres Selvagens. Aqui, a morte e o renascimento do deus da colheita Dionísio era encenado. No passado sombrio este tem sido um ritual de sacrifício do deus,e as nove Mulheres Selvagens picaram seu representante humano em pedaços e o comeram. Porém pelos tempos clássicos os Titãs se tornaram os sacrificadores, a vítima tendo sido substituida por um cabrito,e as nove Mulheres Selvagens se tornaram lamentadoras e testemunhas do nascimento. (Vide A Deusa Branca, Pág.399). As Mulheres Selvagens também aparecem nas lendas nórdicas; como as Waelcyrges (Valkírias) elas cavalgavam com Woden em sua Caçada Selvagem.

No ritual de Yule do Livro das Sombras, apenas o renascimento do Deus-Sol é apresentado, com o Sumo Sacerdote invocando a Deusa para “nos trazer o Filho da Promessa”. O tema Rei do Holly/Rei do Carvalho é ignorado – uma estranha omissão em vista de sua persistência no folclore da estação.

Nós combinamos os dois temas em nosso ritual, escolhendo o Rei do Carvalho e o Rei do Holly por sorteio, pois no Meio do Verão, imediatamente após o ritual de abertura – porém adiando o ‘assassinato’ do Rei do Holly para após a morte e renascimento do Sol.

Surge um problema a respeito da coroa do Rei do Carvalho; enquanto que no Meio do Verão as folhas de carvalho e holly são ambas disponíveis, em Yule as folhas de carvalho não estão. Uma solução seria armazenar folhas de carvalho de antemão no Verão ou Outono, pressioná-las e laqueá-las e fabricar uma coroa permanente do Rei do Carvalho para uso na maré de Yule. Outra solução, talvez menos frágil, é fabricar sua coroa permanente de frutos (?) de carvalho quando estiverem em sua temporada. Ou voce pode usar as folhas de inverno do Olmo ou Carvalho Sempre Verde (Quercus iex). Tudo isso falhando, faça a coroa de galhos desfolhados de carvalho mas torne-os brilhantes com ouro falso (?) de Natal ou outra decoração disponível.

Em Yule, a Deusa é a ‘senhora branca leprosa’, Aquela de Cabelo Branco, Vida-em-Morte; assim, sugerimos que a Suma Sacerdotiza deveria novamente usar o chiffon branco ou tabard de filó (?) que nós descrevemos para Samhain. Uma adição dramaticamente efetiva, se ela possuir um ou isso possa ser disponibilizado, é uma peruca de branco puro, preferivelmente comprida. Se o seu coven operar vestido de céu, ela tirará o tabard antes do Grande Rito porém retenha a peruca se ela estiver usando uma, porque ela simboliza seu aspecto sazonal.

O lamento da Suma Sacerdotiza “Retorne, oh, retorne! . . .”, é uma forma ligeiramente adaptada do lamento de Isis por Osiris acima mencionado.

Se, isso é mais que provável, voces tiverem uma árvore de Natal na sala, quaisquer luzes sobre ela deverão ser apagadas antes do Círculo ser lançado. O Sumo Sacerdote poderá então acendê-las imediatamente após ele acender a vela do caldeirão.

Caso haja uma lareira aberta no recinto, um Tronco de Yule poderá ser queimado durante o Sabá. Este deverá ser, naturalmente, de carvalho.


A Preparação

O caldeirão é posicionado próximo à vela do Sul, com uma vela ainda não acesa dentro deste e envolto com holly, hera e mistletoe.

Coroas para o Rei do Carvalho e o Rei do Holly estão prontas ao lado do altar. Um pouco de palha é colocada sobre o altar – tantos ramos quanto houverem homens presentes ao Sabá, exceto para o Sumo Sacerdote. Um deles é maior do que o resto e o outro é menor. (Tal como no Meio do Verão, se a Suma Sacerdotiza decidor por nomear os dois Reis ao invés de sortear, as palhas não serão necessárias).

Uma venda para os olhos do Rei do Holly está preparada próximo ao altar.

Um sistro (?) para a Suma Sacerdotiza é colocado sobre o altar. O Sumo Sacerdote vestirá um tabard branco e, caso ela assim escolha, uma peruca branca.

Caso haja uma árvore de Natal com luzes no recindo, as luzes deverão ser apagadas.

