A tradição freudiana de Donald Winnicott



Baixar 117.51 Kb.
Encontro11.03.2018
Tamanho117.51 Kb.


Sumário


1. Abertura 2

2. Winnicott e Freud 6

2.1. O encontro 6

2.2. Winnicott leitor de Freud 7

3. O complexo edípico 8

3.1. E sobre o pai, elemento fundamental para a triangulação edípica? 8

3.2. O paciente médico e o livro pouco lido 13

3.3. A pequena sedutora e, por vezes, sádica Gabrielle 15

3.4. Alguns autores que escreveram sobre o tema 17

4. Winnicott e seu pai 19

Conclusão 20

Bibliografia 22





A TRADIÇÃO FREUDIANA DE DONALD WINNICOTT

A SITUAÇÃO EDÍPICA. E SOBRE O PAI?

José Outeiral1, Porto Alegre

Eloisa Helena Rubello Valler Celeri2, Campinas

In this paper the authors aim to close together Winnicott´s and Freud´s psychoanalytic contribution, taking the Oedipus complex and the father role as an interseccion point beetwen them. Using as reference both the theoretical papers and the clinical material presented in “Holding and intepretation” and “The Piggle” we tried to demonstrated the importance that Winnicott had given to the Oedipus complex and the clinical and theoretical thought of S. Freud.


Os autores tem por objetivo realizar uma aproximação entre o pensamento de Winnicott e o de Freud, tomando como ponto de intersecção a questão do complexo de Édipo e o papel do pai. Não buscamos legitimar o pensamento de Winnicott através de Freud., pretendemos, sim, através do resgate de seu pensmento teórico e do material clínico descrito em “Holding e interpretação” e “The Piggle”, demonstrar a significativa importância que este autor dava ao complexo de Édipo e ao pensamento teórico e clínico de S. Freud.
Sinto-me um estranho na cadeira de presidente, porque não conheço meu Freud da forma como um presidente deveria conhecer, porém acho que tenho Freud em meu sangue” (Winnicott, 1956, Carta a Clifford Scott, ao se tornar Presidente da Sociedade Britânica de Psicanálise)

1. Abertura

Como sabemos, Winnicott foi contemporâneo de Freud, que faleceu quando ele estava se iniciando como um ativo membro da Sociedade Britânica de Psicanálise. Nada conheço acerca da convivência entre os dois, a não ser o trecho de uma carta de Anna Freud a Winnicott, citada por Rodman, em que ela escreve que depois que a família Freud mudou-se para Londres ele era o único membro da Sociedade Britânica de Psicanálise que era chamado à casa de Freud para dizer se eles estavam de todo certos, em algumas questões.” (Mello Filho,1989, Nota 1)


O leitor certamente estará se perguntando o por que deste trabalho: tendo sido Donald Winnicott psicanalista por mais de quatro décadas e até o final de sua vida membro da Associação Internacional de Psicanálise, criada por Sigmund Freud, qual a necessidade e atualidade desta questão?
Pedimos paciência ao leitor e o convidamos a seguir adiante conosco, no alinhavo de certas idéias e no re-visitar de conhecidos conceitos e, quem sabe, lá pelas tantas nossa intenção adquirirá clareza, valendo sempre lembrar com Goethe que “... a nitidez é uma conveniente distribuição de luz e sombra...”.
Vivemos atualmente uma espécie de boom de interesse no pensamento de Winnicott. Moisés Lemlij, por exemplo, apresentou no Congresso Internacional de Psicanálise da Associação Psicanalítica Internacional, em São Francisco, no ano de 1995, um trabalho no qual comparou a influência na América latina de três analistas da Sociedade Britânica de Psicanálise: Anna Freud, Melanie Klein e Donald Winnicott. Donald Winnicott foi o autor mais citado nos 1.241 trabalhos publicados em revistas e livros da especialidade, estudados pelo autor peruano (Outeiral & Abadi,1999). Esta investigação nos mostra a influência que assume no pensamento psicanalítico contemporâneo a obra de Winnicott. Léon Chetock, por sua vez, escreveu no livro O divã de Procusto, que “ ... recordo um artigo que li, de Joyce Mc Dougall, que é, como todo o mundo atualmente, um pouco winnicottiana e pratica o holding”. Caso esta idéia seja realmente verdadeira, talvez o momento presente seja interessante para “focarmos” as nossas lentes e resgatarmos um pouco da tradição freudiana de Winnicott. Em inúmeras ocasiões, ao longo de seus mais de duzentos artigos teóricos e, particularmente, em seus relatos clínicos, Winnicott nos dá claras demonstrações de sua “filiação” freudiana. Vamos tomar duas situações exemplares.
(a) No capítulo intitulado A localização da experiência cultural (1967) do livro O brincar e a realidade (1971), publicado postumamente, Winnicott desenvolve mais profundamente o tema que abordou numa conferência, proferida durante o banquete comemorativo do término da publicação da Standart Edition das obras de Sigmund Freud, e onde podemos ler:
Quando vim a tornar-me freudiano...”.
Na introdução de seu livro O ambiente e os processos de maturação (1988) ele escreve:
O objetivo principal desta coletânea de estudos é retomar a aplicação das teorias de Freud à infância. Freud demonstrou que a neurose tem o seu ponto de origem no relacionamento interpessoal do amadurecimento inicial, pertencente à época da lactação”.
Não devemos experimentar nenhuma surpresa diante destas afirmações de Winnicott, pois este autor escreveu também que “ ninguém pode ser original senão baseado na tradição”. A palavra “original”, paradoxalmente, pode ser entendida nos dois sentidos que comporta, “único, novo” e, ao mesmo tempo, tendo seu étimo relacionado a “gene”, origem, genealogia, tribo, grupo humano. E a genealogia de um psicanalista o leva, reconheça ele ou não, ao criador da psicanálise, Sigmund Freud.
(b) Winnicott foi fundamentalmente um clínico. O desenvolvimento teórico de seu pensamento é conseqüência de sua larga experiência clínica, durante mais de quarenta anos e com cerca de 60.000 pacientes atendidos, conforme contabilizou Masud Khan, no prefácio que fez para o livro Da pediatria à psicanálise.

Winnicott, partindo da teoria freudiana e de sua própria experiência, passa a estudar o desenvolvimento e o processo maturacional humano, construindo um corpo teórico e clínico que, ao contrário de contradizer a teoria de Freud, a esclarece e a confirma (Macedo,1999). Como sabemos, podemos avançar em psicanálise até onde nossos conflitos permitam ...


