A construçÃo social do corpo feminino e as novas formas de ser mulher na pós-modernidade: um estudo a partir da prostituiçÃo feminina de luxo



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A construção social do corpo feminino: um estudo a partir da prostituição feminina de luxo1

Fábio Lopes Alves2



RESUMO: A problemática desse projeto de pesquisa é a compreensão de como se dá a construção social do corpo feminino, a partir do cotidiano de algumas garotas de programa de luxo. Dentre os objetivos da investigação, destacam-se: analisar como as garotas de programa moldam seus corpos aos padrões exigidos? Como investem no corpo? O que pensam sobre esse investimento, bem como as exigências definidas sociedade? Quais são as prescrições estéticas, higiênicas e morais que são impostas às garotas de programa inseridas na categoria de luxo? Em resumo: como o corpo das prostitutas de luxo é construído socialmente, tanto no imaginário quanto na realidade. Teoricamente é a partir de alguns conceitos trazidos no bojo de reflexões dos estudos culturais britânicos, bem como do quadro analítico sobre corporalidades e pós-modernidade, que a presente investigação se apresenta.

PALAVRAS-CHAVE: Prostituição de luxo, corpo, identidade.

TEMA:

Diante dos fenômenos pós-modernos, o corpo tem se tornado um acessório em que se expressam paixões, sentimentos, pertencimentos, identidades, entre outros. No plano central dessas questões há um corpo que vem sendo construído e ressignificado, ou parafraseando Berger e Luckmann (2010), o corpo se constituiu num lócus, por excelência, de construção social da realidade.

Se o corpo é o lócus de construção da realidade, por outro lado, ele também é construído. Nesse caso, há uma gama de ideias que, apresentadas diariamente em propagandas de vários tipos, enaltecem um determinado modelo de corpo e, em contra partida, rejeitam outros. Modelos estes, tidos como exemplares, acabam por conduzir a tratamentos de beleza que interferem fisicamente, modificando aparências. Dentre eles, cirurgias plásticas, centros de tratamento estético entre outros, que estão em plena expansão sendo consideradas verdadeiras fábricas produtoras de um corpo ideal. Acresce-se ainda, os constantes produtos voltados para o emagrecimento ou aumento da massa muscular que diariamente colocam em xeque a satisfação com o corpo que se tem, por meio de campanhas publicitárias. Diante dessa “fábrica corporal” as garotas de programa, notadamente de luxo, são atingidas por tal modelo criado socialmente, caso desejem atrair seus clientes.

Em face ao exposto e levando em consideração as questões ligadas à corporalidade, prostituição de luxo e pós-modernidade, imediatamente algumas questões se apresentam, tais como: atualmente qual o lugar do corpo na sociedade? Teria ele se tornado um mero acessório na prostituição de luxo? E seu pertencimento? E as identidades? Entretanto, antes de qualquer discussão corporal, necessário se faz, uma breve exposição sobre o entendimento de pós-modernidade, tendo em vista que, não obstante a polêmica conceitual em torno do termo, uma de suas características, é o fato de as identidades se encontrarem cada vez mais fragmentadas (HALL, 2005).

Nesta pesquisa, à luz de Gadea (2007), não se compreende a pós-modernidade como um determinado status conceitual, tão pouco como uma fase histórica em que modernidade, pré-modernidade, etc, apareceriam como recortes temporais, antecedendo a pós-modernidade. Mas, antes como um fenômeno. Pois, segundo esse sociólogo,

O pós-moderno não pode ser um conceito em si mesmo, mas uma categoria que trata sobre as formas concretas das sociabilidades, adquirindo conceitualização como “fenômeno” ao descrever o que se expressa nas interações sociais. [...] De todas as maneiras, pode-se entender o pós-moderno como um conjunto de categorias analíticas nômades e de sensibilidades “outras” às que foram prevalecendo durante a dinâmica da modernidade. Consistiria, portanto, em uma perspectiva ou categoria analítica que permite entender a saturação e perda de sentido da legitimidade de uma espisteme, assim como compreender o precário momento sócio-histórico no qual o moderno teve dificuldades para recriar-se (GADEA, 2007, p. 123).

