A reabilitação dos córregos do Barreiro Amarelo, Três Barras e Pirapitingui lazer e saúde para a cidade



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COSMÓPOLIS:



A reabilitação dos córregos do Barreiro Amarelo, Três Barras e Pirapitingui – lazer e saúde para a cidade
Estudo de Planejamento Ambiental proposto pelo corpo técnico multidisciplinar da turma de 2005 da disciplina IC-755 Planejamento Ambiental, do curso de pós-graduação da Faculdade de Engenharia Civil e Arquitetura da Universidade Estadual de Campinas

Orientador: Profa. Dra. Emilia Rutkowski



Campinas - SP

Julho de 2005

Corpo Técnico

Profa. Dr. Emília W. Rutkowski

Alceu Justus Filho (Engenheiro Civil)

Ms Aline B. Miranda (Engenheira. Civil)



Christiane Chuffi ( Arquiteta Urbanista)

Cintia Maria Baldrighi (Engenheira Civil)

Daniel Mendes Nogueira (Químico)

Dirce Maria Emi Yano (Engenheira Civil)

Elizete Fazza (Engenheira)

Ms Evandro Z. Monteiro (Arquiteto Urbanista)



Gilsene Fajersztajn (Geógrafa)

Giovana C. Ferreira (Jornalista)

Ivan Ignácio Da Costa (Arquiteto Urbanista)

Ivan Suarez Da Mota (Engenheiro Florestal)

Jose Benedito C. Henrique (Economista)

José Renato Nogueira (Biólogo)

Karen Bazan Simionatto (Bióloga)

Ms Luiz Carlos Spiller Pena (Arquiteto Urbanista)

Maria Claudia P. Braga (Engenheira Civil)

Martina Barbosa (Tecnóloga em Saneamento Ambiental)

Priscilla De Oliveira Ramos (Administradora de Empresas)

Ms Regina Mesquita Micaroni (Engenheira Química)



Renata Ramos Beltrão (Engenheira Agrônoma)

Samuel Chaves Melchior (Tecnólogo em Saneamento Ambiental)

Sidnei Lima Siqueira (Químico)

Ms Tatiana Scalco (Jornalista)



Vanessa Batista (Engenheira Química)

Ms Veridiana Noronha Vaccarelli (Bióloga


Sumário
Lista de Figuras ..................................................................................................

Lista de Tabelas .................................................................................................



  1. INTRODUÇÃO À CIDADE-COSMOS .........................................................06

    1. O mito da cidade-dormitório ......................................................................06

    2. Métodos: Reabilitando a bacia ambiental.................................................... 07

  2. DIAGNÓSTICO...................................................................................................09

    1. Panorama geral.............................................................................................11

      1. Situação e localização........................................................................11

      2. Aspectos sócio-econômicos...............................................................12

2.1.2.1 Perfil da população................................................................15

2.1.2.2 Doença de veiculação Hídrica........................... ...................15



      1. Aspectos de cultura e lazer.................................................................19

2.1.3.1 Esporte e Lazer ................................................................19 2.1.3.2 Cultura....................................................................................21

      1. Aspectos físico-territoriais.................................................................22

2.1.4.1 Descrição físico territorial do núcleo urbano...........................22

2.1.4.2 Sistema Viário......................................................................... 24

2.1.4.3 Relevo e Hidrografia................................................................25

2.1.4.4 Clima........................................................................................27

2.1.4.5 Vegetação.................................................................................27

2.1.4.6 Geologia , Geomorfologia e Solo............................................29



      1. Aspectos de Saneamento Ambiental................................................30

2.1.5.1 Abastecimento de água............................................................30

2.1.5.1.1 Captação ................................................................30

2.1.5.1.2 Estação de tratamento.............................................31

2.1.5.1.3 Rede de distribuição................................................31

2.1.5.2 Esgoto.......................................................................................31

2.1.5.3 Resíduos Sólidos........................................................................32

2.1.5.3.1 Coleta domiciliar.................................................... 33

2.1.5.3.2 Área de disposição final..........................................33

2.1.5.3.3 Resíduo de serviço de saúde....................................34


    1. Setores de análise........................................................................................36

      1. Setor A – Córrego Barreiro Amarelo................................................36

      2. Setor B – Córrego Três Barras (alto).................................................39

      3. Setor C – Córrego Três Barras (médio).............................................41

      4. Setor D – Córregos Pirapitingui e Três Barras (baixo)......................44

      5. Lixão..................................................................................................45

3. DINÂMICA URBANA................................................................................ 47

    1. Vetores de expansão Urbana................................................................... 41

    2. Potencialidades e Fragilidades.................................................................48

      1. Fragilidades............................................................................48

      2. Potencialidades.......................................................................48

  1. CONFLITOS........................................................................................................

4.1 Barreiras para a Expansão Urbana (Fig.3.2, item 1)............................... 50

4.2 Ocupação das Áreas de Preservação Permanente (Fig.3.2, item 2).........50

4.3 Ausência de matas ciliares nas APPs (Fig.3.2, item 3)........................... 50

4.4 Nascentes urbanas desprotegidas e poluídas (Fig.3.2, item 4).................50

4.5 Localização industrial (Fig.3.2, item 5)..................................................50


    1. Rede de saneamento e tratamento de esgoto (Fig.3.2, item 6)................50

    2. Disposição dos resíduos domésticos, de serviços públicos e de construção civil (Fig.3.2, item 7)...................... ........................................................51

    3. Uso e ocupação da terra (Fig.3.2, item 8)...............................................51




  1. CENÁRIO DESEJADO ....................................................................................52

  2. CONCLUSÃO

REFERÊNCIAS ...............................................................................................50

APÊNDICE

I – Mapas e tabelas complementares...........................................................................

II – Legislação...........................................................................................................



III. Financiamento.....................................................................................................

Lista de Figuras
Figura 1.1 – Rutkowski, W. Emília (1999:143) fluxograma do planejamento ambiental estratégico efetuado para bacia ambiental..................................................................................................................10

Figura 2.1 – Posição do município de Cosmópolis na região Metropolitana..........................................13

Figura 2.2 - Distribuição do emprego conforme setor econômico ..........................................................14

Figura 2.3 - Índice de emprego formais em relação à população residente..............................................15

Figura 2.4 - Evolução da relação relativa entre orçamento municipal e população residente, de 1995 a 2000.............................................................................................................................................................16

Figura 2.5 - Índice de tentativa de furto/roubo de veículos em relação à população residente, por município, em 2000.....................................................................................................................................17

Figura 2.6 - Evolução da população dos municípios pequenos e médios da RMC................................... 18

Figura 2.7 - Índice de número de escolas em relação à população residente, por município.....................19

Figura 2.8 - Distribuição das escolas conforme níveis de ensino atendidos, em porcentagem, em 2000 19

Figura 2.9 - Despesas Realizadas por Funções, segundo os Municípios: 2000.......................................20.

Figura 2.10 - Estruturas de lazer oficiais do município de Cosmópolis.................................................... 22

Figura 2.11 - Zoneamento oficial de Cosmópolis.......................................................................................25

Figura 2.12 - Fotomontagem do núcleo urbano de Cosmópolis e adjacências...........................................26

Figura 2.13 - Principais corredores de tráfego no perímetro urbano de Cosmópolis.................................27

Figura 2.14 - O município de Cosmópolis e suas principais redes hidrográficas.......................................28

Figura 2.15 - Topografia da região central do município de Cosmópolis, com desenho da malha rbana.28.

Figura 2.16 - Climas observados no Estado de São Paulo.........................................................................29.

Figura 2.17 - Vegetação remanescente do município de Cosmópolis.......................................................30.

Figura 2.18 - Pedologia do município de Cosmópolis...............................................................................32

Figura 2.19 - Sistema de abastecimento de água........................................................................................32

Figura 2.20 - Bacias de drenagem naturais da área urbana.......................................................................34..

Figura 2.21 - Lixão e pontos de despejo e entulho...................................................................................36.

Figura 2.22 - Mapa indicativo dos setores de estudo deste trabalho.........................................................37

Figura 2.23 - Ilustração da paisagem do Setor A (Amarelo).....................................................................39

Figura 2.24.................................................................................................................................................39.

a) A1: vista da área da nascente do córrego Barreiro Amarelo, próximo à Av. da Saudade

b) A2: vista do descampado a norte do córrego Barreiro Amarelo, os remanescentes de vegetação ciliar e a área central da cidade, ao fundo

c) A3: “bota-fora” nos altos ao norte do córrego Barreiro Amarelo, futura área de expansão da cidade

Figura 2 .25.................................................................................................................................................39

a) A4: disposição de resíduos sólidos ao longo da Rua Ernesto Kowalesky

b) A5: crianças moradoras da área de ocupação da APP no Parque Esther, onde operam sucateiros

c) A6: praça em mal estado de conservação, também no Parque Esther
Figura 2.26 - Tipo de uso e ocupação da terra no setor A..........................................................................40

Figura 2.27 - Vegetação existente e Área de Preservação Permanente do setor ª......................................40

Figura 2.28..................................................................................................................................................42

a) Ilustração da paisagem do Setor B (Vermelho), com indicação dos pontos de tiragem das fotos relacionadas

b) Tipo de uso e ocupação da terra no setor B

Figura 2.29................................................................................................................................................42

a) B1: O córrego Barreiro Amarelo, a menos de 100m do seu encontro com o córrego Três Barras, próximo à Escola Alemã.

