Agricultura



Baixar 82.64 Kb.
Encontro27.02.2018
Tamanho82.64 Kb.




Apostila-Guia da Oficina de Alfabetização de Adultos

Elaboração e Organização do Grupo de Eco-Alfabetização – Sana
1 Introdução

Este material é um guia a ser utilizado na primeira Oficina de Alfabetização de Adultos organizada pelo Grupo de Eco-Alfabetização. Servirá para apresentar o método de trabalho que construímos para Alfabetização de Adultos. Todo o processo de organização da oficina foi parte da formação dos educadores e das educadoras para a organização do trabalho no Alto da Glória, aonde constituímos nossa primeira turma. A apostila contém textos técnicos, didáticos e ensaios sobre as disciplinas contidas no curso. Nestes ensaios a escrita utilizada pelos diferentes autores e autoras da apostila foi conservada, com a finalidade de reafirmar a diversidade como valor e marca de identidade do grupo (os textos são: “A Matemática da Vida”; “O que é ler? Para que ler?”; “A Agricultura na Alfabetização de Adultos”; e “Arte como processo de libertação”). A apostila está dividida assim:


1 Introdução

1.1 Objetivos e público alvo da oficina

1.2 Breve História do Grupo de Eco-Alfabetização

2. Os Conteúdos Disciplinares Abraçados e a Interdisciplinaridade (não desenvolvido)

2.1 O que é ler? Para que ler?

2.1.2 Os Módulos da Comunicação

2.2 A Matemática da Vida

2.2.1 Os Módulos da Matemática

2.3 A Agricultura na Alfabetização de Adultos

2.4 A Arte como processo libertador na Educação

3. Sugestões Estruturais

4. Referências Bibliográficas

5. Anexos

1.1 Objetivos da oficina:


  • Preparar o grupo para o trabalho comunitário a ser desenvolvido.

  • Apresentar e debater a metodologia de alfabetização de adultos.

  • Convidar duas pessoas interessadas em participar do trabalho comunitário de alfabetização de adultos a ser desenvolvido especificamente na turma formada no Alto da Glória.

  • Divulgarmos o trabalho do grupo para que outras pessoas que se identifiquem com nossas atividades e propostas de estudo e trabalho venham a se juntar a nós, seja no grupo de estudos, no trabalho comunitário no Alto da Glória ou em novas propostas.

Público alvo da oficina:

Educadores e moradores do Sana interessados em trabalhar com alfabetização de adultos.


1.2- Breve história do Grupo de Eco-Alfabetização

O Grupo de Eco-Alfabetização1, é um coletivo constituído por educadores e educadoras, com formação profissional ou autodidata, preocupado em manter um espaço de debates em educação e meio-ambiente e organizar trabalhos comunitários nestes campos. Nos reunimos uma vez por mês para estudos sobre educação e meio-ambiente e iniciamos a organização de um trabalho comunitário voltado para a alfabetização de adultos, que será realizado em nossa comunidade.

O grupo começou a se reunir em março de 2004, partindo de uma proposta de construção de uma creche comunitária aqui no Sana. Em suas primeiras reuniões apareceram muitas pessoas com propostas diferentes de trabalho sem saber como implementá-las e assim o grupo esvaziou em termos de participação. As reuniões não possuíam a organização e a objetividade necessárias. Percebeu-se, por meados de agosto, que também não possuíamos a clareza sobre o que queríamos ser, o que gostaríamos de realizar e como tocar nossas iniciativas. Para retomar os trabalhos, decidimos passar por um processo interno de discussão, a fim de superar esses entraves, atuando assim com mais consciência e objetividade. O resultado deste processo, além da elaboração de uma Carta de Apresentação divulgada no jornal Matut@ número 2, foi à possibilidade de reiniciar o trabalho educacional com mais consciência e motivação.

Nossas bases mínimas de acordo são: entender que todos somos educadores e educadoras, e para isto é necessário um preparo constante; por sua vez, entendemos que a sociedade em que vivemos é injusta e exploradora para a maioria que trabalha, e a exploração e destruição da natureza são reflexos de uma atitude que separa o homem da natureza, transformando-a, sendo esta situação inconseqüente reproduzida pela educação formal. E que

por isso a educação deve ser um processo crítico e transformador. Que seja uma ferramenta de emancipação da maioria que trabalha e da natureza.


3.1.1- O QUE É LER E PARA QUE LER?

A palavra “ler” traz consigo dois conjuntos de sentidos, um mais restrito e outro mais amplo. Ler pode ser decifrar um código, a linguagem escrita. Mas também pode significar a decifração de vários outros códigos e linguagens, alguns deles bem mais abstratos ou mais sutis – pode-se ler a expressão facial de alguém, ler o futuro desenhado nas linhas das mãos, ou ler o mundo. Neste sentido, ler tem um significado parecido com o de interpretar. É entre essas duas gamas de significados atribuídos tanto à palavra “ler” quanto ao ato da leitura que transita a resposta à pergunta do título, “para que ler?”.

Lemos o mundo desde que nascemos e vamos desenvolvendo essa capacidade de leitura à medida em que crescemos, vivemos, aprendemos. Desde o bebê, que vai conhecendo a casa onde mora, as pessoas com quem convive, e vai se tornando capaz de interpretar o tom de voz destas pessoas, muito antes de compreender suas palavras, o uso dos objetos que estas pessoas manuseiam, que, de vez em quando, por um descuido, lhes chegam às mãos e, cada vez mais, as regras de convivência e comportamento naquele espaço e entre aquelas pessoas. Neste sentido, todos nós sabemos ler.

Alguns com mais perspicácia que outros, vamos aprendendo a interpretar as situações com as quais nos defrontamos e como devemos agir diante delas. Mais ainda, vamos descobrindo que nossa atitude diante destas situações pode obedecer a diferentes conjuntos de regras, desde normas de educação até princípios da nossa própria consciência, o que é fruto de uma escolha, consciente ou não. Mas essa escolha depende da nossa interpretação, da leitura que fazemos daquela situação específica e também do mundo.

Se todos nós sabemos ler, então para que aprender a ler, no sentido mais restrito? Para que aprender a decifrar o código que permite colocar num papel uma mensagem utilizando o nosso idioma, na forma escrita?

Muitas podem ser as respostas. A primeira que me ocorre está relacionada a uma peculiaridade da linguagem escrita – o fato de que ela permite transmitir uma mensagem precisa, que, embora possa ser interpretada de diversas maneiras, será lida da mesma forma por todos. Não há como dizer que não estava escrito aquilo que estava escrito, todos que conhecem aquele código terão de reconhecer um conteúdo que é o mesmo.

A partir do momento em que alguns seres humanos em algumas sociedades foram capazes de estabelecer um código comum na sua sociedade para transmitir seus pensamentos fixados de maneira escrita, os conhecimentos humanos puderam ser passados de uma geração a outra de forma muito mais exata e precisa. E as sociedades humanas passaram a ser capazes de conceber e interpretar a sua própria história, observando mudanças nas formas de trabalho, organização e pensamento que ficaram registradas através da escrita.

É por isso que os documentos - que podem tratar de nascimentos, mortes, contratos de diversos tipos, relações de propriedade ou leis – devem ser escritos. Mais do que isso, devem ser assinados, pois embora o alfabeto seja o mesmo para todos, crê-se que cada um tem uma forma única de reproduzi-lo em todas as suas combinações possíveis. Porque o que está escrito não pode ser alterado, é um registro fixo.

É por causa disso, também, que o conhecimento da linguagem escrita se tornou um instrumento de dominação em muitas sociedades. Aqueles que detêm esse conhecimento estão aptos não só a decifrar o conteúdo dos documentos e leis da sua sociedade, de tudo que é oficial e está registrado, mas também a produzir tais registros. É claro que não basta este conhecimento, pois os serem humanos inventaram outras formas de limitar o acesso aos seus registros e à produção deles, mas aqueles que não são capazes de ler estão de antemão excluídos destas possibilidades. Mesmo que possam, por exemplo, participar da discussão para a elaboração de um documento, não podem se certificar pessoalmente de que foi aquilo mesmo o que ficou registrado.

Além desta função da linguagem escrita, creio que outra finalidade bastante importante seja a de comunicação entre as pessoas. É evidente que há muitas maneiras de os serem humanos de comunicarem – através de gestos, sinais, atitudes. E que todos conhecem formas de se comunicar que independem do conhecimento da leitura e da escrita. Mas quando uma pessoa aprende a ler, abre-se um enorme leque de possibilidades de comunicação muito diversas, além de serem facilitadas outras formas de comunicação que esta pessoa já conhecia.

Por exemplo. Para se locomover, ir de um lugar a outro, visitar outra cidade, outro bairro, outro país, o conhecimento da leitura evita enganos na hora de pegar uma condução, encontrar uma rua, uma casa, um lugar qualquer. Para transmitir qualquer mensagem, simples ou complexa, urgente ou trivial, como uma receita de bolo, uma lista de compras, o convite para uma festa ou um aviso de falecimento.

A leitura também aumenta as oportunidades de um indivíduo se informar ou aprender sobre quase todos os assuntos existentes. Há revistas e livros tratando de todos os temas, da física ao futebol, do bordado ao funcionamento das motocicletas. Há até mesmo livros que pretendem ensinar como se pode ter sucesso, ganhar dinheiro, viver ou ser feliz. E, é claro, há muitos livros recheados de histórias envolventes ou arrepiantes, comoventes ou misteriosas. A leitura pode ser um excelente divertimento.

O conhecimento da leitura permite, ainda, que a pessoa leia notícias e se informe sobre os acontecimentos do lugar onde vive, seja o seu distrito, o seu país ou o seu planeta. Mais do que isso, tomando conhecimento destes acontecimentos, seja o surgimento de uma lei ou a proliferação de uma epidemia, o indivíduo pode decidir, sozinho ou junto com outros, participar, protestar ou se organizar para interferir na realidade em que vive. Não que isto não seja possível sem a leitura, mas o conhecimento dela pode se transformar numa importante ferramenta para que uma pessoa possa exercer sua cidadania.

3.1.2 Módulos de Comunicação

MÓDULO 1 - MÃO NA MASSA



  • Imagem – debate – palavra geradora – palavra com artigo e com imagem.

- exercício oral associativo: palavras que começam com a mesma sílaba

Palavras com a sílaba no meio

Palavras com a sílaba no fim

O mesmo com as outras sílabas da palavra geradora

[anotar as palavras que surgirem para uso posterior]

- exercícios visuais [panela – pato – padeiro – gato; marcar o diferente]. Somente as imagens, sem as palavras.

Depois, com a sílaba do meio. Depois, com a sílaba no final.

O mesmo com as outras sílabas da palavra geradora.



  • Volta-se à palavra geradora: ler e copiar com o artigo

Acompanhar individualmente o escrita: da esquerda pra direita, no alto da folha, na linha.

  • Exercícios de coordenação motora com linha pontilhada.

  • Cópia do nome

  • Volta-se à palavra geradora, com as famílias fonêmicas de cada silaba.

  • Ler em voz alta as famílias fonêmicas. Explicar que cada fonema [pedaço] pertence a uma família.

  • Estimula-los a juntar um fonema de cada família para formar novas palavras [nomes]. Copiar essas palavras no caderno. Sempre que copiarem, deverão ler em seguida.

  • Exercício: dispor as palavras já conhecidas em duas colunas em que se repetem em posições variadas, para eles ligarem as iguais.

  • Fazer um quadro com as palavras conhecidas para serem lidas com os artigos.

  • Formar frases, oralmente, com essas palavras [o monitor anota as frases]

  • Exercícios com imagens de palavras com o mesmo fonema, com cada um dos fonemas das famílias das sílabas da palavra geradora.

  • Introduzir o A E I O U. explicar que são fonemas irmãos, que sempre vão estar presentes em todos os fonemas. Mostrar o quadro das famílias das sílabas da palavra geradora e envolver as vogais na vertical.

  • AS vogais estão nas famílias e nos ajudam a nos comunicar também sozinhas. Mostrar os artigos. Unir palavras conhecidas usando os respectivos artigos e a conjunção e. Ex: O pato e o tatu.

  • Exercícios de fixação: o aluno deve copiar o AEIOU e cada uma das frases formadas com palavras conhecidas e a conjunção “e”.

  • Trabalhar as conexões das vogais (alguns ditongos e tritongos): ai eu ou ao au oi uai eia ia ei

  • Palavras com as consoantes conhecidas na palavra geradora + ditongos e tritongos: Palavras com as consoantes conhecidas na palavra geradora + ditongos e tritongos: pai, pau, teu, peia, pia, etc.

  • Introduzir a segunda palavra geradora. Por exemplo: vida. Segue-se o mesmo percurso, com exercícios de fixação com imagens de palavras que contenham a primeira, depois a segunda sílaba da palavra geradora.

  • Escrever no caderno a palavra geradora, e apresentar as famílias silábicas.

  • Formar palavras somente com a família do VI.

  • Formar palavras somente com a família do DA

  • Associar as palavras às figuras que representam.

  • Escreve-las no quadro e no caderno precedidas pelo artigo.

  • Fazer oralmente frases com as palavras novas.

Com o conhecimento dos ditongos e tritongos e a segunda palavra geradora, já é possível formar verbos e uma quantidade muito maior de palavras, possibilitando a construção de frases somente com as sílabas das famílias das palavras geradoras. Inicialmente, começa-se com frases somente da segunda palavra geradora, que estará sendo trabalhada naquele momento. Exemplo: Davi deu a uva a Diva.

A viuva vive a vida

Ivo deve a vida a Edu.

Aida viu a vaidade de Dudu




  • Após exemplos deve-se incentiva-los a fazer uma frase dando-lhes duas ou três palavras para serem usadas ( isto os ajuda a pensar frases ainda presas apenas às sílabas conhecidas, para fixá-las.

Fazer uma frase com as palavras

:

OUVIDO DUDU DOEU após escrever a frase no quadro e no caderno .(Aí vai meia hora, lembre-se.)



OVO AVE



  • Copiá-las no quadro negro . Ler com todos eles . Eles podem escolher uma para copiar no caderno.

Ë preciso que os exercícios de conexão sejam vivos, interessantes despertem o prazer de sentirem a possibilidade de construção do pensamento e expressão do mesmo através das palavras seguidas da escrita , mesmo que toda torta, o que vai melhorando! Com a prática e elogios à letra mais legível, redonda, etc..

  • Recordar todas as sílabas que aprenderam até aí, fazendo um quadro com todas elas.

  • Formar novas palavras com a combinação das sílabas conhecidas.

  • Formar frases com essas palavras.

  • Introduzir a terceira palavra geradora. Exemplo: bola. Com estas sílabas, já é possível ter pronomes como ela, ele, eu, tu. Com os verbos já conhecidos, é possível formar uma infinidade de frases.

  • Preparar pequenos textos com três ou quatro frases para serem lidos no quadro. Colocar alguns deles em folhas manuscritas, para serem lidas em sala e relidas em casa.

  • Devem copiar o apenas o que o professor orientar. Por vezes, neste período, o professor já percebeu que alguns alunos aprendem mais rapidamente. Deve dar exercícios para estes irem escrevendo, enquanto ajuda outro aluno em suas dificuldades. Pois o treinamento da escrita é necessário, mais lento, mas também prazeroso para eles.

MÓDULO 2 – LEITURAS



  • Ditado de letras, sílabas e palavras – Dispor numa mesa as vogais na vertical e algumas consoantes na horizontal. Pedir para cada um fazer um “passeio” com uma das consoantes antes de cada vogal, formando sílabas. Depois, formar palavras com as sílabas.

  • Forca com o nome dos alunos. Pedir para que os alunos falem as letras da palavra completada, depois as sílabas.

  • Encontrar palavras dentro de outras como lança e bala em balança, ou aba e alho em trabalho.

  • Pedir para que os alunos procurem e recortem de jornais e revistas as sílabas de seus nomes e colem no caderno.

  • Dicionário: um aluno escreve uma palavra chave em letras grandes no alto de uma folha de papel ofício. A seguir, os alunos formulam uma frase – “um pensamento” – em que a palavra aparece. O aluno copia a frase na folha e ilustra o trabalho. Reunindo as folhas em ordem alfabética, será formado o primeiro dicionário da turma.

  • O professor escreve uma palavra que mantém secreta. Pede a um aluno que fale outra palavra qualquer. O professor4mostra a sua palavra e os alunos devem formular uma frase com ambas.

  • Leitura coletiva (um aluno começa onde o outro termina) de um pequeno texto que tenha a ver com a realidade dos alunos, seguida de debate

  • Leitura coletiva de textos trazidos pelos alunos – músicas, orações, reportagens, encartes de supermercados, receitas, observando os diferentes tipos de textos e as dif erentes formas de escrever que circulam – que às vezes misturam letra cursiva e de imprensa, com grafias individualizadas, etc.

MÓDULO 3 – PRODUÇÃO TEXTUAL



  • Compor um mural da turma, com avisos, lembretes, mensagens, datas importantes.

  • Produção de uma narração. Através da colagem de fotos de revistas, desenhos e frases, pedir que os alunos, divididos em grupos, contem uma história para a turma

  • Correio: propor aos alunos que escrevam bilhetes para os colegas, em papeizinhos dobrados com o nome do destinatário à vista. Outros colegas deverão se encarregar de entregar o bilhete para o destinatário.

Produção de um jornal. Saída com os alunos para fotografar coisas consideradas por eles como importantes na sua comunidade. Pedir que cada aluno escreva uma frase ou um parágrafo sobre a sua fotografia, compondo um jornal mural.

3.2.1- A Matemática da Vida.

A matemática como meio de reflexão e comunicação está presente no cotidiano de tod@s, letrados ou não. Começando pela sobrevivência da família, alguém sem jamais ter ido à escola e estudado matemática consegue desenvolver operações mentais para a divisão de alimentos, tarefas e trabalhos. Também pode perceber as diferentes formas e arranjos geométricos existentes no meio em que vive, e utilizar disto em seu benefício para a ocupação do espaço, na construção da casa ou na feitura da horta. O que não lhe é possível é a organização e o registro destas operações.

A matemática é para uma grande maioria de pessoas a linguagem das quantidades como se o método quantitativo fosse determinante para tecer as relações existentes entre o concreto e o abstrato. O aspecto qualitativo faltante no ensino-aprendizagem está, paradoxalmente, ligado ao poder de síntese que esta linguagem possui. Numa sociedade que se constrói a partir da fragmentação do ser, é difícil se ter clareza sobre o quadro inteiro da realidade, sobre o todo. A tendência é simplificar ao máximo o que é complexo, condicionando e limitando o pensamento e a ação. Pode um indivíduo confinado a uma visão parcial das coisas libertar-se desta condição? Isso talvez possa explicar o reducionismo do uso da matemática como linguagem das quantidades.

Sendo essencialmente uma linguagem simbólica sua compreensão determina avanços poderosos na ciência e tecnologia. Dita “universal”, é o instrumento das ciências na descrição e interpretação dos fenômenos. Embora sua compreensão e uso sejam de extrema importância para tod@s, poucos detêm tal conhecimento o que promove a exclusão e o domínio. Em termos de seu aprendizado nas escolas, o que se percebe é uma minoria que consegue ter acesso a tal universalidade e compreender as possíveis relações entre símbolos e coisas. Assim grande parte do programa cognitivo de matemática desenvolvido em aula, não acrescenta substancialmente criticidade à visão dos estudantes sobre a realidade. Se por exemplo, os gráficos e as tabelas tentam amiúde esclarecer os índices de ganhos e perdas do mercado, a proposta de uma reflexão mais crítica dos mesmos revela o sacrifício da qualidade de vida de muitos pela quantidade de riquezas de poucos. A matemática registra na história da humanidade, a desigualdade e a injustiça a qual é submetida.

Para praticar o ensino de uma matemática crítica como proposta de eco- alfabetização, ou seja, de uma matemática que permita uma visão mais complexa do todo, é necessário conhecer as diversas culturas que se aproximam no ambiente da aprendizagem, para com isso se aproximar da lógica de sobrevivência dos alfabetizados, e ai, construir um espaço de troca em que a aprendizagem dos símbolos e sua sistematização tenha validade e significado para a vida de cada um, e contribua para a consciência individual e coletiva de quem mais sofre com a exclusão. Este será o espaço das ações solidárias e da organização dos que buscam a liberdade de tod@s.
3.2.2- Módulos de matemática

Os módulos de matemática apresentados nesta apostila, são baseados na experiência de Newton Duarte, professor da Universidade de São Carlos-SP, autor de “O Ensino de Matemática na Educação de Adultos”2, e na apostila de formação de alfabetizadores da Oficina de Ciências Sociais (2003).

A escolha se dá por serem referências educacionais que, embora diferentes em contexto, entendem que a matemática não está separada das questões sociais e, assim sendo, seu ensino na alfabetização de adultos contribui também como instrumento de luta para as transformações sociais.
A base metodológica para a construção do conhecimento pode ser sintetizada nos itens abaixo:
1) o conteúdo deve se dar através da linguagem, e para facilitar a apreensão desta linguagem, se faz necessário um levantamento com os alfabetizandos, sobre o acúmulo de conhecimento de cada um a respeito do conteúdo (módulo) que se quer estudar;

2) uma situação problema básica deve ser criada por módulo, com as informações adquiridas no levantamento, associando a realidade social e o conteúdo do módulo, apresentando a matemática como ferramenta;

3) exercícios devem ser feitos para fixação e devem ter ligação com atividades anteriores, sendo o aluno quem busca e delimita a situação problemática para soluciona-la.

Organização dos módulos:


1. Introdução à matemática

2. Soma


3. Subtração

4. Geometria

5. Multiplicação

6. Divisão


Módulo 1. Introdução à matemática


  1. síntese da evolução do sistema decimal de numeração posicional;

  2. apresentação do ábaco;

  3. valor posicional;

  4. escrita dos símbolos numéricos.

Módulo 2. Soma




  1. a soma como união das partes – todo;

  2. demonstração das contas no ábaco, como visualização da construção dos valores no quadro e no papel.

Módulo 3. Subtração




  1. do todo retira-se uma quantidade;

  2. demonstração das contas no ábaco.

Módulo 4. Geometria




  1. na construção do espaço;

  2. dimensão;

  3. proporção;

  4. medidas padronizadas – introdução à multiplicação.

Módulo 5. Multiplicação




  1. como caso particular da adição;

  2. significando juntar as partes iguais;

  3. como mecanismo de repetição;

  4. como maior rapidez na efetuação das contas.

Módulo 6. Divisão




  1. como retirar do todo quantidades iguais repetidas vezes;

  2. com o operação inversa da multiplicação.


3.3 - Agricultura na Alfabetização de Adultos.

A primeira pergunta que temos que responder para introduzir a agricultura enquanto conteúdo de uma turma da alfabetização de adultos é: no que ela pode contribuir para o letramento de adultos, ou melhor, para que agricultura em uma turma de alfabetização?

Ao cultivarmos uma horta da turma durante o período do curso podemos, além de produzir alguma comida, captar palavras e temas para os estudos de comunicação, matemática e artes, e estes reciprocamente. Ao registrarmos por escrito o passo a passo dado, da escolha do local da horta, passando pelo preparo da terra, da semeadura a colheita dos alimentos, nós escreveremos a História da Horta, operando a síntese do saber agrícola contido na turma.

A atividade agrícola está muito presente no nosso dia-a-dia. É na horta de tempero e ervas de casa, na roça “meeiada” para venda, na cerca de balão, nas fruteiras do quintal, no trabalho “nas terras” do patrão etc. Todos praticamente desfrutamos, em um momento do dia de um trabalho com a terra. Ela é parte de nossa vida no meio rural. Falamos e pensamos sobre o plantar plantando. E através dele também que percebemos o quanto trabalhamos, como somos mal tratados e desvalorizados em nossa produção. Isso se repete com a terra, e como os recursos naturais e com as ferramentas, que estão divididas entre as pessoas de forma desigual. Mesmo assim acreditamos que é possível tratar a terra e pensar a produção de outras maneiras, resgatando e reinventando práticas solidárias, coletivistas, organizadas e justas.

A resposta a pergunta do início do texto é: o trabalho com a terra é uma forma de nos repensarmos enquanto trabalhadores do campo em um contexto social que nos trata como atrasados e em extinção, revalorizando nossa cultura e trabalho, ao mesmo tempo, nos dá a oportunidade de rediscutir sobre a relação com a terra, com a produção e com as pessoas, alimentando os demais conteúdos disciplinares do curso de informações sobre a vida e o trabalho d@s educand@s.

Como na Oficina de Artes a proposta de trabalho da agricultura não está organizada em módulos, o que se diferencia da comunicação e na matemática, mas em orientações gerais que possam coordenar o trabalho e nos levar a concretização dos objetivos desta oficina. Estes objetivos são: 1. produção de uma horta; 2. rediscussão da produção do campo, 3. do papel do camponês em nossa sociedade; 4. das relações com a terra; 5. alimentar os demais conteúdos disciplinares de informações e vice e versa.

Para iniciar explicaremos a proposta da oficina aos educandos enquanto se escolhe um local para nossa horta. Em grupo definiremos o que plantar, a melhor forma de tratarmos a terra a fim de que ela nos dê frutos “sendo bem tratada” e como dividir o trabalho de forma a produzir sem exploração. Por volta do quarto mês de curso estaremos iniciando a redação da História de Nossa Horta se utilizando dos registros feitos do trabalho (por escrito, com imagens e oralmente). Ao final do curso, além de termos produzido algo para nossa alimentação e rediscutido sobre nossas vidas no campo, teremos em mãos um texto rememorando todo o processo de trabalho da Oficina de Agricultura.

3.4.1 - A arte como processo libertador na Educação.

Caro leitor, foste tu daqueles que identificam-se com experiências únicas e perturbadoras, sem ao menos ter medo de lançar-se à partida?

Então, convido-te a ser meu ajudante imediato nesta nau, rumo aos mais profundos anseios da alma humana.

Para começar este ensaio, devemos aprofundar nosso pensamento nestes pontos essenciais, arte e educação. Para tanto, voltemos um pouco no tempo, naquele marco mítico para nossa espécie, no momento em que um ser pertencente à classe dos mamíferos, ordem dos primatas, subordem dos antropóides, família dos hominidae, gênero homo, espécie homo sapiens torna-se homo sapiens sapiens (homem que sabe que sabe).

Imaginemos o quadro, este ser possui posição ereta permanente, locomove-se permanentemente com os pés. Posição esta, que permite a liberação das mãos para o desempenho de outras atividades. Além disso, facilita o crescimento do cérebro, em todos os diâmetros, pois oferece “à massa craniana um melhor equilíbrio com relação ao campo de gravidade”.*

Com isso, a mão humana foi adquirindo precisão motora, o polegar ficou exposto aos demais dedos, tornando-se um valioso instrumento para ações complexas. Facilitado o desenvolvimento do cérebro, como citado acima, o ser pré-homem passa a possuir dentro todos os animais, o cérebro mais complexo, tanto pelo volume como pela estrutura.

Agora, começamos a pintar este quadro em nossa imaginação. Mas naveguemos sem afetação, pois o mar é bravio e necessita precisão.


  • Ajudante-mor, içastes a vela ?

Atentando para esta posição fisiológica singular, conseguiremos compreender os fatos subsequentes. Milhares de anos se passaram, e as mãos continuavam livres, explorando e ganhando manejo. O homem e outros animais utilizam-se de objetos encontrados diretamente na natureza para alcançarem seus objetivos. O macaco, recorre à uma vareta de pau para capturar formigas escondidas, em tocos podres, para realizar uma saborosa refeição. São as ferramentas ocasionais. Vejamos outro exemplo: o ser pré-homem almeja um fruto, uma goiaba, por exemplo. Depois de algumas tentativas, percebe que com seus braços somente não consegue alcançá-lo, então busca ao redor algo que pudesse ajudá-lo nesta tarefa, uma vara, por exemplo. Depois da fruta recolhida e a fome saciada, a mesma é dispensada e deixada à natureza.




  • Capitão do mar, segure firme o leme, controle a nau. À partir de agora estaremos sujeitos às intempéries do manto ciano.

Paremos. Observemos agora com atenção um fato histórico, um fato que iria mudar para sempre o destino deste venturoso vivente.

* Jacques Ruffié. O mutante Humano.in: Do primata ao Homem, p.120

Chamarei de Adão este ser, pré-homem, para singularizá-lo, e melhor compreender a saga de toda uma espécie.

Adão, como seus pares, caminhava em busca de alimentos, buscava melhor moradia e outras coisas mais. Nestas andanças, sempre que precisava de auxílio externo para realizações de tarefas, Adão buscava na natureza, como vimos no exemplo das ferramentas ocasionais. Depois de milhares de encontros como estes, Adão passa a agir diferente. Nestes seus passeios matinais, Adão, ao se deparar com ferramentas ocasionais, uma pedra cortante por exemplo, não mais as dispensa logo após o término da função à qual foi requerida. Passa a carregar consigo, mesmo após a tarefa terminada. Assim, Adão não precisa mais a cada necessidade ter que procurar por uma ferramenta, pois ele já a possui. Isso Adão, quão grande foi o passo que destes. Descobristes a ferramenta! Mas o grande passo ainda estava por vir. Acompanhemos a aventura deste prodigioso parente.

Como vimos, Adão era um ser totalmente integrado à natureza, aprendia e tirava tudo dela, além de ser um ótimo observador. Agora um grande lance, Adão se revelaria um grande imitador.

Depois de muitas caminhadas aos verdes prados e tentativas diversas, Adão percebe que, com suas habilidades, poderia através da imitação, transformar uma pedra qualquer, numa pedra cortante, similar àquela encontrada na natureza, a qual ele carregava. À partir daí, nosso aventureiro, não precisaria mais depender de sua boa sorte para encontrar ao seio de sua mãe natureza, uma boa pedra cortante, com a qual podia cortar carnes e outras coisa mais. Poderia agora achar qualquer pedra e, através da fricção, talhação e outras imposições a pedra matriz, transformá-la numa boa pedra cortante. Que luz, Adão! Que passo magnífico, que salto! Tu és o escolhido. O insight primordial fora alcançado. Descobriste a potencialidade! Nada mais pode escapar-lhe. Vós podeis transformar a natureza ao seu desígnio, nada mais é impossível. Não existe mais a pedra cortante, existe o machado. O signo está criado.

Há, Adão, inventastes o trabalho. Oh, Adão, reconhece-te? Tu és um Homem! Só o Homem trabalha. Querido Marx, fale-nos por favor: “O processo do trabalho é... atividade deliberada para a adaptação das substâncias naturais aos desejos humanos...” *

Neste momento, Adão distancia-se da natureza, enlaça-a e domina-a, como aferiu nosso afável Kant. Imaginemos agora, como está esta alma. Difícil imaginar, mas nos esforcemos para tal. Só em imaginar, Adão, verto lágrimas em meus olhos. Que gozo completo, que oceano rugiu em torno de ti, caro Adão, que infinitas possibilidades surgiram. Ao mesmo tempo, angustio-me só de pensar, quão temeroso ficaste, que solidão terrível sentiste, que necessidade urgente de se expressar, passar adiante o estalo que estourava em teu peito. O passo derradeiro fora dado. Nascia o indivíduo, ofuscava o coletivo. Nietzsche, aquele pensador de farto bigode, costumava dizer, que neste momento, nosso adorável Adão, sentira sua dor mais terrível. Percebera agora, que seus piores inimigos não mais se encontravam no mundo exterior, mas sim dentro de si.

A necessidade imperiosa de se comunicar, levou nosso Adão, a alcançar a linguagem. Adão, quão sagaz tu foste. Com o mesmo processo da ferramenta, Adão adquire a linguagem. Começando pela imitação da natureza até suplantá-la. A linguagem original era constituída de uma unidade de palavras, entonação musical e imitação por gestos. Não era somente a discrição de um fato, era o aprisionamento de um momento, eram sensações e aspectos até então inimagináveis que precisavam ser passados, de alguma maneira. Voltemos à frase, unidade de palavras, entonação musical e imitação por gestos. Que luz Diamantina! Que prazer indelével! Adão, tu és um Poeta!

A arte foi descortinada. Pois o que é isto, senão poesia. É próprio da poesia e, somente desta, o cheiro, o sabor, dor, alegria, gozo, angústia. Só através dela seria possível ao nosso artista, Adão, representar este momento aos demais companheiros. Heidegger, lingüista que era, já afirmara em outras épocas que o Homem é linguagem por natureza. Que a linguagem primordial era a poesia, ou seja, todo Homem é um poeta por natureza. As imagens passam a ser expressão, surgem as figuras rupestres. A arte então é o meio conciliador entre o indivíduo e o coletivo. Ela restabelece o equilíbrio perdido. É através dela que a transição destes dois mundos acontece, o divino insight é passado, todos o seres, companheiros de Adão, dão o passo sem volta, rumo à consciência. Adão finalmente expressa seus sentimentos à Eva.

Isto é a verdadeira arte, sua essência, não uma construção estética produzida, a fim de interesses mercadológicos. Bem, o primeiro ponto foi alcançado, continuemos em direção ao segundo.




  • Marinheiro, passamos pela tempestade. Calma, a viagem ainda não acabou, a nau precisa navegar.

Como vimos, Adão gradativamente foi se afastando da natureza (mesmo sendo ainda pertencente à ela), impondo seus desejos, obrigando-a em seus desígnios. Milhares de anos se passaram, a semente de Adão fora plantada, chegando ao que somos hoje. É Adão, seus filhos parecem que ficaram cegos, parecem até mesmo que esqueceram de ti. Para entender o desenrolar desta história, o que sucedeu aos filhos de Adão, vamos analisar alguns fatos históricos.

Com a divisão do trabalho, surgida no século XIX, o abismo que separava o Homem da natureza ganha um vulto até então inalcançado. A divisão do trabalho, proporcionou o surgimento do conhecimento técnico, a alma da nova ciência. O saber foi recortado em disciplinas pré-estabelecidas, fechando em si mesmas. A tecnologia avançou, neste tempo, surpreendentemente. Com ela, surgiu uma gama de conhecimentos informativos. Não confundir conhecimento informativo com saber. Conhecimento informativo é uma fração do saber, que sozinho nada pode, separado do todo cega e não traz à luz. Saber é o engendramento dos diversos conhecimentos em consonância com o todo, capaz de colocar o Homem em constante diálogo consigo e com o meio circundante. Nestes últimos séculos, percebemos claramente o desequilíbrio, o avançar da informação e o recuar do saber. Como salienta, com grande desenvoltura, Edgar Morin, o avanço da cultura científica e a perda da cultura humanística.

Este é o problema em que a educação se encontra hoje, destacado por Edgar, escutemos: “ em vez de corrigir esses desenvolvimentos, nosso sistema de ensino obedece a eles. Na escola primária nos ensinam a isolar os objetos (de seu meio ambiente), a separar as disciplinas (em vez de reconhecer suas correlações) a dissociar os problemas, em vez de reunir e integrar. Obrigam-nos a reduzir o complexo ao simples, isto é, a separar o que está ligado, a decompor, e não a recompor; e a eliminar tudo que causa desordens ou contradições em nosso entendimento. O pensamento que recorta, isola, permite que especialistas e experts tenham ótimo desempenho em seus compartimentos, e cooperem eficazmente aos setores não complexos de conhecimento, notadamente os que concernem ao funcionamento das máquinas artificiais; mas a lógica a que eles obedecem estende à sociedade e as relações humanas os constrangimentos e os mecanismos inumanos da máquina artificial e sua visão determinista, mecanicista, quantitativa, formalista; e ignora, oculta ou dilui tudo que é subjetivo, afetivo, livre, criador.”

Bem, o problema está aí. Agora, temos que frear esta cegueira e recobrar o equilíbrio. Este é o papel, ao meu ver, fundamental da educação. Neste ensaio, viajei fundo na alma humana, para daí, apontar um caminho. Só através da arte podemos recobrar o equilíbrio perdido, como outrora fez Adão.

É preciso um despertar artístico de cada indivíduo, para voltarmos a ser humanos, aptos a receber o saber, conscientes de nossos anseios e paixões, ligados estritamente com o todo.

A arte é o processo do preenchimento, da aceitação e valorização de si, talvez, seja por aí que devemos caminhar, recuperando o artista que existe dentro de cada um de nós, para podermos mudar o rumo destas mentes fracionadas.

É mergulhando nos mais profundos anseios da alma individual que se alcança a paz e a serenidade coletiva.




3.4.2- Sobre a Oficina de Artes
O presente texto é um apontamento para a metodologia da oficina. A direção a ser tomada caminha ao lado das idéias da pedagogia da Escola Nova, desenvolvida no Brasil a partir da década de 30. Neste pensamento, a função do educador é a de ser um facilitador da aprendizagem, capaz de colaborar com o livre desenvolvimento da personalidade do aluno. A sala de aula assume um clima de harmonia, espontaneidade e cooperação entre educador e alunos.

Visando esta idéia, a oficina instigará constante motivação para auto-aprendizagem, levando a todos um encontro mais próximo de si mesmos, utilizando a arte como caminho. As idéias da oficina não serão fechadas, pois acreditamos que o processo de educação seja intensamente ativo. Com isso, daremos aqui algumas sugestões que deverão ser sempre revisadas, nunca ganhando um caráter definitivo:

1 – Iniciaremos apresentando a palavra geradora da comunicação e a partir daí trabalhar uma vivência artística com o objetivo de estimular o pensar criativo e sensitivo. Na prática a primeira expressão artística utilizada será a pintura, possibilitando também um trabalho de motricidade.
Deverão então ser encorajados contatos com a pintura, música (resgatada do próprio jogo simbólico dos alunos). Dança, teatro, poesia, escultura, artesanato, fotografia, vídeo e todos os demais processos artísticos. Visando uma integração entre o homem e o meio ambiente, a oficina terá como objetivo buscar no seio da mãe natureza todos os elementos a serem utilizados. Tinturas vegetais, bambu, palha de bananeira, vestimentas naturais (para dança), madeira (para escultura), etc.

Estas informações deverão ser levantadas com os próprios alunos, pela internet, na ong Pequena Semente ou com outras pessoas que possam ajudar, os mais velhos, por exemplo. Com isso, a oficina de artes estará próxima à da agricultura, além de auxiliar a comunicação e a matemática. Sugere-se também que ao término de cada oficina seja lido um texto literário, poesia, por exemplo, para reforçar o processo de aprendizagem. Estimulando a leitura e a escrita. Para que ao final, os próprios alunos possam registrar e ler suas poesias.

Esta oficina será realizada com o apoio de artistas interessados em ajudar na construção deste novo pensamento.


4- Sugestões Estruturais

- Os primeiros passos para a criação da turma são: identificar uma demanda popular por alfabetização de adultos, preparar os educadores envolvidos, a definir um método, a definir um local, e organizar com @s educand@s uma reunião para apresentação da proposta do curso.

- O curso terá duração de 5 à 7 meses, com aulas em 4 dias da semana na parte da noite - de 17:30 às 20:00 com intervalo de lanche – e uma vez na parte da manhã – de 8:00 às 10:00. Durante a semana teremos dois encontros de comunicação e matemática e um de agricultura e artes (aos sábados pela manhã, sendo facultativo em caso de necessidade, não podendo determinar a exclusão d@ alun@ caso não possa participar aos sábados).

- Para realização da horta precisamos de um espaço concedido ao grupo, durante o período do curso, com encontros aos sábados. Todos são convidados a participar da confecção da horta e da aula de artes, e a cada semana uma pessoa do grupo fica responsável pela sua manutenção.

- A equipe de educadores deve ser constituída por um mínimo de 3 pessoas ( um para comunicação, um para matemática e um para agricultura e artes) e um máximo de 5 (o que seria ideal, pois assim os conteúdos de comunicação e matemática poderão ser apresentados por um orientador e um monitor). Ela deve se reunir a cada 15 dias para planejamento.

- A assembléia de turma é o espaço onde tudo é decidido no que diz respeito a turma e deve acontecer uma vez por mês. Além disso, os momentos de confraternização e entrosamento são bem vindos e devem ser criados pelo grupo.

- A avaliação se dará de forma continua, e não haverá momentos específicos de avaliação. A reprovação, e tampouco a aprovação, existirá. Todos que participarem receberão certificados de participação na turma.


5. Referências Bibliográficas

1 – Brandão, Carlos Rodrigues – O que é o método Paulo Freire. ! edição de 1981. 7 edição – 1984. Editora Brasiliense.

2- Duarte, Newton. O Ensino de Matemática na Educação de Adultos. Editora Cortez- SP, oitava edição, 2001.

3 - Freire, Paulo. Educação e Mudança, capítulo 4: Alfabetização de Adultos e Conscientização. Editora Paz e Terra – SP, quinta edição, 1982.

4 - Lima, Artur Venício de. Comunicação e Cultura: As Idéias de Paulo Freire, capítulo 1: O contexto social das idéias de Freire. Editora Paz e Terra – SP, segunda edição, 1981.

5 – Morais, Eliane Soares – 2005 – Roteiro para alfabetização de adultos. Texto não publicado, elaborado a partir da experiência da autora em duas turmas de alfabetização de adultos.

6 - Morin, Edgar. A cabeça bem feita, Repensar a reforma, reformar o pensamento.

7 - Kolling, Edgar Jorge; Nery, Ir e Molina, Mônica Castagna (orgs.). Por uma educação básica do campo. Editora UNB- Brasília, primeira edição, 1999.



8- O Método de Alfabetização de Adultos da Oficina de Ciências Sociais. RJ, segunda edição, 2003.


1 Retiramos o termo Eco-Alfabetização de um conceito do autor Fritjof Capra. Na verdade o utilizamos desde o início do grupo, sem ainda termos uma discussão mais aprofundada sobre esta idéia. Mesmo assim não vimos muitos problemas ao adota-lo, entendendo que, a alfabetização ecológica é um processo de reeducação crítica e transformadora, que ao incorporar a ecologia, possibilita um melhor entendimento sobre a situação do mundo, e consequentemente uma nova prática social frente a ele.

2 DUARTE, Newton. O Ensino de Matemática na Educação de Adultos. 8. ed. São Paulo : Cortez, 2001.


Compartilhe com seus amigos:


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal