A cultura Chinesa na visão do Ocidente



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Oriente – Ocidente


Jean Riviere

As dificuldades de uma aproximação cultural.

O conhecimento do Oriente parece agora necessário -e poderíamos até mesmo dizer obrigatório-, mas está semeado de dificuldades, de preconceitos, de obstáculos e de incompreensão. Mas, como em seguida se verá, esta situação não se deve só a uma grande ignorância, que poderia se corrigir com estudo, reflexão e boa educação; o problema é mais profundo, porque corresponde a atitudes inconscientes do espírito, à psicologia, à semântica.

Estas dificuldades na aproximação entre o Oriente e o Ocidente foram salientadas por vários autores, como F. C. S. Northrop, que afirmou que a diferença principal entre a atitude de ambos os mundos provém de uma oposição fundamental entre seus conceitos filosóficos básicos e que o problema é, na realidade, espiritual. Carl Gustav Jung (1875-1961), no seu comentário psicológico, publicado no “Livro Tibetano da Grande Libertação”, estuda detalhadamente este assunto.

Segundo Jung, o Ocidente deu origem a uma nova doença: o conflito entre ciência e religião que, no fundo, é uma incompreensão mútua. Este dualismo não existe no Oriente, porque nenhuma ciência se baseia na paixão experimental e nenhuma religião na fé pura. O Oriente baseia-se na realidade psíquica, ou seja, na psique enquanto principal e única condição de existência. A introversão é o "estilo do Oriente", atitude coletiva e habitual, assim como a extroversão é o "estilo do Ocidente", o que dá origem a um grave conflito emocional entre os pontos de vista orientais e ocidentais. O Ocidente cristão considera o homem dependente da graça divina ou, pelo menos, da Igreja. enquanto que instrumento terrestre exclusivo e divinamente reconhecido para a redenção humana. O Oriente insiste no fato de que o homem é a única causa do seu desenvolvimento superior, visto que acredita na libertação por si próprio.

A oposição aparece assim como fundamental: o Ocidente é e permanece profundamente cristão, quer dizer, judaico-grego no que se refere à sua psicologia; subestima a psique humana, por considerá-la suspeita. Para ele, o homem é pequeno e está muito próximo do nada. Jung sublinha: "Por medo, arrependimento, promessas, submissão, humilhação voluntária, boas ações e elogios,' mostra-se favorável ao grande poder, que não está nele, mas sim no outro, na única Realidade. Se transpusermos ligeiramente a fórmula e substituirmos Deus por qualquer outro poder, por exemplo, o mundo ou o dinheiro, teremos uma imagem completa do homem ocidental-constante, temente, piedoso, voluntariamente humilhado, empreendedor, cobiçoso e violento no seu afã em conseguir bens terrenos... A atitude oriental contradiz a ocidental e vice-versa. Não se pode ser um bom cristão e conseguir por si só a redenção, nem um bom budista e adorar a Deus... A atitude oriental viola os valores especificamente cristãos: Não podemos negar o reconhecimento deste fato." O problema complica-se ainda mais com as antinomias semânticas, com as formas de linguagem. Sabemos, já há muito tempo, que entre as formas lingüísticas e o pensamento há uma relação e uma correspondência mútuas, mas o uso das mesmas palavras, para significar ou traduzir conceitos diferentes, é fonte de confusões, mal-entendidos e graves incompreensões. Toda a questão semântica desempenha, a nosso ver, um papel importante na aproximação entre o Oriente e o Ocidente. Ludwig Wittgenstein (1889-1951), Benedetto Croce (1866-1952) e Ferdinand de Saussure (1857-1913) demonstraram o drama da solidão de quem fala, da incomunicabilidade humana, drama de massas, como sustenta José Ortega y Gasset (1883-1955): “duo si idem, non est idem” (dois, embora idênticos, não formam uma identidade). Os psicólogos assinalaram a existência de uma estreita relação entre a rede de associações verbais e os fenômenos emotivos e de memória; a língua "aprende-se", segundo os hábitos de uma determinada sociedade; o significado da palavra está em função do uso, mas do uso socialmente regulamentado e coordenado. A comunicação humana, por intermédio da linguagem, não é perfeita; há sempre um número indefinido de possibilidades, convenções parciais de compreensão, o que deu lugar, entre os especialistas da língua, ao chamado "ceticismo semântico".

Os obstáculos

Se se fizer o balanço sincero das tentativas de compreensão e de diálogo entre o Oriente e o Ocidente, devemos reconhecer que é infelizmente negativo. O fundo da questão é essencialmente uma oposição entre conceitos filosóficos fundamentais, entre duas visões do mundo diametralmente opostas; as diferenças econômicas e políticas, variáveis por definição, não são mais do que conseqüências.

Entre os obstáculos que se opõem a uma aproximação de ambos os mundos destacam-se em principio as divergências que derivam do amor-próprio, as ofensas ao orgulho nacional, principais motivos de mal-entendidos. O Ocidente deve abandonar definitivamente a idéia vã e ultrapassada de que a sua cultura representa a única civilização válida, original e digna de interesse para o mundo inteiro. A filosofia não se inicia com os pré-socráticos. Deve abandonar também a sua tendência para dominar política e economicamente os seres débeis, com o pretexto de que os mais elevados interesses da humanidade, ou seja, os seus, estão em jogo. O colonialismo militar, hipocritamente transformado em colonialismo econômico, deu origem na Ásia a profundos e tenazes complexos. Esta brutal forma de domínio constitui um obstáculo insolúvel para se chegar a uma mútua compreensão de valores culturais.

Os fatos históricos devem ser respeitados nos manuais de ensino e demais meios de comunicação (livro, rádio, televisão). A História deve ser íntegra e autêntica. Os períodos obscuros - e todos os povos, sejam quais forem, tiveram épocas de obscurantismo moral - não devem ser dissimulados mais nos livros ocidentais do que nos orientais.

Uma vez afastados os obstáculos devidos ao orgulho e o afã de poder, o Ocidente poderá contemplar, e talvez descobrir com assombro, a secreta beleza de uma flor exótica de extraordinário valor cujas culturas longínquas e estranhas ignoravam. As civilizações orientais, cheias ainda de tradições vivas de um passado longínquo, são dignas de estudo se se lhes der a devida atenção. O Ocidente contaminou a Ásia, mas felizmente a industrialização não substituiu todas as correntes espirituais; as crenças, as tradições, as práticas não desapareceram completamente. Basta deixar as capitais da Ásia e percorrer, em carroças puxadas por bois, as antigas aldeias ainda governadas pela tradição, aldeias que ainda são analfabetas, para se encontrar um ritmo natural, uma sabedoria prática, um equilíbrio das relações humanas, já há muito tempo esquecidos no Ocidente. O turista que nunca aprofunda as coisas se surpreenderia por encontrar tanta alegria paralela a tanta miséria.

O problema no conjunto é complexo, visto inserir-se na psicologia das massas, na dramática experiência das relações entre os homens. Ao examinar outros povos e outras raças descobrimos novas realidades psíquicas, tradições familiares e nacionais, convenções sociais e religiosas que os indivíduos destas raças adaptaram ao meio em que vivem. As normas tradicionais, as crenças aceitas desde a infância, mergulhadas no subconsciente, adquiriram um caráter absoluto e intransigente. A inibição é muito freqüente e bloqueia a espontaneidade perante a intrusão do "estrangeiro". O ser humano concreto é de uma complexidade tal que só se pode formular um juízo sobre sua estrutura com reservas, já que um fator novo e oculto, não reconhecido, pode intervir e modificar bruscamente seu comportamento e destruir o trabalho de aproximação, realIzado com tanto custo. Os obstáculos citados pertencem a essa ordem de idéias e por isso o problema da abertura que possa facilitar uma compreensão mútua é difícil. Os recentes trabalhos da UNESCO, bem como seus resultados, confirmaram o que atrás se afirmou.

 

A abertura Religiosa

Ao longo deste trabalho se tem dito que as culturas orientais são profundamente religiosas; a sua forma de expressão, filosofia e até a sua propaganda têm esse aspecto. O homem oriental está ligado ao sagrado, que explica através da linguagem e do comportamento. Nas sociedades asiáticas tradicionais, que constituem as bases das massas orientais contemporâneas, o social, o familiar, a técnica e o sagrado estão indissoluvelmente ligados. Mas seria errôneo julgar que se trata somente de uma posição sociologicamente organizada, originada na angústia e no medo, no temor ao destino e à morte. Esta explicação fácil do fenômeno religioso, muito em voga no Ocidente, permitiu ao europeu afirmar uma atitude de homem forte, liberto dos temores ridículos da Idade Média, mas esta é uma explicação falsa. A antropologia religiosa demonstra que o sagrado é um elemento da própria estrutura do homem e não uma etapa da sua história mental. A presente realidade corresponde muito mais marcadamente a uma dessacralização das culturas ocidentais, que esqueceram as suas hierofanias e o sentido do sagrado, a uma laicização geral, já assinalada e estudada por muitos autores. É oportuno referir que o fenômeno nunca é definitivo e que qualquer cultura, pelo fato de estar "viva", gera um novo halo "sagrado", que suporta e justifica suas ações, na exata medida em que este "sagrado" é o próprio mundo do homem, elevado acima da práxis quotidiana, como refere o Prof. Michel Meslin. É fácil observar este novo "sagrado" ocidental no culto da ciência, no desporto, na ideologia política, começando nos "nacionalismos". Um notável exemplo destas novas religiões é o comunismo radical, com seus "santos", sua "Igreja", sua inquisição, suas confissões, seu dogmatismo, suas heresias e seus desvios.

Nas tentativas de aproximação Oriente-Ocidente, seria um esquecimento imperdoável a omissão da abertura religiosa; este tema esteve latente ao longo do presente trabalho. No diálogo entre ocidentais e orientais, sempre será colocado, num momento ou em outro, o problema da religião, ou, pelo menos, da reação psicológica religiosa.

Esta abertura religiosa é delicada e difícil, porque roça o irracional, o emotivo, as forças subconscientes, bases da exaltação mística, que não admitem obstáculos no seu caminho, como já se disse. Até agora o Ocidente tentou converter o Oriente, o que foi até uma das causas das Cruzadas, e a razão de ser dos missionários, durante séculos, a do estabelecimento de igrejas cristãs no Oriente. Infelizmente, esta presença missionária foi acompanhada por ações militares e pelo interesse econômico do colonialismo europeu. A experiência fracassou.[...] O Oriente nunca aceitará qualquer forma religiosa exclusiva, que provenha da Europa. A prova foi feita e é fácil tirar as respectivas conclusões.

Um aspecto inverso do problema é formado pela atração que certas formas religiosas orientais exercem sobre as ocidentais e o desejo de conversão e de síntese que dele deriva. Surgem no Ocidente os neobudistas, os neo-hinduístas, os “neo-yoguis”. Criaram-se centros de divulgação destas doutrinas; muitos possuem unicamente uma atividade lucrativa e não há necessidade de nos ocuparmos deles, embora seja de lamentar a respectiva clientela. No entanto, outros trabalham de boa fé e acreditam inaugurar uma nova etapa de sincretismo religioso que aproximará o Oriente do Ocidente.

Jung escreveu páginas definitivas sobre essas tentativas, na sua introdução psicológica aos textos tibetanos já referidos. A respeito dessas "conversações" escreveu: "Não posso deixar de colocar o problema de saber se é possível, e até desejável, que cada um adote o ponto de vista do outro. A diferença entre ambos - o oriental e o ocidental- é tão grande que não se vislumbra nenhuma possibilidade racional e menos ainda qualquer oportunidade. Não se pode misturar o fogo e a água...Para tomar autêntica a nossa nova atitude, isto é, para que se baseie na nossa própria história, devemos aceitá-la com plena consciência dos valores cristãos e dos conflitos existentes entre eles e a introvertida atitude oriental. Devemos alcançar os valores orientais internos e não os externos, procurando-os em nós mesmos, no inconsciente... Aquilo que podemos ensinar em matéria de conhecimento espiritual e de técnica psicológica, em comparação com o yoga, parece tão atrasado como a astrologia e a medicina orientais comparadas com a ciência ocidental. Não nego a eficácia da Igreja cristã; mas se compararmos o “Livro dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola”, com o yoga, ficará bem claro o que pretendo dizer. Existe entre eles uma diferença muito grande. Passar diretamente deste nível para o yoga oriental seria tão desacertado como a repentina transformação dos povos asiáticos em europeus fracassados. Tenho sérias dúvidas sobre o benefício da civilização ocidental e grande apreensão em relação a adoção da espiritualidade oriental no Ocidente".

Esta citação de Jung era indispensável para esclarecer o problema. Deve-se acrescentar que as tentativas de comparação de diversas formas religiosas para obter juízo de valor foram em vão. A morfologia das religiões demonstra que constituem a substância das culturas. Uma religião é um conjunto estrutural que possui seus dogmas, sua metafísica, seu culto, sua escatologia, etc. Não se pode separar nenhum elemento sem perigo de alterar o conjunto ou de criar uma nova religião. Desde que, no século passado, o Ocidente descobriu o budismo escreveram-se centenas de obras para tentar provar a superioridade desta religião sobre o cristianismo e vice-versa. Esta religião foi exaltada por puro sentimentalismo e foi, simultaneamente, ignorada por filósofos românticos, poetas, escritores anticlericais. Os defensores da tradição cristã depreciaram-na e desfiguraram-na por necessidade de defesa da sua própria causa. Efetivamente estas duas formas de religião não admitem comparação porque seus fundamentos são muito diferentes, devido tanto à personalidade de seus fundadores, como às suas bases de ensino ou ao seu conceito da salvação. Nada mais diferente entre si pela base e pela forma, que os Sutras budistas e os Evangelhos cristãos. Buda nunca quis ser um Salvador, mas sim um guia no caminho da libertação espiritual, um "iluminado", como seu nome indica, que chegou a tal estado por intermédio das técnicas de meditação, que ensinou a seus discípulos. A comunidade, o sangha, que reuniu os ascetas que se sucederam, não foi nunca uma Igreja no sentido ocidental da palavra porque nunca teve uma hierarquia sacramental; não há no budismo o conceito de Deus no sentido judaico-cristão do termo. O mesmo poderíamos dizer do hinduísmo, do daoísmo e de outras formas religiosas asiáticas. Nestas questões chega-se sempre a um núcleo irredutível a qualquer investigação humana.

Se se pretender estudar as possibilidades de sincretismo das diversas formas sociológicas do sagrado, do transcendente, devem procurar-se as soluções num plano mais elevado, o da intuição metafísica. Bergson compreendeu-o ao escrever que "só podemos compreender o Absoluto através da intuição, enquanto que o resto depende da análise". Esta intuição afeta o ser na sua essência. Sobre tais bases é possível a comunhão das formas religiosas do Oriente e do Ocidente. Rudolf Otto estudou-a ao comparar duas grandes personalidades religiosas, o Mestre Johann Eckart (cerca de 1260- 1327) e o metafísico hindu Shankara (cerca de 788-820), nos seus respectivos caminhos para a posse da visão da unidade; aí estão dois místicos, um, o grande mestre do Ocidente germânico e o outro, o mais famoso filósofo hindu, fundador da escola dos Vedanta e da Ordem dos Sannyasines que ainda existe na Índia. A concordância entre ambos os mestres é extraordinária, apesar de suas origens diferentes e de sua formação teológica e escolástica, que nada têm em comum. A semelhança da sua posição mística e da especulação que à volta disso se faz é sublimada pelo Prof. Otto. Evidentemente, o professor alemão luterano inclina a balança a favor de seu concidadão porque, como teólogo cristão, assusta-o a mística oriental hindu devido a sua teologia negativa, ao seu "vazio", símbolo muito freqüente na metafísica oriental. Reconhece, porém, o caráter comum numínico da descoberta do abismo espiritual.

Neste ponto já não existe Oriente nem Ocidente, mas sim, um grande mistério onde tudo é silêncio e experiência pessoal; chega-se ao umbral da consciência, onde nada se pode dizer, mas unicamente indicar. Sobre este aspecto a antiga sabedoria asiática, velha conhecedora de todos os recônditos da psicologia mais profunda, e que põe em prática métodos de introspecção experimentados durante séculos, poderá ser um guia seguro e expediente na descida sempre perigosa ao Abismo.

Interação entre Linguagem e Pensamento Chinês

Yu Kuang Chu

Que linguagem e cultura estejam intimamente relacionadas é observação corriqueira, para aqueles que tenham estudado uma língua estrangeira. São, entretanto, relativamente poucos os que esquadrinharam especificamente a possibilidade de a estrutura de uma linguagem condicionar os processos do pensamento e, vice-versa, a de mudanças radicais no pensamento acabarem acarretando reformas estruturais na linguagem.

Presidindo encontros acadêmicos, como decano de uma universidade chinesa dotada de um corpo docente internacional bilíngüe, descobri que, se pretendesse estimular a solução de um problema à maneira chinesa, com a ênfase que ela empresta aos meios indiretos e ao sentimento, bastava-me falar chinês para dirigir a discussão; ao passo que, se desejasse lidar com o problema de maneira objetiva e direta, segundo os regulamentos, deveria valer-me do inglês. Como os membros do corpo docente respondiam pensando e falando numa ou noutra das duas línguas, eles faziam apelo a duas séries algo diferentes de processos mentais e de hábitos conceituais. Isto era válido tanto para os docentes chineses, quanto para os ocidentais.

O autor deste ensaio é presidente do Programa de Estudos Asiáticos do Skidmore College, de Saratoga Springs, Nova Iorque. O Dr. Chu lecionou na Lignan University, na Yenching University e no National Teachers College, na China, antes de vir para a América como professor de Cultura Chinesa, em Pomona. É bastante conhecido em todo o país e no Extremo Oriente graças ao seu trabalho pioneiro no campo dos estudos interculturais. Este artigo foi originalmente publicado em Topic: A Journal 0f the Liberal Arts, Washington and Jefferson College, Washington, Pennsylvania.

Demonstrar uma interação entre linguagem e pensamento é urna coisa; outra bem diferente, apontar-lhe a causa e o efeito sob qualquer aspecto específico. É como a proverbial questão da galinha e do ovo. Para facilitar a análise, a primeira parte deste ensaio, que trata do pensamento tradicional chinês, adotará, de modo geral, o ponto de vista de que a estrutura da linguagem influenciou os processos mentais, embora se pudesse defender a tese contrária. Na parte final do ensaio, indicar-se-á de que maneira as concepções ocidentais que se conseguiram impor na China moderna levaram às diversas reformas que estão atualmente ocorrendo na língua.



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