A veracidade



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Conclusão


Em última instância, a questão da autoridade das Escrituras pode ser resumida na

seguinte pergunta: quem tem a última palavra, Deus, falando através das

Escrituras, ou o homem, por meio de suas tradições, sentimentos ou razão? A

resposta dos Reformadores foi clara. Embora reconhecendo que o propósito

especial das Escrituras não é histórico, moral ou científico, mas salvífico, eles não

diminuíram a sua autoridade de forma alguma: nem por adições ou suplementos,

nem por reduções ou limitações de qualquer natureza. A fé reformado-puritana

reconhece a autoridade de todo o conteúdo das Escrituras, e sua plena suficiência

e suprema autoridade em matéria de fé e práticas eclesiásticas.
Tão importante foi a redescoberta destas doutrinas pelos Reformadores, que

pode-se afirmar que, da aplicação prática das mesmas, decorreu, em grande

parte, a profunda reforma doutrinária, eclesiástica e litúrgica que deu origem às

igrejas protestantes. Todas as doutrinas foram submetidas à autoridade das

Escrituras. Todos os elementos de culto, cerimônias e práticas eclesiásticas foram

submetidos ao escrutínio da Palavra de Deus. A própria vida (trabalho, lazer,

educação, casamento, etc.) foi avaliada pelo ensino suficiente e autoritativo das

Escrituras. Muito entulho doutrinário teve que ser rejeitado. Muitas tradições e

práticas religiosas acumuladas no curso dos séculos foram reprovadas quando

submetidas ao teste da suficiência e da autoridade suprema das Escrituras. E a

profunda reforma religiosa do século XVI foi assim empreendida.
Mas muito tempo já se passou desde então. O evangelicalismo moderno recebeu,

especialmente do século passado, um legado teológico, eclesiástico e litúrgico que

precisa ser urgentemente submetido ao teste da doutrina reformada da autoridadesuprema

das Escrituras. É tempo de reconsiderar as implicações desta doutrina. É

tempo de reavaliar a nossa fé, nossas práticas eclesiásticas e nossas próprias

vidas à luz desta doutrina. Afinal, admitimos que a Igreja reformada deve estar

sempre se reformando — não pela conformação constante às últimas novidades,

mas pelo retorno e conformação contínuos ao ensino das Escrituras.


Sabendo que a nossa natureza pecaminosa nos impulsiona em direção ao erro e

ao pecado, conhecendo o engano e a corrupção do nosso próprio coração,

reconhecendo os dias difíceis pelos quais passa o evangelicalismo moderno

(particularmente no Brasil), e a ojeriza doutrinária, a exegese superficial e a

ignorância histórica que em grande parte caracterizam o evangelicalismo moderno

no nosso país, não temos o direito de assumir que nossa fé e práticas

eclesiásticas sejam corretas, simplesmente por serem geralmente assim

consideradas. É necessário submeter nossa fé e práticas eclesiásticas à

autoridade suprema das Escrituras.
Assim fazendo, não é improvável que nós, à semelhança dos Reformadores,

também tenhamos que rejeitar considerável entulho teológico, eclesiástico e

litúrgico acumulados nos últimos séculos. Não é improvável que venhamos a nos

surpreender, ao descobrir um evangelicalismo profundamente tradicionalista,

subjetivo e racionalista. Mas não é improvável também que venhamos a

presenciar uma nova e profunda reforma religiosa em nosso país. Que assim seja!



Notas

1 Ver, por exemplo, William Ames, A Fresh Suit against Human Ceremonies in

God’s Worship (Rotterdam, 1633); David Calderwood, Against Festival Days, 1618

(Dallas: Naphtali Press, 1996); George Gillespie, Dispute against the English

Popish Ceremonies Obtruded on the Church of Scotland (Edinburgh: Robert Ogle

and Oliver & Boyd, 1844); e John Owen, "A Discourse concerning Liturgies and

their Impositions," em The Works of John Owen, vol. 15 (Edinburgh: The Banner of

Truth Trust, 1965).


2 Cf. John MacArthur Jr., Com Vergonha do Evangelho: Quando a Igreja se torna

como o Mundo (São José dos Campos: Editora Fiel, 1997) e Paulo Romeiro,

Evangélicos em Crise: Decadência Doutrinária na Igreja Brasileira (São Paulo:

Mundo Cristão, 1995).


3 Ver capítulo sobre a "Consciência Puritana," em J. I. Packer, Entre os Gigantes

de Deus: Uma Visão Puritana da Vida Cristã (São José dos Campos: Editora Fiel,

1991), 115-132.
4 Sobre o conceito reformado de inspiração e infalibilidade (inerrância) das

Escrituras, ver L. Berkhof, Introducción a la Teología Sistemática (Grand Rapids:

The Evangelical Literature League, [1973]), 159-190; A. A. Hodge, Evangelical

Theology: A Course of Popular Lectures (Edinburgh and Pennsylvania: The

Banner of Truth Trust, 1976), 61-83; Loraine Boettner, Studies in Theology

(Phillipsburg and New Jersey: Presbyterian and Reformed Publishing Company,

1978), 9-49; e J. C. Ryle, Foundations of Faith: Selections From J. C. Ryle’s Old

Paths (South Plainfield, New Jersey: Bridge Publishing, 1987), 1-39.


5 Cf. também Salmo 119.39, 43, 62, 75, 86, 89, 106, 137, 138, 142, 144, 160, 164,

172; Mateus 24.34; João 17.17; Tiago 1.18; Hebreus 4.12 e 1 Pedro 1.23,25.


6 Lloyd-Jones afirma que essas expressões são usadas 3.808 vezes no Antigo

Testamento; e que os que assim se expressavam estavam deixando claro que não

expunham suas próprias idéias ou imaginações. D. Martin Lloyd-Jones, Authority

(Edinburgh and Pennsylvania: The Banner of Truth Trust, 1984), 50.


7 Ver também Atos 28.25 e Hebreus 4.3, 5.6 e 10.15-16.
8 O termo empregado é gegraptai (gegraptai). O tempo (perfeito) indica uma ação

realizada no passado, cujos resultados permanecem no presente: foi escrito e

permanece válido, falando com autoridade.
9 Outras evidências da autoridade divina das Escrituras são apresentadas por

Lloyd-Jones, Authority, 30-50; e por John A. Witmer, "The Authority of the Bible,"

Bibliotheca Sacra 118:471 (July 1961): 264-27.
10 O Talmud inclui também a Gemara, comentários rabínicos sobre o Mishnah,

escritos entre 200 e 500 AD (C. L. Feinberg, "Talmude e Midrash," em J. D.

Douglas, ed., O Novo Dicionário da Bíblia, vol. 3 (São Paulo: Edições Vida Nova,

1979), 1560-61.


11 Conferir também Mt 15.3ss.
12 Berkhof, Introducción a la Teología Sistemática, 207.
13 Um exemplo bem atual: há poucos dias atrás, cientistas anunciaram que

pesquisas feitas com o DNA dos fósseis do assim chamado homem de

Neanderthal — até então "inquestionavelmente" considerado um dos

antepassados mais recentes do homem na cadeia evolutiva —, revelam que esses

ossos nada têm a ver com a raça humana. Exemplos como estes repetem-se

continuamente, e deveriam tornar-nos cautelosos em atribuir à ciência autoridade

maior do que a da revelação bíblica.
14 C. Pinnock, citado por Keun-Doo Jung, "A Study of the Authority with Reference

to The Westminster Confession of Faith." (Tese de Mestrado, Potchefstroom

[South Africa] University for Christian Higher Education, 1981), 45.
15 G. D. Kaufman, ibid., 45.
16 Ensinada no parágrafo V do capítulo I da Confissão de Fé de Westminster.
17 Ibid.
18 Outros dados sobre a importância da doutrina reformada da autoridade das

Escrituras em relação à teologia liberal e à neo-ortodoxia podem ser obtidos em

Lloyd-Jones, Authority, 30-61; John A. Witmer, "Biblical Authority in Contemporary

Theology," Bibliotheca Sacra 118:469 (January 1961), 59-67; e Kenneth S.

Kantzer, "Neo-Orthodoxy and the Inspiration of Scripture," Bibliotheca Sacra
116:461 (January 1959), 15-29.

19 Ver G. C. Berkouwer, Studies in Dogmatics: Holy Scripture (Grand Rapids:

Eerdmans, 1975) e Ronald Gleason, "In Memoriam: Dr. Gerrit Cornelius

Berkouwer," Modern Reformation 5:3 (May/June 1996), 30-32.


20 Alguns eruditos têm considerado a doutrina reformada tradicional da autoridade

das Escrituras conforme ensinada pelos teólogos de Princeton, tais como Charles

Hodge (1797-1878), Alexander Hodge (1823-1886) e B. B. Warfield (1851-1921),

como um desvio do ensino dos Reformadores e da Confissão de Fé de

Westminster. Ver, por exemplo, Ernest Sandeen, The Roots of Fundamentalism:

British and American Millenarianism, 1800-1930 (Chicago: University of Chicago

Press, 1970). Alguns, como Jack Rogers e Donald McKim, The Authority and

Interpretation of the Bible: A Historical Approach (San Francisco: Harper & Row,

1979), chegam a defender que a doutrina reformada das Escrituras encontra seus

legítimos representantes em Abraham Kuyper (1837-1920) e Herman Bavinck

(1854-1921), os quais teriam se antecipado aos esforços de Karl Barth e G. C.

Berkouwer no sentido de restaurar a verdadeira tradição reformada. Outros,

entretanto, têm demonstrado que estas teses não procedem, visto que os teólogos

de Princeton estão em substancial harmonia com outros que os antecederam, e

com Kuyper e Bavinck. Ver Randall H. Balmer, "The Princetonians and Scripture:

A Reconsideration," Westminster Theological Journal 44:2 (1982): 352-365; e

Richard B. Gaffin, Jr., "Old Amsterdam and Inerrancy?," Westminster Theological

Journal 44:2 (1982), 250-289; 45:2 (1983): 219-272.


21 Uma demonstração da posição reformada e protestante histórica da inerrância

das Escrituras em português pode ser encontrada em John H. Gerstner, "A

Doutrina da Igreja sobre a Inspiração Bíblica," em James Montgomery Boice, ed.,

O Alicerce da Autoridade Bíblica, 2a ed. (São Paulo: Vida Nova, 1989), 25-68.


22 Herman Ridderbos, Studies in Scripture and its Authority (Grand Rapids:

Eerdmans, 1978), 24.


Paulo Anglada
Todas as citações bíblicas são da ACF (Almeida Corrigida Fiel, da SBTB). As ACF

e ARC (ARC idealmente até 1894, no máximo até a edição IBB-1948, não a SBB1995) são as

únicas Bíblias impressas que o crente deve usar, pois são boas

herdeiras da Bíblia da Reforma (Almeida 1681/1753), fielmente traduzida somente

da Palavra de Deus infalivelmente preservada (e finalmente impressa, na

Reforma, como o Textus Receptus).


http://solascriptura-tt.org/Bibliologia-

InspiracApologetCriacionis/AutoridadeSupremaEscrituras-PAnglada.htm


SOMENTE AS ESCRITURAS...
"Sola Scriptura" [= "Somente as Escrituras"] , "Assim diz o Senhor", "Está Escrito"
É a Bíblia verdadeiramente a autoridade final em todas as questões de fé e de

moral?


É "Sola Scriptura" um conceito bíblico, ou é um conceito inventado pelo homem?

"As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem;"

(João 10:27)
O termo "Sola Scriptura", ou "somente a Bíblia", é uma frase curta que representa

uma simples verdade, a saber, que existe e possuímos somente uma revelação

especial de Deus e ela constitui as Escrituras (a Bíblia, a Palavra escrita). As

Escrituras declaram este conceito repetida e enfaticamente. A exata frase "está

escrito" significa que a Bíblia é exclusiva e totalmente transcrita de Deus [cada e

todas as palavras da Bíblia, e só dela, são rigorosamente de Deus, perfeitas,

perfeitamente ditadas por Deus ou por Ele perfeitamente escolhidas no

vocabulário do escritor e assopradas na mente deste, perfeitamente registradas, e

perfeitamente preservadas], a Bíblia não resulta de nenhum "disse me disse" [de

palavras imprecisas, de rumor falivelmente transmitido e falivelmente registrado

por falíveis homens]. O mandamento para crer o que está escrito significa crer

somente na pura Palavra de Deus. O que está em julgamento de vida ou morte,

perante o Deus Todo Santidade, é [o crermos, obedecermos e defendermos] a

Sua verdade incorruptível [a Bíblia].


No último mandamento na Bíblia, Deus resolutamente nos diz para não

adicionarmos nem subtrairmos da Sua Palavra.


"18 Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro

que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas

que estão escritas neste livro; 19 E, se alguém tirar quaisquer palavras do livro

desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das

coisas que estão escritas neste livro." (Apocalipse 22:18-19)
A Sua Palavra é absolutamente suficiente em si própria. (Salmos 119:160) ["A tua

palavra é a verdade desde o princípio, e cada um dos teus juízos dura para

sempre."]
A mensagem bíblica assoprada por Deus é revelação em forma escrita (2Timóteo

3:15-16) [15 E que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que

podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus. 16 Toda a

Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para


corrigir, para instruir em justiça;]. A reivindicação bíblica é que aquilo que Deus

tem inspirado é a Sua palavra que foi escrita (2Pedro 1:20-21) [20 Sabendo

primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular

interpretação. 21 Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem

algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.].

Quando o Senhor Jesus Cristo disse : "A Escritura não pode ser anulada" (João

10:35), Ele estava falando da Palavra de Deus escrita. Os eventos, ações,

mandamentos e verdades de Deus nos são dadas em forma proposicional, isto é,

em forma de sentenças lógicas escritas. A declaração de Deus nas Escrituras é

que ela, e somente ela, é a autoridade final em todas as questões de fé e moral.


Portanto, existe somente uma fonte escrita provinda de Deus. Para o povo de

Deus nas igrejas, existe somente uma base para conhecer a verdade.





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