A biblioteca Desaparecida Histórias da Biblioteca de Alexandria – Luciano Canfora



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A VULGATA BIBLIOTECÁRIA
A breve narrativa de Gélio, mesmo desfigurada pelo acréscimo talvez realizado por terceiros numa outra época, é um belo exemplo de como a biblioteca é freqüentemente objeto de fantasias e invenções eruditas. Com efeito, Gélio aceita a fábula de uma antiqüíssima biblioteca pública em Atenas: fundada por Pisístrato (ficção derivada da tradição que atribuía a Pisístrato a recolha dos livros homéricos), aumentada nos anos seguintes, roubada e levada à Pérsia por Xerxes, devolvida a Atenas por Seleuco (evidentemente levado a reparar os danos de Xerxes ao sucedê-lo, dois séculos depois, no reino da Babilônia). É verdade que a tradição armênia conhecida por Maribas (que viveu no século II a.C.) apresentava uma imagem totalmente contrária de Seleuco: "tornando-se rei mandou queimar todos os livros do mundo para fazer com que o cálculo do tempo começasse com ele".

O fato de que a própria Atenas tivesse permanecido por tanto tempo sem biblioteca devia parecer algo intoleravelmente estranho. Na realidade, Atenas teve sua primeira biblioteca pública tardiamente, por iniciativa de Ptolomeu Filadelfo (285-246 a.C.), que fundara um ginásio na cidade, por isso chamado "Ptolemaion", dotado de uma biblioteca. No século I a.C., essa biblioteca era anualmente enriquecida com cem rolos, dádiva dos efebos. A grande biblioteca de Atenas, porém, foi a doada pelo imperador Adriano (117-38 d.C.); era construída em torno de um perípato com umas cem colunas, também dispondo de salas de ensino.

E por isso, então, como compensação por tal "atraso" histórico, que de vez em quando aflora nas fontes a idéia de uma "biblioteca de Atenas", cujo ponto de partida se encontrava nas informações referentes à reunião dos livros homéricos feita por Pisístrato, assim como a primeira "biblioteca" hebraica fora obra de Esdras, copista do Antigo Testamento. Mais raras — ou melhor, até inexistentes — são as referências à biblioteca de Atenas em épocas posteriores. Um erudito, que não sabemos como situar entre os séculos V e VI d.C., Zózimo de Ascalona (ou Gaza), ao contar a vida de Demóstenes, fala em uma “biblioteca de Atenas'', que existiria nos tempos do grande orador (nascido um século antes da ascensão do Filadelfo ao trono). Ele a menciona a propósito de uma extraordinária proeza de que Demóstenes teria sido o autor não se sabe bem em que período de sua vida, talvez na juventude: a biblioteca de Atenas — conta Zózimo — fora queimada, e o fogo destruíra as Histórias de Tucídides; Demóstenes era o único que as conhecia de cor, de ponta a ponta, e pôde ditá-las, e assim o precioso texto pôde ser recopiado (Oratores attici, ed. C. Müller, II, p. 523).

A tradição sobre a antiqüíssima biblioteca de Pisístrato também é enriquecida por outros detalhes fantasiosos, forjados a partir do modelo do Museu de Alexandria. E bastante curioso que tal tipo de tradição seja levado a sério por estudiosos como Boyché-Leclercq (Histoire des Lagides, I, Paris, 1903, p. 129: "Les Athéniens ne son-gèrent pas, même au temps de Périclès, à reconstituer La bibliothèque fondée par les Pisistratides et enlevée par Xerxes. Elle leur fut rendue par Séleucus Nicator" [Os atenienses não pensaram, nem mesmo na época de Péricles, em reconstituir a biblioteca fundada pelos Pisistrátidas e roubada por Xerxes. Ela lhes foi devolvida por Seleuco Nicátor]) e Wendel {Handbuch der Bibliothekswis-senscbaft, III, 1, p. 55: "Seleuco terá ressarcido os atenienses pelos danos feitos por Xerxes com uma doação em livros"). A Pisístrato foram atribuídos colaboradores, estudiosos de textos, artífices da revisão (diorthosis) dos poemas homéricos, aos moldes posteriores dos vários Zenódotos e Aristarcos. Era o que inferia o bizantino João Tzetzes, pobre e caprichoso gramático da era comnênica, da fonte que lhe fornecia os dados bibliográficos sobre o Museu e o Serapeum. Tal fonte chegava até mesmo a lhe permitir citar os nomes de quatro diorthotai que teriam servido a Pisístrato. Eram Orfeu de Cróton, Zópiro de Heracléia, Onomácrito de Atenas e um incerto Epicôngilo. Desnecessário dizer que a tradição sobre Pisístrato e sua biblioteca se enquadra no tema da rivalidade entre tiranos: pode ser uma "réplica" em termos de prestígio à tradição sobre a biblioteca de Polícrates de Samo.

Na fonte de Tzetzes encontravam-se ainda os dados sobre a existência física do Museu e do Serapeum na época de Calímaco, sobre os bibliotecários de Alexandria (sabia, por exemplo, que o bibliotecário tinha sido Eratóstenes, e não Calímaco), sobre os trabalhos desenvolvidos por vários doutos (Licofrão editara os cômicos; Alexandre Étolo, os trágicos) e sobre as sistemáticas traduções de "livros de todos os povos" para o grego, inclusive o Antigo Testamento. E notável que alguns desses dados (a biblioteca de Pisístrato, a ânsia do soberano em mandar traduzir para o grego os "volumina diversarum gentium", o especial empenho do Filadelfo nesse terreno, sua iniciativa de também mandar traduzir "divinas literaturas") apareçam, cinco séculos antes de Tzetzes, no capítulo "De bibliothecis" de Isidoro (VI, 3), já comentado no devido momento. Como sabemos, Isidoro prossegue com um capítulo sobre traduções que retoma muito rapidamente, e de fato indiretamente, o relato de Aristeu sobre a correspondência entre Ptolomeu e Eleazar para o envio de tradutores de Jerusalém.

Com efeito, mesmo a Carta de Aristeu ocupa um lugar nessa tradição. Também é um livro "sobre bibliotecas". Deve-se situar sua origem em data não anterior ao século II a.C., embora o autor se faça de contemporâneo dos fatos narrados. Aristeu compartilha com a tradição conhecida por Tzetzes a improvável ligação entre Demétrio Falereu e o Filadelfo, e diferencia-se dela quanto aos números. Tzetzes tem notícia de 400 mil rolos (isto é, referentes a obras em diversos rolos) e 90 mil (os ditos "monobybloi", em que um único rolo contém a obra inteira) para o Museu. Aristeu, por sua vez, tem notícia de um total de 200 mil rolos e um “objetivo" de 500 mil, fixado pelo próprio Filadelfo. É fácil perceber que a soma dessas duas cifras de Aristeu dá o enorme resultado daqueles 700 mil que se lêem em Gélio e Amiano.

Amiano, por sua vez, não se limita à referência ao incêndio de César (ligando-o erroneamente ao Serapeum), mas prossegue com uma digressão sobre Alexandria, em boa parte dedicada aos doutos que deram fama ao seu Museu (XXII, 16, 15-22). Existia, então uma produção de tratados ou, melhor dizendo, uma vulgata "sobre bibliotecas", misturando dados e mitos, oscilando — no plano numérico — entre cifras elevadas e cifras baixas. (E notável que Isidoro fale apenas em 70 mil rolos, quantidade que reaparece em vários códigos de Gélio, VII, 17, 3; Epifânio e Ibn al-Qifti chegam a descer a 54 mil rolos no patrimônio de livros do Museu.) Para essa tradição, que não raro alardeava as distantes raízes em Pisístrato, confluíra o essencial do relato de Aristeu. Exatamente por isso e pela conexão, a partir de certo momento, sempre reiterada, entre "biblioteca" e "tradução do Antigo Testamento" (exemplo cabível é a "Real encyclopadie" de Epifânio), não creio que na base se encontre Varrão, mas sim uma tradição judaico-helenística.

A interpretação que aqui apresento sobre os dois célebres termos referentes à classificação dos rolos não é usual. As duas hipóteses que têm predominado são: a) "rolos sem ordem" e "rolos selecionados" (F. Ritschl, Die alexandrinischen Bibliotheken, 1838, pp. 3-4 = Opuscula, I, pp. 5-6); b) "rolos miscelâneos" e "monobybloi" (Bernhardy, Schneidewin, Birt, Dziatzko etc. — é a opinião prevalecente). Contra Ritschl podem-se apresentar várias objeções, entre outras, os 200 mil rolos de Pérgamo, que, a crer em Plutarco. (Vida de Antônio, 58), parecem excessivos — mais do que o dobro em relação aos "rolos selecionados" de Alexandria. Contra a interpretação dominante, deve-se observar, por outro lado, que uma maioria esmagadora de rolos "miscelâneos" parece implausível e, sobretudo, absolutamente inverossímil a própria idéia de rolo "miscelâneo" (A. Petrucci, "Dal libro unitário al libro miscellaneo", em Tradizione dei classici, trasformazioni delia cultura, aos cuidados de A. Giardina, Roma-Bari,1986,p. 16).