A compreensão do pensamento de Winnicott passa, pois, necessariamente, pela leitura não só de seus textos teóricos, mas, especialmente, pela leitura de seus trabalhos clínicos.
O texto clínico mais importante de Winnicott é o relato de um atendimento, com uma detalhada descrição comentada das sessões de um paciente adulto, que resultou no livro Holding e interpretação. Surpreendentemente, este é um de seus textos menos conhecido e menos citado. Inicialmente publicado como um capítulo, com o título de Fragmento de uma análise, do livro Tactics and techniques in psychoanalytic therapy (1972), editado por Peter Giovacchini, o relato clínico inicia, significativamente, com a seguinte frase, que resolvemos citar no idioma original, para não deixar dúvidas:
This fragment of an analysis is given in illustration of the oedipus complex as it can appear in the course of an analysis”.
A tradução publicada em nosso idioma com o título de Holding e interpretação (1991), teve modificações introduzidas e o “oedipus complex” da citação anterior foi substituído por “posição depressiva”, por Masud Khan.
Uma leitura deste relato permite-nos compreender que o autor, talvez o mais freudiano dos analistas nascidos na Inglaterra, dava uma significativa importância ao complexo de Édipo e ao pensamento teórico e clínico de Sigmund Freud, desenvolvendo, entretanto, uma teoria sobre os aspectos pré-edípicos e o papel do ambiente no desenvolvimento emocional do bebê e da criança, que tanto nos auxiliam na compreensão dos estados de mente mais primitivos e na importância da organização de um setting capaz de possibilitar o contato analítico com estes pacientes, até que eles possam, como ele escreveu, realizar uma análise standart. A leitura do trabalho, Aspectos clínicos e metapsicológicos da regressão dentro do setting psicanalítico (1954) é elucidativo e nele Winnicott escreveu como conclusão:
Ao se recuperar da regressão, o paciente, com o self agora mais completamente rendido ao ego, necessita da análise comum da forma como é planejada para o manejo da posição depressiva e do complexo de Édipo nas relações interpessoais. Por esta razão, se não por outra, o estudante deveria adquirir proficiência na análise de não-psicóticos cuidadosamente escolhidos, antes de proceder ao estudo da regressão. Um trabalho preliminar pode ser feito através de um estudo do setting da psicanálise clássica”.
O parágrafo citado nos mostra a posição clara de Winnicott, na letra do próprio autor, neste seminal e esclarecedor texto. Sugerimos ao leitor que pare e retome a leitura do que Winnicott escreveu, antes de seguir adiante, se tal ainda for necessário.
A leitura de um outro material clínico de Winnicott, publicado com o título de The Piggle. An Account of the Psychoanalytic treatment of a little girl ( 1977 ), nos permite acompanhar o tratamento psicanalítico de uma criança pequena através de dezesseis sessões, descritas e comentadas, onde o autor revela seu modo de trabalhar. E de forma inequívoca podemos ver, mais uma vez, clara e explicitamente, a influência de Freud, inclusive com elementos metapsicológicos, através, por exemplo, das diversas referências à segunda tópica freudiana. A ligação com Melanie Klein também é clara e basta acompanhar a descrição das sessões e os comentários feitos por Winnicott para percebermos os pontos de contato.
A idéia de desvincular o pensamento de Winnicott da tradição freudiana, mais do que uma valorização do pensamento winnicottiano, poderá sugerir, na verdade, entre diversos outros aspectos, uma resistência à psicanálise, evento bastante conhecido dos psicanalistas desde o final do século XIX. Acreditamos que correlações devam ser feitas e interfaces encontradas, encontros e desencontros sejam apontados,mas que cuidados sejam tomados e o sentido da obra seja preservado. É oportuno reler a conhecida carta que DWW escreveu para Melanie Klein, em 17 de novembro de 1952 ( Rodman, 1987 ) , lembrando de que esta tomasse precauções, pois os “kleinianos” poderiam desvirtuar a autenticidade de suas idéias. O “uso” da obra de Winnicott deve ser feita no sentido que ele dá a palavra “uso” e não como uma obra subjetivamente concebida. Quando alguém toma um “rabisco” de Winnicott, à moda de um squiggle game, e faz o seu próprio “rabisco”, devemos compreender e reconhecer que temos uma “nova obra”, mas uma “nova obra” criada em uma tradição.
Winnicott fez este “este jogo” com a obra de Sigmund Freud e de vários outros autores psicanalíticos, incluindo entre eles Melanie Klein. Ele seguiu vários elementos básicos da obra destes autores, desenvolveu outros e contestou alguns, como a idéia de “instinto de morte”, levado a radicalidade na leitura kleiniana da época. Mas os analistas sabem da importância da filiação pela natureza própria de sua prática psicanalítica.
Nesta aproximação, entre o pensamento de Winnicott e o de Sigmund Freud, tomaremos um ponto de intersecção entre estes dois autores, considerando o momento de nossos estudos sobre o tema e a necessidade de priorizar alguns aspectos, embora vários outros pudessem ser considerados. Não pretendemos, é óbvio, esgotar as possibilidades de discussão, mas, sim, abrir espaço para uma interlocução mais ampla. Nossa escolha é pela questão do “complexo edípico” e a questão do “pai”, objeto deste artigo. Em outros textos abordaremos a questão da transicionalidade e da teoria instintiva.
Não estamos procurando legitimar os desenvolvimentos de Winnicott buscando enlaces no pensamento de Sigmund Freud. Ana Delia de Said, analista didata da Asociación Psicoanaltica Argentina, um dos colegas com quem temos trocado idéias sobre estes temas, escreve, a propósito, que “ esta legitimização somente pode vir da coerência interna do pensamento do próprio Winnicott e da validação que encontra na prática clínica. Além disso, lido desde Winnicott, Freud pode ser uma vez mais reinterpretado. Qual, senão este, é o destino dos grandes mestres?”


2. Winnicott e Freud

Após ler a obra-prima de Freud ( 1900 ), A interpretação, dos sonhos , ele decidiu dedicar a vida ao estudo da mente humana e, particularmente, a divulgar as idéias e os conceitos psicanalíticos entre o público britânico mais amplo”. (Kahr, B.,1997)


A faculdade de medicina não apenas lhe forneceu a base para suas atividades profissionais futuras como também durante esse período, ele teve a oportunidade de travar contato pela primeira vez com o trabalho de Sigmund Freud e a psicanálise – descoberta que transformaria sua vida”. (Kahr, B.,1997)
Nos relatos biográficos (Geets, 1981; Phillips,A., 1988; Winnicott,C.,1989; Kahr,B., 1997); na autobiografia inconclusa, intitulada Not less than everything; em sua correspondência (Rodman, 1987); assim como ao longo de sua obra teórica e clínica, Winnicott explicita seus vínculos com o pensamento freudiano. Não há muito que especular quanto a isto, pois está registrado na escrita do autor. Mas, se viver não é preciso, navegar é preciso e gostaríamos de estabelecer uma cartografia que poderá ser útil nesta nossa discussão.


2.1. O encontro

Após a Primeira Guerra Mundial, quando serviu como cirurgião a bordo de um destróier da marinha de guerra britânica, participando de combates, Winnicott retomou suas atividades civis. Em 1918, logo após a dispensa militar, ingressou no St. Barholomew´s Hospital, em Londres, para continuar seus estudos de medicina. Em 1920 concluiu sua especialização em pediatria. Donald Winnicott costumava lembrar de seus sonhos mas, após a guerra, não conseguia mais fazê-lo (Kahr,1997). Teria, então, ido até uma conhecida livraria e biblioteca médica londrina e solicitado um livro sobre sonhos. Foi-lhe recomendado o livro do filósofo francês Henri Bergson que teria se mostrado de pouca utilidade (Outeiral,1995).


Ao devolver o livro o bibliotecário teria lhe sugerido ler o livro de Oskar Pfister, pastor e psicanalista suíço, sobre psicanálise, lançado em inglês, em 1915, com o título The Psychonalytic Method. É, entretando, em 1919 que DWW teve o primeiro contato com Sigmund Freud, ao ler uma tradução inglesa do Die Traumdeutung, o livro dos sonhos, a obra-prima do criador da psicanálise. Adam Phillips (Phillips, 1988) também faz um relato do encontro do jovem pediatra inglês com o pensamento freudiano registrando: “ é evidente que o livro (A Interpretação dos Sonhos) o impressionou enormemente e ele escreveu uma carta de um entusiasmo quase visionário para sua irmã Violet, na qual lhe explicava a psicanálise”. Contando a Violet suas descobertas psicanalíticas, em 15 de novembro de 1919, Winnicott registra:
(...) Chegamos então à psicanálise. Essa palavra comprida denota um método desenvolvido por Freud, através do qual podem ser curados distúrbios mentais sem o auxílio da hipnose, e com resultado duradouro, em oposição à cura temporária às vezes produzida pela hipnose.
A psicanálise é superior à hipnose e deve suplantá-la, mas está sendo adotada vagarosamente pelos médicos ingleses porque exige trabalho duro e estudo prolongado ( também grande solidariedade ), nenhum dos quais é necessário à hipnose.
(...) Posso lhe oferecer algumas explicações sobre esse método que Freud elaborou de modo tão inteligente para a cura das doenças mentais? Vou expor tudo isso de modo extremamente simples (...) agora estou praticando para algum dia ser capaz de ajudar a apresentar o tema aos ingleses, de modo que a pessoa entender. (...)


2.2. Winnicott leitor de Freud

A partir deste primeiro encontro Winnicott tornou-se um “leitor atento” e um “admirador”, na acepção do que o étimo desta palavra nos fornece, de Sigmund Freud, e decidiu fazer sua formação na Sociedade Britânica de Psicanálise, da qual foi duas vezes presidente.


Foi analisado por James Strachey por quase 10 anos (provavelmente 6 vezes por semana) e depois por Joan Rivière, ambos com experiência de análise com Freud e grandes conhecedores de sua obra (Kahr,1997)
James Strachey, deixou marcas profundas em Winnicott, o que pode ser constatado no afetuoso obituário que ele escreveu em 1969 e publicado no International Journal of Psycho-Analysis (Winnicott,1994) e numa carta, escrita em maio de 1951, pedindo a seu ex-analista que leia seu ensaio Objetos e fenômenos transicionais, que pretendia apresentar no final daquele mês numa reunião científica da Sociedade Britânica:
Estou lhe escrevendo para saber se você concordaria em ler o esboço que já fiz deste trabalho e se permitiria que eu fosse discuti-lo com você. Gostaria muito de destacar a teoria psicanalítica comum, na sessão teórica do ensaio, o suficiente para tornar aceitável aquilo que julgo ser minha contribuição pessoal. Você ficará aliviado ao saber que andei fazendo uma quantidade até que razoável de leituras psicanalíticas...”(Rodman,1987)
O “jovem” Winnicott, que escrevia entusiasmado com a “descoberta” da obra de Freud, seguiu um trajeto de coerência profissional e, após 48 anos como psicanalista, já idoso e doente, quatro anos antes de sua morte, proferiu uma palestra em janeiro de 1967, para o Clube 1952, que levou o título D.W.W sobre D.W.W., quando ele disse que “ ... assim que descobri Freud e o método que ele nos deu para investigação e tratamento, estive de acordo com ele... se houver algo que eu faça de não freudiano, gostaria de sabê-lo”.
O Clube 1952 reunia, informalmente, um grupo de analistas britânicos mais antigos e experientes e foi exatamente frente aos colegas de muitos anos e quase ao final de sua vida que Winnicott, da maneira autêntica que lhe era peculiar, fez este definitivo depoimento.

3. O complexo edípico



3.1. E sobre o pai, elemento fundamental para a triangulação edípica?

Dois são os enfoques que ele dá à figura paterna (Valler,1990). Nos seus primeiros artigos, Winnicott considera o pai como uma extensão da figura materna durante a fase de dependência absoluta. Inicialmente, o pai assume algumas das funções da mãe e posteriormente passa a ser objeto de projeção de certas qualidades maternas, que ele denomina de aspectos ´austeros´ e que estão associadas a regras e regulamentos, pontualidade, rigor, severidade e indestrutibilidade, elementos que estão referidos já no texto E o pai? , capítulo do livro A criança e seu mundo, publicado em 1944. No artigo O uso de um objeto no contexto de ´Moisés e a religião monoteísta´, em 1969, Winnicott não volta a se referir aos ´aspectos austeros´ e passa a sustentar que durante o período de dependência relativa (estádio da preocupação) o pai desenvolve um papel muito importante na vida da criança, independentemente de ter ou não desempenhado funções maternas no período anterior. Sem se estender demasiado, Winnicott considera que no período de dependência relativa o pai entra na vida da criança como uma unidade, como um objeto total, contribuindo para os processos de integração que estão ocorrendo no ego do bebê. Com o pai fazendo parte de sua vida, a criança pode desenvolver uma nova atitude para com a mãe, influenciada pela descoberta do pai. Um longo caminho foi percorrido no seu desenvolvimento emocional.


Mas o desenvolvimento não para por aí. Como escreve no capítulo XI de O brincar e a realidade, um texto em que trata, entre outros temas, da adolescência e das funções parentais:
Semeamos um bebê e colhemos uma explosão”
Consideramos (Outeiral, 2003) este um artigo importantíssimo para prosseguirmos este nosso navegar pelas idéias de Winnicott. Nele, nosso autor afirma que o adolescente é “imaturo”, sendo esta imaturidade um aspecto importantíssimo da saúde do adolescente. Sua “cura” sustenta-se por um lado, na “passagem do tempo”, pois só o tempo e a experiência é que vão permitir ao adolescente assumir a responsabilidade por tudo o que está ocorrendo em seu mundo interno, e por outro, na necessidade de confrontação, isto é: “um adulto se ergue e reinvidica o direito de expressar um ponto de vista pessoal, um ponto de vista que pode ter o apoio de outras pessoas adultas”(Winnicott, 1968)
Neste artigo Winnicott fala aos adultos:
Espreitam a puberdade os mesmos problemas presentes nos estádios primitivos , quando estas mesmas crianças eram bebês vacilantes e relativamente inofensivos. É importante observar que, embora tenhamos cumprido nossa tarefa durante os estádios primitivos e observado resultados positivos, não podemos contar com o melhor funcionamento da máquina. Na verdade podemos esperar por certas dificuldades que são inerentes a esses estágios posteriores.

É- nos de grande valia compararmos as idéias adolescentes com as da infância. Se, na fantasia do crescimento primitivo estiver contida a palavra morte, então, na adolescência, ver-se-à contido o assassinato. Mesmo quando o crescimento, no período de puberdade, progride sem maiores crises, é possível nos defrontarmos com agudos problemas de manejo, porque crescer significa ocupar o lugar do genitor. E realmente o é. Na fantasia inconsciente, crescer é, inerentemente, um ato agressivo. E a criança agora já não é pequena.”
A leitura de Natureza humana ( 1988 ) nos auxilia a prosseguir em nossa caminhada. Neste livro, entre variados temas, Winnicott trata dos “relacionamento interpessoais eo complexo de Édipo”. Ele escreveu:
Qualquer estágio no desenvolvimento é alcançado e perdido, alcançado e perdido de novo, e mais uma vez: a superação dos estágios de desenvolvimento só se transforma em fato muito gradualmente, e mesmo assim sob determinadas condições”.
Winnicott prossegue afirmando que ao chegar no estágio em que se torna uma “pessoa total” e consegue perceber a existência de três pessoa ( ela e outras duas), o bebê saudável, isto é, maduro de acordo com a idade, tem uma estrutura familiar a sua espera, onde pode vivenciar toda a intensidade dos relacionamentos a três e a poder, com o tempo tornar-se capaz de experienciar outros ainda mais complexos.
Partindo de um “ambiente suficientemente bom”, ele escreveu que “ a chave para a saúde na primeira infância (...) é o INSTINTO”, que ele define como “poderosas forças biológicas que vêm e voltam na vida do bebê ou da criança e que exigem ação”. Esta força, que se acompanha de “elaboração imaginativa”, pode contribuir para os processos de integração do bebê, permitindo que ele se sinta um “ser total”. Com Freud, Winnicott refere-se de forma bastante esclarecedora, neste mesmo livro, Natureza Humana, às fases de progressão da libido ao longo da infância, que culmina com a dominância do que ele chama de “excitação e fantasia erótica genital”, característica da criança que está aprendendo a andar . Winnicott considerou a existência, no início do desenvolvimento, de uma fase caracterizada por todos os tipos de excitação, inclusive genital, mas sem a fantasia genital correspondente. Segue-se a esta fase um estágio intermediário ( fase fálica ), no qual o genital masculino, no bebê do sexo masculino, passa a ocupar uma posição central, sendo que na menina ocorre um estágio caracterizado pelo que ele descreveu como “um fenômeno negativo”.
Winnicott divida a fase fálica em duas: Na primeira “a ereção é o elemento mais importante. A idéia é que aí está uma coisa importantíssima, cuja perda seria terrível. A ereção e a sensibilização surgem em relação direta com uma pessoa ativamente amada, ou através de idéias de rivalidade, tendo como pano de fundo a pessoa amada” . Na segunda fase há “ um objetivo mais declarado de penetrar e engravidar, e aqui uma pessoa real é o mais provável objeto de amor”. Nesta fase o menino exibe uma performance fálica e se sente completo, só vindo a se dar conta de que “depende da fêmea para se completar” na fase seguinte.
O próximo estágio é o genital, “no qual a fantasia se encontra enriquecida por incluir tudo aquilo que no adolescente reaparece em termos de atos masculinos e femininos (tais como penetrar, ser penetrado, fecundar, ser fecundado)”. Nesta fase a criança se dá conta que sua performance é deficiente, mas seu ego já é capaz de lidar com “esta tremenda quantidade de frustração” e “medo à castração pelo genitor rival torna-se uma alternativa bem-vinda para a angústia de impotência”. Nas meninas, por outro lado, o apelo ao pré-genital é extremamente forte, pois a genitalidade completa, a gravidez e a capacidade de amamentar são experiências localizadas num futuro distante (exceto nos sonhos e no brincar). Além do mais, o menino dentro da menina estará sempre presente, assim como a inveja do pênis. Winnicott escreveu, tratando de esclarecer estes pontos fundamentais:
Eu tenho um pênis. É claro que vai me crescer um pênis. Eu tive um pênis, um pênis por procuração, algum macho pode agir por mim. Vou deixar o macho me usar. Desta forma terei um defeito corrigido, mas terei de reconhecer que dependo do macho para estar completa. Desta forma descubro minha genitalidade feminina verdadeira”.
É importante ressaltar que, para Winnicott, qualquer descrição da sexualidade feminina como “a percepção da mulher como um macho castrado” é insuficiente, pois ele reconhece o papel fundamental da teoria kleiniana, especialmente suas considerações sobre “a fantasia que a menina desenvolve a respeito do interior do seu próprio corpo e do corpo da mãe”.
A saúde, avança Winnicott no Natureza Hunana, “se estabelece na organização do primeiro relacionamento triangular, onde a criança é impulsionada pelos instintos de natureza genital recém-surgidos, característicos do período entre os 2 e 5 anos. É desta forma que, pessoalmente, interpreto o complexo de Édipo freudiano...”. Seguindo no tema, Winnicott descreveu o complexo de Édipo como ligado à saúde, pois, reassegura freudianamente Winnicott , os sintomas neuróticos são “organizações de defesa contra a ansiedade de castração, ansiedade que surge dos desejos de morte inerentes ao complexo de Édipo”. Mostrando toda a sua “tradição” freudiana, Winnicott arremata:
No complexo de Édipo, ao menos do meu ponto de vista, cada um dos componentes do triângulo é uma pessoa total, não apenas para o observador, mas especialmente para a própria criança. Desta forma o termo “complexo de Édipo” possui um valor econômico na descrição da primeira relação interpessoal em que os instintos estão em vigor. Tanto a fantasia quanto o funcionamento corporal estão incluídos. Na fantasia, o alvo é a união sexual entre o filho e a mãe, o que implica em morte, a morte do pai. O castigo acontece através da castração simbólica da criança, representada pela cegueira do antigo mito. A ansiedade de castração permite à criança continuar viva, ou deixar que o pai viva. A castração simbólica traz alívio, e a cegueira mencionada no mito sugere a idéia daquilo que atualmente denominamos ´o inconsciente reprimido´. Através da castração e do sofrimento, o filho pode alcançar alívio psicológico enquanto que, houvesse ele sido morto, não ocorreria o sofrimento, mas ele não estaria em condições de chegar à uma solução, de modo que a tragédia teria se revelado fútil ou improdutiva, um mero dramalhão”.]
Citamos apenas alguns comentários de Winnicott e se o leitor tiver curiosidade, a leitura de Natureza humana lhe permitirá ir mais além. Em outro texto fundamental no qual completa suas idéias sobre o “uso” do objeto, intitulado O uso de um objeto no contexto de ´Moisés e a religião monoteista´, escrito em 1969, Winnicott é bastante claro quanto ao papel da triangulação edípica e à função do pai. Sobre este texto os editores do livro de Winnicott, Explorações psicanalíticas, Clare Winnicott, Ray Shepherd e Madeleine Davis consideram que:
A última parte deste capítulo contém um trabalho não concluído e não corrigido por ele ( Winnicott ), “ O uso de um objeto no contexto de ´Moisés e a religião monoteísta´”, escrito em janeiro de 1969... Neste trabalho, Winnicott vincula seus conceitos com a obra de Freud, o que lhe permite trazer o pai para o primeiro plano na vida do bebê de uma maneira que é raramente encontrada alhures em sua obra teórica”.
Leiamos o que o próprio WiW escreve a respeito neste trabalho, já ao final de sua vida.
... na última parte se percebe que Freud deseja reafirmar sua crença na repressão... quer declarar a importância do monoteísmo como conseqüência universal do amor ao pai e à repressão a que este sentimento é submetido... Não é que Freud se equivocasse quanto ao pai e a ligação libidinal que se reprime: somente que é necessário advertir que uma boa proporção de pessoas no mundo não chegam ao complexo de Édipo. Nunca avançam até este ponto do desenvolvimento emocional e, por fim, a repressão da figura paterna libidinizada tem escassa relevância para eles... Grande parte das religiões está ligada a uma quase psicose e aos problemas emocionais emanados dessa grande zona da vida do bebê que tem importância antes que se atinja a relação triangular, como a que se dá entre pessoas totais...”.
Neste trecho Winnicott comenta a importância que confere à situação edípica, à libidinização da figura paterna, ao mecanismo de repressão e, particularmente ao pensamento freudiano. No mesmo trabalho o autor prossegue, explicitando suas idéias, ao escrever:
... à medida que o bebê passa do fortalecimento do ego, graças ao reforço do ego da mãe, a uma identidade própria – ou seja, a medida que a tendência herdada da interação o leva adiante graças a um ambiente suficientemente bom ou a um ambiente medianamente previsível -, a terceira pessoa começa a desempenhar, ou assim me parece, um grande papel. O pai pode ter sido ou não um substituto materno, porém o certo é que se sente em algum momento que ele está ali em papel distinto: e sugiro que é então que o bebê provavelmente o use como padrão de sua própria integração, ao converter-se por momentos em uma unidade. Se o pai não está presente, o bebê tenderá a ter esta mesma evolução, porém lhe resultará mais difícil ou terá que usar alguma outra relação bastante estável com uma pessoa total... Deste modo parece que talvez o pai seja para a criança quem lhe dá o primeiro elemento de integração e da totalidade pessoal”.
São, pois, inúmeras as referências que Winnicott faz ao pai e ao seu papel no desenvolvimento da criança, como um elemento imaginário e real do que ele chama “ambiente facilitador”, inclusive como uma imago que faz parte da realidade interna da mãe e que, por outro lado, faz o “holding” da “unidade mãe-bebê”, como se o pai fosse, paradoxalmente, uma “mãe/pai suficientemente boa”.
Podemos também encontrar, no abundante material clínico que nos oferece Winnicott, como ele interpretava a transferência paterna, os aspectos edípicos e os elementos da imago paterna. Em Notas sobre um caso vinculado à inveja ( Winnicott, 1963 ), ele nos dá um claro exemplo do que estamos nos referindo.
... existem muitas coisas a ter em conta sobre a imago do pai na realidade interna da mãe e no destino que lhe cabe ali...”.
O papel continente do pai no estabelecimento de limites e no controle da agressividade é dado em um Exemplo clínico do O uso de um objeto (1968), onde Winnicott descreve a análise de um homem, comentando o seguinte:
... seu sofrimento se devia a uma reação ante um ambiente cuja dificuldade se devia a um pai débil e uma mãe forte. Seu pai não lhe possibilitava o controle da agressão e a mãe é quem devia fazê-lo, de modo que ele se viu obrigado a usar a violência da mãe, mas com o corolário de ver-se impossibilitado de usar a mãe como refúgio... “.
Sobre esta mesma questão ele fala na palestra “O que irrita?”, transmitida pela BBC em 1960:
Mas eu espero que, em última instância seja o pai que intervenha e defenda a esposa. Ele também tem os seus direitos. Não só quer ver sua esposa recuperar uma existência independente mas também quer estar apto a ter sua esposa para si, mesmo que em certos momentos isso signifique a exclusão da criança. De sorte que, com o tempo, o pai acaba por fazer finca-pé, o que me traz de volta à minha palestra de várias semanas atrás a respeito de “ Dizer não”. (...) quando o pai bate o pé com firmeza é quando ele se torna significativo para a criança pequena, desde que ele tenha conquistado antes o direito de assumir uma atitude firme ao ter uma presença assídua e afetuosa em casa. “


3.2. O paciente médico e o livro pouco lido

Em seu livro Holding e interpretação, já referido, Winnicott nos possibilita, ao descrever minuciosamente as sessões de um tratamento psicanalítico, acompanhar sua maneira de compreender estes aspectos de sua prática clínica. Ele escreve sobre seu paciente:


O material era rico e já havia um considerável trabalho feito, mas era impossível alcançar, por exemplo, a dinâmica da situação edipiana. O período de transição foi prenunciado quando o paciente reconheceu a realidade do ciúme no mundo externo. Esse reconhecimento manifestou-se na forma de uma declaração fortuita, quando ele disse que havia lido algo sobre uma coisa chamada complexo de Édipo e que não concordava com ela (...)”.
É uma ingenuidade clínica supor que ou interpretamos os elementos pré-edípicos ou interpretamos os elementos edípicos. Os elementos de uma determinada fase libidinal, poderão se mostrar dominantes no material de um paciente, mas geralmente, encontram-se num ir e vir, de acordo com a tendência flutuante, de movimentos regressivos e progressivos, característicos do processo psíquico.
Voltemos ao material clínico de Winnicott:
... me arrisquei a repetir a interpretação em função de seu pai. Disse-lhe que se agora ele comprovasse que seu pai havia sido forte e útil, isto lhe confortaria tanto quanto a descoberta de que era esse o pai que ele queria castrar, por ser o pai do triângulo edípico...”
Na sessão do dia 24 de março encontramos o seguinte registro:
Analista: “ Não, não creio. O fato é que você está procurando pelo seu pai, o homem que proíbe a relação sexual com sua mãe. Lembre-se do sonho no qual a sua namorada surgiu pela primeira vez. Era sobre um homem, um homem que estava doente”.
Paciente: “Isto explicaria a falta de sofrimento e pesar quando meu pai morreu. Ele não me vira como um rival e por isso deixou-me com a terrível incumbência de fazer eu mesmo as proibições”.
Analista:”Sim, por um lado, ele nunca lhe deu a honra de reconhecer a sua maturidade proibindo as relações sexuais com sua mãe, mas ele também o privou da alegria e do prazer da rivalidade, assim como da amizade que surge da rivalidade entre homens. Então, você não podia sentir dor por um pai que você nunca ´matou´”.
Trechos como este, explicitamente referidos ao complexo de Édipo, estão presentes em inúmeros momentos deste tratamento, bastando ler o material clínico para encontrá-los.
Sessão de 17 de maio:
Analista:” Existem duas formas de encarar a situação. Uma delas é a racional, sobre a qual você falou. Mas devemos considerar também uma manifestação iminente de muitas angústias decorrentes do reconhecimento de que pode haver rivalidade entre homens e de que no confronto entre dois homens, um deles pode ser mutilado, ao invés de morto (...)
Sessão de 24 de maio. Após algumas associações do paciente Winnicott interpreta:
Analista: ”Você vai perceber que sou sempre seu pai ou sua mãe, de forma que nunca há mais de duas pessoas aqui. Portanto, o que o perturba é, ora sua mãe, que pode se preocupar e fazê-lo se sentir abandonado, ora seu pai, que está morto. A idéia do pai que se interpõe entre você e sua mãe não ocorre, a menos que pensemos no pai vivo, dentro de você, interrompendo a sua tagarelice”.
Após algumas associações, o paciente, diferentemente do habitual, passa a brincar com um elástico, esticando-o e fazendo barulhos. Winnicott intervem:
Analista: ”Parece que existe um pai vivo. Que o domina e o impede de ser uma criança com movimentos espontâneos.”
Paciente: ”A idéia de carregar meu pai dentro de mim parece-me correta. Ele está sempre pronto a atacar se eu fizer um movimento em falso ou cometer alguma indiscrição.”
Analista: ”Isso quer dizer que você não consegue manifestar o seu self real.”
Paciente: “É estranho. É como se eu tivesse um pai ao invés de um superego. Ou, talvez, um superego seja isso mesmo.”
Analista: “Bem, pode ser um superego patológico.”(...)
Pelo pouco que reproduzimos destas sessões, torna-se evidente que este é um livro que mereceria ser mais conhecido e discutido, pela sua riqueza e clareza no tocante à clinica e à teoria. Queremos que o leitor se motive, caso ainda não tenha lido o material e os comentários, a ler este livro: se já o tiver lido, a lê-lo novamente .


3.3. A pequena sedutora e, por vezes, sádica Gabrielle

No caso da pequena Gabrielle, The piggle, e é importante ressaltar que se tratava de uma menina de apenas dois anos e quatro meses, e que já na primeira sessão, em 3 de fevereiro de 1964, Winnicott introduz determinadas questões.


Eu tinha associado a idéia da mamãe preta à sua rivalidade com a mãe, uma vez que ambas amavam o mesmo homem, o papai. Sua ligação profunda com o pai era bem evidente, por isso eu me sentia bastante seguro ao fazer essa interpretação...”.

Na décima-quinta sessão, em 3 de outubro de 1966, desta “análise sob demanda”, quando Gabrielle estava com quase cinco anos, lemos o relato de Winnicott, que “resume o trabalho dessa análise”:


“Parece que era isso que ela desejava, pois, em seguida, contou-me um sonho; tinha-se a impressão de que ela veio, talvez, para contar-me aquele sonho.
Gabrielle: “Eu tive um sonho com o senhor. Eu bati na porta da sua casa. Eu vi o Dr. Winnicott na piscina de sua casa. Então eu mergulhei. Papai me viu na piscina abraçando e beijando o Dr. Winnicott, então ele também mergulhou. Então, mamãe mergulhou, depois Susan ( e aqui enumerou todos os outros membros da família, inclusive os quatro avós ). Tinha peixes e tudo. Era uma água seca molhada. Nós todos saímos e caminhamos no jardim. Papai desembarcou na praia. Foi um sonho bom”.
Senti que ela trouxera, então, tudo na transferência e tinha, daquela forma, reorganizado toda a sua vida em termos da experiência de um relacionamento positivo com a figura subjetiva do analista em seu interior.
Em seguida, pegou a figurinha do pai (de aproximadamente oito centímetros de comprimento, de aspecto muito real, feita sobre a base de um limpador de cachimbo) e começou a maltratá-la”.

...
Gabrielle: “Estou torcendo as pernas dele (etc.).


Winnicott: “Ai!Ai! (como uma interpretação ao papel atribuído a mim ).
Gabrielle: “Eu estou torcendo ele mais- sim- o braço dele agora.
Winnicott: “Ai!”.
Gabrielle: “Agora o pescoço dele!”.
Winnicott: “Ai!”.
Gabrielle: “Agora não sobrou nada. Ele tá todo torcidinho. Eu vou torcer o senhor mais um pouco. O senhor chora mais.
Ela estava muito satisfeita
Gabrielle: “Agora não sobrou nada. Tá todo torcidinho e a perna dele soltou, e agora a cabeça dele soltou, então o senhor não pode chorar.Eu vou jogar o senhor fora. Ninguém gosta do senhor”.
Winnicott: “Então nunca vou poder ser de Susan”.
Gabrielle: “Todo o mundo odeia o senhor”.
Temos nesse material uma elucidativa mostra de como Winnicott ratava a questão do “pai”, da “situação edípica”, da “transferência paterna” e, inclusive ( o que é tema para um outro momento) da “agressividade”.


3.4. Alguns autores que escreveram sobre o tema

Anna Maria de Lemos Bittencourt comenta, em seu artigo O complexo triângulo simples em Winnicott: o brincar e a realidade (1993), que “ Winnicott não difere de Freud quanto à forma como compreende o complexo de Édipo” e que “ em sua forma simples de abordar os complexos fenômenos humanos, Winnicott diz, referindo-se à situação triangular edípica: a criança odeia a terceira pessoa”. A autora conclui seu texto escrevendo:


Fiz um pequeno resumo da situação edípica clássica, tal como é exposta por Winnicott, para quem o complexo de Édipo define um critério de saúde mental. Como Freud, ele considera o Édipo como o complexo nuclear das neuroses, onde o mecanismo de defesa, por excelência, é a repressão, processo típico da organização genital da libido”.
Um dos livros mais importantes sobre a obra de Winnicott, Le paradoxe de Winnicott, de A Clancier e J. Kalmanovitch,, tem num capítulo intitulado Sobre algumas críticas feitas a Winnicott. A questão do pai, onde é feito um comentário sobre o papel designado ao pai na obra de nosso autor. É interessante ler:
No que concerne à primeira dessas críticas, é ter lido superficialmente Winnicott dizer que ele esquece o pai ou a relação edípica. Ao ocupar-se de pacientes psicóticos ou de crianças muito pequenas, sua atenção se dirigiu aos estágios pré-genitais, o que não impediu de que ele sublinhe o papel do pai no começo da vida e afirme que, se a mãe não tem um marido que lhe dê sustentação, ou se ela não investe o pai na criança, o desenvolvimento psíquico da criança se ressentirá”.
Um outro livro capital sobre a obra de Winnicott é Boundary and space. Na introduction to the work of D. W. Winnicott, de Madeleine Davis e David Wallbridge, onde o pensamento de nosso autor é apresentado de uma forma didática. Encontramos alguns comentários que julgamos interessante re-visitar Os autores explicitam que “ quando Winnicott falava do papel do pai tinha como pressuposto que o pai é necessário por seus próprios direitos e não como uma réplica da mãe” e, ainda, que “ ... há certos pasi que efetivamente seriam melhores mães que suas esposas... homens maternais podem ser muitos úteis... eles são bons substitutos das mães, o que é um alívio para a mãe, quando esta tem muitos filhos, quando está doente ou deseja voltar a trabalhar”. Winnicott, entretanto, ressaltava que quando estes pais “ tornavam-se mães excessivamente” isto interferia em suas funções como pais e, a propósito desta questão, ele escreveu sobre o pai de um de seus pacientes: “... pode-se dizer que ele é tão maternal que nos indagamos como ele será capaz de lidar com as situações quando passar a ser usado como um homem e um pai de verdade”.
Nos últimos meses da gravidez, quando a mãe começa a ficar mais envolvida com o bebê. Winnicott considera que o pai torna-se “ o agente protetor que libera a mãe para que esta se dedique ao bebê...”.

Assim, ela é “... poupada da necessidade de voltar-se para fora para lidar com o mundo que a cerca no momento em que tanto deseja voltar-se para dentro”. Para Winnicott as doenças ligadas ao puerpério poderiam “ até certo ponto, ser provocadas por uma falha da cobertura protetora neste período”.


Madeleine Davis e David Wallbridge, escrevem, ainda mais, no livro já citado:
Quando o bebê emerge da fase de dependência absoluta e começa a relacionar-se com pessoas separadas completas, o pai torna-se importante para ele enquanto pessoa; parte desta importância reside no fato de que, embora o pai seja uma figura familiar para o bebê, ele é essencialmente diferente da mãe, a partir de quem o bebê cresceu. É verdade que a relação com a mãe assume uma nova dimensão quando acaba a fusão; mas, para o bebê e para a criança pequena, a mãe ainda retém uma característica subjetiva, pois é parte de sua função estar disponível para uma volta ao estado de fusão sempre que o bebê precisar. Com o pai, a criança pode aprender sobre o fato de um ser humano ser diferente de si mesmo e diferente de outros seres humanos, em outras palavras, singular. Aqui se vê um padrão que ele pode usar para sua própria integração ulterior. Winnicott acreditava que as crianças têm sorte quando podem vir a conhecer seus pais, ´até mesmo quando os pegam em flagrante`, pois, a partir do pai como indivíduo separado, conhecido pelo que ele é, a criança pode aprender algo sobre relações que incluem amor e respeito sem idealização”.
Os autores seguem comentando que, para Winnicott, o pai em nossa cultura e história, tem representado ´o ambiente indestrutível´ e concluem da seguinte maneira:
... e se o papel do pai é, em parte, continuar o processo de desilusão iniciado pelo fracasso adaptativo da mãe, tal processo é desenvolvido dentro do contexto de uma relação rica – e crescentemente rica. O pai “abre um mundo novo para a criança”, à medida que esta começa a entender e a aprender os detalhes de seu trabalho, seus interesses e suas opiniões. Quando ele participa do jogo da criança, acrescenta elementos novos e valiosos, e quando ele os retira, a criança vê o mundo através de um novo par de olhos. Se à mãe pertence “a estabilidade da casa”, ao pai pertence, então, “a vivacidade das ruas”.”
Dois são os dicionários dedicados ao pensamento de Winnicott, o primeiro é Non-Compliance in Winnicott´s Words, de Alexandre Newman, publicado em 1995, que faz extensas considerações ao abordar o verbete “father”, com as inúmeras referências ao tema em diversos livros de Winnicott, inclusive com os números das páginas das citações. Ao se ler este dicionário não se poderá dizer depois que Winnicott não considerou a questão edípica e o papel do “pai” em sua obra.
O segundo foi escrito por Jan Abram, em 1996: um livro precioso chamado The language of Winnicott. A dictionary of Winnicott´s use of words, onde encontramos um verbete esclarecedor: Father, the indestructible environment.


4. Winnicott e seu pai

A importância da figura do “pai” pode ser dada também pelas várias referências feitas por Winnicott em seu relato “autobiográfico”. Ele comenta momentos importantes de sua vida ocorridos com a figura paterna e descreve com minúcias a figura do pai. A mãe, entretanto, é citada apenas en passant em algumas situações menos relevantes e quase não há descrições dela, exceção a um poema que Winnicott escreveu e lhe dedicou.


No relato “autobiográfico” Winnicott registrou:
... peguei meu taco de críquete ( com um tamanho de 30 centímetros, pois eu não tinha mais de três anos ) e destruí o nariz da boneca de minhas irmãs. Aquela boneca havia se convertido para mim em uma fonte de irritação, pois meu pai não deixava de brincar comigo. Ela se chamava Rosie e ele, parodiando uma canção popular, me dizia ( com uma voz que me exasperava ):
Rosie disse a Donald
Eu te amo
Donald disse a Rosie
Eu não creio
Assim, pois, eu sabia que tinha de destroçar aquela boneca e grande parte de em minha vida se baseou no fato de que eu havia realmente cometido este ato sem me conformar em deseja-lo e arquitetá-lo apenas. Provavelmente me senti aliviado quando meu pai, acendendo vários fósforos seguidos, esquentou o nariz da cera para modelá-lo e o rosto voltou a ser um rosto. Aquela primeira demonstração do ato de restituição e reparação me impressionou e talvez me tenha feito capaz de aceitar o fato de que eu, pequeno e querido ser inocente, me havia tornado violento, de maneira direta com a boneca e indireta com aquele pai que, naquele justo momento, acabava de entrar em minha vida consciente”.
Ao falar da descoberta da capacidade de restituição e da reparação através do gesto do pai e da entrada deste na vida consciente, o texto sugere que a relação com o “pai” havia passado da “relação de objeto” ao “uso do objeto”, elemento central em seu pensamento teórico e clínico.
Ele segue escrevendo no mesmo relato autobiográfico:
Como minhas irmãs eram mais velhas que eu cinco ou seis anos, em certo sentido eu era como um filho único com várias mães e um pai, que durante minha infância se achava muito absorvido pelos assuntos da cidade e seus próprios. Foi duas vezes prefeito e depois recebeu um título de nobreza...
Eu era consciente de certas lacunas de sua educação (ele havia tido dificuldades escolares) e sempre dizia que por esta razão não se apresentou para concorrer ao parlamento... Meu pai tinha uma fé ( religiosa) simples; um dia, como eu lhe fizera uma pergunta que poderia ter-nos arrastado a uma discussão interminável, ele se contentou em dizer-me:`Lê a Bíblia e ali encontrarás a resposta exata´. Assim foi que deixou-me resolver o problema sozinho ( graças a Deus! ). Porém um outro dia ( eu tinha doze anos ) entrei para almoçar dizendo “maldição!” e meu pai pareceu lastimar-se como só ele podia fazê-lo e reclamou com minha mãe para que ela vigiasse mais de perto minhas amizades. O incidente fez com que ele me enviasse ao colégio quando completei treze anos. Dizer “maldição!” não é uma blasfêmia muito terrível, porém meu pai tinha razão. Meu novo amigo não era muito recomendável e as coisas poderiam ter tomado outro caminho se nos houvesse deixado em completa liberdade”.
Fica claro assim como o pai desenvolveu um importante papel na vida de Winnicott. Ele próprio (Winnicott, 1989) nos conta que “... de maneira que meu pai estava ali para matar e ser morto”.


Conclusão

A teoria de objetos de DWW ( objeto transicional, objeto subjetivamente concebido e objeto objetivamente percebido ) está ligada às funções parentais, e pressupõe, como pensamos a partir de nossas leituras e de nossa atividade clínica, tanto a existência de uma “mãe suficientemente boa” ( ou “ambiente facilitador” ou “mãe devotada comum” ) capaz de exercer suas funções graças ao estado de “preocupação materna primária”, como a um pai, tanto no imaginário como no real, que esteja presente e possibilite à mãe exercer suas tarefas.


O corolário desta postulação, que trouxemos para discussão é o seguinte: a existência de uma “mãe suficientemente boa” está ligada a presença de um “pai suficientemente bom”.
Acreditar que DWW não deu relevância à situação edípica e ao papel do pai é subestimar a formação teórica e, especialmente, a vasta experiência clínica deste autor, médico, pediatra, psiquiatra e psicanalista, e sua compreensão do desenvolvimento humano. A constituição do espaço potencial, espaço dos objetos e fenômenos transicionais, e a passagem da “relação de objeto” ao “uso do objeto”, por exemplo, está na dependência , como sabemos, da adequada existência das funções parentais.
A questão edípica é considerada por DWW desde a concepção freudiana. O desenvolvimento e o processo maturacional de uma pessoa pressupõe uma série de “fases”, dentre elas a edípica.
Embora em certos momentos do desenvolvimento emocional haja “domínio” de determinados aspectos, as diferentes configurações – elementos orais, anais, fálicos e edípicos, assim como os da latência – estarão presentes em todos momentos.

É necessário, pelo vértice da técnica, compreender o tratamento psicanalítico como um “processo”. Um “processo” onde se faz uma análise de configurações pré-edípicas e, em determinadas situações, concomitantemente, também nos defrontamos com configurações edípicas, como, nos parece, acontecer no relato clínico do paciente de Holding e interpretação e no atendimento da adorável Gabrielle, do caso Piggle.


É evidente, também, que determinados indivíduos estão circunscritos demasiadamente a aspectos pré-edípicos e outros as aspectos edípicos. Correríamos o risco de uma simplificação demasiada dizer que “agora” faremos uma análise “pré-edípica” e “depois” uma análise “edípica”. A clínica contemporânea nos demonstra, em sua diversidade, o que estamos querendo configurar. Vários autores, e não apenas DWW, referem-se a estes aspectos.
DWW deixou bem claro que utilizava suas modificações de setting no intuito de auxiliar determinados pacientes e possibilitar que, eventualmente, pudessem experienciar uma análise standart. Esta questão está claramente exposta na classificação diagnóstica que ele estabelece no seu trabalho
Queremos concluir com um epílogo que parodia uma citação de Jacques Lacan, que Raquel Zak de Goldztein utilizou, como epígrafe, em uma conferência realizada no Columbia University Center for Psychoanalytic Training and Research, em março de 1994 ( Goldztein, 1994 ):
Jacques Lacan escreveu:
Está acima de você se você quer ser lacaniano ou não. Quanto a mim eu sou freudiano”
Pensamos, que DWW diria o mesmo.
Está acima de você se você quer ser winnicottiano ou não. Quanto a mim eu sou freudiano”.
Aliás, ele disse exatamente isso e é necessário relembrar, e esta afirmação perpassa e alinhava toda sua obra clínica e teórica, desde a carta que escreveu à irmã Violet em 1919, até seu trabalhos finais, como a conferência no Club 52 , em janeiro de 1967, ou em A localização da experiência cultural, também em 1967.
Este foi o “rabisco” que conseguimos fazer neste momento.

Notas
Nota1. Júlio de Mello Filho, em seu livro O ser e o viver, escreve um abrangente capítulo dedicado às correlações clínico-teóricas entre DWW e Sigmund Freud, que nos conduz através do tema.


Bibliografia

Abram, J. (2000) A linguagem de Winnicott. Rio de Janeiro: Revinter

Bittencourt, A.M.L. (1993) O complexo triangulo simples em Winnicott: o brincar e a realidade, Trieb, ano 3 n. 1 (1993)

Chertock, L. (1991) Comentário ao artigo de Joyce McDougall, O romance do perverso: as neo-sexualidades in McDougall, J. et col (1991) O divã de procusto, Porto Alegre.Artes Médicas.

Clancier, A. et. Kalmanovictch, J.(1984) Le paradoxe de Winnicott. Paris. Payot.

Davis, M. et. Wallbridge,D. (1982) Limite e espaço.Uma introdução à obra de D.W.Winnicott. Rio de Janeiro: Imago.

Geets, C. (1981). Winnicott. Paris. Jean-Pierre Delarge, éditeur.

Goldstein, R. ( 2000 ). Por que Lacan. Rio de Janeiro. Revinter.

Giovacchini, P. ( 1972 ) Tactics and Techniques in psychoanalytic therapy. Chicago. Science House.

Grosskurth, P. (1992) O mundo e a obra de Melanie Klein, Rio de Janeiro: Imago Editora.

Kahr, B. (1997). A vida e a obra de D. W. Winnicott. Um retrato biográfico. Rio de Janeiro. Exodus

Khan,M.R. (1993) Prefácio de textos selecionados: da pediatria à psicanálise, in Winnicott,D.W. (1993) Textos selecionados: da pediatria à psicanálise, Rio de Janeiro: Francisco Alves.

Macedo, H. D. (1999) Do amor ao pensamento: a psicanálise, a criação da criança e D.W.Winnicott. São Paulo: Via Lettera Editora e Livraria

Mello Filho. J. ( 1989 ). O ser e o viver. Uma visão da obra de Winnicott. Porto Alegre. Artes Médicas

Newman, A.(1995) Non-compliance in Winnicott’s words – a companion to the work of D.W.Winnicott. London:Free Association Books Ltd.

Outeiral,J.O.(1995) A contribuição de Winnicott in Outeiral,J.O. et. Thomaz, T.O. (1995) Psicanálise Brasileira – Brasileiros pensando a psicanálise, Porto Alegre, Artes Médicas.

Outeiral, J. & Abadi, S. ( 1999 ). Donald em América Latina. Buenos Aires. Editorial Lumen

Outeiral, J. O. (2003) Adolescer, Rio de Janeiro: Revinter

Phillips, A.(1988) Winnicott. London: Fontana Paperbacks.

Rodman, F. ( 1987 ). The Spontaneous Gesture. Selected letters of D. W. Winnicott. Cambridge, Massachusetts and London, England. Harvard University Press

Said, Ana Delia L. de ( 1994 ). Expressiones de la transicionalidad. Buenos Aires. Conferencia en la APA. 6 pgs

Said, Ana Delia L. de ( 1992 ). El espacio transicional. Hacia una Perspectiva Metapsicológica. Buenos Aires. Conferencia en la APA. 19 pgs.

Said, Ana Delia L. de ( 1992 ). Buenos Aires. Conferencia en la Facultad de Psicología de la UBA. 15 pgs.

Valler, E.H.R.(1990) A teoria do desenvolvimento emocional de D.W.Winnicott Revista Brasileira de Psicanálise, vol. 24, n.2, 1990

Winnicott, C. et alii. ( 1989 ) Psycho-Analytic Explorations. Cambridge, Massachusetts. Harvard University Press.

Winnicott, D.W. ( 1972 ). Fragment of an Analysis ( annotated by Alfred Flarsheim ). In: Giovacchini, P. Tatics and Techniques in Psychoanalytic Theraphy. Chicago. Science House, Inc. pp. 455-693

Winnicott, D.W. ( 1977 ). The Piggle. An account of the Psychoanalytic Treatment of a little girl. New York, International Universities Press, Inc.

Winnicott,D.W. (1944) E o pai? In Winnicott, D.W.( 1982) A criança e seu mundo. Rio de janeiro: Zahar ed.

Winnicott,D.W.,(1960) O que irrita? In Winnicott, D.W.(1993) Conversando com pais. São Paulo: Martins Fontes.

Winnicott,D.W. (1988) O ambiente e os processos de maturação: estudo sobre a teoria do desenvolvimento emocional. Porto Alegre: Artes Médicas.

Winnicott, D. ( 1975 ). O brincar e a realidade. Rio de Janeiro. Imago

Winnicott, D. ( 1991 ). Holding e interpretação. São Paulo. Martins Fontes.



Winnicott, D. ( 1990 ). Natureza humana. Rio de Janeiro. Imago

1 Médico. Ex-professor da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul Membro titular e analista didata da Sociedade Psicanalítica de Pelotas

2 Médica. Profa. Assist. Dr. Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria FCM-Unicamp; Candidata do Intituto de Psicanálise da Sociedade Brasileira de psicanálise de São Paulo



Compartilhe com seus amigos:


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal