A cura Quântica



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Por que o DNA usaria uma máscara para sucumbir ao vírus e outra para avançar e destruí-lo? Ninguém até agora conseguiu uma resposta para essa profunda questão, mas ela deve ter sua lógica no esquema da vida, o drama maior encenado por todo o DNA do mundo. Só posso especular que estamos presencian­do o DNA enriquecer a vida, acrescentando-lhe o máximo de variações que possivelmente podem existir no planeta.

Nada do que acontece ao DNA é perdido; tudo fica no inte­rior do sistema autocontido. Uma vez derrotado o vírus da gri­pe, o DNA registra o combate produzindo novos anticorpos e “células de memória” especializadas, que ficam flutuando no sis­tema linfático e na corrente sanguínea por anos seguidos, aumen­tando o imenso depósito de informações que o DNA vem acu­mulando desde que a vida começou. É assim que ele faz de você um ator no palco do mundo.

Quando olho pela minha janela, vejo uma via expressa com várias faixas de circulação, onde os carros trafegam em alta velocidade. De tempo em tempo, um avião a jato passa mais baixo, assustando um bando de pássaros. Gaivotas circulam pelo céu, pois estou a uns 40 quilômetros do mar e posso sentir o cheiro característico do oceano, rico em vida marinha. Todo esse espe­táculo, inclusive eu, é a peça teatral do DNA, que foi projetada a partir de uma molécula cuja responsabilidade é desdobrar-se em nova vida, sem jamais comprometer a vida como um todo. Alguém, certa vez, estimou que o DNA de todas as pessoas que já viveram caberia numa colher de chá; no entanto, se o DNA contido no núcleo de uma única célula do corpo fosse desenrola­do, seus fios, colocados uns após outros, mediriam 1,5 metro. Isso significa que o filamento genético contido nos 50 trilhões de células do corpo tem 75 bilhões de metros de comprimento — o bastante para ir e voltar à Lua 100 mil vezes. Os Vedas di­zem que a inteligência do universo se estende “do menor dos menores até o maior dos maiores”, e o DNA é a prova física des­sa afirmação.

Portanto, deve ser errado pensar que o conflito seja a norma. Em geral, existe paz entre seu DNA e os DNAs que estão “lá fora”. Para cada vez em que foi necessária uma guerra contra uma doença, existem dezenas, senão centenas, de vezes em que seu corpo venceu um ataque sem nenhum sintoma externo. Só quando há uma distorção “aqui dentro” é que o sistema imunológico per­de sua capacidade de defender, curar e lembrar em completo si­lêncio.

Tendemos a esquecer que a paz é a regra. Os psiquiatras e sociólogos aceitam como certo que o homem moderno está profundamente dividido em sua psique. O aumento dos males relacionados ao estresse, à depressão, à ansiedade, à fadiga crônica e à “doença da pressa” são sinais dos tempos. O ritmo frenético de trabalho, da vida em geral, acostumou-nos ao tumulto. Hoje, as pessoas já estão plenamente doutrinadas pela idéia de que um certo grau de conflito interno é normal. A guerra, parece, foi ini­ciada por nós e está fazendo suas baixas, como sempre acontece.

Tudo isso é o que eu gostaria de ter explicado a Chitra, a jo­vem mulher com câncer no seio cuja história abriu este livro. Ela teve a sorte de receber uma cura que pareceu milagrosa; no en­tanto, enquanto eu escrevia estes últimos capítulos, seu caso modificou-se por completo. As células do câncer haviam sido der­rotadas, mas não a memória delas. Como Chitra continuava ex­tremamente ansiosa com a possível volta da doença, concorda­mos que deveria prosseguir com a terapia convencional. Ao mes­mo tempo, ela prometeu praticar a meditação e a técnica da bem-aventurança que eu lhe ensinara. Fiquei sem vê-la por um mês, e, então, Chitra ligou dando-me más notícias; seus médicos ha­viam detectado uma dúzia de pequenas sombras em sua tomo­grafia e as haviam interpretado como câncer cerebral. Domina­da por extremo pavor, ela começou uma radioterapia intensiva, desta vez acompanhada de quimioterapia experimental. Mas es­tava enfraquecida pela contenda anterior com o câncer de seio e sofreu graves efeitos colaterais, inclusive depressão. Parou de meditar e não voltou mais para o tratamento aiurvédico. A con­tagem de plaquetas em seu sangue caiu violentamente — as pla­quetas são células críticas no processo de coagulação —, o que significava que seria perigoso demais prosseguir com a quimio­terapia. Os médicos constataram que a medula óssea estava pro­duzindo anticorpos que atacavam suas próprias plaquetas (pro­vavelmente uma reação às muitas transfusões que Chitra recebe­ra) e pensaram num transplante de medula. No entanto, antes procuraram trocar o plasma sanguíneo. Durante o procedimen­to, Chitra teve uma crise e logo desenvolveu grave anemia e uma série de infecções.

