A perspectiva indigenista de José de Alencar em Iracema



Baixar 94.69 Kb.
Encontro30.12.2018
Tamanho94.69 Kb.


A perspectiva indigenista de José de Alencar em Iracema:

Elementos de historiografia do século XIX no texto alencarino.1
Tito Barros Leal2
RESUMO

O problema a ser analisado nesta pesquisa é o do limite entre História e Literatura nos textos indigenistas de José de Alencar. Para tanto, procederemos análise comparativista entre as lógicas próprias dos escritos historiográficos em voga entre os intelectuais fundadores do IHGB, e as características dos textos alencarinos voltados para a questão indígena, conferindo especial atenção a Iracema. Duas visões de História, portanto, estão em comparação nesta pesquisa: de um lado a lógica historiográfica metódica cientificista, característica do IHGB, que tinha entre seus fundadores intelectuais filiados ao “historicismo filosófico do século XVIII, na versão pronaturalista francesa”, além de focados na produção de uma História do Brasil capaz de conferir identidade nacional definitiva. No lado oposto está a literatura romântica de José de Alencar, que guardava parte das características caras aos intelectuais do IHGB, mas este autor, a seu modo e pela arte, tentou conferir um caráter brasílico ao Brasil.


A construção da pesquisa histórica é questão que muito se tem debatido no seio da ciência de Clio. De fato, um sem número de possibilidades interpretativas e de explicações metodológicas são pubicadas dia a dia em todas as academias, universidades e demais centros de estudos históricos.

Desde a Revolução historiográfica de 1930 um elemento se faz consensual no interior dessas novas perspectivas: a pesquisa é fruto de uma inquietação muito particular para o historiador3.

No nosso caso, esse elemento subjetivo, próprio da gestação da pesquisa histórica contemporânea, nos faz entender e aceitar as propostas de historiadores como Hayden White, Dominick LaCapra, Paul Veyne, Colingwood e Laurence Stone que, em seus estudos, afirmam existir uma estreita ligação entre História e Literatura na produção do saber histórico. Essa relação, contudo, não vem negar à História o status de produção metódica, mas propõe uma requalificação deste saber nas prateleiras das academias. Nessa perspectiva, a História passaria a ser não mais uma produção propriamente científica, mas fundamentalmente literária4.

Polêmicas à parte, o fato é que ciência e arte, cada qual com seus elementos característicos, compõem e completam a História enquanto saber intelectualmente construído, ajudando-a a narrar e discutir as transformações culturais humanas ao longo do tempo.

Essas novas possibilidades historiográficas, que abrem espaço para uma (re)ligação entre História e Literatura, estiveram ocultadas por muito tempo numa busca pela verdade, ratificada no cientificismo cartesiano filho do mundo moderno.

Numa época em que a razão figurava como única luz aceita pelos meios intelectuais, a História, enquanto campo de saber sedento de reconhecimento social iniciou a procura de um método que lhe possibilitasse estabelecer pesquisas capazes de afirmar seu status de verdade. Este movimento tomou força com a proposta historiográfica dita positvista.

Assim, esse processo fez com que o pensamento historiográfico cada vez mais se distanciasse de um elemento fundamental da construção artística: a imaginação5. Não caberia mais ao historiador imaginar o processo histórico. A prevalência da verdade se transformaria no paradoxo fundamental do ofício do histriador6.

A proposta de uma história científica hoje se vê às voltas com as possibilidades dessa verdade histórica7. Esse problema é a espada de Dâmocles empunhada pela teoria da História atual. Ipso facto, é improvável, dada a substância dos problemas históricos, que uma ordem de verdade se instale em qualquer produção historiográfica. Ainda no século XIX, os historiadores ditos positivistas lutaram com todas as armas contra essa idéia e construiram métodos que, ao menos em tese, garantiam verdade à História8. Longe de se extinguir, a questão do método historiográfico continua como centro do debate teórico e, ao que parece, muito ainda há de se escrever sobre esse tema.

Apesar da reforma historiográfica de 1930 ter redimensionado os limites da verdade histórica e aberto novas possibilidades teórico-metodlógicas para esse campo do saber humano, a idéia de que a imaginação possa ser uma ferramenta de trabalho para os historiadores e uma opção para a produção histórica, ainda engatinha no campo das teorias. Hoje, ainda são poucos os defensores da História que se valha de um fundameto imaginário, muito embora seja conhecimento de todos que a História tem, em si, essa necessidade.

Muitas vezes, é na própria literatura que encontramos as melhores defesas teóricas sobre o tema. Assim, com Machado de Assis podemos entender que: “um contador de histórias é justamente o contrário de um historiador, não sendo um historiador, afinal de contas, mais do que um contador de histórias.”9

Longe de a historiografia perceber a finura da ironia machadiana, e com ela debater num processo dialético de autocrítica, o que cada vez mais se verifica é a História se radicar no campo seco do saber academicista e, assim, perder espaço em terreno que é seu por direito de origem: o da a invenção10.

Não é de hoje que tentamos articular História com Literatura sem, contudo, comprometer o texto histórico com as “inverdades ficcionais” dos textos literários nem, por outro lado, comprometer os textos literários com o peso de uma “pseudo-verdade histórica”. Desde o ano 2000 essa tentativa de matrimônio entre as duas vertentes aqui tratadas vem instigando nosso pensamento.