b) B2: A “Escola Alemã”

c) B3: O novo residencial Bader José Aun, vizinho ao residencial 1o de Maio

Figura 2.30..................................................................................................................................................43

a) B4: A Av. “Marginal”, no trecho em que margeia a margem esquerda do córrego Três Barras, em direção à Escola Alemã

b) B5: A travessia para a Rua Tiradendes, no vale do córrego Três Barras

c) B6: Rua Batista Marsoli, na área pobre junto à ocupação do Morro Castanho

Figura 2.31 - Vegetação existente e Área de Preservação Permanente do setor B.....................................43

Figura 2.32..................................................................................................................................................44

a) Ilustração da paisagem do Setor C (Azul), com indicação dos pontos de tiragem das fotos relacionadas a seguir

b) Tipo de uso e ocupação da terra no setor C

Figura 2.33..................................................................................................................................................44

a) C1: A nascente de um pequeno afluente do córrego Três Barras, no “Bosquinho”

b) C2: O córrego Três Barras na altura da ponte da Rua João Aranha

c) C3: Uma das ruas do bairro São João, que terminam perpendicularmente ao córrego

Figura 2.34.................................................................................................................................................45.

a) C4: Quadra de futebol de areia junto à APP do córrego Três Barras

b) C5: O córrego Três Barras, a poucos metros da rodovia SP-332.

c) C6: O córrego Três Barras, já nos domínios da Usina Esther

Figura 2.35 - Vegetação existente e Área de Preservação Permanente do setor C.....................................45

Figura 2.36 - Vegetação existente e Área de Preservação Permanente do setor D...................................47

Figura 2.37.................................................................................................................................................47

a) D1: Barragem do córrego Pirapitingui

b) D2: O córrego Pirapitingui, logo após a barragem

c) D3: A represa do Pirapitingui e a estação de captação e tratamento de água

Figura 2.38...............................................................................................................................................................48

a) Crianças junto ao lixão

b) Lixão: porção sul

c) Lixão: porção oeste

Figura 3.1 - Mapa dos fragilidades e potencialidades.................................................................................49

Figura 3.2 - Mapa das principais conflitos identificados..............................................................................

Figura 3.3 -..Proposta................................................................................................................................. 52

Figura 4.1 - A cidade de Cosmópolis, no âmbito da bacia do Rio Piracicaba...............................................
Lista de Quadros
Quadro 2.1 - Número de adolescentes por atividade esportiva................................................................22

Quadro 2.2 - Rendimento Nominal Mensal por Gênero ...................................... ...... .53

Quadro 2.3 - Rendimento Mensal das Pessoas Residentes com 10 anos– 2000 .................................... 53

Quadro 2.4 -. Distribuição da População por Faixa Etária............................................................53

Quadro 2.5 Número de Empregos formais em 31 de dezembro de 2003-................................................54

Quadro 2.6 -. Empresas em Cosmópolis em 2001....................................................................................54

Quadro 2.7 - Mercado de Trabalho - Censo/2000.....................................................................................55

Quadro 2.8 -. Domicílios segundo instalações sanitárias e cobertura de infra-estrutura......................... 55.

Quadro 2.9 - Detalhamento das atividades do quadro 6............................................................................56


  1. INTRODUÇÃO À CIDADE-COSMOS

Este trabalho não tem a pretensão de julgar as ações de uma comunidade inteira, ou mesmo ditar caminhos a trilhar para o poder público e seu corpo técnico. Afinal, não há maiores especialistas em Cosmópolis do que os filhos de sua terra, aqueles que a adotaram ou que por ela foram adotados.
Nossa introdução a Cosmópolis começou na manhã do dia 21 de abril de 2005 quando a nossa heterogênea equipe de profissionais e pesquisadores embarcou no ônibus da Unicamp em direção à “Cidade-Cosmos”. Através de uma visita cuidadosamente programada, visitamos diversos pontos da cidade que julgávamos de interesse para um planejamento ambiental, e já fomos observando outros aspectos da cidade, o ritmo do seu povo, a personalidade dos bairros, a sua paisagem. Vimos problemas nem melhores nem piores do que os de qualquer outra cidade do seu porte em nosso país, como a disposição do lixo, a falta de tratamento de esgoto, a extinção e a degradação das matas ciliares, também identificamos qualidades, algumas até específicas de Cosmópolis, e potencialidades... Potencialidades que uma vez consideradas permitirão trazer de volta à Cosmópolis o espírito do seu núcleo original, um lugar onde há a uma constante e renovadora confraternização entre os seus habitantes, mesmo que de universos diferentes. E é com essa perspectiva que conduzimos este trabalho.
Lembramos, ainda, que foi um grupo de pessoas das mais variadas formações e lugares (como também era o ilustre grupo de fundadores da cidade) que novamente apeou ali na manhã do dia 21 de abril de 2005. Nosso grupo, em nome das “potencialidades” da cidade e agradecendo a todo o apoio e suporte do poder municipal, dedica ao povo de Cosmópolis este trabalho.


    1. O Mito da Cidade-Dormitório

O interesse em colonizar a região para a exploração de suas terras começa em 1890 quando José Paulino Nogueira, então presidente da Câmara Municipal de Campinas. Com o objetivo de reerguer a economia de Campinas, combalida pela epidemia de febre amarela em 1889, José Paulino inicia uma tentativa de ocupar a região da cachoeira do Funil. Essa ocupação começa em 1891 com o início da construção de uma estrada de ferro estabelecendo uma ligação entre Campinas e as margens do rio Jaguari, a Companhia Carril Agrícola Funilense e a instalação de colonos suíços naquela região. Em  1898 recebeu os primeiros imigrantes, 150 famílias  suíças, germânicas, e austríacas, que chegaram de trem para morar no Núcleo Campos Sales e ali fundaram “Die Deutsche Schülle” (escola alemã) que alfabetizava seus alunos na sua língua de origem. No mesmo período, José Paulino Nogueira, Artur Nogueira e Paulo de Almeida Nogueira compraram as terras da Fazenda do Funil, para plantar cana-de-açúcar e formaram  a Usina Esther. As terras, segundo relatórios do Instituto Agronômico de Campinas – IAC, eram boas para o plantio de cana-de-açúcar (Silva, 1998).


A maioria dos imigrantes alemães não se adaptou às condições do clima local, retornando ao seu país de origem ou se deslocando para o sul do Brasil. Este fato provocou um novo ciclo de imigração que trouxe italianos, franceses, poloneses e dinamarqueses. Em 1899 foi inaugurado o terminal ferroviário Estação Barão Geraldo de Resende, trazendo a ferrovia até o núcleo Campos Sales que já era um pequeno núcleo urbano, formado por cerca de 30 casas. (Fozzatti, 2001). A partir de 1905, o núcleo Campos Sales recebeu o nome de Cosmópolis que significa "cidade universo", uma homenagem à diversidade cultural dos imigrantes que participaram da formação desse núcleo. A vida cultural em Cosmópolis era intensa. Falava-se alemão e italiano nas ruas em 1930. Blocos carnavalescos, jazz bands e bailes na escola alemã animavam a sociedade. Campeonatos de futebol eram realizados na cidade e na Usina Éster. A pesca no Jaguari e as caçadas nos capoeirões e matas mostram que a cidade tinha opções de lazer, cultura e esporte. Com o decorrer do tempo, a escola alemã se adaptou aos padrões de educação nacionais. Entretanto, no período da segunda guerra mundial a escola foi fechada e recebeu ordens de paralisar o ensino devido à guerra. Nessa época a ferrovia foi integrada à  Estrada de Ferro Sorocabana. As atividades econômicas estavam em franco crescimento, sustentado basicamente por um pólo industrial do ramo têxtil e uma oficina de consertos e manutenção de locomotivas. Havia grande oferta de empregos para sua população de 6.719 habitantes, sendo que 73% na zona rural. Entre 1955 e 1960 as terras de Cosmópolis que já estavam praticamente desmatadas foi feito um dos primeiros reflorestamentos no país na propriedade da Usina Esther ao longo das margens da cachoeira do Funil, à montante, que reuniu 71 espécies nativas e exóticas (Maria Claudia Mendes Serrano, 2002). O plantio foi coordenado pelo Dr. Paulo Nogueira Neto que era um dos donos da Usina e o objetivo desse trabalho era reconstituir a fisionomia da flora original e fornecer alimentos a ictiofauna (Nogueira, 1977).
Com a desativação da ferrovia em 1966, o município viveu uma fase de estagnação que foi superada com a instalação da Refinaria do Planalto em Paulínia (1972), município com que faz limite ao sul. Esse fato promoveu um novo processo migratório urbano que fez surgir novos bairros afastados da área central da cidade. Na década de 80 do século XX, loteamentos periféricos e sem infra-estrutura foram aprovados, porém, foram construídos e comercializados somente no final da década de 90. Ao mesmo tempo em que a instalação da refinaria no município vizinho provocou um aumento populacional em Cosmópolis, esse fato parece não ter sido suficiente para despertar um novo impulso ao desenvolvimento econômico na cidade. Enquanto outros municípios da região usufruíam ainda de rápido progresso econômico, como aqueles do eixo da Rodovia Anhanguera, incluindo Campinas, Cosmópolis permaneceram um pouco à margem do processo, mesmo estando a menos de 10 km do pólo petroquímico. Talvez seja esse descompasso entre o ritmo de crescimento das cidades vizinhas —Paulínia, Campinas— e o próprio ritmo de Cosmópolis é que tenha suscitado no habitante da cidade um sentimento de que Cosmópolis tenha se transformado numa cidade dormitório. A maioria das descrições sobre cidade dormitório definem-nas como municípios onde há carência total de equipamentos públicos (escolas, postos de saúde, praças de lazer); intenso fluxo de transporte coletivo que os liga aos municípios que comandam os processos econômicos mais ativos, transportando, diariamente, uma grande massa de trabalhadores de baixo poder aquisitivo que se desloca para um município maior; inexistência de serviços; e até de ausência de economia local.
A descrição não se enquadra para Cosmópolis. Entretanto, a afirmativa de que a cidade é esse espaço transitório, estagnado, marginalizado surgiu juntamente com a definição de cidade-dormitório: um lugar-comum dos mais freqüentes na fala do cosmopolense. Não foi esta a cidade que encontramos. Encontramos sim, uma Cosmópolis crescendo a seu próprio ritmo, natural, e não potencializado pelos ritmos metropolitanos ou dos grandes eixos rodoviários do estado.


    1. Métodos: Reabilitando1 a Bacia Ambiental2

O método escolhido para realização deste estudo foi o de utilização de técnicas de planejamento ambiental, como instrumentos de caracterização, análise e proposição para a gestão dos conflitos existentes e o uso dos sistemas naturais do Município. A metodologia empregada procurou observar a perspectiva da sustentabilidade do desenvolvimento, considerando “(...) questões de ordem ecológica, econômica, administrativa, social, política, cultural e espiritual (...)” (Rutkowski, Lessa e Oliveira, 1999) no apontamento das soluções para os conflitos ambientais identificados. Neste caso, os corpos d´água e o seu entorno — as nascentes e os córregos Barreiro Amarelo, Três Barras e Pirapitingui do município de Cosmópolis — e as intervenções humanas resultantes do processo de urbanização implantado nesse território sob a perspectiva do desenvolvimento sustentável.


O enfoque em reabilitar a bacia ambiental centrou a discussão no mapeamento do conjunto das inter-relações existentes entre ambiente físico – químico e meio biótico, organizadores do desenho natural da paisagem, ditados pelas ações antrópicas, circunscrevendo, em seus limites, as drenagens naturais e/ou antropizadas pelas ações, neste caso de saneamento (Rutkowski, 1999). É importante destacar que o processo de reabilitação da bacia ambiental “(...) é uma tarefa de coordenação entre vários atores, envolvendo, em geral, os setores públicos e privados” (Marker, 2003:28). No contexto local os maiores desafios são o gerenciamento do processo e a coordenação entre os diferentes atores sociais, na medida em que os recursos financeiros disponíveis para fomentar tal ação podem ser obtidos através de programas federais / estaduais, incentivos fiscais, mas devem ser gerenciados e aplicados na esfera municipal.
Ressalte-se que bacia ambiental é um conceito que relativiza o espaço físico, flexibilizando seus limites, privilegiando as inter-relações nos diversos níveis, permitindo uma análise holístico-global e dinâmica da situação quando o foco de mira é a área urbana — um espaço antropizado. Representa um conjunto de inter-relações entre o ambiente físico-químico e o meio biológico, tamponado pelas modificações no desenho natural da paisagem, ditadas pelas ações sócio-econômicas que circunscreve, em seus limites, as drenagens naturais e/ou antrópicas das águas superficiais. Esta característica pode ser observada na Figura 1.1 de acordo com o fluxograma do planejamento ambiental estratégico efetuado para bacia ambiental.
Figura 1.1 fluxograma do planejamento ambiental estratégico efetuado para bacia ambiental.
1.1:
Fonte: Rutkowski (1999:143)
Partindo dessa premissa, a estratégia de trabalho adotada pela equipe dividiu-se em seis fases:
FASE 1: Definição de objetivos;

Nesta etapa foi escolhida a área de atuação e tomando-se conhecimento das informações básicas sobre ela, a partir da observação direta do território e de debates com os agentes responsáveis pela gestão do município, definiu-se o objetivo do trabalho: a reabilitação dos córregos do Barreiro Amarelo, Três Barras e Pirapitingui.




FASE 2: Definição da estrutura organizacional;

Esta fase do trabalho estabeleceu o método de ação e organização do banco de dados, seus parâmetros, indicadores, definição de categorias e fatores; considerando-se os cenários a serem trabalhados (existentes e desejados)..


FASE 3: Avaliação de acertos e conflitos;

Nesse momento foi elaborado um documento preliminar, a partir da organização do banco de dados, onde se buscou apontar os conflitos existentes observados no território objeto da análise. Em seguida realizou-se a coleta das informações necessárias. As fragilidades e potencialidades de Cosmópolis foram constatadas analisando-se o conjunto de dados levantados sobre os temas: Legislação e Programas Existentes; Aspectos Físicos e Territoriais; Saneamento Ambiental compreendido pelos subgrupos de Água, Esgoto e Resíduos Sólidos; Aspectos Socioeconômicos; e Lazer e Cultura.


FASE 4: Otimização de informações;

Essa etapa enfocou a compilação e tratamento dos dados bibliográficos e cartográficos levantados e desenvolvimento dos mapas temáticos. Bem como foram selecionados os parâmetros que norteiam o diagnóstico que fundamenta as propostas de diretrizes.


FASE 5: Diagnóstico;

Nessa fase realizou-se uma análise integrada das informações compiladas e identificou-se as fragilidades, potencialidades e os cenários passado e presente, da área alvo do trabalho.

Foram adotados 4 setores de análise e destacada área de disposição inadequada de resíduos sólidos:


  • SETOR A: Córrego Barreiro Amarelo.

  • SETOR B: entroncamento dos córregos Barreiro Amarelo/Três Barras; Córrego Três Barras desde o córrego Barreiro Amarelo até o centro da cidade.

  • SETOR C: Córrego Três Barras desde o centro da cidade até a SP-332.

  • SETOR D: Córrego Pirapitingui e Três Barras (baixo)



FASE 6: Prognóstico e diretrizes.

A última etapa do estudo enfocou a construção de um cenário desejado, identificando alternativas possíveis, bem como a formulação de propostas de normas para a organização territorial, proposição de subsídios para o gerenciamento e retro alimentação do processo.




  1. DIAGNÓSTICO

As terras médias e altas do sudeste do Brasil abrigam centenas de cidades como Cosmópolis, na rede de cidades com a maior densidade populacional do país. E, Cosmópolis – como seu próprio nome sugere – representa bem o paradigma de ocupação dessas terras, solapando florestas e avançando vorazmente sobre córregos tímidos e rios ainda jovens, ou até construindo casas sobre nascentes. Ou seja; começamos historicamente com o “pé esquerdo”, e concentrando uma imensa população em sítios localizados, quase sempre, nas partes mais altas das bacias hidrográficas, áreas de recursos menores e equilíbrio frágil. É claro que a opção histórica em si não causa a degradação das relações com o meio ambiente, mas devemos estar cientes de que as limitações dessa escolha exigem-nos maior responsabilidade e engenhosidade para buscar o equilíbrio.
Cosmópolis tem seu corpo urbano principal inserido num quadrilátero de pouco menos de 5 km de lado, formado pelos córregos Pirapitingui, Barreiro Amarelo e Três Barras. A configuração de seu sítio é especialmente um agravante no sentido de expor “fragilidades” ao mesmo tempo torna tão próximas as “potencialidades”. A água está por toda a parte ao redor do núcleo urbano, e ainda assim, em sistemas jovens e delicados. A região sudoeste do município, cortada pelo maior dos córregos, o Pirapitingui, é dominada pela monocultura da cana, em propriedades da Usina Esther, em cuja área está inclusive uma pequena represa e o principal ponto de captação de água para consumo dos moradores da cidade. A vegetação original está praticamente ausente, remanescendo apenas fragmentos de floresta estacional semidecidual. Apesar de ser uma cidade pequena, nela existem questões habitacionais mais típicas de municípios maiores; como ocupação de áreas de preservação permanente (APPs) por uma população carente que tem como única saída para seu abrigo o soerguimento de edificações frágeis e a inserção de conjuntos habitacionais tradicionais que utilizam uma tipologia arquitetônica repetitiva. Entretanto, de maneira geral, a cidade é dotada de uma boa infra-estrutura, além de alguns indicadores sócio-econômicos positivos e ligeiramente acima da média se comparados às outras cidades da região. Praticamente, toda a população do perímetro urbano tem acesso à água tratada pela rede municipal de abastecimento e os índices de doenças por veiculação hídrica registrados são insignificantes. No quesito segurança pública, o índice de criminalidade é baixo se comparado ao dos outros municípios da região de Campinas. Há um significativo número de escolas, inclusive municipais, com ensino público de qualidade. Por outro lado, a cidade se depara com desafios ainda não solucionados e que poderão ter reflexos mais graves na saúde pública e no meio-ambiente se não forem rapidamente superados: a cidade despeja seu esgoto praticamente “in natura” nos seus córregos e os resíduos sólidos são inadequadamente dispostos – despejados em local inapropriado localizado em área de mananciais, ao lado de uma nascente.
Apesar de graves estes desafios, de certa forma, colocam Cosmópolis em condição semelhante a um grande número de municípios brasileiros que tem de enfrentar os mesmos problemas nas áreas habitação, saúde e saneamento. Isso significa que para muitos desses desafios já existem caminhos trilhados, procedimentos, formas de financiamento governamental, além de suporte técnico e legislação pertinente que podem ser utilizados para equacioná-los.
Houve um ponto que nos chamou especial atenção, antes mesmo da nossa visita de campo, e que de certa forma se apresentou como mais específico de Cosmópolis: o do mito da “cidade-dormitório”, que já abordamos na introdução. Independente da hipótese aqui lançada da cidade ser ou não, efetivamente, uma cidade-dormitório, é intrigante o fato de seus moradores, identificá-la como tal. Significa que a própria população reconhece sua cidade como uma espécie de meia-cidade, uma cidade noturna, transitória ou incompleta.

A Cidade de quem passa sem entrar é uma; é outra para quem é aprisionado e não sai mais dali; uma é a cidade à qual se chega pela primeira vez, outra é a que se abandona para nunca mais retornar; cada uma merece um nome diferente; talvez eu já tenha falado de Irene sob outros nomes; talvez eu só tenha falado de Irene (CALVINO, 1991, p. 115).

Podemos reconhecer aqui uma questão relacionada com a identidade da cidade, com a maneira pela qual seus cidadãos a vêem, e a reconhecem. Também está relacionada com a “expectativa” de cidade, ou seja, o que cada habitante acredita importante para uma cidade e que Cosmópolis não tem. Pretendemos demonstrar em nossa análise, somados à abordagem histórica da introdução que Cosmópolis possui as características de uma cidade completa, embora pequena, e suas relações de subordinação a municípios maiores ou mais ativos não parecem ser de caráter indispensável. São simplesmente relações de acomodação e de usufruto da cidade e seus habitantes ao sistema metropolitano, mais por opção do que por necessidade. Afinal, a nossa pequena “cidade-cosmos” tem uma legítima história de pouco mais de um século; as circunstâncias multi-étnicas de sua fundação emprestaram-lhe o sugestivo nome; a colônia suíça deixou legados arquitetônicos na cidade; o núcleo não está conurbado e ocupa um espaço destacado e conformado pelos seus três córregos; teve e tem função agrícola definida até os dias de hoje. Pretendemos apontar também as peculiaridades de seu sítio urbano e algumas das potencialidades que mencionamos na introdução. O caminho para fomentar o sentimento de identificação do homem com o seu território passa, necessariamente, pelo maior conhecimento do mesmo, dos seus detalhes, das suas sutilezas, da fauna, da flora, dos elementos da natureza, e do meio humano construído sobre o sítio. Depois é preciso vivenciá-lo e aprender a olhar para ele, com o olhar constante de quem cuida. Acreditamos que reabilitar as bacias com o enfoque no lazer e saúde, proposta deste trabalho, seja um pequeno passo nesse sentido.


2.1 Panorama Geral

      1. Situação e Localização

Cosmópolis está situada na borda da depressão periférica do Estado de São Paulo, a 47o11’ oeste e a 22o37’ sul de Greenwich, aproximadamente 39 km a noroeste da cidade de Campinas e 138 km da capital. O município faz divisa com as cidades de Paulínia e Americana, ao sul; Limeira e Artur Nogueira, a norte; e Holambra, a leste (Figura 2.1).
A extensão territorial do município é de 154,73 km² com uma altitude média de 652m. O rio Jaguari, afluente do Piracicaba, corta a porção sul do município, sendo que todo o município está inserido em sua bacia3. As rodovias estaduais SP332 e SP133 ligam Cosmópolis a Paulínia, Artur Nogueira, e Limeira.
Sua situação, embora inserida no contexto da Região Metropolitana de Campinas, está fora dos principais eixos de circulação do estado. O importante eixo da via Anhanguera não cruza o município, embora atravesse os municípios vizinhos de Americana e Limeira. Essa posição de certa forma permite a Cosmópolis certo grau de preservação de seu núcleo do forte processo de conurbação que ocorre ao longo desses eixos. Por outro lado, a vizinhança com Paulínia e a posição de seu parque petroquímico junto aos limites de Cosmópolis gera um forte vetor de interesses econômicos nessa porção sudeste do município.
Fig. 2.1. Posição do município de Cosmópolis, na Região Metropolitana de Campinas e no Estado.


2.1.2 Aspectos Sócio-Econômicos

Da área de 154,73 km2 do município, 7.000 hectares (70 km2, 45% da área total) são ocupados pela cultura de cana de açúcar. Além da cana, em menores proporções, há o cultivo de algumas espécies frutíferas e culturas de rotação; na produção pecuária, destaca-se pequena criação de aves e bovinos. A atividade industrial tem surgido como alternativa econômica à agroindústria, com algumas indústrias químico-farmacêuticas, mas ainda é pequena.


A agricultura e as indústrias da região propiciam uma alta rotatividade de pessoas em Cosmópolis. As chamadas épocas de “safra” (para a agricultura) ou de “parada” (para a indústria) utilizam mão de obra de migrantes, e estimulam as atividades de alimentação e hospedagem, e também o setor imobiliário. Pela Figura 2.1, verificamos que o setor agropecuário é ainda bastante presente em Cosmópolis, o que aproxima o seu perfil ao de Santo Antônio de Posse, Artur Nogueira e Monte Mor, mas não ao da cidade-dormitório Hortolândia. No Apêndice I o Quadro 2.1. mostra a distribuição das empresas conforme o ramo de atividade.


Figura 2.2 - Distribuição do emprego conforme setor econômico.

Fonte: Ministério do Trabalho; Relação Anual de Informações Sociais, 2000.

Tabela construída com base no Sumário de Dados da Região Metropolitana de Campinas, documento em versão digital, Edição 2002.




O comércio e a atividade de reparação são atividades formais de maior significância no município4, seguida das de alojamento e alimentação; indústria de transformação e de transporte, armazenagem e comunicações. As atividades relativas ao setor imobiliário (venda e locação) e prestação de serviços às empresas também são relevantes. Segundo a pesquisa anual do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE (RAIS) em 2003 foram contabilizados 6.650 empregos ofertados nos diversos setores (agricultura, indústria, comércio, serviços, entre outros), entretanto, os dados do IBGE (Censo Demográfico) revelam que 9.219 trabalhadores informaram trabalhar formalmente em 2000, além de 5.298 pessoas se enquadram como trabalhadores informais5. Pode-se concluir que, com a ressalva de se comparar pesquisas distintas de anos próximos, grande parte dos trabalhadores deve se deslocar do município para o trabalho em municípios vizinhos. Esse fato por si só não sustenta o “mito” da cidade-dormitório. Realmente aponta para um fator de atenção se a preocupação for o crescimento econômico da cidade, uma vez que Cosmópolis situa-se numa faixa de pouco emprego relativo à sua população total. Embora distante dos menos de 10% da cidade-dormitório como Hortolândia, o índice de 14,92% está abaixo da média da Região Metropolitana de Campinas (RMC) de 22,25%, e a equipara aos municípios de Monte Mor e Artur Nogueira.





Figura 2.3 - Índice de empregos formais em relação à população residente.

Fonte: Ministério do Trabalho; Relação Anual de Informações Sociais, 2000.

Tabela construída com base no Sumário de Dados da Região Metropolitana de Campinas- R.M.C., documento em versão digital, Edição 2002.


Com relação à “riqueza” da cidade, o orçamento municipal de Cosmópolis tem bons resultados se o compararmos com outras cidades da Região Metropolitana de Campinas - RMC, levando-se em conta seus tamanhos relativos. Na Figura 2.4, observamos que o orçamento relativo do município ultrapassou praticamente o de três outras cidades no período de 1995 a 2000: Artur Nogueira, Pedreira e o da cidade-dormitório de Hortolândia, este em queda acentuada. Na verdade, o orçamento relativo de Cosmópolis tem se mantido estável na faixa de R$ 700,00/habitante, o que pode indicar indica um crescimento econômico em sincronia com o crescimento populacional o que de novo vai de encontro com o “mito” da cidade-dormitório, onde o crescimento populacional sempre é mais rápido do que o crescimento econômico (vide Figura 2.6).


Figura 2.4 - Evolução da relação relativa entre orçamento municipal e população residente, de 1995 a 2000. (Valores atualizados pelo IGP-DI)

Fonte: IBGE, Prefeituras Municipais Fundação Seade e Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.

Tabela construída com base no Sumário de Dados da Região Metropolitana de Campinas, documento em versão digital, Edição 2002.

Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (2003), a frota total de veículos do município é de 16051 veículos sendo que 565 são caminhões (3% da Frota), 1322 são camionetes (8% da Frota) e 10248 são automóveis (64% da Frota – equivalente a um veículo para cada quatro pessoas). Cosmópolis e a vizinha Artur Nogueira já sofrem com a criminalidade crescente na Região Metropolitana. O índice de furto de veículos, em relação à população residente, está em um patamar um pouco acima da média dos outros municípios da RMC. Entretanto, o índice de tentativa de roubo de veículos, um delito mais violento, está dentro da média geral o que contrasta com os índices de Monte Mor e Hortolândia, que talvez recebam influência mais direta da dinâmica de criminalidade da cidade de Campinas. (Figura 2.5)





Figura 2.5 - Índice de tentativa de furto/roubo de veículos em relação à população

residente, por município, em 2000.

Fonte: Secretaria da Segurança Pública e Fundação - Seade.

Tabela construída com base no Sumário de Dados da Região Metropolitana de Campinas,

documento em versão digital, Edição 2002.






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