A onda: abordagem do totalitarismo



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Encontro07.02.2018
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A ONDA: ABORDAGEM DO TOTALITARISMO
Luis Gustavo Rezende Gaiotto1; Leon Domarco Botão1

Prof. Orientador: Taitson Leal dos Santos1 e Claudia Megale Adametes1


1Colégio Piracicabano

RESUMO: Segundo o filósofo galês Bertrand Russel, “O Poder é a posse dos meios que levam à produção dos efeitos desejados”. Partindo dessa definição e do conceito de Totalitarismo, que representa a total subordinação do individuo ao Estado, foi analisado o filme alemão “A Onda” (Die Welle), que conta a história de um professor de Ensino Médio, que ensina a seus alunos, de uma forma vivenciada, o poder de mobilização de regimes autoritários.

Aristóteles diz que “o homem é por natureza um ser social e político”, e se falando de política, existem duas formas de ação, a de interesse público – que se caracteriza pelo uso do poder social com a finalidade de alcançar o bem comum da maioria dos governados. E a de interesse particular – que se caracteriza pelo uso do poder social em benefício de pessoas, grupos privilegiados e do estado, desprezando-se o bem comum.



Palavras-chave: Regime autocrático. Poder. Homem ser social. Homem ser político.

INTRODUÇÃO: O século XX, durante as décadas de 1920 e 1940, viu acontecer uma experiência política sem precedentes: o Totalitarismo, realizado por duas práticas políticas, o Fascismo (na Itália) e o Nazismo (na Alemanha).

A Alemanha, derrotada na Primeira Guerra Mundial, perde territórios e é obrigada a pagar enormes somas aos vencedores para ressarci-los dos prejuízos da guerra. A economia está mal, reinam o desemprego, a recessão e a inflação. A crise toma proporções excessivas quando, em 1929, a Bolsa de valores de Nova Iorque “quebra”, levando à ruína boa parte do capital mundial.

Partindo da crítica Marxista ao liberalismo, mas recusando a idéia de revolução proletária comunista, o austríaco Adolf Hitler se oferece à burguesia e à classe média para salva-las da revolução operária. Propõe uma nova ascensão da Alemanha através do fortalecimento do Estado, do nacionalismo geopolítico – a nação é o “espaço vital” do povo, que deve conquistar e manter territórios necessários ao seu desenvolvimento econômico.

A partir daí, com o golpe Nazista, se instala na Alemanha um governo autocrático, onde há soberania do estado, através de um comandante.

Uma história parecida toma forma no filme “A Onda”: baseado em fatos reais ocorridos numa escola da Califórnia em 1967, o filme transpõe a história para a Alemanha onde o desenvolvimento da história é de ficção. Trata-se de um professor diferente, Rainer Wenger, que no projeto semanal da escola levanta a seguinte questão: “poderia a Alemanha dos dias de hoje voltar a um regime totalitário?”. Para responder a esta questão, os alunos passam por uma simulação de um sistema autocrático com a proposta de mostrar as vantagens e desvantagens de governo e concepções políticas. Envolvidos com o projeto, os alunos passam a levar o programa muito a sério, despertando dentro de cada um, o autoritarismo guardado e repreendido numa Alemanha que tem marcas pelo passado autoritário do Nazismo.

Os alunos, e o professor, começam a perder o controle, no momento em que “A Onda”, movimento criado por eles, passa a se tornar o único foco, com criação de uniformes e logos, e começando a excluir aqueles que não faziam parte do movimento.

Grandes questões são postas à mesa, como a vulnerabilidade dos jovens por assumirem uma culpa que não é de sua época, se responsabilizando através de um grupo e não por si próprios, sentindo-se mais fortes eliminando os fracos e se esquecendo das conseqüências já vividas em um passado recente.

O filme “A Onda” aborda temas de discussões no mundo atual como a educação, deseducação e responsabilidade social.

O objetivo do filme é claro, criticar as várias maneiras com que o autoritarismo se manifesta. E ele é muito bem sucedido em sua missão, pois mostra como a imposição “da massa” sobre o indivíduo – e seus direitos e liberdades fundamentais – acaba sempre levando à tirania escancarada.


OBJETIVOS: A reflexão crítica sobre o totalitarismo é tema presente em diversos estudos nos campos da política, da sociologia, da filosofia e da história, no sentido da compreensão de regimes passados que se refletem atualmente.

O filme “A Onda” desperta um sentimento no espectador de querer fazer algo a mais além de apenas assistir ao filme, essa foi a motivação da realização do trabalho. Socialmente, o tema é muito polêmico e sempre atual.

Portanto, no intuito de entender o passado para refletir sobre o presente e futuro, foram buscadas mais informações sobre os regimes abordados no filme, e foi possível perceber que o autoritarismo está presente no dia a dia de cada um.

Na escola, se lida com hierarquias, que muitas vezes são autoritárias. E em grupos de amigos isso também se nota. Não existe uma hierarquia, mas pessoas e atitudes autoritárias são freqüentemente notadas.



MATERIAIS E MÉTODOS: A pesquisa foi realizada através de pesquisas bibliográficas, em livros e sites, e com o uso do próprio filme “A Onda”, analisando conceitos históricos e relacionando com o presente e com a obra cinematográfica.

O interesse pela realização de tal trabalho surgiu no momento em que o grupo assistiu ao filme, e a partir de orientação pedagógica, encontrou relações que tornaram viáveis uma pesquisa de abordagem instigante e atual.



DISCUSSÃO: Analisar os regimes autoritários tendo um embasamento teórico sobre sistemas políticos dessa natureza gera um entendimento maior para discernir sobre que maneira de governo é mais vantajosa para um povo. Os regimes do passado, em especial o Nazismo, chegam a impressionar pela maneira com que se instalaram: conquistando um povo que já se via sem esperanças e oferecendo uma solução não tão transparente.

O que se viu, em alguns pontos, se vê hoje. Poucos liderando, buscando o bem estar social para camuflar um governo que na verdade busca o bem estar pessoal. O totalitarismo está espalhado pelo mundo, e o que se deve fazer, depois de tantos anos sabendo-se que ele não é vantajoso, é manter-se resistente a governos e ações autocráticas.

O “mau exemplo” foi dado no passado, e com instrução e consciência, ele não deve ser seguido.

CONCLUSÃO: Com a realização desse trabalho, foi possível entender com clareza o contexto histórico do surgimento do Nazismo, e relacionar regimes autoritários com a atualidade. Existem hoje em dia, sistemas totalitários em alguns países, funcionando de forma camuflada ou não, tais sistemas confrontam, muitas vezes, a liberdade do povo que é inserido em regimes semelhantes. Liberdade de expressão, de imprensa e econômica.

Obras cinematográficas que fazem o espectador refletir sobre atos cotidianos, como oprimir e se impor aos outros, são de grande credibilidade. Geram entretenimento, ao mesmo tempo reflexão, influindo na sociedade, mesmo sem a percepção de muitos, tal percepção, foi possível depois do desenvolvimento do trabalho de pesquisa “A Onda – Abordagem do totalitarismo”.


REFERÊNCIAS:

CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. Ed. Ática, São Paulo, 2000

COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia: Ser, Saber e Fazer. Ed. Saraiva, 1996

WOLFF, Jonathan. Introdução à Filosofia Política. Ed. Gradiva, 1998



Filme: A Onda (Die Welle). 2008. Alemanha. Dennis Gansel.

ANEXOS:

Quino



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