Apresentamos em 2004, nos Encontros Literários Moreira Campos, a conferência “Considerações sobre os escritos de Alexandre Herculano: História versus Literatura”11. Naquela oportunidade, lembrávamos que somos, ao mesmo tempo, produtos e produtores de nossa História e, por isso mesmo, temos com o tempo uma relação dialética fundamental que transparece em nossas ações. Estávamos claramente imbuído do heideggerianismo marcante, manifestado pela idéia de ser-no- tempo.

Aquela nossa perspectiva não mudou, e evidenciamos sua importância enfatizando que as relações dos homens com sua temporalidade se resolve, fundamentalmente a partir da construção de narrativas explicativas sobre sua existência no mundo.

É claro que há uma pluralidade de modelos narrativos e, assim, devemos deixar acertado que a unidade da questão se dá pela possibilidade de toda narrativa oferecer, enquanto “interpretação do vivido, reconstrução, pela inteligência do nosso ser-no-tempo”12. É nesta perspectiva, portanto, que atentamos para as profundas ligações que História e Literatura mantêm entre si.

Interpretando Paul Ricoeur, Constança Marcondes Cesar assinala como “tarefas da história a reconstituição do vivido pela narrativa, visando a recompor a profundeza temporal, explicar e compreender os homens, exaltar um sentido”13. José de Alencar enquadra-se nessa a perspectiva. Em Iracema, obra focada no corpo deste artigo, Alencar, para além de contar uma simples história de amor, propõe a construção de uma identidade histórica para o Ceará e, por consequência, para o Brasil.

O autor cearense tenciona precisamente narrar a vida dos tempos imemoriais da colônia. Seu texto pode ser lido, assim bem observou Maria Aparecida Montenegro, como mito de origem nos moldes dos textos Homéricos14. Nessa perspectiva, em seu texto José de Alencar apresenta uma explosão de possibilidades interpretativas das relações interétinicas do período colonial que, através das imagens pintadas nas letras do seu livro, oferecem material ímpar para se refletir tanto sobre a produção historiográfica do século XIX, quanto sobre a própria vida colonial.

Em 1829 nasce José de Alencar, em Mesejana, no Ceará. Apesar de ter vindo ao mundo ainda no Primeiro Reinado Brasileiro15, foi durante o governo de Pedro II que o ilustre cearense iniciou seus estudos de Direito e, também sua vida profissional como escritor, jornalista e político.

Atentar para o fato de Alencar ter iniciado sua vida junto com o Segundo Reinado não deve ser entendido somente como introdução ao que se seguirá. Ao iniciarmos as reflexões sobre o autor de Iracema, fizemos questão de estampar essa “marca de origem” pelo simples fato do nosso escritor ser uma figura que encarna em si as contradições próprias do pensamento do período. Além disso, as transformações às quais aqui nos referimos dizem respeito a um processo fundamental na História do Brasil: a definição da própria brasilidade.

De fato, desde D. Pedro I o processo de “brasilização” se havia iniciado e não raros eram os textos políticos que defendiam idéias ufanistas16. Do mesmo modo, não raros eram também os escritores que iniciaram uma definição desse “espírito brasílico” e que tentaram resgatar a imagem do índio para, a partir desta, empreender a construção do mito de fundação da sociedade brasileira. Essa proposta já se torna bem clara desde 1825, quando D. Pedro I “se deixa retratar como quem acolhe entre seus braços paternos o Brasil livre nas formas de uma índia afrancesada.”17

Os anos da década de 1840 marcam, na literatura o ápice dessa idéia redentora do índio conforme podemos observar nos escritos de nomes como Joaquim Norberto, Oliveira Araújo e, obviamente Gonçalves Dias que, com seus Primeiros Cantos (1846) configuraria toda a poesia indigenista brasileira.

É fato sabido que a literatura romântica nacional teve sua gênese no estilo neoclássico francês, fortemente marcado pelos apelos nacionalistas. Por outro lado, também se sabe que a questão indígena figura como um dos temas principais do nosso Romantismo. Assim, segundo Luciana Stegagno Picchio:


Se, de fato, as primeiras manifestações do nacionalismo literário se tinham realizado nas fórmulas neoclássicas introduzidas pelos Davis da Revolução Francesa, as componentes mais proprimamente românticas da nova sensibilidade artísitica (o individualismo, o sentimentalismo lírico, o sentimento do tempo, do típico e do local) encontrariam sua saída no indianismo com a idealização de um cândido aborígene, de um homem natural americano a quem o tupi-guarani estava destinado a emprestar seu rosto carrancudo e seu folclore friamente distante.18
O Romantismo celebrava o índio, mas celebrava-o num distante passado, desconectando-o completamente do presente, como que reforçando a idéia de uma construção evolutiva da sociedade brasileira dada pela miscigenação das características próprias do bom selvagem de tipologia iluminista com os altivos valores trazidos pelos brancos portugueses colonizadores.