Caso haja uma lareira aberta na sala, será produzido fogo até que esteja vermelho e brilhante, e um Tronco de Yule é colocado sobre este um pouco antes de o Círculo ser lançado.
O Ritual

Após a Runa das Feiticeiras, a Donzela traz as palhas do altar e as segura em sua mão de forma que todas as pontas estejam com seus comprimentos variados mas ninguém deve saber qual é o galho mais curto e qual é o mais longo. A Suma Sacertotiza diz :



“Que os homens façam o sorteio.”

Cada homem (exceto o Sumo Sacerdote) retira um galho da mão da Donzela e o mostra à Suma Sacerdotiza. A Suma Sacerdotiza aponta para o homem que tirou o ramo curto, e diz :



“Vós sois o Rei do Holly, Deus do Ano Minguante. Donzela, traga sua coroa!”

A Donzela coloca a coroa de folhas de holly sobre a cabeça do Rei do Holly.

A Suma Sacertotiza aponta para o homem que tirou o ramo comprido, e diz :

“Vós sois o Rei do Carvalho, Deus do Ano Crescente. Donzela, traga sua coroa!”

A Donzela coloca a coroa de folhas de carvalho sobre a cabeça do Rei do Carvalho.

Enquanto a coroação prossegue, o Sumo Sacerdote se deita sobre o chão no centro do Círculo, curvado em uma posição fetal. Todos fingem não vê-lo fazer isso.

Quando a coroação termina, o Rei do Carvalho diz :



“Meu irmão e eu fomos coroados e estamos preparados para nossa disputa. Mas onde está o nosso Senhor o Sol?”

A Donzela responde :

Nosso Senhor o Sol está morto!”

Se o tabard da Suma Sacerdotiza tiver um véu, ela o puxa por sobre sua face.

O coven se arruma ao redor do perímetro do Círculo.

A Suma Sacerdotiza pega o sistro, e a Donzela pega uma vela. Elas caminham juntas vagarosamente so redor do Sumo Sacerdote, deosil, sete vezes. A Donzela segura a vela de forma que a Suma Sacerdotiza possa ler o seu texto, e conta silenciosamente “Um’, “Dois”, e assim até chegar à “Sete”, assim que cada circuito for completado. Enquanto elas seguem, a Suma Sacerdotiza chacoalha seu sistro e lamenta :



Retorne, oh, retorne!

Deus do Sol, Deus da Luz, retorne!

Teus inimigos fugiram – tu não tens inimigos.

Oh amável auxiliar, retorne, retorne!

Retorne para tua irmã, tua esposa, que te ama!

Nós não seremos separados (?).

Oh meu irmão, meu consorte, retorne, retorne!

Quando eu não te vejo,

Meu coração lamenta por ti,

Meus olhos buscam por ti,

Meus pés viajam pela Terra procurando por ti!

Deuses e homens pranteiam juntos por ti.

Deus do Sol, Deus da Luz, retorne!

Retorne para tua irmã, tua esposa, que te ama!

Retorne! Retorne! Retorne!”
Quando os sete circuitos forem completados, a Suma Sacerdotiza deposita seu sistro sobre o altar e se ajoelha próximo ao Sumo Sacerdote, com suas mãos repousando sobre o corpo dele e suas costas voltadas para o altar. (Vide Ilustração 16.)

O coven, exceto a Donzela, se dá as mãos e se move vagarosamente deosil ao redor da Suma Sacerdotiza e do Sumo Sacerdote.

A Donzela fica em pé próximo ao altar e declama: (3)
(3) Escrito por Doreen Valiente, com palavras sugeridas por um hino de Natal em Carmina Gadelica, recolhida por Alexander Carmichael de Angus Gunn, um cottar (?) de Lewis. (Vide Carmina Gadelica, Volume I, Página 133, ou O Sol Dança, Página 91). “Foi o primeiro cântico ou invocação que eu já escrevi para Gerald”, nos diz Doreen – no Yule de 1953, ela acha. Ele deu à ela a tarefa de escrever palavras para o ritual da véspera sem aviso, após o almoço, “deliberadamente me lançando no maior extremo para ver o que eu poderia fazer”.
Rainha da Lua, Rainha do Sol,

Rainha dos Céus, Rainha das Estrelas,

Rainha das Águas, Rainha da Terra,

Trazei a nós o Filho da Promessa!

É a Grande Mãe que dá a luz à Ele;

É o Senhor da Vida que nasce novamente;

Escuridão e lágrimas serão afastadas quando o Sol chegar cedo!”
A Donzela dá uma pausa em sua declamação, e a Suma Sacerdotiza fica de pé, trazendo o Sumo Sacerdote para seus pés. Se ela estiver velada, ela retira novamente o véu de sua face. A Suma Sacerdotiza e o Sumo Sacerdote olham um para o outro, entrelaçando suas mãos entre si, e começam a girar deosil dentro do coven.

O círculo do coven se torna mais animado e veloz.

A Donzela prossegue :

“Sol Dourado da colina e da montanha,

Ilumine a terra, ilumine o mundo,

Ilumine os mares, ilumine os rios,

Cessem os lamentos, alegria para o mundo!

Bendita seja a Grande Deusa,

Sem começo, sem fim,

Perpétua pela eternidade, Io Evo! He(4)! Bendita seja !

Io Evo! He ! Bendita seja !

Io Evo! He ! Bendita seja ! . . .
(4) Pronunciado ‘Yo ayvo, hay’ (o ‘ay’ como em ‘day’). Um grito da Bacanália Grega. Para algumas ponderações acerca de seu possível significado sexual, vide a obra de Doreen Valiente Magia Natural, Página 92.
O coven se une ao cântico “Io Evo! He(4)! Bendita seja !”, e a Donzela deixa seu texto e a vela e se une ao círculo. O cântico e o círculo continuam até que a Suma Sacerdotiza grite “Sentem-se!”

Quando todos estiverem sentados, o Sumo Sacerdote levanta novamente e vai para o altar para buscar uma vela ou toco de vela. Ele a leva até o caldeirão e com ela acende a vela dentro do caldeirão. Então ele devolve a vela ou toco de vela original para o altar. Se houver uma árvore de Natal com lâmpadas, ele agora acende as lâmpadas.

Ele então toma seu lugar em frente ao altar, onde a Suma Sacerdotiza se une à ele, e ambos ficam em pé olhando para o coven sentado.

A Suma Sacerdotiza diz :

“Agora, no auge do inverno, o declínio do ano está terminado, e o reinado do Rei do Holly é finalizado. O Sol renasceu e o crescimento do ano começa. O Rei do Carvalho deve matar seu irmão o Rei do Holly e reger sobre a minha terra até o ápice do verão, quando seu irmão se erguerá novamente.”

O coven fica de pé e, exceto para os dois Reis, se afastam rumo ao perímetro. No centro do Círculo, os dois Reis ficam de pé olhando um para o outro, o Rei do Carvalho de costas para o Oeste e o Rei do Holly de costas para o Leste.

O Rei do Carvalho coloca suas mãos sobre os ombros do Rei do Holly, pressionando para baixo. O Rei do Holly cai de joelhos. Entrementes, a Donzela traz o cachecol, e ela e o Rei do Carvalho vendam os olhos do Rei do Holly. Ambos agora se afastam do Rei do Holly ajoelhado; a Suma Sacerdotiza caminha vagarosamente deosil ao redor dele, três vezes. Ela então se une novamente ao Sumo Sacerdote em frente ao altar.

O Sumo Sacerdote diz:

“O espírito do Rei do Holly partiu do meio de nós, para repousar em Caer Arianrhod, o Castelo da Roda de Prata; até que, com a passagem do ano, chegará a estação quando ele retornará a reger novamente. O espírito se foi; portanto que o homem dentre nós que abrigou aquele espírito seja dispensado de sua tarefa.”

A Suma Sacerdotiza e a Donzela vão adiante novamente e ajudam o Rei do Holly à se levantar. Elas o conduzem para a vela do Oeste, onde a Donzela retira sua venda e a Suma Sacerdotiza retira sua coroa, deixando estes ao lado da vela. O homem se vira e novamente se torna um membro comum do coven.

O Grande Rito é agora encenado, a Donzela ficando perto como athame e o Rei do Carvalho com o cálice. (Se o Sabá for realizado com todos vestidos de céu, a Donzela primeiramente ajudará a Suma Sacerdotiza à tirar seu tabard - que, sendo branco, pode então perfeitamente ser usado como o véu colocado sobre seu corpo para a primeira parte do Grande Rito).

Após o vinho e os bolos, o caldeirão é movido para o centro do Círculo, e todos saltam sobre ele do modo costumeiro antes do estágio da festa começar.

No dia seguinte, quando a fogueira (se houver) estiver fria, as cinzas do Tronco de Yule devem ser recolhidas e espalhadas pelos campos ou jardim – ou, se voce mora na cidade e não tem nem uma jardineira de peitoril de janela, no parque mais próximo ou terra cultivada.



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