A recepçÃo de josé carlos mariátegui no brasil: ausência e presençA



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A RECEPÇÃO DE JOSÉ CARLOS MARIÁTEGUI NO BRASIL: AUSÊNCIA E PRESENÇA

Gláucia Tinoco

RESUMO: O presente artigo aborda a recepção das ideias do escritor marxista peruano José Carlos Mariátegui no Brasil. Trata de delinear as possíveis causas de sua ausência ao longo dos anos no pensamento marxista brasileiro. Dentre as causas, se elenca a forma como se deu a introdução do marxismo no país, associada a uma visão positivista. Discute as ideias que alicerçavam o PCB, principal partido de esquerda do país, nos anos de sua fundação, que se coadunavam às concepções da III Internacional Comunista. Trata também do distanciamento do Brasil em relação à América Latina e vice-versa, examinando o contexto brasileiro, algumas ideias de Mariátegui e sua presença em discussões atuais.

Palavras-chave: Recepção de ideias, José Carlos Mariátegui, Marxismo.

ABSTRACT:

The current article is about the reception of ideas of the Peruvian Marxist writer José Carlos Mariátegui in Brazil. It initially tries to point out the possible causes of his absence along the years of Brazilian Marxist thought. Among the causes, it presents the way how the Marxism was introduced in the country, associated to a positivist view. It discusses the ideas which based the PCB, the main left wing party in Brazil, in its foundation years, connected to the II International Communist conceptions.

It also compares the intellectual preponderance of European countries and the USA in the Brazilian social way of thinking. Of the detachment of Brazil related to Latin America and vice versa, examining the Brazilian context, some of Mariátegui ideas and his presence in current debates.

Key words: Reception of ideas, José Carlos Mariátegui, Marxism.

Introdução:

A recepção das ideias marxistas no Brasil se deu desde o início, no século XIX, de modo problemático. Todavia, isso não foi impedimento para a inserção de concepções de marxismos de cortes diversos. Parte da intelectualidade do país, bem como os partidos de esquerda, procuraram refletir sobre a realidade social, política, econômica e cultural brasileira utilizando-se de teorias, conceitos, noções e categorias de análise sucedidas de correntes marxistas tais como: as leninistas, as trotskistas, as stalinistas, as gramscianas, as lukacsianas, dentre outras. Havia, pois, uma preponderância de visões desenvolvidas na Europa. Diferentemente, as correntes marxistas de origem latino-americana detinham uma posição secundária nas investigações acerca da realidade brasileira.

Dentro do Partido Comunista Brasileiro, a razão da ausência de visões latino-americanas, pode ser explicada pelo fato da forte influência da III Internacional Comunista. Que baseava suas análises em visões positivistas e esquemáticas acerca da realidade social. Limitando dentro do seu quadro intelectual, o que deveria ser lido, os autores que melhor representavam a ortodoxia de Moscou. Além disso, a Internacional Comunista promoveu um engessamento no que tange à perspectiva de um modelo revolucionário democrático-burguês. Modelo que estava alicerçado na realidade europeia, o que impediu uma visão condizente com nosso contexto histórico-social. (Costa e Clemente, 2012). Dessa forma, a ascendência de um ponto de vista europeu imperou entre as esquerdas nacionais, desde antes da fundação do PCB, em 1922, em função da forma como se deu a recepção do marxismo no Brasil. E se acentuou mais com a presença do Partido Comunista Brasileiro. O que durou mais fortemente até os anos 1960, quando através das políticas culturais do Partidão se abriu um espaço, ainda que limitado, para correntes marxistas mais críticas. Próximas do chamado Marxismo Ocidental representado por autores como Georg Lukács, Antônio Gramsci, Walter Benjamin, dentre outros, como também do marxismo do peruano José Carlos Mariátegui.

Havia além da força ideológica do PCB, a falta de integração cultural e um afastamento mútuo entre o Brasil e a América Latina, (Bethell, 2009; Morse, 2011) e a prevalência de modelos consolidados de bens culturais, provenientes dos Estados Unidos e da Europa Ocidental (Costa e Clemente, 2012)1

na academia2, as ciências sociais passam a fazer uso de ideias marxistas a partir do seu desenvolvimento nos anos de 1930 e 1940, sobretudo destes últimos (Souto Maior, 2006). Nos trabalhos elaborados por autores como Antônio Cândido e Florestan Fernandes, a presença de concepções marxistas ganha contornos significativos e a relação entre as duas formas de conhecimento levanta uma questão a ser discutida. A saber, a possibilidade de se utilizar um instrumental marxista para se fazer análises sociológicas tendo como foco a realidade brasileira.

As ciências sociais e o marxismo surgem com o objetivo de explicar a formação e o desdobramento do capitalismo (Lukács, 1958; Netto, 1978). Aquela se desenvolveu, inicialmente, ancorando suas análises em ideias evolucionistas e positivistas. Isso fez com que a sociologia adquirisse a antipatia de grande parte dos marxistas: para esses a sociologia buscava dar sustentabilidade a certas instituições sociais, como o Estado e a Igreja. Todavia, a ideia corrente no meio marxista de que as ciências sociais representam uma ciência ideológica, no sentido de uma falsa consciência3 é a primeira vista limitada. Isso porque nem toda forma de explicação sociológica partilha de uma visão de mundo fragmentada e alicerçada em formulações de tipo positivista. Reprodutora de ideias que buscam a permanência de determinadas instituições conservadoras, como as duas anteriormente citadas.

Apesar de aquela relação ter sido problematizada, é necessário reconhecer que o marxismo esteve presente nas investigações das ciências sociais e o estudo da sociologia por marxistas também foi efetivado, (Lukács, 2002). Basta recorrer a trabalhos realizados por marxistas de importância expressiva para as Ciências Sociais, como Georg Lukács, Lucien Goldmann e Tom Bottomore para se perceber como a discussão entre ambas as formas de entendimento da realidade se encontram arroladas.

A relação entre as duas muitas vezes é tensa e isso fica evidente, por exemplo, ao se recorrer ao argumento de Lukács para explicar sua recusa à sociologia. De acordo com ele, grosso modo, esta representa uma forma de conhecimento burguesa, pois atrelada à visão de mundo que busca a preservação do status quo capitalista. Já para Bottomore (1988), a questão é vista de maneira diferenciada da de Lukács. Segundo aquele, o marxismo e a sociologia podem e devem discorrer e estabelecer um diálogo de contribuições mútuas para o entendimento da realidade social.

No Brasil, essa relação aparece de forma evidente nos trabalhos de Florestan Fernandes, Otávio Ianni, Renato Ortiz, dentre outros. De fato, a sociologia brasileira recorreu, em alguns momentos, aos usos e aplicações de categorias marxistas para compreensão da realidade do país, sobretudo nas décadas de1950, 1960 e 1970, quando autores como Karl Marx, Friedrich Engels, Vladmir Lênin, Agnes Heller e Louis Althusser passaram a ser discutidos nas Universidades brasileiras (Fernandes, 1977).

Mas é nos anos de 1940 e 1950 que o marxismo começa a ser introduzido no pensamento social e a obra de Karl Marx passa a ser discutida em grupos, como ‘Para Ler o Capital’, articulado na USP em 1958 por José Arthur Gianotti (Arantes, 1995; Souto Maior, 2007). Nos anos de 1960, a relação entre marxismo e pensamento social adquire uma nuance: o questionamento de sua validade nas análises sociológicas que procuravam entender e explicar a realidade brasileira. É nessa fase quando se verifica uma perspectiva profundamente ancorada na problematização da cultura brasileira que as ideias de autores ligados ao Marxismo Ocidental apresentam-se como alternativa para explicar a realidade cultural do país.

Quase de modo concomitante, nos anos 1970, o pensamento marxista latino-americano de Mariátegui ganha o primeiro impulso na divulgação de seus escritos. Sete ensaios de interpretação da realidade peruanai (1975) sai pela editora Alfa Ômega, com um prefácio de Florestan Fernandes (Pericás, 2010). Nos anos 1980, Michael Lowy, lança um livro intitulado “Marxismo na América Latina”, em que mostra o lado literário e cultural conseguindo relacionar o marxismo de Mariátegui à sua militância política. O referido autor ganha contornos analíticos mais robustos. Ademais, através da figura de João Pedro Stedile, membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais puderam ler sobre o peruano e tentar entender questões mais locais com aspectos globais.

Não obstante, o que se percebe é a existência de enormes dificuldades acerca da introdução do pensamento, tanto entre as esquerdas como no meio acadêmico, daquele que é considerado o marxista latino-americano mais original (Löwy, 2011, Fontes, 2011, Pericás, 2010). E isso num período em que outras concepções marxistas advindas da vertente ocidental, como o pensamento de Antônio Gramsci e de Georg Lukács fizeram-se presentes e puderam contribuir para reflexão no que tange à realidade brasileira. (Konder, Chasin, Lowy,Coutinho).

O que nos interessa aqui, especificamente, é delinear as causas prováveis da introdução tardia do pensamento de José Carlos Mariátegui.

O texto foi dividido em quatro sessões que procuram delinear algumas das ideias aqui apresentadas. O que poderá parecer um tanto quanto esquemático e estanque, porém o objetivo é o de pontuar os temas separadamente a fim de dar mais ênfase à exposição das concepções adotadas.



Quem foi José Carlos Mariátegui?

Nascido em Moquegua, Peru, em 1894, José Carlos Mariátegui era filho de uma mestiça com um criollo. Ainda na infância sofre um acidente na perna que o deixa com limitações permanentes e que o levarão a morte aos 36 anos, em 1930. Na juventude trabalha como ajudante numa gráfica. Anos depois se torna jornalista. Em função de sua postura crítica frente ao governo peruano, em 1919 é forçado a aceitar uma bolsa de estudos na Europa. Radicado na Itália, se aproxima dos escritos de Antônio Gramsci e se aprofunda no marxismo. Sua estada na Europa mostra-se bastante fecunda. Lá presencia os acontecimentos em torno da Revolução Russa, do fascismo e da formação de grupos proletários e suas atividades na Itália. Aproxima-se ainda do socialismo romântico de George Sorel, do marxismo de Vladmir Lênin, da filosofia de Friedrich Nietzsche e da psicanálise de Sigmund Freud.