É possível perceber uma dupla utilização da simbólica figura do indígena na construção de uma gênese identitária brasílica. Assim, por um lado, tem-se a idéia do silvícula em vestes talares da mais pura ufania e jactância, abrindo a possibilidade de radicar nos limites do nosso território pátrio os feitos medievais, dos quais, por motivos históricos óbvios não poderíamos nos arrogar. Por outro lado, temos a representação do selvagem como ser próprio de um passado distante, de tempos imemoriais, sendo encontrável somente no tempo mitológico.

Um nome que se destaca nesses primeiros passos do Romantismo indigenista é o de Gonçalves de Magalhães, que em 1856 lança seu A confederação dos tamoios. Esse texto, contudo, não atrai pela poética apresentada. De fato, parece mesmo ser consenso entre a crítica especializada, que a obra em questão tenha valor mais pela polêmica que criou em torno de si, do que propriamente em razão de sua qualidade literária19.

A polêmica veio a público quando, no ano da publicação do referido texto, figurando como redator-chefe do Diário do Rio de Janeiro, José de Alencar, sob o pseudônimo de Ig, publicou as Cartas sobre a Confederação dos Tamoios que, segundo José Aderaldo Castello, vieram “motivar uma polêmica que, por sua vez, conduziria os críticos ou escritores da época a uma tomada de posição em face do romantismo brasileiro, particularmente do indianismo que o caracterizava tão bem.”20

No ano seguinte, em 1857, como que em resposta ao texto de Gonçalves de Magalhães, José de Alencar publica, em formato de folhetim, sua primeira obra indigenista: O Guarani.21

Em sua autobiografia, intitulada Como e por que sou romancista, Alencar escreveu:


N’O Guarani o selvagem é um ideal, que o escritor intenta poetizar, despindo-o da crosta grosseira de que o envolveram os cronistas, e arrancando-o ao ridículo que sobre ele projetam os restos embrutecidos da quase extinta raça.22
De fato, a leitura dessa passagem nos apresenta os traços fundamentais da perspectiva indigenista de Alencar. Não cabe aqui, contudo, julgar de forma anacrônica a proposta do autor. De fato, levando em conta o lócus intelectual do romancista, seu posicionamento pode mesmo ser interpretado como avançado.

Há pouco alertamos para a figura contraditória de José de Alencar e parece ser hora de aprofundarmos essa afirmação. Filho de José Martiniano de Alencar, senador do Império de 1832 a 1860 (ano de sua morte) e Presidente da Província do Ceará por duas vezes (1834 a 1837 e 1840 a 1841), José de Alencar herda de seu pai a inclinação para a política. Diz Alencar em sua autobiografia, que ele “saía de uma família para quem a política era uma religião e onde se haviam elaborado grandes acontecimentos de nossa história” 23. Esse fato não significava para o autor de Iracema, contudo, paixão pela vida pública. De fato, como ele próprio afirmou: “O único homem novo e quase estranho que nasceu em mim com a virilidade, foi o político. Ou não tinha vocação para essa carreira, ou considerava o governo do estado coisa tão importante e grave, que não me animei nunca a ingerir-me nesses negócios.”24

José Martiniano foi um defensor intransigente do Império. Foi, inclusive, um dos articuladores centrais do golpe da maioridade de 1840. Apesar da aversão que tinha à política, Alencar aprendeu com seu pai os valores do Império e da política imperial, tendo sido defensor inconteste das causas do Estado monárquico. Sua vida política não foi longa. Estreou na tribuna parlamentar em 1861 e, em 1868, contando 39 anos, foi nomeado Ministro da Justiça. Em 1869, Alencar foi eleito senador do Império, deixando o cargo de Ministro da Justiça.

Não concordamos com a imagem apresentada por várias biografias de José de Alencar, que simplesmente reduzem-no ao esteriótipo de “político conservador”, pois é importante lembrar que, entre conservadores e liberais, um sem fim de meio-termos circulava pelas ruas do país e que, a complexidade do perfil alencarino, apresentada em suas obras, não permite tal afirmação. Outra prova do que se afirma é o fato de, em vários momentos, o autor ter-se confrontado com o Império, julgando-o atrasado em suas posturas.

Em Reminiscências, livro de memórias, publicado postumamente em 1908, Visconde de Taunay (1843 – 1899) apresenta um diálogo supostamente verdadeiro entre Alencar e D. Pedro II. Taunay se refere ao fato de que o Imperador tentou vetar o nome de Alencar para o Senado e mostra como as relações entre os dois não eram das mais simpáticas. O diálogo aludido, no qual Alencar retruca as palavras do Imperador, é o seguinte:
“— No seu caso, eu não me apresentava agora: O senhor é muito moço.

(…)


— Por esta razão, Vossa Majestade devia ter devolvido o ato que o declarou maior antes da idade legal.”25
O veto imperial parece ter sido a gota d’água na desilusão política de José de Alencar. E tanto assim foi, que logo depois o escritor abandona sua carreira política voltando-se para Literatura. Apaixonada e conscientemente escreveu Alencar: “tão vivas eram as saudades dos meus borrões, que apenas despedi a pasta auri-verde dos negócios de Estado, fui tirar da gaveta onde a havia escondido, a outra pasta de velho papelão, todo rabiscado, que era então a arca de meu tesouro.”26



  • A “historiografia romântica” oitocentista e a questão indígena.


