A construçÃo do humor em capas do jornal meia hora



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A CONSTRUÇÃO DO HUMOR EM CAPAS DO JORNAL MEIA HORA

Mariana Atallah (UFES/Capes)*

Mayara Nogueira (UFES/Fapes)**

RESUMO: O presente trabalho propõe uma análise de quatro capas do jornal Meia Hora, verificando o processo de construção de sentido do gênero discursivo que se constitui uma capa de jornal, orientando-nos sob o ponto de vista das noções bakhtinianas (2000); a construção de humor a partir dos mecanismos liguísticos no processo de produção do jornal, dentro dos pressupostos de autores como Travaglia (1992), Possenti (1998) e Raskin (1985). E como norteador teórico para a análise usaremos a Teoria da Relevância, dentro dos estudos pragmáticos, sustentados pelos autores Sperber & Wilson (1995). Através das análises realizadas neste artigo, cremos que as capas do jornal Meia Hora, trazendo elementos linguísticos, visuais e humorísticos, produzem sentido e relevância para o leitor.

ABSTRACT: This paper proposes an analysis of four cover of Meia Hora newspaper, checking the process of constructing meaning from speech genre that is a cover of newspaper, guiding us from the point of view of the notions bakhtinianas (2000); construct humor from other linguistic mechanisms in the process of newspaper production, within the assumptions of authors like Travaglia (1992), Possenti (1998) and Raskin (1985). And as a indicate for the theoretical analysis we use relevance theory, within the pragmatic studies, supported by the authors Sperber & Wilson (1995). Through the analyzes in this article, we believe that the covers of Meia Hora newspaper, bringing linguistic elements, visual and humorous, produce meaning and relevance to the reader.

PALAVRAS-CHAVE: Jornal; Humor; Teoria da Relevância.

KEYWORDS: Newspaper; humor; Relevance Theory.

CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES

É através do uso da língua que conseguimos nos comunicar, seja somente utilizando a forma verbal, não verbal, na escrita, na oralidade, ou no emprego de todas esses elementos. Com o advento da tecnologia e o avanço das inserções midiáticas, a cada dia mais numerosas e rápidas, o meio de comunicação está a todo o momento se transformando. Os jornais e as revistas, por exemplo, estão se adaptando ao novo paradigma dessa modernidade: as edições apresentam cada vez mais imagens e menos textos escritos.


Dentro desse contexto, levantamos como dado de análise, quatro capas do jornal Meia Hora, que circula no estado do Rio de Janeiro, voltado, principalmente para públicos da classe C, D e E. As capas deste jornal chamam muita atenção pela sua originalidade, tendendo quase sempre à publicação de notícias em tom de humor.

Para tanto, este estudo tem como proposta analisar as quatro capas do jornal Meia Hora, através das quais são verificados o processo de construção de sentido do gênero discursivo que se constitui uma capa de jornal, orientando-nos sob o ponto de vista das noções bakhtinianas (2000); a construção de humor a partir dos mecanismos liguísticos no processo de produção do jornal, dentro dos pressupostos de autores como Travaglia (1992), Possenti (1998) e Raskin (1985). E como norteador teórico para a análise usaremos a Teoria da Relevância, dentro dos estudos pragmáticos, sustentados pelos autores Sperber & Wilson (1995).



  1. DO GÊNERO DISCURSIVO

O gênero discursivo surge a partir do momento que a humanidade iniciou seu processo de escrita, em meados do século VII a.C. Entretanto, os gêneros foram tomando grandes dimensões com o aparecimento da imprensa, quando se notou as diferentes maneiras de interação, isto é, as divergentes produções orais e/ou escritos, que dependem do objetivo que se quer passar para o ouvinte/leitor. Com isso, formavam-se, por meio da linguagem, variados estilos, tópicos e formatos, organizando-se fundamentalmente para a comunicação. Podemos dizer, contudo, que esse processo é ilimitado, já que a todo o momento estamos usufruindo, estudando e elaborando hodiernos gêneros discursivos.


A proliferação de “novos” gêneros certamente está associada aos avanços tecnológicos e à velocidade da comunicação no mundo contemporâneo. A dinamicidade do meio, por interferência ou contaminação, modifica tanto as formas de relações humanas quanto as formas de representar o mundo através das diferentes linguagens – sonoras e visuais – que, numa grande variedade de textos, frequentemente, co-ocorrem e interagem” (Pinheiro, 2002, p. 262).

Segundo Bakhtin (2000), Platão e Aristóteles são considerados os primeiros estudiosos de gêneros, sob o âmbito literário, e “não enquanto tipos particulares de enunciados que se diferem dos outros tipos de enunciados, com os quais têm em comum a natureza verbal (linguística)” (BAKHTIN, 2000, p. 280).


Bakhtin (2000), portanto, propõe em sua obra intitulada Estética da Criação Verbal, uma nova maneira de proferir os tipos de gênero. Primeiramente, este autor aborda o conceito de enunciado como unidade concreta e real da comunicação em qualquer atividade humana, considerando, então, os gêneros do discurso como “tipos relativamente estáveis de enunciados” (BAKHTIN, 2000, p. 279).
O que mais chama a atenção de pesquisadores da área do discurso no que se refere à formulação do conceito de gênero do discurso por Bakhtin, é a sistematização criada para tal consideração: Bakhtin (2000), ponderando o gênero como uma dimensão que engloba tanto a linguística como o social, qualquer tipo de gênero é, portanto, historicamente e socialmente construído. Com isso, elabora algumas propriedades a fim de definir o que vem a ser um gênero do discurso. Esses atributos são assim chamados de conteúdo temático, construção composicional e estilo.
Conforme Bakhtin (2000), o conteúdo temático não se refere ao assunto específico de um texto, mas à finalidade discursiva; é o domínio de sentido de que se ocupa o gênero. A construção composicional diz respeito ao modo de organizar o texto, de estruturá-lo; é responsável pelo acabamento da unidade de comunicação verbal, possibilitando ao interlocutor inferir a totalidade da estrutura do gênero. Já o estilo é uma seleção de meios linguísticos, isto é, de recursos lexicais, fraseológicos e gramaticais da língua. (CARMELINO, 2009, p. 23)

Portanto, buscou-se ir além aos estudos de gênero literário, levantando novas possibilidades de organização textual, quando foram reconhecidos novos tipos de textos, tanto pelo progresso tecnológico, como pelo avanço social. Assim, considerando que o discurso pode ser tanto verbal, como escrito, Bakhtin (2000) sugeriu, ainda, dois aparatos para auxiliar na classificação dos gêneros, tais quais os primários, estabelecidos como os modelos de diálogo oral e aos sentidos (debates, palestras, conversas, mímicas, fotografias, etc.) e os secundários, que estão relacionados intrinsecamente com a escrita (anúncios, reportagens, textos científicos, receitas, etc.)


No entanto, Bakhtin, no decorrer dos seus estudos, admite a possibilidade de considerar características de diferentes naturezas num campo conjunto, isto é, as relações dialógicas, que se manifestam no decorrer das interações comunicativas dos indivíduos, como por exemplo, num objeto de análise onde é possível considerar a linguagem verbal e a linguagem não verbal associadamente. Por isso, que muitos estudiosos, influenciados pela obra bakhtiniana, propõem análises que levam em conta a perspectiva adjacente verbal e visual.
Neste estudo, iremos nos ater às capas de jornais. Inicialmente, salientamos que o jornal é, constituinte do que vem a ser chamado de transmissores de gêneros

1. A capa do jornal, por seu turno, é considerada um gênero discursivo, já que produz uma formatação relativamente estável, nos moldes bakhtinianos.
As capas de jornais aparecem cotidianamente com um número limitado de notícia mais notável no dia, que por ventura, a equipe jornalística do meio de comunicação seleciona como primordial. Além disso, dentre essas escolhidas, existe uma que tende a ter maior destaque, constituindo com isso, uma finalidade temática. Com isso, os editores constroem a composição da capa, organizando o texto verbal e visual de acordo com o que se quer chamar mais a atenção do leitor, e consequentemente, o estilo, sendo elaborado de acordo com os recursos lexicais disponíveis na notícia.



  1. A PRAGMÁTICA

O paradigma teórico sobre o qual se embasa o presente artigo é o da Pragmática norte-americana, cujas conjecturas teóricas principais residem na relação entre língua/linguagem e contexto no sentido de que, o que se quer dizer está sendo construído no momento em que se fala.


Tal campo da Linguística busca explicar em que consiste a interpretação de um enunciado; qual a função do contexto, que relação há entre significado literal e significado comunicado; por que falamos através de figuras; como a função comunicativa afeta a gramática das línguas, etc; ocupando-se em estudar o significado linguístico das orações usadas em atos de comunicação, sendo caracterizada em razão da intencionalidade e sua dependência com as circunstâncias em que se produz o ato da palavra.
Com o aparato teórico da Pragmática, notadamente através da Teoria da relevância, buscaremos neste artigo verificar a construção do humor em quatro capas do jornal Meia Hora, bem como os traços de contexto de fala que ajudam a determinar qual a mensagem intentada.

    1. Da Teoria da Relevância

Tendo em vista que o presente artigo tenciona abordar o processo de construção de humor no gênero “capa de jornal”, valemo-nos como dispositivo de análise aquilo que SPERBER & WILSON (1995) chamaram de Teoria da Relevância (doravante TR), a qual pode ser encarada enquanto uma tentativa de solucionar uma das asserções de Grice: “a de que uma característica essencial da maior parte da comunicação humana, verbal e não verbal, é a expressão e o reconhecimento de intenções” (SPERBER & WILSON, 2010, p. 221).



