A ponte e fronteira: o potiguar e a sedução do outro



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A ponte e a fronteira: o potiguar e a sedução ao outro

João Maurício Gomes Neto


Uma reflexão a respeito do que somos, do que pensamos que somos, do que dizem que somos, e especialmente, sobre o que não somos, mas que por desígnios ainda não discerníveis com clareza, deviríamos ser. Discutir a identidade potiguar é pensar e problematizar o que fomos – ao menos supostamente – um dia, mas também o que já não somos mais, seja por que nos perdemos nas trilhas insinuosas do tempo ou por outros motivos quaisquer. O mais intrigante nesse jogo de possibilidades múltiplas é que a condição identitária do potiguar, conforme evidenciam as impressões que serão problematizadas a seguir, não aparenta fixidez, definição; antes parece estar sempre em mutação. É nesse cenário movediço, caótico, movimentado, fluído, por onde enveredaremos a partir de agora.

Atores sociais da academia, da intelectualidade, do meio artístico e político reiteram com grande freqüência o discurso da existência de um espaço vazio onde deveria está a identidade potiguar, advindo daí a necessidade do Estado, segundo a maioria deles, implementar políticas culturais de maneira a suplantar essa carência. Em outras palavras, urge preencher esse espaço vazio. Essa percepção é apresentada e discutida por Josimey Costa1, em entrevista2 concedida ao Aprendiz de Jornalista, jornal online do laboratório do Departamento de Comunicação da UFRN, no segundo semestre de 1999.


Conversei com pessoas comuns e estudiosos, e cheguei a conclusão que Natal é uma cidade que não tem uma identidade cultural forte. Se você pergunta qual é o produto cultural genuinamente natalense, você  terá muita dificuldade de identificar. Você pode dizer assim: “Diga um exemplo de um produto cultural genuinamente baiano: axé, acarajé (um deles), baiana”. Vai para Minas Gerais: o pão de queijo de Minas, um tipo de música que é bem característico da música caipira mineira, lembra a de São Paulo, mas você identifica: “Ah, veio de Minas”, e se você pensar mais contemporaneamente, tem o Clube da Esquina, pessoal que toca uma música que você diz: “Esse pessoal é de Minas”, Skank é de Minas. No Rio Grande do Sul você encontra isso, alguns estados do Brasil tem essa característica forte. Vai para São Paulo, você tem as coisas que são de São Paulo e é uma cidade que poderia não ter identidade nenhuma cultural, porque ela tem todas, mas tem uma coisa que você diz que só podia ser paulista mesmo. No Ceará, não há muita diferença, em termos de produtos culturais, do Rio Grande do Norte ou da Paraíba, mas o cearense se afirma enquanto cearense: no humor, na música, você encontra grandes nomes a nível nacional. Na Paraíba há um cuidado com a sua produção, no Rio Grande do Norte isso não é percebido. (APRENDIZ DE JORNALISTA, 2006A)
De imediato, das tantas questões que saltam aos olhos depois desse depoimento, gostaríamos de elencar aqui três elementos: a idéia da ausência de um “produto cultural genuinamente natalense”; a percepção de que uma identidade natalense; se existisse, poderia ser tomada como identidade do Rio Grande do Norte, refletindo a idéia de que por ser a capital, Natal poderia expressar essa identidade de maneira mais acabada, elaborada; e por fim, que somos espaços vazios devido a ausência de identidades hegemônicas que resumam a “essência” do potiguar, conforme se explicita na comparação com outras realidades (Estados). Motivada pela constância das incertezas, a entrevistada relata ter dado prosseguimento às investigações sobre a temática e nas respostas colhidas tanto de especialistas como de “pessoas comuns”, eram recorrentes as percepções de que o potiguar não existe, ou melhor, de que este efetivamente não possui uma identidade; seu estigma de “vitima da inconsistência” se apresentava latente na voz dos especialistas que esboçavam explicações para essa peculiaridade incômoda.
[...] antes das capitânias hereditárias, Natal tinha um grande número de franceses; vieram os portugueses e os expulsaram, o problema é que os índios já estavam habituados com os franceses; depois, vem os holandeses e expulsam os portugueses e logo depois aqueles são expulsos pelos portugueses. Com o regime das capitânias ganhamos um capitão que não era daqui, mas [de] Pernambuco; éramos uma capitânia agregada. Quando começamos realmente a ter uma paz cultural, chegam os americanos. Segundo Cascudo,vieram dez mil soldados americanos para uma população de cinqüenta e cinco mil pessoas, foi um impacto muito grande. Os americanos trouxeram suas comidas, seu visual, seus hábitos, colocaram cinema, enfim toda sua cultura para a nossa cidade; quando eles chegaram Natal não tinha sequer rádio e sim o difusor que era uma pessoa que saia distribuindo alto-falantes pelos postes e transmitia o que queria. Natal era uma cidade de interior no litoral e quando menos se espera surge rádio, cinema, grandes artistas. O cotidiano norte-americano é trazido para Natal com uma forte imagem de povo dominante, cultura rica, que o pessoal da província ouvia falar dos artistas e que quando os americanos vieram, trouxeram esses artistas. Pelo sim, pelo não esses fatos acontecidos na cultura de Natal, ao que parece, transformou Natal numa cidade permeável culturalmente. Nós não temos muita resistência à coisas que vêm de fora, pelo contrário, aceitamos com muita facilidade, talvez porque não tenhamos identidade ou porque tenhamos construído a nossa identidade exatamente dessa mistura. Na verdade, o que nós somos é esse desapego, que tem um lado ruim: deixar escapar a nossa cultura pelo ralo, tendo, então, uma produção característica nossa com muita dificuldade de sobreviver, por outro lado isso permite que nós possamos ter contato com tanta [coisa] que termina por ampliar a nossa visão de mundo e quem vem de fora para Natal sempre diz isto: “Natal tem um clima, é pequena mas parece uma cidade grande”. Natal parece com o Rio de Janeiro, tem aquele aspecto cosmopolita em termos de espírito de alegria. O litoral abre o espírito, como disse Woden Madruga, porque é aberto à saída e à entrada, então o que é muito aberto tanto deixa entrar quanto sair, pode ser essa explicação para o fato do natalense não ter muito apreço pelos seu filhos produtores: o natalense aprecia tudo. Isso é injusto com quem produz aqui? É. Porém isso permite que o natalense não se feche no xenofobismo. (APRENDIZ DE JORNALISTA, 2006A). (grifos nossos).
O depoimento é rico em sentidos e igualmente paradoxal. O Rio Grande do Norte existia antes mesmo das capitânias hereditárias e sua identidade é, desde então, não ter identidade. Dominado pelo movimento, pelo fluxo constante de influências que tem recebido de outros povos, das gentes que vêm de fora desde a colonização, o norte-rio-grandense é mistura e, portanto, não criou valores genuínos. Invés disso os perdeu no fluxo, na penetração constante de suas fronteiras (HARTOG, 1999). Assim, enquanto os outros, os não-potiguares, situados do outro lado da fronteira aparentam homogeneidade em ser o que são os norte-rio-grandenses lamentam-se do ser que não são.

