A teoria freudiana frente ao misticismo do judaísmo



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Encontro06.05.2018
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A teoria freudiana frente ao misticismo do judaísmo

 

Embora não tenha tido uma religiosidade judaica tradicional, nem uma educação ortodoxa religiosa, Freud foi um erudito e, nesta proposta, profundo conhecedor da cultura judaica e de seu misticismo.



Já em carta que escreveu em 1909 a Jung, Freud afirma: “A natureza especificamente judaica de meu misticismo”.

Usou na ciência psicanalítica a criação de categorias esotéricas, o jogo dos mitos e a tentativa sucessiva de interpretação para – além das aparências – Super-Ego, Censura, Id, Libido.

Para todo o esoterismo, e na Cabala judaica, particularmente, o conhecimento não deve ser entregue aos limitados. Freud citava os versos de Goethe: “Das beste was du wissen Kannst, darst du bem Buben doch nicht sagen”. Já notamos como a numerologia cabalística pesou na sua tentativa de cálculo de data da sua morte.

A importância do sexo como base de energia na vida está presente na metafísica de um dos livros da Cabala, o Zohar (Sefer-há-Zohar, Livro do Esplendor), escrito pelo rabino Moses de Leon, provavelmente, e que era do conhecimento de Freud, que aproveitou o conceito como fundamento da psicanálise.

A harmonia da vida, na divindade, se refletiria no amor entre Deus e sua Shehina, a presença. Esta concepção foi aproveitada pelo cristianismo, na similitude do papel da Virgem Santíssima.

O homem primeiro seria, segundo Isaac Lurias, o místico, Adam Kadmon, filho da união divina e com características bissexuais.

Nas dez emanações místicas do Senhor, encontramos as Sephirot. A nova e chamada ysod, localizável nos órgãos genitais da divindade. Em hebraico, esta palavra significa base e contém uma palavra, sed, que se traduz por sagrado.

Assim, seria o fundamento secreto da vida. O sexualismo de Zohar esteve acompanhando as idéias dos falsos messias, Sabati Zvi e Jacob Frank.

Realmente, é curioso notar que, na concepção freudiana, a libido seria masculina, embora na simbologia do Ocidente e do Oriente, Eros fosse considerada feminina. A possibilidade de que o homem possa carregar o bissexualismo encontra origem na passagem do Gênese, 1o. 27: “Macho e fêmea os criou...”

Freud teve, como é sabido, um comportamento pessoal, dentro dos valores da religiosidade rabínica, dentro de regras bastante rígidas.

A inteira noção judaica de alegria e erotismo se verifica no tempo reservado para o descanso – o sétimo dia da criação, o Shabat.

Na disposição freudiana de luta contra a idéia – pai, estabelecem-se as ligações com Moisés, Laio, o gorila pitecantropus-erectus primitivo, o Super-ego, provavelmente traçadas a partir da luta de Jacob contra o Anjo – o forte contra Deus - , que culmina com a mudança de nome para Israel.

Numa outra abordagem, a relação entre Freud e Moisés mostra à sociedade este conflito formidável que se estabelece entre a sensualidade (cuja teoria tem em Freud seu porta-voz) e a intelectualidade (retratada por Moisés). Escreveu o ensaio “O Moisés de Michelangelo” e mostrou muito de sua ambivalência em “Moisés e o Monoteísmo”, sua obra mais frágil, em que se entrega a uma autentica revolta contra sua origem judaica de Moisés.

Freud chegou a assinalar que a psicanálise, de certa maneira, seria uma forma de alargamento do “espírito do novo judaísmo”.



E, na verdade, seria impossível a compreensão da filosofia psicanalítica sem o entendimento de Freud como culto cientista do amor à vida, que se fortalece nas estruturas do misticismo judaico.

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