Para além do postulado griceano ora apresentado, a Teoria da Relevância também se baseia em outras asseverações deste teórico, notadamente “a de que os enunciados criam automaticamente expectativas que guiam o ouvinte na direção do significado do falante” (ibid., p. 222), tais expectativas se traduzem naquilo que Grice denominou princípio da cooperação, o qual estabelece cinco máximas conversacionais, quais sejam: a) máxima de quantidade; b) máxima da qualidade; c) máxima da relevância; d) máxima do modo.
Com isso, Grice lança as bases do chamado modelo inferencial, rompendo com o até então modelo tradicional que vigorava nas ciências da linguagem. De acordo com este modelo, “um comunicador fornece evidência de sua intenção de comunicar um certo significado, que é inferido pela audiência com base na evidência fornecida” (ibid., p. 221).
Nesse diapasão, o centro da Teoria da Relevância gravita nas expectativas de relevância suscitadas por um enunciado, expectativas essas que são precisas e previsíveis, capazes, portanto, de conduzir o ouvinte rumo do significado do falante (SPERBER & WILSON, 1995). Desse modo, o objetivo de tal teoria “é explicar em termos cognitivamente realísticos a que essas expectativas equivalem e como elas podem contribuir para uma abordagem empiricamente plausível de compreensão” (SPERBER & WILSON, 2010, p. 222).
De acordo com SPERBER & WILSON (1995), os processos inferenciais gerados na mente do ouvinte ao buscar interpretar um enunciado, se dá por deduções a partir de premissas; e a avaliação da relevância (que é guadual), feita pelo nivelamento entre input (investimento) e output (rendimento). Nesse sentido, um input será considerado relevante para um indivíduo “quando seu processamento, em um contexto de suposições disponíveis, produz um efeito cognitivo positivo”. Vale ressaltar, no que se refere aos tipos de efeito cognitivo, o fato de SPERBER & WILSON (2010) destacarem como o tipo mais importante aquele “alcançado pelo processamento de um input em um contexto é uma implicação contextual, uma conclusão dedutível em conjunto do input e do contexto, mas não do input nem do contexto isolados”. (SPERBER & WILSON, 2010, p. 223-224).
Ainda no que tange à avaliação da relevância, na perspectiva da TR, “em contextos idênticos, quanto maior o esforço de processamento requerido, menos relevante será o input”, de modo que a relevância “pode ser calculada em termos de efeitos cognitivos e esforços de processamento” (ibid., p. 225). Assim, quanto maior o efeito cognitivo positivo obtido pelo processamento de determinado input, em contextos idênticos, tanto maior será a relevância.
Um estímulo ostensivo é projetado para atrair a atenção da audiência. Dada a tendência cognitiva para maximizar a relevância, a audiência somente prestará atenção para um input que pareça suficientemente relevante. Ao produzir um estímulo ostensivo, o comunicador encoraja sua audiência, conseqüentemente, a presumir que ele é relevante o suficiente para valer a pena processá-lo. Essa necessidade não é um caso de cooperação griceana. Mesmo um comunicador auto-interessado, enganador ou incompetente pretende manifestamente que sua audiência suponha que seu estímulo é relevante o suficiente para valer a pena processá-lo – por que mais ela prestaria atenção? Essa é a base para o Segundo Princípio de Relevância ou Princípio Comunicativo, que se aplica especificamente à comunicação ostensivo-inferencial (SPERBER & WILSON, 2010, p. 229)
A denominada comunicação ostensivo-inferencial envolve um nível adiáforo de intenção: há, em um nível, a intenção informativa (cujo desígnio é informar algo a um auditório), e, em outro, a intenção comunicativa (em que há o intuito de informar uma intenção a uma audiência) (ibid., p. 228). Nesse sentido, tem-se o Princípio comunicativo de relevância, bem como a noção de relevância ótima, acentuando que “todo estímulo ostensivo comunica a presunção de sua própria relevância ótima” (ibid., p. 229).
Segundo SPERBER & WILSON (2010, p. 230), um estímulo ostensivo será otimamente relevante se, e somente se: a) é relevante o suficiente para merecer esforço de processamento da audiência; b). é o mais relevante compatível com as habilidades e preferências do comunicador.
O Princípio Comunicativo de Relevância e a definição de relevância ótima sugerem um procedimento prático para desempenhar essas subtarefas e construir uma hipótese sobre o significado do falante. O ouvinte deveria tomar um significado lingüístico decodificado; seguindo um percurso de menor esforço, ele o enriqueceria em um nível explícito e o complementaria em um nível implícito até uma interpretação resultante encontrar sua expectativa de relevância. (SPERBER & WILSON, 2010, p. 232)
Desse modo – e considerando o fato de que “comumente prestamos atenção a estímulos que, em alguma medida, vêm ao encontro de nossos interesses ou que se ajustam às circunstâncias do momento” (SILVEIRA; FELTES, 2002, p. 37) –, no procedimento de compreensão sob o enfoque da Teoria da Relevância, deveríamos: a) seguir um caminho de menor esforço na apuração de efeitos cognitivos; b) cessar quando as expectativas de relevância forem satisfeitas.


