A missão da Umbanda



Baixar 0.77 Mb.
Página1/13
Encontro27.02.2018
Tamanho0.77 Mb.
  1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   13

A Missão da Umbanda Ramatís


RAMATIS

A MISSÃO DA UMBANDA
Obra mediúnica inspirada

pelo espírito Ramatís

ao médium Norberto Peixoto


Norberto Peixoto nasceu em Porto Lucena, Estado do Rio Grande do Sul, no ano de 1963.
Ainda criança, viu-se diante do mediunismo por intermédio de seus pais, ativos trabalhadores umbandistas. Sendo filho de militar, residiu no Rio de Janeiro até o final de sua adolescência, onde teve a oportunidade de ser iniciado na umbanda aos sete anos de idade.
Aos 11 anos deparou-se com a mediunidade aflorada, presenciando desdobramentos astrais noturnos com clarividência. Aos 28 anos foi iniciado na Maçonaria, oportunidade em que teve acesso aos conhecimentos espiritualistas, ocultos e esotéricos desta rica filosofia multimilenar e universalista, que somente são propiciados pela freqüência regular em Loja Maçônica estabelecida.

Em 2000 "concluiu "sua educação mediúnica sob a égide kardequiana, e atualmente desempenha tarefas como médium trabalhador em Porto Alegre.

Este sexto livro, sob a orientação de Ramatís, intitulado A Missão da Umbanda, foi escrito por meio da psicografia inspirada e das experiências e instruções recebidas diretamente do Plano Astral em desdobramento clarividente.


A Missão da Umbanda
Embora surgida no Brasil em 1908, com a manifestação do Caboclo das Sete Encruzilhadas pelo médium Zélio de Moraes, a umbanda é "mais antiga nos planos rarefeitos que o próprio planeta Terra". Para desvelar sua essência e seus verdadeiros fundamentos, Ramatis retorna à literatura espiritualista e delimita o perfil doutrinário e ritualista desta religião eminentemente brasileira fundamentada no Evangelho do Cristo, que em nada se parece com as práticas mágicas populares e os cultos de origem africana.
O que são verdadeiramente os orixás e exus, o que representam os assentamentos vibratórios, o surgimento da tela etérica e sua relação com o mediunismo, as correspondências vibratórias entre os planos do Universo, os corpos sutis, os chacras e os orixás; as escolas orientais e a gênese desta religião de raízes cósmicas, os sincretismos e as influências indígena, negra e branca, são elucidados com a objetividade que lhe é peculiar. E mais: a realidade oculta atrás dos sacrifícios de animais, prática que nada tem a ver com a ritualística da verdadeira umbanda, assim como os populares"despachos"nas esquinas urbanas, são definitivamente esclarecidos.

Esta obra é, portanto, um relevante marco na trajetória do movimento umbandista, e sem dúvida uma importante referência para todos os umbandistas sérios e espiritualistas estudiosos.



·

OBRAS DE RAMATIS .


  1. A vida no planeta marte Hercílio Mães 1955 Ramatis Freitas Bastos

  2. Mensagens do astral Hercílio Mães 1956 Ramatis Conhecimento

  3. A vida alem da sepultura Hercílio Mães 1957 Ramatis Conhecimento

  4. A sobrevivência do Espírito Hercílio Mães 1958 Ramatis Conhecimento

  5. Fisiologia da alma Hercílio Mães 1959 Ramatis Conhecimento

  6. Mediunismo Hercílio Mães 1960 Ramatis Conhecimento

  7. Mediunidade de cura Hercílio Mães 1963 Ramatis Conhecimento

  8. O sublime peregrino Hercílio Mães 1964 Ramatis Conhecimento

  9. Elucidações do além Hercílio Mães 1964 Ramatis Conhecimento

  10. A missão do espiritismo Hercílio Mães 1967 Ramatis Conhecimento

  11. Magia da redenção Hercílio Mães 1967 Ramatis Conhecimento

  12. A vida humana e o espírito imortal Hercílio Mães 1970 Ramatis Conhecimento

  13. O evangelho a luz do cosmo Hercílio Mães 1974 Ramatis Conhecimento

  14. Sob a luz do espiritismo Hercílio Mães 1999 Ramatis Conhecimento




  1. Mensagens do grande coração America Paoliello Marques ? Ramatis Conhecimento




  1. Evangelho , psicologia , ioga America Paoliello Marques ? Ramatis etc Freitas Bastos

  2. Jesus e a Jerusalém renovada America Paoliello Marques ? Ramatis Freitas Bastos

  3. Brasil , terra de promissão America Paoliello Marques ? Ramatis Freitas Bastos

  4. Viagem em torno do Eu America Paoliello Marques ? Ramatis Holus Publicações




  1. Momentos de reflexão vol 1 Maria Margarida Liguori 1990 Ramatis Freitas Bastos

  2. Momentos de reflexão vol 2 Maria Margarida Liguori 1993 Ramatis Freitas Bastos

  3. Momentos de reflexão vol 3 Maria Margarida Liguori 1995 Ramatis Freitas Bastos

  4. O homem e a planeta terra Maria Margarida Liguori 1999 Ramatis Conhecimento

  5. O despertar da consciência Maria Margarida Liguori 2000 Ramatis Conhecimento

  6. Jornada de Luz Maria Margarida Liguori 2001 Ramatis Freitas Bastos

  7. Em busca da Luz Interior Maria Margarida Liguori 2001 Ramatis Conhecimento



  1. Gotas de Luz Beatriz Bergamo 1996 Ramatis Série Elucidações



  1. As flores do oriente Marcio Godinho 2000 Ramatis Conhecimento



  1. O Astro Intruso Hur Than De Shidha 2009 Ramatis Internet



  1. Chama Crística Norberto Peixoto 2000 Ramatis Conhecimento

  2. Samadhi Norberto Peixoto 2002 Ramatis Conhecimento

  3. Evolução no Planeta Azul Norberto Peixoto 2003 Ramatis Conhecimento

  4. Jardim Orixás Norberto Peixoto 2004 Ramatis Conhecimento

  5. Vozes de Aruanda Norberto Peixoto 2005 Ramatis Conhecimento

  6. A missão da umbanda Norberto Peixoto 2006 Ramatis Conhecimento

  7. Umbanda Pé no chão Norberto Peixoto 2009 Ramatis Conhecimento


Agradecimento à origem africana da umbanda

Importante para nós, umbandistas, refletir sobre como nos comportamos diante da origem africana da umbanda - também temos a origem indígena e branca judaico-cristã, no catolicismo e no espiritismo.

Percebemos muitas vezes, dado a pluralidade e diversidade na prática umbandista, certos ritos de outros cultos incluídos como sendo de umbanda. Observemos que tudo o que contraria a caridade não pode ser aceito como prática de umbanda.

Este estado de coisas deve ser colocado num clima amistoso, de concórdia, diálogo e união, pois toda iniciativa sectária, de exclusão abrupta que tenta impor uma verdade absoluta, gera uma ruptura que contraria o "ser umbandista".

Saudamos os ensinamentos de todas as nações africanas, bem como os de todas as demais que têm enorme influência dentro da umbanda, e as enaltecemos quanto à prática da magia em seu aspecto positivo, benfeitor, que sobejamente prepondera, fortalecendo a cultura e a caridade umbandista.

Consideramos ainda que o conhecimento milenar dos orixás foram preservados pelos africanos, que sabiamente criaram o sincretismo como forma de aceitação dos seus credos e cultos.

Saravá!

A Roger Feraudy

Existem instrutores espirituais. que encarnam para trabalhar na umbanda. Genuinamente, Roger Feraudy foi um deles, pois transmitia conhecimentos profundos com simplicidade e escolhia palavras afetuosas, moldando-as sabiamente a cada consciência que o escutava, conforme sua capacidade de entendimento, nem mais nem menos que o necessário.

Ele e seus guias me orientaram muitíssimo. No início desta obra, rogo às muitas mentes que a lerem e àquelas que conheceram Pai Roger que elevem o pensamento em um preito fraterno de gratidão até onde ele se encontra, pois para o amor não há limites.

A Pai Roger, as sete encruzilhadas estarão eternamente abertas.

Que Oxalá e todos os orixás vibrem para sempre em sua coroa! [1]
[1] Chacra coronário.

Todas as entidades serão ouvidas, e nós aprenderemos com os espíritos que souberem mais, além de podermos ensinar aos que souberem menos. Não viraremos as costas a nenhum nem diremos não, pois esta é a vontade do Pai.

O verdadeiro umbandista vive para a umbanda, e não da umbanda. Vim para criar uma nova religião, fundamentada no Evangelho de Jesus, e que terá Cristo como seu maior mentor.
Caboclo das Sete Encruzilhadas, 16/11/1908.
O Caboclo das Sete Encruzilhadas nunca determinou o sacrifício de aves e animais, quer para homenagear entidades, quer para fortificar minha mediunidade. Nunca recebi um centavo pelas curas praticadas pelos guias. O Caboclo abominava a retribuição monetária ao trabalho mediúnico. Não há ninguém que possa dizer, no decorrer destes 66 anos, que retribuiu uma cura (e foram aos milhares) com dinheiro.

Zélio de Moraes

Da atitude de Zélio de Moraes,[1] em 15 de novembro de 1908, que, incorporado, declarou estar "faltando uma flor" na mesa da Federação Espírita de Niterói, surgiu um dos pontos cantados mais belos da umbanda:


Surgiu no jardim mais uma flor,

Mamãe Oxum trazendo paz e amor,

Que vai crescendo, por este imenso Brasil.

Bandeira branca de Oxalá, força do Além,

Mãe caridosa que ao mundo deseja o bem...

Vai sempre em frente, ó minha umbanda querida!

Leva a doçura da vida para aqueles que não têm.
Assim foi delineada a doutrina que se conhece por umbanda, despida de preconceitos racistas, pela sua origem africana, no sentido de agrupar em suas atividades escravos, senhores, pretos, brancos, nativos, exilados, imigrantes, descendentes, e todos os povos do mundo, sediados em solo brasileiro.
Ramatís, A Missão do Espiritismo, 1967.
[1] O médium Zélio de Moraes faleceu em 3 de setembro de 1975.

Sumário
Invocação às Falanges do Bem 9

Invocação às Falanges do Bem 10


Nascimento da umbanda e centenário do advento do Caboclo 11

das Sete Encruzilhadas


Projeto Divina Luz na Terra 16
Preâmbulo 19

PARTE 1

FORMAÇÃO DA CONSCIÊNCIA UMBANDISTA

E PRÁTICAS MÁGICAS POPULARES 22
1. Umbanda e influências religiosas indígenas, negras e brancas 23

2. A dualidade do sincretismo na crendice popular: orixás

santificados, exus demonizados 36

3. Despachos e "iniciações" com sacrifícios nos ritos, e cultos

sincréticos distorcidos 51

4. Preconceitos racistas contra os espíritos 77

5. Magia e dialética cientifica 84

PARTE 2

UMA PERSPECTIVA ESOTÉRICA DA UMBANDA 90
1. Origem cósmica e universal da umbanda 91

2. Mediunismo e surgimento da tela búdica 95

3. Escolas filosóficas orientais e gênese umbandista 102

4. Correspondências vibracionais das sete dimensões 111

do Universo com os raios cósmicos ou orixás, os corpos sutis e os chacras


PARTE 3

PSICOLOGIA DE PRETO VELHO - LENI SAVISCKI 116
1. Breve história de Vovó Benta 117