Ao voltar para o Peru em 1922, dá inicio a sua fase intelectual mais fecunda. Temas como a questão indígena, questões acerca da filosofia marxista e de aspectos artísticos e literários ganham proeminência. Diferentemente do que se pregava entre os partidários da III Internacional Comunista, Mariátegui não aplicava diretamente as teorias desenvolvidas no contexto europeu para investigar a realidade peruana. Além de criticar o revisionismo que imperava no seio do marxismo. Donde se encontra um dos seus diferenciais.

Mariátegui, de modo inovador procura utilizar o referencial teórico europeu - sabendo das impossibilidades de se afastar dele e ao mesmo tempo enaltece sua relevância para o pensamento ocidental. Assim articula-o ao contexto histórico do Peru. Ao atentar para o fato de que a maior fatia populacional era composta por índios, reflete acerca do socialismo possível para o seu país. Este socialismo deveria inserir o índio. Aos socialistas importava apreender as características do Peru e organizar o operariado, o campesinato e os indígenas, para assim articular um partido socialista. Este que será fundado em 1928. Antes, porém, em 1926 funda a Revista Amauta, que consegue ultrapassar as fronteiras do mercado editorial do Peru. Ela foi responsável pela publicação de autores marxistas heterodoxos, tais como, Vladimir Maiakovski, Máximo Gorki, Nicolai Bukharin, George Plekanov, Léon Trotsky, George Sorel bem como, intelectuais do porte de Pablo Neruda, Sigmund Freud, José Vasconcelos, dentre outros contribuindo para a divulgação do marxismo no continente.

Para seu fundador, Mariátegui, a cultura incaica havia deixado marcas indeléveis sobre a organização social indígena. A saber, a obediência ao dever social e o trabalho comunitário. Um lastro do comunismo primitivo caracteriza essa população. Todavia, esse comunismo diferencia-se do ocidental. O autor peruano não pensava numa volta ao comunismo incaico, mas em uma articulação com as concepções da filosofia marxista. (Fontes, 2011).

Alicerçado nessas ideias, escreve em 1928, sua obra mais importante, “Sete Ensaios sobre a realidade perunana” (2012). Nela aponta para a necessidade de analisar o Peru na sua integralidade. O que significa articular a herança hispânca, incaica e ocidental. Percebe que o problema do índio era econômico e social e que os responsáveis por regular esse problema deveria ser o próprio índio. Aborda ainda os problemas provenientes do feudalismo, da herança feudal presentes no Peru. Do imperativo socialista na América Latina. E que esse fosse efetivado mediante uma criação heroica, não como uma reprodução do socialismo europeu e da revolução democrático-burguesa, não aplicável ao seu país. Para os peruanos, a esperança indígena era de fato revolucionária.

Em função de algumas de suas assertivas heterodoxas que tinham um lastro romântico, Mariátegui fora duramente criticado pela Internacional Comunista. O romantismo, como analisa Michel Löwy (2011) poderia ser caracterizado, em linhas gerais, como uma retaliação cultural ao capitalismo moderno e um desejo de resgate de elementos encontrados nas sociedades pré-capitalistas. Ainda de acordo com ele, a partir da morte de Marx ocorreu uma divisão dentro do marxismo. De um lado, se desenvolveu uma perspectiva positivista e evolucionista que percebia o socialismo como desdobramento da sociedade industrializada, adotando, todavia, uma economia planificada. E a outra perspectiva que se baseava numa crítica às promessas do progresso reivindicando “uma dialética utópico-revolucionária entre o passado pré-capitalista e o futuro socialista”. (Idem, 2012:10). Esta perspectiva fora chamada de romântica. É essa linha a adotada por autores do chamado marxismo ocidental4, em que Mariátegui está incluído.

De acordo com Löwy (2012)5, as escolhas teóricas de Mariátegui, como George Sorel, suas propostas socialistas e a volta de mitos heroicos, sugerem indiscutivelmente sua associação à visão de mundo romântico-revolucionária. A crítica ao positivismo, ao evolucionismo e ao materialismo esquemático, que preponderava nos anos 1920, eram duramente combatidos pelo peruano (Mariátegui, 2011: 191-226). Como já mencionado esse romantismo que destoava da herança da II e da III Internacional Comunista representou um dos motivos mais fortes para o rechaçamento de Mariátegui não apenas no Peru, mas no seio do Comunismo que adotava a ortodoxia moscovita.

Em 1929, a Internacional Comunista passa a intervir com mais força na América Latina. Chama a atenção do comunismo empreendido no continente e acusa seus integrantes de executarem um comunismo provinciano. A IC receava, segundo suas indicações, uma aproximação dos partidos socialistas com o Estado burguês e uma possível adoção do fascismo (Pericás, 2010). O endurecimento vindo de Moscou fez com que integrantes dos partidos comunistas latino-americanos fossem censurados e até mesmo apartados dos partidos que integravam.

Somente a partir de 1930, após a sua morte, Mariátegui é aos poucos retomado e sua importância restabelecida, entre os membros do Partido Comunista Peruano. Consequentemente, a difusão e retomada das ideias dele na América Latina sofre um processo de abertura, mesmo que modo tímido e lento e ainda travando embates com a ortodoxia da III Internacional.



