A bíblia da feitiçaria o manual Completo dos Feiticeiros Janet e Stewart Farrar



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Nascimento, Casamento e Morte



XII Wiccaning
Este é um livro de rituais sugeridos para aqueles que necessitem usá-los e que os acha adequados. Portanto não é local para debater a difícil questão da educação religiosa dos filhos. Porém acreditamos que um ponto deve ser levantado.

Os cristãos, quando tem seus filhos cristianizados, fazem tudo aquilo com a intenção de comprometê-las ao cristianismo, preferívelmente por toda a vida – e à própria marca particular de cristandade dos pais, referente àquilo. A crença comum é que os filhos endossarão aquele compromisso através da confirmação, quando estiverem mais velhos o suficiente para concordar conscientemente (embora sem julgamento maduro). Para ser justo, estes pais – quando eles não estão meramente seguindo uma convenção social – muitas vezes agem deste modo porque eles acreditam sinceramente que isto é essencial para a segurança das almas de seus filhos. Eles foram educados para acreditar nisso e muitas vezes foram ameaçados para crer nisso. (Uma jovem amiga nossa cristã, com a gravidez avançada, foi advertida pelo médico que a criança poderia nascer morta; ela soluçou em nossos braços, aterrorizada de que seu bebê poderia ir para o Inferno se ele não vivesse o suficiente para ser batizado. Ela estava teológicamente errada, mesmo em termos de sua própria crença; mas seu terror era muito típico. Nós estamos felizes em dizer que seu bebê menino, embora tardiamente, nasceu bem e com saúde).

Essa crença, de que existe apenas um tipo de bilhete para o Céu e que um bebê deve recebê-lo à toda velocidade para sua própria segurança, é naturalmente desconhecida para o Wicca. A crença Wicca na reencarnação nega isso em qualquer caso. Mas aparte daquilo, as bruxas mantém o ponto de vista que era virtualmente universal antes da era do monoteísmo patriarcal – nominalmente, que todas as religiões são modos diferentes de expressar as mesmas verdades e que sua validade para qualquer indivíduo em particular depende de sua natureza e necessidades.

Uma cerimônia Wicca para o filho de uma família de bruxos não compromete, portanto, a criança com qualquer caminho, mesmo o caminho Wicca. É similar à cristianização no sentido em que ela invoca a proteção Divina para a criança e afirma ritualmente o amor e o cuidado com que a família e amigos desejam rodear o recém nascido. Ela difere da cristianização no sentido que ela reconhece específicamente que, quando a criança amadurece e se torna adulta, ela decidirá, e deveras o deve fazer, sobre seu próprio caminho.

Wicca é acima de tudo uma religião natural – assim os pais bruxos naturalmente tentarão comunicar aos seus filhos o prazer e a realização que sua religião os oferece, e toda a família inevitavelmente compartilhará em seu modo de vida. Compartilhar é uma coisa; impor ou ditar é outra e, longe de assegurar uma ‘salvação’ da criança, pode muito bem adiá-la – se, como fazem as bruxas, voce considerar a salvação não como um tipo de transação instantânea mas como um desenvolvimento ao longo de muitas vidas.

Nós compusemos nosso ritual de wiccaning (presumívelmente wiccaning se refere ao nascimento dos bebês e sua criação) nesse contexto, e achamos que a maioria das bruxas concordará com esta atitude.

Nós sabíamos que a idéia de ter padrinhos – amigos adultos que manterão um contínuo interesse pessoal no desenvolvimento da criança – era uma idéia popularmente justificável; e achamos que uma cerimônia de wiccaning também poderia permitir isso. Primeiramente, nós chamamos estes amigos adultos de ‘patrocinadores’, para evitar confusão com a prática cristã. Mas numa consideração maior nós percebemos que ‘patrocinador’ era uma palavra fria e que não havia nenhuma razão porque ‘padrinho’ e ‘madrinha’ (se ‘deus’ pode incluir ‘deusa’) não poderia servir para as bruxas tanto quanto para os cristãos. Por fim, dadas as diferenças de credo (e os cristãos diferenciam-se entre si, Deus sabe), incluindo a diferença de atitude que já mencionamos, a função é a mesma.

Os padrinhos não devem necessáriamente serem eles próprios bruxos; isso cabe aos pais. Mas eles devem ao menos ser simpatizantes com a intenção do rito e terem lido o mesmo completamente de antemão, para assegurar que eles podem fazer as promessas necessárias com toda sinceridade. (O mesmo se aplicaria, por fim, às bruxas que fossem convidadas por amigos cristãos para serem padrinhos num batismo na igreja).

Se a Suma Sacerdotiza e/ou o Sumo Sacerdote estiverem eles mesmos na condição de padrinhos, eles farão as promessas um para o outro nos momentos apropriados do ritual.

Há uma estória relacionada à este nosso ritual que é ao mesmo tempo engraçada e triste. Nós o escrevemos originalmente em 1971, e demos uma cópia à um Sumo Sacerdote amigo que achamos que iria gostar de recebê-lo. Um par de anos depois, um amigo bruxo americano estava nos visitando, e aconteceu de nós descrevermos nosso wiccaning para ele em conversação. Ele riu e disse : “Mas eu li este ritual. Da última vez que estive em Londres, ( nome ) o mostrou para mim. Ele disse que o havia conseguido de uma fonte tradicional muito antiga”.

Porém tais irresponsabilidades são estórias apócrifas lançadas; e elas não fazem bem à Wicca de forma nenhuma. Além do mais, nós temos desde então revisado o ritual superficialmente sob a luz da experiência – então pessoas que conhecem o original irão agora nos acusar de ‘adulterá-lo com tradição’ ? Isso poderia ocorrer !
Seguindo padrões Wicca, nós sugerimos que o Sumo Sacerdote deveria presidir no wiccaning de uma menina, e a Suma Sacerdotiza no de um menino. A fim de evitar extensas repetições, nós apresentamos o ritual completo para uma menina, e então indicamos as diferenças para um menino.
Preparação

Caso o coven normalmente opere vestido de céu, a decisão se o ritual será vestido de céu ou de robe ficará nesta ocasião com os pais. Em qualquer caso, a Suma Sacerdotiza portará os símbolos da Lua, e o Sumo Sacerdote os símbolos do Sol.

O círculo é marcado com flores e folhagem, e o caldeirão colocado no centro, preenchido com o mesmo, e talvez com frutas também.

Óleo para consagração é colocado preparado sobre o altar.

Apenas incenso muito leve deve ser usado – preferívelmente joss-sticks (em palito_?).

Presentes para a criança são colocados ao lado do altar e comida e bebida para uma pequena festa no Circulo após o ritual.

Os pais devem escolher de antemão um ‘nome oculto’ para a criança. (Isso é amplamente para o benefício próprio da criança; crescendo em uma família de bruxos, ele ou ela quase certamente gostará de ter um ‘nome wicca’ privativo assim como fazem a Mamãe e o Papai – e em caso negativo, este pode ser silenciosamente esquecido até que e à menos que seu usuário queira usá-lo novamente).

O Ritual para uma Menina

O Ritual de Abertura prossegue como usual até o fim da invocação do “Grande Deus Cernunnos”, exceto que todos, incluindo os pais e a criança, está no Circulo antes do encantamento, sentados em semi-círculo próximo ao caldeirão e olhando de frente ao altar – deixando espaço para a Suma Sacerdotiza lançar(encantar) o Círculo ao redor deles. Apenas a Suma Sacerdotiza e o Sumo Sacerdote estão em pé, para conduzir o Ritual de Abertura. Para encurtar movimentos excessivos que poderiam assustar a criança, a Suma Sacerdotiza lança o Círculo com seu athame, não a espada; e ninguém se move com ela, ou copia seus gestos, quando ela invocar os Senhores das Torres de Vigia. Ela e o Sumo Sacerdote circulam os elementos.

Após a invocação “Grande Deus Cernunnos”, a Suma Sacerdotiza e o Sumo Sacerdote consagram o vinho. Eles não o provam mas colocam o cálice sobre o altar.

O Sumo Sacerdote fica então de pé em frente ao altar, olhando para o caldeirão. A Suma Sacerdotiza permanece pronta para lhe entregar o óleo, vinho e água.

O Sumo Sacerdote diz :

Nós nos reunimos neste Círculo para pedir a bênção do poderoso Deus e da gentil Deusa sobre ( nome ), a filha de ( nome ) e ( nome ), de forma que ela possa crescer em beleza e força, em prazer e sabedoria. Há muitos caminhos, e cada um precisa encontrar o seu próprio; portanto nós não pretendemos comprometer (nome) com qualquer caminho enquanto ela ainda for muito jovem para escolher. Por outro lado nós devemos pedir ao Deus e à Deusa, que conhecem todos os caminhos, e à quem todos os caminhos levam, para abençoá-la, protege-la e prepará-la ao longo dos anos de sua infancia; de forma que finalmente quando ela estiver realmente crescida, ela saberá sem dúvida ou medo qual caminho é o dela e ela o trilhará alegremente.

“ (nome), mãe de (nome), traga-a adiante para que ela possa ser abençoada”.

O pai ajuda a mãe à levantar,e ambos conduzem a criança ao Sumo Sacerdote, que a toma em seus braços (com firmeza, ou ela se sentirá insegura – muitos clerigos cometem este erro!). Ele pergunta:

“ (nome), mãe de (nome), esta tua filha tem também um nome oculto ?”

A mãe responde:

“Seu nome oculto é ( nome ).”

O Sumo Sacerdote então unge a criança na testa com óleo, marcando um pentagrama e dizendo:

“Eu te aplico o óleo, (nome civil), e te concedo o nome oculto de (nome)”.

Ele repete a ação com o vinho, dizendo :

“Eu te aplico o vinho, (nome oculto), em nome do poderoso Deus Cernunnos”.

Ele repete a ação com a água, dizendo :

“Eu te aplico a água, (nome oculto), em nome da gentil Deusa Aradia”.

O Sumo Sacerdote devolve a criança para a mãe e então conduz os pais e a criança por cada uma das Torres de Vigia ao redor, dizendo :

“Vós Senhores das Torres de Vigia do Leste (Sul, Oeste, Norte), nós trazemos perante vós (nome), cujo nome oculto é (nome), e que foi devidamente ungida dentro do Circulo Wicca. Ouvi todos vós, portanto, que ela está sob a proteção de Cernunnos e Aradia”.

O Sumo Sacerdote e a Suma Sacerdotiza tomam seus lugares olhando para o altar, com os pais e a criança entre eles. Eles erguem seus braços e invocam um por vez:

Sumo Sacerdote: “Poderoso Cernunnos, concedei sobre esta criança o dom da força”.

Suma Sacerdotiza: “Gentil Aradia, concedei sobre esta criança o dom da beleza”.

Sumo Sacerdote: “Poderoso Cernunnos, concedei sobre esta criança o dom da sabedoria”.

Suma Sacerdotiza: “Gentil Aradia, concedei sobre esta criança o dom do amor ”.

O Sumo Sacerdote, a Suma Sacerdotiza e os pais viram-se para olhar para dentro do Circulo, e o Sumo Sacerdote então pergunta :

Há duas pessoas no Círculo que assumam a condição de padrinhos de ( nome ) ?”

(Caso ele e a Suma Sacerdotiza estejam sob a condição de padrinhos, ele perguntará, ao invés : “Há alguma pessoa no Círculo que assuma comigo a condição de padrinhos de ( nome )?” e a Suma Sacerdotiza responde : “Eu me unirei à vos”. Eles então olham um para o outro e falam as perguntas e as promessas um para o outro).

Os padrinhos caminham adiante e ficam de pé, a madrinha de frente para o Sumo Sacerdote, e o padrinho de frente para a Suma Sacerdotiza.

O Sumo Sacerdote pergunta para a madrinha :

“Vós, ( nome ), promete ser uma amiga para ( nome ) ao longo de sua infância, à auxiliá-la e guiá-la quando ela precisar; e de acordo com seus pais, à cuidar dela e amá-la como se ela fosse de seu próprio sangue, até que pela graça de Cernunnos e Aradia ela esteja preparada para escolher o seu próprio caminho?”

A madrinha responde :

“Eu, ( nome ), assim prometo”.

A Suma Sacerdotiza pergunta ao padrinho :



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