A essa altura, seu caso estava se tornando um desastre cres­cente. Ela recusou uma outra transfusão de sangue, apavorada com a idéia de pegar AIDS. Devido à agitação, precisou ser me­dicada com morfina e Valium, administrados por via intraveno­sa. Sua percepção foi ficando cada vez mais embotada e pouco depois Chitra entrou em coma, provavelmente devido ao choque, ao que se seguiu uma pneumonia. Os médicos informaram seu marido de que ela talvez não se recuperasse e, um dia depois, Chitra morreu. Ela não foi vítima do câncer, mas do tratamento, e não posso deixar de pensar que a morte por câncer talvez fosse mais humana.

O falecimento dessa inocente e dedicada jovem foi um grande golpe para todos aqueles que a conheciam. Embora eu não tives­se consolo a oferecer, liguei para Raman, o marido, que estava terrivelmente abalado. Durante alguns meses nós dois havíamos visto Chitra entrar na luz da vida e voltar para a sombra da mor­te, compartilhando com ela extremos de alegria e de desespero. Foram feitos sinceros esforços para salvá-la, porém não posso me livrar do sabor amargo de conhecer, como todos os médicos, a barbárie de nossa atual abordagem do câncer.

Diariamente, um médico especializado na área vê pacientes que se submeteram a algum devastador tratamento de câncer que foi considerado bem-sucedido porque as células doentes desapare­ceram, mas se esquece do enfraquecimento do corpo como um todo, do constante perigo da volta do câncer causado pelo trata­mento em si e do permanente estado de medo e depressão que tão comumente acompanha a cura. Viver em constante temor, mesmo sem câncer no corpo, não é um bom estado de saúde. A guerra não acabou; desapareceram apenas os conflitos aber­tos, cedendo lugar à guerrilha clandestina.

A atual filosofia no tratamento do câncer é que a mente terá de aguardar enquanto o corpo suporta a devastação. Em outras palavras, encoraja-se um combate aberto no sistema mente-corpo. Como isso pode ser chamado de cura? Num choque entre men­te e corpo, o paciente está lutando nos dois campos, pois trata-se de sua mente e de seu corpo. Não está claro que, quando surgir um perdedor, o derrotado será ele mesmo?

O aspecto vital não é como ganhar a guerra, mas como manter a paz. O Ocidente não chegou a esse discernimento nem com­preendeu que a manifestação física de uma doença é um fantas­ma. As células cancerosas que os pacientes temem e os médicos combatem são apenas fantasmas — elas vão e vêm, despertando esperanças e desespero, enquanto o verdadeiro culpado, a me­mória que cria a célula cancerosa, continua sem ser detectado. O Ayurveda nos dá os meios de chegarmos diretamente ao nível de consciência capaz de exorcizar essa memória. Pensando em Chitra, imagino quanto tempo levaremos antes de ampliarmos nossa visão. Pedimos heroísmo de pacientes numa hora em que têm muito pouco dele a dar, ou os tratamos como estatísticas, transformando a sobrevivência num jogo de números. O Ayur­veda nos manda colocar a responsabilidade pela doença num ní­vel mais profundo de consciência, onde também poderá ser en­contrada uma cura em potencial.

Dizer que a profunda percepção de um paciente seja respon­sável por seu câncer é algo que perturba muitas pessoas — e é assim que deveria ser. O Ayurveda, como eu o vejo, não concor­da que exista uma, assim chamada, personalidade cancerosa nem aceita que emoções superficiais, estilos de comportamento e ati­tudes causem câncer. Alguns pesquisadores estão convencidos de que pacientes que reagem com desânimo e depressão ao câncer têm maior probabilidade de morrer da doença do que os que pos­suem um forte componente em sua personalidade — cujo nome é “vontade de viver”. Isso parece indiscutível, mas será que ajuda?

Uma pessoa afetada pelo câncer passa naturalmente por ciclos de emoção; sua vontade de viver é suscetível a loucas oscilações, de um extremo a outro. Isso não é motivo para se esperar o sur­gimento do perfil de uma “personalidade cancerosa típica”. (Parte das pesquisas originais que supostamente comprovaram a exis­tência da “personalidade cancerosa típica” baseou-se em gru­pos de dimensões insignificantes, alguns com apenas 25 mulhe­res, todas com um único tipo de câncer, o de seio.) Por que os psicologicamente sadios, que já dispõem de uma vantagem tão grande, seriam os únicos com esperanças de cura?

Essa não é uma pergunta inútil. Recentemente eu estava num avião e por acaso sentei-me ao lado de uma mulher de uns 60 anos, cheia de vivacidade. Logo vi que era uma americana do tipo clássico — vigorosa, prática, muito decidida em suas opiniões. Sua família vivia no Estado do Maine há gerações e se tor­nara muito próspera. Como meus pensamentos estavam todos vol­tados para as questões relativas ao tratamento do câncer, o as­sunto logo surgiu em nossa conversa.

A senhora ergueu o queixo num gesto decidido.

— Não creio que todos esses médicos saibam do que estão fa­lando — declarou. — Minha mãe teve câncer de seio em 1947. Foi internada para a remoção do caroço e depois voltou para ca­sa para cuidar dos quatro filhos. Meu pai implorou-lhe para re­tornar a Boston e fazer uma mastectomia, mas ela disse que esta­va ocupada demais para isso e também para ficar doente. Conti­nuou levando uma vida perfeitamente normal. Depois de algum tempo, meu pai conseguiu convencê-la, e ela submeteu-se à mas­tectomia. Ficou por isso, pois na época não existia radioterapia ou quimioterapia.

— O que aconteceu com ela? — perguntei.

— Nada — respondeu a mulher. — Minha mãe viveu mais doze anos, até estar com mais de 70, quando teve uma pneumonia. A família toda reuniu-se em torno de seu leito, ela despediu-se de nós e três dias depois morreu.

Ouvindo essa história, de repente vi, com um misto de pasmo e tristeza, o que ela revelava — o paradoxo de ser normal. É absolutamente normal estar-se ocupado demais para ficar doente, pois esse é exatamente o tipo de conscientização que o sistema imunológico adora. Quando você é você mesmo e não um “doente de câncer”, a complicada corrente da resposta imunológica, com suas centenas de operações precisamente cronometradas, põe-se a trabalhar com sede de vingança.

Porém, quando você se entrega ao medo e ao desamparo, a corrente se quebra. Você começa a enviar para fora os neuropeptí­dios associados a emoções negativas, estes se prendem às células imunológicas e a reação imunológica perde sua eficiência. (Não se sabe exatamente por que isso acontece, mas a queda no estado imunológico de pacientes deprimidos está bem documentada.) Aqui entra o paradoxo: se você reagisse ao câncer como se ele não fosse grande ameaça, do modo como reage a uma gripe, te­ria melhores probabilidades de se recuperar. Contudo, um diag­nóstico de câncer faz com que todo paciente sinta-se completa­mente anormal. O diagnóstico em si dá início ao círculo vicioso, como uma cobra que vai comendo o próprio rabo até desaparecer.

O motivo de eu ter ficado ao mesmo tempo triste e atônito foi que, de repente, me dei conta de como o sistema imunológico é, ao mesmo tempo, infinitamente belo e terrivelmente vulnerá­vel. Ele forja nosso elo com a vida; no entanto, este pode se que­brar a qualquer momento. O sistema imunológico conhece to­dos os nossos segredos, todos os nossos sofrimentos; sabe por que uma mãe que perdeu um filho pode morrer de pesar, porque ele mesmo já morreu de pesar antes dela. Ele conhece cada momen­to que um doente de câncer passa na luz da vida ou na sombra da morte, porque transforma esses instantes na realidade física do corpo.

O câncer, ou qualquer outra doença, não é mais do que a sequência desses momentos passageiros, cada um com emoções pró­prias e com uma química mente-corpo particular. Em outras pa­lavras, as células doentes são um ingrediente entre incontáveis outros; apenas são mais intangíveis. O Ayurveda afirma que muitas condições diferentes interagem para criar a doença — o organis­mo causador da enfermidade desempenha um papel nela, mas é ajudado pela resistência imunológica do enfermo, pela idade, pela dieta, pelos hábitos, pela época do ano e por muitos outros fatores que contribuem para o eventual resultado clínico. Estu­dos médicos ocidentais provaram fartamente que o estilo de vida e a estrutura emocional da pessoa influem em seu estado de saú­de, mas nos falta a onisciência para avaliarmos todos esses fato­res. Um doente de câncer tem toda uma vida atrás de si, povoa­da de pensamentos, ações e emoções que ninguém mais com­partilha com a mesma exatidão.

O fato de as emoções jazerem tão fundo não significa que os cancerosos não consigam alterá-las. Pessoas podem ser salvas de seus sentimentos de desânimo e impotência, chegando a um nível ainda mais profundo. Não importa se alguém está envolvido em grande desespero ou enorme autoconfiança, pois ambas as emoções são fantasmas. Por isso o Ayurveda dedica muito me­nos atenção às emoções superficiais do que a atual medicina psi­cossomática. O fundamento racional de a medicina védica tratar o câncer (ou a AIDS) com as técnicas do som primordial e da bem-aventurança está em que esses são apenas níveis de cons­ciência comuns a todos, tanto aos fortes como aos fracos.

O próximo caso é o mais bem-sucedido até agora no tratamento de câncer com essas técnicas. A paciente é uma mulher com quase 40 anos, chamada Eleanor. Em 1983, quando morava no Colo­rado e trabalhava numa companhia de computação, ela recebeu o diagnóstico de câncer de seio em estado avançado, já com metástases nos nódulos linfáticos da axila. Os médicos a submete­ram a duas mastectomias em pouco tempo. A paciente reagiu mui­to mal à radioterapia e à quimioterapia que se seguiram. Incapaz de tolerar os efeitos colaterais, Eleanor abandonou o tratamento, embora tivesse sido alertada pelos médicos de que o câncer já se espalhara para os ossos. Os cancerosos com esse tipo de me­tástase têm apenas cerca de 1 por cento de probabilidade de so­brevivência.

Acontece, porém, que em 1986, em plena doença, Eleanor começou a prática da meditação a conselho de seu médico de famí­lia. Por intermédio da MT, ela ficou sabendo do Ayurveda. Internou-se na clínica de Lancaster, onde passei a atendê-la e a instruí-la no som primordial, para o tratamento do câncer. Os resultados foram notáveis. As fortes dores causadas pela doença nos ossos desapareceram (esse incidente já foi mencionado an­tes, no capítulo 9) e sempre que Eleanor voltava para casa para novas radiografias seu médico encontrava cada vez menos bolsões de câncer ósseo.

Já havia passado muito tempo para que essas regressões tivessem sido causadas pelo tratamento anterior. Em geral, um tu­mor bombardeado com radiação ou atacado pela quimioterapia encolhe muito rapidamente. Se Eleanor sobreviver mais dois anos, entrará na lista privilegiada de pacientes que venceram todas as probabilidades. No entanto, o que eu quero deixar bem claro aqui é a completa mudança que ocorreu nela. Pedi-lhe para escrever a história de sua doença, partindo de um ponto de vista interior para o exterior. O que me enviou é um notável documento. Inicia-se com o momento mais angustiante de sua vida, quando ela es­tá prestes a entrar na sala de operações para se submeter à am­putação do seio:
Ainda não anestesiada, estou deitada na ante-sala do cen­tro cirúrgico do hospital City of Hope. Uma enfermeira passa carregando um enorme seio num saco de plástico. Meus seios me parecem tão pequenos, inocentes e desamparados. Eu havia amamentado meus filhos e me sentia bem a respeito de meus seios; eram bonitos, femininos e macios — eu confiava neles. Agora, só estou deitada aqui, esperando alguém tirar fora pelo menos um deles.

Estou trêmula e assustada. Cada nervo de meu corpo parece estar gritando por ação, querendo fugir antes que seja tarde demais, mas empurram minha maca para a sala de operação. Sinto que estou entregando meu corpo a um estupro de degradação. Tenho 35 anos e tudo isto está indo contra meu sentido do que é correto.

Terminada a operação, começa o impacto emocional. A imagem que tenho de meu corpo é ruim — não quero que os médicos me vejam, muito menos meu marido. Estou mais do que nua. Estou me despindo de minha forma feminina, infectada pelas semanas seguintes, presa a tubos ligados a drenos em meu corpo. Os vidros de tampa vermelha tilin­tam quando tento andar.
Com o passar dos dias, Eleanor recuperou-se o suficiente para começar seis meses de quimioterapia. De início, disseram-lhe que suas probabilidades de cura eram altas, mas, quando fizeram uma mamografia do seio restante, constataram a presença de câncer.

Foi marcada nova mastectomia.


Agora quero mesmo fugir. Durante meses ouvi dizerem que eu tinha câncer; depois, que não tinha; depois, que ti­nha de novo. Estou tão cansada de cirurgias e de incerte­zas! Tenho febre, horríveis suores noturnos, sofro dores, humilhação, dúvidas sobre meu corpo, meu espírito, meu se­xo — tudo. Tudo em que confiei me traiu.

Câncer bilateral, mastectomia bilateral e, por fim, reconstrução bilateral dos seios. Espero que isso seja o fim e que eu possa ir me recuperando dos outros sintomas. Depois, ficar boa de novo, apesar das desvantagens.


Logo depois, Eleanor começou a praticar a MT. De início, ti­nha reservas e até mesmo ceticismo, mas isso deu lugar a “um sentido de aceitação interior”. Passados quatro meses, ela desco­briu que estava grávida. Os médicos lhe haviam dito que a qui­mioterapia a deixaria estéril, o que acontece com cerca de 25 por cento das mulheres mais jovens, subindo a 85 por cento em mu­lheres com mais de 40 anos. Para as que não ficaram estéreis, dar à luz é extremamente arriscado, mas para Eleanor a idéia de ter outro filho tinha especial importância:
Para mim, essa gravidez era um símbolo de plenitude e entrosamento com a Natureza. Era um milagre, e eu estava feliz. Então, quando ouvi de meus médicos que devia abortar para salvar minha vida, tive a impressão de estar vivendo um pesadelo. Com o prosseguimento da gravidez, fiquei ain­da mais doente. Explicaram-me que meus exames indica­vam câncer estrógeno-positivo e que as chances de sobrevi­vência eram mínimas. Enfrentei tudo e continuei gerando meu filho, uma decisão que me trouxe paz.
Depois do parto bem-sucedido de um menino, Eleanor desco­briu que o câncer retornara, dessa vez atacando os ossos:
De volta ao câncer, e o passeio na montanha-russa recomeçou. Os médicos do City of Hope predisseram que eu viveria “talvez mais seis meses, mas provavelmente não mais de dois anos”. (Isso aconteceu há catorze meses, em março de 1987.) O câncer avançara muito para o interior dos os­sos (as radiografias revelaram uma dúzia de locais cancero­sos, em especial nas costelas e vértebras) e eu me sentia muito doente, literalmente arrebentada até os ossos. O plano de tratamento previa doses maciças de quimioterapia “pelo resto de sua vida”, o que dava a impressão de que eu não ficaria neste mundo por muito tempo.
Eleanor reagiu mal à quimioterapia e, a conselho do médico de família, que sugerira a MT antes, procurou a clínica de Lan­caster em junho, para fazer o tratamento aiurvédico. Quando a examinei, reconheci que estava mesmo gravemente enferma. Não podia lhe prometer uma cura, mas disse-lhe que havia mais pos­sibilidades do que ela poderia imaginar — seu núcleo interior não fora violado pelo câncer, e tentaríamos fazê-la entrar em contato com ele. Depois de duas semanas, Eleanor começou a sentir-se muito melhor, tanto física como mentalmente, e saiu da clínica sem dores. Parece que esse foi o momento decisivo:
Depois de voltar ao trabalho, à quimioterapia e às dúvidas, aconteceu algo especial. Certa manhã, uma pomba en­trou voando num dos armazéns da companhia, e ninguém conseguiu espantá-la de lá. Duas ou três horas mais tarde, quando cheguei para o trabalho, a pomba me seguiu enquanto eu subia as escadas e pelos corredores, até minha sala; depois, pousou tranquilamente em minha escrivani­nha, bem a minha frente. Peguei-a com toda a delicadeza e no mesmo instante senti-me dominada pela emoção, en­quanto compartilhávamos o conforto uma da outra.

Alguns meses se passaram depois que a soltamos no cam­po. Em setembro, fiquei sabendo que a tomografia de meus ossos não mostrava nem piora nem melhora. A quimiotera­pia estava me causando muitos efeitos colaterais. Eu não pre­tendia abandoná-la, mas os hemogramas indicavam conta­gens sempre ruins, o que significava que o tratamento de­via ser interrompido, ao menos temporariamente. Assim que parei, comecei a me sentir melhor, e então decidi que não continuaria com a quimioterapia, mesmo arriscando-me a morrer.

Em dezembro, voltei a Lancaster. Minha estada lá foi maravilhosa; haviam chegado certas ervas especiais para mim, e aprendi a técnica do som primordial para usar em casa. No final de dezembro, outra tomografia dos ossos não reve­lou alterações. Isso confirmou minha crença de que a quimioterapia era superficial. Continuei com minhas técnicas e, quando fiz nova tomografia em março, três meses depois, ela revelou que todas as bolsas de câncer, exceto uma bem pequenina, haviam desaparecido.

O radiologista sorriu e disse que não sabia como isso podia ter acontecido sem a quimioterapia. Ele abraçou-me e, quando eu saía, falou: “Isto vai entrar para a História”. Meu médico de família ligou para o radiologista para obter uma interpretação completa dos exames: assim que desligou, disse-me que eu estava quase completamente curada.

Não pude conter as lágrimas ao ouvir a notícia. Imaginei como eu pudera duvidar desse resultado. Tocada pelo amor e pela perfeição da Natureza, só sentia um único, suave de­sejo de me sentar de novo na terra, cercada de paz, numa celebração de flores da primavera, e desfrutar de tudo o que acontecera e do que sou.

Para encerrar, devo acrescentar que sou realista; compreen­do a abordagem típica do Ocidente quanto a este evento. Também sei que existem grandes possibilidades aqui. To­das as verdades de minha experiência, de certa forma, se somam numa única verdade, mas, quando penso que a cap­tei, ela foge de mim. Fico, então, me sentindo humilde e um tanto tola por tentar dividir a plenitude. Entretanto, es­tou muito, muito tranqüila e em paz, depois de ter tido tantas provas de que a plenitude é a perfeição.


Eleanor progrediu muito. No ano passado estava na pior cate­goria para sobreviver a sua doença; agora, muitas autoridades como o dr. Ikemi considerariam seu caso como uma regressão espon­tânea. Seu estado geral de saúde é bom; não existem sinais de debilitação. Oito meses depois de se submeter à última quimio­terapia, o câncer de ossos foi desaparecendo até só restar uma pequena sombra nas radiografias, e não está definitivamente pro­vado que ela seja cancerosa. A química sanguínea de Eleanor, que se tornara anormal devido à doença ativa, agora voltou aos padrões normais — uma prova muito maior do que a fornecida pelas radiografias de que Eleanor está se recuperando.

Eu não temo por ela agora, mesmo se tiver de recomeçar sua batalha. Eleanor está além de batalhas — ela irradia a paz sobre a qual escreve, e conversar com ela faz com que me sinta feliz e seguro, sobretudo porque compreendo como é rara essa paz. Eleanor descobriu a alegria a partir do desespero da doença. No instante em que a memória da saúde voltou, trouxe-lhe poder suficiente para durar uma vida inteira.


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