A luta II 1º ato 24. 03. 2006



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A LUTA II

1º ATO

24.03.2006

PRÓLOGO:

1 - RUA Jaceguay OFICINA UZYNA UZONA DO OUVIDOR On Line
(Enquanto o público se prepara para entrar no teatro: Manifestação pro ataque de Canudos, NÃO `A DEPOSIÇÃO DAS ARMAS. Pipoqueiros, cachorro quente, Tvs na Ágora do Minhocão, comício convocando as Armas, comandado pelo Tenente Pires Ferreira, na escadaria de um palanque em frente ao Teatro.)
TENENTE PIRES FERREIRA

Eu Tenente Pires Ferreira

Herói de Guerra e desta Feira !

Paulista !

Abaixo a Monarquia Terrorista !

(apontando o telão)

Vejam que imagens indecentes

usadas neste Teatro Oficina, este antro de Monarquistas doentes !

Dizem ser arte, “Os Sertões”, nessa mentirosa encenação !

Pretendem mais, se expandir por todo quarteirão,

nos privando do progresso do Shopping do Minhocão,

aproveitando-se da nossa derrota na terceira expedição !

Nesta manifestação pelos Humanos Direitos de Propriedade,

Da República agonizante clamemos: às armas povo desta cidade !
EM VÍDEO E AO VIVO
REPÚBLICA

(Toda entubada numa cama de UTI, toda monitorizada, Estátua da Liberdade passando mal)

Eu República estou a perigo

é preciso salvar a República,

que o Presidente chame às armas

os republicanos de todas as tendências

contra o Cartel de Canudos


(TABOLETEIROS com escritos de VAMOS SALVAR A REPÚBLICA !)
TENENTE PIRES FERREIRA

O Governo Prudente de Morais

incumbiu-me de estar aqui entre vós mortais,

para anunciar

que começa a atuar, atenções !

E Atuar é: agremiar batalhões.

Aliste-se é sua sina

diante do terrorismo do Teatro Oficina !

Estão abertas inscrições

para o preenchimento de vagas,

sem compulsões.

Os pedaços que me sobraram

a voz, não me calaram !
PRODUTORA DAS CORISTAS DO CÉUS

Alistem-se freqüentadores: desatar sem dor,

da crise o fio,

no Ouvido do Brasil:

a Rua do Ouvidor.

(apontando a República num carrinho)

Ponha seu nome na Buceturna,

e para espantar a onda taciturna

e vos fazer perder o medo

do grande Arthur Azevedo:

“O Jagunço”


CORISTAS DOS CÉUS

(Marcha Funk)

“Guerra, Guerra

Que é dever de patriotismo

Guerra, Guerra

Pra defender a nossa terra

Guerra, Guerra

Contra o negro fanatismo”
Marchar que a pátria espera

Na primavera

Um novo sol

Guerra nesse céu de anil



(Breque rufar de tambores)

Alistamento, (a Banda faz um Papapaparã)

em defesa do Brasil…
(A PERCURSSÃO METRALHA BRUTAL ANTES DO “OBA !” As coristas transformam-se elas mesmas em secretárias, colhendo os nomes dos que vão se alistar, conforme entram, encaminhando-os à Buceturna)
TENENTE PIRES FERREIRA

Atenção, I’sorry, uma interrupção,

dando seu divino reforço à esta manifestação,

aqui conosco em Praça Pública

o Presidente da República !

(entra o Vídeo)
BUSH PRESIDENTE DA REPÚBLICA

(Entra Bush ao Vivo e nos Telões)

We will destroy your town, Canudos.

The country has their eyes fixed upon you

and awaits your great deeds of bravery.

The terrorist, the treacherous enemy who attacks us while hiding…

Sissies !

Faggots !

If you are still the bravest men of all time,

Canudos will be ours before the year is out,

terrorism will be terminated and we may rest in our home safely

The Republic will be deeply grateful for our sacrifices.

Long live Colonel Moreira Cesar.

Ave Cesar !
TABOLETEIROS

(soldados como aeromoças mostram ao público como fazer a saudação romana)

AVE CESAR !


TENTE PIRES FERREIRA

Agora para nossa emoção

trago-vos a heroína desta manifestação !

(Projeções de Imagens de Marketing do Herói Wanderley)
NOIVA DE WANDERLEY

Eu sou a Noivinha,

era meu noivinho

o nosso herói Cabo, Wanderley !

Hoje noivo póstumo do Brasil todinho, eu sei !
TENENTE PIRESFERREIRA

Um soldado Pop,

despertou o IBOP,

que injetou no Povão

esta póstuma paixão.

De Moreira Cezar era Ordenança…

Quando a tropa desertou sem esperança,

e o cadáver de Cezar foi lançado

à margem da estrada, abandonado

Wanderley revoltado

permaneceu ao lado do coronel,

guardando o cadáver como um precioso anel…

Por todo exército desprezado

cuidou o Cabo,

daquele ser sagrado.

(fotos tiradas pelos desertores que foram encontradas, do momento heróico do fim da Luta I)

De joelhos junto ao corpo do comandante,

não se rendeu nem por um instante,

Jesus no Horto,

lutando por um morto…

Até ao último cartucho se bateu

tombando herói num quadro de museu !
O CABO WANDERLEY

(aparece na rua em trapos)

Eu não morri, eu estou vivo.


VIÚVA

Não, isso é pegadinha.

Não meu amor, você é um fantasma.

Eu sou viúva

Essa Campanha pela Guerra é um sucesso absoluto !

Você morreu



(Joga seu luto sobre ele)

E sai do rua do Ouvidor…


CABO WANDERLEY

Você não me ama mais ?


ATRIZ VIÚVA

Amo. Morto.


CAPITÃO CAVALO PEDREIRA FRANCO

O Senhor morreu Cabo Wanderley

Mas ressuscita em outro papel:

é promovido na hierarquia

a Alferes da cavalaria !

(Hino como o da cavalaria Rusticana ou da Brasileira que deve ter seu Hino; recebe o título e o Cavalo Neve, ovação)

ALFERES WANDERLEY

Tarda mas não falha a justiça divina do teatro militar !

Monte Santo atendeu a dádiva do meu retrato

virei celebridade de fato,

que barato !



(pessoas do público, pedem autógrafos de uma foto dele)
UM SOLDADO DA POLÍCIA

The Human Rights, pelo Bem !

Espectadores debandem !

Hoje não tem sessão, essa imoralidade não é mais viável !

Quem é o responsável ?

O que é isso ?


MANIFESTANTES EMPASTELADORES

(neonazistas- skinheads protestam pelos direitos humanos)

Vamos queimar o livro desta peça de menores corruptora !

Somos a nação salvadora.

Vamos queimar a papelada

desta peça que se alonga para o nada.
(CONGELA TUDO-AFASTAMENTO)
EUCLIDES DA CUNHA

(ao vivo em torno do auto da fé)

Eu estou aqui, queimando tudo

Eu ainda não fui à Canudos.
CORONEL JAQUIM MANOEL MEDEIROS

(com megafone na mão, retransmitindo ao vivo o que ouve em um celular)

Os Jagunços já tomaram Monte Santo !

O Iraque !

Agora, o Rio de Janeiro !

Aliados ao Crime Organizado !

Não, a TV Globo, o Projac

acabou de ser derrubado !

O que ? Dinamitaram o Corcovado !


ALFERES WANDERLEY

Que fizestes, Oh Cezar,

com as minhas legiões ! ?
(O Coronel Medeiros vê perplexo a cena de Wanderley, quando percebe que de dentro do Teatro vem um Homem Bomba. Agora a destruição é aqui ?)
HOMEM BOMBA

Jihad ! Alalaô !


(Pratica o Suicídio por Alá ! Explodindo-se com uma bomba. É O PRIMEIRO CLARÃO DE DESCARGAS. Vai tudo aos ares. O Público entra guiado por militares que invadem o Teatro na maior brutalidade e paranóia, dominando o público e transformando o Teatro num Centro de Operação de Guerra. É a Tropa recém formada no alistamento da Rua do Ouvidor e os Convocadores de alistamento que invadem, ocupam o Teatro e conduzem o público. Após a tensa ocupação, os batalhões vão se distribuindo na pista, de acordo com seus Estados. No chão está um enorme mapa do Brasil. Mas ouve-se o Tropel de Bárbaros ao vivo, com o som vindo de baixo da terra do que serão as bocas de fogo logo mais. Sons de helicópteros, e de guerras de todo o mundo onde há a multidão canudense mundial em canto de guerreiros. De repente, SEGUNDO CLARÃO de DESCARGAS: Segundo Sinal. É Lida a Ordem do Dia do Espetáculo – Segurança, patrocinadores etc… até MERDA !)
EUCLIDES DA CUNHA

(No Camarote Norte ao lado do Teatro de Estádio que está construindo 3 anos depois.)

Aqui em São Jose do Rio Pardo

reconstruo essa ponte, na febre ardo !

Queimam os sertões

queimam as Metrópoles,

explosões de exclusões.

São Paulo-Rio-Paris-Nova York bumerangados

capitais de alienados !

A rua do Ouvidor vale por um desvio das caatingas.

A correria do sertão entra

arrebatadamente pela civilização adentro.

E a guerra de Canudos é sintomática apenas.

O mal é maior.

Não se confina num recanto da Bahia.

Alastra se.

Rompe nas capitais do litoral.

O homem do sertão, encourado e bruto, tem parceiros mais perigosos.

Os meios mais adiantados

encobertos de tênue verniz de cultura

são trogloditas completos.

Revela que pouco nos avantajamos

aos rudes patrícios retardatários.

Estes, ao menos, são lógicos.

Insulado no espaço e no tempo,

o jagunço,

um anacronismo étnico,

só pode fazer o que faz

bater, bater terrivelmente a nacionalidade que,

depois de o enjeitar cerca de cinco séculos,

procura levá lo para os deslumbramentos da nossa idade

dentro de um quadrado de baionetas,

mostrando lhe o brilho da civilização

através do clarão de descargas.
(TERCEIRO CLARÃO DE DESCARGAS - Terceiro Sinal)

1º MOVIMENTO: 1ª COLUNA

1- grande mapa do brasil no chão da pista

2 - mãe primal bahia

3 - razzia dos soldados liderados pelos republicanáticos

4 - projeção de aracaju e da bahia, mapas do percurso das duas colunas

5 - com a primeira coluna

6 - com a segunda coluna

7 - queimadas-brecada

8 - troca de comando

9 - oficinas e oficinas de teatro enquanto se espera a estréia

e busca da produção e organização

10 - noite de santo antônio

11 - monte santo

12 - conselho: porque não partir

13 - entra a 32

14 - general entusiasmado com a 32, decide a partida

15 - foto de partida

16 - cai a 32

17 - saída do embaço com a 32

18 - os bois querem fazer greve

19 - noites de iguana dos cantos com chuva

20 - na vanguarda - marcha em bossa nova

21 - retaguarda do atraso - outro ponto mais distanciado da tropa, o 5ª de policia

22 - no centro, na brigada joaquim manoel de medeiros, wanderley faz um balanço da estratégia

23 - primeiro reencontro

24 - ano novo de junho

25 - surge a 1ª coluna no portal da luz das cunanãs

26 - madrugada de são joão - travessia da 32

27 - chuva canto pranto - mandrágoras oxums e iansãs do céu,

choram com o alferes wanderley

28 - inauguração - travessia da 32 rainha do mundo para canudos

29 - o sol ressucita as cunanãs que renascemem forma de cinema

30 - no lago palco cama de motel do rio: dilermando e ana se encontram

31 - euclides no lago palco cama no rio, vendo um filme do cinematógrafo em canudos palimpsestos

32 - filme de amor

33 - parada: primeiro prisioneiro. rapto do filho de pajeú

34 - pitombas –jagunços surgem ao alto. pajeú na cezalpina

35 - meio dia

36 - ataque dos jagunços entrincheirados

37 - proclamação de vitória pelo silêncio dos jagunços - fuga ?

38 - chuva de balas agora do exército

39 - baixas em dominó

40 - s. o. s. à coluna savaget

41 - balanço da situação

GENERAL ARTHUR OSCAR DE ANDRADE GUIMARÃES



(no centro do Teatro)

Eu, General Arthur Oscar de Andrade Guimarães

Comandante do 2° Distrito Militar de Porto Alegre

Declaro:

aceito a direção da Luta.

Todas as grandes idéias tem seus mártires;

nós estamos votados ao sacrifício

não fugimos

para legar à geração futura

uma República honrada, firme e respeitada.

Viva a República !
TODOS

Viva !


(telégrafos em todas as línguas, transmitem o novo Comando da Guerra)
GENERAL ARTHUR OSCAR DE ANDRADE GUIMARÃES

Sejam convocadas tropas do Brasil inteiro

Alistem-se civis, novos guerreiros

Vamos salvar a República !

É dever dos cidadãos republicanos do mundo inteiro.

Batalhões…



GRANDE MAPA DO BRASIL NO CHÃO DA PISTA
(Os ajudantes dos ordenanças vão trazendo rapidamente o público e o colocando, com suas faixas de Batalhão, na pista-mapa, de acordo com a localização de seus estados, onde já se encontram Oficiais de cada região. A Música Militar inicia com simples batidas de Caixa e vai se euforizando, até todo o mapa ser ocupado com todos de pé cantando trecho do Hino Nacional)
CORIFEU CONVOCADOR 1

(no sul do Teatro)

…Do Rio Grande do Sul!


CORIFEU CONVOCADOR 2

(ao Norte, com chapéus de Carnaúba)

Do Pará!

ORDENANÇA CONVOCADOR 3

(ao Norte, com chapéus de palha de Babaçu)

Do Maranhão!

ORDENANÇA CONVOCADOR 4

(no centro norte, fora do litoral)

Do Piauí!


CORIFEU CONVOCADOR 6

(mais para o Norte)

Do Rio Grande do Norte!


CORIFEU CONVOCADOR 7

(no nordeste)

Da Paraíba!


CORIFEU CONVOCADOR 8

De Pernambuco!


ORDENANÇA CONVOCADOR 9

(nordeste)

De Sergipe!


ORDENANÇA CONVOCADOR 10

Da Bahia!


CORIFEU CONVOCADOR 11

(o público é conduzido para o Sul no Rio)

Do Rio de Janeiro!


(As Krupps já estão no Rio, seguem artilheiros para manejá-las e empurrá-las.)
ARTHUR OSCAR

Levantem-se brasileiros, cantemos todos de pé, o nosso maravilhoso Hino Nacional !


(Todos cantam imóveis a primeira parte do HINO NACIONAL…)
CORO DE TODOS OS EXPEDICIONÁRIOS

Ouviram do Ipiranga às margens plácidas

de um povo heróico o brado retumbante !

E o sol da liberdade em raios fúlgidos,

brilhou no céu da pátria nesse instante.
Se o penhor dessa igualdade

conseguimos conquistar com braço forte !

Em teu seio, oh liberdade

desafia o nosso peito à própria morte !


Oh Pátria amada, idolatrada, salve salve !
Brasil um sonho intenso, um raio vívido

de amor e de esperança à Terra desce

em teu formoso céu risonho e límpido

a imagem do cruzeiro resplandece !


Gigante pela própria natureza

és belo, és forte impávido colosso

e o teu futuro espelha essa grandeza, Terra adorada

entre outras mil, és tu Brasil, oh Pátria amada,

dos filhos deste solo és mãe gentil,

Pátria amada Brasil !


(… e saem em marcha pelo Brasil em direção à Bahia cantando em Bossa Nova)

Deitado ethernamente em berço esplêndido

ao som do mar e a luz do céu profundo

fulguras oh Brasil florão da América

iluminado ao sol do novo mundo !
Do que a Terra mais garrida

teus risonhos lindos campos tem mais flores

nossos bosques tem mais vida

nossa vida em teu seio mais amores !



(Calypso do Pará)

Oh Pátria amada, idolatrada, salve salve !


Brasil de amor etherno seja símbolo

um lábaro que ostentas estrelado

e diga ao verde louro desta flâmula

paz no futuro e glória no passado !


(Samba)

Mas se ergues da Justiça a clava forte

verás que um filho teu não foge à Luta

nem teme quem te adora à própria morte, Terra adorada,

entre outras mil és tu Brasil, oh Pátria amada !

Dos filhos deste solo és mãe gentil

Pátria amada Brasil !
MÃE PRIMAL BAHIA

(O Samba Hino vai virando Melodia e Ritmo receptivo da Terra da Felicidade)

BAHIA EULÂMPIA



(Com Parangolé imenso de uma Saia-Grande-Bahia, inicialmente pudicamente fechada.)

Meus filhos de todo mapa da nossa nação,

por esta maldita briga,

voltam, convergem pra mim,

sua primeira Barriga.
De todo o Brasil, pois venham tropas, noite e dia,

Com os braços, pernas abertas

vos recebo, sou vossa Mãe Pátria

nas horas certas

Sou Bahia !

(rufa o Olodum. Eulâmpia abre a Saia do Parangolé, imensa como uma Barriga, e abriga os que chegam das várias partes do Mapa do Brasil)
Mas, Bahia de Todos os Santos

as tropas entretanto, tantas,

dos jovens de hoje em dia,

suspeitam de minha nobreza de Mãe Santa,

me dizem ainda viver na velha… Monarquia !
Por que saltam filhos na Bahia Amada

com arrogância de triunfadores em praça conquistada ?


TROPA

A Bahia é uma enorme Canudos.


BAHIA EULÂMPIA

Repare ! Préconceito seus Péludos !

Porque a velha capital conservou seus tesouros antigos ?

Nessas montanhas alteadas, meus filhos, meus amigos,

se embateram em tempos
BAHIANAS IEMANJÁS

"varredores da mar",


BAHIA EULÂMPIA

batavos, normandos, atraídos,


BAHIANAS IEMANJÁS

por nosso jeito único…

… de amar.

Na nossa metrópole, o passado vive

o futuro de cada ano !
BAHIA EULÂMPIA

Roma Negra

Coma, coma !
BAHIANAS IEMANJÁS

É pra já ! Iemanjá !

TROPA

Não nos comove



irrita-nos, Bahia, renove !

Trincheiras de Taipa do tempo de Tomé de Sousa,

ruas estreitas, embaralhadas, que cousa !
CABO VIADO CANTOR

Gregório de Matos na certa, ia,

encontrar igual a Triste Bahia…
BAHIA EULÂMPIA DE ALAQUETO

A Bahia vos espera, venham ver nossas belezas,

mesmo aqui na Alfândega quanta nobreza !

(Mostra um Brasão Imperial nas Estruturas do Portal da Alfândega, onde chegam os navios)

Bahia… ! Bahia… ! Bahia… ! Bahia… !


RAZZIA DOS SOLDADOS LIDERADOS PELOS REPUBLICANÁTICOS
SOLDADO REPUBLICANÁTICO

Abaixo a Monarquia

Quebrem essa Porcaria !

(a marretadas, depredam o escudo em que se via as armas imperiais; a soldadesca seguindo o exemplo, exercita  se em correrias e conflitos, procurando relíquias para profanar)
BAHIA EULÂMPIA DE ALAQUETO

Êpa Hey ! ! !


BAHIANAS IEMANJÁS VIRADAS IANSÃS

Êpa Hey ! ! !



(Silêncio. A Banda pára.)

Cossacos em ruas Varsóvia.

Matutice óbvia.
SOLO

A Guerra não é aqui, é preciso vos ensinar ?


SOLO

Há em toda Bahia um descontentamento popular…

prestes a explodir
BAHIANAS IEMANJÁS VIRADAS IANSÃS

E vocês a provocar, provocar…

Vão dançar.
GENERAL ARTHUR OSCAR

(aos gritos, furioso)

Fuzilo agora, o primeiro estúpido que continuar com essa palhaçada !

Nenhum batalhão permanecera mais aqui !

Já do porto pra Estação da Calçada,

vocês não merecem sequer pisar essa terra sagrada.

(para Bahia Eulâmpia)

Salve Rainha…

Perdoa. Não sabem o que fazem…

é tudo gentinha.


BAHIA EULÂMPIA DE ALAQUETO

Vosso conceito de civilidade sabe o que vale nosso Farol

O Brasil sem axé, sem magia, sem poesia é só Besteirol

Nobre caudilho…


TROPA

Nobre caudilho ? !


BAHIA EULÂMPIA DE ALAQUETO

Cavalheiro Republicano, eu sei

Baianos saudemos General Arthur Oscar: “Meu Rei”

Viva a República “Meu Rei” !


BAHIANAS IEMANJÁS

Viva A República “Meu Rei” !


ALFERES WANDERLEY

Sou eu, Alferes Wanderley, Meu Rei !


TROPA

Meu Rei ? !


ALFERES WANDERLEY

Ou errei ?


(a multidão, e os fãs que o seguem desde a rua do Ouvidor invadem pedindo autógrafos)
BAHIANAS

Rei ! Rei !



(é protegido dos fãs por soldados que logo o erguem enquanto os fãs se ajoelham e rezam)
BAHIANAS

Rei !
ALFERES WANDERLEY



(do alto do soldados salta e abre o jogo Olímpico da Quarta Expedição como Teatro de Estádio) Convoco o time dos Leões !

Na Arena com todos nossos Gládios

Jogadores de Teatro de Estádio

(Toque da Introdução de Merda de Caetano Veloso. Entra uma bola, formam-se dois times para a Pelada: Sertanej(a)os, sem camisa + Público x Exército: 11 Jogadores de Teatro de Estádios, reservas nos Bancos)

atores curinga

na ginga

atacantes

Metamorfoses ambulantes,

Avante !

Jogo eu de goleiro dos sertanejos, inimigos !

Brinco desta vez de amigo !


(os Times fazem a abertura da dionisíaca olímpica – a grande abertura musical da ópera de carnaval do final do ciclo serestando dança atual de rua. O espaço é aberto afinal para pontuação rítmica & poética para o Futebol entre os dois times, do exército e sertanejo. GOLEIROS BEM MARCADOS - LUZ- FIGURINOS - UMA CENA RITUAL PARA AS APRESENTAÇÕES DOS JOGADORES, GOLS ETC… O Juiz tira a cara coroa e o jogo começa e flue. Deve ser acompanhado por uma bela música, nunca uma charanga, talvez Merda de Caetano Veloso, arranjada. Deve obter-se pelo menos um gol, somente aí surge o General Barbosa, do camarim norte, anunciado pelo Baixo, para despertar para a ordem militar)
CORONEL JAQUIM MANOEL MEDEIROS

Atenção, formação 1ª Coluna !

1ª, 2ª e 3ª Brigadas

por mim,

Coronel Joaquim Manoel de Medeiros, comandadas.
GENERAL JOÃO DA SILVA BARBORA

Até que em Queimadas

pra minha chefia sejam passadas.

(Silêncio pesado)

Eu, General João da Silva Barbosa,

sem prosa.

1ª CO-LU-NA !

Se una !
CORONEL JAQUIM MANOEL MEDEIROS

A 1ª Brigada,

essa por mim até o fim comandada:
Os Batalhões de Infantaria, 14º de Pernambuco, 7º da Bahia, e o 30º do Rio Grande do Sul

Tudo Azul !


CORONEL INÁCIO HENRIQUE GOUVEIA

Batalhões de Infantaria,

25° Rio Grande do Sul, 27° Paraíba, 16°Bahia,

e Comissão de Engenharia,

a 2ª Brigada, Eia !

Comandada por mim Coronel Inácio Henrique Gouveia !


CORONEL OLIMPIO DA SILVEIRA
Comandando a 3ª Brigada de Campanha do Rio de Janeiro

Coronel Olímpio da Silveira, do o 5° Regimento da Artilharia,

com muita Fantasía.
TENENTE PIRES FERREIRA

Também na 3ª Brigada,

O 5º de Pernambuco e o 9º da Bahia

Batalhões de Infantaria,

Aqui representados por mim Tenente Pires Ferreira na Valentia

FALOU INFANTARIA !”


INFANTARIA

Falou infantaria ! ! !



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