Decorre dessa interpretação, a justificativa do presente projeto escolher a pós-modernidade, não como um conceito em si mesmo, mas antes como uma categoria de análise. Pois, se tomada como um fenômeno possibilita compreender os sentidos simbólicos que envolvem o chamado ‘culto ao corpo’ a partir do cotidiano de algumas mulheres que atuam na prostituição de luxo. Nesse sentido, como indica Roy Porter (1992, p. 295) “devemos enxergar o corpo como ele tem sido vivenciado e expresso no interior de sistemas culturais particulares”. Desse modo, entre os diferentes sistemas culturais, este projeto contempla a prostituição feminina de luxo, como campo empírico para reflexão sobre a construção social do corpo na pós-modernidade.

Ao teorizar sobre a corporalidade, Le Breton (2003) revela que o corpo não deve ser tomado como um simples suporte da pessoa. Mas, antes, como um local que recebe constantes aprimoramentos onde se dilui a identidade pessoal. Soma-se a isso, o fato de na sociedade atual, os indivíduos disporem de uma variada gama de serviços capazes de manipular os próprios corpos.

A cirurgia estética ou a plástica modifica as formas corporais ou o sexo, os hormônios ou a dietética aumentam a massa muscular, os regimes alimentares mantêm a silhueta, os piercings ou as tatuagens dispensam os sinais de identidade sobre a pelo ou dentro dela, a body art leva ao auge essa lógica que transforma o corpo abertamente no material de um indivíduo que reivindica remanejá-lo à vontade e revelar modos inéditos de criação. O corpo é o suporte de geometria variável de uma identidade escolhida e sempre revogável, uma proclamação momentânea de si. Se não é possível mudar suas condições de existência, pode-se pelo menos mudar o corpo de múltiplas maneiras (LE BRETON, 2003, p. 28).

Mas por quais razões proliferam tal indústria? O que levaria as pessoas a interferirem, às vezes até de modo drástico, em seu corpo? Le Breton (2003) sugere uma pista ao relatar que assiste-se hoje a proliferação de uma verdadeira indústria do desing corporal e que vem, cada vez mais, ganhando adeptos. A vontade está na preocupação de modificar o olhar sobre si e o olhar dos outros a fim de sentir-se existir plenamente (p. 30). Portanto, pode-se antever que a busca de reconhecimento e a auto estima estão ligados diretamente ao físico de cada um.

A medida que o indivíduo altera seu corpo, conserva a forma, modela a aparência ou oculta o envelhecimento, de certo modo, se alteram sua forma de viver e, principalmente, modifica seu sentimento de identidade. Não por acaso, para Richard Senneth, numa nítida inspiração weberiana, “a cultura do corpo é uma forma moderna de ética protestante” (2001, p. 269). É preciso ter claro que as modificações corporais não operam apenas na pele da pessoa. Inicialmente, é no imaginário que essas vontades e desejos se processam. Por isso, um estudo como este não pode perder de vista a análise das subjetividades dessas mulheres que moldam seus corpos com vistas a atender uma demanda específica.

Nossas sociedades consagraram o corpo como emblema de si. É melhor construí-lo sob medida para derrogar ao sentimento da melhor aparência. Seu proprietário, olhos fixos nele mesmo, cuida por torná-lo seu representante mais vantajoso (LE BRETON, 2003, p. 31).

Por fim, o culto ao corpo, o conduziu a se tornar objeto de consumo, numa época na qual “vivemos o tempo dos objetos” como afirma Jean Baudrillard (2003, p. 15). Ao estudar a corporalidade, este autor o toma como o mais belo objeto de consumo, o que, no caso da prostituição de luxo assume um caráter de singular importância como se verá nos desdobramentos que esta pesquisa enseja mostrar.

PROBLEMÁTICA:

A partir de alguns conceitos trazidos no bojo de reflexões dos estudos culturais britânicos – que serão descritos neste projeto no item “referencial teórico”­ –, bem como do quadro analítico sobre corporalidades e pós-modernidade, é que o presente projeto de pesquisa se apresenta. A problemática da investigação, isto é, o fio condutor da análise, será: compreender como se dá a construção social do corpo feminino, entre “realidade objetiva e subjetiva” (BERGER; LUCKMANN, 2010), e as novas formas de ser mulher, a partir do cotidiano de algumas mulheres que moldam, significam e ressignificam seus corpos para o exercício da prostituição feminina de luxo.

Para responder a problemática levantada, o campo empírico do estudo será constituído por um universo3 de prostitutas que se identificam ou são identificadas como garotas de programa de luxo.

OBJETIVOS:

GERAL:

Partindo do princípio de que uma das características da pós-modernidade é a utilização do corpo para a expressão de identidades (GUIRALDELLI JUNIOR, 2007), bem como, da hipótese defendida por Goldemberg (2002) de que as mulheres precisam moldar e manter um corpo feminino dentro do “padrão desejável”, o objetivo geral desta pesquisa consiste em: investigar a construção social do corpo feminino a partir da prostituição de luxo e compreender o sentido que as mulheres atribuem a seus corpos.



ESPECÍFICO:

  1. Compreender como as garotas de programa procuram moldar seus corpos aos padrões exigidos? Como investem no corpo? O que pensam sobre esse investimento, bem como as exigências definidas sociedade? Quais são as prescrições estéticas, higiênicas e morais que são impostas às garotas de programa inseridas na categoria de luxo? Em resumo: como o corpo das prostitutas de luxo é construído socialmente, tanto no imaginário quanto na realidade.

  2. De que maneira são construídas as múltiplas identidades de pertencimento da garota de programa em contraposição a outros papéis como esposa, namorada, ficantes? Como são experienciadas essas relações? Como o corpo é ressignificado em cada situação?

  3. Dada a problemática e os detalhes apresentados em forma de questões, a pesquisa pretende ainda, em paralelo e como apoio a tese principal a ser desenvolvida, teorizar sobre o corpo, para além da prostituição em si. Nesse sentido, o presente estudo não se limita a relação entre prostituição feminina e corpo da mulher. Portanto, esta investigação não é apenas mais um trabalho que trata sobre a relação entre prostituição feminina e corpo. Mas consiste numa investigação que objetiva compreender o complexo vínculo entre pós-modernidade, técnicas corporais e construção social do corpo a partir de um universo feminino demarcado, qual seja o das garotas de programa de luxo.

JUSTIFICATIVA:

Uma pesquisa com essa problemática se apresenta como oportuna para se pensar o corpo como algo construído socialmente, ou seja, na e pela cultura, entendida esta como uma rede de representações construídas pela sociedade. Conforme afirma Silvana Goellner (2010, p. 29) investigações dessa natureza se deparam simultaneamente com um desafio e uma necessidade. Desafio por romper, de certa forma, com o olhar naturalista sobre o qual muitas vezes o corpo é observado, explicado e classificado. Necessidade, pois, ao desnaturalizá-lo as pesquisas revelam, sobretudo que o corpo é construído socialmente.

Procura-se, com esta investigação, lançar luz sobre as práticas corporais, uma espécie de jogo das aparências, que ocorrem no dia-a-dia, que para alguns, pode ser visto como situações mínimas ou, até mesmo, como banalidades. No entanto, conforme indica Michel Maffesoli, o jogo das aparências não pode mais ser visto como elemento sem importância ou frívolos da vida social. Mas, antes de tudo são expressões das emoções coletivas, que constituem uma verdadeira “centralidade subterrânea” um querer viver irreprimível que deve ser analisado (2005, p. 12).

É indubitável que este projeto se conecta a pesquisas já realizadas quando do mestrado (ALVES, 2010), porém quer trilhar outros caminhos. A razão é simples: ao concluir o trabalho de dissertação, inúmeras questões se mostraram ricas a outras abordagens, investigações e pesquisas voltadas para um campo aparentemente pouco explorado que é a prostituição feminina de luxo. Temática esta que instiga e motiva o presente trabalho.