A partir de comparações com o outro, isto é, de relações alteridade (HARTOG, 1999), se estabelece o estigma da ausência: os pernambucanos são amantes incondicionais de seus valores, dos seus bens culturais; os cearenses são engraçados, têm o humor, a música como marca identitária capazes de produzir grandes nomes no cenário artístico nacional; os paraibanos são ciosos de suas produções e fechados ao estranho, vêem os estrangeiros com desconfiança; os mineiros têm a musicalidade como marca... Mas os potiguares, o que são? Seria esse desapego, esse desamor a si mesmos, essa indefinição, essa ausência de identificação, esse espaço sempre aberto ao adventício, ao estrangeiro? É na leitura de si em contraposição aos “outros” que a identidade potiguar – ou a ausência dela – vai sendo mapeada, circunscrita nas falas dos interlocutores.

No entanto, essa idéia de um ser em metamorfose constante, marcado pelo mimetismo e pela absorção de tudo que vem de fora cria espaço, paradoxalmente, para a tentativa de se construir para ele outra representação: a do ser cosmopolita, para quem as fronteiras não têm sentido algum, pois de sua aldeia, são cidadãos do mundo, conforme se denota no fechamento do raciocínio de Josimey Costa. O vazio já não seria tão vazio assim. Todavia, essa concepção parece longe de ser consensual. Isto fica evidente nas palavras de Plínio Sanderson Saldanha Monte3, antropólogo, geógrafo, professor, poeta....
Acho que Natal é mesmo pedante, besta e equivocada. Faz-se um discurso de cidade moderninha, de Londres Nordestina, mas na verdade, as oligarquias continuam nos assolando. Somos uma sociedade fadada ao estupro cultural. Tudo que vem de fora, tudo que é alienígena nos seduz. A gente não pensa em qualidade, em o que é de relevância. Tudo que vem de fora para o Rio Grande do Norte sempre encheu os olhos da gente. Então essa pseudo-idéia de moderninha é equivocada. Nós não somos bairristas. Infelizmente, pelo contrário. Outrora, Othoniel Menezes, vaticinou à “Jerimulândia” o carma do “pecado original de haver nascido na Esquina do continente”. (GURGEL, 2008)
Embora se contraponha a uma percepção cosmopolita do potiguar, fica evidente nas palavras de Plínio Sanderson Saldanha Monte a idéia de que tudo que vem de fora nos seduz, de que os espelhos, a imagem do outro nos encanta em demasia e assim, como resultados desses embates duas imagens vão se delineando: por deixar de construir valores próprios e de valorizar o que é seu, o potiguar assumiria a condição de eterno colonizado, movido pelo feitiço do reflexo do espelho que só projeta para si a imagem do outro; e uma outra, que o representa como moderno, sem apegos ao passadismo nem a xenofobia, e que seria da sua aldeia, um cidadão do mundo, um cosmopolita.

Em artigo publicado em um dos jornais de grande circulação no Estado, um leitor aborda a questão de como é difícil ser potiguar4. Mesmo não tendo nascido no Estado, relembra saudoso como se encantou por essas terras, sobretudo por Ponta Negra quando esta era ainda uma praia acanhada, com suas “ruas de barro” e “'mijadouros' fedidos”, quando a praia “parecia um trecho de nossa costa perdido com suas jangadinhas e barracas humildes e sujas”. Com um cenário desses,


Demorou um nada pra que eu me sentisse natalense e um pouco mais pra que descobrisse o potiguar pelo qual passaria a me definir. Em minhas andanças de militante estudantil tive a oportunidade de como potiguar visitar muitos estados de nosso país. Foi nessas viagens que comecei a perceber a dificuldade de ser potiguar.

Em São Paulo, me chamavam de baiano; no Rio, de paraíba; em terras gaúchas eu era cearense. Até de capixaba me chamaram ao saber que era do Rio Grande do Norte que eu vinha. Mas nunca, nunca me chamaram de potiguar. (GIROTTO, 2007).

Mesmo identificando-se como potiguar, o sotaque sulista remanescente dos seus ancestrais italianos não se esvaiu de todo, relata, fazendo com que ainda nos dias atuais, freqüentemente, não seja reconhecido como tal no próprio Estado que adotou como sua casa. Mas as mudanças pelas quais tem passado a capital nos últimos anos o assustam, desagradam e se de um lado tem sua identidade questionada pelos nativos, ele mesmo já se não identifica tanto com a cidade a exemplo do que ocorria outrora. Natal é não mais a cidade provinciana que o encantou:
Eu mesmo já não me identifico tanto com esta cidade. Não reconheço nela a ingênua cidade que me acolheu, nem reconhece ela, em mim, o ingênuo rapaz que aqui chegou numa data já distante. Os prédios estão muito grandes e os ventos mais escassos. A violência é uma perigosa imitação da barbárie dos grandes centros urbanos do país. Eu não vou mais à praia, tanto quanto ia. Quão irônico que seja, é apenas na desfigurada e recolonizada Ponta Negra de hoje que sou reconhecido como potiguar. A Ponta Negra de hoje pertence aos italianos que não sofreram do mal da pobreza, diferente de meus bisavós que pra cá vieram fugindo da Grande Guerra e da miséria. Esses italianos de ascendência mais nobre que a minha me vêem andar deslocado pelo território que agora lhes pertence. Como outrora os portugueses fizeram com os legítimos potiguares – os índios – meus distantes parentes apontam pra mim e dizem: Vejam, um nativo. Os olhos potiguares novamente brilham; estamos seduzidos por eles, como os índios estiveram por nossos ancestrais portugueses e holandeses. Pouca coisa mudou: as caravelas agora voam e os pentes e espelhos são chamados de Euros. No mais, já me sinto tão potiguar quanto antes. (GIROTTO, 2007).
Como se o ciclo apontado por Josimey Costa no início deste artigo se completasse, a saber, nosso estigma de subjugados e dominados por franceses, portugueses, holandeses, novamente os portugueses, pernambucanos e estadunidenses, agora, surgem os italianos, espanhóis, holandeses...

Numa postagem intitulada de Invasões bárbaras escrita em seu blogue, o jornalista Ailton Medeiros se posiciona frente às discussões sobre a instalação do Grand Natal Golf5, um mega empreendimento estrangeiro no litoral norte do Estado que tem enfrentado questionamentos de ambientalistas, do Ministério Público e de parcela da sociedade norte-rio-grandense.


Li, não lembro onde, que Clotilde Tavares (lembram dela?) ficou escandalizada com o megaresort que os espanhóis vão construir na Taba.

Clotilde, cuja maior virtude é ser irmã do talentoso Bráudlio Tavares, sugeriu um movimento “apartidário” para expulsar os “instrangeiros” da Taba.

Vou logo avisando que nessa guerra profana estou do lado dos gringos. Não vejo saída mais inteligente e sensata para civilizar os bárbaros que vivem à margem do Potengi que ceder de corpo e alma aos encantos do capitalismo.

O que seria Nova York sem judeus e irlandeses? E São Paulo sem os italianos?

Por favor, me inclua fora dessa babaquice de que temos de preservar nossos bosques e nossas dunas, este discurso só interessa aos políticos cuja carreira é pautada na apologia da pobreza.

A maioria das pessoas quer bem-estar, conforto, celular, computador, educação, saúde, internet, e o que a vida moderna possa oferecer de melhor.

Quem tiver de saco cheio faça como Chapeuzinho Vermelho, vá passear na Floresta. Mas cuidado com o Lobo Mau.

Minha torcida é para que Clotilde Tavares permaneça lá.

Aqui em Ponta Negra, prefiro a companhia de espanhóis, noruegueses, franceses, dinamarqueses, suecos, americanos, russos, poloneses, chineses.

O mundo virou uma aldeia global desde que um engraçado decidiu abandonar a vida entediante da caverna.

Tem gente que não se conforma com isso.

Prefere ver o mundo mergulhado nas trevas. (MEDEIROS, 2008).


O texto, a começar pelo título Invasões bárbaras é marcado por ironias e como evidencia o conteúdo da postagem, repleto de ambivalências. Numa contraposição evidente entre civilização e barbárie tão recorrente na literatura ocidental, os bárbaros, ao menos dessa vez, não são os invasores, mas os nativos, os habitantes da taba, dessa aldeia de índios. A presença de investimentos estrangeiros e conseqüentemente, de gente estrangeira seria na verdade um exercício civilizatório. Na fala do jornalista, fazendo-se um esforço enorme, extremo, para deixar de lado outras questões que cerceiam a produção do espaço capitalista (HARVEY, 2005), que de certa forma aparecem naturalizadas e até idealizadas pelo enunciante, duas representações ((HARTOG, 1999) do potiguar num cenário ambivalente vem a tona: primeiro, a idéia de que são bárbaros, atrasados, precisam abrir suas fronteiras, civilizar-se; e a segunda é que a própria defesa que realiza da abertura das fronteiras ao outro, ao adventício indicaria uma postura de não fechar-se em si mesmo, e portanto, cosmopolita, civilizada.

Embora originalmente não tenham sido concebidas dentro duma proposta de diálogo, as percepções de Angelo Girotto e Ailton Medeiros produzidas num mesmo contexto para uma temática comum – a presença de estrangeiros no Estado – chamam a atenção, pois a nosso ver apresentam questões cuja ressonância ultrapassa a mera divergência de ponto de vistas, de concepções. Girotto, um adventício naturalizado reclama das dificuldades de ser potiguar, sobretudo com as mudanças significativas as quais têm sido operadas na capital do Estado – pequena, acanhada, provinciana quando o acolheu – que atualmente se assemelha cada vez mais aos grandes centros urbanos, com acentuado crescimento demográfico, lugar de violência, “terra do caos”, marcada pelo agravamento dos problemas sociais resultantes desse crescimento desmedido, descontrolado. A memória saudosa, nostálgica, reclama das paisagens que não existem mais e revela contradições curiosas: ele, um adventício que outrora foi recebido de braços abertos reclama da presença constante de estrangeiros, seus “distantes parentes”, modificando as paisagens da urbe; outra é que é justamente na contraposição realizada frente a esses estrangeiros, “neocolonizadores” do território norte-rio-grandense que ele, agora nativo, restabelece sua identidade potiguar. Já para Ailton Medeiros, nativo cosmopolita, ao fazer ode ao “estrangeiro civilizador” parte da premissa segundo a qual é da abertura das fronteiras locais ao outro que se estabelece a civilização, se foge do estado de barbárie, processo esse que transformaria a “taba” numa aldeia global. Assim, interpõe-se o paradigma: o potiguar, colonizado ou cosmopolita?



O potiguar tramita assim num espaço indefinido. É, segundo alguns interlocutores, um espaço fadado a um devir que é sempre devir, que nunca se cumpre; é sempre o que deveria ser em detrimento do que é, pois o ser que ele é, desagrada. Percebe-se aqui um dilema nas suas representações: reclama-se com freqüência da abertura, da sedução ao que vem de fora de suas fronteiras, pois esta postura agiria de forma tal que o impediria de criar laços identitários com as coisas da terra, com os valores genuinamente locais. Em outras palavras, existiria um modo de ser, um ethos que devido ao desapego dos norte-rio-grandenses não se faz ver nem ouvir. É como se enfeitiçados pelo outro, recusassem a si mesmos. São estrangeiros em sua própria terra. Assim, invés das fronteiras geográficas representarem barreiras, entraves, os potiguares seriam frequentemente seduzidos por elas. Para alguns, isto é ser cosmopolita, civilizado, para outros, é sinônimo de colonizado, de subjugado culturalmente. Neste sentido, o depoimento6 de Clotilde Tavares7 quando contrapõe o potiguar ao paraibano é bem elucidativo desse impasse;
Logo quando eu cheguei à Natal no ano de 1970, estava passando na Avenida Rio Branco e tinha uma mulher conversando com outra, me aproximei, uma se despediu e a outra olhou para mim e disse: “ela é americana!”, como se dissesse que estava conversando com o Papa. Eu disse: “sim e daí?”. Ela disse: “é americana, não está entendendo não?”. Eu achei isso muito estranho, porque nessa época na Paraíba nós odiávamos os americanos, por causa da ditadura. E aqui em Natal o pessoal adorava os americanos, pareceu-me ser resquícios da II Guerra. Logo, comecei a notar que as pessoas da minha idade daqui de Natal não sabiam o que era um cantador de viola. Na Paraíba, principalmente em Campina Grande, o pessoal é muito ligado às coisas da terra. Quando cheguei aqui parecia que estava no sul, numa cidade não nordestina. Aliás, Natal para mim tem essa característica de não parecer uma cidade nordestina. Em 75, o poeta Jomar de Brito veio a Natal e a batizou de “Londres Nordestina”. Nessa época, Natal era conhecida no nordeste como sendo uma cidade diferente das demais. Em 78, fui à Maceió para um congresso e quando disse que era de Natal, o pessoal recuo, porque as mulheres de Natal tinham uma fama horrível, eram consideradas muito liberadas, quer dizer, então existia essa percepção de Natal como sendo uma cidade super avançada, sem nenhuma ligação com as outras cidades do Nordeste. Eu considerava e considero muito interessante essa característica, ‘considero’ porque Natal ainda possui essa característica. Acredito que Natal é assim, por conta da permanência dos americanos aqui tanto durante a II Guerra. A Paraíba não teve essa presença estrangeira, e além do mais o paraibano é diferente, porque ele é muito cioso de suas coisas. Há uma anedota que demonstra bem esse fato: pergunta-se, “você é de onde?”, responde-se, “da Bahia”, “do Rio Grande do Norte”, “da Paraíba, por quê?”, quer dizer, é como se o paraibano tivesse muito orgulho de ser paraibano e não gostasse de invasão. Em Campina Grande, o camarada das indústrias comprava máquinas para fazer estradas, caso ela se quebrasse, ele não mandava chamar técnico de fora, ele mesmo olhava e dali a pouco terminava consertando a máquina. O paraibano não dá tanta autoridade a quem vem de fora, ele procura construir o seu modo próprio de agir, mesmo naquilo que não entende. (APRENDIZ DE JORNSLISTA, 2006B).
Na fala de Clotilde Tavares, a percepção da identidade “alienígena” do potiguar é retomada, assim como a idéia do encantamento deste pelo “outro”. Esta singularidade seria tamanha a ponto de quebrar, romper com o discurso regional preconizado sobre o Nordeste como lugar da tradição para ser identificado como o espaço da modernidade, a “Londres Nordestina”. O Estado, pensado via-de-regra a partir de sua capital, Natal, como centro irradiador do ethos potiguar é visto como um diferente, um estranho entre comuns (paraibano, pernambucano, cearense, alagoano, etc).

Todavia, cabe pensar também quem são os enunciadores que constroem essa representação do potiguar como um ser que não é, marcado pelo mimetismo, que se recusa a cumprir o seu devir. Neste sentido, consideramos que as falas, as vozes dos interlocutores publicizadas no decorrer deste artigo fornecem contribuições valiosas: são atores sociais que atuam na academia, na produção artístico-cultural, no embate político cotidiano e geralmente compartilham da idéia segundo a qual existiriam características específicas, formas, modos de ser e agir que expressariam uma singularidade ao potiguar.

Estes atores, via-de-regra, consideram já ter identificado e situado esse conjunto de características e são ao mesmo tempo produtores e divulgadores dessas representações. Por meio de suas ações conforme os espaços onde atuam, procuram comunicar esse ethos aos cidadãos norte-rio-grandenses, mas neste ponto, situa-se outro impasse: é como se o receptor do enunciado não decodificasse ou se negasse a recebê-lo; é como se o emissor apontasse á uma direção, mas o receptor teimasse em seguir o caminho inverso, seja porque não entendeu o enunciado da mensagem que lhe foi dirigida, seja porque não se identifica com ela, e, portanto, se recusa a aceitá-la.

No início de janeiro de 2008 uma exposição de Arte Contemporânea do artista plástico potiguar Marcelo Gandhi intitulada “Site Specific - Lugar específico”, exposta na galeria Newton Navarro, localizada na Fundação José Augusto, foi motivo de uma polêmica que chegou às páginas dos jornais. Mal recebida pelos funcionários da Fundação responsável por elaborar estratégias de atuação no campo da cultura para o Estado, questionavam o princípio artístico da exposição, ao que o artista rebateu com prontidão, denunciando tal postura resultante do provincianismo e do atraso cultural reinante na capital:


Natal aceita todo o tipo de porcaria pop, enlatada e industrial de forma muito rápida. As pessoas aqui têm dificuldade em aceitar a arte contemporânea. Isso é no Brasil todo, mas lá fora está mais avançado. Aqui é aquela rigidez, fica difícil. Na minha exposição, os funcionários da Fundação José Augusto se sentiram agredidos, disseram que não era arte. Mas em nenhum momento questionaram o trabalho, foi tudo num nível raso. Mas essa polêmica é interessante porque desperta esse debate. (DUARTE, 2008).
Ganha espaço então o discurso de que o potiguar não valoriza o artista, a cultura da terra e conseqüentemente, não valoriza sua memória e nem sua história; não consome a música, a poesia, a prosa, o romance... as produções culturais que melhor lhe representariam. Incompreendidos pela massa, o intelectual, o acadêmico, o político, o produtor teatral, o escritor, o artista plástico... parece também não compreender por que suas produções são pouco valorizadas e parcamente consumidas por aquela. Consideram talvez que o sentimento de pertença ao mesmo território deveria por si só assegurar uma identificação a ponto de sua produção ser valorizada e consumida pelos norte-rio-grandenses; porém estes, de maneira enigmática, permanecem seduzidos pelo feitiço da fronteira. É como se não se sentissem representados dentro das representações que são construídas em seu nome, como se não se sentissem partícipes delas.

Embora não seja o objetivo central deste trabalho realizar um estudo comparativo nem definir se as produções artístico-culturais fomentadas em território norte-rio-grandense são ou não originalmente potiguares, até porque consideramos o conceito de originalidade um tanto quanto complicado para ser aplicado em tal contexto, alguns questionamentos, no entanto, fazem-se necessários para evitar enfoques naturalizados sobre alguns discursos aqui delineados. São eles: até que ponto os produtores da chamada cultura potiguar podem alvorar-se como seus legítimos representantes? Quais elementos lhes legitimam? Quais características possuem que diferem ao mesmo tempo em que singularizam suas produções frente aquelas produzidas fora das fronteiras geográficas que delimitam o Estado, as quais embora possuam representações simbólicas – cartográficas, por exemplo –, são construções imaginárias? As produções artístico-culturais produzidas no que é circunscrito como o Rio Grande do Norte não dialogam com aquilo produzido em outras territorialidades? O que assegura, por fim, uma fronteira para as manifestações culturais?

Dentro dessas indagações, a discussão referente à identidade artística de uma das revelações da Música Popular Brasileira na atualidade ganha notoriedade. É o caso de Roberta Sá. Nascida em Natal em dezembro de 1980, mudou para outro rio, o Rio de Janeiro, com nove anos de idade. Hoje, aos 27 anos, depois de despontar no cenário musical nacional, a imprensa, a inteligentisia norte-rio-grandense busca “conterraneizá-la”, tratá-la como um talento, uma expressão da terra, conforme crítica do blogueiro Mário Ivo D. Cavalcanti8. Ao comentar um show que a cantora veio fazer em Natal na primeira semana de maio do corrente ano, em tom provocativo e irônico, afirma que ela é carioca até que provem o contrário:
Pois, até que me provem o contrário, a tentativa de conterraneizá-la é só um e não passa de mais um ataque histérico dos nativos do Ryo Grande, traumatizados ainda com o fato colonial (remonta aos idos de quatro séculos atrás) de que nem tão grande assim era o nosso ryo (embora tenhamos a maior das aldeias, derna de sempre, ou, a “Metrópole Indígena”, nas palavras articuladas de Polycarpo Feitosa, ou Antônio José de Melo e Souza9, nosso último governante letrado).

E haja necessidade de auto-afirmação (ponto de exclamação ou reticências, à escolha do freguês).

E haja exibir nas fuças dos outros a certidão de nascimento de quem nos ufanamos.

Desejo bem ambíguo, aliás, para quem – e tomo emprestado de novo as letras cursivas do Dr. Antônio – “com uma excessiva desconfiança de si próprio, que parece ser também um dos elementos do seu caráter, o potiguar é propenso a considerar irresistivelmente o estrangeiro, o desconhecido, como superior, como capaz, e respeita-o pelo menos enquanto não convencer-se de que o tal estrangeiro é igual ou inferior a si mesmo”.

Talvez seja isso que tanto nos envaidece e nos anima como pintinhos na beira da cerca: Robertinha Sá une o útil ao agradável, Tomé com Bebé, é “de fora”, mas também “é daqui”. Um must, enfim, para a patuléia que se acha o ó do borogodó, o centro do mundo, as pregas que não cabem no meio, oco do mundo.

Uma maravilha, claro, os discos da moça, as músicas da moça, o suingue da moça. Menos por sua certidão de batismo e mais por ela mesma – embora muitos “críticos” às margens do Putigy adorem exercitar e ecoar o que “os outros”, no gramado alheio, dizem dela: porque “os daqui” tudo que fazem é citar que a menina foi citada pelos “outros”, sem nenhum juízo crítico e opinião pessoal. (CAVALCANTI, 2008).


Roberta Sá, como bem indica Mário Cavalcanti, é uma personagem singular dentre do mosaico que procuramos traçar até agora. Ela “transgrediu” a fronteira, é o outro, mas também é potiguar. É uma espécie de representante ideal ou personagem síntese em meios aos discursos que temos evidenciado sobre o norte-rio-grandense: representaria a nossa sedução ao outro, ao adventício, mas ao mesmo tempo, é também uma “nativa”, uma conterrânea. Neste sentido, enquanto faz eco à idéia do cosmopolita, a busca por “conterraneidade” abrigaria o já discutido estigma de colonizado, que não possui valores próprios, que precisa do julgamento valorativo do outro à quem transpôs a fronteira, para então se sentir seduzido, identificado, representado. Assim, como são os outros, os não-potiguares que dizem que Roberta Sá é uma grande cantora, os norte-rio-grandenses desempenhando seu papel de colonizados já podem orgulhar-se a vontade: seu brilho já irradia além de nossas fronteiras e o melhor, é um brilho conferido pelo outro. Ela é carioca! Ela é carioca...

Na tentativa de situar a problemática da identidade, a comparação com Pernambuco, para o bem ou para o mal, tem sido freqüente e corta temáticas as mais diversas. Assim, enquanto é tomado como ente pertencente a uma mesma nação – o Nordeste – e se afirma a necessidade de construir pontes entre um e outro, é visto também como o algoz, como o oposto.

Em dezembro de 2003, a encenação do Auto de Natal causou alvoroço em parte da classe artística e intelectual do Estado. Além das críticas a (des)organização do evento, um dos temas centrais da discussão era o fato de ter sido utilizado no roteiro do Auto um poema de João Cabral de Melo Neto no qual citava o rio Capibaribe. Detalhe: o Auto foi representado às margens do rio Potengi.

Em artigo publicado na Tribuna do Norte10, Rinaldo Barros, então presidente da Fundação Capitania das Artes/FUNCARTE, entidade equivalente à Secretaria de Cultura de Natal e responsável pela organização do evento expôs seu ponto de vista. Segundo argumentou, houve um debate interno para decidir se alteravam ou não o nome do rio e definiu-se por mantê-lo como concebido originalmente, pois a força da obra poética de João Cabral de Melo Neto é universal e por isso, a imagem do Capibaribe poderia ser transposta para qualquer rio, pois no contexto pretendido ele era tomado como “fonte de vida”. E acrescenta:


Outro ponto importante, posso estar enganado, mas estou convicto de que o fortalecimento da identidade cultural do nosso povo deve-se dar como defesa da Nação Nordestina, e que não devemos nos dividir ainda mais. Nesse sentido, tanto faz Recife, como Salvador, Natal, Campina Grande ou Mossoró; somos todos de uma mesma Nação, de uma mesma cultura; riquíssima, todavia, discriminada e ameaçada.

Para concluir, insisto em alertar que Natal há muito deixou de ser uma província. Nossa capital é pólo de uma Região Metropolitana, aberta ao mundo, em perfeitas condições de interagir com todos os povos, com artistas de todas as culturas, e somente assim poderá construir os alicerces de uma sociedade verdadeiramente desenvolvida culturalmente. Chega de xenofobia, não há o que temer. Não existe artista "de dentro" e artista "de fora". A arte é universal. (BARROS, 2007)


Aqui indagamos: o que seria o potiguar, afinal? Cosmopolita? Provinciano pouco afeito aos valores locais, seduzido constantemente pelos encantos adventícios? Ainda imperam por essas “bandas” oligarquias tradicionais e conservadoras? Caminhando neste sentido, um debate interessante e que permeia essas questões é levado a cabo por um telespectador do Festival de Música de Natal, evento promovido pela Prefeitura da cidade durante as comemorações natalinas em dezembro de 2007. Com o título de sugestivo de Bairrismo (pernambucano) x falta de identidade (potiguar), discorre:
Tenho alguns amigos pernambucanos, e sempre pra tirar sarro os chamo de bairristas... Mas infelizmente, é uma forma de demonstrar o meu real descontentamento, com a população do Rio Grande do Norte, os potiguares, os papa-jerimum.

Ontem, mais uma vez, fui ver os shows que a prefeitura de Natal esta promovendo em comemoração as festividades de fim de ano e aniversário da cidade... As apresentações musicais eram, a potiguar Marina Elali e o pernambucano Alceu Valença...

De cara na entrada já vou escutando uma galera, "Vou deixar pra entrar só quando Alceu for tocar, ir ver Marina Elali, não podeee"...

Não me identifico com o trabalho de Marina, mas seu talento é incontestável e embora ela sempre engrandeça e divulgue o estado do RN, infelizmente o povo não tem retribuído o carinho da artista... Tudo bem não gostar mas menosprezar é inaceitável... A cantora tentava gravar um DVD, e precisava do público, show gratuito em um sábado à noite...

O que se via eram pessoas a reclamar do excesso de preocupação da cantora com o som, com o figurino, à espera por mais público e da interação desse público...
E conclui:
Infelizmente, diferente do que se vê no Pernambuco, onde os artistas da terra são valorizados em maior proporção que os "astros nacionais e internacionais", no RN o que rola é uma desvalorização do que é da terra.

[...]
O potiguar precisa buscar sua identidade ou simplesmente aprender a dar o valor merecido ao que é de sua terra, independendo de gostar ou não devemos valorizar o que tem qualidade. (BARROS, 2007).


Algo que prende a atenção nesse discurso além de suas contradições é a percepção de que existe uma identidade cultural potiguar a qual poderia ser identificada usando para isso o critério da territorialidade, do lucos de sua produção. Assim, faltaria a população aprender a valorizar essas manifestações como suas, a identificá-las como suas.

Seja porque espaço de mutação, seja porque espaço de recepção, ora os potiguares tomam os pernambucanos como modelo a ser seguido; ora identificam neles os seus algozes e os criticam pelo bairrismo exacerbado que alimentam. Um outro exemplo desses deslocamentos, dessa relação de aproximação/distanciamento foi a disputa levada a cabo pelos dois Estados em 2007 para sediar a construção de uma nova refinaria de petróleo anunciada pelo Governo Federal na região Nordeste. Segundo o discurso recorrente nos meios de informação potiguares, sobretudo na avaliação de políticos, jornalistas e “analistas econômicos” locais, o Rio Grande do Norte possuía as condições técnicas mais favoráveis para receber a refinaria, todavia, por falta de tradição no cenário político nacional, por seu estigma de colônia quase eterno, perdeu-a para os pernambucanos, para quem a identificação regional (vulgo bairrismo) seria tamanha a ponto de fazer o presidente da república, que é natural de Pernambuco, ir de encontro ao próprio ideário da res publica; pois o interesse público nacional – incorporado supostamente nesse episódio pelo Rio Grande do Norte – havia sido extrapolado, preterido em nome do interesse regional, indicando assim que entre os pernambucanos, a pernambucanidade seria um valor superior até mesmo a identificação pátria, a brasilidade.



Referências

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 Mestrando do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – PPGh/UFRN e bolsista da Fundação Norte-rio-grandense de Apaio à Pesquisa/FAPERN.

1 A entrevistada é assim apresentada no referido jornal: “A jornalista Josimey Costa nasceu em São Paulo, filha de mãe norte-rio-grandense e pai pernambucano, obteve mestrado na área de Ciências Sociais com a tese “A Palavra Sobreposta. Imagens da Segunda Guerra em Natal”, como também produziu um elogiável documentário em vídeo que leva o mesmo nome. Ela já trabalhou nos principais veículos de comunicação do Rio Grande do Norte, mas atualmente optou pelo magistério na UFRN, onde leciona as disciplinas de Sociologia da Comunicação e Comunicação Cinematográfica no curso de Jornalismo. Desenvolve também um trabalho de base em Meios de Comunicação e Educação e outro em Estudos da Complexidade.”

2 Entrevista concedida a Adriano Medeiros Costa, Eronildes Pinto, Eva Paula de Azevedo, Marcel Lúcio Ribeiro e Vilsemar Alves.

3 Entrevistado pelo jornalista Alexandro Gurgel, no blogue http://grandeponto.blogspot.com, é apresentado como antropólogo, geógrafo, professor, poeta, animador cultural, assistente parlamentar da Assembléia Legislativa do RN e membro eleito do Conselho Estadual de Cultura (comissão da Lei Câmara Cascudo). Nascido em Caicó, no ano da graça de 63, mora em Natal desde as primeiras letras no Colégio Salesiano São José.

4 Texto de autoria de Angelo Girotto, publicado no Jornal de Hoje na seção Artigos no dia 24 de novembro de 2007.

5 O projeto prevê a construção de cerca de 30 mil residências, além de 8 hotéis cinco estrelas no litoral norte do Estado, a 16Km de Natal. Pela proposta, seriam aproximadamente 22 milhões de m2 em 6 Km de praias, onde serão construídos 5 campos de golfe, heliporto, campos de futebol, quadras de tênis, hípica, paddle, spa, balneário, centro de saúde e estética e um complexo comercial e de lazer, com segurança 24hs. O investimento é do grupo espanhol Sánchez e tem como associados, segundo a empresa, personalidades como Ronaldo "Fenômeno" e Antonio Banderas. Ver maiores detalhes no site: http://www.grandnatalgolf.com/

6 Entrevista concedida ao Aprendiz de Jornalista, jornal online do laboratório do Departamento de Comunicação da UFRN no segundo semestre de 1999. Entrevistadores: Adriano Medeiros Costa, Eronildes Pinto, Eva Paula de Azevedo, Marcel Lúcio Ribeiro e Vilsemar Alves.

7 Clotilde Santa Cruz Tavares nasceu em Campina Grande, na Paraíba. Formada em Medicina, especialista em Epidemiologia pela UFRN e tem mestrado em Nutrição em Saúde Pública pela UFPE. Ex-professora de teatro no Departamento de Artes da UFRN. Foi membro-fundador da Comissão Estadual de Folclore, publicou vários livros e ensaios com ênfase em cultura popular, é colunista em jornais e Revistas do Estado e reside em Natal há mais de três décadas.

8 “Nascido na província dos reis há pelo menos 40 anos no século passado”, é assim que Mário Ivo D. Cavalcanti se apresenta em seu blogue: http://cidadedosreis.blogspot.com/2008/05/ela-carioca-050508.html.

9 Antônio José de Melo e Souza, conhecido também pelos pseudônimos de Polycarpo Feitosa e Francisco Macambira, foi Governador do Estado em duas oportunidades (de 23 de fevereiro de 1907 a 25 de março de 1908), Procurador da República, sócio fundador do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, escritor, jornalista, poeta, historiador, contista e romancista. A citação utilizada por Mário Ivo D. Cavalcanti foi retirada de uma crônica publicada originalmente em 1899 na Revista do Rio Grande do Norte, sob o título e de Vida potiguar e republicada em 2007 com o mesmo título. São alguns de seus livros: Flor do Sertão (1928), Gizinha (1930), Alma Bravia (1934), Encontros do Caminho, (1936), Os moluscos (1938), Jornal da Vila (1939), Gente Arrancada (1941), Dois Recifes com sessenta anos no meio (1945), Quase romance, quase memória (1967).

10 Artigo publicado na Tribuna do Norte em 22/01/04, reproduzido e disponível em: http://www.clotildetavares.com.br/forum/construindopontes_rinaldo.htm



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