Alexandre Aksakof Animismo e Espiritismo



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B – Materialização e desmaterialização de formas humanas.
– Demonstração do caráter não alucinatório de uma
materialização.


No capítulo precedente, baseando-nos no fato transcendente, estabelecido pela experiência, da penetração de um corpo qualquer através de outro corpo, e na admissão da hipótese da desmaterialização e da rematerialização desse corpo, fomos logicamente levados a admitir a possibilidade de uma formação ou materialização, de maior ou menor duração, de outro corpo análogo à custa do corpo dado; e nossas pesquisas nesse domínio nos fizeram descobrir fatos de materializações não só temporárias, porém ainda duradouras, de corpos inanimados, à custa de outros corpos análogos; vimos fatos de materialização de tecidos pela mediunidade de um tecido, de materialização de uma planta pela mediunidade de uma planta e de um metal pela mediunidade de um metal. Vamos passar agora ao exame dos fatos mais numerosos, mais desenvolvidos e mais extraordinários desse gênero: às materializações temporárias de formas humanas pela mediunidade do corpo humano.

A materialização de formas humanas compreende, por ordem cronológica de seu desenvolvimento, a mão, o rosto, o busto, o corpo inteiro.

O fato positivo da produção de semelhantes formas, posto que invisíveis aos nossos olhos, nos é fornecido pela fotografia transcendente. Ela nos revelou e fez verificar a presença de corpos vaporosos de diversas formas, tomando pouco a pouco a forma humana, a princípio difusa, depois de contornos humanos cada vez mais definidos, até que sejam finalmente reconhecíveis com perfeição. Vamos encontrar uma série de fatos correspondentes no domínio da materialização, que podem ser verificados pelo testemunho dos sentidos e que se traduzem por todos os efeitos que um organismo material pode geralmente produzir.

Sendo nosso intuito provar que esse fenômeno não é o resultado de uma alucinação, não temos necessidade de acompanhá-lo em todas as fases de seu desenvolvimento; por conseguinte, se chegarmos a provar a realidade objetiva da materialização de um só membro humano – digamos de mão ou pé –, é quanto nos basta.

O caráter não alucinatório do aparecimento de mão pode ser provado:

1º – Pelo aparecimento de mãos visíveis e tangíveis:



2º – por efeitos físicos, produzidos por essa mão, como por exemplo, movimentos diversos de objetos, sob as vistas de testemunhas;

3º – pela produção de efeitos físicos duradouros que certamente são as provas mais concludentes, e principalmente: a) pela escrita produzida em presença de muitas testemunhas; b) por impressões deixadas pela própria mão em substâncias pastosas ou enegrecidas; c) por certos efeitos exercidos sobre a mão pelas pessoas presentes; d) por moldagens obtidas com a mão que aparece; e) pela fotografia das aparições desse gênero;

4º – pela pesagem de uma aparição quando atinge o desenvolvimento de uma forma humana inteira.

Todas essas provas existem nos anais do Espiritismo.


B1 – Aparecimento de mãos visíveis e tangíveis


O aparecimento das mãos visíveis e tangíveis foi verificado no começo do movimento espírita; há referências desse fenômeno que remontam a fevereiro de 1850; por conseguinte, dois anos apenas depois das primeiras “pancadas de Rochester” (ver Ballou, Manifestações dos Espíritos, editadas em casa de Stone, em Londres, em 1852, págs. 44 e 192-202). Ele se produzia então, em plena luz, durante as sessões que se faziam em torno de uma mesa, e continuou a produzir-se até os nossos dias; as referências a esses fatos são inumeráveis e unânimes. Esse fenômeno é, segundo o Sr. Hartmann, uma alucinação, ou da vista só, ou antes uma alucinação combinada da vista e do tato. Mas, para não ficar em contradição com a sua explicação das impressões orgânicas, o Sr. Hartmann declara-se pronto a admitir uma explicação dupla:

“No que diz respeito às alucinações do tato propriamente ditas, subsiste a eventualidade de ser a pressão experimentada, como proveniente de mãos e de pés invisíveis, dependente de um sistema de linhas dinâmicas de pressão e de tensão, que determinam a sensação de uma superfície palmar, por exemplo, ainda que essa superfície não pertença a qualquer mão material.” (pág. 99).

De maneira que a alucinação do tato não seria mais uma alucinação, mas uma sensação verdadeira produzida por linhas dinâmicas de pressão e de tensão ou antes uma ação dinâmica da força nervosa mediúnica.

Assim, quando seguro em minha mão uma outra mão materializada, a percepção visual dessa mão seria uma alucinação, mas o contato seria real: eu apertaria entre as mãos um sistema de linhas de força nervosa.

Procura-se indagar então por que motivo a vista da mão temporariamente aparecida deveria ser uma alucinação. Se um sistema de linhas de força nervosa pode tornar-se sensível ao tato, pode da mesma maneira tornar-se visível. Não seria lógico conceder à força nervosa a tangibilidade e recusar-lhe a visibilidade quando a afirmação e a negação dessas propriedades repousam sobre a mesma base. Ou, para nos exprimirmos de outra maneira, não seria lógico admitir uma causa real objetiva para a sensação tátil e rejeitar a mesma causa, igualmente real e objetiva, para a sensação visual, quando se trata do mesmo fenômeno e do mesmo testemunho. A conseqüência lógica dessa dupla explicação seria que, no que diz respeito aos fenômenos de materialização, a hipótese da alucinação que representa tão importante papel na filosofia mediúnica do Dr. Hartmann estaria antes de tudo em desacordo com os dados da sua hipótese da força nervosa, que ocupa nele uma parte igualmente grande, e esse desacordo, até aqui presumível, vai tornar-se – com os desenvolvimentos que o Sr. Hartmann dá aos fenômenos produzidos pela força nervosa – um fato positivo, como vamos vê-lo.



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