O aprofundamento da pesquisa sobre o universo prostitucional, agora com outros problemas de investigação, com outro campo de dados, visando um novo universo, isto é, a construção social do corpo, se projeta como possibilidade de, ao final do doutoramento, aliada aos estudos já existentes, contribuir com uma investigação diferenciada.

METODOLOGIA:

Ao se construir uma pesquisa acadêmica, é natural que o pesquisador escolha determinadas obras que sirvam como exemplo não apenas no plano teórico/empírico. Mas sim, como inspiração analítica, metodológica propriamente dita. Neste contexto, propõe-se, a utilização de dois trabalhos que poderão servir de modelo para a construção da tese. De um lado Berger e Luckmann (2010) que analisam a construção social da realidade a partir de dois pólos, a saber: aquele externo ao indivíduo sendo definido como “realidade objetiva” e aquele interno pertencendo ao aspecto subjetivo referenciado como “realidade subjetiva”. De outro, Gadea (2007) quando ao analisar a dinâmica da pós-modernidade na América Latina, não se limita às fronteiras de seu campo empírico. O resultado do trabalho desse sociólogo uruguaio é muito mais uma análise teórica da pós-modernidade a partir da America Latina, que do na sociedade latino-americana em si mesma.

Desse modo, movido por Berger e Luckmann (2010) propõe-se um exame da construção social do corpo na pós-modernidade cuja estrutura analítica pode ser divida em: o corpo como realidade objetiva e o corpo como realidade subjetiva. Por outro lado, inspirado em Gadea (2007) o interesse consiste em efetuar uma análise da construção social do corpo “na” (e a “partir da”) prostituição feminina de luxo, estabelecer seus nexos com as questões mais amplas impostas pela dinâmica pós-moderna.

Assim, a investigação pretende transitar entre os limites do teórico e do empírico. Pois, compreender a construção social do corpo feminino para atuação na prostituição de luxo, impõe a necessidade de conceituar corpo, prostituição de luxo, pós-modernidade (teoria) e, ao mesmo tempo, tratar das formas como esses corpos são cotidianamente construídos, significados e ressignificados (empiria).

Gayatri Spivak (2010) é uma teórica que tem se destacado por sua crítica cultural contemporânea. Essa autora além de oferecer importantes orientações teóricas a partir da noção de sujeitos subalternos, também contribui metodologicamente com esta investigação, à medida que problematiza uma questão central nos estudos pós-coloniais, a saber: pode o subalterno falar?4

Desse modo, a partir das discussões de Spivak (2010), não se pretende falar pelas garotas de programa. Pois, segundo essa teórica indiana, ao falar pelo outro, o pesquisador reproduz as estruturas de poder e opressão, mantendo o subalterno silenciado sem lhe oferecer uma posição, um espaço de onde possa falar e, principalmente, no qual possa ser ouvido. Portanto, ao longo da produção da tese, trata-se de criar espaços por meio dos quais as garotas de programa possam falar. Para cumprir o exposto, a partir dos procedimentos de levantamento de dados, explicitados por Becker (2007) e Bauer e Gaskell (2002), pretende-se realizar entrevistas individuais semi-estruturadas com garotas de programa. A partir dessas falas, objetiva-se relacionar com a literatura sobre corporalidades para, ao final, responder e teorizar sobre a construção social do corpo feminino e as novas formas de ser mulher na pós-modernidade.



REFERENCIAL TEÓRICO:

Este trabalho se insere no âmbito das Ciências Sociais/sociologia. Mas, se filia teoricamente a um campo de investigação que vem sendo denominada por “Sociologia do Corpo”. Na busca de uma definição sobre o objeto dessa ramificação sociológica David Le Breton assim a define:

A sociologia do corpo constitui um capítulo da sociologia especialmente dedicado à compreensão da corporeidade humana como fenômeno social e cultural, motivo simbólico, objeto de representações e imaginários. Sugere que as ações que tecem a trama da vida quotidiana, das mais fúteis ou das menos concretas até aquelas que ocorrem na vida pública, envolvem a mediação da corporeidade. [...] Moldado pelo contexto social e cultural em que o ato se insere, o corpo é o vetor semântico pelo qual a evidência da relação com o mundo é construída. (LE BRETON, 2010, p.07)

Ao abordar o atual estatuto da sociologia do corpo, esse sociólogo indica que:

A sociologia do corpo, sem dúvida não é uma sociologia setorial como as outras, possui um estatuto particular no campo das ciências sociais (da mesma forma que a sociologia da morte, e pelas mesmas razões). Essa sociologia, quando toma as precauções epistemológicas adequadas, traça um caminho na diagonal dos conhecimentos constituídos ou a serem anunciados. A sociologia aplicada ao corpo desenha uma via transversal no continente das ciências sociais, cruza permanentemente outros campos epistemológicos (história, etnologia, psicologia, psicanálise, biologia, medicina, etc) diante dos quais afirma a especificidade de seus métodos e ferramentas de pensamento. Essa sociologia ainda está em construção, não obstante as aquisições de pesquisadores de diferentes nacionalidades (LE BRETON, 2010, p. 92).

Desse modo, a investigação que o presente projeto propõe ao buscar amparo na Sociologia do Corpo, se encontra diante de um promissor campo de abordagem. Pois, quando Le Breton (2010) afirma que “antes de qualquer coisa a existência é corporal” esclarece que é do corpo que nascem e se propagam as significações que fundamentam a existência tanto individual como coletiva. Nesse contexto, o corpo se torna o eixo da relação com o mundo e deixou de ser visto apenas a partir de uma perspectiva biológica, mas como “uma construção simbólica” (PORTER, 1992, p. 297), algo que os antropólogos há algum tempo vinham fazendo.

O corpo faz, assim, sua entrada triunfal na pesquisa em ciências sociais: J. Baudrillard, M. Foucault, N. Elias, P. Bourdieu, E, Goffman, M. Douglas, R. Birdwhistell, E. Hall, por exemplo encontram freqüentemente, pelos caminhos que trilham, os usos físicos, a representação e a simbologia de um corpo que faz por merecer cada vez mais atenção entusiasmada do domínio social. Nos problemas que esse difícil objeto levanta, eles encontram uma via inédita e fecunda para a compreensão de problemas mais amplos ou, então, para isolar os traços mais evidentes da modernidade. [...] Dedicam-se de modo mais sistemático a desvendar as lógicas sociais e culturais que se imbricam na corporeidade. (LE BRETON, 2010, p.08)

Diante desse quadro epistemológico, a tarefa que esta investigação toma para si, é a de compreender a corporeidade enquanto estrutura simbólica, para desta forma, poder identificar as representações, imaginários, desempenhos, enfim, a construção social do corpo, tanto de forma objetiva quanto subjetiva.

Será a partir dos conceitos e teoria dos Estudos Culturais britânicos – tradição do Centre for Contemporary Cultural Studies, da Universidade de Birmingham – que pretende-se fazer um estudo no âmbito da Sociologia do Corpo. Tendo em vista as características de um projeto de tese, não será visto neste momento o processo histórico de construção dos estudos culturais. Para esta finalidade existem vários trabalhos úteis que ao longo dos estudos para a escrita da tese serão retomados. Entretanto, uma bibliografia inicial em língua portuguesa pode ser constituída além dos escritos de Hall (2003a; 2003b), pelos trabalhos de Mattelar (2004) e Tomaz Tadeu da Silva (2004).

A escolha por essa abordagem teórica se justifica por duas razões. De um lado, em função de os Estudos Culturais se caracterizarem por seu projeto de estudo que consiste na abstração, descrição e reconstituição, em estudos empíricos, das formas como os indivíduos interagem cotidianamente. Assim sendo, pretende-se utilizar tais referências com o objetivo de analisar questões relacionadas às identidades e subjetividades corporais, partindo do pressuposto definido por Woodward de que a cultura molda a identidade ao dar sentido à experiência e ao tornar possível optar, entre várias identidades possíveis, por um modo específico de subjetividade (2000, p. 18-9). De outro, tendo em vista a problemática definida por esta investigação. Pois, analisar como se dá a construção social do corpo, exige, necessariamente, compreender a corporalidade como espaço de lutas e de conflitos simbólicos cujos significados são definidos culturalmente e, portanto, como a corporalidade da prostituta de luxo é construída e se articula com o cotidiano dessas meretrizes.

O eixo principal das pesquisas no âmbito dos Estudos Culturais tem sido as relações entre cultura contemporânea e sociedade, de modo que, formas culturais, instituições e práticas culturais, têm encontrado um vasto campo de possibilidades de abordagens. Tomaz Tadeu Silva sintetiza os objetivos dos Estudos Culturais na investigação da cultura em seu contexto histórico-social, utilização de novas metodologias e emprego de uma abordagem hermenêutica às questões de significados. Para ele, há uma heterogeneidade na perspectiva social adotada: há uma versão centrada nas questões de gênero, outra nas questões de raça, ainda outra em questões de sexualidade, embora existam, evidentemente, intersecções entre elas (2000, p. 133).

Assim, um dos objetos de estudo que tem recebido ampla atenção nos Estudos Culturais, tem sido as formas de subjetividade, isto é, o lado subjetivo das relações sociais. Por meio do conceito de subjetividade é possível compreender “quem sou” e “quem somos” no âmbito da cultura, de modo que as identidades tanto individuais quanto coletivas, são investigadas. Desse modo, saber quem é a garota de programa de luxo, como ela vê a si mesma e seu corpo e como os outros a vêem, são notas importantes, a partir dos estudos culturais no presente trabalho.

Tendo aqui exposto que a pesquisa pretende trilhar pela Sociologia do Corpo, a partir dos Estudos Culturais, é chegado o momento de apresentar alguns conceitos que serão utilizados como uma espécie de ferramenta para a construção da tese. Dentre eles, destacam-se: gênero, identidade, subjetividade, técnicas corporais, biopolítica e subalternidade.

No que diz respeito às questões de gênero, ao discutir a entrada da teoria feminista no cenário das análises sociais, bem como as diferenças de gênero a socióloga Miriam Adelman enfatiza que “todo fenômeno social tem uma dimensão de gênero que exige ser indagada” (ADELMAN, 2002, p. 49). Em razão disso, se os fenômenos sociais tem uma dimensão de gênero, também gênero é um fenômeno social e deve ser tomado como socialmente construído na teia de significados que a sociedade dá, por exemplo, ao corpo feminino e particularmente a da prostituta de luxo.

Joan Scott (1990) conceitua gênero como uma categoria relacional. Ou seja, indicando o termo gênero para o entendimento dos estudos das relações sociais entre homens e mulheres, visando à compreensão de como essas relações são organizadas em diferentes sociedades, épocas e culturas. Em linhas gerais, a proposta se divide em duas partes: de um lado, gênero como um elemento constitutivo de relações sociais baseados nas diferenças entre os sexos; e de outro, é uma forma primeira de significar as relações materiais e de afeto.

Assim sendo, o conceito de gênero se constituirá como uma categoria útil de análise, pois permitirá olhar para essas significações e ressignificações corporais. Nesse contexto, será mister trazer para o debate a teoria – performance de gênero – desenvolvida por Judith Butler (2010) ao demonstrar que gênero implica em significados culturais que são, antes de tudo, performativos. Essa autora propõe a noção de performatividade revelando que

ao considerar o gênero como um estilo corporal, um “ato”, por assim dizer, que tanto é intencional como performativo, onde “performativo” sugere uma construção dramática e contingente de sentido. [...] O gênero não deve ser construído como uma identidade estável ou um lócus de ação do qual decorrem vários atos; em vez disso, o gênero é uma identidade tenuamente constituída no tempo, instituído num espaço externo por meio de uma repetição estilizada de atos. O efeito do gênero se produz pela estilização do corpo e deve ser entendido, conseqüentemente, como uma forma corriqueira pela qual os gestos, movimentos, e estilos corporais de vários tipos constituem a ilusão de um eu permanente marcado pelo gênero. [...] se o gênero é instituído mediante atos internamente descontínuos, então a aparência de substancia é precisamente isso, uma identidade construída, uma realização performativa [...] as várias maneiras como o corpo mostra ou produz sua significação cultural, são performativos (BUTLER, 2010, p. 199-201).

O cruzamento das noções de performance e gênero permitirá vislumbrar as identidades de gênero como corporificação em que a representação social de gênero é constantemente ressignificada e transcritas nos corpos. Nesse contexto, é válido a contribuição de Miriam Adelman, que ao discutir a teoria de Butler, esclarece que a noção de gênero como performativo não deve ser interpretado como um voluntarismo, ou seja, como uma máscara, uma fantasia que se coloca, ou uma identidade que muda de um dia para o outro. Trata-se da “repetição ritualizada” por meio da qual normas sociais são reproduzidas e estabilizadas (2002, p. 58).

O conceito de identidade será de grande valia, pois o corpo da garota de programa se apresenta como palco de diversas identidades. Dentre elas, destacam-se: o corpo como local de identificação de garota de programa, mulher, namorada, esposa, mãe, entre outros. Essas diferentes identidades corporais adquirem sentido através de lógicas simbólicas próprias, pelos quais elas são representadas. Considerando essa pluralidade de identidades, percebe-se que o corpo que ganha significado e, ao mesmo tempo, é ressignificado constantemente. São essas significações e ressignificações corporais que interessa para a presente pesquisa, na tentativa de desvendar quais são essas lógicas simbólicas próprias que estão por trás dessas construções identitárias. Concordando com Woodward, de que “a identidade é marcada por símbolos” (2000, p. 09) importa compreender quais são os símbolos corporais utilizados para a demarcação das distintas identidades, em diferentes papéis assumidos pela mesma mulher.

Vale ressaltar que nesta investigação a identidade não é tomada a partir da perspectiva que a relaciona como algo fixo. Aqui, ela é vista como relacional, fragmentada, reconstruída (HALL, 2005), pois a identidade é, segundo Woodward, “marcada pela diferença” (2000, p. 09). Como mostra Louro (2003, p. 12) “reconhecer-se numa identidade supõe estabelecer um sentido de pertencimento a um grupo de referência”. No entanto, tal prática não cria laços de estabilidade, de tal modo que uma garota de programa é acima de tudo, um sujeito de múltiplas identidades cuja característica é a fase transitória, ou seja, não fixa, já que a garota de programa, não é apenas isso, mas em tempos distintos também mãe, esposa namorada etc.

Admite-se que uma garota de programa de luxo, também desempenha várias funções, enfim, ela é, antes de tudo, uma mulher que também possui uma vida própria fora do contexto da prostituição (BACELAR, 1982). São formas diferenciadas nas quais elas se percebem como diferentes sujeitos, com outros interesses e estilos de vida. Aqui reside a transitoriedade de identidades que será analisada pela pesquisa.

Aliado com o conceito de identidade, a presente pesquisa deverá utilizar também o conceito de subjetividade, entendido como algo que

sugere a compreensão que temos sobre o nosso eu. O termo envolve os pensamentos e as emoções conscientes e inconscientes que constituem nossas concepções sobre “quem nós somos”. A subjetividade envolve nossos sentimentos e pensamentos mais pessoais. O conceito de subjetividade permite uma exploração dos sentimentos que estão envolvidos no processo de produção da identidade e do investimento pessoal que fazemos em posições específicas de identidade. Ele nos permite explicar as razões pelas quais nós nos apegamos a identidades particulares. (Woodward, 2000, p. 56).

Assim, é por meio do conceito de subjetividade que se pretende compreender os sentimentos e posicionamentos pessoais dessas mulheres no tocante à construção social do corpo. Pois, se a noção de identidade permite perceber como esses corpos são construídos socialmente, o de subjetividade oferece o potencial necessário para a compreensão do que elas pensam sobre seus corpos, cultura e sociedade, bem como as razões para a tomada de determinadas atitudes. Dessa forma será possível analisar as possíveis contradições entre a subjetividade e a identidade corporal.

Ao tratar das lógicas sociais e culturais do corpo, como o pano de fundo dessa construção social, torna-se importante valer-se de aspectos da teoria de Marcel Mauss (2003), em especial “Técnicas do corpo/técnicas corporais e imitação prestigiosa” conceitos trazidos pela primeira vez por ele, em 1930. Segundo Mirian Goldemberg, Mauss tem sido uma referência obrigatória para aqueles que querem compreender um fenômeno característico dos tempos atuais: a valorização de um determinado tipo de corpo feminino (2002, p. 87).

Para Mauss (2003), os hábitos, costumes, crenças e tradições de cada cultura, são aplicadas ao corpo. Desse modo, é possível falar numa construção cultural do corpo, onde existem determinadas valorizações de certos atributos, em detrimento de outros, em que o pano de fundo é o enquadramento no modelo socialmente estabelecido.

É precisamente na noção de prestígio da pessoa que torna o ato autorizado, em relação ao indivíduo imitador, que se encontra todo o elemento social das técnicas corporais. É possível afirmar que o “culto ao corpo”, com todos os rituais de embelezamento, rejuvenescimento e modelagem das formas a ele associados, deve grande parte de sua propagação a uma imitação, baseada no prestígio conferido àquelas (e àqueles) que ostentam um físico dentro de determinado padrão estético (GOLDEMBERG, 2002, p. 88).

Diante da citação acima, a pergunta que se impõe é: afinal, que tipo de corpo as mulheres, mais especificamente as garotas de programa de luxo, procuram imitar?

Por fim, Michel Foucault a partir da conceitualização de “biopolítica”, permitirá compreender o papel do corpo na transformação da política em biopolítica. É no livro “história da sexualidade: a vontade de saber” (Foucault, 1988) que esse filósofo relaciona com mais intensidade a relação poder/saúde/corpo/vida e começa a delinear a noção de biopolítica. Foi no Rio de Janeiro que o termo aparece pela primeira vez na palestra intitulada “O nascimento da medicina social” (Foucault 1979). Foi no período de 1974 a 1979 que o termo biopolítica foi se delineando, assumindo diferentes contornos, maior complexidade e importância nas pesquisas empreendidas por Michel Foucault. Desse modo, o problema da biopolítica não se encontra apresentado de uma vez por todas, desenvolvido e acabado num único trabalho (GADELHA, 2009, p.81).

Em sua elaboração inicial, assim foi definido:

Minha hipótese é que com o capitalismo não se deu a passagem de uma medicina coletiva para uma medicina privada, mas justamente o contrário; que o capitalismo desenvolvendo-se em fins do século XVIII e início do século XIX, socializou um primeiro objeto que foi o corpo enquanto força de produção, força de trabalho. O controle da sociedade sobre os indivíduos não se opera simplesmente pela consciência ou pela ideologia, mas começa no corpo, com o corpo. Foi no biológico, no somático, no corporal que, antes de tudo, investiu a sociedade capitalista. O corpo é uma realidade bio-política (FOUCAULT, 1979, p. 80)

Assim, para não se limitar ao conceito de disciplina, trata-se de compreender de que maneira a noção de biopolítica nos ajudará a compreender a construção social do corpo feminino na pós-modernidade.

Por fim, as trilhas teóricas e conceituais acima descritas, se constituem num caminho, dentre tantos outros, a ser seguido, cujo resultado será a possibilidade de se encontrar chaves analíticas que propiciem uma melhor compreensão da construção, bem como, dos usos sociais do corpo na pós-modernidade.

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1 Ante-projeto de tese desenvolvido pelo autor no doutoramento em Ciências Sociais da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Rio Grande do Sul.

2 Doutorando em Ciências Sociais pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Rio Grande do Sul.

3 O número de mulheres que irão compor o universo de entrevistadas, será definido em comum acordo com o orientador.

4 A autora não utiliza o termo subalterno para se referir a todo e qualquer sujeito marginalizado. Essa é uma das diferenciações que serão esclarecidas ao longo da construção da tese.



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