O Partido Comunista Brasileiro e o Marxismo

Para que se possa entender as dificuldades de introdução do pensamento de José Carlos Mariátegui no Brasil é necessário apreender o processo de formação de uma cultura marxista e de como se configurava o PCB. Toma-se aqui, não apenas os ditames do Partidão na condução de diretrizes intelectuais, que estavam em consonância com a IC, mas entende-se que o problema se remete aos primórdios da presença marxista no Brasil. O marxismo que se fez presente foi desde os seus primeiros lampejos, problemático.

As primeiras investidas do marxismo no Brasil datam de fins do século XIX e início do século XX, quando a presença deste atrelava-se ao socialismo. A definição do termo nos revela a forma como a relação entre marxismo e socialismo foi estabelecida.

No nosso país, ele findou sendo usado pela intelectualidade como ‘socialismo marxista’. Grosso modo, difundiu-se, no Brasil, uma visão que partia de autores provenientes da tradição evolucionista, como Herbert Spencer e Charles Darwin, e da positivista, representada por Augusto Comte.

O ambiente intelectual brasileiro estava propício para que os delineamentos teóricos de Karl Marx adentrassem no país, por vias cientificistas e positivistas. Como consequência, houve uma confusão acerca da leitura e da interpretação do material bibliográfico que aqui chegava. Daí se acredita que essa conjuntura facilitou o desdobramento de um tipo de marxismo equivocado, que, ao vincular, diversas vezes, ideias das duas correntes citadas, reforçou a opinião de um determinismo e de um economicismo em primeira instância, difundido tempos depois pela intelectualidade brasileira também nas Universidades. Isso facilitou a criação de um segmento intelectual, que tendia a ler Karl Marx, fundamentado por uma ótica já pré-estabelecida e errônea.

Além disso, a chegada de textos de vulgarização contribuiu para a permanência daquele marxismo frouxo (Batalha, p.14). O que é bem plausível, visto que, mesmo na Europa, onde nasceu Karl Marx, a difusão de suas concepções fora difícil de se concretizar e de ser apreendida (FILHO MORAES: 2007; KONDER, 2009).

Aqui, o nome de Marx foi apresentado por meio da contribuição do socialismo francês de Benoit-Mâlon, um dos implementadores da Associação Internacional na França. Conhecido no Brasil por ser um dos principais teóricos do socialismo. Acrescida à ótica positivista, a recepção do marxismo aqui se realizou também por meio de traduções francesas, que em algumas ocasiões pecavam pela incompreensão sobre concepções marxianas. Segundo Carone (1986:29), “na verdade, ninguém havia lido profundamente, estudado ou se dedicado ao marxismo”.

Nesse mesmo período, na metade do século XIX, se dá a chegada de levas de imigrantes europeus, solicitados para o trabalho agrícola. Com alguns deles, chegaram ideias socialistas e noções da figura de Marx. Somente a partir da Revolução Russa, em 1917, a introdução de concepções marxianas começam a ser inseridas por outra via. Nos círculos positivistas, influenciados pelo socialismo e nos anarquistas, surge o interesse pelo comunismo. Contudo, mesmo com a repercussão da Revolução de 1917, e os novos adeptos do comunismo, é legítimo afirmar que, até o decênio de 1920, Marx e Engels eram pouco conhecidos no Brasil. Não havia pessoas realizando investigações sobre o país que utilizassem um referencial marxiano.

Em relação ao contexto histórico e social, se pode afirmar que existiam interesses de grupos políticos em difundir as ideias positivistas, já que estes atendiam as demandas de parte da sociedade local burguesa. A ideia crescente de desenvolvimento econômico, político e social e o fortalecimento do progresso eram pautas desse estrato social.

A contextualização, a urbanização e a modernização alteraram o ambiente social brasileiro. Em meio à transição da sociedade urbano-industrial, se intensificaram filosofias políticas como o marxismo.

Os anos compreendidos entre 1914 e 1920 foram basilares para os desdobramentos políticos das esquerdas e das camadas sociais brasileiras, sobretudo as pertencentes aos setores mais pobres.

As disputas entre os anarquistas, em 1920, sobre as ações políticas e posturas dos bolcheviques resultaram numa divisão dentro da própria ala política: de um lado, estavam os anarquistas, que simpatizavam com o partido comunista russo; e do outro, os que eram terminantemente contrários ao comunismo-marxista e defendiam o comunismo anarquista sem o elemento federativo do Estado.

As disputas entre anarquistas e com os socialistas foram se agravando, favorecendo a criação, também em 1922, do Partido Comunista do Brasil. Este era composto por ex-anarquistas e alguns socialistas. Eram 70 partidários no país, que objetivavam a organização política do proletariado em torno de um partido de classe. A finalidade era a mudança do sistema capitalista para o comunismo, aos moldes do implantado na Rússia.

Todavia, o comunismo atravessava um momento de reavaliação e de rompimento “teórico- prático com o reformismo social democrata (e sua inspiração positivista)” (DEL ROIO, 2007:27), com ecos também no Brasil.

É no contexto de industrialização, crescimento do proletariado, revoluções internacionais que as esquerdas brasileiras estavam se consolidando. As camadas operárias e intelectuais ainda não dispunham de ferramentas apropriadas (acesso a textos marxianos, maturidade política, interpretações sobre o Brasil de base materialista dialética, atividades reivindicatórias ordenadas) para se desenvolver politicamente, na práxis, e realizar reflexões acerca da nossa realidade.

O passo tomado pelo PCB, no sentido de examinar nossa realidade à luz do marxismo, começa a se desdobrar, embrionariamente, na metade dos anos 1920, por meio de Otávio Brandão, um de seus dirigentes. Ele escreve “Agrarismo e industrialismo” em 1926. Os contornos mais fortes de uma produção mais inovadora vai se efetivar, contudo, nos anos 1960. O que não significa dizer que inexistisse no país uma produção intelectual de base marxista que analisasse a realidade brasileira. Caio Prado Júnior, Nelson Wernek Sodré, Florestan Fernandes, dentre outros são exemplos disso. Entretanto, a postura mais acurada em que a dialética é concretamente posta em evidência e as posturas evolucionistas rechaçadas, se dá com mais força a partir do marxismo ocidental, do qual Mariátegui fazia parte. Esse marxismo passa a ser conhecido com mais propriedade, a partir de fins dos anos 1950, no processo de amadurecimento da nossa intelectualidade. Florestan terá um papel de destaque na ação de difusão intelectual do marxismo ocidental e de Mariátegui.

Na época ditatorial, de 1964, as alterações no escopo do PC e, consequentemente do PCB, impeliram a abertura da crítica cultural. Mas não a política strictu sensu. Além de não haver espaço para uma posição dentro do partido que envolvesse a apreciação de suas ideias centrais, não se podia criticar o governo de modo explícito.

Apesar de todas as dificuldades foi através de intelectuais ligados às esquerdas que se tornou possível o acesso a pensadores atuantes (marxistas da práxis), como Antônio Gramsci e Georg Lukács nos anos 1960. Os intelectuais de esquerda, em sua maioria, compunham a vanguarda cultural do partido comunista brasileiro.

No final dos anos 1960 o marxismo nacional vai passar a se caracterizar por uma necessidade de revisão das táticas empregadas e de uma retomada da teoria marxista por intermédio de diversas corrente marxistas brasileiras.

Nas universidades, a configuração dos primeiros elementos distintivos do processo de institucionalização atrela-se fortemente ao contexto histórico-social e político-cultural observados, inicialmente na década de 1930, e que se estenderam aos anos da ditadura militar em 1964, (Werneck Sodré, 2003). A aceleração do desenvolvimento das relações capitalistas e as desigualdades regionais se acentuam; o campo atrasado e a cidade desenvolvida marcam uma fase em que o processo de institucionalização das Ciências Sociais e seus desdobramentos indicam não só as temáticas adotadas pelos intelectuais, mas também as diferenças que essas temáticas explicitam. Entre elas, uma distinção regional que baliza os trabalhos acadêmicos e viabiliza distinções entre os centros de produção de conhecimento no Brasil.

As concepções teóricas europeias, que eram preponderantes antes da Segunda Guerra Mundial no contorno das Ciências Sociais brasileiras, perdem espaço para as influências vindas dos Estados Unidos. É a potência político-econômica “colonizando” boa parte da intelectualidade brasileira e trazendo formas de pensar as sociedades, a partir de um modo de análise distinto do europeu.

Como visto, a base esquerdista e acadêmica brasileira precisava realizar esforços para afastar o colonialismo que limitava e circunscrevia a capacidade crítica da intelligtsia nacional. A presença e muitas vezes decalque de modelos explicativos vindos da Europa ocidental e dos E.U.A. e a aceitação das coordenadas estabelecidas pela Internacional Comunista atrasou, em muitos casos, as escolhas de autores que poderiam apontar para análises mais condizentes com a realidade brasileira. A exemplo do pensamento latino-americano, mais especificamente o de José Carlos Mariátegui. A partir dos anos 1960, mesmo em meio às dificuldades encontradas na sociedade brasileira, e também em função do contexto ditatorial, uma fresta fora aberta para que novas explicações e análises pudessem ser elaboradas.

Mas será que a ausência do pensamento mariateguino e latino-americano pode ser atribuída apenas à herança marxista problemática, à política cultural do PCB e à preponderância do pensamento europeu e norte-americano entre a intelectualidade brasileira? Para examinar essa introdução tardia de Mariátegui é relevante atentar para a relação estabelecida entre Brasil e América Latina.

A América Latina e o Brasil

A América Latina se constitui conceitualmente, no pensamento social, a partir do século XIX, com a finalidade de justificar o imperialismo francês contra a influência dos anglo-saxões. De modo que para França, os povos latinos comungariam de aproximações culturais e linguísticas e este país, por estar à frente dos demais em termos de desenvolvimento econômico seria o seu líder. Todavia, inexiste um consenso entre os estudiosos em relação a quem primeiro fez uso do termo. Mas acredita-se que um intelectual hispânico tenha cunhado a expressão, na França, por volta de 1856. Isso sinaliza a influência exercida pela França e seu projeto imperialista, como também aponta para a disputa hegemônica já existente entre os países europeus ocidentais e os Estados Unidos pelo domínio dos países das Américas6.

Para parte considerável da intelectualidade hipano americana, sob as influências das ideias dos venezuelanos Simon Bolívar e Andrés Bello havia uma identidade entre os latino americanos que os diferenciavam dos Estados Unidos. De acordo com Bethell (2009), a Argentina, todavia, representava um caso distinto no continente. Havia uma tendência entre os argentinos da década de 1830, a exemplo de Sarmiento e Alberdi, de considerar seu país como herdeiro da civilização europeia afastado dos demais países latino americanos, representantes do atraso. De acordo com Morse (2012), isso acontecia com frequência na America latina. Havia uma rejeição por partes dos grupos políticos dominantes, uma disposição para definir como bárbaros não só povos vizinhos, como também grupos sociais de seus próprios países. Os mestiços, os índios e os afro-americanos eram exemplos dessa exclusão.

Nesse contexto, o Brasil, não era sequer citado entre os políticos e intelectuais latino-americanos. De fato, o termo América latina era usado para definir os países de colonização espanhola. O Brasil, também não se identificava como pertencente a America Latina e não participou do processo de constituição ideológica da América Latina (FARRET & PINTO, 2011; BETHELL, 2009). As diferenças linguísticas, geográficas e históricas reforçavam esse afastamento. Essa relação permaneceu firme ainda durante o Segundo Reinado. O país de dimensões continentais e com relações culturais com a França não se sentia ameaçado nem pelos Estados Unidos e nem pela França. Tratava os países vizinhos como pertencentes à América do Sul, sem desenvolver maiores laços culturais, políticos e econômicos com eles. O que não era impedimento para seus interesses fronteiriços estratégicos. O Brasil se identificava isolado dos seus vizinhos.

Nesse período, os Estados Unidos começaram a intensificar sua liderança no continente e no mundo. A Doutrina Monroe, que pregava a América para os americanos, ou seja, para eles próprios e tentava impedir a influência europeia nas Américas. Em fins do século XIX, o Brasil começa a se aproximar mais dos Estados Unidos e de suas extensões. Todavia, a influência cultural francesa era ainda bastante forte para os brasileiros letrados.

Um das causas para o não reconhecimento do Brasil entre os latino americanos residia na ideia elaborada pelos brasileiros de que seu país seria juntamente com os Estados Unidos as potencias do continente americano. Muito embora, a Argentina representasse a nação sul americana mais importante na época. E que confrontava a hegemonia dos Estados Unidos. O Brasil simpatizava com a política adotada pelos Estados Unidos, no continente, com a ideia de um Pan-americanismo e não temia seu imperialismo. Esse apoio seguiu durante as duas grandes guerras mundiais. O que favoreceu certo distanciamento que os países latino americanos tinham em relação ao Brasil. Eles temiam e criticavam o imperialismo norte-americano.

No entre guerras, nos anos 1920 e 1930, mudanças acerca da não inclusão do Brasil na America Latina, não ocorreu. Havia, pois um distanciamento mútuo. Não que não houvesse aproximações, sobretudo entre intelectuais, mas a disposição para isso era pequena. Um exemplo de aproximação pode ser dado através dos modernistas brasileiros, como Mário de Andrade, Ronald de Carvalho, etc. E de latino americanos como José Vasconcelos, José Luis Borges, dentre muitos outros.

Entre os latino-americanos, a partir dos anos 1920 surge um interesse maior pelas influências indígenas e indigenistas. Mariátegui foi um exemplo intelectual dessa valorização. Que sinalizava, de modo genérico, uma tentativa por parte da intelectualidade latina de se manter viva em meio às quedas das ideias advindas do Ocidente. (Morse, 20110). Havia uma forte preocupação entre todos do continente em forjar suas identidades. O Brasil igualmente.

De acordo com Bethell (2009: 306) foi tão somente a partir da Segunda Guerra Mundial que o Brasil foi reconhecido como parte integrante da América Latina. Pelos Estados Unidos, pela Europa, pelo resto do mundo e por parte da intelectualidade hispano americana e brasileira. Todavia, nem mesmo entre os intelectuais latino americanos, a inclusão do Brasil fora muito sentida. O mexicano, Leopoldo Zea, especialista em América latina, dedicou muito pouco de seu trabalho ao Brasil, apenas alguns textos.

Em meio aos acontecimentos mundiais de luta pela hegemonia, os norte americanos passam a deter interesse pela América Latina, em função das exigências erigidas pelo novo contexto político econômico e militar, do pós guerra. Das necessidades de um delineamento e de uma separação dos continentes e de grupos que estivessem próximos por causa das afinidades culturais, geográficas, dentre outros. Havia, pois, um empenho enorme dos Estados Unidos em se fazer presentes na America Latina, mediante organizações como a Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL), fundações de apoio a pesquisas, como a Fundação Ford. A necessidade de estudar os países pertencentes ao grupo latino americano, nos Estados Unidos também fora efetivada.

