A namorada Do Meu Filho Texto: André Docky Personagens



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A

Namorada

Do

Meu Filho

Texto: André Docky


Personagens
Vera

Braguinha

Zezé

Luciano


Berenice

Conceição



Pautielle

Sala de estar: Sofá, mesa ao centro, algumas flores para enfeitar a sala.

É dia de reunião familiar. Comemoração dos vinte anos de casamento de Vera e Braguinha.
Vera. (cheirando as flores) - Que horror! (chama Berenice aos berros) Berenice!

Berenice. (óculos de grau, com os cabelos presos. Entra correndo com uma agenda e uma caneta nas mãos) - Chamou dona Vera?

Vera. (impaciente) - Não. Chamei à vizinha... Claro que te chamei incompetente. Essas flores aqui estão sem cheiro. Eu quero saber por que.

Berenice. - Por que não tem perfume.

Vera. (irônica) - Não me diga! Que sabedoria!

Berenice (feliz) - Obrigada.

Vera. - Imbecil! Deveria ter te colocar no olho da rua só por causa da tua petulância em me responder.

Berenice. - Desculpa dona Vera. Respondi apenas o que a senhora me perguntou.

Vera. - Não quero sabe das suas justificativas. Resolva o problema dessas flores, quero elas perfumadas.

Berenice. - Como eu vou fazer isso, dona Vera? A senhora quer que eu ligue pra floricultura pedindo pra trocar as flores?

Vera. - Não vai dar tempo, sua mula! Vá ao meu quarto e pegue meu perfume francês.

Berenice. (pensa) - A senhora quer que eu perfume as flores com seu perfume francês?

Vera. - Custou pra entender? Onde estão Zezé e Luciano?

Berenice. A dupla sertaneja?

Vera. (arrumando o sofá) - Meus filhos... É claro.

Berenice. - Não faço a mínima idéia.

Vera. (continua cheirando as plantas. Berenice a segue) - Ta fazendo o que aqui?

Berenice. (assusta-se) - Eu não tô mais aqui. (tropeça e cai no chão) Foi mau jeito, licença! (sai)

Vera. (percebe a presença de alguém) Será que é ele?

Braguinha. (entrando com uma pasta) - Boa noite, meu anjo. (Dá um celinho em Vera).

Vera. - Que demora Braguinha!

Braguinha. - Desculpa amor. Tive uma reunião de última hora.

Vera. Essas suas reuniões de última hora é um atraso na nossa vida. (mostrando a casa) E ai, o que achou?

Braguinha. (senta no sofá e tira os sapatos) - Do que?

Vera. - Como do que? Da decoração.

Braguinha. (olha para todos os lados) - Pra que esse circo? É só um simples jantar em família.

Vera. (emotiva) - Eu demorei horas caprichando na decoração pra comemorar os vinte anos do nosso casamento, e você chama a minha arte de circo? Grosso! (sai)

Braguinha. (acompanhando) - Não foi isso que eu quis dizer, amor.
Berenice, cantando “amor i Love you”, entra com um frasco de perfume e começa a perfumar as flores. Luciano entra e observa.
Luciano. - O que você ta fazendo?

Berenice. - Perfumando as flores.

Luciano. - Com o perfume francês da mamãe?

Berenice. - Como é que você sabe?

Luciano. - Vou fingir que não ouvi essa pergunta... E esse jantar? Sai ou não sai?

Vera. (entrando com Braguinha de mãos dadas) - Daqui a pouco filho. Você sabe onde está seu irmão?

Luciano. - Foi buscar uma surpresa pra senhora.

Vera. (emocionada) - Surpresa pra mim? Que gentileza do meu bebê.

Zezé. (entrando) - Isso mesmo mamãe. Trouxe uma surpresa pra senhora. Fecha os olhos. Não abre mamãe.

Vera. - Pronto, filho. Fechei os olhos.

Zezé. - Pode entrar surpresa. (entra Conceição, namorada de Zezé, com roupas extravagantes e maquiagem exagerada).

Berenice. - Isso é que eu chamo de surpresa.

Vera. - Já posso abrir os olhos?

Braguinha. - Vai ser uma surpresa e tanto... Pode abrir os olhos querida.
Com um sorriso de orelha a orelha, Vera abre os olhos, olha Conceição dos pés a cabeça, muda de humor e fica sem entender.
Vera. - Essa é a surpresa, meu filho? O jantar é familiar, não precisava ter contratado uma dançarina periguete.

Conceição. - Minha senhora, periguete é a...

Zezé. - (cortando) - Você não entendeu mamãe. A conceição é minha namorada, quase noiva, futura esposa e sua nora. (Vera cai desmaiada no sofá).

Braguinha. - Querida... Acorda meu amor.

Luciano. (gargalhadas) – Eu tô imaginando o dia do casamento, a cara da mamãe vai ser hilária.

Braguinha. Luciano, por favor. Tenha o senso do ridículo! Ao invés de ficar ai rindo feito uma hiena, venha me ajudar a acordar sua mãe. (batendo no rosto) Vera, acorda meu amor. (olha para Zezé) Francamente José, você quer matar a sua mãe do coração?

Conceição. - Será que ela quebrou o vaso?

Berenice. - Não, garota. Isso foi um desmaio.

Conceição. - Quebrar o vaso é gíria lá no meu bairro, é o mesmo que perguntar: será que ela morreu?

Berenice. - Vivendo e aprendendo. Relaxa, dona Vera é forte. Vai sobreviver.

Luciano. - Eu desisto! Ela não quer acordar.

Berenice. - Dá licença gente, me deixa resolver isso. (aperta o spray do perfume no rosto de Vera que acorda tossindo)

Vera. - Tá querendo me matar? Estrupício!

Berenice. - Longe de mim. Tô querendo ajudar. (olha para o perfume e aperta o spray em direção a própria boca, depois se engasga)

Vera. (levantando-se) - Namorada, José Braga? Logo uma periguete com o nome de Conceição? Onde você ta com a cabeça?

Conceição. (para Zezé) - Se a tua mãe começar a me ofender, eu desço do salto e dou na cara dela. (aproximando-se de Vera) Escuta aqui coroa. Eu posso ser periguete, mas eu sou honesta... Conceição com muito orgulho. Homenagem da minha mãe ao Cauby. Sacô?

Conceição. - Além de periguete é marginal. Só vou falar uma única vez Zezé, tira essa “coisa” da minha frente.

Zezé. - Tudo bem mamãe. A “ceiça” vai embora, mas eu vou junto com ela e a senhora nunca mais vai me ver.

Braguinha. - Calma, filho. Sua mãe tá de cabeça quente. Ninguém vai embora. (Vera senta no sofá) Berenice traga o champanhe... E larga esse perfume, criatura.

Berenice. - Sim senhor. (sai de cena com crise de soluço)

Zezé. (para Conceição) - Quer ouvir um sonzinho, meu amor?

Conceição. - Quero sim, bebê.

Braguinha. - Pode deixar. Eu vou colocar uma música bem relaxante. (Braguinha procura um cd para ouvir, Vera observa conceição, levanta-se do sofá e pisa no pé da jovem de propósito. Conceição cai no sofá)

Conceição. - Ai! Meu joanete.



Braguinha. - Pronto! Então Conceição, conte um pouco da sua vida.

Vera. (chamando discretamente) - Luciano!

Luciano. - Fala que eu te escuto.

Vera. - Você já sabia que o seu irmão tava namorando essa periguete?

Luciano. - Quem? A Conceição do Cauby? (risos) Ah! Eu não presto!

Vera. - Não seja patético! (Chama Berenice aos gritos) Tá fabricando o champanhe, Berenice?

Berenice. (fora do palco) – Só um minutinho, dona Vera.

Luciano. - Sabia mais ou menos.

Vera. - Não existe mais ou menos. Sabia ou não sabia?

Luciano. - Eu sabia que eles tavam ficando.

Vera. - Zezé me apunhalou pelas costas. (para Conceição, num tom ameaçador) mas isso não vai ficar assim. Me aguarde! (chama Berenice aos gritos mais uma vez) Berenice. Se você não trouxer essa garrafa de champanhe agora, eu vou aí e quebro ela na sua cabeça. (todos olham espantados para Vera) Tão me olhando por quê?

Berenice. (entra com um carrinho onde estão o champanhe e cinco copos) - Desculpem a demora. Eu tava tentando descongelar o champanhe que há meses não saía do congelador... Nem olhei se ainda tá no prazo de validade. (levanta o champanhe)

Vera. - Menos conversa e mais ação, Berenice. (olha para os copos) Está sobrando um copo.

Berenice. - É que eu pensei...

Vera. (corta) - Você não é paga pra pensar.

Braguinha. - Querida. Hoje é um dia especial... Pode comemorar com a gente, Berenice.

Berenice. - Obrigado seu Braguinha. (pega o copo, põe champanhe e toma de uma vez)

Vera. - Sempre discordando de mim, Braguinha... Tua hora vai chegar Judas.

Braguinha. - Por favor, Vera. Hoje não.
Todos começam a beber e ficar animados, principalmente Berenice e Conceição.
Conceição. (sobe em cima do sofá) - Ei gente...

Vera. (apavorada) - Meu sofá de setecentos reais!

Conceição. - Qual é sogrinha? Meu pé tá limpo, pô... é ai galera, “vamo” tirar essa música e pôr um funk animado.

Berenice. (tom alto) - É isso aí... Vou pegar mais champanhe.

Vera. - Se você der mais um passo, eu juro que arranco tua pele com minhas unhas.

Zezé. - Não implica mãe. Pode ir Berenice. Vamos dançar funk galera!

Luciano. Vou colocar a velocidade seis. (Conceição tira a mesinha do centro e começa a dançar funk sensualmente)

Berenice. (entra com a garrafa de champanhe comemorando) - Queima quengaral! (começa a dançar funk. Vera fica abismada)
As luzes se apagam. Quando são acesas novamente, Conceição estará dormindo no sofá ao lado de Zezé. Luciano, Braguinha e vera estarão fora de cena. Berenice, bêbada, continuará dançando funk sem som e com a garrafa de champanhe na mão.
Berenice. (dançando e cantando) “... Sou a mulher melancia na velocidade seis...” (Vera aproxima-se de Berenice que não percebe) “... e vai, vai, vai, vai...” (acelerando. Olha discretamente para Vera e dá um sorrisinho) Dona Vera. Continue o seu showzinho na minha sala, bebendo o meu champanhe. Bêbada descarada!

Berenice. (salivando no rosto de Vera) - Dona Vera, eu me empolguei.

Vera. (passando a mão no rosto) - Me cuspiu toda... Tá despedida!

Berenice. (Ajoelha-se e segura nas pernas de Vera) - Me perdoa dona Vera. Foi sem querer. Eu fui fraca, insolente...

Vera. - Me larga! Para de babar as minhas pernas! Pode levantar. (Berenice levanta-se) vou ser generosa com você, mas tem uma condição.

Berenice. - Eu faço o que a senhora quiser.

Vera. (tira um cordão do bolso e entrega a Berenice) – Esse cordão aqui tem que estar dentro da bolsa da periguete... Entendeu?

Berenice. (pensa) Não.

Vera. - Já imaginava. Faça o que mandei e deixe o resto comigo. Bico calado, senão eu corto a sua língua... Agora vá lá ao sofá discretamente e mãos à obra. (Berenice, sem que Conceição e Zezé percebam, coloca o cordão na bolsa) Muito bem! A melhor parte estar por vi. (assustada e em tom alto) - Meu cordão! Meu cordão! (Conceição e Zezé acordam aos poucos)
O que será que vai acontecer com Conceição?
Aguarde...
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