Pari passu ao desenvolvimento do Romantismo, vinha se organizando o que podemos chamar de uma “consciência histórica” que culminaria com a fundação, em fins de 1838, do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil – IHGB. A ciência histórica iniciava seus passos no Brasil, comprometida, conforme o costume historiográfico daquela época, com as questões nacionais e com a idéia dos grandes eventos. Contudo, convém observar o que diz Lílian Moritz Schwarcz sobre a “intelectualidade” que compunha o IHGB:
O [recém-fundado] estabelecimento apresenta uma composição interna bastante reveladora de uma das fortes características do instituto, que se manteria durante toda a sua vigência, qual seja, um tipo de recrutamento que se pautava mais por determinantes sociais do que pela produção intelectual. O estabelecimento escapava, [portanto], às regras próprias do mundo acadêmico, já que seus critérios de seleção não privilegiavam uma suposta competência nas suas áreas de atuação.27
Como podemos observar o IHGB não foi fundado por um grupo habituado aos tratos próprios da História. De fato, a produção historiográfica do Brasil oitocentista aproximava-se mais de questões relacionadas com a fundamentação histórica do Estado e sua legitimação e, nesta perspectiva, o IHGB pode ser compreendido como uma espécie de gabinete especial do Governo Imperial não sendo, portanto, um Instituto propriamente autônomo. Novamente, com Schwarcz, temos que:
Faziam parte dessa lista do instituto nada menos que dez conselheiros de Estado, seis destes ainda senadores. Portanto, estava aí reunida a nata da política imperial, boa parte nascida em Portugal e fiel defensora da Casa de Bragança. Essa lealdade tenderá inclusive a fortalecer-se com o estabelecimento de um poder monárquico mais centralizado nas mãos de d. Pedro II. Ou seja, se desde o início das atividades do IHGB o Estado representava com seus donativos 75% do orçamento, a partir dos anos 40 o imperador passará não só a auxiliar financeiramente o instituto como a freqüentar assiduamente as reuniões.28
Além disso, a historiadora nos lembra que “encontrava-se congregada no instituto boa parte da geração romântica — de Gonçalves de Magalhães a Gonçalves Dias — que carregava consigo esse senso de dever patriótico.”29

As questões históricas propostas pelo IHGB tendiam sempre a legitimar o status quo da sociedade imperial brasileira. Além disso, seu projeto historiográfico levava à construção de uma teoria da depuração da raça brasileira, a partir do amálgama entre índios e portugueses. Mais uma vez com Schwarcz apresentamos trecho do discurso proferido por Januário da Cunha Barbosa em 1839, no qual dizia o intelectual: “E deixarmos sempre ao gênio especulador dos estrangeiros o escrever a nossa história?... Procura ressucitar tembém os americanos da indigna obscuridade que jaziam até agora”.30

Por fim, vale resaltar que “nessa geração não havia lugar para uma divisão mais apurada do trabalho intelectual; destinava-se ao culto à ciência o mesmo fervor com que se venerava as artes.”31

Como bem lembra Antônio Edmilson Martins Rodrigues, José de Alencar “foi um dos raros intelectuais do seu tempo que não era sócio do IHGB”32. Tal fato pode ser explicado por vários ângulos, mas vale lembrarmo-nos dos desentendimentos anteriormente mencionados do escritor cearense com D. Pedro II. Este que, como acima apresentamos, tinha participação ativa no Instituto, chegou mesmo a dizer em seu último discurso no IHGB, proferido em 1889, as seguintes palavras: “Agradeço ao Instituto e nada mais digo por que o Instituto bem sabe que sou todo dele”33 (ou seria dele o Instituto?)



Mutatis mutandis, o fato de José de Alencar não ter tido espaço no IHGB não retira dele a sua parcela de contribuição a uma tipologia de historiografia, ou, numa outra perspectiva, não diminui o valor dos seus textos no tocante à construção de uma análise histórica nacional. Rodrigues nos lembra assim o Alencar pesquisador:
As suas pesquisas sucitaram críticas que tentaram desfazer a qualidade histórica de sua obra. No entanto, ele nunca pretendeu fazer história, mas usar a história. Por isso leu Peregrino da América, de Nuno Marques Pereira, assim como apaixonou-se pelo O Forasteiro de [Joaquim Manuel de] Macedo e pelo Dugnay Trouian de Martins Pena.
De fato, para escrever suas histórias José de Alencar valia-se de cuidadoso processo de pesquisa. Sua lógica de produção literária, ao que parece, nos permite traçar um paralelo entre o escritor cearense e o português Alexandre Herculano. Assim, relembramos o que dissemos sobre a historiografia literária de Alexandre Herculano, transportando, sem grandes alterações, as reflexões acerca do escritor-historiador lusitano para o texto alencarino, uma vez que tanto no escritor português quanto no cearense:

podemos perceber a clara profundidade lógico-histórica, da grande erudição documental e do comprometimento metodológico típicos do positivismo germânico e, também, a racionalidade, o evolucionismo transformador positivo e os ideais burgueses próprios do iluminismo francês, elementos que, [consorciados,] transparecem a genialidade [dos autores]: a livre e ousada imaginação literária [na produção histórica].

[Sendo] essa possibilidade final o que confere aos [seus] textos históricos (…) um caráter único em seu tempo e lugar histórico. [Ambos] soube[ram] dosar razão e emoção, consegui[ram], de forma magistral, conciliar “a pura verdade” e “a pura ficção” (se é que elas existem) para construir uma realidade sem igual. Realidade que, por ser literária não se perde nem se acaba, mas se transforma e se renova.34


  • Iracema: Análise da fonte

Escrito em 1865, Iracema traz em sua estrutura uma série de elementos muito sintomáticos que nos levaram a eleger esta obra como fonte primordial dessa análise. Pedimos licença para não nos determos em questões de estilo, composição, ou teoria literária, pois esta não é nossa intenção. Aqui, no final de nosso breve excurso, Iracema será tratada como fonte histórica e possibilidade historiográfica. Portanto, focando nesta direção, continuamos.

De início, cabe pensar sobre a organização proposta por Alencar para seu romance. Subdividimos o livro em três partes, a saber: a) Elementos pré-textuais; b) Elementos textuais e c) Elementos pós-textuais. Pensamos que essa organização do livro muito nos diz sobre a forma como o autor se relacionou com seu escrito.

O livro começa com uma carta de Alencar dirigida ao público leitor, intitulada “À terra natal – um filho ausente”. Funciona como prefácio, sendo quase um roteiro de como se tirar o melhor proveito da leitura do texto. Repleta de imagens muito próprias da memória pueril do escritor, a carta estabelece também um processo de retorno ao passado, oferecendo ao leitor uma porta de saída do presente, distanciando-o dos dias atuais para levá-lo a um momento que-já-não-mais-é, quando então abre espaço para um momento do-que-poderia-ter-sido, um passado ainda mais distante. Tal fato pode ser visto logo nas primeiras linhas da carta, as quais aqui transcrevemos:


Caro amigo,

Este livro o vae naturalemte encontrar em seu pitoresco sitio da varzea, no doce lar, que povoa numerosa prole, alegria e esperança do casal. (…)

Os meninos brincão na sombra do outão, com pequenos ossos de rezes, que figurão a boiada. Era assim que eu brincava, há quantos annos. (…)

Abra então este livrinho, que lhe chega da côrte imprevisto. Percorra suas paginas para desenfastiar o espirito das cousas graves que o trazem ocupado.

Talvez me desvaneça amor do ninho, ou se illudão as reminiscencias da infancia avivadas recentes. Sinão, creio que ao abrir o pequeno volume, sentirá uma onda do mesmo aroma silvestre e bravio que lhe vem da varzea.

Esta onda é a inspiração da patria que volve á ella, agora e sempre, com volve de continuo o olhar do infante para o materno semblante que lhe sorri.35


Além dessa deflexão temporal que prepara, orienta e inspira o leitor, a carta também radica o texto em espaço geográfico específico: “O livro é cearense. Foi imaginado ahi, na limpidez desse céo de cristalino azul, e depois vasado no coração cheio das recordações vivaces de uma imaginação virgem.” 36 Seguindo esse tom até quase o final, Alencar afirma ter muito o que “dizer sobre o assumpto, que talvez devera anticipar á leitura da obra, para previnir a sorpreza de alguns e responder ás observações ou reparos de outros”37 Entretanto, o romancista não diz tudo o que gostaria no prólogo de seu livro, porque, segundo ele, sempre foi “avesso a prólogos;”, e continua: “em meu conceito elles fazem à obra, o mesmo que o passaro á fructa antes de colhida; roubão as primicias do sabor litterario. Porisso me reservo para depois.”38

Esse “depois” ao qual Alencar se refere são as notas que ele adiciona ao texto de Iracema e que tanto nos dizem sobre a sua perspectiva historiográfico-literária.39 Ao todo, uma nota de argumento histórico e 128 notas explicativas acompanham as 156 páginas da primeira edição de Iracema. Didadicamente podemos dividir essas notas em pelo menos 3 grupos: 1) Históricas, nas quais o autor expõe sua pesquisa histórica e apresenta elementos que nos possibilitam entender melhor sua perspectiva historiográfica; 2) Etnológicas, nas quais o autor desvenda os mistérios das línguas nativas do Brasil e 3) Geográficas, pelas quais o autor explica os costumes, a geografia e termos próprios de sua terra natal.

O presente trabalho não nos permite analisar amiúde todas as questões conjeturáveis ou inferíveis a partir de análises próprias da arte histórica e que advêm das notas do romance Iracema. Pretender tal esforço em tão poucas linhas seria leviandade. Assim, apaziguaremos nosso espírito curioso com uma apreciação sobre a nota de argumento histórico, com uma observação sobre as demais notas que acompanham o texto para, por fim, concluirmos o esforço aqui pretendido.

A colonização portuguesa no Ceará, intentada primeiro por Pero Coelho em 1603, e depois por Martins Soares Moreno em 1608, são as bases históricas para o livro. Nos 8 primeiros parágrafos da argumentação (fabulação) Alencar apresenta o processo colonizador que irmanava protugueses e “índios do littoral”40. Juntos, Martins Soares Moreno e os índios Jacaúna e Poty conseguiram consolidar o povoado colonial, protegendo-o “contra os indios do interior e os francezes que infestavão a costa”41. Bem se sabe que o processo histórico e as relações interétnicas relativas à colonização do Ceará não foram tão simples quanto apresentados no argumento do livro42.

O argumento histórico do livro, apesar de pouco aprofundar o processo histórico em si, permite-nos traçar pelo menos três considerações sobre o “historiador” José de Alencar. Em primeiro lugar devemos ressaltar que o autor se apresenta preocupado com a possibilidade de que lhe “censurem de infiel à verdade historica43”, o que o liga, obviamente, à tradição historiográfica do século XIX. Em segundo lugar, o autor apresenta, no penúltimo parágrafo do argumento histórico uma citação das Memórias diárias da guerra brasílica, escritas pelo Conde de Pernambuco em 1834, que viriam a resolver uma questão histórica levantada no correr do argumento. É importante perceber aqui como Alencar atribui a essa carta um valor de verdade e de indiscutibilidade. Mais uma vez podemos pensar num Alencar filiado, ao menos em termos, aos historiadores de sua época.

A terceira nota metodológica que podemos apresentar sobre o argumento histórico, e que dá brilho historiográfico especial a José de Alencar, é a visão que o autor deixa transparecer quando fala sobre a valia da tradição oral como fonte histórica. Diz o Alencar: “a tradicção oral é uma fonte imporfante da historia, e ás vezes a mais pura e verdadeira.44

Não queremos afirmar que Alencar vaticinou o uso da História Oral enquanto método para a construção de uma narrativa histórica. Longe disso. Apostamos, contudo, na estreita relação que há entre a construção de uma história oral e da narrativa ficcional do romance alencarino45. Talvez esse fato tenha levado Alencar a consentir simpatia pela oralidade enquanto fonte para a construção de seu argumento histórico.

Em Iracema é impressionante a quantidade de palavras e expressões próprias de línguas indígenas. Impressiona ainda mais o trato explicativo que Alencar confere a esses termos em suas notas. Certamente, isso reflete o alto grau de erudição do escritor e, claro, a profunda pesquisa realizada para a escrita do seu texto.

Em 1887 Paulino Nogueira publicou, na Revista do Instituto do Ceará, artigo intitulado “Vocabulario indigena em uso na Provincia do Ceará46”. Não raro, nos verbetes deste estudo o nome de José de Alencar aparece como fonte da pesquisa elaborada pelo estudioso cearense. Assim, após Paulino Nogueira fazer a descrição geográfica e apresentar uma anedota histórica sobre Acarape (uma das palavras constantes no vocabulário) lemos a seguinte análise etimológica:
Acará peixe e pe caminho, caminho ou canal do peixe, Martius [Gossaria Linguarum, Braziliensium] cit. P. 489. Prefiro – caminho das garças. J. de Alencar [Iracema] cit. P. 182. Acará tanto significa peixe como garça (…). Sendo o rio pobre de peixe é mais natural a ultima versão.47
A lista de termos apontados por Alencar nas notas de Iracema, que também figuram no estudo de Paulino Nogueira, é bastante extensa48. Graúna, Jati, Ipú, Tabajaras, Aracatí, Uruburetama, Pocema (e até mesmo Iracema!) são alguns que ilustram o que afirmamos. O romance da virgem dos lábios de mel, ao que parece, além do grande valor literário que tem como marco na construção da identidade brasílica, consorciou, também, com a tentativa de compreensão das línguas nativas do Brasil. Nesta perspectiva, temos uma das grandes ajudas que o ramancista deu à historiografia do século XIX.

Francisco Régis Lopes Ramos lembra: “Araripe Júnior avalia que a ‘eloquência da intuição’ era tão acentuada na criação de Iracema que ele mesmo nunca tinha visto caso semelhante na ‘imaginação brasileira, posta a serviço da história’”49. Ora, uma vez mais chega-nos a questão dos limites entre História e Literatura, com a qual abrimos essa reflexão. Para Régis Lopes, diferentemente do que pensamos, “a alteração dos termos também faz sentido, e muito. [em Alencar] Era também a história a serviço da imaginação, a pesquisa sobre o pretérito a serviço da criação literária, para torná-la a matéria-prima da memória nacional.”50

Na nossa perspectiva, para além de qualquer forma de pura sedução sobre imaginação humana, a literatura alencarina é a própria construção de uma realidade humana (e especificamente a brasileira) sendo, pois, muito mais do que “uma lenda com ‘argumento histórico’”.51

Na terceira tese sobre o conceito de História, o filósofo judeu-alemão Walter Benjamin escreveu: “o cronista que narra os acontecimentos, sem distinguir entre os grandes e pequenos, leva em conta a verdade de que nada do que um dia aconteceu pode ser considerado perdido pela história.”52

Embora, obviamente, José de Alencar não tenha lido Walter Benjamin, seu texto fixa a proposta benjaminiana. Em Iracema, Alencar parece ter pretendido a vivificação da vivência possível, ou mesmo a realização da realidade desejável, ou ainda uma proposição explicativa. Seu modelo narrativo, portanto, não está tão distante do modelo histórico. Talvez esteja distante de uma tipologia historiográfica, mas muito próximo de uma possibilidade explicativa do real. E o que é a História se não essa tentativa de explicação?

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALENCAR, José de. Como e por que sou romancista. Campinas: Pontes Editores, 2004

__________. Iracema. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo / Oficina do Livro Rubens Barbosa de Moraes / Biblioteca o Curumim Sem Nome, 2003. (reprodução fac-similar da primeira edição de 1865).

BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 1994.

CASTELLO, José Aderaldo. “A polêmica sobe A confederação dos tamoios”. São Paulo: Seção de Publicações da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, 1953.

CÉSAR, Constança Marcondes (org). Paul Ricouer – Ensaios. São Paulo: Paulus, 1998.

LEAL, Tito Barros. Alexandre Herculano, história e literatura. In: ENCONTROS LITERÁRIOS MOREIRA CAMPOS. Fortaleza: UFC/IAPEL, 2004.

MONTENEGRO, Maria Aparecida de Paiva. “Iracema como mito fundador”. In: Iracemas: imagens de uma lenda. Fortaleza: Barbarela B. Comunicação e Marketing, 2006, p. 117-129.

NOGUEIRA, Paulino. “Vocabulário indígena em uso na Província do Ceará”, com “explicações etymologicas, orthographicas, topographicas, historicas, therapeuticas, etc”. Revista do Instituto do Ceará. Fortaleza, Ano I, Tomo I, p. 211-432, jan-dez de 1887.

PELLOGIO, Marcelo. José de Alencar: um historiador à sua maneira. Alea: Estudos Neolatinos. Rio de Janeiro: v. 6, n. 1, p. 81-95, jan-jun, 2004.

PICCHIO, Luciana Stegagno. História da literatura brasileira. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1997.

RAMOS, Francisco Régis Lopes. “Como seduzir o tempo: O feitiço de Iracema e outras histórias”. In: Iracemas: imagens de uma lenda. Fortaleza: Barbarela B. Comunicação e Marketing, 2006, p. 135-151.

RODRIGUES, Antônio Edimilson Martins. José de Alencar: poeta armado do século XIX. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2001.

SCHWARCZ, Lílian Moritz. O espetáculo das raças – Cientistas, instiuições e questão racial no brasil (1870 – 1930). São Paulo: Cia. Letras, 2001

TAUNAY, Visconde de. Reminiscências. São Paulo: Cia Melhoramentos de São Paulo, 1923.



1 Palestra apresentada no XXV ENCONTROS LITERÁRIOS MOREIRA CAMPOS. Fortaleza: UFC/IAPEL, 2009.

2 Historiador da Coordenação de Patrimônio Histórico Cultural – COPAHC da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará – SECULT. Bolsista da Fundação de Amparo ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico – FUNCAP. Presidente da Clio Ensino e Pesquisa.

3 Cf. DUBY, Georges. A história continua. Rio de Janeiro: Jorge Zahar / Editora UFRJ, 1993 e LE GOFF, Jacques. Uma vida para a História. São Paulo: UNESP, 2007.

4 Esse tema não é consensual. Sobre a questão muito ainda se escreve. Indicamos como subsídio ao tema as leituras a seguir: COLLINGWOOD, Robin G. The Idea of history. Oxford: Oxford UK Print On, 1996; VEYNE, Paul. Como se escreve a História. Brasília: UNB, 1998; WHITE, Hayden. Meta-História. São Paulo: EDUSP, 2008; WHITE, Hayden. El texto histórico como artefacto literário. Buenos Aires: Paidos, 2003 e LACAPRA, Dominick. História en transito. Buenos Aires: Fondo Argentina, 2007.

5 Já entre os séculos XVII e XVIII o filósofo napolitano Giambattista Vico apresentava uma violenta crítica ao racionalismo exacerbado e ao ostracismo aos quais a inventividade humana estava sendo relegada. De Vico, vale cf. Oraciones inaugurales e La antiquíssima sabiduría de los italianos (Barcelona: Anthropos Editorial, 2002) e, também, Retórica (Instituiciones de Oratoria) (Barcelona: Anthropos Editorial, 2004).

6 Vale cf. a introdução que Ciro Flamarion Cardoso escreveu para o livro Domínios da História (Rio de Janeiro: Campus, 1997). Da mesma forma convém a leitura da conclusão primorosa escrita por Ronaldo Vainfas para o mesmo livro. Além disso, convém cf. BLOCH, Marc. Apologia da História ou o ofício do historiador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001 e CERTEAU. Michel de. A escrita da História. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000.

7 Cf. SCHAFF, Adam. História e Verdade. São Paulo: Martins Fontes, 1997.

8 Veja-se, por exemplo, a proposta historiográfica de Leopold Von Ranke e B. Niebour. No Brasil vale resaltar o manual Teoria Geral da História de João Camillo de Oliveira Tôrres (Petrópolis: Vozes Editorial, 1963) em que praticamente metade das suas 700 páginas se refere à questão da verdade. Além disso,é muito útil à guisa de introdução ao problema, ler o agradável livro A História, entre a filosofia e a ciência, de José Carlos Reis (São Paulo: Ática, 1996). Uma vez mais reconmendamos a leitura do supra-referido texto de Adam Schaff.

9 ASSIS, Machado de. “Histórias dos Quinze Dias”. In: Machado de Assis Obra Completa (vol. 3). Rio de Janeiro: José Aguilar Editora, 1973. p. 362-3.

10 Relembramos a proposta de Vico, referida na nota 4.

11 LEAL, Tito Barros. Alexandre Herculano, história e literatura. In: ENCONTROS LITERÁRIOS MOREIRA CAMPOS. Fortaleza: UFC/IAPEL, 2004.

12 CESAR, Constança Marcondes. O Problema do Tempo. in: Paul Ricouer – Ensaios, Constança Marcondes César (org). São Paulo: Paulus, 1998. p 27.

13 Ibid., p 28.

14 MONTENEGRO, Maria Aparecida de Paiva. “Iracema como mito fundador”. In: Iracemas: imagens de uma lenda. Fortaleza: Barbarela B. Comunicação e Marketing, 2006.

15 D. Pedro I abdica em 7 de abril de 1831.

16 Obviamente refiro-me ao acalorado debate entre os partidos Português e Brasileiro e às defesas deste em relação ao pensamento “neocolonialista” daquele. Também me refiro a textos de personalidades como, por exemplo, José Bonifácio, que tomou a promoção do Brasil como profissãod e fé.

17 PICCHIO, Luciana Stegagno. História da literatura brasileira. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1997, p. 165.

18 Ibid.

19 Cf. CASTELLO, José Aderaldo. “A polêmica sobe A confederação dos tamoios”. São Paulo: Seção de Publicações da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, 1953.

20 Ibid., p.7.

21 Sobre uma reflexão histórico-literária em O Guarani, cf. MARTINS, Elizabeth Dias. “O medievalismo residual em O Guarani de José de Alencar”. In: PONTES, Roberto; MARTINS, Elizabeth Dias (orgs.) ANAIS [do] VII Encontro Internacional de Estudos Medievais – Idade Média: permanência, atualização, residualidade. Fortaleza / Rio de Janeiro: UFC / ABREM, 2009. pp. 275-282. (ainda que a reflexão ali exposta não esteja no caminho da que aqui propomos, vale a referência para que o leitor possa encontrar outras alternativas interpretativas para a obra de Alencar).

22 ALENCAR, José de. Como e por que sou romancista. Campinas: Pontes Editores, 2004, p. 15.

23 Ibid. p. 11

24 Ibid.

25 TAUNAY, Visconde de. Reminiscências. São Paulo: Cia Melhoramentos de São Paulo, 1923. p. 165.

26 ALENCAR, José. Op. Cit. p. 18

27 SCHWARCZ, Lílian Moritz. O espetáculo das raças – Cientistas, instiuições e questão racial no brasil (1870 – 1930). São Paulo: Cia. Letras, 2001, p. 101.

28 Ibid.

29 Ibid., p. 102

30 BARBOSA, Januário da Cunha. Revista do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro, 1839 Apud SCHWARCZ, op. Cit., p. 102.

31 SCHWARCZ, op. Cit., p. 102.

32 RODRIGUES, Antônio Edimilson Martins. José de Alencar: poeta armado do século XIX. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2001, p. 54.

33 Apud SCHWARCZ, op. Cit., p.102

34 LEAL, Tito Barros, op. Cit.

35 Todas as citações de Iracema foram extraídas da edição São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo / Oficina do Livro Rubens Barbosa de Moraes / Biblioteca o Curumim sem nome, 2003, p. I-III (reprodução fac-similar da primeira edição de 1865). As próximas citações serão indicadas apenas com o número da página. Aproveitamos para informar que respeitamos criteriosamente a grafia do texto original para manter-lhe o sabor estilístico.

36 ALENCAR, p. III.

37 ALENCAR, p. VI.

38 ALENCAR, p. VI.

39 É por isso que, aqui, daremos maior importância aos elementos pós-textuais que ao texto em si.

40 ALENCAR, p. 160.

41 Ibid.

42 De fato, parece-nos muito mais histórico o texto em si, do que o argumento. Este, por sua vez, ao nosso ver, tem muito mais valor em termos metodológicos do que argumentativos.

43 ALENCAR, p. 160.

44 ALENCAR, 161.

45 Poderiamos talvez pensar na oposição de Sócrates em relação à palavra escrita e no valor dado pelo filósofo grego ao mito e à poesia.

46 NOGUEIRA, Paulino. “Vocabulário indígena em uso na Província do Ceará”, com “explicações etymologicas, orthographicas, topographicas, historicas, therapeuticas, etc”. Revista do Instituto do Ceará. Fortaleza, Ano I, Tomo I, p. 211-432, jan-dez de 1887.

47 Ibid., p. 212.

48 Vale lembrar que Paulino Nogueira não utiliza apenas Iracema como fonte. O Guarani e Ubirajara também são amplamente utilizados na elaboração do seu vocabulário.

49 RAMOS, Francisco Régis Lopes. “Como seduzir o tempo: O feitiço de Iracema e outras histórias”. In: Iracemas: imagens de uma lenda. Fortaleza: Barbarela B. Comunicação e Marketing, 2006. p. 141.

50 Ibid.

51 Ibid.

52 BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 1994. p. 223.


Compartilhe com seus amigos:


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal