A obsessão e seu tratamento espírita



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"A OBSESSÃO E SEU TRATAMENTO ESPÍRITA"

Este livro, cujo texto se baseia rigoro­samente nas obras do Codificador, de André Luiz, de Bezerra de Menezes, e de outros autores que já trataram do assunto com maestria.

O leitor encontrará a explicação da gênese da obsessão bem como a melhor orientação doutrinário-evangélica para a sua terapia espiritual.

É, pois, leitura que se recomenda a espíritas e não-espíritas, que se interessam por este tão aflitivo mal dos tempos modernos.

A obsessão e seu tratamento espírita

Outras obras do mesmo autor:

1. Suspiros de um Coração (sonetos líricos e espiritas). Gráfica Vitó­ria Ltda. Rio de Janeiro. 1970. Esgotado.

2. Lira de dois Corações (sonetos, trovas e poemas líricos e espíritas). Com André Fernandes. Ed. Pongetti. Rio de Janeiro. 1971. Esgo­tado.

3. Estudos Doutrinários (ensaios espíritas). Ed. Pongetti. Rio de Ja­neiro. 1972. Esgotado.

4. Grânulos de Areia (trovas humorísticas, líricas e filosóficas). Grá­fica Regional Ltda. Rio de Janeiro. 1973. Esgotado.

5. Biogeografia e Ecologia (obra didática, aprovada pelo MEC). Li­vraria Nobel S/A. São Paulo, 1973. Ora em 3.a edição.

6. Cânticos do Coração (10 sonetos líricos e espíritas na obra Nossas Poesias, organizada por Aparício Fernandes). Folha Carioca Edi­tora S/A. Rio de Janeiro. 1974. Esgotado.

7. Por um Mundo Melhor (coletânea de contos, ensaios, trovas, sone­tos, etc.). Egetal. Taubaté. 1975. 2.» ed. pela Edicel. São Paulo. 1980, 3." ed., 1982.

8. A Delicada Questão da Vida (ensaios espíritas). Edicel Ltda. São Paulo. 1976. Ora em 4." edição.

9. Espiritismo e Vidas Sucessivas (ensaios espiritas). Editora ECO. Rio de Janeiro. 1976.

10. Técnicas Gerais de Laboratório (obra didática para o ensino profissionalizante de 2.° e 3.° graus). Com Antônio Sobreira e José de Almeida Leão. Edart. São Paulo. 1980. Ora em 2.tt ed.

11. Mensagem de Esperança — Gráfica ABC — Conchas — SP (1982).

12. A Mensagem do Espiritismo — Gráfica ABC — Conchas — SP (1982). Com Aureliano Alves Netto.

13. A Obsessão e seu Tratamento Espírito. Edicel Ltda. SP(1981). 14 Farto material em diversos jornais espíritas e não-espíritas desde

1961.

Cartas: Caixa Postal 61.003



Marechal Hermes — Rio de Janeiro — RJ

21.613


CELSO MARTINS

A obsessão e seu tratamento espírita

2º edição

EDICEL


EDITORA CULTURAL ESPIRITA LTDA. 01316 Rua Genebra, 122 — Fone: 36-2273 São Paulo — SP — Brasil

CIP — Brasil. Catalogação-na-Fonte Câmara Brasileira do Livro, SP.

1 Martins, Celso, 1942 -

M3420 A obsessão e seu tratamento espírita / Celso Martins.

São Paulo: Edicel, 1982.

Bibliografia.

1. Cura pela fé e espiritismo 2. Espiritismo 3. Neurose obsessiva-compulsiva I. Título.

CDD-133.9

82-0088 -615.852

Índices para catálogo sistemático:

1. Espiritismo 133.9

2. Obsessão : Tratamento espírita : Terapia

religiosa 615.852

3. Obsessão e espiritismo 133.9

1°edição: maio de 1982 - 3.000 ex.

2'edição: janeiro 1983 50001 «t. Produção gráfica: Pedro Paulo Consales. Capa: Mizael Garbim

Direitos desta edição reservados à Editora Cultural Espírita Edicel Ltda. 01316 Rua Genebra, 122 — Fone: 36-2273 (Quase esquina com a Rua Maria Paula) CGC 61.403.085/0001-43 — Inscr. Est. 105.802.950 São Paulo — SP — Brasil

Fotocomposto em 1981 por Linoauxiliar Ltda. 03173 Rua Siqueira Bueno, 2316 — Fone: 92-1200 São Paulo — SP — Brasil

ÍNDICE

Primeira Parte - QUEM SOMOS?



Generalidades....................................... 9

Cérebro versus inteligência........................... 13

Inteligência sem cérebro .............................. 19

I — O dom da profecia ............................. 20

II — Sonhos inteligentes ........................... 20

III — Lesões cerebrais não impedem a manifestação

inteligente ..................................... 22

Desprendimento ou Desdobramento ......... .......... 25

I — Testemunho no seio da igreja católica....... 25

II — Testemunho fora do seio da igreja católica ... 27

III — Sonambulismo ............................... 31

Os mortos conversam com os vivos................... 33

I — Natureza do espírito ........................... 37

II — Natureza do médium .......................... 39

III — Chico Xavier ................................... 41

IV — Mediunidade poliglota....................... 43

V — Médiuns e pesquisadores ...................... 45

VI — Experimentos de William Crokes ............. 47

VII — O aspecto moral ............................ 50

Vidas Sucessivas..................................... 53

I — Ponto de vista moral .......................... 54

II — Ponto de vista filosófico...................... 55

III — Esquecimento do passado .................... 58

IV — Ponto de vista científico ..................... 60

Conclusão, e Bibliografia da Primeira Parte .......... 65

Segunda Parte — A LOUCURA A LUZ DO ESPIRITISMO

Generalidades ........................................ 67

Influência espiritual ............................,..... 73

A obsessão segundo Kardec .......................... 79

I — Obsessão ...... ............................... 79

II — Fascinação.................................... 85

Papel do perispírito ................................... 89

I — Correlação das funções ........................ 89

II — Importância do perispírito.................... 92

III — Órgãos ou centros do perispírito ............. 93

IV — Perispírito e mediunidade .................... 95

Brechas psíquicas para a obsessão ................... 97

Complementação de André Luiz ...................... 105

Mecanismo da obsessão ............................. 113

Conclusão e Bibliografia da Segunda Parte .......... 123

Terceira Parte- SUGESTÕES PARA O TRATAMENTO DA

OBSESSÃO


Generalidades ........................................ 125

A prece, o passe e a água fluidificada ................ 131

Reunião de desobsessão .............................. 139

Obsessão dos Evangelhos............................ 145

A-força do Bem ...................................... 149

Métodos de auto-desobsessão ......................... 153

I — A procura de Deus ............................. 154

II — Consolo para os sofredores ................... 155

III — Orientação aos vingativos ................... 157

IV — Recurso liberativo ............................ 158

Atendimento médico-hospitalar ....................... 161

Conclusão e Bibliografia da Terceira Parte............ 173

PRIMEIRA PARTE QUEM SOMOS?

Eu me sinto como se estivesse sido sempre ape­nas um menino brincando na praia... ora en­contrando um pequeno seixo rolado, ora uma linda concha... enquanto o grande oceano da vida jaz diante de mim.

Newton

CAPÍTULO I


GENERALIDADES
É o homem apenas o corpo material?

Constitui-se apenas de um organismo formado de células, tecidos,, órgãos, aparelhos e sistemas, exibindo, do ponto-de-vista bioquímico, água, proteínas, gorduras, sais minerais, vi­taminas, ácidos nucleicos, enzimas? Todos os fenômenos fisioló­gicos podem ser explicados em termos de reações químicas no seio do protoplasma? O mero funcionamento dos órgãos justifi­caria todo o comportamento humano? As diferenças indivi­duais seriam decorrência tão-só do equipamento genético, her­dado dos nossos antepassados? Os genes cromossomiais lega­dos pelos pais por via sexuada, agindo de sinergia com o am­biente, por exemplo, a ação decisiva da educação, da nutrição recebida na infância, seriam capazes de elucidar claramente todas as características individuais, incluindo as de ordem es­piritual e moral? O sistema nervoso, e, em particular, o cérebro, as glândulas de secreção interna se encarregariam de funda­mentar completamente todas as reações humanas? Da inteli­gência inclusive? No cérebro estaria a sede da memória, da atenção, do interesse, dos sentimentos mais nobres como o amor e a saudade, a abnegação e a renúncia, os ideais supre­mos de fraternidade e de justiça, de belo e de verdadeiro?

O homem — insistimos na pergunta inicial — é apenas o corpo material? Ou haveria nele alguma coisa a mais, além do organismo somático? Ou haveria nele, de fato, aquilo a que as religiões tradicionais chamam de alma (Espírito)? Sim, os reli­giosos, ao longo dos séculos, espiritualistas que são, sempre sustentaram a existência de um elemento-espiritual na consti­tuição humana. Pois muito bem, já se provou a existência deste princípio imaterial no homem?

Não se trata de mera questão bizantina, como poderia pare­cer à primeira vista. Não é uma pergunta que não tenha a sua razão de ser. Pois, se a resposta for positiva, nosso modo de vida, nossa maneira de ver as coisas, de encarar as pessoas e reagir diante das situações, quer dizer, nossa compreensão da vida, do mundo e mesmo do Universo será totalmente diversa do caso de a resposta ser negativa. O sim ou o não podem imprimir dife­rentes estilos de vida ao nosso viver de cada dia.

Se os materialistas têm razão, quando afirmam que o ho­mem não passa de um aglomerado de células, que ele não passa de nervos e músculos, de sangue e ossos — por mais bem engendrado tenha sido tudo isto por obra e graça de um acaso feliz, por mais bem adaptado que tenha sido pelo processo da seleção natural, na esteira dos séculos e dos milênios — então o homem se desfaz em pó e cinzas, ao nível do cemitério, quando a morte — inevitável! — chega!... E se assim é, então o que importa, em última análise, é gozar ao máximo os prazeres da vida frívola. Mesmo se, para tanto, devamos prejudicar o próximo, dando-lhe boas rasteiras, atirando-lhe aos olhos espu­ma de água e sabão, dele tirando todo proveito possível, em nosso exclusivo benefício porque... depois... ora depois... depois sobreviria o nada. Nada mais que o nada!

Contrariamente, se a razão está com os religiosos, ou pelo menos com aqueles que aceitam a existência de um princípio espiritual no homem, independentemente de pertencer a esta ou àquela igreja tradicional, então a vida passa a ter outro signifi­cado. O viver terreno não passa de um rapidíssimo minuto, em face da Eternidade. Por isso mesmo, de mais alto deveremos encarar até as próprias desventuras que, porventura, estejam em nossos caminhos e em nossos corações!

Caso a natureza humana exiba também um Espírito, sobre­vive ele ao fenômeno irrecorrível da morte? Por outras pala­vras, continuaremos a existir, teremos consciência de nós mes­mos, depois da morte? Os nossos entes queridos, familiares ou amigos, vivem no Grande Além? Com eles nós nos encontrare­mos um dia? Afinal de contas, há alguma forma de vida para o Espírito, depois da morte do corpo?

E mais, se a vida prossegue além do jazigo, teria o morto condições de pôr-se em contacto com os vivos? É possível a comunicação mediúnica? Este contacto mediúnico poderia ex­plicar alguns (pelo menos alguns) casos de doenças mentais, para as quais a ciência oficial se mostra ineficaz? Tal contacto do Espírito do defunto sobre o corpo e sobre a alma de um vivo poderia contribuir para a melhor compreensão do processo ob­sessivo, de algumas alucinações, de certas anomalias psíqui­cas, de determinados vícios que tanta dor semeiam no coração humano?

Mais ainda, poderia o Espírito reencarnar, como admitem os orientais há séculos, isto é, poderia tomar um novo corpo para novas experiências na Terra? E o relacionamento social dentro da sucessão destas vidas terrenas anteriores poderia dar-nos alguns possíveis subsídios para explicar a causa pro-" funda e remota de atuais distúrbios da personalidade?

Afinal, quem somos? Eis em síntese o que pretendemos examinar no decurso da primeira parte do nosso livrinho.


CAPÍTULO II


CÉREBRO VERSUS INTELIGÊNCIA
Ressaltemos logo de início que não nos prenderemos, neste estudo, ao conceito vulgar de inteligência, segundo a qual é entendida como apenas aquela faculdade que permite ao indi­víduo ser capaz de armazenar conhecimentos escolares. Comumente, quando se fala em inteligência, pensa-se logo em uma pessoa que fale diversos idiomas, domine as ciências matemá­ticas, foi aluno brilhante nos colégios onde estudou, saiu-se bem nos exames que se submeteu, tem pronta resposta para qual­quer pergunta que se lhe faça.

Não é exatamente a este tipo de inteligência que nos refe­rimos, não. Olhamo-la por seu conceito bem mais amplo, como sendo a faculdade de compreender. Uma coisa é o conhecimen­to meramente intelectual, para cuja formação e refinamento, sem dúvida, muito contribuem os estudos escolares e o autodidatismo. Outra coisa, bem diferente, é o conhecimento sen­sível decorrente da percepção externa, propiciada pelos órgãos sensitivos (ouvidos, olhos, tato..;) e que se amplia graças à associação de ideias, à memória, à imaginação criadora, ao juízo e raciocínio, quer dizer, funções mentais superiores. Como se observa, pois, neste livrinho, por inteligência entenderemos a consciência em si mesma. Graças a ela, o indivíduo concebe a realidade conseguindo, assim, compreendê-la, de acordo com os dados também de sua própria experiência anterior.

Embora todos os órgãos vitais coração, fígado, pâncreas, rins... sejam importantes para a manutenção da vida orgâ­nica e psíquica, cada um executando a contento as suas respec­tivas funções em estreita harmonia com o funcionamento de outros mais, na intrincada inter-relação que existe no corpo inteiro, o que sem dúvida caracterizaria, de um modo mais globalizante, a vida humana seria a atuação permanente da inteligência, tal como a procuramos conceituar antes. Mercê de seu poder de síntese e, ao mesmo tempo, de análise, é que o homem se situa não só em relação a si mesmo mas também relativamente a todo o meio que o rodeia, e do qual é ele tam­bém uma parte integrante.
É de esperar que esta capacidade de discernimento das coisas e de adaptação às variações ambientais varie em decor­rência de vários fatores como os hormônios, a educação recebi­da na infância, a atividade funcional, os padrões da comunida­de, as ideias religiosas, os princípios filosóficos ou morais, etc... No entanto, é ela inerente a todo ser humano; de certa forma aparece em muitos animais, daí ser estudada desde o século passado pela Psicologia Experimental.

Então, cabe perguntar: Onde estaria situada a inteligên­cia?

Qualquer aluno da escola elementar sabe que a sede da digestão dos alimentos está sobretudo no estômago. Do movi­mento do sangue, no músculo do coração. Da filtração urinaria, nos túbulos renais. Das trocas gasosas, nos alvéolos pulmona­res. Enfim, cada função biológica tem o seu órgão correspon­dente. Mas, e as funções psíquicas? A inteligência? Onde estaria a sua sede central?

De pronto os materialistas respondem situar-se justo no cérebro, já definido por Tilney como sendo o órgão diretor do corpo, o regulador da Vida, a fonte de todo o progresso humano. Todavia, um estudo mais profundo da questão, um exame mais minudente deste órgão nobre, a análise desapaixonada de inú­meras pesquisas não fornecem subsídios para esta definitiva conclusão.

É bem verdade que este órgão do sistema nervoso central apresenta determinadas regiões responsáveis pela compreen­são, globalizante das informações coletadas pelos órgãos dos sentidos. Que apresenta outras regiões responsáveis pelo fun­cionamento de certas glândulas e que desempenham papel pre­ponderante na fisiologia dos músculos estriados ou voluntá­rios. É certo também que nele, e em outros órgãos do S.N.C, existem zonas responsáveis pelo desempenho de funções vitais como os batimentos cardíacos, o ritmo respiratório, a manuten­ção da temperatura corporal, etc... Tanto assim que um sim­ples insulto cerebral, em decorrência de uma circulação defi­ciente, um vaso sangüíneo que se rompe e deixa de levar a cota de glicose ou de oxigênio a um determinado grupo de neurônios; ou a presença de um germe patogênico ou de um tumor maligno indesejável — um simples insulto cerebral, portanto, pode com­prometer a saúde do indivíduo, a harmonia de suas funções mentais, até mesmo a própria vida.

No entanto, até hoje ainda não se localizaram regiões res­ponsáveis por sentimentos como o ódio e o amor, a satisfação e a euforia, a abnegação e o egoísmo. Caiu por terra a teoria das localizações cerebrais segundo a frenologia de Gall. Só porque várias das mais bulhentas pessoas suas conhecidas tinham bossas proeminentes atrás das orelhas, este médico alemão, no início dó século 19, aí localizou o centro da combatividade. Como notasse uma saliência nas fontes de um menino-prodígio aos 5 anos de idade, naquela área situou Gall o centro da musicalidade. E assim fez como que um pequeno mapa das faculdades mentais procurando localizar a sede do sentido de tempo, da constância da amizade, da disposição para imitar, dos cuidados com a prole, da capacidade de amar, coisas assim. Escusado declarar que tal teoria, hoje, é apenas uma curiosida­de na história da ciência médica. Ninguém a poderia levar a sério, pois no cérebro não foram absolutamente descritas áreas onde se radiquem a associação de ideias, o raciocínio, o discer­nimento, o senso moral. É como se as faculdades superiores da inteligência se radicassem fora do corpo, fora mesmo do uni­verso tridimensional. Apenas se valesse do referido órgão para manifestar-se no plano onde vivemos. Ressaltemos que não estamos solitários em nossa posição. Há mais quem pense as­sim. Vejamos exemplos.

Alexis Carrel anota em seu famoso livro L' Homme, Cet Inconnu (O Homem, Este Desconhecido) estas oportunas fra­ses: "As atividades mentais dependem das fisiológicas. As mo­dificações orgânicas correspondem à sucessão de nossos esta­dos de consciência. Inversamente, fenômenos psicológicos são determinados por certos estados funcionais dos órgãos. Os espí­rito é a mais colossal potência do mundo. E' ele produzido pelas células cerebrais como a insulina o é pelo pâncreas? Quais são nas células cerebrais os precursores do pensamento? A expensas de que substâncias ele se elabora? Vem de um elemento preexistente como a glicose provém do glicogênio e a fibrina a partir do fibrinogênio? Ou, ao contrário, é preciso considerar o pensamento como um ser imaterial, existente fora do tempo e do espaço, fora das dimensões do universo cósmico, inserindo-se por processos desconhecidos em nosso cérebro, que seria a condição indispensável de suas manifestações e determinante de seus caracteres?"

Arremata Carrel admitindo sermos um composto de teci­dos, órgãos, líquidos e consciência. Mas as relações da cons­ciência com as células cerebrais ainda são, segundo ele, um mistério. "Dizer que as células cerebrais — em sua opinião — são de fato sede dos processos mentais é uma afirmativa sem valor, pois que não há meio de observar a presença de qualquer processo mental em seu interior."

Semelhante discussão, em última análise, se prende àquela que se relaciona com a essência da vida. No compêndio escolar The Study of Biology (O Estudo da Biologia), por exemplo, Baker e Allen declaram que um organismo vivente pode ser interpretado como sendo um bem organizado e altamente com­plexo sistema químico. Mas, ao se reduzir o estudo da vida ao estudo das reações físicas e químicas individuais, surge a per­gunta inevitável: Onde termina o que é vivo em um organismo e onde começa o não vivo? Ou, em outras palavras, quando é que um agregado de moléculas deixa de ser meramente uma mistu­ra de ordem química e se torna um ser vivo? O mesmo estamos colocando aqui agora, confrontando o cérebro e a inteligência. A resposta a esta indagação irá responder à pergunta feita inicialmente: Haveria no homem algo além do corpo material?

Henri Bergson no livro L'Âme et le Corps (A Alma e o Corpo) adianta que a inteligência, o pensamento não podem ser produtos da matéria. "Porque certo parafuso é necessário a de­terminada máquina, como a citada máquina funciona quando se coloca o parafuso, e deixa de fazê-lo quando o tiram, nin­guém poderá declarar que o parafuso seja equivalente à má­quina. Ora, exclama Bergson, a relação entre a consciência e o cérebro é como o parafuso para a máquina."


Claude Bernard, o respeitável Pai da Fisiologia Experi­mental, o descobridor da função glicogênica do fígado, por seu turno, assevera: "A matéria organizada do cérebro, que mani­festa fenômenos de sensibilidade e de inteligência próprios ao ser vivo, não tem, do pensamento e dos fenômenos que ela manifesta, mais consciência do que a matéria bruta teria de uma máquina, de um relógio, por exemplo, que não possui consciên­cia dos movimentos que manifesta ou da hora que indica. As­sim também os caracteres de impressão e o papel não têm consciência das ideias que reproduzem."

Finalizando, como que a responder a Cabannis, Vogt e outros, que alegavam que o cérebro segregaria o pensamento tal como o fígado elabora a bile e os rins, a excreção urinaria, Claude Bernard afirma:

"Assegurar que o cérebro segrega o pensamento seria o mesmo que dizer que o relógio segrega a hora ou a idéia de tempo."

CAPÍTULO III
INTELIGÊNCIA SEM CÉREBRO
O paralelismo psicofisiológico faz depender a vida psíquica dos órgãos sensoriais. Faz depender os fenômenos psicológicos e intelectuais (afetivos e até morais) do cérebro, dos órgãos dos sentidos, dos hormônios das glândulas internas, do patrimônio genético. Enfim, ele faz com que se estabeleça o primado da matéria do corpo somático sobre a inteligência que, no homem, se manifesta. Dentro deste princípio, não haveria exagero nem contradição quando se preceitua terapia materialista com a adoção de drogas e o aconselhamento psiquiátrico, para cura das doenças mentais. Sem perder de vista, porém, os aspectos orgânicos e sociais que existem e exercem marcante influência sobre o homem, chamaremos, no entanto, a atenção dos leitores para a existência de algo mais na personalidade humana. E para justificar nossa posição, nada melhor do que a citação de casos, de exemplos, de ocorrências, e depois refletir sobre eles. Contra fatos não há argumentos! Prossigamos.

Vem desde a antiga Grécia de Aristóteles o aforismo decla­rando que nihil èst in intelectu quod prius non fuerit in sensu. Traduzindo deste latim clássico para nosso linguajar corrente: nenhuma noção chegaria ao conhecimento que não tenha pas­sado, primeiramente, pelos órgãos dos sentidos. Mas, cabe per­guntar: Seria sempre assim? O conhecimento para atingir a inteligência teria de passar forçosamente antes pelos sentidos corporais?

I - O DOM DA PROFECIA
Pessoas há que têm o dom de prever o futuro (precognição ou premonição), fazendo-o com muita propriedade e acerto. Che­gam a dar detalhes das ocorrências futuras. Um exemplo por demais conhecido é o de Nostradamus (1503-1566) que vaticinou: ascensão e declínio de Napoleão Bonaparte, incêndio de Londres em 1666 e a peste que a assolou no ano anterior, o fim trágico de Luiz XVI e de Maria Antonieta, relatos sobre Henri­que II da França e sobre Carlos I da Inglaterra, sobre Pasteur, acerca da Guerra Civil Espanhola (1936 a 39), até mesmo a respeito da II Guerra Mundial (1939 a 45), inclusive as explo­sões termonucleares sobre as cidades japonesas de Hiroxima e Nagasáqui. Outro exemplo deveras conhecido é o de Jeanne Dixon, conhecida vidente de nossos dias, que profetizou a morte de Roosevelt (1945), de Gândi (48), de Churchill (65) bem como o assassinato de John Kennedy, em D alias, no Estado do Texas, em 22 de novembro de 1963.

Às vezes, este conhecimento se obtém através de um sonho. Vejamos um exemplo, extraído do livro Vida sem Morte?, do sueco Nils Jacobson. Uma certa mulher acordou seu marido, determinada noite, para contar-lhe um sonho horrível. Ela vira um grande lustre cair sobre uma criança e matá-la, en­quanto o relógio do quarto marcava 4,35. O marido riu de sua angústia quando ela levou o filho para a cama do casal. Mas não pôde rir duas horas depois quando se ouviu um baque do lustre no quarto da criança, cujo relógio marcava 4,35. O lustre caía exatamente sobre a cama do filho.



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