  1. A PROPÓSITO DO HUMOR

Como já foi dito, ao se falar em texto, em discurso, podemos abrir uma gama de possibilidades de tipos de gêneros discursivos. Aqui, interessa-nos a construção de capa de jornal, mais especificamente, do jornal Meia Hora que se constitui de um instrumento comunicativo que se afilia ao mecanismo de humor, no processo de elaboração do jornal. Por isso, iniciamos neste momento do artigo, a reflexão de como são construídos, textos que tem como objetivo imbricar o humor, levando em conta:


O que provoca o humor (mecanismos linguísticos), qual é o seu objetivo (crítica, riso pelo riso, etc.), qual o tema focalizado (questões sociais, étnicas, etc.) e que linguagem é priorizada (verbal ou não-verbal; presença ou não da polidez). (CARMELINO, 2009, p. 27)
O humor está presente, no momento em que se tem um tipo de interação comunicativa, “desencadeado, sobretudo, através de fenômenos linguísticos, cujas contribuições da Pragmática, da Antropologia, da Psicologia e da sociologia são indispensáveis” (DAVEL, 2009, p. 09) Além disso, a construção humorística só é validada quando os interactantes estão familiarizados com o contexto da situação “escarnada”. Isto quer dizer, que o sentido do texto humorístico só se faz valer quando existe um conhecimento prévio do assunto tratado e, até mesmo, valendo-se da cultura situada. De acordo com Raskin (1985), a questão cultural é muito importante nas construções de humor, já que em determinas culturas um determinado assunto pode ou não ser aplicado num viés humorístico, podendo muitas vezes, ter como resultado uma ofensa para a sociedade em questão.

Existem dois teóricos que não se deve deixar de apresentar, quando se fala em linguagem e humor: Possenti (1998) e Travaglia (1995). O primeiro tem como objeto de análise a piada, identificando alguns mecanismos linguísticos que auxiliam a produção de humor, tais como a fonologia, a morfologia, o léxico, o dêixis, a sintaxe, as pressuposições, as inferências, bem como, os conhecimentos prévios e a variação linguística (POSSENTI, 1998). Já Travaglia (1995) traz uma relação dialógica da linguística com o humor, apresentando duas contingências: “a primeira diz respeito ao uso de textos humorísticos para evidenciar mecanismos do funcionamento da língua e a segunda diz respeito aos mecanismos que são usados para a produção do humor” (SILVA, 2010, p.02). Travaglia (1992), portanto, traz especificamente os elementos linguísticos, tais quais,


a cumplicidade, a ironia, a mistura de lugares sociais ou posição do sujeito,a ambiguidade, o uso de estereótipos, a contradição, a sugestão, a descontinuidade de tópico, a paródia, o jogo de palavras, o quebra-língua, o exagero, o desrespeito a regras convencionais, as observações metalinguísticas e a violação de normas sociais explícitas. (CARMELINO, 2009, p. 27)
Outro teórico que propõe uma sistematização para análise de textos humorísticos é Victor Raskin (1985), este considerado o primeiro estudioso da teoria do humor verbal. Este autor cria a teoria “dos dois scripts”, selecionando o termo script (também chamado de roteiro) para dar conta de dois princípios que geram o texto de humor: o primeiro equivalente à sua composição, o qual se pressupõe que o texto devem se constituir de dois scripts opostos; o segundo é que apesar de o texto ter dois scripts diferentes, ele deve ser compatível em sistemas duplos, tais como: real/não real, sexual/não sexual, esperado/inesperado, etc.
Dessa forma, como veremos a seguir, todos esses elementos e mecanismos (tanto a construção de humor, quanto a pragmática, mais especificamente a Teoria da Relevância) nos darão subsídio para a análise das quatros capas escolhidas do jornal Meia hora, entre agosto de 2010 e setembro de 2012.



  1. AS CAPAS DO JORNAL MEIA HORA E A TEORIA DA RELEVÂNCIA: AS CONSTRUÇÕES DE SENTIDO E DE HUMOR

Na presente seção analisaremos quatro capas do jornal carioca Meio Dia, o qual se dirige para as classes C, D e E, buscando aproximar seu estilo ao seu público esperado. Em entrevista ao Portal de Imprensa do site UOL2, Henrique Freitas, editor-chefe da publicação, afirmou que o jornal, de fato, busca a identificação com seu público, alegando que “mais importante do que sempre buscar uma piada, é estar atento ao que realmente faz sentido ao nosso público”. Ainda nesta entrevista, o editor-chefe acentua o fato de que Meia Hora é um jornal e o que fazem é jornalismo, não humor.


No que se refere ao estilo tipográfico, é possível perceber, de um modo geral, que manchete em destaque com conteúdo humorístico mais marcado geralmente vem num fundo preto com letras amarelas, o que confere maior destaque e visibilidade. Observa-se, ainda, que determinadas manchetes apresentam um título, algumas ligadas a partes do jornal, outras como elemento anafórico da manchete em questão.
A partir do contexto geral inicial, que compreende os anos de 2010 e 2012, pode-se ter como suposição:

S1) o material que será aparesentado trata-se de uma espécie de sátira ao gênero “capa de jornal”;

S2) o objetivo das capas de Meia Hora é a aproximação com seu público esperado;

S3) a capa de jornal é um gênero que constrói significado de forma direta e, no caso específico do jornal Meia Hora, indireta, buscando a produção de humor.


Veiculada em 19/08/2010, a capa abaixo traz como notícias em destaque: a) o suposto desaparecimento do órgão sexual masculino de um sujeito em razão de uma “macumba” feita pela sogra; b) a divulgação da revista Playboy que tem como personagem principal a Larissa Riquelme posando nua; c) a execução de um jovem presumidamente em um “ritual satânico”; d) a contratação do jogador Deivid pelo Flamengo; d) o assassinato de uma criança testemunhado pelo irmão de dois anos de idade.

(Retirado de: <http://blogdokuelho.bk2.com.br/noticia/2151/netmix.swf>. Acesso em 19 de setembro de 2012, às 12:48)

Tendo como prumo a Teoria da Relevância, a compreensão da capa do jornal poderia trilhar do seguinte modo:

Inputs visuais: (i) homem com a mão dobrada próxima ao rosto; (ii) mulher com a mão dobrada próxima ao rosto com aparelho celular entre os seios; (iii) balão próximo à imagem do homem com as expressões “incrível” e “fantástico”.

Inputs linguísticos: (i) como assim?; (ii) macumba da sogra faz homem perder o homem pinto e ganhar periquita; (iii) meu pênis começou a encolher e sumiu. Cheguei a menstruar; (iv) musa da copa mostra tudinho; (v) potranca paraguaia dá um alô gostoso pra galera; (vi) Larissa Riquelme já começa a divulgar sua ‘Playboy’, que será lançada no mês que vem. Vai perder?; (vii) Dentro do cemitério; (viii) jovem é executada em ritual satânico; (ix) esportes; (x) mengão fecha com David; (xi) imóveis; (xii) só no Grande Rio. Peça ao jornaleiro; (xiii) mãe é suspeita; (xiv) criança vê o irmãozinho de 2 anos ser assassinado; (xv) motorista é morto na Dutra ao tentar fugir de arrastão.

Na análise conjunta dos imputs verbais e não verbais, podemos fazer as algumas suposições: (a) o celular entre os seios de Larissa Riquelme não está na fotografia original, mas foi ali colocada a fim de remeter o episódio que fez a moça se tornar famosa mundialmente e, por isso mesmo, posar numa revista masculina; (b) Aproximação entre a “pose” do homem que diz ter perdido o pênis com a modelo Larissa Riquelme. Pose esta que é caricata e atribuída homossexuais. A escolha não é em vão; (c) Os títulos que emolduram cada uma das manchetes: “como assim?” – ligado ao absurdo e coloquialismo (outra coisa ligada ao absurdo: “cheguei a menstruar”, o que é incompatível, por natureza, com o gênero biológico masculino); (d) a diferença no uso de diminutivos = “irmãozinho” na única notícia que possui uma tonalidade trágina nesta capa: a morte de um menino, há um tom de compadecimento; e o uso de diminutivo no título que enquadra a notícia do ensaio nu de Larissa Riquelme “tudinho”, que por sua vez, é ligado ao tom de aliciamento e à sedução.

Identificando as informações acima, o leitor poderá supor alguns processos contextuais: A reflexão de como uma pessoa pode se tornar famosa através de um evento mundial, fazendo uma performance não convencional, já que a Larissa Riquelme, na copa de 2010, foi contratada como garota-propaganda por uma empresa de telefonia celular para assistir aos jogos do Paraguai guardando entre os volumosos seios, emoldurados por grande um decote, um aparelho celular; e a consequência deste ato, em ser convidada para posar nua, numa das maiores revistas masculinas mundiais. Além disso, a escolha dos itens lexicais “fecha”, no sentido de contratar; “potranca”, no sentido de mulher bonita e com corpo escultural; “dá um alô”, no sentido de cumprimentar, aproximam o jornal de seu público esperado (classe c).

No dia posterior (20/08/2010), o Jornal Meia Hora traz em sua capa uma resposta irônica a notícia do dia anterior (a de que um homem perdeu o pênis devido uma “macumbafeita pela sogra): o desejo de travestis em não mais possuirem o seu órgão sexual por meio, também, de “macumba”. Outras notícias são destaque desta capa: a) a morte por enforcamento dentro da Delegacia de Polícia de um indivíduo; b) o treino do jogador Deco, do Fluminense, após sua regularização frente a CBF.



(Retirado de: <http://blogdokuelho.bk2.com.br/noticia/2151/netmix.swf>. Acesso em 19 de setembro de 2012, às 12:47)



Inputs visuais: (i) travesti agachada com as mãos nos joelhos e de biquini; (ii) imagem de um pinto entre as pernas; (iii) imagem de dois homens indica que eles estão no treino de futebol.

Inputs linguísticos: (i) faz um vodu em mim; (ii) travestis também querem macumba que faz o pinto sumir; (iii) meninas se divertem com história do cara que perdeu o bilau e sonham em conhecer a sogra que jogou o feitiço; (iv) a travesti Pâmela Ferreira ficou empolgada com a ideia; (v) na baixada; (vi) homem morre enforcado na DP,e família acusa policiais; (vii) caderno de esportes; (viii) Muricy testa Deco entre os titulares; (ix) camisa 20 é regularizado na CBF e já pode estrear no fluzão domingo.
Pode-se perceber que para haver compreensão da manchete principal desta capa, deve haver uma leitura prévia da capa do dia anterior, já que se trata de uma resposta à notícia anteriormente vinculada (além do conhecimento enciclopédico e do conhecimento de mundo, o leitor só compreenderá se tiver o conhecimento prévio da própria revista). O item lexical que corrobora com esta afirmativa é o uso do vocábulo “também”.
A Teoria da Relevância, auxiliando nas interpretações dos processos de informações comunicativas, ajuda-nos a perceber que: (a) o título “faz um vudou em mim” que emoldura a notícia de que os travestis também querem a “macumba” paralelo intertextual com o discurso religioso, especificamente com a canção Faz um milagre em mim, do cantor gospel Regis Danese; (b) o valor semântico negativo do vocábulo de “vodou”, ao contrário de “milagre”; (c) a imagem de um pinto entre as pernas do travesti e o balão em que ele diz “piu” foi sobreposta à imagem, remetendo à figura animalizada do órgão sexual masculino (o uso do imput visual para remeter a notícia do dia anterior). (d) o uso da palavra “bilau” e “pinto” provoca uma quebra da expectativa de um jornal, o qual, normalmente, busca conferir um ethos de seriedade e credibilidade, evitando, para tanto, o uso de gírias, embora implique tanto humor quanto aproximação do público alvo.

Na edição publicada em 11/05/2011, a capa do Meia Hora traz como notícias em destaque: a) a morte do travesti e dançarino de funk conhecido como “Lacraia”; b) a descoberta de mais um filho Dado Dollabela e sua união com a namorada; c) prisão de “cracudo” homicida; d) a expectativa de vitória do Flamengo sobre o Ceará; d) execução de um menor na cidade de Niterói.



(Retirado de: <http://www.portalmidia.net/2011/05/capa-de-jornal-tira-onda-com-morte-de-lacraia/>. Acesso em 19 de setembro de 2012, às 12:45)

Inputs visuais: (i) dançarino olhando para cima; (ii) balão apontando para a imagem com a expressão “fui”; (iii) imagem de um jumento; (iv) imagem de um cavalo (v) imagem de uma égua; (vi) vestimenta e batom na cor rosa do dançarino (vii) dançarino usando brinco de argola.

Inputs linguísticos: (i) vai, lacraia, vai, lacraia; (ii) o dançarino Lacraia, que fez sucesso ao lado de MC Serginho, morreu ontem aos 34 anos. É dura a vida da bailarina; (iii) #todos chora; (iv) o jumento, o cavalinho e a éguinha pocotó agora vão andar sós. Tadinhos...; (v) confessou; (vi) preso cracudo que matou modelo; (vii) caderno de esportes; (viii) ´bonde do mengão sem freio´ deve desmontar a carroça hoje; (ix)geral viu; (x) menor é executado em Niterói; (xi) Dado Dolabella será pai pela terceira vez e vai morar com a namorada.
Percebemos que a manchete em destaque, exibe o efeito contextual mais elevado, fazendo com o que leitor tenha o mínimo de esforço para o processamento da notícia. Vejamos que o título “Vai, Lacraia, Vai Lacraia” tem um duplo sentido: o primeiro deles se refere ao fim da vida do dançarino, numa espécie de “Vá com Deus” ou “Vá em paz”; o segundo é uma referência intertextual com o funk “Vai Lacraia”, de Mc Serginho. Funk este que projetou o dançarino no meio do funk carioca.
Outros elementos são processados e se tornam potencialmente relevantes: (a) a sobreposição na imagem de balão de fala em que dirige ao dançarino o enunciado “fui”, como uma espécie de resposta ao funk em sua homenagem; (b) o somatório de características do imput visual: a sobreposição de uma margarida no balão + letras do balão em cor de rosa + roupas em cor de rosa , aproxima as imagens ao travesti para o mundo esteriotipado como feminino; (c) “#todoschora” é um diálogo com o universo virtual, em que, nos últimos meses o uso do jogo da velha com uma palavra ou oração é empregado como uma espécie de constatação ou declaração (ex.: #prontofalei); (d) “O jumento, o cavalinho e a eguinha pocotó agora vão andar sós” – paralelo com o funk Vai, Lacraia e aproximação do dançarino com animais. O grosseiro humor se torna ainda mais agudo com o uso de “tadinhos”; (e) “É dura a vida de bailarina” – escárnio pelo fato de se tratar de um sujeito que ao passar, é desprestigiado: ao passar pelo filtro social, negro, travesti, pobre, dançarino, vinculado ao funk, que é tido como “música de morro”. Ele é bailarino, mas não um bailarino clássico, é, sim, bailarino de funk; (f) o uso da palavra “cracudo” e do título “geral viu” – aproximação com o público alvo.
A capa abaixo, veiculada em 11/09/2011, traz como notícias em destaque: a) a descoberta dos corpos de seis meninos assassinados em chacina, ocorrida na Baixada Fluminense; b) a divulgação da contração de Viviane Araújo como atriz para uma novela global; c) “pane” no novos carros adquiridos pelo Metrô Rio; d) a possível contratação de téctino do Vasco; d) a “vaquinha” organizada por um cantor seranejo para não ser detido em razão do não pagamento de pensão alimentícia.


(Retirado de: <http://www.facebook.com/photo.php?fbid=5235647776583


49&set=a.157650524249778.42477.148914881790009&type=1&theater>. Acesso em 19 de setembro de 2012, às 12:56)
Inputs visuais: (i) a imagem de uma mulher com a mão na cabeça; (ii) três homens vestidos com capas da defesa civil; (iii) corpos de seis garotos no chão; (iv) imagens de três homens com a vestimenta representativa da polícia (v) um homem com as mãos para trás.

Inputs linguísticos: (i) chacina na baixada pode ter nove mortos; (ii) desculpe leitor. Hoje não tem piada; (iii) corpos de seis jovens que sumiram a caminho da cachoeira são encontrados pela polícia. Eles teriam sido mortos por traficantes da Chatuba só porque moravam em área de facção rival; (iv) pane; (v) já deu ruim no novíssimo metrô chinês; (vi) caderno de esportes; (vii) Renato Gaúcho e Joel podem assumir o Vasco; (viii) Deve pensão; (ix) sertanejo faz vaquinha pra não ser preso; (x) autor da globo revela que Viviane Araújo será atriz da sua próxima novela das 9; (xi) Dado Dolabella será pai pela terceira vez e vai morar com a namorada.

A manchete em evidência, isto é, aquela que contém o enunciado “Desculpe, leitor. Hoje não tem piada” apresenta um duplo efeito contextual, o que leva o leitor a buscar, em sua memória discursiva, dois possíveis caminhos. O primeiro deles diz respeito à descoberta dos corpos dos jovens vítimas da chacina ocorrida na baixada fluminense em setembro de 2012. Tendo em vista que a fotografia em destaque é exatamente a dos corpos estendidos sobre o chão, o esforço para o processamento da informação não apresenta um elevado grau. Já o segundo caminho em potencial é a vinculação entre “Desculpe, leitor. Hoje não é dia de piada” com a data da publicação do jornal – 11 de setembro de 2012 –, data em que marcam onze anos do atentado terrorista contra as torres gêmeas e pentágono, nos Estados Unidos.


O editor-chefe do Meia Hora, naquela mesma entrevista anteriormente mencionada3, ao ser questionado sobre qual o limite desta “criatividade” que liga notícia a humor, disse: “se tem como brincar, então nós brincamos”. Ressalta o jornalista, no entanto, o fato de que muitas vezes “a própria brincadeira também carrega um tom sério ou uma crítica. Temos isso como premissa: buscar, claro, o inusitado, o diferente, o criativo, mas não como uma necessidade vital e, sim, como algo que pode acrescentar e pode ser o diferencial”. 
Um pouco adiante, Henrique Freitas, a despeito da chacina de Realengo, afirma que o jornal visa “não só o engraçado e o divertido, mas também a associação com o emocional das pessoas”. Acrescentando ainda que “com uma capa séria, não deixo de fazer uma brincadeira embaixo. Se eu tenho a oportunidade e se faz sentido, eu vou fazer. Tem dia que não dá e eu não vou ficar forçando a barra”. Nesse sentido, podemos inferir que o próprio fato de na manchete principal dizer que “hoje não tem piada” é, por via, reversa uma piada satírica, já que o horizonte de expectativa do público esperado do jornal Meia Hora é que haja piadas tanto na manchete principal como nas demais.
Do corpus selecionado, esta é a capa com menor carga humorística – ou melhor, com um tipo de humor menos “escancarado” – e com menor quantidade de gírias. No entanto, no tocante aos itens lexicais, é possível notar, mais uma vez, o uso se uma série de vocábulos com a finalidade de aproximar o jornal ao seu público. São exemplos desta assertiva o uso da expressão “já deu ruim”, no sentido de ter havido problemas em tão pouco tempo aquisição (julho de 2012) e de uso dos novos carros do metrô (daí o uso de “já”); bem como do termo “vaquinha”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
O jornal é um meio midiático comum à população brasileira e de fácil acesso. Nosso objeto de estudo (Jornal Meia Hora), particularmente, custa R$ 0,70 e se projeta principalmente a essa situação de baixo custo. Levando em conta esse contexto e após realizar a análise das quatro capas do jornal, podemos perceber que os editores procuram a todo o momento a aproximação do público, alavancando elementos linguísticos e visuais, dando sentido e relevância para o leitor. Além disso, o humor presente nestas capas do jornal Meia Hora, vai sendo construído intencionalmente pelos mecanismos linguísticos e visuais, com o objetivo também de chamar a atenção do leitor e despertar uma interação informal.

Podemos perceber, que a maneira que os editores do jornal quebram algumas expectativas do que normalmente se espera neste tipo de gênero discursivo (como a seriedade), tem seu valor relevante. Nos jornais do dia 19 e 20 de agosto de 2010, por exemplo, apareceram itens lexicais, como “potranca”, “dá um alô”, “bilau”, “pinto”, o que normalmente não é escolhido em outros jornais. Bem como, no dia 11 de maio de 2011, no uso de “cracudo” e “geral viu”, e, inclusive, no jornal de 11 de setembro de 2011, quando os editores da capa do jornal Meia Hora optaram por não fazer graça, e, ainda assim, é possível perceber o uso de expressões como “já deu ruim” e “vaquinha”. Entretanto, essa escolha reflete o direcionamento intencional dos editores do jornal para determinado público.

Verificamos, também, que a relação de um dia para o outro, nos jornais de 19 e 20 de agosto de 2010, mostra, novamente, uma tentativa de interação com os leitores. Aliás, as principais preocupações que o jornal apresenta são passar a notícia e se aproximar o quanto pode do leitor. Esta última, é tão explícita, como já demonstramos na escolha de itens lexicais, que quando há uma quebra de expectativa, por parte dos leitores do jornal Meia Hora (que espera uma linguagem humorística), o jornal obtém outra estratégia de chamar a atenção do público, utilizando-se da frase “hoje não tem piada”.

Com isso, tendo a liberdade de construir formas de elaboração de notícias (incluindo a preocupação de construção de contextos) sem as regras tradicionais padronizadas do jornalismo, os editores do jornal Meia Hora, conquistaram os leitores, dando a possibilidade de processar as notícias com menos esforço.



REFERÊNCIAS
BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. Introd. e trad. Paulo Bezerra. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
CARMELINO, Ana Cristina. As dicas-piadas do casseta e planeta: denúncia e liberação. In: A Linguagem do humor: diferentes olhares teóricos. Vitória, ES: UFES, 2009. pp. 21-35.
DAVEL, Alzira da Penha Costa. O sabor do humor. In: A Linguagem do humor: diferentes olhares teóricos. Vitória, ES: UFES, 2009. pp. 07-20.
PINHEIRO, Najara Ferrari. A noção de gênero para análise de textos midiáticos. In: MEURER, J. L; MOTTA-ROTH (org). Gêneros textuais e prática discursiva: subsídios para o ensino da linguagem. Bauru, São Paulo: EDUSC, 2002. pp. 259-290.
RASKIN, Victor. Semantic mechanisms of humor. Boston, D. Reidel Publishing Company. 1985. p. 1-39.
SILVA, Luciana Soares da. A constituição do riso pela transgressão do gênero do discurso. Revista Gatilho: Ano V, Vol 10, Junho 2010. ISSN: 1808-9461. Disponível em: <http://www.ufjf.br/revistagatilho/edicoes-anteriores/%E2%80%94-ano-v-volume-10-junho-2010/> Acesso em: 19 de setembro de 2012 às 11:21.
SILVEIRA, Jane Rita Caetano da; FELTES, Heloísa Pedroso de Moraes. Pragmática e cognição: a textualidade pela relevância. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2002.
TRAVAGLIA, L. C. Homonímia, mundos textuais e humor. Organon 23, Porto Alegre, v. 9, n. 23, p. 41-50, 1995.
TRAVAGLIA, L. C. O que é engraçado? – Categorias do risível e o humor brasileiro na televisão. Leitura: Revista do departamento de Letras Clássicas e Vernáculas. Universidade Federal de Alagoas, CHLA, p. 43- 79, 1992.
WILSON, D., SPERBER, D.. Relevance: communication e cognition. Oxford. Blackwell Publising, 1995.
______________. Teoria da relevância. Linguagem em (Dis)curso, 5, set. 2010, p. 221-268. Disponível em: <http://portaldeperiodicos.unisul.br/index.php/
Linguagem_Discurso/article/view/287/301
>. Acesso em: 19 de Setembro de 2012.

* Licenciada em Língua portuguesa e literaturas de língua portuguesa pela Universidade Federal do Espírito Santo, mestranda em Estudos Linguísticos por esta mesma instituição (bolsista CAPES).



** Bacharela em Direito pela Universidade Vila Velha, licenciada em Língua portuguesa e literaturas de língua portuguesa pela Universidade Federal do Espírito Santo, mestranda em Estudos Linguísticos por esta mesma instituição (bolsista FAPES).

1 Os meios de comunicação não são considerados tipos de gêneros, mas, sim, suporte (transmissores) de gênero (jornal, revista, cinema, livro, rádio, Tv, internet, etc.).

2 Disponível em: <http://portalimprensa.uol.com.br/noticias/ultimas_noticias/53561/fazemos+jornalis
mo+nao+humor+diz+editor+executivo+do+meia+hora
>. Acesso em 19 se dezembro de 2012, às 18:24.

3 Disponível em: <http://portalimprensa.uol.com.br/noticias/ultimas_noticias/53561/fazemos+jornalis
mo+nao+humor+diz+editor+executivo+do+meia+hora
>. Acesso em 19 se dezembro de 2012, às 18:24.



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