A mulher do trem



Baixar 25.99 Kb.
Encontro05.12.2017
Tamanho25.99 Kb.


MEMÓRIA DA CANA

Contemplada com o Premio Myriam Muniz – FUNARTE e

ProAC,da Secretaria de Estado da Cultura,

Memória da Cana está em cartaz no

Espaço dos Fofos até o dia 2 de novembro



O diretor dá continuidade ao movimento de retorno às origens pernambucanas também presente em Agreste, Assombrações do Recife Velho e As Centenárias. A peça é inspirada nas obras de Nelson Rodrigues e Gilberto Freyre e em memórias familiares dos próprios atores. Depois da sessão, é servido um jantar com comidas típicas nordestinas

Sob direção de Newton Moreno – autor de Agreste e As Centenárias, também em cartaz na cidade -, o quinto espetáculo do grupo é uma livre adaptação de Álbum de Família, de Nelson Rodrigues, tem referências à obra de Gilberto Freyre e se baseia, ainda, em memórias familiares dos atores. A peça inaugura uma aposta do grupo em inovar a temporada: as sessões acontecem de sexta a segunda (sexta e sábado às 21 horas, domingo as 19 e segunda às 20 horas).


A história é de uma família interiorana que vive em uma fazenda. Jonas, o patriarca, é apaixonado pela filha Glória, e ela por ele. Para satisfazer esse desejo, ele adquire o hábito de trazer adolescentes em casa para tirar sua virgindade, contando, para isso, com a ajuda da cunhada Rute, que também é apaixonada por ele. A mãe, D. Senhorinha, assiste a tudo e se mantém impassível. Os conflitos eclodem quando os filhos retornam para o lar: Glória, expulsa do colégio interno por se envolver com uma garota; Guilherme, apaixonado pela irmã, castra-se e abandona o seminário à procura de Glória; Edmundo, expulso de casa pelo pai, abandona a mulher com quem se casou, recentemente, por uma paixão velada pela mãe.

Sinta-se em casa

Os Fofos Encenam apresentaram uma versão work in progress do espetáculo no Itaú Cultural em fevereiro, e agora trazem ao público a obra acabada. O galpão-sede dos Fofos foi transformado em uma casa-grande freyriana: no centro, a sala com uma mesa de 13 metros, local de reunião familiar, onde os embates acontecem. Ao redor dela, seis quartos dos membros da família, com seus respectivos pertences: o berço, a penteadeira cheia de santos, o genuflexório com o milho para fazer se ajoelhar em penitência ou castigo, o oratório, a cadeira de balanço.

Cada quarto tem também o seu cheiro característico: as naftalinas guardadas no armário da mãe, o cheiro da colônia de barbear do pai, o Vick Vaporub no quarto de Guilherme, o cheiro de canela que circunda Edmundo, o talco que perfuma o quarto de Glória e o cheiro de pó de arroz antigo na penteadeira da tia. “A ideia era fazer com que o espectador fosse estimulado não só pela imagem e pela fala, mas também por seus outros sentidos. E esses cheiros característicos também foram trazidos a partir da pesquisa em cima das nossas lembranças. A Água Velva, tradicional loção pós-barba, era um elemento que me lembrava meu pai. A naftalina era um cheiro que lembrava os armários da casa da avó e da mãe de Luciana, e assim por diante”, conta o ator Marcelo Andrade.


A idéia é levar o público para um mergulho nessa casa, dentro da intimidade dos personagens. A plateia se divide em seis grupos que ficam sentados no interior de cada quarto, separados por paredes feitas de tela. No início da peça, os atores vão para seus quartos e cada um conta uma história, um pequeno segredo para seus visitantes.
Depois da peça, será servido também o tradicional jantar, preparado pelas atrizes Cris Rocha e Carol Badra, em que o público poderá saborear deliciosas receitas tipicamente nordestinas. O jantar pode ser agendado na compra do ingresso. Cardápio e preços podem ser consultados no local ou no site do grupo www.osfofosencenam.com.br

Três pilares da montagem


O enredo é de Nelson. O cenário é das casas de engenho pernambucanas de Gilberto Freyre, onde emerge a civilização do açúcar baseada numa estrutura patriarcal. E os personagens são a família do Álbum de Nelson entrelaçada com memórias dos atores. Misturam-se na montagem o vetor ficcional das personagens de Nelson e Gilberto, o vetor pessoal das ancestralidades do grupo e o vetor sociológico e historiográfico dos estudos sobre a formação da família brasileira.
O diretor Newton Moreno conta como surgiu essa junção: “Encontramos com Gilberto Freyre desde Assombrações do Recife Velho. Gilberto foi o ponto inicial para essa pesquisa em torno da família patriarcal, da casa brasileira, das memórias. Lendo Álbum de Família, que era um texto que queria muito fazer, achei que poderíamos propor essa aproximação, entre a família que Nelson e Gilberto investigam. Parecia que as coisas se complementavam: um na ficção e o outro no ensaio, os dois trabalharam com o tema da família brasileira; os dois são pernambucanos e em ambas as obras há um eco da estrutura patriarcal. E a terceira via da pesquisa trouxe para a cena, os atores do grupo, nordestinos ou que vêm de família nordestina. Com exceção de uma atriz, Kátia Daher, que é justamente quem faz a tia solteirona, uma figura estrangeira dentro da casa”.

Viagem de volta às origens


Para fazer um trabalho de campo, o grupo viajou ao Nordeste, visitou antigos engenhos, estudou com mestres de maracatu rural. “Fomos para Recife, conversamos com estudiosos que pesquisaram Gilberto Freyre e a história de Pernambuco. Visitamos também os engenhos da zona da mata norte, na região de Vicência, onde fica a área mais canavieira. E fizemos algumas cenas lá, dentro dos engenhos, para ouvir o texto do Nelson no cenário do Gilberto”, conta Newton.
De volta a São Paulo, foi feita a pesquisa em cima das memórias familiares dos atores. O grupo fez oficinas em que contavam histórias de família, os atores vasculharam os álbuns de fotografia, segredos e receitas tradicionais. A idéia era usar as figuras familiares como base para montar os personagens. Mas o diretor faz questão de frisar: “O que estamos contando é a história do Nelson adaptada a essa aproximação com a idéia da família nordestina. Embora as memórias familiares dos atores tenham servido de base para montagem de personagens, no palco não se contam as nossas histórias. É o texto de Nelson que está lá ‘vestido’ de nossas memórias”.

Os personagens e seus intérpretes


Luciana Lyra é D. Senhorinha, a mãe. A atriz conta que, na pesquisa, vem naturalmente se baseando nas matriarcas da família para seu personagem. “Sou de uma família tradicional nordestina em que as mulheres foram figuras muito marcantes. Trago para a cena canções de ninar que minha avó cantava para mim, uso óculos escuros que eram dela e estou sempre vestida de noiva. Apesar de Nelson ter muitas noivas, essa noiva não é dele, é uma referência ao casamento dos meus pais”, diz.
Marcelo Andrade faz Jonas, o patriarca. Ele explica que “quando a figura do Jonas começou a se entrelaçar com a obra de Gilberto, me veio a figura do patriarca, do senhor da fazenda. Para fazer essa ponte com a memória e com a família, busquei como elemento físico a Água Velva que meu pai usava muito. E, como memória corporal, baseei-me em três figuras masculinas da minha família: meu pai, pela elegância que tinha; um tio por parte de pai, muito bronco, com a masculinidade mais rude; e por fim outro tio, cunhado de minha mãe, que é uma pessoa de uma moral muito rígida, muito correta, mas que era caminhoneiro e teve muitas amantes”.
Viviane Madureira é Glória, única mulher entre os filhos do casal. “A minha Glória surgiu a partir de uma foto minha de infância. Ela é uma menina ingênua, alucinada pelo pai, mas que, ao mesmo tempo, tem uma vida, um fogo dentro de si. É uma personagem cheia de duplicidades, mas está sempre ligada a uma atmosfera mais divina, sagrada. Tem apego a uma boneca. Para essa relação com a boneca, tenho me inspirado em uma sobrinha, que todo mundo diz que se parece muito comigo”, comenta.
Carlos Ataíde vive os filhos Edmundo e Nonô. O ator explica que "Nonô é a figura que de alguma maneira conseguiu se libertar da família e ser feliz. No caso de Nelson, Nonô aparece como essa pessoa que está fora da casa, fugiu do nicho familiar. E, em Gilberto, é o entorno da casa grande, toda aquela vida que está fora. São os escravos, os negros. Já Edmundo é o filho que saiu para casar e se desvencilhar da relação com a mãe. Ele se aproxima mais da minha história pessoal porque sou o único irmão que saiu de casa. Perdi minha mãe cedo e saí para fazer minha vida”.
Paulo de Pontes faz o personagem do avô e do irmão Guilherme. Segundo o ator: “No caso do avô, minha referência foi a figura de um tio que nunca se casou. Ele teve um problema na perna e andava mancando. No texto do Nelson, o avô é quem vende a neta para Jonas fazer amor com ela. Jogamos esse personagem para o universo de Gilberto Freyre, como o capataz que negocia a negra para o patrão branco. Já o outro personagem, Guilherme, veio de uma foto minha de infância, tirada no colégio, em que estou com uma cara emburrada. Trouxe para a cena essa figura de uma criança triste, porque Guilherme é um cara muito inquieto com sua condição. É atormentado por uma paixão que nutre pela irmã, e gradativamente ele vai se anulando, cometendo formas de morte, de suicídio graduais”.
Kátia Daher faz o papel da tia Rute, a cunhada, e de Heloisa, a mulher de Edmundo. “Quando Newton me chamou para entrar no elenco, foi exatamente para ocupar esse lugar de estrangeira. Faço a Tia Rute, que é da família, mas é tratada como se não fosse. Na obra de Gilberto, é a solteirona que sobra na casa, a desprezada. Para compor tia Rute, me inspirei na figura de meu avô e das eternas solteironas da minha cidade natal, Santana do Parnaíba. Já Heloisa é a estrangeira de fato e, embora seja uma mulher jovem e bonita, é também desprezada no final, porque o marido a abandona. A figura dela se aproximou da história da minha mãe, daquela mulher mais moderna que vem de uma grande capital para uma cidade muito pequena, onde tudo é muito primitivo. Minha mãe era gaúcha e veio para Santana, onde morava a família do meu pai.”, lembra a atriz.

Quem são Os Fofos Encenam


A formação de Os Fofos Encenam aconteceu em 1992, no curso de Artes Cênicas da Unicamp, com atividades de pesquisa direcionadas ao riso e as raízes do cômico dentro da grade curricular da faculdade. No ano 2000, Os Fofos se reencontraram para a montagem de Deus Sabia de Tudo..., de Newton Moreno, espetáculo que marcou a transformação do grupo em companhia profissional de teatro de repertório.
Em 2003 realizaram a montagem da comédia A Mulher do Trem, espetáculo vencedor do Prêmio Shell de Melhor Figurino. Já em 2005 encenaram Assombrações do Recife Velho, baseado no livro homônimo de Gilberto Freyre. Esse espetáculo, contemplado com o Programa Municipal de Fomento ao Teatro e encenado no interior de um casarão antigo da Bela Vista participou foi indicado ao Prêmio Shell nas categorias melhor direção, melhor direção musical e melhor iluminação.
Em 2006, dando continuidade a pesquisa do universo do Circo-Teatro, encenaram o primeiro drama de sua carreira: Ferro em Brasa. Contemplado com o Prêmio Myriam Muniz - FUNARTE - Petrobrás, Ferro em Brasa estreou no Teatro Julia Bergmann, na Barra Funda e cumpriu temporada de 3 meses. Recebeu ainda indicação ao Prêmio Shell na categoria especial pela pesquisa em circo-teatro e melhor atriz (Cris Rocha). Conquistou em 2007 o apoio do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para Cidade de São Paulo. Ganhou ainda o incentivo do Projeto de Apoio a Cultura - PAC - da Secretaria do Estado da Cultura, viajando com o espetáculo A Mulher do Trem para diversas cidades do interior de São Paulo.
Em 2009, estrearam o espetáculo Memória da Cana, inspirado em Álbum de Família, de Nelson Rodrigues, com adaptação e direção de Newton Moreno. Esse espetáculo foi contemplado com o Programa Municipal de Fomento ao Teatro para Cidade de São Paulo, Prêmio Myriam Muniz – FUNARTE – Petrobrás e Programa de Ação Cultural – PAC.
Para roteiro:

MEMORIA DA CANA – Estreia dia 29 de junho, segunda, às 21h, no Espaço dos Fofos Encenam. Sexta e Sábado às 21h, domingo as 19h e segunda-feira às 20h. Temporada: até 2 de novembro de 2009. Texto original: Nelson Rodrigues. Direção e Adaptação: Newton Moreno. Elenco de atores-criadores: Carlos Ataíde, Kátia Daher, Luciana Lyra, Paulo de Pontes, Marcelo Andrade e Viviane Madureira. Direção de Produção: Emerson Mostacco. Figurino e Maquiagem: Leopoldo Pacheco. Iluminação: Eduardo Reyes. Direção Musical: Fernando Esteves. Cenário: Marcelo Andrade e Newton Moreno. Duração: 90 minutos. Categoria: Teatro Adulto. Gênero: Tragédia familiar. Indicação etária: Não recomendado para menores de16 anos. Capacidade: 70 lugares. Jantar temático: Agende o jantar na compra de seu ingresso; consulte o cardápio e preço no site ou no local. Valor do Ingresso: R$ 16,00 (inteira) e R$ 8,00 (meia-entrada).
Promoção Edital Myriam Muniz:

  • Meia entrada para grupos com mais de 10 pessoas;

  • Cota de Ingresso gratuito (Limitado a 10 % dos totais comercializados) para moradores dos arredores do teatro (levar comprovante de residência – conta de luz, conta de telefone, conta de gás, conta de água, correspondência bancária);

  • Ingressos a R$ 5,00 para grupos de estudantes da rede publica.


ESPAÇO DOS FOFOS ENCENAM

Rua Adoniran Barbosa, 151 (travessa da Rua Jaceguai, em frente ao Teatro Oficina), Bela Vista. Telefone para informações - (11) 3101.6640, das 15 às 21h de quinta a segunda-feira. Compra de Ingressos pelos site: www.osfofosencenam.com.br e www.ingresso.com. Tem acesso a deficientes Aceita: Cartão de Débito e Crédito (Visa, Mastercard), e cheque.




Assessoria de Imprensa

ARTEPLURAL Comunicação

Jornalista responsável – Fernanda Teixeira


MTb-SP: 21.718 – Tel. (11) 3885-3671/ 9948-5355

fernanda@artepluralweb.com.br

www.artepluralweb.com.br



©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal