AçÃo hemolítica e anticoagulante do veneno vespas do gênero pol



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Encontro14.02.2018
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O VENENO DE VESPAS POLYBIA OCCIDENTALIS INTERFERE NA ATIVAÇÃO DAS DIFERENTES VIAS DA CASCATA DE COAGULAÇÃO.
Alessandra Zatt Schardosin (IC-voluntária), Paula Giselle Czaikoski (IC-voluntária), Pâmela Cristina Mertz (IC-voluntária), Larissa Pires Kikuti (IC-voluntária), Marta Chagas Monteiro (Orientadora). e-mail: alezatt@hotmail.com
Universidade Estadual do Centro-Oeste/Departamento de Farmácia – Guarapuava – PR.
Palavras-chave: Polybia occidentalis, hemólise, anticoagulante.
Resumo:

O veneno da vespa Polybia occidentalis contém, além de outros componentes, pequenos peptídeos, aminas vasoativas e proteínas de alto peso molecular, que podem afetar o sistema hemostático humano. Nossos resultados mostram que o veneno possui uma ação anticoagulante, podendo interferir nos componentes das vias extrínseca, intrínseca e comum da cascata de coagulação.


Introdução:

Os principais componentes de venenos de vespas são: fosfolipase A1, hialuronidase, antígeno 5, mastoparanos, degranuladores de mastócitos, e substâncias farmacologicamente ativas, como histamina, serotonina, dopamina e noradrenalina1,2. Várias investigações têm relatado que essa complexa mistura de substâncias afetam o sistema hemostático humano. O alto grau de especificidade na atividade dessas proteínas sobre a cascata da coagulação do sangue faz com que elas sejam ferramentas muito úteis para o estudo dos mecanismos de ação, de regulação e das relações entre estrutura e função dos fatores da coagulação3. O rompimento do equilíbrio homeostático já é utilizado com o intuito de prevenir fenômenos tromboembólicos, utilizando-se para isso anticoagulantes orais ou drogas antivitamina K4,5,6. O tempo de protrombina (TP) pode ser usado para avaliar os fatores de coagulação da via extrínseca4,5,7,8, enquanto o tempo parcial de tromboplastina (TTPA) é usado para avaliar a via intrínseca – exceto plaquetas9. Já o ensaio de retração de coágulo avalia componentes presentes na via comum da coagulação. Devido à possibilidade de componentes do veneno vir a ser alternativa para a produção de novos fármacos, o objetivo do nosso trabalho foi avaliar o efeito do veneno de vespas Polybia occidentalis sobre o sistema homeostático revelando possíveis interferências nas vias extrínsecas, intrínsecas e/ou comum da cascata de coagulação, através dos ensaios acima descritos.


Materiais e Métodos:
Atividade anticoagulante

A ação anticoagulante foi testada, com diferentes concentrações do veneno (1.1; 2.2; 4.4 µg) das vespas Polybia occidentalis, através da avaliação dos ensaios: Tempo de recalcificação do plasma; tempo de protrombina (Kit LabTest), tempo parcial de tromboplastina (Kit LabTest) e porcentagem de retração do coágulo.


Resultados e Discussão:

Na figura 1A, podemos notar, que a incubação do sangue com diferentes concentrações do veneno aumentou o tempo de coagulação no ensaio de recalcificação do plasma; indicando que o mesmo interfere de alguma forma na formação do coágulo. O aumento no tempo de coagulação também foi observado nos ensaios do tempo de protrombina (TP - Figura 1B) e tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPA - Figura 1C) em comparação a amostra controle sem veneno. Tal fato indica uma provável interferência do veneno na via extrínseca da coagulação (via ensaio de TP), podendo estar atuando na inibição de alguns dos fatores do complexo protrombínico (fatores II, V, VII e X) e ainda a presença de inibidores dos fatores da coagulação da via intrínseca (VIII, IX, X, XI e XII) no veneno, via ensaio de TTPA. Finalmente, na figura 1D, é possível observar que a incubação do plasma normal com aumentadas concentrações do veneno diminuiu o percentual de retração do coágulo, amparando a hipótese da ação anticoagulante do veneno da vespa Polybia occidentalis, uma vez que o veneno foi capaz de inibir a formação do coágulo, provavelmente impedindo a formação da rede de fibrina por inibição de fatores da via comum como fibrinogênio, plaquetas e trombina.




Figura 1 – (A): Tempo de Recalcificação; (B): Tempo de protrombina; (C): Tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPA); (D): Retração do coágulo

Conclusões:

A partir desses dados podemos concluir que o veneno das vespas Polybia occidentalis possui ação anticoagulante, sendo esse efeito proporcional à dose administrada. Possivelmente, isto ocorre devido a uma inibição de alguns dos fatores da via intrínseca, extrínseca e/u comum da coagulação por componentes presentes no veneno dessa vespa.



Referências:

1. HOFFMAN, D. Hymenoptera venom: XXIV. The amino acid sequences of imported fire ant venoms allergens Sol i 2, Sol i 3 and Sol i 4. Allergy Clin Immunol. 91:71-8, 1993.

2. KING, TP.; KOCHOUMIAN, L.; JOSLYN, A. Wasp venom proteins: phospholipase A1 and B. Arch Biochem Biophys. 203:1-12, 1984.

3. MARKLAND JR, FS. Snake venoms and the hemostatic system. Toxicon. v. 36, p.1749-1800, 1998.

4. GRINSPAN, S. Exámenes pré-operatorios para el estudio de la hemostasis. Rev Med Hondureña, v. 60, n. 3, p. 34-138, 1992.

5. HORSTI, J. Comparison of quick and owner prothrombin time with regard to the harmonization of the International Normalized Ratio (INR) system. Clin Chem Lab Med, v. 40, n. 4, p. 399-403, 2002.

6. MARZOUKA, E. Control del tratamiento con anticoagulantes orales y tiempo de protrombina. Rev Méd Chile, v. 199, n. 10, p. 1160-4, 1991.

7. CARRERAS, LO.; KORDICH, L. C. Control del tratamiento con anticoagulantes orales. Sistema INR. Acta Bioq Clín Latinoa, v. XIX, n. 2, p. 179-86, 1985.

8. KAGAWA, K.; FUKUTAKE, K. Prothrombin time and its standardization: a potentiality to introduce INR method in criteria for disseminated intravascular coagulation. Rinsho Byori, v. 50, n. 3, p. 277-82, 2002.

9. KOEPKE, JA. Partial thromboplastin time test – proposed performance guidelines. ICSH Panel on the PTT. Thromb Haemost 55: 143-4, 1986.


Agradecimentos:

CNPq, Fundação Araucária e Unicentro.





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