Alexandre Aksakof Animismo e Espiritismo



Baixar 2.01 Mb.
Página12/51
Encontro29.11.2017
Tamanho2.01 Mb.
1   ...   8   9   10   11   12   13   14   15   ...   51
c) Efeitos produzidos sobre a forma materializada
(coloração, etc.)

Acabamos de ver que a mão materializada pode imprimir-se em papel coberto por uma camada de negro de fumo, e retirar uma porção desse induto. Aqui surge naturalmente essa questão: que destino têm as moléculas de negro de fumo retiradas? Desde que a mão se forma à custa do corpo do médium, que dele emana e a ele retorna, como foi observado freqüentemente, devemos concluir que o negro de fumo retirado pela mão deve encontrar-se no corpo do médium; e como a mão que aparece tem a sua origem na mão do médium, é naquela mão que devemos encontrar o negro de fumo. É o que sucede, efetivamente. No intuito de desmascarar a fraude, freqüentemente se têm coberto os objetos que se deslocam na obscuridade com diferentes substâncias coloridas. Se tocaram diretamente com a mão, ela aparece, com uma dessas substâncias, as mais das vezes com o negro de fumo. E, quando as mãos do médium se achavam cobertas com a mesma substância, deduzia-se daí que a fraude era evidente, e os próprios espiritualistas o proclamavam triunfantemente – se bem que ele estivesse ligado de pés e mãos e que os nós se encontrassem intactos.

Porém, mais tarde, quando se adquiriu mais experiência, quando se reconheceu que o fenômeno do desdobramento do corpo do médium representava grande papel nos fenômenos de materialização, ficou-se obrigado a reconhecer que o fato da transferência da matéria colorida para o corpo do médium não era absolutamente uma prova da má fé deste último, mas a conseqüência de uma lei natural. Essa conclusão está fundada evidentemente em experiências nas quais toda a possibilidade de fraude foi eliminada – sendo a mais concludente a que consiste em conservar, entre as nossas, as mãos do médium.

A primeira verificação desse fenômeno remonta, se não me engano, a 1865, e foi feita por ocasião da descoberta das pretendidas fraudes do jovem médium Allen; essas espécies de descobertas fizeram sempre o maior bem ao desenvolvimento dos fenômenos mediúnicos; é a uma circunstância desse gênero que devemos as experiências do Sr. Crookes e, enfim, a produção de uma série de materializações sob as vistas de testemunhas. Eis a narração da experiência com o “moço Allen”, feita pelo Sr. Hall, publicada no Banner of Light de 1º de abril de 1855, reproduzida depois no The Spiritual Magazine (1865, págs. 258 e 259):

“Todos os nossos jornais da manhã exprimem sua satisfação a respeito da pretendida descoberta das fraudes do jovem médium Allen. Muitas pessoas, antes de se dirigirem à sessão, tinham enegrecido os cabelos; apareceu certa mão e puxou-lhes pelos cabelos; e notai, encontrou-se a mão do médium manchada com aquela mesma fuligem, e o médium foi reconhecido como imposto e charlatão.

Não é a primeira vez, senhor redator, que se perde toda a confiança nos médiuns, porque suas mãos são manchadas com a matéria que recebeu o contato da mão fantasma. A freqüência desse expediente empregado para descobrir a impostura, e a identidade dos resultados obtidos, me sugeriram a idéia de que esse fenômeno poderia ter por causa uma lei desconhecida, uma lei que produzisse invariavelmente o mesmo efeito. Quando Allen foi “desmascarado”, resolvi pô-lo à prova, ao que acederam de boa vontade o Dr. Randall e o jovem Henry Allen, deixando-me toda a liberdade de ação.

Os resultados que obtive me convenceram da exatidão de minhas suposições; além disso, eles me persuadiram de que muitos outros médiuns tinham sido vítimas, sem razão, de suspeitas diversas a respeito dos fenômenos físicos que eles tinham produzido. Tenho a convicção de que qualquer matéria corante, recebendo o contato da mão materializada, será infalivelmente transportada para a mão do médium, a menos que sobrevenha um obstáculo qualquer ao funcionamento perfeito daquela lei.

Ontem à noite, em presença de muitos cidadãos conhecidos da nossa cidade, organizei uma sessão com Allen, no intuito de verificar a minha teoria. Eu estava sentado, como costumava, em uma poltrona; os instrumentos de música estavam colocados atrás de mim, em cima de uma espreguiçadeira; o jovem médium ficava à minha esquerda e segurava minha mão esquerda com ambas as mãos, estando a sua mão direita ligada a meu braço. O cabo da campainha tinha sido previamente coberto com uma camada de fuligem. A campainha soou, desde que externamos esse desejo. No mesmo instante retirei a manta que encobria as mãos do médium, e vi que os dedos de sua mão direita, a que estava ligada à minha, estavam enegrecidos, como se ele próprio tivesse segurado a campainha. Com o fim de tornar a experiência ainda mais comprobatória, as pessoas presentes ligaram as mãos do moço, previamente lavadas, à minha mão, por meio de um cordão forte, uma ponta do qual era segura por um dos assistentes, que o puxava com tanta força que me escoriava a pele.

Era incontestável para todos que em tais condições o médium não podia deslocar as mãos, de um centímetro apenas. Minha espádua esquerda estava coberta por uma jaqueta que ocultava a minha mão e as do médium. Por cima da jaqueta coloquei ainda a mão direita sobre a dele, de maneira que não pudesse haver a mínima dúvida a respeito da imobilidade do médium. Logo que aprontamos tudo, os invisíveis começaram a tocar instrumentos, por trás de nossas costas, e a fazer as campainhas soarem. Imediatamente descobri as mãos do médium, que tinham ficado imóveis durante todo o tempo, como eu o tinha sentido tão bem: uma das ditas mãos estava manchada de fuligem. Parece-me que essa experiência é tão convincente quanto possível.

Aceitai, etc...

Portland, 23 de maio de 1865.



Joseph Hall.”

Tive a oportunidade de verificar esse fenômeno em uma experiência que fiz com a célebre Kate Fox (Jencken) quando veio a S. Petersburgo, em 1883. Eu estava sentado defronte dela em uma pequena mesa; como isso se passasse às escuras, eu tinha colocado as suas mãos sobre uma placa de vidro, luminosa no escuro, de tal maneira que as mãos eram visíveis; além disso, eu tinha posto as mãos sobre as dela. Em cima de uma outra mesa, a nosso lado, achava-se uma ardósia com um papel coberto de negro de fumo. Pedi que uma das mãos que apareciam produzisse uma impressão no papel. A impressão foi feita, e as extremidades dos dedos da médium foram encontradas enegrecidas.

Essas experiências nos dão a prova de que a mão que se vê aparecer e que produz efeitos físicos não é o resultado de uma alucinação, porém sim um fenômeno que possui certa corporeidade, tendo o poder de reter e de transportar substâncias aderentes a uma superfície. Mas essa transmissão não é absolutamente necessária nem invariável quanto à forma e lugar, pois não é sempre o mesmo efeito que se obtém; citam-se casos em que as mãos impregnadas de substâncias corantes nem sequer as transportaram ao corpo do médium.

Mas, para estabelecer a minha tese, não tenho que fazer pesquisas nesse sentido, pois que os fatos da natureza destes últimos seriam para o Sr. Hartmann a prova eo ipso de que a mão que apareceu não passava de uma alucinação.

Em compensação, os casos em que a transferência da matéria corante para o corpo do médium se opera em um local não correspondente ao lugar do órgão materializado, tocado pela substância, têm para nós uma grande importância. Lemos por exemplo no The Spiritualist:

“O Sr. Crookes deitou pequena quantidade de cor de anilina na superfície do mercúrio que tinha sido preparado para a experiência; a anilina é um poderoso corante, tanto assim que os dedos do Sr. Crookes conservaram vestígios dela durante muito tempo. Katie King mergulhou os dedos na matéria corante e, apesar disso, os dedos da Srta. Cook não ficaram manchados. Em compensação, viam-se vestígios de anilina nos braços desta última.” (1876, v. I, pág. 176).

O Sr. Harrison, diretor do The Spiritualist, faz a narração de outra experiência desse gênero, obtida pela mesma médium:

“No decurso de uma sessão com a médium Srta. Cook, tinha-se molhado a mão materializada, na superfície exterior, com um pouco de tinta violeta, e aquela mancha, de cerca do tamanho de uma moeda de 5 francos, foi em seguida encontrada no braço da médium, perto do cotovelo.” (The Spiritualist, 1873, pág. 83).

Em teoria, poder-se-ia fazer a suposição de que, nos casos em que se produz o fenômeno do “desdobramento”, há transferência da substância aplicada ao corpo materializado, enquanto que, nos casos de formação de corpos heteromorfos, há desaparecimento daquela substância.

Na mesma ordem de idéias, podemos citar o fato seguinte, que não se relaciona diretamente com o assunto tratado sob a categoria B3, referente aos efeitos físicos duradouros. Trata-se da reação sobre o médium de uma sensação experimentada por um órgão materializado. Lemos no livro The Scientific Basis of Spiritualism (por Epes Sargent, Boston, 1881):

“O Dr. Willis comunica o fato seguinte, relativo à sua própria mediunidade: Em uma das sessões, um senhor tirou do bolso um canivete que tinha uma lâmina longa muito afiada; não tinha confiado as suas intenções a ninguém e, em dado momento, vibrou com ele um golpe formidável em uma das mãos materializadas. O médium soltou um grito. Ele tinha sentido uma dor como se uma faca lhe atravessasse a mão. O senhor em questão saltou de alegria por ter “confundido” o médium, como o acreditava, persuadido de encontrar a mão do médium trespassada e coberta de sangue. Com grande surpresa e para sua confusão, não encontrou a mínima escoriação nas mãos do médium; esse tinha, entretanto, experimentado a sensação de uma faca atravessando-lhe os músculos e as articulações da mão; a dor só desapareceu no fim de muitas horas.” (pág. 198).

Esse fato nos prova que a mão que apareceu não era uma alucinação, nem a mão do médium.




Compartilhe com seus amigos:
1   ...   8   9   10   11   12   13   14   15   ...   51


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal