A cura Quântica



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* Foi ampla­mente divulgada a notícia de que Benveniste estava dando cré­dito aos métodos da homeopatia, um sistema de tratamento inventado pelo médico alemão Samuel Hahnemann, que conti­nua popular em toda a Europa. O termo “homeopatia” vem de duas raízes gregas que significam “sofrimento similar”; define-se, assim, o princípio fundamental homeopático de que “o se­melhante cura o semelhante”. A homeopatia enfrenta todas as doenças usando o método de Benveniste: pequenas porções de substâncias antagônicas são administradas ao paciente para que ele construa uma imunidade ou afaste a doença já instalada.
* Em julho de 1988, um mês depois de publicar as descobertas de Benveniste, Nature enviou uma equipe de investigação à França para assistir a sua experiência e esclarecer a descrença geral. Infelizmente, ele não foi capaz de repetir resultados consistentes na presença dos visitantes; algumas tentativas foram bem-sucedidas e outras, não. Poste­riormente, Nature repudiou seu trabalho, dizendo que os resultados eram uma “de­cepção”. Seguiu-se calorosa controvérsia que persiste até hoje. Benveniste ainda de­fende seu trabalho (o relatório original foi assinado por mais doze pesquisadores de quatro países). Embora a capacidade de recordar da água seja inexplicável, não se po­de, porém, imputar-lhe a capacidade de esquecer! Esses podem ser os dois lados de uma mesma moeda.
Quando a medicina convencional aplica uma vacina antivariólica, o que aparentemente funciona é a lógica da homeopatia — o vírus morto na vacina estimula anticorpos antivaríola no orga­nismo. (Esse método de lutar contra a varíola existe desde a China antiga, onde os médicos usavam escamações das feridas para es­fregar em pequenos cortes nos braços das pessoas que queriam se proteger contra o mal.) Porém, diferindo da vacina, a homeo­patia baseia-se mais nos sintomas do que nos verdadeiros orga­nismos causadores da doença.

Servindo-se de um elaborado sistema de venenos e ervas tóxi­cas que imitam os sintomas da verdadeira doença, a homeopatia dá ao corpo uma amostra do que ele quer curar. As sementes trituradas de Nux-vomica, por exemplo, que contêm estricnina, seriam receitadas contra a fadiga crônica e a irritabilidade, por­que produzem esses sintomas. A experiência de Benveniste não endossa a lógica homeopática como um todo, exceto sob o as­pecto em que demonstra que o corpo pode reagir a uma micro-dose de substância estranha. O restante da homeopatia continua ambíguo. (O princípio “semelhante cura semelhante” é aceito e até ampliado no Ayurveda, determinando ervas, minerais e até cores e sons relacionados a cada parte do corpo, no tratamento. No entanto, o Ayurveda não segue a lógica homeopática de que o corpo deve adoecer para se curar.)

Acredito que a importância mais profunda da experiência de Benveniste seja a demonstrada em um dos diagramas quânticos do último capítulo:

Notamos que um processo corporal é como uma fila de pes­soas com baldes: uma cadeia de eventos passando de um a ou­tro, exceto o primeiro balde (B). Esse parece ter surgido não se sabe de onde, mesmo que algum impulso inicial (A) evidente­mente o tenha acionado; o que Benveniste fez tão maravilhosa­mente bem foi despojar esse modelo, deixando só o essencial:



Continuamente passamos por um estado de não-molécula se transformando em molécula. Quando você tenta se lembrar da primeira vez em que dirigiu um carro, sabe que as substâncias químicas presentes na ocasião já se desvaneceram (a maior parte antes mesmo do fim do passeio). Hoje, ao recriar a lembrança, ao ver o carro novamente e sentir o volante em suas mãos, você está disparando reações celulares que começam em “lugar ne­nhum”, já que as células de seu cérebro estão vazias das velhas moléculas, como a água de Benveniste.

Se pudermos explicar como o corpo-mente faz para transfor­mar não-moléculas em moléculas, muitos mistérios do cérebro serão esclarecidos. Depois que surge essa minúscula partícula de matéria, a seqüência segue as leis bem conhecidas da natureza. Fora da homeopatia, posso citar um exemplo bem mais claro nos estranhos casos psiquiátricos conhecidos como personalidades múltiplas. Nada no campo mente-corpo parece tão inexplicável porque, quando uma pessoa com múltiplas personalidades mu­da de uma para outra, o corpo também muda.

Por exemplo, uma personalidade pode sofrer de diabete, e o organismo terá insuficiência de adrenalina enquanto aquela personalidade estiver no controle. As outras, porém, podem não so­frer desse mal, mantendo, portanto, os mesmos níveis de açúcar no sangue como as pessoas normais. Daniel Goleman, um psi­cólogo que também escreve freqüentes reportagens sobre temas relacionados a mente-corpo, cita o caso de um menino chamado Timmy, que costuma adotar quase uma dúzia de personalidades diferentes.

Uma delas fica com urticária quando ele bebe suco de laranja. “A urticária surge”, descreve Goleman, “mesmo quando Timmy toma suco de laranja e a tal personalidade emerge quando o suco ainda está sendo ingerido. E mais: se Timmy voltar enquanto a reação alérgica ainda está presente, a coceira da urticária cessa imediatamente, e as bolinhas de água começam a desaparecer.”

Quando li pela primeira vez esse artigo, fiquei muito entusiasmado. A literatura médica não declara que as reações alérgicas podem desaparecer assim, à vontade. Como poderiam? As célu­las brancas do sistema imunológico, cobertas de anticorpos IgE, estão simplesmente à espera do contato com um antígeno; quan­do o contato ocorre, elas reagem automaticamente. Mas, no cor­po de Timmy, é necessário que as células brancas pressintam a aproximação das moléculas de suco de laranja para tomarem a decisão — se devem reagir ou não. Isso significa que a própria célula é inteligente, respondendo a minha pergunta. Além disso, sua inteligência está dividida em parcelas iguais em cada uma das outras moléculas, e não mantida em uma especial, como o DNA, já que o anticorpo e o suco de laranja se encontram o tempo todo com átomos muito comuns de carbono, hidrogênio e oxigênio.

Dizer que as moléculas tomam decisões é um desafio ao está­gio atual da ciência — como se o sal às vezes se fizesse sentir sal­gado e outras vezes, não. Mas passar de um evento mente-corpo a outro é sempre uma projeção da inteligência: no caso de Timmy, o que nos espanta é a notável rapidez e intensidade com que isso acontece. Quando percebemos o fato de que ele escolhe ser alér­gico — senão, como poderia desencadear e afastar a crise de urticária? —, encaramos a possibilidade de que também podemos estar escolhendo nossas doenças. Não temos consciência dessa escolha, porque ela é tomada muito abaixo do nível de nossos pensamentos conscientes. Mas, se está presente, deveríamos tam­bém ser capazes de mudá-la.

Todos nós podemos mudar a biologia de nossos corpos, de um extremo a outro. Quando você está muito feliz ou profundamen­te deprimido, não é a mesma pessoa, fisiologicamente falando. Os casos de personalidade múltipla demonstram que essa capa­cidade interna de nos modificarmos está sob controle preciso.

Quero comentar sobre um caso que ocorreu na família Cho­pra, relacionado a este assunto e, curiosamente, ao anticorpo IgE.

Meu pai é cardiologista na Índia. Durante muitos anos foi mé­dico do Exército, o que nos levava, de posto a posto, por todo o país. Quando eu era criança, ele foi enviado a Jammu, um lu­gar distante ao norte, no Estado de Cachemira. Não me lembro de nada durante essa nossa estada, mas durante anos ouvi co­mentários sobre as horríveis alergias que minha mãe sofreu lá. Vivia atormentada com o pólen de uma flor nativa que enchia os campos a cada primavera. Ela sofria fortes crises de asma; seu corpo inchava e surgiam na pele grandes vergões vermelhos e bo­lhas (esse estado é conhecido como edema angioneurótico).

Meu pai sempre foi muito devotado a minha mãe e, penaliza­do com seu sofrimento, costumava levá-la toda primavera a Srinagar, capital de Cachemira. O ar dessa cidade é livre do pólen, e ela se sentia feliz por estar nesse vale montanhoso, que é um dos mais belos lugares da Terra.

Certa primavera, as chuvas violentas deixaram as estradas intransitáveis e meu pai decidiu que deviam antecipar a volta para casa. Tomaram o avião, que pousou uma hora depois. Ele segu­rou o braço de minha mãe para confortá-la, mas já via as man­chas na pele e o esforço que ela fazia para respirar. A alergia de minha mãe era tão forte que o comissário aproximou-se e per­guntou o que acontecia.

— Não há nada a fazer — explicou meu pai. — É o pólen que existe em Jammu.

— Jammu? — O comissário olhou espantado. — Ainda não chegamos lá; aqui é Udhampur, a primeira parada. Não o avisaram?

Meu pai ficou muito admirado. Quando olhou para minha mãe, notou que as manchas na pele estavam desaparecendo. Depois disso, durante anos, ele costumava sacudir a cabeça e murmurar:

— Basta dizer a palavra Jammu e sua mãe adoece.

Quando lhe contei sobre a experiência do IgE, ele ficou muito aliviado; já havia uma resposta científica para nosso mistério fa­miliar. Minha mãe tem só uma personalidade, mas essa mudan­ça foi total e imediata.

Muitos casos de personalidade múltipla vêm sendo estudados e observados, especialmente pelo dr. Bennett Braun, um psiquiatra pesquisador especializado nesse campo. Quando a personalida­de do paciente muda, verrugas, cicatrizes e erupções da pele sur­gem e desaparecem, assim como crises de hipertensão e de epi­lepsia. Uma determinada personalidade pode não distinguir as cores, mas essa capacidade retorna com a volta de outra perso­nalidade. É quase uma regra que uma das personalidades seja infantil e, quando ela emerge, os corpos dos pacientes reagem a doses menores de medicamentos. Em um desses casos, basta­ram 5 miligramas de tranquilizante para o paciente ficar calmo e sonolento como quando era criança, enquanto uma dose vinte vezes mais forte não causou efeito no adulto.

Aturdidos, os pesquisadores estão à procura de um mecanis­mo que explique tais ocorrências, aparentemente impossíveis: acre­dito que acabem descobrindo com um simples exame que a mu­dança quântica ocorreu. Uma personalidade não tem moléculas, sendo feita apenas de memórias e tendências psicológicas; mas são mais permanentes do que as células afetadas. Este não é um mistério profundo — como vimos, cada molécula do corpo está envolvida numa partícula de inteligência visível.

O termo “memória” não é usado pelos físicos, mas é facilmente encontrado no mundo quântico — ainda que separadas por imen­sas distâncias de espaço-tempo, as partículas sabem o que cada uma está fazendo. Quando um elétron salta em nova órbita, ro­deando um átomo, seu parceiro antielétron (ou pósitron) precisa reagir, não importa onde esteja no cosmos. O universo é, de fato, inteiramente ligado por esse tipo de rede de memória.

Para um físico, o único quebra-cabeça da experiência de Benveniste é que ninguém acreditou que os eventos quânticos pudessem ocorrer no nível das moléculas. Um fóton se instala no limiar de um quantum, onde vibrações fracas e dispersas são a regra. Algumas dessas vibrações morrem no nada, enquanto ou­tras se ampliam e entram na realidade material como energia. Para começar, como o fóton não é quase nada, pode lampejar dentro e fora da existência. Mas uma molécula como o IgE é tre­mendamente mais substancial do que essas vibrações flutuantes. Se não fossem, as moléculas poderiam saltar dentro e fora da exis­tência sem aviso — junto com coisas feitas de moléculas, como baleias azuis e arranha-céus. Já que isso não acontece, não pare­ceu necessário investigar moléculas com memória.

Para entender como a molécula trabalha, precisamos saber mais sobre o nível quântico da natureza. Sua peculiaridade, sua dife­rença de todos os outros estados de matéria e energia e seu vazio. Já vimos que o núcleo de um átomo é quase totalmente vazio, assemelhando-se, guardadas as proporções, ao espaço intergalác­tico. O mesmo acontece conosco, já que somos, evidentemente, feitos de átomos. Isso significa que somos feitos de vazio; mais que qualquer outra coisa, ele é nossa matéria-prima.

Em vez de observarmos o espaço entre as estrelas como um vazio frio e sem vida, deveríamos encará-lo com os olhos de um físico, vendo que está cheio de energia invisível à espera de se aglutinar em átomos. Cada centímetro cúbico do espaço está cheio de energia, numa quantidade quase infinita, embora grande parte dela esteja em forma “virtual”, isto é, represada, sem tomar parte ativa na realidade material. (Uma frase maravilhosa do antigo Upanishad indiano afirma: “A força que penetra o universo é bem maior do que a que brilha através dele”. No que se refere aos objetos quânticos, na maior parte em forma virtual, essa é uma verdade literal.)

Nossos sentidos não estão preparados para enxergar o vazio co­mo o útero da realidade, sendo mais adaptados a um nível mais grosseiro da Natureza, cheio de flores, pedras, árvores e de nos­sas famílias. Dizem que o olho humano pode distinguir 2 mi­lhões de tonalidades de cor, cada qual ocupando uma estreita faixa de energia luminosa. Mas nosso mecanismo óptico não conse­gue registrar essas vibrações energéticas como tal. Menos ainda, registramos um pedaço de mármore sólido como vibrações, em­bora, no fundo, seja a mesma coisa que a cor.

Enquanto a luz vai mudando de uma cor a outra, cada peque­na graduação exerce enorme influência. A luz visível, por exem­plo, dá ao mundo a forma e a definição que nossos olhos perce­bem. Se mudarmos ligeiramente para baixo, para a faixa infra­vermelha, nosso olho passará a sentir calor, mas ficará cego. Se o elevarmos até os raios X, o olho pode ser destruído. Cada gra­duação quântica é muito tênue, mas significa uma realidade com­pletamente nova no nível grosseiro das moléculas e das coisas vi­vas. O espectro de luz é como uma corda contínua, vibrando mais lentamente em um ponto e mais rapidamente em outro. Faze­mos nosso lar de uma pequena parte desse espectro, mas todo o comprimento é necessário para existirmos. Começando do ze­ro, as vibrações da corda são responsáveis pela luz, pelo calor, pelo magnetismo e por inúmeras outras formas mais discretas de energia que povoam o universo. Em poucos degraus, a escada da criação passou do espaço vazio à poeira intergaláctica, depois ao Sol e, finalmente, à Terra vivente. O que isso demonstra é que o vazio, o ponto zero da vibração, não é o nada, mas o ponto inicial de tudo o que existe. E esse ponto está sempre em contato com todos os outros — a continuidade não sofre interrupções.

A razão de se discutir o vazio subatômico é o fato de o experimentarmos sempre que pensamos. Como em toda a extensão do universo, algo material — o neuropeptídio — surge não se sabe de onde. Nesse caso, não são os átomos do neuropeptídio que são criados, porque para isso é necessário hidrogênio, carbono, oxigênio etc., já presentes na glicose que o cérebro usa como com­bustível. O que surge não se sabe de onde é a configuração do neuropeptídio, o que é magia suficiente.

No mesmo instante em que você pensa “Sou feliz”, um men­sageiro químico transforma sua emoção, que não tem nenhuma existência sólida no mundo material, numa partícula de matéria tão perfeitamente afinada a seu desejo que todas as células de seu corpo, literalmente, ficam sabendo dessa felicidade e a compar­tilham. O fato de você ter a possibilidade de falar a 50 trilhões de células na linguagem que elas entendem é tão inexplicável quanto o momento em que a Natureza criou o primeiro fóton no vazio.

Essas substâncias químicas do cérebro são tão ínfimas que a ciência levou muitos séculos para descobri-las. No entanto, se considerarmos as moléculas mensageiras como a mais refinada expressão material de inteligência que o cérebro pode produzir, te­mos de admitir que ainda são grosseiras para se construir a pon­te entre a mente e o corpo. De fato, nada poderia ser refinado o bastante, já que um dos lados da ponte que desejamos alcan­çar, a mente, não é pequena em nenhum sentido físico — calcu­lar que um pensamento tem tamanho é um absurdo. A mente não está solta no espaço, ocupando um lugar, nem mesmo o ne­cessário para um elétron, que é infinitesimal. A bobagem evidente de guardar a mente numa caixa foi uma das principais ra­zões de a ciência ter separado, desde o início, a mente da maté­ria, já que toda matéria pode ser fechada em alguma caixa. Felizmente, surge a física quântica para salvar o construtor da pon­te. Ela surgiu para explorar essas regiões aparentemente absur­das nas fronteiras do espaço-tempo.

A física quântica ficou com a responsabilidade de medir as menores coisas possíveis. O átomo, apesar de muito pequeno, mos­trou, desde aproximadamente 1900, que tinha um núcleo; quando este foi aberto, a menor unidade pareceu ser o próton, até novas divisões do átomo revelarem, no Emite da existência material, par­tículas ainda menores, chamadas quarks. Além do quark, as di­visões aparentemente acabaram.

Alguém poderia pensar que deva existir um material especial na formação do quark. Por estranho que pareça, isso não é ver­dade. Na Grécia antiga, o filósofo Demócrito propôs, em pri­meiro lugar, que o material do mundo fosse composto de partí­culas mínimas e invisíveis, a que deu o nome de átomos, em grego “não divisível”. Quando Platão ouviu sua teoria (que não podia ser testada experimentalmente, é claro), fez uma objeção que mis­teriosamente previa a física quântica. Se pensarmos em um áto­mo como uma coisa, argumentou ele, ela necessariamente tem de ocupar algum lugar no espaço; sendo assim, pode ser partida e ocupar um espaço menor. Qualquer coisa que possa ser parti­da em dois não é a menor partícula que constitui o mundo ma­terial.

Com esse raciocínio impecável, Platão demoliu a teoria de que todas as partículas sólidas sustentam o bloco básico de constru­ção da Natureza, não apenas o átomo, mas o próton, o elétron e o quark. Todas elas podem ser divididas em duas partes num processo infinito, mesmo que na realidade isso não aconteça. Se­ja o que for que constrói o mundo, tem de ser algo tão mínimo que não ocupe lugar no espaço. Platão argumentou que o mun­do nasceu das formas perfeitas invisíveis, semelhantes às geomé­tricas. Os físicos modernos, por sua vez, estudam alternativas mais tangíveis como a matéria invisível chamada “partículas virtuais”, além dos campos de energia. A famosa equação de Einstein E = MC2 provou que a energia pode ser transformada em matéria, e isso permitiu um avanço da física para além da barreira do “menor que o mínimo”.

Ninguém pode afirmar com segurança do que é feito um quark, mas certamente não é de um pedaço de matéria sólida — o quark já está além do limite das coisas que se podem “ver” ou “to­car”, mesmo empregando-se instrumentos científicos que ampliem nossos sentidos; seu bloco de construção pode ser apenas uma vibração que tem o potencial de se transformar em matéria. Por­tanto, ele é menor que o mínimo. Para um físico, todos os tama­nhos acabam em um número específico — 10-33 centímetros cú­bicos — uma fração inconcebível que pode ser escrita como um décimo precedido de 32 zeros; é conhecido como o limite de Planck, um tipo de zero absoluto para o espaço, como existe o da temperatura.

Mas, quando essa barreira é alcançada, o que existe além? Nes­se ponto a ciência da física emudece. Mas é fascinante perceber que todos os descobridores da física quântica foram basicamente platônicos. Ou melhor, acreditavam que o mundo das coisas fosse uma sombria projeção de uma realidade mais vasta e invisível, ima­terial. Alguns, como Einstein, surpreenderam-se com a ordena­ção geral da Natureza, sem lhe atribuir nenhuma inteligência. Outros, como Eddington, declararam simplesmente que a matéria-prima do universo era “substância mental”. Eddington defende sua posição com um argumento lógico tão elegante quanto o de Platão. Ele declara que nossa imagem do mundo é basicamente a formação de impulsos cerebrais. Essa formação, por sua vez, surge de impulsos que percorrem os nervos nos dois sentidos. Esses impulsos vêm de vibrações de energia nas bases dos ner­vos. Na base da energia está o vazio, o vácuo quântico. Qual parte é real? A resposta não está em nada porque a cada passo, ao lon­go do caminho, desde as vibrações de energia aos impulsos nervosos e à formação do cérebro, tudo não passa de um código.

Não importa onde você procure, o universo visível é fundamentalmente um conjunto de sinais. Mas todos esses sinais formam um todo, transformando vibrações totalmente sem sentido em complexas experiências que possuem significado humano. O amor entre marido e mulher pode ser cruamente traduzido em dados físicos, mas com isso perde sua realidade. Além disso, diz Eddington, todos esses códigos demonstram a existência de uma coisa mais real, algo além de nossos sentidos. Ao mesmo tempo, também é algo muito íntimo, para que todos possamos ler o có­digo e transformar vibrações quânticas ao acaso em uma realida­de ordenada.

Uma boa imagem para isso seria a de um pianista tocando um estudo de Chopin. Onde está a música? Você pode encontrá-la em diversos níveis — nas cordas vibrando, no bater dos marte­los, nos dedos que tocam as teclas, nas notas escritas na partitu­ra ou nos impulsos nervosos produzidos no cérebro do pianista. Mas todos esses níveis são apenas códigos; a realidade da música é a forma invisível, difusa e bela que desperta nossas lembranças sem estar presente no mundo físico.

Para ser como o quantum, o corpo não precisa banir suas moléculas para outra dimensão; ele precisa apenas aprender a reformá-las em novos padrões químicos. São esses padrões que transitam dentro e fora da existência, assemelhando-se ao que acontece nos tubos de ensaio de Benveniste. Se pensarmos seria­mente em saltar de um rochedo e nosso coração começar a bater com força, teremos gerado adrenalina usando um estímulo tão invisível quanto o IgE da experiência. Do mesmo modo, uma das personalidades de Timmy lembra-se de como é ser alérgica a suco de laranja, mesmo que ela possa ficar escondida em al­gum domínio invisível durante dias inteiros. Mas, assim que ela volta, o corpo obedece a seu comando.

Procurei fazer com que tudo isso parecesse razoável, ao con­trário dos editores da revista Nature, quando declararam que, se a experiência IgE fosse verdadeira, deitariam por terra duzentos anos de pensamento racional na biologia. Mas a biologia agora vai ter de mudar e, com ela, a medicina. Ao contrário do que os médicos supõem atualmente, o pâncreas anormal de um dia­bético não é tão real quanto a mentalidade distorcida que se in­filtrou nas células pancreáticas.

Essa compreensão abre as portas da cura quântica. As técni­cas mentais usadas pelo Ayurveda dependem da capacidade de controlar os padrões invisíveis que ordenam nosso corpo. Há pou­co tempo, uma senhora idosa, minha paciente, vinha sofrendo de fortes dores no peito; tinham feito o diagnóstico de angina pectoris, um dos sintomas mais comuns de doença cardíaca em esta­do avançado. No período de janeiro a março daquele ano, ela se lembrava de ter tido sessenta crises de angina e tomou compri­midos de nitroglicerina para obter alívio. Recomendei-lhe que empregasse a “técnica do som primordial” para doenças cardía­cas, e ela me disse que ia praticar sozinha. (O conceito de “tera­pia do som primordial” foi um pouco discutido na introdução e novos detalhes serão dados mais adiante.)

Em julho, cerca de dois meses depois, minha paciente escreveu-me declarando que as crises cardíacas tinham passado no dia em que aprendeu a técnica, e nunca mais voltaram. Ela sente-se bem e ativa — muitas pessoas que sofrem de angina têm medo de es­forço físico, mesmo que seja pequeno. Ela foi abandonando a me­dicação aos poucos, por conta própria, e recentemente matriculou-se numa escola, com aulas diárias. Ficou muito orgulhosa por me contar essa última novidade, já que está com 88 anos de idade.

A explicação para esse resultado, em meu modo de ver, é que a ligação mente-corpo passa a ficar sob controle. Eu também gos­taria de dizer que a técnica Ayurveda não é mágica; ela apenas imita a Natureza. Há alguma diferença entre minha paciente, que faz sua angina pectoris desaparecer, e uma personalidade múlti­pla que faz a mesma coisa?



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