Esse interesse, porém, declinou durante a Guerra Fria. Para os Estados Unidos importava a Europa, não a America Latina. Um antiamericanismo surge, sobretudo, com as intervenções a Cuba e a contribuição com a formação de ditaduras na América do Sul. Esse sentimento ocorrera mais fortemente entre os hispano americanos.

Todavia, no Brasil, a aproximação intelectual já se estreitava, de forma tímida nos anos 1920, 1930 e se intensifica nos anos da ditadura militar. Esse interesse pela América Latina partia mais dos intelectuais ligados às esquerdas. Assim, durante o exílio de muitos no Chile, no Uruguai, no México e na Venezuela, os contatos foram estreitados e o sentimento de pertencimento aflorado.

Vê-se com isso que a exclusão mútua entre a América Latina e o Brasil pode dar indícios da dificuldade de inserção do pensamento hipânico entre os brasileiros e vice-versa. Mesmo entre os partidários das esquerdas essa relação fora efetivada com problemas. O que interessa agora é entender, em linhas gerais, como Mariátegui tratou o Brasil e se o PCB tinha conhecimento das suas ações intelectuais. Bem como os indícios de introdução do seu pensamento no Brasil, ou pelo menos da publicação de seu livro mais conhecido, nos anos 1970.

Considerações Finais: Primeiros relatos da presença de Mariátegui no Brasil.

O ano de 1928 marca o primeiro registro de que se tem notícia sobre a troca de correspondências entre Mariátegui e um intelectual brasileiro, o paulista Álvaro Soares Brandão. A primeira menção a um trabalho do peruano, data segundo Pericás (2010), de 1941 e foi escrita pelo cientista social, Guerreiro Ramos.

Nos anos 1940, uma ausência é sentida em uma das obras de Leôncio Basbaum, dirigente do PCB, sobre o materialismo, a de trabalhos de Mariátegui. Mesmo sendo conhecido pelos partidos comunistas da região, os trabalhos do peruano ao que tudo indica passaram despercebidos pelos membros do PCB. Possivelmente, em função do interesse que se tinha pela literatura latina americana e também em acordo com as diretrizes da Internacional Comunista. Além da falta de obras marxistas, e como já mencionado, dos problemas que cercaram a introdução e apreensão do marxismo no país. Assim, as ideias mariateguianas, não eram conhecidas no PCB, sua figura política, sim.

Nos anos 1960, Nelson Werneck Sodré ao ministrar um curso no Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB) adotou como parte da bibliografia, os Sete Ensaios de interpretação da realidade peruana. De acordo com Pericás (Idem), Sodré foi ao que tudo indica, o primeiro marxista brasileiro a fazer uso de uma obra de Mariátegui de modo ordenado.

É tão somente nos anos 1970 que se dá a publicação da primeira obra de Mariátegui no Brasil. Os Sete ensaios de intepretação da realidade peruana, sai pela editora Alfa Ômega, em 1975, prefaciada por Florestan Fernandes. Com essa publicação abriu-se a possibilidade do público brasileiro conhecer o peruano.

De modo que no mesmo período alguns intelectuais acadêmicos e outros ligados somente às esquerdas descobrem o peruano mesmo que através da edição em espanhol dos Sete Ensaios. José Pedro Stedile que viria se tornar o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Michel Löwy, José Paulo Netto, nos anos 1980, dentre outros.

Nos anos 1990, Florestan Fernandes, a partir de uma análise da crise do socialismo alude para a relevância e vivacidade das ideias mariateguianas e o coloca como opção indiscutível dentro do movimento e para o marxismo.

Desde então houve uma crescente em termos de publicação, de reedições e de trabalhos desenvolvidos tomando como referencia as concepções de Mariátegui, no Brasil. Segundo Costa & Clemente (2012), essa descoberta se deve em razão das problemáticas não resolvidas pelo neo liberalismo no país. Além, como já apontava Florestan, da derrocada do socialismo, das reflexões dentro do marxismo. E de uma tentativa de tomar como parâmetro exames robustos que não representavam decalque dos modelos da Europa ocidental. Nesse sentido, o pensamento mariateguiano apresenta muita originalidade.

A editora Expressão Popular ligada ao MST reeditou em 2010, Sete Ensaios; Michel Löwy prefaciou a reedição de Por um socialismo indo-americano;a editora Boitempo tem se dedicado a reeditar alguns trabalhos do peruano, como Defesa do Marxismo e Do sonho às coisas; a Editora Xamã publicou textos de Mariátegui sobre educação, além de trabalhos pioneiros de Luiz Bernardo Pericás sobre sua recepção no Brasil.

E em relação ao Brasil, como agia Mariátegui? De acordo a literatura adotada aqui, inexistem indícios de um contato diferenciado do que fora travado por intelectuais e a esquerdas brasileiras por parte do peruano. Em abordagem acerca da unidade da América Indo-Espanhola, Mariátegui (2011) considera como América Latina, os povos hispânicos. A quem ele atribui uma proximidade retórica e também histórica. Para ele, a expressão Indoamérica era mais apropriada e adotada nos escritos de 1924 e 1928 sobre a “Nossa América”. Assim como os relatos acerca dos acontecimentos que ocorriam no mundo, não dedicou atenção ao Brasil, nem ao menos ao movimento modernista, a Coluna Prestes, etc. Ademais, os contatos travados entre Mariátegui e os comunistas brasileiros fora espaça. O que se sabe (Pericás, 2010), entretanto é que apesar da preocupação e contato incipientes, o peruano pretendia certa aproximação com os intelectuais brasileiros, sobretudo, os do modernismo, mas não com os do partido comunista.

O que se pode perceber é que a ausência do pensamento de Mariátegui no Brasil, não destoou da formação intelectual brasileira, de forte aproximação com a França e posteriormente com os Estados Unidos. Havia uma prevalência colonizadora e nos meios de esquerda, uma fragilidade em termos de apreensão do pensamento marxista. Desde o início, cheio de vieses positivistas e esquemáticos. Além disso, a Internacional Comunista não aprovava pensadores que questionavam suas diretrizes intelectuais, da ideia de uma revolução etapista e do modo crítico de pensar a realidade de cada configuração histórica, política, econômica e cultural, dos países não europeus. Outro fator que pode indicar a ausência de Mariátegui no país incide sobre a exclusão mútua, o não reconhecimento do Brasil como pertencente à América Latina e do próprio Brasil que não se reconhecia como parte integrante desta.

O interesse recente sobre as ideias de Mariátegui também parece se conectar com o contexto local e mundial. Com a revisão teórica do marxismo, com a necessidade de formas de análise mais condizentes com a realidade do país, com o amadurecimento intelectual do pensamento brasileiro de esquerda e com a proximidade que o país estabeleceu com as demais nações latino-americanas nas últimas décadas, se tornando um dos seus principais representantes.

A inserção das ideias mariateguinas entre a intelectualidade brasileira pode gerar exames ricos acerca da realidade nacional, como também oferecer uma investigação robusta sobre o Peru. Questionado sobre os livros que ele considerava relevantes para serem divulgados, Mariátegui (2011:99) respondeu: “Todos os que encerram uma verdade profunda; todos os que traduzam uma fé apaixonada e criadora; todos os que não sejam puro diletantismo ou esnobismo”. E que assim seja.

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1 É importante ressaltar que o presente artigo se inspirou nos trabalhos elaborados por Pericás (2010) e Costa e Clemente (2012). Ambos os artigos são leituras importantes para aqueles que estudam a recepção de José Carlos Mariátegui no Brasil. Destacam linhas de investigação, algumas adotadas aqui. Sobretudo o que diz respeito ao papel desempenhado pelo PCB, no que tange a ausência de Mariátegui no Brasil. Visão compartilhada pelos três autores. Além do rico delineamento feito por Pericás acerca do material já publicado no país sobre o autor peruano. Bem como, os marcos estabelecidos sobre a relevância exercida por Florestan Fernandes na divulgação do pensamento mariateguiano no Brasil. Destaca-se ainda, a ideia da preponderância de concepções norte-americanas e europeias ocidentais entre a intelectualidade brasileira, como afirmam Costa e Clemente.Não obstante, o trabalho ora elaborado, traz contribuições distintas, ao atentar para o fato do afastamento mútuo entre a América Latina e o Brasil. No mais, os trabalhos dialogam e divergem em aspectos gerais sobre a recepção de Mariátegui, como será apresentado ao longo deste texto.

2 A intelectualidade esquerdista brasileira, principalmente a responsável pela divulgação dos marxistas ocidentais, nos anos 1960 fazia parte do meio acadêmico. De tal forma, que se considera relevante à alusão ao processo de introdução do marxismo na academia. Ademais, em diversos momentos os intelectuais das ciências sociais, como Florestan Fernandes e Nelson Werneck Sodré, só para citar dois dos que primeiro falaram e/ou publicaram uma obra completa de Mariátegui no país, eram marxistas e acadêmicos. Havia, pois uma confluência entre o meio acadêmico e o de esquerda.

3 O conceito de Ideologia tem várias acepções e vários marxistas a conceituam de forma própria. Alguns se aproximam mais de Marx. Ideologia como falsa consciência foi usada por Karl Marx na Ideologia Alemã.

4 Para uma abordagem detalhada sobre o Marxismo Ocidental ver: ANDERSON, Perry. Considerações sobre o Marxismo Ocidental. Tradução de Marcelo Levy. 2. Ed. São Paulo: Brasiliense, 1989. MERQUIOR, José Guilherme. O marxismo Ocidental. Trad. De Raul Sá Barbosa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987.

5 Löwy discute o romantismo Mariateguino com propriedade na introdução escrita para o livro que reúne textos do autor peruano, intitulada: “Por um Socialismo Indo-Americano”.

6 Para uma apreciação do delineamento acerca da formação dos conceitos de América e América Latina, bem como da criação da Identidade entre os países latino americanos ver: FARRET & PINTO, América Latina: Da construção do nome à consolidação da ideia. Topoi, vol.12, n. 23, p. 30-42. 2011. BETHEL, Leslie. O Brasil e a ideia de América Latina em perspectiva histórica. Est. Hist., Rio de Janeiro, vol 22, n. 44, p. 289-321, 2009. BETHELL, Leslie. História da América Latina volume 3. A América Latina após 1930: Ideias, Cultura e Sociedade. São Paulo, Edusp, 2011.

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