A onipresença da dissociaçÃO



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Fluxo descontrolado e encontros com o All - Self
Um exemplo de fluxo descontrolado, acompanhado de um encontro com o All-Self ocorreu em um experimento de sonho hipnótico que eu conduzi Maimonides Medical Center, Brooklyn (Krippner, 1968). Alguns participantes foram conduzidos a procedimentos formais de indução hipnótica e membros de um grupo comparativo receberam sugestões de relaxamento. Um membro do último grupo relatou várias seqüências de imagens, uma delas podendo ser vista como representante de um encontro com o All-Self. Este participante da pesquisa teve uma experienciar espontânea escepcional e os resultados disto foram tão longos, duradouros e visíveis quanto benéficos. Imagens “hermentais” estão centradas em torno de: “um quadro do céu, nuvens e Deus esticando sua mão e tocando o dedo de um homem cuja mão está estendida também... Um fagulha é acesa pelo toque de Deus… Eu me sinto bem com este pensamento, como se diz”. “É isto, agora eu entendo.” A pintura parece dizer que este homem é dependente de Deus por suas descobertas e intuições. Religião e Deus e a busca por alguma nova descoberta na realidade parece estar conectada a esta imagem e a meus pensamentos, neste exato momento. Eu vejo o universe, a miríade de estrelas distantes, o universe se expandindo, estrelas voando longe umas das outras e a voz humana ressoando, “Quem é você? Quem é você?” Eu me sinto envergonhado por estes pensamentos como se eu fosse um fanático religioso. E neste momento elas enchem minha cabeça. (p.52)
Esta experiência pegou a participante da pesquisa de surpresa; a classificação de “dissociação” não é justificada e a pessoa que a experimentou sentiu que sua experiência era afirmativa de vida.

Fluxo descontrolado sem maiores trocas com o ego-self ou encontros com o All – Self.


Fluxo descontrolado geralmente ocorre sem maiores trocas no ego - self ou encontros com o All - Self. Em 1993, eu dei vários seminarios sobre sonho para o Human Development Corporation em Osaka e Tokyo e fui surpreendido pelo número de trocas menores em alguns dos relatos de sonho. Estes não possuíam a magnitude para serem qualificados como desrealização ou despersonalização, mas eles ilustraram as alterações ligadas ás descrições tão comuns em sonhos. Um homem, o diretor executivo de uma organização, relatou: “Eu estou emu ma rua estreita entre as casas de meus vizinhos. Uma cobra branca está me perseguindo. Eu estou muito apavorado. Eu deixo o meu corpo e o observo correndo em direção a uma rua mais larga, mas a rua torna-se longa e mais longa até ser impossível alcançar o final dela”. Uma dona de casa de grandes cabelos negros relatou: “Eu estou olhando para mim mesma em um quarto. Eu percebo que meu cabelo é loiro. Minha mãe está lá, mas eu não a reconheço; ela está sentada em uma cadeira de balanço e ela também tem o cabelo loiro. Minha avó também está no quarto, com cabelo loiro e eu não a reconheço inicialmente. Ambas usam uma saia bem clássica, longa e macia, com muitas pregas. Elas estão bebendo chá preto e o quarto tem uma lareira; ele se parece com nosso quarto em casa, mas lá não há lareira.” (itálicos adicionados). Os dois sonhos foram descritos como repetitivos, tidos desde os tempos de criança.
Há controvérsia considerável no tópico de dissociação em sonhos, mas eu os vejo como um fluxo de efeito recíproco constante e ininterrupto de continuidade e descontinuidade, de associação e dissociação. A psicofisiologia do movimento rápido dos olhos (rapid eye movement) no sono pode explicar muito daquilo que é bizarre e a qualidade emocional dos sonhos, com as experiências do sonhador também oferecendo contribuições. Hobson (1998) expressou bem a situação: durante o sonho, a dissociação está “em uma luta dialética e oposicional com a associatividade” (p.211). Ambas, associação e dissociação estão presente no movimento rápidop dos olhos no sono e sua dialética contribui para a criatividade muitas vezes encontrada nos relatos dos sonhos..
Aqueles que assinam embaixo da idéia de que a hipnose envolve “processos especiais” que, de certa forma, diferem do comportamento alerta ordinário enfatizam a potencialidade dissociativa ou os aspectos “neo-dissociativos” da experiência hipnótica (e.g., Bowers,1991; Hilgard, 1994; Woody & Farvolden, 1998), enquanto aqueles que vêem a hipnose como um fenômeno “sociocognitivo” discontam a sua relação com a dissociação. (e.g., Spanos, 1989; Spanos & Burgess, 1994). Tendo em mente o continuum da dissociação em cada uma das categorias, eu tenho discutido para ilustrar o meu modelo, que seria o fato de que, aparentemente, os procedimentos de indução hipnótica poderiam produzir experiências em muitos pontos deste continuum. No entanto, mesmo as pessoas que experienciam e que são altamente responsivas, freqüentemente descrevem a hiponose da forma que Mc Conkey (1986) interpreta, como “um estado de consciência normal, que simplesmente envolve focar a atenção (e) acompanhar com o pensamento, imaginando as sugestões dadas pelo hipnotizador” (p.314).
Muitos clientes relatam importantes benefícios para a saúde vindos da hipnose; aqueles que atingem altos escores nos testes de fantasia e nos testes de amnésia, geralmente relatam experiências que parecem ser dissociativas. Os clientes que são altamente motivados podem obter os mesmos benefícios da hipnose, sem quebra do fluxo ordinário de suas consciências, comportamento e/ou identidade, a qual é suficientemente dramática para ser classificada como dissociativa (Barber,1997).
Conclusão
Com um dos membros fundadores da Sociedade Internacional para o Estudo da Dissociação, eu considero seu primeiro encontro, em 1984, um evento histórico no entendimento das experiências dissociativas. Mas este retorno do interesse pode ser apenas uma mancha nos registros de Ellenberger (1970) dos ciclos de interesse dos psicoterapeutas em transtornos dissociativos. Kenny (1981) observou que no século 19 o espiritualismo não apenas favoreceu o desenvolvimento de médiuns, alguns dos quais foram estudados por William James e seus colegas, mas estimularam o aparecimento de multiplicidade nestas mesmas comunidades. Com o declínio da crença em “possessão de espírito”, menos casos eram relatados.
Hacking (1995) afirma que a atenção oferecida ao abuso infantile nops Estados Unidos, em alguma medida, tomou o lugar da possessão e da mediunidade como um incentivo para o diagnóstico de TID. A possibilidade de iatrogeneses, na qual diferentes identidades são criadas em uma sala de terapia e sua multiplicação foi considerada por muitos dos pioneiros deste campo (Alvarado,1991). Janet (1889) observou que assim que ela nomeava uma “personalidade”, esta se tornava mais cheia de vida (p.318). James (1890s) afirmou que “é muito fácil… sugerir o aparecimento de um personagem secundário durante o transe” (p.465). Ross (1989, pp.58 - 63) tem argumentado convincentemente que uma condição tão séria e complexa como o TID não pode ser elicitado acidentalmente, mas a controvérsia continua. Este tema é critico porque o diagnostico de TID, mesmo quando correto, tende a amedrontar tanto os cuidadores quanto a família do paciente. Gergen (1991) reconhece que o termo “dissociação” é ruim da forma que é empregado atualmente, já que ele tende a “desacretitar o indivíduo, is a negative one as currently used, as it tends to "discredit the individual, atraindo a atenção para os problemas, attention to problems, deficiências ou incapacidades” (p.13).
“Para tratar disto de um modo mais geral”, continua Gergen (1991), “o vacabulário de déficit humano tem passado por uma expansão enorme com o século atual” (p.13). Koss - Chioino (1992) até levanta questões a respeito “da validade dos conceitos por trás de definições de alucinações e delirious” (p.140) because “relativamente poucas idéias têm avançado a ponto de distinguir alucinação de experiências visionárias” (p.143). Por esta razão, o meu modelo tem ido na direção de dois contribuidores da psicologia transpessoal, Heinze (1993) e White (1997), porque as suas designações das variedades das experiências dissociativas ilustram ambas as dissociações controladas e descontroladas, bem como a parte implicada na experiência de contato com o tão chamado ego-self e o All-Self. Estes assuntos têm sido centrais para os psicólogos transpessoais desde a fundação do Journal of Transpersonal Psychology em 1969.
Para mim, a psicologia transpessoal é o estudo disciplinado de comportamentos e experiências que parecem transcender aqueles constructos hipotéticos associados com identidades individuais e autoconceitos, assim como seus desenvolvimentos antecedentes e as implicações destes comportamentos e experiências para a educação, preparação e psicoterapia. Sistemas de classificação (como aqueles de Heinze e White) baseados nesta perspectiva são úteis quando buscam compreender descrições como as que Braude (1995) oferece à monja Zen Budista que afirma que ela não tem um self e que evita usar pronomes pessoais a fim de ir contra a ilusão de que ela é caracterizada por um “eu”. Ao inves de dizer “eu estou com fome”, ela diz “Há fome aqui” (p.75). Neste caso, a dissociação controlada aparentemente a afastou do ego - self e a levou para o All - Self de uma forma que é considerada positiva pela pessoa que experiência e pelo seu grupo social.
Na cultura Euro-americana, a proposta de White de estar consciente de ambos, mas sem se identificar com nenhum deles, parece ser mais provável de promover um funcionamento melhor, especialmente com relação à empatia e a comunicação entre as pessoas. Tais pessoas estão igualmente em casa com aqules que estão totalmente identificados com o ego - self ou com o All - self. Experiências desta natureza são tidas com seu mérito próprio pelos psicólogos transpessoais (veja Grof & Grof, 1990) melhor do que serem sujeitadas à cama de Sodoma da causação psicodinâmica, a being subjected to a Procrustean bed of psychodynamic causation, tabelas de reforço de comportamento ou classificações psicopatológicas.
O primeiro aspecto do meu modelo foca no quanto uma experiencia pode ser vista como um fluxo controlado, um fluxo descontrolado, uma dissociação controlada ou uma dissociação descontrolada, admitindo-se flutuações freqüentes neste espectros. O segundo aspecto questiona se há alterações na identificação de uma pessoa com o ego - self ou se esta transcende o ego - self, fazendo contato com um All – Self hipotético. O terceiro aspecto do meu modelo de experiências dissociativas está em concordância com as descrições propostas por (1997) de experiências afirmadoras-de-vida e experiências negadoras-de-vida, classificações que são extremamente subjetivas. Por exemplo, quando a Irmã Tereza, que mais tarde se tornou Madre Tereza, que foi laureada com o prêmio Nobel, estava viajando para Darjeeling de trem, em 1946, ela afirmou ter “ouvido Deus”. Deus supostamente disse a ela que o trabalho de sua vida era reconhecer a divindade nos mais pobres dos pobres e servir a eles com amor.
Em 1996, um estudante israelita também “ouviu Deus”. Neste caso, Deus supostamente lhe deu ordens de matar Yitzchak Rabin, outro laureado com o Nobel. Há pessoas devotas que rejeitariam as origens divinas destes dois comandos divinos e céticos que fariam pouco de ambos. Tomando uma perspectiva pós-moderna, os julgamentos de “afirmador-de-vida” e “negador-de-vida” são uma questão de época, lugar e poder (veja Foucault, 1980), no entanto a descrição de White (1997) consegue lograr uma postura relativista adicionando que qualquer “voz” que defenda comportamentos que a pessoa que as experimenta não gostaria que fossem feitos a ela não são “afirmadores-de-vida”. Pesquisas hermenêuticas e fenomenológicas precisam ser aplicadas às narrativas dissociativas para auxiliary a clarificar estes assuntos.
Neste meio tempo, os profissionais da saúde precisam se dar conta de que a dissociação, pode algumas vezes ser considerada “afirmadora-de-vida” ou “negadora-de-vida”, adaptativa ou mal-adaptativa, positiva ou negativa, construtiva ou destrutiva; o termo “dissociação” não necessita ser concretizado ou patologizado. Dissociação, no sentido de “experiências relatadas e comportamentos observados que parecem existir separados ou terem sido desconectados do curso da consciência desperta de uma pessoa, de seu repertório comportamental e/ou auto-identidade “podendo até mesmo ser vista como uma habilidade básica ou uma capacidade similar de imaginação e absorção.
Instâncias de experiências dissociativas avaliadas positivamente entre atletas têm sido catalogadas por Murphy e White (1995), os quais tem proposto várias implicações de seus achados para o treinamento mente/corpo. Masters (1992) observou que maratonistas geralmente utilizam um estilo cognitivo no qual eles isolam a si mesmos do feedback sensorial que eles receberiam, normalmente, de seus corpos durante a corrida. Seu uso deliberado deste tipo de dissociação como uma estratégia de corrida foi relacionado positivamente aos escores do teste de suscetibilidade hipnótica. Por exemplo, um corredor “regressou” de volta para a primera série e, então, prosseguiu lembrando de sua experiência educacional até o doutorado. Outras maneiras positivas de utilizar a dissociação incluem “se desligar” de uma conversa entediante, exercer controle sobre a dor “distanciando” a si mesmo da região dolorosa, sustentar uma conversa enquanto se dirige um automóvel com destreza e estimular criatividade através de imaginação e reflexão. Em algumas partes do mundo, a tendência à fantasia é reforçada por forces culturais, mas, o “sonhar-acordado” e “não manter a mente no trabalho” são descrições pejorativas na maioria das culturas Ocidentais (Krippner, 1994).
“Dissociação”, como um constructo hipotético parece indicar comportamento disfuncional para a maioria dos terapeutas Ocidentais. Mas, o termo também pode ser aplicado à “incorporação espiritual” voluntária, o que, em alguns contextos culturais, é adaptativo socialmente, especialmente quando empodera mulheres que têm outras poucas maneiras de redefinir a si mesmas e afirmar suas capacidades. Nos cultos zar da Etiópia, acredita-se que muitas mulheres molestadas são possuídas por entidades; Boddy (1988, p.19) identifica o diagnóstico como uma oportunidade para a mulher possuída desenvolver capacidades, tornando-se “afirmadora-de-vida”, nos termos de White. De fato, há protótipos alternatives para os três tipos de modelo que eu construí para discutir dissociação; categorias proeminentes poderiam ser construídas, de acordo com gênero, idade, intensidade da experiência, empoIndeed, there are alternative prototypes for the 3 - part model I have constructed to discuss dissociation; prominent categories could be built according to gender, age, intensity of the experience, autorização da pessoa que experiência e qualquer número de variáveis.
O DSM - IV (American Psychiatric Association, 1994) tentou aumentar sua declaração de validade internacional com uma breve menção de “transtorno de transe dissociativo”, uma categoria suplementar do “problema espiritual ou religioso” e um glossário de “síndromes de limites culturais” . Lewis - Fernandez e Kleinman (1995) admitem que este aspect do DSM - IV se constitui enquanto o “principal desenvolvimento clínico na psiquiatria cultural atual na América do Norte” (p.437), mesmo que eles considerem a anorexia nervosa uma “síndrome de cansaço crônico” e TID um “transtorno de limites culturais” do Ocidente. As aplicações das categorias do DSM freqüentemente têm sido contextuais. Por exemplo, Breasure (1996) diz ter encontrado uma mulher idosa de 70 anos que foi diagnosticada como esquizofrênica porque ela respondeu afirmativamente quando um psiquiatra perguntou se ela ouvia vozes. O psiquiatra não se questionou se isto fazia parte de sua cultura como uma Americana native, onde parte de seu estilo de vida era ouvir as mensagens da terra através de sinais enviados por um poder superior, em outras palavras, o All - Self. Esta mulher foi hospitalizada como resultado do diagnostico, permanecendo no hospital até que suas vozes internas a guiaram em uma forma de obter a liberdade. Steinberg (1995) cita ambas as experiências “for a-do-corpo” e as alucinações auditivas como sintomas clínicos de TID, mas eles também poderiam ser indicadores de alguns tipos de dissociação controlada, como a viagem xamânica ou a experiência mística, ou, simplesmente, como um indicador de alguém que é altamente hipnotizável ou que “tende à fantasia” (Lynn, Pintar, & Rhue, 1997).
Em minhas quatro décadas de estudo dos eventos dissociativos, em cinco continents, eu tenho aprendido que, na melhor das hipóteses, a dissociação pode produzir reconpensas e benefícios tangíveis e intangíveis para aqueles que a experimentam e sua comunidade; e, na pior das hipóteses ela é euivalente à agonia e dor – mas pode representar a estratégia mais viável que está disponível para alguma forma de situação insuportável. Se cuidar da saúde é integrar lições da literatura, bem como insights de modelos alternativos e complementares de cura, é necessário determiner se as práticas em consideração são seguras, eficientes e efetivas (Steering Committee, 1997, p.5). A literature de hipnose contém exemplos de estudos bem-desenhados que poderiam ser utilizados como modelos para outros procedimentos de tratamento, assim como as meta-análises que demonstram a efetividade da psicoterapia com facilitação-hipnótica (e.g., Kirsch, 1993; Patterson & Ptacek, 1997).
Gergen (1985) nos lembra que o “self” é construído diferentemente pela sociedade em várias épocas e lugares. Na cultura balinesa tradicional, o self do indivíduo possui um papel mínimo no dia-a-dia; particularmente, em indivíduos que são considerados representativos de categorias sociais mais gerais (Geertz, 1973), e Triandis (1996) descreveu a variedade de formas, muitas delas contraditórias, que sociedades contemporâneas conceitualizam individualismo. Também parece que o ser humano é extremamente maleável. Pessoas podem criar identidades quando necessitam defender a si mesmas contra traumas, para se adaptar às pressões culturais ou par air ao encontro das expectativas de seu terapeuta, médium ou (Martnez - Taboas, 1991). Esta maleabilidade pode ter ambos os aspectos adaptativo e mal-adaptativo, afirmadores-de-vida e negadores-de-vida; estes autores têm contribuído com narrativas elucidando ambas as possibilidades. Um dos resultados benéficos do interesse renovado em dissociação é ilustrar a necessidade urgente dos profissionais da saúde por informação sobre esta capacidade humana excepcional e o reconhecimento de sua onipresença no comportamento e na experiência humana.

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