Mas, precisamente, o contrário de "monobyblos" não é o rolo “miscelâneo”, mas sim o rolo que, junto com outros, concorre para formar uma única obra. Este é o caso mais freqüente, e por isso a desproporção entre 400 mil e 90 mil. Ademais, o sentido não-livreiro é "que se une, que se junta a outros, que se confunde, se mistura com outros".

O rolo é a "unidade de medida" nos cálculos bibliotecários. Por isso as fontes antigas nos fornecem aqueles números à primeira vista impressionantes — centenas de milhares de rolos —: exatamente pelo costume de contar não as obras, mas os rolos. Análogo, e pelo visto ainda hoje vigente, é o costume chinês de indicar o total dos fundos de uma biblioteca em chüan, isto é, pelos fascículos que compõem cada livro.


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OS INCÊNDIOS
Numa carta ao imperador Manuel I (1143-80), o doutíssimo João Tzetzes conta um sonho, ou melhor, um longo pesadelo que se estendeu por toda uma noite de semivigília. No começo, fora cercado e agredido (no sonho) por um exército de pulgas "mais numeroso do que o que Xerxes conduziu na Europa"; depois, ao amanhecer, parecera-lhe ver nas mãos de um artesão, sentado perto da botica de um perfumista, um livro que desejava intensamente e nunca conseguira encontrar: as Histórias citas do ateniense Dexipo, o aristocrata de antiga linhagem que na borrasca do século III enfrentara os hérulos sob os muros de Atenas. Mas, ao gramático presa do pesadelo, o precioso e almejado livro parecia roçado pelo fogo: as folhas de pergaminho estavam enrugadas pelo efeito das chamas, os fios que unem os blocos de cinco folhas agora estavam desfeitos e pendiam miseravelmente da lombada, mas mesmo assim a "divina escritura" sobrevivera, bastante visível (Epístola, 58). Assim, o desejado livro, desde então inencontrável, com toda probabilidade destruído, aparece em sonhos ao erudito que anseia por ele, como se ressurgisse do fogo que outrora o devorou.

A história das antigas bibliotecas freqüentemente termina no fogo. Segundo Galeno, é uma das causas mais constantes da destruição de livros, ao lado dos terremotos (XV, p. 24 Kühn). Os incêndios não nascem do nada. É como se, a um certo ponto, interviesse uma força maior, para eliminar um organismo que deixou de ser controlável: incontrolável por revelar uma infinita capacidade de crescimento e também pela natureza ambígua (as falsificações) dos materiais que para ele convergem.

É difícil dizer quando se consolidou essa idéia de que a biblioteca termina no fogo. Talvez tenha longínquas raízes na consciência, mais ou menos vaga, do fim das bibliotecas dos grandes reinos orientais, onde o inevitável e definitivo incêndio do "palácio" geralmente incluía o incêndio da biblioteca anexa. Uma biblioteca remota, de inteira propriedade do rei, afastada e por isso habitualmente fechada: como a de Ramsés, situada nos recessos de sua tumba monumental; como a do Museu, localizada dentro do abastecido palácio real dos Ptolomeus. Com os anos, essa imagem se estendeu retrospectivamente a comunidades que, como Atenas, durante algum tempo não tinham possuído bibliotecas. Assim, com efeito, Zózimo pretendia saber que mesmo a imaginária "biblioteca de Atenas" fora incendiada numa época indeterminada da vida de Demóstenes.

Incontroladas como são, as referências a incêndios são periodicamente repetidas em épocas diferentes, sempre em relação à biblioteca. Assim é em Alexandria, assim é em Antioquia, onde o Museu pega fogo sob Tibério e, depois, novamente sob Joviano.

Para corroborar essas tradições com uma dolorosa experiência, sobreveio a guerra dos cristãos contra a velha cultura e seus santuários: exatamente as bibliotecas. E um terceiro fator de destruição. A cena do bispo Teófilo lançando-se ao assalto contra o Serapeum, tal como é representa por Gibbon, poderia servir de modelo geral:

Teófilo — escreve o cavalheiro com desagrado — passou a demolir o templo de Serápis sem outras dificuldades senão as que encontrou no peso e na solidez dos materiais. Obstáculos que se mostraram tão insuperáveis a ponto de levá-lo, a contragosto, a poupar os alicerces. A rica biblioteca foi saqueada ou destruída, e cerca de vinte anos depois a visão das estantes vazias [refere-se a Orósio] despertava a tristeza e a indignação de qualquer espectador que não tivesse o espírito totalmente obscurecido por preconceitos religiosos. Enquanto se fundiam as imagens e os vasos de ouro e prata, e os de metais menos preciosos eram despedaçados com desprezo e jogados fora, Teófilo instigava os presentes expondo as fraudes e vícios dos sacerdotes dos ídolos.

O incêndio dos livros faz parte da cristianização. Ainda sob Justiniano, na capital do império, não eram incomuns cenas como a descrita por Malalas: “no mês de junho da mesma indicação", escreve o cronista antioquiano, "alguns gregos [isto é, pagãos] foram presos e arrastados em torno e seus livros queimados no Cinégio, e da mesma forma as imagens e estátuas de seus miseráveis deuses" (p. 491 ed. Bonn.). O Cinégio era o local onde se atiravam os cadáveres dos condenados à morte.
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EPÍLOGO
No ano 357 de nossa era, o retórico Temístio, assíduo comentador de Aristóteles e senador na nova capital, lançava um preocupante alarme. Ao exaltar a iniciativa de Constâncio de fundar uma biblioteca imperial em Bizâncio, Temístio ressaltava a urgência de tal empreitada, pois de outra forma — advertia ele — os grandes clássicos passariam a correr sério perigo (Panegirico de Constâncio, pp. 59d-60c). Outras vezes já se empreendera, por ordens imperiais, um programa de emergência contra o desaparecimento dos livros. No início de seu reinado, Domiciano (81-86 d.C.) decidira "reconstruir as bibliotecas incendiadas" e, para tanto, havia "mandado procurar por todo o império cópias das obras desaparecidas" e "enviado a Alexandria uma missão com o encargo de copiar e corrigir os textos" (Suetônio, Vida de Domiciano, 20). Mas na época de Temístio, na metade do século IV, a iniciativa de Constâncio aparecia então como uma defesa extrema. Cerca de sete séculos após o primeiro Ptolomeu, um ciclo parecia se encerrar.

No mundo helênico-romano, as bibliotecas tinham sido numerosas, mas efêmeras: não só as imensas, mas também as menores, citadinas, locais, motivo de orgulho, como os banhos e os ginásios, da civilitas, arruinada pela anarquia militar.

Entre as primeiras — as maiores — fora atingida a de Adriano, em Atenas, devastada pelos hérulos, que penetraram até o coração do império sem grandes resistências (267 d.C.). Poucos anos depois, foi a vez de Alexandria. De fato, é dessa época o verdadeiro fim da grande biblioteca, durante o conflito entre Zenóbia e Aureliano, no momento em que, como diz Amiano, Alexandria perdeu o bairro (amisit regionem) "quae Bruchion appellabatur, diuturnum praestantium hominum domicilium" [que era chamado Brúquion, há muito domicílio de homens importantes] (XXII, 16, 15), bairro onde — observa Epifânio, poucos anos depois — numa época ficava a biblioteca, "e agora o deserto" {Patrologia graeca, 43, 252). Sua sobrevivência ininterrupta, excepcional num mundo afligido pela caducidade de seus livros, é atestada por traços constantes que se sucedem até praticamente o fim. Cerca de vinte anos depois da guerra de Alexandria, Estrabão visita e descreve o Museu. Meio século mais tarde, o imperador Cláudio (41-54 d.C.), eruditíssimo antiquado, manda construir em Alexandria um novo Museu ao lado do antigo (Suetônio, Vida de Cláudio, 42). Quarenta anos depois, um péssimo sucessor seu, Domiciano (81-96 d.C.), envia uma comissão a Alexandria, com o encargo de trazer cópias dos tesouros livrescos da cidade.

Mas ainda existem documentos originais: por exemplo, uma escritura particular sobre a venda de uma embarcação, realizada em 31 de março de 173 d.C., na qual figura a assinatura de um certo Valério Diodoro, que se qualifica como "ex-vice-bibliotecário e membro do Museu" (Papiro Merton, 19). E por fim, no início do século III, Ateneu de Naucrates: seu erudito fichário, transmitido ao banquete dos sábios, parecia pressupor (mesmo que se imagine o banquete em Roma) uma profusão de livros da terra de origem do misterioso autor.

Também Roma, em meados do século IV, tinha ficado, por assim dizer, sem livros. Poucos anos antes que Temístio aplaudisse a iniciativa de Constâncio, as bibliotecas da antiga capital também estavam fechadas: "fechadas no eterno como tumbas", observa Amiano com calafrios (XIV, 6, 18). E logo mais pereceria num incêndio a biblioteca de Antioquia, que mal acabara de ressurgir.

Considerando essa cadeia de fundações, refundações e catástrofes, parece destacar-se um fio que liga os vários esforços do mundo helênico-romano, em boa parte vãos, de pôr seus livros a salvo. Tudo começa com Alexandria: Pérgamo, Antioquia, Roma, Atenas são apenas réplicas dela. A última reencarnação ocorrerá em Bizâncio, e uma vez mais será uma biblioteca no palácio: no palácio do imperador (Zózimo, III, 11, 3) e no do patriarca (Jorge Písides, canto 46).



As destruições, ruínas, saques, incêndios atingiram principalmente os grandes conjuntos de livros, em geral situados no centro do poder. Nem as bibliotecas de Bizâncio constituíram exceção. Por isso, o que finalmente restou não provém dos grandes centros, mas de lugares "marginais" (os conventos) ou de esporádicas cópias particulares.
SOBRE ALGUMAS PERSONAGENS HISTÓRICAS
Alcibíades (450-404 a.C.). General e político ateniense, amigo de Sócrates, foi, em 415, o instigador da desastrosa expedição ateniense à Sicília durante a Guerra do Peloponeso (431-404 a.C).

Alcman (Sardes, séc. VII a.C.). Poeta lírico grego, viveu em Esparta e foi um dos primeiros a cantar o amor.

Alcmeônidas. Família nobre e poderosa de Atenas, que teria tido por fundador Alcmeon, neto de Nestor. Péricles e Alcibíades pertenciam a essa família.

Amlano Marcelino (340-400 d.C). Historiador latino reputado por sua exatidão e imparcialidade. Escreveu uma história romana (Rerum gestarum libri XXXI) que vai da morte de Domiciano à morte de Valente (96-378) e cujos primeiros treze livros perderam-se.

Amr ibn al-As (594-684 d.C.). General árabe convertido ao Islão em 630, conquistou o Egito, apoderando-se de Alexandria em 642.

Anaxímenes de Lâmpsaco (séc. IV a.C). Aluno de Zoilo e de Diógenes, foi um dos preceptores de Alexandre, seguindo-o em suas conquistas na Ásia.

Andrônico de Rodes (séc. I a.C.). Filósofo grego, dirigiu a escola peripatética de Atenas (60-40 a.C.) e ocupou-se das edições críticas de Aristóteles e de Teofrasto.

Apeliconte de Teos (morto em c. 85 a.C.). Filósofo peripatético grego, reencontrou as obras de Aristóteles e de Teofrasto, até então esquecidas, e formou uma rica biblioteca que Sila mandou transportar para Roma.

Apião (séc. I a.C.)- Gramático grego de origem líbia, estudou em Alexandria e, depois, estabeleceu-se em Roma (c, 30 a.C.), onde divulgou a sua violenta sátira contra os judeus.

Apolônio de Rodes (295-215 a.C). Gramático e poeta grego, manteve, em Rodes, uma famosa escola de retórica. Após a morte de seu mestre Calímaco, com quem se havia desentendido, retornou a Alexandria, onde dirigiu a famosa biblioteca.

Aristarco de Samotrácia (220-144 a.C.). Gramático grego, fez carreira em Alexandria, onde se ocupou da educação dos filhos de Ptolomeu Filométor. Produziu uma edição corrigida da obra de Homero.

Aristeu (séc. III a.C.). Suposto funcionário do soberano egípcio Ptolomeu II Filadelfo. É provável que, por trás desse nome, se oculte um judeu alexandrino. Escreveu a seu irmão Filócrates uma carta relatando a origem da tradução grega dos Setenta.

Aristófanes de Bizâncio (260-181 d.C.). Gramático alexandrino, discípulo e continuador de Zenódoto. Assumiu a direção da biblioteca de Alexandria, sucedendo Apolônio de Rodes.

Aristóteles (384-322 a.C.). Filósofo grego, discípulo de Platão. Em 335, abriu, no Liceu, uma escola de ciência e de filosofia, que tomou o nome de peripatética. Ocupou-se da educação de Alexandre (342-335) e deixou obra vastíssima, verdadeira enciclopédia do saber humano.

Ateneu de Nducraüs (sécs. II, III d.C.). Escritor grego, de origem egípcia, que veio se estabelecer em Roma no início do séc. III. Seu Banquete dos sofistas oferece informação interessante sobre a vida cotidiana na Antigüidade.

Atenião (ou Aristião) (morto em 86 a.C.). Filósofo peripatético, dedicou-se ao ensino da filosofia, viajando de cidade em cidade. Partidário de Mitrídates, foi executado por ordem de Sila.

Ático, Herodes (101-177 d.C.). Reitor grego que ensinou em Atenas e em Roma, onde foi preceptor de Marco Aurélio. Herdeiro de imensa fortuna, ergueu monumentos em Atenas, Corinto e Olímpia.

Aulo Gélio (séc. II d.C.). Gramático latino, viveu em Atenas onde escreveu Noites áticas, obra repleta de informações curiosas sobre a língua, a literatura, o direito e a arqueologia helênicas.

Calímaco (300 — c. 240 d.C.). Poeta grego, estudou em Atenas e, posteriormente, foi professor de gramática e bibliotecário em Alexandria. Produziu uma obra imensa da qual só restam alguns poemas (hinos e epigramas) e fragmentos de uma epopéia.

César (102-44 a.C.). General e político romano, conquistador da Gália (58-51). Derrotou seu grande rival Pompeu na batalha de Farsália (48) e perseguiu-o até o Egito, onde encontrou Cleópatra; acabou assassinado pelos senadores, que temiam vê-lo transformado num soberano de tipo oriental.

Cícero (106-43 a.C.). Orador e político romano. Alia-se ao partido senatorial contra Marco Antônio e o ataca violentamente nas suas Filípicas (44). Quando Otávio se aproxima de Antônio e forma o segundo triunvirato (com Lépido), Cícero é perseguido, capturado e decapitado. Produziu obra abundante, na qual se destacam discursos, cartas e tratados filosóficos de influência grega.

Cláudio (10 a.C. — 54 d.C.). Quarto imperador romano, que, após Messalina, esposou Agripina e consentiu em indicar Nero como sucessor. Muito culto, escreveu trabalhos históricos (sobre os etruscos e os cartagineses) que estão perdidos.

Cleópatra (Cleópatra VII) (66-30 a.C.). Rainha do Egito de 51 a 30. Expulsa do trono pelo marido, foi restabelecida por Júlio César. Após a morte deste, uniu-se a Antônio, tentando levar avante um projeto de hegemonia egípcia no Mediterrâneo oriental. Após a derrota de Antônio em Actium (31), Cleópatra se suicida.

Demétrio II Nicdtor, isto é: "vencedor". Rei da Síria (144-125 a.C.). Desposou Cleópatra, filha de Ptolomeu VI, e derrotou o usurpador Alexandre Bala.

Demóstenes (384-322 a.C.). Orador e político grego, dedicou-se a combater as ambições de Filipe da Macedônia com relação ao domínio da Grécia. Escreveu contra ele as Filípicas.

Dião Cássio (morto em 155 d.C.). Historiador grego, ocupou cargos públicos sob os imperadores Cômodo, Pértinax e Alexandre Severo. Após renunciar à vida pública, dedicou-se á redação de uma História romana que cobre os eventos de 68 a.C. a 47d.C.

Dídimo o Cego (313-398 d.C.) - Teólogo cristão posto, por santo Atanásio, à frente da escola catequética de Alexandria. Foi um dos grandes teólogos da Trindade e deixou também o polêmico Contra os maniqueus.

Diógenes Laércio (séc. III d.C.). Filósofo grego da escola epicurista, escreveu uma história da filosofia sob a forma de biografias de filósofos célebres.



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