2. Era "gira de preto velho" no terreiro 118

3. O milagre da mediunidade 121

4. Por que isso foi acontecer justamente comigo? 124

5. A voz do silêncio 126

6. Discriminação 128

7. A bênção de Pai Benedito 131

8. A lição de Pai Tomé 134

9. A bengala de Pai Antônio 137

PARTE 4

REFLETINDO SOBRE A UMBANDA 141
1. Refletindo sobre a umbanda 141

2. Exu, O grande paradoxo na caridade umbandística 143

3. Apelo mágico da iniciação: 145

raspar a cabeça e deitar para o santo

4. Está faltando mediunidade na umbanda? 146
Palavras finais do médium 147

Invocação às Falanges do Bem


Doce nome de Jesus,

Doce nome de Maria,

Enviai-nos vossa luz

Vossa paz e harmonia!
Estrela azul de Dharma,

Farol de nosso Dever!

Libertai-nos do mau carma,

Ensinai-nos a viver!
Ante o símbolo amado

Do Triângulo e da Cruz,

Vê-se o servo renovado

Por Ti, ó Mestre Jesus!
Com os nossos irmãos de Marte

Façamos uma oração-.

Que nos ensinem a arte

Da Grande Harmonização!


Invocação às Falanges do Bem

Do ponto de Luz na mente de Deus,

Flua luz às mentes dos homens,

Desça luz à terra.


Do ponto de Amor no Coração de Deus,

Flua amor aos corações dos homens,

Volte Cristo à Terra.
Do centro onde a Vontade de Deus é conhecida,

Guie o Propósito das pequenas vontades dos homens,

O propósito a que os Mestres conhecem e servem.
No centro a que chamamos a raça dos homens,

Cumpra-se o plano de Amor e Luz,

e mure-se a porta onde mora o mal.

Que a Luz, o Amor e o Poder restabeleçam

o Plano De Deus na Terra.


Nascimento da umbanda e centenário

do advento do Caboclo das Sete Encruzilhadas

A umbanda irá completar 100 anos em 15 de novembro de 2008, data de sua anunciação pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas. Esse fato legitima o verdadeiro nascimento da umbanda, pelo ineditismo do estabelecimento das normas de seu culto, proclamado só então por essa entidade missionária.


Tal data marca o surgimento estruturado da umbanda para os homens, já que a Senhora da Luz Velada é muito mais antiga nos planos rarefeitos que o próprio planeta Terra. Embora a participação do médium Zélio de Moraes e o advento do Caboclo das Sete Encruzilhadas não sejam o único fato relacionando à organização terrena da umbanda, não se pode negar que é o marco referencial mais importante do movimento.
Inegavelmente a umbanda é uma religião brasileira, e nela encontra-se o amálgama do misticismo do índio, da magia do negro africano e das crenças brancas judaico-cristãs, católicas e espíritas.
Zélio Fernandino de Moraes nasceu em 10 de abril de 1891, no distrito de Neves, município de São Gonçalo, Rio de Janeiro. Aos 17 anos, quando se preparava para servir às Forças Armadas, ocorreu um fato curioso: ele começou a falar com um sotaque diferente, em tom manso, parecendo um senhor de idade avançada. A princípio, a família achou que estivesse apresentando algum distúrbio mental, e então o encaminhou aos cuidados do tio, Epaminondas de Moraes, psiquiatra e diretor do Hospício de Vargem Grande. Mas, não tendo sido encontrado em nenhuma literatura médica os sintomas apresentados pelo rapaz, o médico sugeriu que o encaminhassem a um padre para que fosse realizado um ritual de exorcismo, pois desconfiava que o sobrinho estivesse possuído pelo demônio. A família procurou então um padre, que, mesmo tendo realizado o ritual de exorcismo, não conseguiu nenhum resultado.
Novamente, em fins de 1908, os familiares foram surpreendidos por uma ocorrência que tomou aspectos sobrenaturais: o jovem Zélio, agora acometido por estranha paralisia, a qual os médicos não conseguiam debelar, ergueu-se certo dia do leito e declarou: "Amanhã estarei curado". No dia seguinte, começou a andar como se nada tivesse acontecido. Nenhum médico soube explicar como ocorrera a recuperação. Dona Leonor de Moraes resolveu levar o filho a uma curandeira chamada Cândida, figura conhecida em Niterói, e que incorporava o espírito de um Preto Velho chamado Tio Antônio. A entidade atendeu o rapaz e disse que ele já tinha desenvolvido o fenômeno da mediunidade, e que, portanto, deveria trabalhar na caridade.
O pai de Zélio Joaquim Fernandino Costa, apesar de não freqüentar nenhum centro espírita, era adepto do espiritismo e tinha o hábito de ler livros espíritas. Em 15 de novembro de 1908, por sugestão de um amigo, levou Zélio à Federação Espírita de Niterói. Convidados por José de Souza, dirigente da instituição, para participar da sessão, ambos sentaram-se à mesa, e em seguida, contrariando as normas do trabalho, Zélio levantou-se e disse: "Aqui está faltando uma flor". Dirigiu-se ao jardim, apanhou uma rosa branca e colocou-a no centro da mesa. Iniciou-se então uma estranha confusão no local: ele incorporou uma entidade e, simultaneamente, diversos médiuns também apresentaram incorporações de caboclos e pretos velhos. Advertida pelo dirigente do trabalho, a entidade incorporada no rapaz perguntou: "Por que repelem a presença desses espíritos, se nem sequer se dignaram a ouvir suas mensagens? Será por suas origens sociais, ou em decorrência de sua cor?".
Novamente uma força estranha dominou o jovem Zélio, e ele continuou a falar, sem saber o que dizia; ouvia apenas sua própria voz perguntar o motivo que levava os dirigentes dos trabalhos a não aceitarem a comunicação daqueles espíritos e se os consideravam atrasados apenas por suas encarnações anteriores. Seguiu-se um diálogo acalorado, e, embora o espírito desconhecido desenvolvesse uma argumentação segura, os responsáveis pela sessão procuravam doutriná-lo e afastá-lo. "Por que o irmão fala nesses termos, pretendendo que a direção aceite a manifestação de espíritos que, pelo grau de cultura que tiveram quando encarnados, são claramente atrasados? Por que fala desse modo, se estou vendo que me dirijo neste momento a um jesuíta [1], cuja veste branca reflete uma aura de luz? Qual é o seu nome, irmão?"
[1] Percebia-se a forma astral de encarnação anterior da entidade, quando fora padre Gabriel Malagrida, santo sacerdote que a Inquisição sacrificou na fogueira, em Lisboa.
O espírito desconhecido respondeu então: "Se julgam atrasados os espíritos de pretos e índios, devo dizer que amanhã (16 de novembro) estarei na casa de meu aparelho para dar início a um culto em que esses irmãos poderão transmitir suas mensagens, e, desse modo, cumprir a missão que o plano espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos encarnados e desencarnados. E se querem saber meu nome, que seja este: Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque para mim não haverá caminhos fechados".
O vidente retrucou com ironia: "Julga o irmão que alguém irá assistir ao seu culto?". Ao que o espírito respondeu: "Cada colina de Niterói atuará como porta-voz, anunciando o culto que amanhã darei inicio". No dia seguinte, na casa da família Moraes, à rua Floriano Peixoto, número 30, às 20 horas, estavam reunidos os membros da Federação Espírita para comprovar a veracidade do que fora declarado na véspera. Parentes próximos, amigos e vizinhos também se fizeram presentes, e, do lado de fora, uma multidão de desconhecidos. Foi então que o Caboclo das Sete Encruzilhadas manifestou-se e declarou que naquele momento se iniciava um novo culto, com a participação de espíritos de velhos africanos escravos que, desencarnados, não encontravam campo de atuação nos remanescentes das seitas negras, deturpadas e totalmente dirigidas a trabalhos de feitiçaria, além de índios nativos de nosso território que trabalham em benefício de seus irmãos encarnados, independentemente de cor, raça, credo ou condição social.
A prática da caridade, no sentido do amor fraterno, seria portanto a característica principal do culto, que teria por base o Evangelho de Jesus, cujas normas o caboclo então estabeleceu. Dentre elas, as de que nas sessões diárias (assim seriam chamados os períodos de trabalho espiritual), das 20 às 22 horas, os participantes estariam uniformizados, todos de branco, e o atendimento seria gratuito, e que o nome do movimento religioso seria umbanda, que significa "manifestação do espírito para a caridade".
A casa de trabalhos espirituais então fundada recebera o nome de Nossa Senhora da Piedade, porque, assim como Maria de Nazaré acolhera o filho nos braços, também seriam acolhidos ali todos os que necessitassem de ajuda ou conforto. Ditadas as bases do culto, após responder em latim e alemão às perguntas dos sacerdotes presentes, o Caboclo das Sete Encruzilhadas passou à prática dos trabalhos, curando enfermos e fazendo andar paralíticos.
Naquele mesmo dia, o médium incorporou um preto velho chamado Pai Antônio, que, em decorrência de sua fala mansa, foi tratado por alguns como uma manifestação de loucura. O preto velho, proferindo palavras de muita sabedoria e humildade, além de aparente timidez, recusava-se a sentar à mesa com os presentes, dizendo: "Nego num senta não, meu sinhô; nego fica aqui mesmo. Isso é coisa de sinhô branco, e nego deve arrespeitá". Após a insistência dos presentes, ele pronunciou: "Num carece preocupá não. Nego fica no toco, que é lugá di nego".
E assim continuou, dizendo outras palavras que expressavam sua humildade. Uma pessoa participante da reunião lhe perguntou se sentia falta de alguma coisa que havia deixado na Terra, ao que ele respondeu: "Minha caximba; nego qué o pito que deixô no toco. Manda mureque buscá".[2]
[2] Provavelmente deve ter surgido daí o seguinte ponto cantando de pretos velhos: "Seu cachimbo tá no toco, manda moleque buscar / No alto da mata virgem, seu cachimbo ficou lá", o qual, por essa circunstância, torna emblemática a presença dos pretos velhos na origem da umbanda.
A solicitação desse primeiro elemento de trabalho para a nova religião deixou perplexos os presentes. Foi Pai Antônio também a primeira entidade a solicitar uma guia. As mesmas guias são usadas até hoje pelos membros da Tenda, carinhosamente denominadas de "guia de Pai Antônio". No dia seguinte, formou-se verdadeira romaria em frente à casa da família Moraes. Cegos e paralíticos foram curados. Todos iam em busca de cura, e ali a encontravam, em nome de Jesus. Médiuns cuja manifestação mediúnica fora considerada loucura deixaram os sanatórios e deram provas de suas qualidades excepcionais.
A partir de então, o Caboclo das Sete Encruzilhadas começou a trabalhar incessantemente para esclarecer, difundir e sedimentar a umbanda. Foi assim que fundou a corrente astral da umbanda.
Após algum tempo, um espírito se manifestou com o nome de Orixá Malé, responsável por desmanchar trabalhos de baixa magia. Essa entidade, quando em demanda, mostrava-se sábia, capaz de destruir as energias maléficas dos que a procuravam.
Dez anos depois, em 1918, o Caboclo das Sete Encruzilhadas, recebendo ordens do Astral, fundou sete tendas para a propagação da umbanda, sendo elas: Tenda Espírita Nossa Senhora da Guia, Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição, Tenda Espírita Santa Bárbara, Tenda Espírita São Pedro, Tenda Espírita Oxalá, Tenda Espírita São Jorge; Tenda Espírita São Jerônimo.
O termo "espírita", bem como os nomes de santos católicos nas instituições recém-fundadas, foram usados porque naquela época não se podia registrar o nome umbanda, uma vez que esta era proibida, e seus membros perseguidos pela polícia, que a confundia com macumba. Quanto aos nomes de santos, era uma maneira de estabelecer um ponto de referência para os fiéis da religião católica que procuravam os préstimos da umbanda. Enquanto Zélio estava encarnado, foram fundadas mais de 10 mil tendas, a partir das mencionadas.
Ministros, industriais e militares que recorriam ao poder mediúnico de Zélio para a cura de parentes enfermos, vendo-os recuperados, procuravam retribuir o benefício com presentes ou preenchendo cheques vultosos. "Não os aceite; devolva-os!", ordenava sempre o Caboclo. Mesmo não tendo seguido a carreira militar, para a qual se preparava, pois sua missão mediúnica não permitira, Zélio nunca fez da religião sua profissão. Trabalhava para o sustento da família, tendo contribuído financeiramente diversas vezes para manter abertos os templos que o Caboclo das Sete Encruzilhadas fundou. Isso sem contar as pessoas que se hospedavam em sua casa (que, segundo dizem, parecia um albergue) para os tratamentos espirituais.
Zélio nunca aceitava ajuda de ninguém; era ordem de seu guia-chefe, apesar de que inúmeras vezes isso lhe fora oferecido. O ritual era simples, nunca tendo sido permitido o sacrifício de animais. Não utilizavam atabaques ou quaisquer outros objetos e adereços. Esses instrumentos começaram a ser usados com o passar do tempo por algumas das tendas fundadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas. A Tenda Nossa Senhora da Piedade não os utiliza em seu ritual até hoje. As guias usadas eram apenas as determinadas pelas entidades que se manifestavam. A preparação dos médiuns era feita com banhos de ervas, além do ritual do amaci, isto é, a lavagem da cabeça com ervas, em que os filhos de umbanda se afinam com a vibração de seus guias. Após 55 anos de atividade, o médium entregou a direção dos trabalhos às suas filhas Zélia e Zilméia.
Mais tarde, junto com sua esposa Maria Isabel de Moraes, médium ativa da Tenda e aparelho do Caboclo Roxo, Zélio fundou a Cabana de Pai Antônio, no distrito de Boca do Mato, município de Cachoeira do Macacu, no Rio de Janeiro. Eles dirigiram os trabalhos enquanto a saúde de Zélio permitiu, tendo ele falecido aos 84 anos, em 3 de outubro de 1975.
Em 1971, a senhora Lilian Ribeiro, diretora da Tenda de Umbanda Luz, Esperança, Fraternidade (TULEF), no Rio de Janeiro, gravou uma mensagem do Caboclo das Sete Encruzilhadas, que espelha a humildade e o alto grau de evolução dessa entidade de luz.
“A umbanda tem progredido e vai progredir. É preciso haver sinceridade, honestidade, e eu previno sempre aos companheiros de muitos anos: a vil moeda vai prejudicar a umbanda; médiuns irão se vender e serão, mais tarde, expulsos, como Jesus expulsou os vendilhões do templo. O perigo do médium homem é a consulente mulher; do médium mulher é o consulente homem. É preciso estar sempre de prevenção, porque os próprios obsessores que procuram atacar as nossas casas fazem com que toque alguma coisa no coração da mulher que fala ao pai de terreiro, como no coração do homem que fala à mãe de terreiro. É preciso haver muita moral para que a umbanda progrida, seja forte e coesa. Umbanda é humildade, amor e caridade - esta é a nossa bandeira. Neste momento, meus irmãos, rodeiam-me diversos espíritos que trabalham na umbanda do Brasil: caboclos de Oxossi, de Ogum, de Xangô. Eu, porém, sou da falange de Oxossi, meu pai, e não vim por acaso, trouxe uma ordem, uma missão.
Meus irmãos, sede humildes, tende amor no coração, amor de irmão para irmão, porque vossa mediunidade ficará mais pura, servindo aos espíritos superiores que venham a baixar entre vós. É preciso que os aparelhos estejam sempre limpos, os instrumentos afinados com as virtudes que Jesus pregou na Terra, para que tenhamos boas comunicações e proteção para aqueles que vêm em busca de socorro nas casas de umbanda.
Meus irmãos, meu aparelho já está velho, com 80 anos a fazer, mas começou antes dos dezoito. Posso dizer que o ajudei a se casar, para que não ficasse a dar cabeçadas, para que fosse um médium aproveitável e que, pela sua mediunidade, eu pudesse implantar a nossa umbanda. A maior parte dos que trabalham na umbanda, se não passaram por esta Tenda, passaram pelas que saíram desta casa.
Tenho uma coisa a vos pedir: se Jesus veio ao planeta Terra na humildade de uma manjedoura, não foi por acaso; assim o Pai determinou. Podia ter procurado a casa de um potentado da época, mas foi escolher aquela que havia de ser sua mãe, este espírito que viria traçar à humanidade os passos para obter paz, saúde e felicidade.
Que o nascimento de Jesus, a humildade com que Ele baixou à Terra sirvam de exemplos, iluminando os vossos espíritos, tirando os escuros de maldade por pensamento ou práticas; que Deus perdoe as maldades que possam ter sido pensadas, para que a paz possa reinar em vossos corações e nos vossos lares. Fechai os olhos para a casa do vizinho; fechai a boca para não murmurar contra quem quer que seja; não julgueis para não serdes julgados; acreditai em Deus, e a paz entrará em vosso lar. É dos Evangelhos. Eu, meus irmãos, como o menor espírito que baixou à Terra, mas amigo de todos, numa concentração perfeita dos companheiros que me rodeiam neste momento, peço que eles sintam a necessidade de cada um de vós e que, ao sairdes deste templo de caridade, encontreis os caminhos abertos, vossos enfermos melhorados e curados e a saúde para sempre em vossa matéria. Com um voto de paz, saúde e felicidade, com humildade, amor e caridade, sou e sempre serei o humilde Caboclo das Sete Encruzilhadas.”
Zélio Fernandino de Moraes dedicou 66 anos de sua vida à umbanda, tendo retornado ao plano espiritual com a certeza da missão cumprida. Seu trabalho e as diretrizes traçadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas continuaram sendo desenvolvidos por suas filhas Zélia e Zilméa, que carregam em seus corações um grande amor pela umbanda, árvore frondosa que está sempre a dar frutos a quem souber e merecer colhê-los.
Nota do médium: Este texto fundamentou-se em informações verídicas obtidas diretamente de fitas gravadas pela senhora Lilian Ribeiro, presidente da Tenda de Umbanda Luz, Esperança, Fraternidade (TULEF), contendo os fatos históricos narrados pelo próprio Zélio de Moraes, manifestado mediunicamente com o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Em 2 de novembro de 2005, visitei dona Zilméia em sua residência, em Niterói, oportunidade em que também conheci dona Lygia Moraes, respectivamente filha e neta de Zélio, dando conhecimento a ambas do presente texto, quando então me foi confirmada sua autenticidade, e autorizada esta transcrição.

Projeto Divina Luz na Terra

Salve os filhos de fé, salve Oxalá!

Salve a umbanda, nossa casa!

Esta preta velha, que ainda se acha uma "menina", mesmo depois de tantos nós já contados no bambu da existência, [1] quando na carne, lembra-se de quantos cestos de roupa suja precisou aguar na lavanderia do espírito para alvejar as nódoas enegrecidas pela magia negativa usada em proveito próprio.


[1] Era da tradição indígena brasileira contar os anos de vida das pessoas pela floração dos bambus, que acontece a cada 15 anos. Então, sobre uma pessoa com 30 anos, dizia-se ter "dois bambus"; os nós representam também os anos de vida.
Comprometida com a Grande Fraternidade Universal para levar conhecimento às mentes mais endurecidas, não deixou ainda de ser a velha feiticeira que vez ou outra se enreda em um envolvimento magístico, agora direcionado para o desmanche, e, com a graça de Zambi, nunca mais para macular um irmão de caminhada. Deste lado, nós, obreiros da umbanda, a Senhora da Luz Velada, temos árdua tarefa, pois contrariamos o objetivo das trevas, que se embrenham e compram os filhos da Terra com o falso brilho do ouro e dos prazeres sensórios. Se já nos é difícil encontrar aparelhos mediúnicos com seriedade e altivez para assumir junto conosco a tarefa caridosa, é muito mais oneroso mantê-los vigilantes e leais à luz.
Quando o Caboclo das Sete Encruzilhadas verbalizou por intermédio do menino Zélio a responsabilidade de implantação da nova religião, missão tão bem cumprida por ele, a espiritualidade descia aos humildes. Esse objetivo nobre precisava de canal elevado, e os Maiorais do Espaço não buscaram para tal feito nenhum médium "coroado", ou renomado de segmentos religiosos terrenos, nem mesmo mestre, mago, iniciado ou bastião de insígnias sacerdotais. É claro que o menino Zélio, que serviu de instrumento físico, já viera preparado do Astral e, ao retomar a ele, continua envolvido no projeto umbanda na Terra, "como um todo".
A umbanda, que também é ainda uma menina, em si não se resume à tenda onde foi alicerçada. Sua história, seus valores, seu objetivo estão intrínsecos muito além das instituições, que mais buscam posições do que resultados; estão sim nos médiuns, cujo comprometimento e cuja seriedade dão continuidade à religião. Não seria o local onde a luz refulgiu que deixaria de ser atrativo para as trevas, assim como tem acontecido na terra onde Oxalá mandou nascer Seu maior representante. Não conseguindo deturpar todas as mentes, focalizam os templos e terreiros pela maior ou menor representatividade que exercem, ante a visão temporária e vaidosa de certas lideranças.
Os caridosos serão vencedores, e os mercadores de graças irão se consumir em sua colheita. Este é um sinal dos tempos. Portanto, prossigam, guerreiros, caravaneiros da Divina Mediadora, não para combater os muros das trevas intencionalmente, mas para implantar o estandarte da luz, distribuindo-a por todos os cantos onde o vento possa levá-la.
Não lastimem pelos que se deixam escravizar, pois no Além o projeto ganha forças. Não será o fluido vital derramado de nossos irmãozinhos do mundo animal, sacrificados e utilizados por alguns médiuns, infelizmente ainda comandados pela dependência psicológica das iniciações e dos despachos sanguinolentos, que fará desmerecer todas as tochas que a nossa amada umbanda já acendeu pelas Terras do Cruzeiro.
Continuem firmes! Perseverem justos e fortalecidos pela certeza da vitória, sem batalhas. Busquem disseminar a verdadeira doutrina umbandista, isentando-se de ceder àquilo tudo que contraria o que foi implantado pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas. Exemplifiquem e deixem que seus iguais exerçam a atração natural entre si. Documentos são importantes, porém mais importante é o compromisso moral dos verdadeiros seguidores do Caboclo das Sete Encruzilhadas. Prossigam na busca desses valores e não se preocupem com as querelas e as trevas, as quais respeitamos, mas às quais não podemos nos curvar. A Luz se fará valer.
Lembrem-se sempre, filhos amados, de que o maior axé, a mais completa força oferecida para os orixás, é o amor e a caridade dentro de cada criatura.
Saravá aos irmãos da Terra!
As bênçãos das falanges de Aruanda, do Caboclo das Sete Encruzilhadas, de toda a Confraria da Umbanda e da Fraternidade Universal.
Paz!
Vovó Benta

* * *
A luz da verdadeira religiosidade está provisoriamente compartimentada na Terra. Iludem-se os filhos pelo falso brilho e, aprisionados nas religiões que praticam, consideram-se "salvos". Não são muito diferentes das mariposas atraídas cegamente pela luminosidade das lamparinas nas varandas da casa do sinhô. Facilmente se afogavam no azeite ou caíam ao solo pela oleosidade que paralisava suas delicadas asas, sendo rapidamente devoradas pelos répteis rastejantes ao longo da noite que nos encobria, escravos exaustos.


Saibam que no passado de grande opressão aos cultos ancestrais, esta preta velha, triste, ficava sentada na entrada da senzala. Ao fundo, escutava gemidos provocados pela dor das chibatadas dirigidas aos dorsos nus dos negros "preguiçosos". Pensava que, se não houvesse perseguições religiosas e se cada um dos manos brancos procurasse o caminho mais desejável para apaziguar a ânsia espiritual que os afligia - não somente quando seus filhos ou eles mesmos adoeciam, ocasiões em que, sem jeito, às escondidas e com pouca modéstia, pediam cura aos intermediários dos orixás -, não haveria tanto conflito até os dias atuais.

Religiões, doutrinas, crenças, cultos e ritos, raças, sexos, idiomas, riqueza e pobreza, saúde e doenças, alegrias e dores, todas as diferenças psíquicas e biológicas, as peculiaridades características das formas que animam as personalidades mortais, tudo isso nada mais é que ilusórios degraus, os quais devem ser superados a caminho da real escada evolutiva do espírito.

Se hoje nos apresentamos como fomos ontem - eu, por exemplo, com a aparência de uma preta velha, contando "causos" e descontraindo os ânimos -, é para chegarmos mais facilmente aos endurecidos corações da Terra. A umbanda despersonaliza legiões de espíritos e libera-os do apego às formas, uma vez que não importa qual é a entidade espiritual curvada diante de seu aparelho no terreiro, e sim sua essência missionária: fazer a caridade com Jesus.

A umbanda molda-se à diversidade das consciências e é ativa, dinâmica, universalista e convergente em sua parte visível terrena, estável e firme no espaço oculto. Nessa abençoada "mistura", todos estão evoluindo.

Graças a Oxalá, a umbanda não é mais uma lamparina que afoga e imobiliza os que buscam a luz espiritual.

Vovó Maria Conga

Preâmbulo

Observamos na Umbanda praticada nesse Brasil-continente grandes magos, supremos sacerdotes dos mistérios, regentes dos tronos, pai ou mãe donos dos orixás. E assim, este caboclo atlante enfeixado na vibratória de Ogum olha para o fundo do terreiro e enxerga lá, sentadinho e agachado num cantinho discreto, um preto(a) velho(a) iluminado que nunca encarnou na Terra dos homens, espírito transmigrado de Sírius, como tantos outros humildemente escondidos atrás de uma aparência frágil de negro curvado, adotando mais um nome simbólico de João, Benedito, Tomé, Guiné, Maria Conga, Catarina, Benta..., que os colocam como mais um tio, vovô, tia ou vovó, despersonalizando-os e liberando-os da escravidão do ego inferior. Esse discreto espírito que se molda na forma de um pai velho derrama lágrimas geradas do amor que sente pela Divina Luz e pelos descaminhos atávicos dos homens que se envaidecem no pequeno planeta azul.


Nesse momento pensamentos comuns se fixam fazendo-nos refletir em uníssono:
- umbanda não é grandiosidade de magos, é diminuição de vaidades frente às equânimes leis evolutivas;
- umbanda não é mistério, é simplicidade;
- umbanda não tem magno trono, tem toco de preto velho;
- umbanda não tem cetro de poder, tem o balanço do caboclo;
- umbanda não dá curso pago, ensina gratuitamente os segredos;
- umbanda não tem pastor de rebanhos, conduz à auto-iniciação resgatando a criança divina interna de cada um;
- umbanda não tem insígnia sacerdotal que exalta, sim vontade de servir o próximo que iguala;
- umbanda é caridade e não mata pelo orixá, ela vivifica os seres na vibração de exu-guardião;
- umbanda só tem um maioral, Jesus, o Mestre dos mestres, que se igualou aos excluídos dos templos e religiões de outrora.
As lideranças da umbanda devem aprender a ouvir as muitas vozes de Aruanda que expressam sua diversidade, sabendo interpretar a dinâmica de seu movimento, canalizando-o para a convergência que unifica. As diferenças de ritos e formas não devem separar e excluir, e sim aglutinar e incluir. Sua força sonora, unificadora, vem de baixo para cima, de todos os aparelhos e terreiros para os líderes, por meio de centenas de milhares de espíritos que se comunicam pela voz do canal da mediunidade, e que labutam pela caridade. Ao contrário, serão poucas vozes para muitos ouvidos - do cume para o sopé da montanha -, tentando dominar, impor rituais, liturgias ou doutrinas, gerando a divisão separatista em vez do respeito às diferenças, que os unem.
A umbanda dá oportunidade a todos para auxiliarem na caridade e também para evoluírem, assim como permite que todas as raças, indistintamente, labutem em seus templos, seguindo um compromisso recíproco que refulge sobre as frontes movidas pelo sentimento amoroso de amparo ao próximo. A umbanda fica acima das temporalidades que separa, a favor da perenidade espiritual que nos liga à grande fraternidade universal movida pela maior das religiões: o amor.
Essa religião não terá codificação ortodoxa. Cada vez mais terá verdades consagradas, amplamente praticadas à luz da razão e do bom-senso, verdadeiros códigos de amor fundamentados em uma ética universalista, coletiva e convergente. Não existe uma única verdade, e a diversidade umbandista por enquanto não consegue interiorizar nos corações iludidos, em toda a plenitude de sua psicologia convergente, a unidade do amor que não separa, e sim une nas diferenças.
Faz-se sumamente importante o movimento de convergência, amainando as personalidades e suas ilusões transitórias, mesmo que muitas consciências não sintam a inexorabilidade dessa vibração cósmica, em uma repetição atávica de comportamentos do espírito, como condenaram os que defendiam a translação da Terra no passado. As verdades universais não se apressam; requerem o tempo necessário no plano da matéria para ser percebidas plenamente, e a quantidade de encarnações do espírito será proporcional a essa compreensão.
A influência das práticas mágicas populares, tão arraigadas na relação com o "divino", é atrito que imanta espíritos encarnados com o Astral, enredando-os em novelos de difícil solução, diante do total descaso com as leis universais de causa e efeito. Trata-se do magismo potencializado no aspecto negativo, em proveito próprio, contra o merecimento do próximo. Vale a vontade de quem aluga a força mental do "grande" mago, a mão regiamente paga que segura a faca afiada habilmente ceifadora da vida, imprimindo um corte fatídico no animal ofertado; é o sacerdote quem derrama o sangue quente totalmente desrespeitoso diante do livre-arbítrio do irmão ao lado, e aos verdadeiros orixás.
Em uma recorrência cósmica e temporal da terceira dimensão, muitos dos que vieram para a Terra há milhares de anos, [1] ficando alojados nos planos densos da subcrosta umbralina, agora novamente irão para outro orbe mais atrasado, pois as faixas vibratórias do planeta estão se alterando irremediavelmente, e isso denota a força da natureza em transformação.
[1] Exilados de outros orbes, que, enquistados na rebeldia contra a Lei da Evolução, tornaram-se líderes das trevas, ensaiando sempre a dominação do planeta.
Quanto aos repetentes costumeiros da escola primária terrícola, as hostes espirituais da umbanda intercedem nas sombras, clareando os charcos trevosos, fazendo ressoar as trombetas de Ogum, que sinalizam a nova era que vibra no início do terceiro milênio, após o advento do Cristo-Jesus. Haverá, irremediavelmente, remoções de comunidades umbralinas para outros orbes, assim como outras chegam, mantendo equilibrados os ciclos e ritmos cósmicos, particularizados na aura planetária de cada astro por sua freqüência eletromagnética específica.
O crescimento da umbanda, o processo de inclusão social do culto nascente, na coletividade urbanizada após o período colonial, é movido por refinada psicologia do Astral superior. Oportuniza indispensável refrigério para almas desafetas desde idos remotos - dominados e dominadores, escravos torturados e senhores despóticos -, equilibrando a balança da justiça cósmica, que determina o ciclo carnal como abençoado desbaste das inferioridades espirituais. O que aos vossos olhos parece desventura, é justa experiência retificadora para espíritos rebeldes que extrapolam as estreitas portas das religiões terrenas; são retalhos que estão vagarosamente sendo costurados na colcha que religará os espíritos com o Eterno.
A compreensão da origem cósmica da umbanda, de seu esoterismo e gênese, fortalecerá a convergência de todas as doutrinas na Terra, expressadas nas escolas orientais e ocidentais. Mudam os nomes, permanecem por ora os preconceitos, mas a essência divina é uma só, independentemente de como os homens a denominam em sua estreita religiosidade. Tudo se transforma no Cosmo, e nada é definitivo. Cada vez mais os rituais externos voltam-se para o interno. Por sua vez, os filhos da fé umbandista, interiorizando-se, descobrem aos poucos o Deus vivo dentro de cada um, levando-os inexoravelmente a concluir que Ele em tudo está e tudo é. Esse estado de consciência, de todos no Um e um no Todo, acalma as consciências, fazendo-as concluir que só de mãos dadas, cultivando o amor, é possível se libertarem da prisão das reencarnações sucessivas.
Ao mesmo tempo, do Alto, provindo do triângulo fluídico que sustenta a umbanda - formas astrais de pretos velhos, caboclos e crianças -, condensam-se os sete raios cósmicos, ditos orixás, aspectos do Incriado, espargindo suas vibrações divinas sobre todos os terreiros, manifestando-se nos médiuns por intermédio dessas entidades estruturais e, ininterruptamente, abrigando no plano oculto todas as formas utilizadas pelos espíritos para se manifestarem no meio denso. Os orixás propiciam a manifestação do Incriado nos planos concretos das formas, interpenetrando e se fazendo sentir por meio dos corpos sutis e chacras dos terrícolas, condição indispensável à evolução da coletividade espiritual retida no Planeta Azul.
É missão da umbanda ser instrumento de iluminação e despertar o Cristo interno, mostrando que a potencialidade para encontrar o caminho e a verdade do espírito imortal está dentro de cada um de seus filhos de fé. Não se mostra como o único caminho, ou mais um tratado doutrinário definitivo; serve sim como mediadora na Terra para auxiliar os que buscam a união com o Divino.
Que esta humilde obra, A Missão da Umbanda, despretensiosa, porque não inclui nada de novo além dos conhecimentos anotados nas letras dos homens, pelo canal mediúnico, ao longo da história terrena, sirva como mais um singelo roteiro de estudo, para que se compreenda a formação da consciência umbandista.
Umbanda, Luz Divina, constante e ininterrupta evolução!
Porto Alegre, 15 de novembro de 2005
Ramatís


Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   13


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal