A cultura Chinesa na visão do Ocidente



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Notas


1. Para uma descrição completa da língua chinesa feita por um lingüista ilustre, consultar Yuen Ren Chao Mandarin Primer (Cambridge, Mass., 1961), pp. 3-71.

2. Literary Chinese by lhe lnductive Method, 3 vols. (Chicago, 1939-1952), I, p. 3.

3. Sheng-hu-Chu, The Seven English Speech Tones, Analyzed and identified with Musical Tones and Chinese Speech Tones, by Jee Sane Woo (Nova Iorque, 1959).

4. Gilbert W. King e Hsien-Wu Chang, "Machine Translation of Chinese", Scientific American (junho, 1963) p. 130.

5. Ernest F. Fenollosa, The Chinese Written Character as a Medium for Poetry (Londres, 1936).

6. Histórias interessantes sobre a origem dos caracteres chineses individuais, ilustradas e contadas de maneira imaginativa, muitas das quais são etimologicamente verdadeiras, podem ser encontradas em Rose Quong, Chinese Wit, Wisdom, and Written Characters (Nova Iorque, 1944).

7. Benjamin Lee Whorf, Language, Thought, and Reality (Cambridge, Mass. 1956), pp. 140 55.

8. Em chinês, a preposição vem depois do nome, em lugar de precedê-lo como em inglês. Visando à inteligibilidade, inverti a ordem das terceira e quarta palavras em cada linha da tradução, mas não na versão romanizada.

9. Para urna descrição mais completa deste e de outros tipos de poesia chinesa e das técnicas literárias neles implicadas, consultar James J. Y. Liu, The Art of Chinese Poetry (Chicago, 1962).

10. Tung-Sun Chang, “A Chinese Philosopher's Theory of Knowledge", ETC., IX, N.o 3 (Primavera 1952, pp. 203-226). 246

11. Consultar Harvard University, General Education in a Free Society (Cambridge, 1945), pp. 65-67). Esse trecho analisa três tipos de pensamento efetivo que, embora não mutuamente exclusivos, possuem cada qual a sua área de adequação na mente humana: reflexão lógica em Ciências Naturais, reflexão relacional nos Estudos Sociais e reflexão imaginativa em Humanidades. No pensamento Chinês, até a reflexão imaginativa tem laivos da reflexão relacional.

12. Yuen Ren Chao, "How Chinese Logic Operates", Anthropological Linguistics, I, N.o 1, pp. 1-8

13. Para uma descrição direta feita pelo mais notável líder desse movimento, consultar Shih Hu, The Chinese Renaissance (Chicago, 1934).

14. Para outras práticas gramaticais que estão aparecendo, consultar Yuen Ren Chao, "What is Correct Chinese?", Journal of the American Oriental Society, 81, N.o 3 (agosto-setembro 1961), pp. 171-177.

15. Este ensaio emprega o sistema Wade-Giles para a romanização dos caracteres chineses. Por conseguinte, as romanizações aqui não deverão ser tomadas como exemplos de escrita alfabética segundo o novo sistema.

16. Exemplos curiosos de ambigüidades podem ser encontrados em Yuen Ren Chao, "Ambiguities in Chinese", Studia Serica Bernhard Karlgren dedicata (Copenhague, 1959).

17. Para um sumário da discussão teórica referente à reforma lingüística na China, e seus antecedentes históricos, consultar Paul L.-M. Serruys, Survey of the Chinese Language Reform and the Anti-Illiteracy Movement in Communist China (Berkeley, Calif., 1962).

18. Ways of Thinking of Eastern Peoples: India, China, Tibet, Japan, ed. rev. (Honolulu, 1964).


Origens Históricas e as Primeiras Dinastias

W. Morton


A espécie humana ou quase-humana viveu na China durante um longo período. Em 1923 encontraram-se numa caverna de pedra calcária, perto de Pequim, os restos de uma criatura, o Sinanthropus pekinensis, ou homem de Pequim, que por certo já andava em posição vertical, utilizava o fogo e tinha uma capacidade craniana de cerca de dois terços da do homem moderno. Certas características físicas de um tipo racial mongólico, ainda hoje encontradas nos chineses modernos, eram já reconhecíveis no homem de Pequim. No mesmo nível estratigráfico foram encontradas ferramentas primitivas de pedra e restos de animais, inclusive de búfalo, gamo, carneiro, porco selvagem e rinoceronte. Há indicações de que tais vestígios datem do período interglacial, quente e seco, do Plistoceno Médio, cerca de 500 mil anos atrás. Em 1963, foi descoberto em Lantian, perto de Xian, na província de Shaanxi, um outro hominídeo, talvez 100 mil anos mais antigo do que o homem de Pequim, cujo cérebro era um pouco menor do que o deste último, mas, ainda assim, consideravelmente maior do que o de qualquer símio antropóide a fóssil foi chamado de Sinanthropus lantianensis.

As Primeiras Culturas

A data do homem de Pequim corresponde aproximadamente à da cultura acheulense e é atribuída ao Paleolítico Inferior. Decorrido um imenso intervalo de tempo, restos mortais humanos ou vestígios de ocupação humana, encontrados na província de Guangdong, no Sul da China, na de Hubei, na China central e na região do deserto de ardas, no Norte, são atribuídos em princípio ao Paleolítico Médio, de 200 a 100 mil anos antes de nossa era. O surgimento do homem do Paleolítico Superior, agora indubitavelmente Homo sapiens, ocorreu na caverna superior em Zhoukoudian, o mesmo sítio do homem de Pequim, por volta de 35 mil anos a.C., numa época que corresponderia à do homem de Cro-Magnon. Há um bom número de outros sítios que contêm ferramentas e ossos humanos da Idade da Pedra Antiga na China, que se estendem, no espaço, desde a Manchúria à China meridional e, no tempo, até o ano 10000 a.C. Ferramentas semelhantes encontraram-se ao norte do lago Baikal na Sibéria e indicam uma única cultura sino-siberiana do Paleolítico Superior. Alguns sítios contêm ferramentas microlíticas formadas de pequenas lascas de pedra montada em madeira ou osso. Esse tipo de ferramenta é encontrado em toda a Europa e Ásia e geralmente aparece pouco antes do surgimento da grande revolução pressagiada pelo período neolítico dos utensílios de pedra polida, da prática da agricultura e da fabricação da cerâmica.

O cenário social mudou enormemente nos tempos neolíticos. O homem neolítico viveu uma existência comparativamente sedentária em aldeias, tais como a descoberta em Banpo (Shaanxi), que mede 200 por 100 m e está rodeada por um fosso profundo que servia, ao mesmo tempo, para defesa e irrigação. As casas eram semi-subterrâneas, redondas ou retangulares, com pilares centrais que sustentavam um telhado de barro ou palha. As paredes eram de terra batida e, no interior, havia fomos, prateleiras e bancos, todos de barro; em alguns casos o chão tinha um acabamento de barro branco. A população dedicava-se à agricultura, à caça e à pesca. Ferramentas e armas de pedra, inclusive machados, raspadeiras e machadinhas, pertenciam às variedades lascada e polida. Havia pontas de flecha, arpões e agulhas de osso. O painço, o principal cereal, era armazenado em poços subterrâneos em forma de pêra. A dieta de proteína deve ter sido variada, pois se encontraram ossos de porco, cachorro, carneiro, cabrito e gamo. Perto de Banpo há 250 túmulos nos quais os adultos estão enterrados em covas individuais retangulares; as crianças, em umas ao lado das casas.

Na China como em outros lugares os tipos de cerâmica são úteis para se distinguir entre as culturas primitivas. Seguindo simples vasos primitivos com marcas de cordas neles impressas, a cultura neolítica de Yangshao apresenta uma cerâmica avermelhada com desenhos negros de grande complexidade - alguns geométricos, outros com motivos realistas. Alguns vasos têm desenhos em curvatura e a mão livre executados com habilidade sobre uma superfície que é, ela própria, curva. Sobre uma bacia de Banpo vê-se um peixe de desenho semi-abstrato, altamente satisfatório, que se desenvolve em triângulos opostos e curvo sutis de vermelho ou preto, com os olhos e um focinho proeminentes, além da boca aberta. É muito estilizado e, no entanto, apresenta a vitalidade e o ritmo característicos de toda a arte chinesa.

A cultura de Yangshao encontra-se em sítios, normalmente perto do solo fértil dos rios, ao longo do curso médio do rio Amarelo, na parte ocidental da planície central, e estende-se até o Noroeste da China e os vales tributários do rio Amarelo. A cultura de Longshan, que a ela se segue e parece que lhe sucedeu, centraliza-se mais para leste, no Nordeste da China, na região costeira do Shandong e em parte da planície central. Em alguns lugares, particularmente na província de Henan, a cerâmica de Longshan tem seus vestígios sobre os de Yangshao no mesmo sítio, mas a seqüência cronológica exata das duas culturas como um todo ainda não está clara. Os objetos de Longshan são finos, bem-cozidos, negros e polidos. Foram fabricados no torno do oleiro, o que não era o caso da cerâmica de Yang Shao; o perfil é mais anguloso do que o de Yangshao. Não foi possível, até agora, atribuir datas seguras a essas culturas neolíticas do Norte da China, mas uma aproximação simplista pode ser obtida com a ajuda de paralelos japoneses. A cerâmica japonesa mais antiga foi datada, pelo método do Carbono-14, do oitavo milênio antes de nossa era. É extremamente improvável que a primeira cerâmica, na Asia continental, seja posterior a essa data. Se assim for, as culturas desenvolvidas de Yangshao e Longshan provavelmente surgiram depois do ano 5000, época do florescimento das culturas megalíticas na Europa.

Os intelectuais chineses de uma época posterior, com o seu permanente cuidado de analistas e arquivistas, consideraram que sua história começava no ano 2852 a.C. e afirmaram que a China teria sido primeiro governada pelo Três Soberanos, a que se seguiram os Cinco Governantes. A esses reis míticos atribuíram-se invenções generosas, como a dádiva do fogo, a construção de casas, a invenção da agricultura e, pela esposa do Imperador Amarelo, a descoberta da cultura do bicho-da-seda. Dos reis teria também vindo o descobrimento do calendário e da escrita chinesa. Os últimos dos Cinco Governantes foram os imperadores-modelos Yao e Shun. Então, outro benfeitor, o Grande Yu, é considerado como o fundador da primeira dinastia, a dinastia Xia.




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