A importância da arte como possibilidade de ampliaçÃO dE reportório Das crianças Na Educação Infantil



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A importância da arte COMO POSSIBILIDADE DE AMPLIAÇÃO dE reportório Das crianças Na Educação Infantil

Francielle Pereira Nascimento (UEL1)

francielle1024@hotmail.com
Cassiana Magalhães (UEL)

cassiana@uel.br



RESUMO
O trabalho a seguir destaca a importância de o professor trabalhar a arte na Educação Infantil buscando proporcionar o encontro da criança com a cultura, ampliando o repertório cultural das crianças de zero a cinco anos de idade. Por meio desta linguagem, com momentos em que a criança explore diversos materiais e tenha acesso a bens culturais mediados pelo professor, é possível que ela se aproprie dos sentidos e significados dos objetos no mundo, e assim, vá se apropriando das máximas qualidades humanas. A fim de responder a seguinte problematização: Como trabalhar com a arte na educação infantil de modo a contribuir para o enriquecimento do repertório das crianças? Foi desenvolvida uma pesquisa bibliográfica com base na Teoria Histórico-Cultural. Como resultado desta pesquisa, destaca-se a forma equivocada com que professores da Educação Infantil vêm trabalhando a arte com as crianças, de forma mecânica, com modelos prontos e atividades estereotipadas. Para a superação de tais práticas a pesquisa mostra a possibilidade de se trabalhar arte considerando a criança na perspectiva Histórico-Cultural, como sendo um sujeito ativo no seu processo de humanização. Também se destaca a importância do professor se apropriar da arte e vivenciar experiências artísticas, para a partir de então, poder ser interlocutor da criança em seu processo de criação de repertórios que promoverá sua humanização.
PALAVRAS-CHAVE: Teoria Histórico-Cultural, Arte, Repertório, Educação Infantil.

TEXTO:

Este trabalho se trata de uma pesquisa bibliográfica que teve como referencial teórico norteador a Teoria Histórico Cultural. Na concepção desta teoria, a criança é um sujeito ativo que está em processo de humanização, e para que ela ocorra há a necessidade de interação com seu meio, pois, este irá lhe oferecer bens culturais da sociedade construídos historicamente.

O que se observa em muitas escolas de Educação Infantil e Creches da atualidade são práticas pedagógicas que não condizem com essa possibilidade de trabalho proposta pela Teoria Histórico-Cultural. Os professores constantemente desconsideram o papel da criança, o seu e a sua função mediadora de oferecer possibilidades de apropriação das qualidades humanas, entregando respostas e calando sua expressividade.
Estas práticas pedagógicas descritas se estendem para a linguagem artística, muitos professores a exploram de forma limitada, baseiam as atividades das crianças em modelos prontos, estereotipados e cheios de influencia midiáticos, que oferecem poucas possibilidades de ampliação de repertório cultural as crianças.

Diante de tal realidade, esta pesquisa busca responder a seguinte problemática: Como trabalhar com a arte na Educação Infantil de modo a contribuir para o enriquecimento do repertório das crianças?

A Educação Infantil é a primeira etapa da Educação Básica e é de fundamental importância para o desenvolvimento das crianças de zero a cinco anos, pois, ela é responsável pelo desenvolvimento e apropriações necessárias e peculiares desta faixa etária.

As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (2010) é clara quando afirma que a criança é um sujeito histórico e de direitos que, nas vivências, vai construindo sua identidade pessoal e coletiva (BRASIL, 2010), e essa ideia esta em consonância com a perspectiva que a Teoria Histórico-Cultural tem de criança, como um ser ativo, que ao nascer se depara com um mundo existente, e que na medida em que se relaciona com ele e com outros sujeitos se apropria das máximas qualidades humanas, ou seja, se humaniza.

A respeito da concepção de criança considerada na perspectiva desta Teoria, Mello (2007) aponta que:

Com a Teoria Histórico-Cultural, aprendemos a perceber que cada criança aprende a ser um ser humano. O que a natureza lhe provê no nascimento é condição necessária, mas não basta para mover seu desenvolvimento. É preciso se apropriar da experiência humana criada e acumulada ao longo da história da sociedade. Apenas na relação social com parceiros mais experientes, as novas gerações internalizam e se apropriam das funções psíquicas tipicamente humanas – da fala, do pensamento, do controle sobre a própria vontade, da imaginação, da função simbólica da consciência –, e formam e desenvolvem sua inteligência e sua personalidade. (p.88)


Considerando que este é coberto de sentidos e significados que foram construídos pelos sujeitos ao longo da história, é necessário que se aumente o repertório cultural das crianças para que elas se apropriem deste sentido.

Encontra-se na arte, na linguagem artística trabalhada nas creches e pré-escolas e com acesso defendido nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil uma maneira das crianças aumentarem seu repertório de informações, sentidos e significados para assim, compreenderem o mundo e se humanizarem.

Porém, na atualidade as práticas pedagógicas dos professores que trabalham com esta faixa etária estão um tanto quanto equivocadas. Como aponta Ostetto (2011), as creches e pré-escolas estão repletas de pasta de “trabalhinhos”, nos quais as crianças apenas reproduzem em série um modelo ditado pelo professor. Segundo a autora “a arte e a educação, não se resume a momentos e atividades isolados” (p.4).

Pela defesa desta ideia, e como resultado da pesquisa, será exposto adiante a importância do papel de interlocutor que o professor possui, como atuante na Zona de Desenvolvimento Proximal, ele é o adulto capaz de propiciar experiências artísticas que ampliarão o repertório das crianças.

Também será descrito a importância do próprio professor se apropriar da linguagem artística, como por exemplo, estar presente em oficinas e visitar museus. Se ele não vivencia e não experimenta as possibilidades que a arte oferece por meio de diferentes maneiras, dificilmente ele conseguirá contribuir para que uma criança aumente seu repertório e aprenda através da arte.
A criança na perspectiva da Teoria Histórico-Cultural

Para compreender melhor o trabalho pedagógico da Educação Infantil, é necessário compreender o conceito que se tem de criança legalmente, ou seja, entender para qual criança a Lei orienta o trabalho pedagógico do professor. Segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (2010), a criança é um:

Sujeito histórico e de direitos que, nas interações, relações e práticas cotidianas que vivencia, constrói sua identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura. (p.12)
Essa ideia de quem é a criança vai ao encontro ao que propõe a perspectiva da teoria Histórica-Cultural em relação a este sujeito. De acordo com esta perspectiva a criança nasce em um mundo que já existe composto por regras, costumes e utilização específicas de objetos, ou seja, uma cultura construída historicamente. Estes elementos são externos a criança, por isso, ela necessita do contato com o outro para se tornar parte da humanidade (MELLO, 1999).

Nesse processo de apropriação das qualidades humanas e da cultura a criança não é um ser passivo, mas ativo e capaz, que interage com seu meio e com sujeitos mais experientes. E é nessa relação que a criança se humaniza.

A criança que surge da observação e da teoria que a vê como um ser histórico-cultural é, desde muito pequena, capaz de explorar os espaços e os objetos que encontra ao seu redor, de estabelecer relações com as pessoas, de elaborar explicações sobre os fatos e fenômenos que vivencia (MELLO, 2007, p. 90).
Nessa perspectiva, a autora aponta que o melhor local para a educação das crianças pequenas, capaz de proporcionar a elas a apropriação das qualidades humanas são as creches e as pré-escolas, pois:

[...] aí se pode intencionalmente organizar as condições adequadas de vida eeducação para garantir a máxima apropriação das qualidades humanas – quesão externas ao sujeito no nascimento e precisam ser apropriadas pelas novasgerações por meio de sua atividade nas situações vividas coletivamente. (MELLO, 2007, p. 85).


Levando em consideração a importância deste espaço destacado pela autora, chega-se a conclusão de que"a aprendizagem deixa de ser produto do desenvolvimento e passa a ser motor deste: a aprendizagem deflagra e conduz o desenvolvimento” (MELLO, 2007, p. 89).

Dessa maneira, a Educação Infantil deve garantir a criança um espaço que possibilite a ela sua humanização para que então, ela se desenvolva.

[...] criança precisa reproduzir para si as qualidades humanas que não são naturais, Infância e humanização: algumas considerações na perspectiva histórico-cultural precisam ser aprendidas, apropriadas por cada criança por meio de sua atividade no entorno social e natural em situações que são mediadas por parceiros mais experientes. (MELLO, 2007, p. 90,91).
No processo educativo, o professor surge como parceiro mais experiente, o mediador nas relações da criança com o mundo, capaz de contribuir para a sua apropriação qualidades humanas. Por este motivo, deve haver intencionalidade nas práticas educativas do professor, de modo que estas impulsionem o desenvolvimento das funções tipicamente humanas como: memória, imaginação, o pensamento e a linguagem.

O mundo é constituído por um repertório de sentidos e significados que foram se formando historicamente, partindo desse pressuposto, ao longo da vida, os sujeitos vão se apropriando destes sentidos, e por meio desta apropriação, aumentam seu repertório. Ostetto (2011) aponta que “Quanto maior o repertório, maior a possibilidade de estabelecer diálogo com as “coisas do mundo”, com o mistério da vida”. (p.5)

Para a autora, a arte, mediada pelo professor é uma linguagem que permite o aumentodo repertório e das vivências culturais da criança. Desse modo, é uma possibilidade de que a criança se humanize por meio desta linguagem e desenvolva as funções tipicamente humanas. A partir do momento em que a criança observou, experimentou, vivenciou alguma situação mediada por um sujeito mais experiente, ela terá aprenderá e terá um avanço em seu desenvolvimento, apropriando-se das máximas qualidades humanas.
Um olhar sobre a arte na Educação Infantil da atualidade

Nos dias atuais temos presenciado constantemente nas práticas pedagógicas desenvolvidas na Educação Infantil momentos em que a arte é resumida em atividades mimeografadas marcadas por um tempo cronológico que é constituinte de uma rotina rígida e maçante. Se isso não bastasse, as crianças são obrigadas a seguirem modelos artísticos feitos e definidos pelo professor.

Essas práticas empobrecem um momento que poderia ser de exploração artística que promoveria à apropriação das crianças as qualidades humanas e aos bens culturais, fazendo com que a criatividade e capacidade de criação da criança acabem por serem limitadas a modelos estipulados que não contribuem para a sua aprendizagem.

Como aponta Cunha (2012) apud Ostetto (2014), na ação de reproduzir modelos, as crianças:

Aprendem que os outros são detentores dos saberes. Aprendem que precisam de modelos para seguir as linhas predeterminadas de suas vidas. Aprendem a ser silenciosas e subservientes (...). Aprendem a ser consumidoras e não produtoras de imagens ao colorirem os desenhos distribuídos pelos professores. Aprendem a não serem pessoas que sentem, pensam e transformam (p. 3).
Ostetto (2015) expressa em sua pesquisa “Linguagens Expressivas” e Modos de Relação com o Mundo: Sentidos da Arte da Educação Infantil o que ocorre nas situações em que oprofessor propõe que a criança reproduza modelos ou terminem criações já iniciadas:

[...] quando um educador disponibiliza desenhos prontos para as crianças pintarem,modelos de construções ou outras atividades pré-formatadas (supostamente criativas) pararealizarem, está subtraindo-lhes a possibilidade de pensamento, de levantamento eexperimentação de hipóteses, de articulação de ideias. Impede que “algo próprio” aconteça.(p.5)


Observa-se que a Lei que direciona o trabalho pedagógico para a Educação Infantil é clara em relação ao que deve ser proporcionado as crianças da Educação Infantil em relação à arte. De acordo com as Diretrizes Curriculares para a Educação Infantil (2010), os eixos que devem nortear a prática pedagógica nesta etapa do ensino básico é o de interações e brincadeiras. O documento é enfático ao afirmar que este eixo deve garantir as crianças experiências que:

Favoreçam a imersão das crianças nas diferentes linguagens e o progressivo domínio por elas de vários gêneros e formas de expressão: gestual, verbal, plástica, dramática e musical; [...]Promovam o relacionamento e a interação das crianças com diversificadas manifestações de música, artes plásticas e gráficas, cinema, fotografia, dança, teatro, poesia e literatura. (DCNEI, 2010, p.26)


Quando o professor reduz a arte como sendo um momento de realização de atividades mecânicas que não possibilita a criança expressar-se e usar sua criatividade, ele está privando-a de apropriar-se dos bens culturais produzidos pela humanidade ao longo da história. Além disso, ele deixa de contribuir para o aumento do repertório da criança, que possibilitaria a ela uma apropriação das qualidades humanas.

Ostetto(2014) faz uma crítica aos currículos da Educação Infantil ao afirmar que:

As diferentes linguagens estão nas Diretrizes Nacionais, mas, na prática a arte não é um elemento do currículo. Ela aparece no trabalhinho, na atividade para as datas comemorativas, um enfeite, um babadinho... Uma forma caricata. (p.18)
É possível comparar esta citação da autora com a realidade observada nas escolas de Educação Infantil atuais, onde a arte não é contemplada no currículo, e é imposta a criança como uma reprodução. Ao invés de oferecer modelos prontos para que as crianças reproduzam, o papel do professor de mediador do processo educativo faz com que sua função sejaa dedesafiar a crianças para que ela progrida em seu desenvolvimento. Em outra obra, Ostetto (2011) expõe sua ideia a respeito dos desafios impostos às crianças:

Apresentar desafios para os quais não se espera uma única resposta é algo distinto deoferecer uma atividade “para fazer assim”, para chegar naquilo que o professor determinouque seria o produto final. Implica em considerar especificidades de um campo de conhecimentoque não se define pela norma, pois não há regras fixas no modo de produção da arte,suas linguagens são territórios sem fronteiras. (p.3).


Uma das maneiras de desafiar a criança é o rompimento de práticas de reprodução de modelos e de imposição de atividades previamente prontas e proporcionar a elas a criação através de diferentes materiais.

Quando as crianças têm a oportunidade de escolher materiais diferentes, elas o fazem. Elas encontram o que é mais adequado para elas. Fazem, produzem imagens, pintando e montando instalações a partir de materiais que os adultos nem sonhariam em juntar. De repente, fantásticos espaços e trabalhos vão surgindo. As crianças têm um gosto abrangente e magnífico (HOLM, 2004, p. 86).


Ostetto (2014) faz uma crítica a materiais prontos oferecidos às crianças frequentemente pelos professores para a produção de atividades, que muitas vezes, são reproduções de modelos, denominando-os como “frios” e propõe a utilização de alguns recursos naturais como:de madeira, semente e areia. Estes recursos enriquecem o repertório das crianças, possibilitam a elas conhecimento a respeito, como: da onde veio? E para que é utilizado?, Além de permitir a experimentação.

Outra alternativa que Ostetto (2014) defende para trabalhar a arte de forma que amplie o repertório das crianças é a construção do ateliê. Para trabalhar com a diversidade de materiais artísticos é necessário ter um ambiente receptivo a isto. “Não é só um espaço, mas o ateliê como um conceito: um espaço da criação, da exploração, da pesquisa, da apropriação de novos repertórios”. (p.22).

Nesse processo de criar um acervo no repertório das crianças, Ostetto (2014), aponta que o professor vai além de ser um mediador, ele é um interlocutor no processo educativo, que dá suporte a criança em sua criação:

[...] que olha, escuta e propõe segundo o que observa no momento em que a criança está entregue à criação, oferecendo desafios, ampliando as possibilidades do pensamento com experiências diversificadas, em espaços-tempos também intencionalmente planejados.(p.5, 6)


O professor deve estar por perto da criança durante suas produções, sem ser evasivo, mas fazendo o papel de interlocutor do processo de aprendizagem, criando situações favoráveis e desafiando-o para que ela ocorra. São nessas situações em que a criança está produzindo, mas que precisa de uma mediação para avançar em sua produção até que consiga realiza-la sozinha que o professor atua. É a chamada Zona de Desenvolvimento Proximal, definida por Vygostky como sendo:

A distância entre o nível de desenvolvimento real, ou seja, determinado pela capacidade de resolver problemas independentemente, e o nível de desenvolvimento proximal, demarcado pela capacidade de solucionar problemas com ajuda de um parceiro mais experiente. (Vygostky(1996) apudRabello e Passos (2011, p.3).


Diante de tal assertiva, é possível observar a relevância do professor para a Teoria Histórico-Cultural, considerado um mediador que atua em situações que promove a aprendizagem da criança entre o que ela não consegue realizar sozinha, mas que pode a partir de sua mediação.
A necessidade de apropriação da arte pelo professor

Na realidade das creches e pré-escolas da atualidade é possível observar um conjunto de imagens da mídia que são do gosto do professor sendo utilizadas não só para decorarem a sala de aula, mas como parte das atividades artísticas a serem realizadas pelas crianças. Estas práticas pedagógicas baseadas na força de imagem midiática e em muitas vezes no gosto do professor diante daquele personagem famoso também é um fator que limita a criatividade das crianças e que expressam a ela um modelo ideal a ser reproduzido.

Este fato mostra a falta de vivência que este próprio professor tem em relação à arte. Fica explicito que aquele profissional não experimentou a arte, não se apropriou da linguagem artística em sua história, e que seu repertório de bens culturais é bastante limitado. Ostetto argumenta que estes fatos se repetem devido ao impedimento que estes professores também sofreram de experimentar e vivenciar a arte em sua infância. A autora fala com propriedade a respeito do tema, se incluindo nesse grupo de professores que sofreram este tipo de privação quando crianças:

No meio de toda essa história estamos nós, professores, que também fomos interditados na nossa ação de sonhar, de jogar e inventar mundos. Também fomos reprimidos em nossas linguagens e possibilidades expressivas. E então, o que acontece? Não raro, temos dificuldade em respeitar e valorizar o jogo das crianças, seus modos de criar e inventar modas, seus jeitos de dizer e representar o real. (OSTETTO, 2008, p. 72).


Dessa maneira, Ostetto, em outro momento, ainda nesta temática, defende que na formação do professor se abra espaço para sua própria experiência.

E isso implica ir a outros espaços, que não só o da escola, da universidade. Ir ao teatro, ir ao museu...Experimentar! Realmente se colocar como um fruidor e não simplesmente como aquele que fala sobre. Perceber as mudanças que ocorrem em seu entorno. As estações do ano, o sol, a lua, as mudanças na natureza. (OSTETTO, 2014, p.22)


Nessa perspectiva, se torna necessário que o professor experimente para reencontrar suas linguagens. Ele não pode ser apenas um espectador diante das realizações e produções da criança, ele precisa participar deste processo, ser o interlocutor que desenvolve seu trabalho pedagógico para propiciar um repertório cultural a essa criança. Ostetto (2011) enfatiza que:

O professor precisa alimentar sua expressão e conectar-se com ela, precisa reconquistaro seu poder imaginativo, se pretende e deseja garantir a criação, a expressão das crianças. A educação do educador é essencial e, no que diz respeito à arte, passa necessariamente pelo reencontro do espaço lúdico dentro de si, pela redescoberta das suas linguagens (perdidas, esquecidas, onde estão?), do seu modo de dizer e expressar o mundo. (p.12)

Desta maneira, faz-se necessário a experimentação de situações artísticas vivenciadas pelo professor para que ele possa ter um repertório cultural a oferecer a criança. E não só isso, para que compreenda o que é ser criança, e resgatar a criança que foi um dia. Compreender a vontade inquietante de criar, de extravasar e de expressar, que não suporta ser repreendida por modelos, e que quando isso ocorre, acaba por ser adormecida, tornando-se limitada e vazia.


Considerações Finais

Considera-se a relevância desta pesquisa para que por meio dela, professores da Educação Infantil reflitam sobre a arte como possibilidade de ampliação de repertório nas crianças de 0 a 5 anos. Este repertório proporcionará a criança um acervo de bens culturais e significados do mundo, favorecendo assim seu processo de apropriação das máximas qualidades humanas.

As práticas equivocadas repetidas frequentemente nas creches e pré-escolas, onde, a arte é considerada uma atividade a parte, desvinculada da realidade e das particularidades das crianças, repleta de reprodução de modelos prontos, não permitem a criança criar e produzir a partir de suas experiências e dessa maneira, acaba limitando a ampliação de seu repertório cultural.

Propõe-se que o professor da Educação Infantil reflita e busque a superação destas práticas e reconheça a arte como é uma alternativa para criação e ampliação de repertório nas crianças de 0 a 5 anos que contribuirá para o seu processo de humanização.

Porém, esta mudança de perspectiva, postura e prática pedagógica por parte do professor não ocorre automaticamente. É necessário que primeiramente este profissional busque compreender a criança. Uma das possibilidades que o professor pode buscar para que isso ocorra é a leitura, compreensão e apropriação das Diretrizes Curriculares para a Educação Infantil e a Teoria Histórico-Cultural, pois, estes consideram a criança como um sujeito histórico, de direitos e ativo em seu processo de aprendizagem.

Também se faz necessário a apropriação da linguagem artística pelo professor da Educação Infantil. Se ele próprio não vivenciar experiências artísticas, não experimentar e buscar a criança que já foi um dia, dificilmente ele conseguirá criar situações que favoreçam a ampliação do repertório das crianças.

Dessa maneira, há a necessidade de uma reflexão a respeito do tema pelos professores da Educação Infantil, buscando a superação de práticas pedagógicas que em pouco contribuem para o desenvolvimento das crianças, e reconhece-las com sujeito capaz e ativo em seu processo de tornar-se humana.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretrizes curriculares nacionais para a educação infantil / Secretaria de Educação Básica. – Brasília : MEC, SEB, 2010.
HOLM, A. M. A energia criativa natural. Pro-Posições. Campinas, SP, Faculdade de Educação/Unicamp, v.15, n.1(43), jan.-abr. 2004. Disponível em: < http://www.proposicoes.fe.unicamp.br/proposicoes/textos/43-dossie-holmam.pdf>. Acesso em: Abril/ 2015.

MELLO, Suely Amaral. Algumas implicações pedagógicas da Escola de Vygotsky para a educação infantil. Revista Pro-Posições, vol.10, n.1, 1999.


____________________. Infância e humanização, algumas considerações na perspectiva histórico-cultural. PERSPECTIVA, Florianópolis, v. 25, n. 1, 83-104, jan./jun. 2007.Disponível em< http://www.perspectiva.ufsc.br/perspectiva_2007_01/6-Suely.pdf>. Acesso em: Abril/2015.
OSTETTO, Luciana Esmeralda. Educação infantil, arte e criação: ensaios para transver o mundo. SME/Florianópolis. 2008. Disponível em: < http://www.sme.fortaleza.ce.gov.br/educacao/files/2014/23_09_01_Diretrizes_curriculares_de_Florianpolis_54-76.pdf> Acesso em: Abril/2015.
_________________________. Educação infantil e arte: sentidos e práticas possíveis. Cadernos de Formação da UNIVESP. São Paulo: Cultura Acadêmica. 2011.

_________________________. Linguagens expressivas e modos de relação com o mundo: Sentidos da arte na Educação Infantil. 2014. Disponível em: < http://www.estudosdacrianca.com.br/resources/anais/1/1403725734_ARQUIVO_CongressoLuso-brasileiro_2014.pdf> Acesso em: Abril/2015.

_________________________. Nós e as crianças de mãos dadas com a arte. Revirei - Revista virtual de Educação Infantil. Nº1. Jan/Jun – 2014. Disponível em: Acesso em: Abril/2015

RABELLO, Elaine; PASSOS, José Silveira. Vygotsky e o desenvolvimento humano. 2011. Disponível em: Acesso em: março/2015>. Acesso em: Abril/2015.



1 Sigla para designar: Universidade Estadual de Londrina.



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