Agentes químicos



Baixar 217.65 Kb.
Página1/3
Encontro24.12.2017
Tamanho217.65 Kb.
  1   2   3

AGENTES QUÍMICOS:

São substâncias compostas ou produtos que possam penetrar no organismo pela via respiratória, ou pela natureza da atividade de exposição possam ter contato através da pele ou serem absorvidos pelo organismo por ingestão; Poeiras, Fumos, Névoas, Neblina, Gases, e Vapores.

São os agentes ambientais causadores em potencial de doenças profissionais devido à sua ação química sobre o organismo dos trabalhadores. Podem ser encontrados tanto na forma sólida, como líquida ou gasosa. Além do grande número de materiais e substâncias tradicionalmente utilizadas ou manufaturadas no meio industrial, uma variedade enorme de novos agentes químicos em potencial vai sendo encontrados, devido à quantidade sempre crescente de novos processos e compostos desenvolvidos.

Eles podem ser classificados de diversas formas, segundo suas características tóxicas, estado físico, etc. Conforme foi observado, os agentes químicos são encontrados em forma sólida, líquida e gasosa.

Os agentes químicos, quando se encontram em suspensão ou dispersão no ar atmosférico, são chamados de contaminantes atmosféricos. Estes podem ser classificados em:



- Aerodispersóides - Gases - Vapores

Aerodispersóides.

São dispersões de partículas sólidas ou líquidas de tamanho bastante reduzido (abaixo de 100m, que podem se manter por longo tempo em suspensão no ar. Exemplos: poeiras (são partículas sólidas, produzidas mecanicamente por ruptura de partículas maiores), fumos (são partículas sólidas produzidas por condensação de vapores metálicos), fumaça (sistemas de partículas combinadas com gases que se originam em combustões incompletas), névoas (partículas líquidas produzidas mecanicamente, como por em processo “spray”) e neblinas (são partículas líquidas produzidas por condensações de vapores).

O tempo que os aerodispersóides podem permanecer no ar depende do seu tamanho, peso específico (quanto maior o peso específico, menor o tempo de permanência) e velocidade de movimentação do ar. Evidentemente, quanto mais tempo o aerodispersóides permanece no ar, maior é a chance de ser inalado e produzir intoxicações no trabalhador.

As partículas mais perigosas são as que se situam abaixo de 10m, visíveis apenas com microscópio. Estas constituem a chamada fração respirável, pois podem ser absorvidas pelo organismo através do sistema respiratório. As partículas maiores, normalmente ficam retidas nas mucosas da parte superior do aparelho respiratório, de onde são expelidas através de tosse, expectoração, ou pela ação dos cílios.



Gases.

São dispersões de moléculas no ar, misturadas completamente com este (o próprio ar é uma mistura de gases). Não possuem formas e volumes próprios e tendem a se expandir indefinidamente. À temperatura ordinária, mesmo sujeitos à pressão fortes, não podem ser total ou parcialmente reduzidos ao estado líquido.



Vapores.

São também dispersões de moléculas no ar, que ao contrário dos gases, podem condensar-se para formar líquidos ou sólidos em condições normais de temperatura e pressão. Uma outra diferença importante é que os vapores em recintos fechados podem alcançar uma concentração máxima no ar, que não é ultrapassada, chamada de saturação. Os gases, por outro lado, podem chegar a deslocar totalmente o ar de um recinto.

De acordo com a definição dada pela Portaria n.º 25, que alterou a redação da NR-09, são as substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade de exposição, possam ter contato ou ser absorvidos pelo organismo através da pele ou por ingestão.

São os riscos gerados por agentes que modificam a composição química do meio ambiente. Por exemplo, a utilização de tintas á base de chumbo introduz no processo de trabalho um risco do tipo aqui enfocado, já que a simples inalação de tal substância pode vir a ocasionar doenças como o saturnismo.

Tal como os riscos físicos, os riscos químicos podem atingir também pessoas que não estejam em contato direto com a fonte do risco, e em geral provocam lesões mediatas (doenças). No entanto, eles não necessariamente demandam a existência de um meio para a propagação de sua nocividade, já que algumas substâncias são nocivas por contato direto.

Tais agentes podem se apresentar segundo distintos estados: gasoso, líquido, sólido, ou na forma de partículas suspensas no ar, sejam elas sólidas (poeira e fumos) ou líquidas (neblina e névoas). Os agentes suspensos no ar são chamados de aerodispersóides.

As substâncias ou produtos químicos que podem contaminar um ambiente de trabalho classificam-se, em:


  • Aerodispersóides;

  • Gases e vapores.

As principais vias de penetração destas substâncias no organismo humano são:

  • O aparelho respiratório,

  • A pele,

  • O aparelho digestivo.

DOENÇAS CAUSADAS POR GASES E VAPORES TÓXICOS

1 . INTRODUÇÃO

Segundo HENDERSON E HAGGARD, os gases e vapores podem ser classificados Em quatro grupos:



  • irritantes,

  • asfixiantes (simples e químicos),

  • narcóticos,

  • tóxicos sistêmicos.

Esta classificação agrupa os gases e vapores do ponto de vista fisiopatológico, considerando principalmente a sua principal ação sobre o organismo.

Assim é que, certos gases narcóticos tem, além do efeito narcótico, efeitos sistêmicos ou apenas efeitos irritativos.

Abordaremos somente gases e vapores do grupo IV de Henderson e Haggard, ou seja compostos inorgânicos ou órgano-metálicos de ação sistêmica.

Podemos agrupa-los em :

1 -  compostos tóxicos protoplasmáticos: mercúrio e fósforo

2 - compostos órgano-metálicos: chumbo-tetraetila, arsina, níquel-carbonila, etc.

3 - compostos inorgânicos hidrogenados: fosfina, gás sulfídrico, etc.



1 . COMPOSTOS TÓXICOS PROTOPLASMÁTICOS

Os compostos tóxicos protoplasmáticos são aqueles que agem diretamente sobre as células, principalmente, naquelas ricas em protoplasma.

Podem agir mesmo em pequenas quantidades, sem necessitar de outras alterações anatômicas ou funcionais para que a sua ação se manifeste. Por exemplo, o monóxido de carbono (CO) combina-se com a hemoglobina impedindo o transporte normal de oxigênio para os tecidos.

Sua ação manifesta-se indiretamente, pela anoxia que produz em vários órgãos e tecidos.

Por outro lado, o mercúrio, que é um tóxico protoplasmático, age diretamente sobre as células, intervindo em seu metabolismo. No entanto, as substâncias assim classificadas podem agir igualmente em todas as células, quando presentes em altas concentrações, ou produzir seus efeitos nocivos somente em alguns tecidos ou órgãos que sejam particularmente mais sensíveis.

Citaremos como exemplos deste grupo o mercúrio (Hg) e o fósforo (P) que também serão tratados em capítulos especiais.



MERCÚRIO (Hg)

O mercúrio é um metal líquido que se volatiliza facilmente à temperatura ambiente, contaminando assim, a atmosfera do local de trabalho.

A intoxicação profissional pelo mercúrio se faz através da inalação destes vapores.

Quando ele está em altas concentrações, o trabalhador pode apresentar quadro de intoxicação aguda.

Estão expostos todos os trabalhadores que manipulam o mercúrio: indústria de termômetros ou barômetros, laboratórios químicos, indústria eletrônica, indústrias de lâmpadas, industrias químicas, etc.

Sendo um tóxico protoplasmático, penetra no organismo, localizando e agindo sobre as células ricas em protoplasma; células hepáticas ou túbulos renais, do sistema nervoso e das mucosas.

Elimina-se através das fezes (bile e intestino delgado), saliva, suor, leite e urina.

Ao ser eliminado, devido a sua ação cáustica pode causar lesões nos locais onde se põe em contato; estomatites, enterites, gastrites, etc.

Como sintomas prodrómicos da intoxicação crônica, o trabalhador pode apresentar: cefaléia, insônia, nistagmo, fibrilações musculares, dispnéia, gengivite hemorrágica, sialorréia com sabor metálico, anemia hipocrómica, etc.

A intoxicação crônica caracteriza-se pela predominância de sintomatologia digestiva e nervosa: estomatites (com gengivite e faringite), encefalopatia mercurial (hiperexcitabilidade, cefaléia com vertigens, angústia, tremores dos dedos, delírios, etc) e paralisias neurológicas com possível caquexia associada. Poucas vezes a nefrose esta associada.

Na anatomia patológica são encontradas desmielinizações de troncos nervosos, principalmente do cerebelo.

O homem normal elimina 10 g de mercúrio na urina, por dia. A injeção de BAL (British Anti-Lewisite) que é 2,3, dimercaptopropano determina; em casos de mercurialismo, aumento considerável na eliminação do mercúrio na urina.

  FÓSFORO (P) E SEUS COMPOSTOS

O fósforo branco que era utilizado nas indústrias, dada a sua alta toxicidade, foi gradativamente substituído pelo fósforo vermelho e o sesquisulfeto de fósforo.

O homem se expõe profissionalmente ao fósforo, em vários tipos de atividades industriais: indústria de produtos fosforescentes (tipo lâmpadas), de fogos de artifícios, de armas e explosivos, de pesticidas, de fósforos de segurança, etc.

A via de absorção mais importante num ambiente de trabalho é a respiratória, mas deve-se levar em conta a sua solubilidade em gordura, quando consideramos a sua penetração através da via cutânea ou digestiva. Da mesma forma não se deve administrar leite ou óleo para "neutralizar" a ação do veneno (contendo fósforo) ingerido acidentalmente ou não.

O fósforo é eliminado sob forma de vapores (com odor de alho) pela via respiratória, através de vômitos ou fezes ou sob forma de fosfatos pela via urinária.

A exemplo do mercúrio, o fósforo é um veneno protoplasmático, portanto lesa as células ricas em protoplasma; células hepáticas, dos túbulos renais, do córtex da supra-renal, do endotélio dos vasos e do miocárdio.

A intoxicação crônica (a profissional) caracteriza-se pelo aparecimento de sintomas gerais (anorexia, astenia, sintomas e sinais vagos do aparelho digestivo, etc).

Importantes, porém são as alterações hepáticas e as alterações ósseas, principalmente as da mandíbula.



COMPOSTOS ÓRGANO- METÁLICOS

São compostos que na sua estrutura comportam uma parte metálica e outra orgânica.

Em geral, a toxicidade destes compostos está na dependência do metal, porém a rapidez da absorção e do aparecimento da sintomatologia está na dependência da parte orgânica e da volatilidade do composto.

Podemos citar vários exemplos dos gases e vapores que constituem este grupo: a arsina, o chumbo tetra-etila, o níquel-carbonila, etc.



CHUMBO TETRA-ETILA

O chumbo tetra-etila é um líquido suficientemente volátil a temperatura ambiente para produzir uma contaminação no ar do ambiente de trabalho.

O homem se expõe profissionalmente:


  • Na preparação e manipulação do composto que é adicionado à gasolina como antidetonante;

  • Na limpeza de tanque de estocagem do composto;

  • Na manipulação de gasolinas contendo chumbo tetraetila.

O chumbo tetra-etila penetra no organismo através da inalação de vapores, da pele e do tubo digestivo. É armazenado no fígado e também distribuído em todo o organismo, principalmente no cérebro onde exerce a sua ação tóxica. Produz uma inibição das fosforilações oxidativas e da 5-hidroxi-tiptofane decarboxilase. Esta última ação provoca uma redução da concentração de serotonina no cérebro.

O quadro clínico é diferente daquele que aparece na intoxicação crônica pelo chumbo inorgânico.. Predominam os efeitos do chumbo tetraetila sobre o sistema nervoso central: cefaléia, insônia, pesadelos, nervosismo, irritabilidade, e sintomas gastrointestinais leves podem aparecer precocemente.

No seu quadro mais grave, freqüentemente os pacientes experimentam episódios de comportamentos maníacos. A intoxicação aguda manifesta-se pela fadiga, fraqueza, perda de peso, dores musculares, tremores, queda do purbo, queda da Pressão Arterial. Também é irritante da pele e mucosas.

Para o diagnóstico são importantes o antecedente profissional, o quadro clínico e a dosagem de chumbo na urina e/ou no sangue. Predominando o quadro neurológico, deve-se fazer o diagnóstico diferencial com delirium tremens.

O tratamento pode ser semelhante ao tratamento administrado aos intoxicados crônicos por chumbo inorgânico.

ARSINA (As H3)

A arsina é um gás incolor, mais pesado que o ar e que se forma quando o arsênico trivalente entra em contato com o hidrogênio nascente. Esta reação ocorre, em geral, acidentalmente, em processos metalúrgicos que envolvem substâncias que contém arsênico como impurezas.

O risco de intoxicação existe em locais onde utiliza zinco, chumbo, cobre, enxofre, ouro, prata etc. que contenham impurezas arsenicais, na limpeza de tanques, no funcionamento de acumuladores, na indústria química, (por ex. produção de cloretos e sulfatos de zinco) ,etc.

O quadro de intoxicação leve caracteriza-se por cefaléia, vertigem, hálito de odor aliáceo, anemia ligeira e taxa elevada de arsênico na urina.

É um veneno essencialmente hemolítico, e, em quadros mais graves aparecem sintomas mais característicos: ligeira icterícia, hemoglobinúria, seguido de anúria pela necrose tubular aguda e anemia severa (hemolítica). A morte sobrevêm por falência cardíaca e edema agudo do pulmão. Se o indivíduo sobrevive, insuficiência renal crônica ou neuropatia periférica pode ficar como seqüelas.

O prognóstico depende da função renal restante e das intensidade das altercações nervosas.

O tratamento deve ser sintomático. Pode-se dizer:

1. sanguíneo transfusão

2. diálise

- a administração do BAL tem pouco valor para o quadro agudo, mas pode prevenir o aparecimento de efeitos tardios do arsênico.



NÍQUEL-CARBONILA Ni (CO)4

O níquel-carbonila é um liquido volátil (ebulição a 43o C) decompondo-se facilmente em níquel e monóxido de carbono.

É um produto intermediário na manipulação do níquel.

Apresenta uma toxicidade muito grande e penetra através da via respiratória e cutânea.

Os efeitos agudos da exposição ao níquel-carbonila são caracterizados por duas fases:

1a fase: o paciente se queixa de cefaléia, vertigens, náuseas, vômitos que desaparecem se o mesmo respira ar fresco.

2a fase: depois de 12 a 36 h, sobrevêm os sinais de pneumonia química com: dores retro-esternais, sensação de constrição torácica, tosse, dispnéia, cianose, seguindo-se um estado de delírio e convulsões. Casos fatais, submetidos à autópsia, mostram os pulmões com focos hemorrágicos, atelectasia e necroses e o cérebro com focos hemorrágicos.

Quanto aos efeitos crônicos, sabemos que a incidência de câncer das fossas nasais e dos pulmões é maior nos trabalhadores expostos ao níquel-carbonila.



COMPOSTOS INORGÁNICOS HlDROGENADOS

  FOSFINA (H3P)

E um gás incolor, mais pesado que o ar, produzido pela ação da água sobre o fósforo, na conservação ou transporte do ferro-silicio que contém fosfato de cálcio como impureza, no emprego de fosfato de zinco como raticida, no uso de acetileno que pode conte-la como impurezas, etc.

Fisiologicamente pode agir de modo agudo e crônico. O quadro agudo caracteriza-se pelo aparecimento de sintomatologia nervosa (vertigens, cefaléia, tontura, tremores de extremidades, convulsões e coma), e sintomas respiratórios: dor torácica, dispnéia, tosse e às vezes edema agudo do pulmão.

O tratamento é sintomático.

GÁS SULFIDRICO (H2S)

E um gás de odor forte (ovo podre), incolor, com densidade maior do que o ar.


O homem se expõe profissionalmente ao gás sulfídrico:

a. em locais onde há matéria orgânica em decomposição


b. na fabricação da seda artificial pelo processo viscose
c. na refinaria de petróleo (impurezas contendo enxofre)
d. na fabricação de gás de iluminação
e. na indústria de borracha

É um gás altamente irritante e tem sua ação local mais importante, agindo principalmente no trato respiratório alto e conjuntivas oculares.



Como ação sistêmica podemos ter:

a . excitação seguida de depressão do sistema nervoso central, particularmente do centro respiratório



b. inibição da citocromo-oxidase a transformação da hemoglobina em sulfo-hemoglobina.

O quadro clínico pode ser subdividido em :

  • superagudo: O paciente tem convulsões, perde subitamente a consciência e
    apresenta dilatação da pupila.

  • agudo: O paciente pode apresentar dois tipos de sintomas:

  1. sintomas respiratórios: tosse, as vezes com expectoração hemoptóica, polipnéia, edema agudo do pulmão;

  2. sintomas nervosos: sensação de desmaio, cefaléia, náusea, vomito, hiperexcitabilidade e convulsões podendo terminar em morte por asfixia.

c. sub-agudo: A sintomatologia é devida às irritações locais: querato-conjuntivites com ulcerações superficiais da córnea, fotofobia, bronquites e distúrbios digestivos (náusea e vômitos). Alguns sintomas neurológicos podem aparecer: contraturas musculares, cefaléias, vertigens, sonolência, amnésia, delírio etc.

d. crônica: A existência de sintomatologia crônica devida a exposição ao gás sulfídrico é objeto de controvérsias mas, certamente é responsável pela existência de bronquites crônicas. O diagnóstico é feito quase que exclusivamente pela história (anammese profissional) e tratamento sintomático.

DOENÇAS RESPIRATÓRIAS – AGENTES QUÍMICOS

Doenças do sistema respiratório relacionadas com o trabalho

Doenças

Agentes etiológicos ou fatores de risco de natureza ocupacional

Faringite Aguda, não especificada ("Angina Aguda", "Dor de Garganta")

  • Bromo

  • Iodo

Laringotraqueíte Aguda

  • Bromo

  • Iodo

Outras Rinites Alérgicas

  • Carbonetos metálicos de tungstênio sinterizados Cromo e seus compostos tóxicos Poeiras de algodão, linho, cânhamo ou sisal.

  • Acrilatos Aldeído fórmico e seus polímeros

  • Aminas aromáticas e seus derivados

  • Anidrido ftálico

  • Azodicarbonamida

  • Carbetos de metais duros: cobalto e titânio

  • Enzimas de origem animal, vegetal ou bacteriano

  • Furfural e Álcoól Furfurílico

  • Isocianatos orgânicos

  • Níquel e seus compostos

  • Pentóxido de vanádio

  • Produtos da pirólise de plásticos, cloreto de vinila, teflon

  • Sulfitos, bissulfitos e persulfatos

  • Medicamentos: macrólidos; ranetidina ; penicilina e seus sais; cefalosporinas

  • Proteínas animais em aerossóis

  • Outras substâncias de origem vegetal (cereais, farinhas, serragem, etc.)

  • Outras susbtâncias químicas sensibilizantes da pele e das vias respiratórias

Rinite Crônica

  • Arsênico e seus compostos arsenicais

  • Cloro gasoso

  • Cromo e seus compostos tóxicos

  • Gás de flúor e Fluoreto de Hidrogênio (X

  • Amônia

  • Anidrido sulfuroso

  • Cimento

  • Fenol e homólogos

  • Névoas de ácidos minerais

  • Níquel e seus compostos

  • Selênio e seus compostos

Faringite Crônica

  • Bromo

Sinusite Crônica

  • Bromo

  • Iodo

Ulceração ou Necrose do Septo Nasal

  • Arsênio e seus compostos arsenicais

  • Cádmio ou seus compostos

  • Cromo e seus compostos tóxicos

  • Soluções e aeoressóis de Ácido Cianídrico e seus derivados

Perfuração do Septo Nasal

  • Arsênio e seus compostos arsenicais

  • Cromo e seus compostos tóxicos

Laringotraqueíte Crônica

  • Bromo

Outras Doenças Pulmonares Obstrutivas Crônicas (Inclui: "Asma Obstrutiiva", "Bronquite Crônica", "Bronquite Asmática", "Bronquite Obstrutiva Crônica")

  • Cloro gasoso

  • Exposição ocupacional à poeira de sílica livre

  • Exposição ocupacional a poeiras de algodão, linho, cânhamo ou sisal

  • Amônia

  • Anidrido sulfuroso

  • Névoas e aerossóis de ácidos mineral

  • Exposição ocupacional a poeiras de carvão mineral

Asma

  • Mesma lista das substâncias sensibilizantes produtoras de Rinite Alérgica

Pneumoconiose dos Trabalhadores do Carvão

  • Exposição ocupacional a poeiras de carvão mineral

  • Exposição ocupacional a poeiras de sílica-livre

Pneumoconiose devida ao Asbesto (Asbestose) e a outras fibras minerais

  • Exposição ocupacional a poeiras de asbesto ou amianto

Pneumoconiose devida à poeira de Sílica (Silicose)

  • Exposição ocupacional a poeiras de sílica-livre

Beriliose

  • Exposição ocupacional a poeiras de berílio e seus compostos tóxicos

Siderose

  • Exposição ocupacional a poeiras de ferro

Estanhose

  • Exposição ocupacional a poeiras de estanho

Pneumoconiose devida a outras poeiras inorgânicas especificadas

  • Exposição ocupacional a poeiras de carboneto de tungstênio

  • Exposição ocupacional a poeiras de carbetos de metais duros (Cobalto, Titânio, etc.)

  • Exposição ocupacional a rocha fosfática

  • Exposição ocupacional a poeiras de alumina (Al2O3) ("Doença de Shaver")

Pneumoconiose associada com Tuberculose ("Silico-Tuberculose")

  • Exposição ocupacional a poeiras de sílica-livre

Doenças das vias aéreas devidas a poeiras orgânicas : Bissinose , devidas a outras poeiras orgânicas especificadas

  • Exposição ocupacional a poeiras de algodão, linho, cânhamo, sisal

Pneumonite por Hipersensibilidade a Poeira Orgânica : Pulmão do Granjeiro (ou Pulmão do Fazendeiro) ; Bagaçose ; Pulmão dos Criadores de Pássaros ; Suberose ;Pulmão dos Trabalhadores de Malte ; Pulmão dos que Trabalham com Cogumelos ; Doença Pulmonar Devida a Sistemas de Ar Condicionado e de Umidificação do Ar ; Pneumonites de Hipersensibilidade Devidas a Outras Poeiras Orgânicas ; Pneumonite de Hipersensibilidade Devida a Poeira Orgânica não especificada (Alveolite Alérgica Extrínseca SOE; Pneumonite de Hipersensibilidade SOE

  • Exposição ocupacional a poeiras contendo microorganismos e parasitas infecciosos vivos e seus produtos tóxicos

  • Exposição ocupacional a outras poeiras orgânicas

Bronquite e Pneumonite devida a produtos químicos, gases, fumaças e vapores ("Bronquite Química Aguda")

  • Berílio e seus compostos tóxicos

  • Bromo

  • Cádmio ou seus compostos

  • Gás Cloro

  • Flúor ou seus compostos tóxicos

  • Solventes halogenados irritantes respiratórios

  • Iodo

  • Manganês e seus compostos tóxicos

  • Cianeto de hidrogênio

Edema Pulmonar Agudo devido a produtos químicos, gases, fumaças e vapores (Edema Pulmonar Químico)

  • Berílio e seus compostos tóxicos

  • Bromo

  • Cádmio ou seus compostos

  • Gás Cloro

  • Flúor e seus compostos

  • Solventes halogenados irritantes respiratórios

  • Iodo

  • Cianeto de hidrogênio

Síndrome de Disfunção Reativa das Vias Aéreas (SDVA/RADS)

  • Bromo

  • Cádmio ou seus compostos

  • Gás Cloro

  • Solventes halogenados irritantes respiratórios

  • Iodo

  • Cianeto de hidrogênio

  • Amônia

Afeccções respiratórias crônicas devidas à inalação de gases, fumos, vapores e substâncias químicas: Bronquiolite Obliterante Crônica, Enfisema Crônico Difuso, Fibrose Pulmonar Crônica

  • Arsênico e seus compostos arsenicais

  • Berílio e seus compostos

  • Bromo

  • Cádmio ou seus compostos

  • Gás Cloro

  • Flúor e seus compostos

  • Solventes halogenados irritantes respiratórios)

  • Iodo

  • Manganês e seus compostos tóxicos

  • Cianeto de hidrogênio

  • Ácido Sulfídrico (Sulfeto de hidrogênio)

  • Carbetos de metais duros

  • Amônia

  • Anidrido sulfuroso

  • Névoas e aerossóis de ácidos minerais

  • Acrilatos

  • Selênio e seus compostos

Pneumonite por Radiação (manifestação aguda) e Fibrose Pulmonar Conseqüente a Radiação (manifestação crônica)

  • Radiações ionizantes

Derrame pleural

Placas pleurais

  • Exposição ocupacional a poeiras de Asbesto ou Amianto

Enfisema intersticial

  • Cádmio ou seus compostos

Transtornos respiratórios em outras doenças sistêmicas do tecido conjuntivo classificadas em outra parte ): "Síndrome de Caplan"

  • Exposição ocupacional a poeiras de Carvão Mineral

  • Exposição ocupacional a poeiras de Sílica livre



PNEUMOCONIOSES

1. Aspectos Epidemiológicos

As Doenças Pulmonares Ambientais e Ocupacionais - DPAO, especialmente aquelas relacionadas aos ambientes de trabalho, constituem ainda, entre nós, um importante e grave problema de saúde pública.

Considerando o atual estágio de desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil, enquanto país industrializado são incipientes os conhecimentos e os mecanismos de controle dessas enfermidades conseqüentes da degradação ambiental, que, por sua vez, têm gerado impacto nas condições de saúde e qualidade de vida da população.

Essas doenças, em sua maioria, de curso crônico, são irreversíveis e sem tratamento. Além de incapacitar os indivíduos ainda jovens em plena capacidade laborativa, requer compensação previdenciária, faceta importante de implicação social.

Conforme Portaria nº. 2.569, publicada no Diário Oficial União de 20.12.95, o Ministério da Saúde, através da Coordenação Nacional de Pneumologia Sanitária e da Coordenação de Saúde do Trabalhador constituiu o Comitê Assessor em Doenças Pulmonares Ambientais e Ocupacionais, com o propósito de, juntamente com outros segmentos, implementar ações para o equacionamento e, se possível, a redução dessas doenças.

Diante da importância e da abrangência das doenças relacionadas ao processo de trabalho, pretende-se abordar nesse manual de normas as Pneumoconioses, tais como: a Silicose, a Pneumoconiose dos Trabalhadores de Carvão e a Pneumoconiose por Poeiras Mistas, em especial aquelas que causam maior impacto social em nosso meio.

O termo pneumoconiose foi criado por Zenker, em 1866, para designar um grupo de doenças que se originam de exposição a poeiras fibrosantes. Em 1971, este termo foi redefinido como sendo "o acúmulo de poeiras nos pulmões e a reação tecidual à sua presença" e define como poeira um aerosol composto de partículas sólidas inanimadas.

As pneumoconioses a serem abordadas neste manual são algumas das mais freqüentes encontradas no país: Silicose, Pneumoconiose dos Trabalhadores de Carvão e Pneumoconiose por Poeiras Mistas.

 Silicose

A silicose é uma doença pulmonar causada pela inalação de poeiras com sílica-livre e sua conseqüente reação tecidual de caráter fibrogênica.

Embora conhecida desde a antigüidade, no Brasil, caracteriza-se como a principal pneumoconiose e as estatísticas fiéis são escassas, assim como as estimativas da população de risco. Contudo, a ocorrência de poeiras com sílica certamente atinge alguns milhões de trabalhadores nas mais variadas atividades produtivas.

Agrava-se o quadro quando se considera que a silicose está intimamente relacionada com a tuberculose, além de outras doenças como artrite reumatóide e até mesmo neoplasia pulmonar.

No Brasil, em 1978, estimou-se a existência de aproximadamente 30.000 portadores de silicose. Em Minas Gerais, registrou-se a ocorrência de 7.416 casos de silicose na mineração de ouro. Na região Sudeste de São Paulo foram identificados aproximadamente 1000 casos em trabalhadores das indústrias de cerâmicas e metalúrgicas. No Ceará, entre 687 cavadores de poços examinados, a ocorrência de silicose e provável silicose foi de 26,4% (180 casos). No Rio de Janeiro, entre jateadores da indústria de construção naval, a ocorrência de silicose foi de 23,6% (138 casos), em 586 trabalhadores radiografados. Na Bahia, relatório preliminar de avaliação dos casos atendidos no Centro de Estudo de Saúde do Trabalhador (CESAT), no período de 1988 a 1995, registrou a existência de 98 casos, sendo encontrada associação de sílico-tuberculose em 37 casos (38%).

Pneumoconiose dos Trabalhadores de Carvão (PTC)

Esta enfermidade é causada pelo acúmulo de partículas de carvão nos pulmões, com prevalência e incidência em diferentes regiões carboníferas do mundo. Os dados estatísticos diferem muito devido a existência de vários tipos de carvão. O tipo antracitoso, que possui elevado conteúdo de carbono, promove maior número de partículas respiráveis, quando comparado ao tipo betuminoso que é o mais comum nas minas da região Sul do Brasil.

Em 1836, a PTC foi descrita na Inglaterra por Thompson. No final do século passado e início deste, aumentou o número de casos com a eclosão da primeira e segunda Guerra Mundial. Tornou-se um problema epidêmico, principalmente no país de Gales e Inglaterra, razão pela qual em 1945 criou-se uma unidade de pesquisa para as pneumoconioses.

No Brasil, as PTC ocorrem com maior freqüência nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul onde estão concentradas as maiores bacias carboníferas do país. Somente na região de Santa Catarina existem mais de 3000 casos de PTC. A prevalência que era de 5 a 8%, com a mineração manual ou semimecanizada, passou para 10% com a mecanização das minas. A partir de 1985, com adoção de medidas de prevenção como uso de água nas frentes de serviços e melhor sistema de ventilação, a prevalência caiu para 5 a 6%.

A redução na incidência das PTC tem sido observada nos países desenvolvidos, medidas de higiene, como por exemplo, a Inglaterra, quando os índices eram de 13,4% na década de 50, caíram para 5,2% em 1978, e atualmente estão entre 3 e 2,5%. Essa mesma redução vem ocorrendo na Alemanha, França e Estados Unidos da América. Além disso, deve-se considerar que os mineiros desses países trabalham, em média, 30 anos, enquanto que no Brasil o período laborativo na mineração no subsolo é de 15 anos.

Pneumoconiose por Poeiras Mistas (PPM)

Define-se PPM como as pneumoconioses causadas pela inalação de poeiras minerais com porcentagem de sílica livre cristalina abaixo de 7,5%, ou com alterações anatomopatológicas características, tais como "lesões em cabeça de medusa" ou "fibrose intersticial".



São consideradas como mais freqüentes:

  • a antracosilicose em mineiros de carvão expostos a altos teores de Si02;

  • a silicossiderose em fundidores de ferro;

  • a doença de Shaver, nos trabalhadores de fabricação da abrasivos de alumínio;

  • a pneumoconiose pelo caulim e a talcose.

  • Trabalhadores Expostos ao Risco: caracteriza-se como trabalhadores expostos ao risco ocupacional de adoecimento por Silicose, PTC e PPM todo indivíduo que trabalha em ambiente onde respira-se essas poeiras.

Sílica livre: (sílica cristalina ou quartzo) composto unitário de SiO2 (dióxido de silício) com um átomo de oxigênio nas pontas de um tetraedro. A sílica livre cristalina é extremamente tóxica para o macrófago alveolar devido às suas propriedades de superfície que levam à lise celular.

Partículas de carvão: poeira proveniente do carvão mineral, desprendida durante a mineração. Existem quatro tipos de carvão: legnito, sub-betuminoso, betuminoso e antracitoso. Os dois últimos são os maiores responsáveis pelo desenvolvimento da doença.

O risco de silicose existe quando há mais de 7,5% de sílica livre cristalina na fração de poeira respirável ou quando, mesmo abaixo destes limites, o Limite de Tolerância para sílica é ultrapassado. Abaixo de 7,5 %, as lesões anatomopatológicas encontradas são mais características do restante da fração respirável do que a própria sílica, constituindo-se quadro de pneumoconiose por poeira mista.

Fração respirável é a fração de poeira resultante de uma determinada atividade de trabalho que é veiculada pelo ar e tem o potencial de penetração e de deposição no sistema respiratório humano. A composição da fração respirável de um aerosol pode ser diferente em relação ao mineral bruto a que deu origem.

  • Atividades de Risco de Silicose, PTC e PPM

  • indústria extrativa: mineração subterrânea e de superfície

  • beneficiamento de minerais: corte de pedras, britagem, moagem e lapidação

  • indústria de transformação: cerâmicas, fundições, vidros, abrasivos, marmorarias, cortes e polimento de granito e cosméticos

  • atividades mistas: protéticos, cavadores de poços, artistas plásticos, jateadores de areia e borracheiros.

Os Fatores de Risco de Adoecimento podem ser classificados como:

  • dependentes da exposição;

  • concentração total de poeira respirável;

  • dimensão das partículas;

  • composição mineralógica da poeira respirável;

  • tempo de exposição;

  • dependentes da resposta orgânica individual;

  • integridade do sistema de transporte mucociliar e das respostas imunitárias;

  • concomitância de outras doenças respiratórias;

  • hiperreatividade brônquica;

  • susceptibilidade individual

2. Diagnóstico

Os diagnósticos das Silicose, PTC e PPM são efetuados especialmente através da anamnese, com ênfase na história ocupacional de exposição a poeiras minerais e nas alterações da teleradiografia do tórax. Quando a elucidação diagnóstica não for possível de ser caracterizada, recomenda-se o encaminhamento do trabalhador para a Unidade Especializada (Núcleo ou Centro de Referência).



  • História Ocupacional: na anamnese ocupacional, além da discriminação nominal da profissão, deve-se ressaltar:

  • a descrição de todas as funções com risco inalatório apresentado pelo trabalhador;

  • o detalhamento da participação efetiva do trabalhador nos processos de trabalho;

  • o tipo de exposição e a contagem total de anos de exposição a poeiras minerais;

  • o consumo tabágico em anos/maço e o tempo que deixou de fumar;

  • a história de atopia, asma, tuberculose.

  • História Clínica: os pacientes nas fases iniciais da doença são oligossintomáticos; à medida que esta evolui, os sintomas clínicos tornam-se freqüentes, predominando dispnéia de esforço, fadiga e tosse seca. Nas fases mais avançadas da doença pode sobrevir a insuficiência respiratória, com dispnéia aos mínimos esforços ou até em repouso, bem como o cor pulmonale.

  • Exame Radiológico: a radiografia do tórax é o exame mais importante tanto para o diagnóstico como para o controle da evolução da doença, vez que a visualização das alterações radiológicas pulmonares permite a confirmação do caso de Silicose, Pneumoconiose dos Trabalhadores de Carvão e Pneumoconiose por Poeiras Mistas. As imagens radiológicas da Silicose, PTC e PPM caracterizam-se pela presença de pequenas opacidades nodulares e/ou lineares. Estas alterações devem-se à coalescência de nódulos pneumoconióticos que, quando alcançam de 1 a 2 milímetros de diâmetro, dão a expressão de imagem radiológica de pequenas opacidades (nodulares e/ou lineares) e ocasionalmente grandes opacidades em formas avançadas (Organização Internacional do Trabalho - OIT/80).

  • Tomografia Computadorizada de Alta Resolução (TCAR) do Tórax: a TC do tórax ainda não constitui um exame padronizado para o diagnóstico das pneumoconioses, a indicação da sua realização deverá ser restrita aos Centros de Referência.

  • Outros Exames

Espirometria: a espirometria determina distúrbio ventilatório e deve ser solicitada para todos os pacientes com diagnóstico de Silicose, PTC e PPM, conforme a NR-7 de 30.12.94, admissional e bienalmente.

  • Biopsia Pulmonar: exauridos os métodos diagnósticos não evasivos, a biópsia pulmonar poderá ser indicada nas seguintes situações:

  • alteração radiológica compatível com exposição, mas com história ocupacional não característica ou ausente (tempo de exposição insuficiente para causar as alterações observadas);

  • com história de exposição a poeiras ou outros agentes desconhecidos;

  • com aspecto radiológico discordante como do tipo de exposição referida.

  • quando o trabalhador apresenta história de exposição, sintomas e sinais clínicos pertinentes, função pulmonar alterada, porém com radiograma de tórax e tomografia computadorizada normais; e

  • quando ocorrem casos de disputas judiciais, após discordância entre, pelo menos, dois leitores devidamente capacitados para interpretação radiológica da Classificação Internacional de Pneumoconiose da OIT/80.

A biópsia pulmonar deverá ser indicada nos Núcleos ou Centros de Referência, sendo inicialmente recomendada a biópsia transbrônquica e, nos casos negativos, a biópsia por toracotomia.

  • Procedimentos Administrativos e Periciais: o diagnóstico de Silicose, PTC e PPM deve ser criterioso, porque estigmatiza o trabalhador e dificulta sua relação trabalhista. Do ponto de vista legal, o diagnóstico destas enfermidades remete o trabalhador imediatamente ao setor de perícia médica do INSS. Diante de um caso de pneumoconiose os procedimentos administrativos e periciais devem ser:

Emissão da Comunicação de Acidentes de Trabalho - CAT: todos os casos de pneumoconiose devem ser objeto de emissão de CAT pelo empregador ou por pessoas e órgãos competentes, nos termos do artigo 22 da Lei n.º 8213/91, até o primeiro dia útil após a data da constatação. De posse da CAT deverá procurar o setor de perícia médica do INSS que após estabelecer o nexo causal deverá conceder o auxílio acidente.

  • Procedimentos para Atendimento

Identificação do Caso:

Unidades de Saúde de menor complexidade: ao identificar o trabalhador que tem ou tenha desenvolvido atividade de risco, o mesmo será encaminhado para Unidade Especializada. A Ficha Individual de Investigação deverá ser preenchida com o máximo de informações de que dispõe a unidade e remetida por malote ou correio para a Unidade Especializada.

Unidades de maior complexidade: caso o trabalhador oriundo de outra unidade de saúde não compareça para a investigação, este Núcleo ou Centro de Referência, no prazo de 30 dias, convoca-lo-á por meio de carta-convite ou pelos agentes de saúde, caso existam na região. O não comparecimento do mesmo será comunicado à unidade de saúde de origem.

  • Investigação diagnóstica

  • História Ocupacional: detalhar a anamnese valorizando a ocupação atual e anterior e o tempo de exposição à poeira.

  • História Clínica: definir o início dos sintomas, quando existentes, e sua evolução, principalmente a dispnéia.

  • Teleradiografia do tórax: realizar em todos os casos procedentes de ambiente de risco e sua leitura deve estar de acordo com as recomendações da OIT/80. Este é o exame mais importante para diagnóstico e controle da doença.

Caso confirmado de Pneumoconiose = História Ocupacional presente e Radiografia do Tórax compatível com alteração ³ 1/0

Para as unidades onde existam condições para realização de outros exames, recomenda-se:



  • Espirometria: exame eficaz para realizar o estadiamento do grau de incapacidade respiratória e a sua evolução.

  • Biopsia pulmonar: indicada nos casos em que a história ocupacional e a radiografia do tórax não sejam capazes de confirmar o diagnóstico, ou tenham resultados divergentes.

  • Conduta frente a um Caso confirmado:

  • notificação do caso ao Centro de Referência em Doenças Pulmonares Ambientais e Ocupacionais (DPAO) ou ao Centro de Referência em Saúde do Trabalhador;

  • todos os casos notificados aos Centros de Referência devem ser digitados no SINAN, caso este sistema esteja implantado na região;

  • emissão da Comunicação de Acidentes de Trabalho (CAT) para o INSS;

  • acompanhamento do caso anualmente ou semestralmente, caso apresente a forma clínica acelerada e aguda da pneumoconiose.

Vigilância Epidemiológica

Compete a todos os níveis de governo: local, municipal, estadual e nacional as atividades de diagnóstico e medidas de controle das pneumoconioses.

A capacidade resolutiva nos diferentes níveis mencionados poderá ser incrementada se as Unidades Federadas se comprometerem com a identificação dos trabalhadores expostos aos riscos e com a investigação diagnóstica, o que requer a necessária descentralização de procedimentos como: delegação de funções e de competência em nível do SUS, participação ativa das instituições e das empresas envolvidas.

O conhecimento do mapeamento de áreas de risco da região é importante para o desenvolvimento das ações de vigilância epidemiológica das pneumoconioses, que tem como objetivos (Anexo I):



    • investigar os trabalhadores que executam atividades em ambiente de risco e que procuram as unidades assistenciais e empresas;

    • analisar os dados obtidos através da demanda espontânea do trabalhador às unidades assistenciais ou empresas e/ou inquéritos epidemiológicos;

    • estimar a magnitude do problema das pneumoconioses e recomendar medidas de controle.

    • Sistema de Informação: a Ficha Individual de Investigação que já está incluída no Sistema de Informação de Agravos de Notificação - SINAN, será a base do sistema de informação das pneumoconioses. Este sistema permite a análise informatizada desde o nível local até o nível central. Contudo, na fase inicial de implantação do Sistema de Vigilância Epidemiológica- SVE, esta ficha poderá fazer parte do sistema de informação de Centro de Referência em DPAO ou Centro de Saúde do Trabalhador, que por sua vez, enviará ao setor responsável pela Vigilância Epidemiológica ligado ao SUS. A fonte de dados para o preenchimento desta ficha é o prontuário do paciente onde estão registrados: a identificação, o diagnóstico e a evolução do caso. As fichas individuais dos casos confirmados pelas unidades assistenciais de nível local e Unidades Especializadas deverão ser encaminhadas mensalmente para os Centros de Referência em DPAO ou Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (caso o SINAN esteja implantado na região, cópias das fichas ou disquetes deverão ser enviadas aos níveis superiores do SUS). Estes dados serão consolidados trimestralmente pelos Centros de Referência e enviados ao nível central - Coordenação Nacional de Pneumologia Sanitária - CNPS. Ao nível central caberá a análise dos dados provenientes das Unidades Federadas e a elaboração de relatório destinado às unidades de origem, COSAT/MS, SSMT/MTb e ao INSS para conhecimento da situação e das gestões que se fizerem necessárias.

    • Atribuições dos Diferentes Níveis de Atuação das Atividades (Anexo I):

Nível Central - Ministério da Saúde/Fundação Nacional de Saúde: a Coordenação Nacional de Pneumologia Sanitária (CNPS) e a Coordenação de Saúde do Trabalhador (COSAT), em conjunto com o Comitê Assessor em Doenças Pulmonares Ambientais e Ocupacionais, definirão as políticas, as normas técnicas, o planejamento de metas para as ações de diagnóstico e efetuarão a avaliação e o acompanhamento em nível estadual.

Nível Intermediário - Unidades Especializadas: as Unidades Especializadas poderão funcionar em Núcleos de Saúde do Trabalhador, Núcleos de Referência em Doenças Pulmonares Ambientais e Ocupacionais, e têm como competência, além da execução das atividades, notificar os casos aos Centros de Referência em Doenças Pulmonares Ambientais e Ocupacionais (CRDPAO). Os Centros de Referência em Doenças Pulmonares Ambientais e Ocupacionais ou Centros de Referência em Saúde do Trabalhador coordenam as ações de controle do Estado, realizam planejamento de acordo com a natureza do diagnóstico, executam as atividades de maior complexidade, assessoram e acompanham as unidades especializadas de menor complexidade e, ainda, desenvolvem pesquisas.

Nível Local - Unidades de Saúde: nível local compreende os ambientes onde se desenvolvem os serviços de saúde, seja na rede pública, nas empresas ou na rede de medicina de grupo. Deverão estar concentrados naquelas áreas que oferecem maiores riscos. São atribuições deste nível executar as ações de controle, desde que tenha competência ou encaminhar o caso para a unidade especializada quando for necessário.

    • AVALIAÇÃO DO SISTEMA DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA DAS " DPAO" - SVE - DPAO: o SVE - DPAO, a ser implantado em áreas de maior risco, será avaliado através de levantamentos - inquéritos epidemiológicos, que serão convalidados como "Padrão Ouro" a ser difundido nas demais áreas priorizadas. O processo de avaliação deverá seguir, rigorosamente, a metodologia proposta pela CNPS.

Estrutura do Sistema De Vigilância Epidemiológica das Doenças Ambientais – Pneumoconioses

NÍVEIS

COMPETÊNCIA

Nível Local

Centro de Saúde

Ambulatório de Saúde do Trabalhador

Empresas


Hospitais

Rede de Medicina de Grupo



Nível Local

Identificação trabalhadores procedentes de ambiente de risco do nível local, através da busca ativa, denúncia ou da demanda espontânea e posterior encaminhamento para os Núcleos de Referência em Saúde do Trabalhador ou aos Centros de Referência em Doenças Pulmonares Ambientais e Ocupacionais (CRDPAO). Caso o Nível Local tenha competência para realizar a investigação diagnóstica, deverá seguir o fluxo dos itens abaixo 2.1 ou 2.2.



Nível Intermediário - Unidades Especializadas

Núcleos de Referência para Doenças Pulmonares Ambientais e Ocupacionais (NRDPAO)

Núcleo de Saúde do Trabalhador (NST)


Identificação e recebimento de trabalhadores procedentes de ambiente de risco do nível local, NRDPAO ou do NST, para as atividades de investigação diagnóstica.

Notificação do caso;

Encaminhamento de notificação do caso confirmado para CRDPAO, Serviços de Vigilância Sanitária local e para as Delegacias Regionais do Trabalho;

Encaminhamento do caso para a perícia médica do INSS;

Acompanhamento do caso;

Retroalimentação ao nível local;

Encaminhamento aos Centros de Referência quando necessário;

Educação em Saúde.



Centro de Referência em Doenças Pulmonares Ambientais e Ocupacionais (CRDPAO)

Centro de Saúde do Trabalhador (CST)



Identificação e recebimento de trabalhadores procedentes de ambiente de risco de todos os níveis (local, NRDPAO, NST, CRDPAO ou CST) para as atividades de investigação diagnóstica;

Notificação do caso;

Encaminhamento da notificação do caso confirmado para os Serviços de Vigilância Local e Delegacia Regional do Trabalho;

Encaminhamento do caso para a perícia médica do INSS;

Acompanhamento do caso;

Retroalimentação ao NRDPAO, NST ou local;

Consolidação dos dados provenientes de nível local e das unidades especializadas e encaminhamento dos mesmos para o nível nacional;

Realizar treinamento, supervisão e assessoria técnica aos demais níveis;

Realizar pesquisas;

Educação em Saúde;

Realizar em conjunto com a Vigilância Sanitária local e DRT, investigação do ambiente nas áreas de risco, visando as ações de controle.

Realizar controle de qualidade do diagnóstico.



Nível Nacional

Coordenação Nacional de Pneumologia Sanitária - CENEPI/FNS/MS

Coordenação de Saúde do Trabalhador

SVS/SA/MA.



A Coordenação Nacional de Pneumologia Sanitária e a Coordenação de Saúde do trabalhador em conjunto com o Comitê Assessor em Doenças Pulmonares Ambientais e Ocupacionais definirão as políticas; as diretrizes e as normas técnicas de diagnóstico e controle das Doenças Pulmonares Ambientais decorrentes do processo de trabalho - Pneumoconiose.

Coleta e análise dos dados provenientes dos Centros de Referência;

Produção de informes epidemiológicos;

Retroalimentação aos demais níveis;

Treinamentos;

Assessoria técnica;

Supervisões;

Apoiar pesquisas.




Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal