Alexandre Aksakof Animismo e Espiritismo



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d) Reprodução de formas materializadas
por moldagens em gesso

Passo agora às experiências que considero como as provas mais positivas e mais concludentes do fenômeno da materialização. Não se trata mais de impressões, porém de moldagens de um membro materializado, inteiro, por meio das quais faz-se em seguida um modelo de gesso, reproduzindo com perfeita exatidão todas as minudências da forma do corpo momentaneamente materializado. A operação pratica-se da maneira seguinte: preparam-se dois vasos, um com água fria, outro com água quente, na superfície da qual há uma camada de cera fundida. Pede-se que a mão que apareceu mergulhe primeiro na cera fundida, durante alguns instantes, depois na água fria, e isso por muitas vezes; dessa maneira, a mão é em pouco tempo coberta por uma luva de cera, de certa espessura, e quando a mão materializada se retira, conserva-se um molde perfeito que se enche em seguida de gesso; o molde, fundido em água fervendo, deixa uma moldagem em gesso com a forma exata do corpo que enchia o molde. Uma experiência desse gênero, feita nas condições requeridas para evitar qualquer fraude, nos dá uma prova absoluta: a imagem completa e permanente do fenômeno que se tinha produzido. O Sr. Hartmann não faz menção dessas experiências; a única passagem de seu livro que parece referir-se ao assunto não se aplica absolutamente aos fatos de que falo. O Sr. Hartmann diz:

“Cada vez que a não-identidade do médium e da aparição não é baseada em outros argumentos além do isolamento material do médium, essa asserção deve ser rejeitada como carecendo de provas; tudo o que a aparição produz, nesses casos, deve ser atribuído ao próprio médium, assim, por exemplo, quando o fantasma deixa a impressão das mãos, dos pés ou do rosto na parafina fundida e os entrega em seguida aos espectadores.” (Psychische Studien, VI, 526; IV, 545-548; Spiritism, pág. 89).

A primeira dessas citações do Psychische Studien (VI, pág. 526) refere-se a uma ligeira notícia relativa à impressão de um rosto deixado em parafina fundida (designada com o nome de cera), enquanto que eu falo da moldagem completa de um membro qualquer, o que não é absolutamente a mesma coisa; a segunda citação do Psychische Studien (IV, 545-548) refere-se à materialização completa de uma forma humana, e não se trata de impressão nem de moldagem. Isso é tanto mais surpreendente, por isso que no mesmo volume do Psychische Studien podem-se ler muitos artigos do Sr. Reimers, que faz a narração de uma série de experiências, feitas com o maior cuidado, referindo-se à produção de moldagens de mãos materializadas; o Sr. Hartmann guarda silêncio sobre esses artigos! É impossível considerar esse silêncio como conseqüência do argumento precitado do Sr. Hartmann, a saber, que o médium estava “preso” e que por conseguinte tudo o que a aparição tinha produzido devia ser atribuído ao próprio médium, visto que, no caso presente, a não identidade do médium e da aparição não está unicamente baseada no fato da reclusão do médium, mas ainda na diferença verificada entre a forma da mão materializada que produziu o seu molde na parafina e a do médium.

Ora, considero a produção de moldagens pelas formas materializadas como a prova absoluta da realidade objetiva do fenômeno da materialização e, por conseguinte também, como a prova de que não há alucinação nesse fenômeno; devo, pois, dar aqui uma exposição das experiências desse gênero, com todas as particularidades necessárias.

A idéia de moldar as formas materializadas é do Sr. Denton,14 professor de Geologia muito conhecido na América, e foi em 1875 que ele obteve suas primeiras moldagens de dedos, experiência que ele narra em uma carta do Banner, reproduzida pelo Médium (1875, pág. 674), do qual a copiamos:

“Soube recentemente que se se mergulha um dedo em parafina fundida, esta se destaca facilmente do dedo, depois de resfriada; se enchermos o molde de gesso, obtém-se assim uma reprodução exata do dedo.

Escrevi então ao Sr. John Hardy dizendo que tinha encontrado um meio excelente de obter moldagens e pedi-lhe que organizasse uma sessão com a Sra. Hardy, para ensaiar obter as moldagens das mãos materializadas que apareciam freqüentemente no decurso de suas experiências. Nada comuniquei sobre o processo que desejava empregar.

Depois do convite do Sr. Hardy, dirigi-me à sua casa, com uma provisão de parafina e de gesso. Logo depois de terminados os preparativos, procedemos às experiências.

No centro da sala colocou-se uma grande mesa coberta com uma toalha acolchoada e com uma capa de piano, a fim de que o espaço sob a mesa fosse o mais sombrio possível. Por baixo da mesa colocou-se um balde de água quente, sobre a qual estava em suspensão uma camada de parafina fundida. A Sra. Hardy tomou lugar perto da mesa e colocou as mãos em cima. O Sr. Hardy e eu nos conservávamos um em cada lado da Sra. Hardy. Não havia outra pessoa na sala.

Em breve ouvimos um ruído proveniente da água posta em movimento; por meio de pancadas, pediu-se à Sra. Hardy que dirigisse a mão na distância de alguns centímetros por baixo da mesa, entre a toalha e a capa, o que ela executou, e depois de muitas repetições dessa manobra, obteve de 15 a 20 moldes de dedos, de diversos tamanhos, desde dedos de criança até dedos gigantescos. Na maior parte dessas formas, principalmente nas maiores ou naquelas que se aproximavam, por suas dimensões, dos dedos da médium, todas as linhas, as cavidades e os relevos que se vêem nos dedos humanos sobressaíam com muita nitidez. O maior desses dedos, o polegar do grande Dick (Big Dick), como nos foi designado, tinha o dobro do comprimento de meu polegar; a menor dessas formas, com uma unha distintamente desenhada, correspondia ao dedo rechonchudo de uma criança de um ano.

Enquanto essas formas se produziam, a mão da médium estava a uma distância mínima da parafina, de dois pés, como posso afirmá-lo. Os moldes ainda estavam quentes, em grande parte, no momento em que a Sra. Hardy os retirava das mãos que lhe eram estendidas por baixo da mesa; sucedeu por mais de uma vez inutilizarem-se as formas em conseqüência de estar a parafina ainda muito mole.

Desejaria atrair a atenção dos irmãos Eddy, do jovem Allen (Allen boy) e de outros médiuns de efeitos físicos, para esse método, que é o mais próprio para demonstrar aos cépticos a realidade das aparições e de sua existência fora do médium. Se pudessem obter-se moldes de mãos excedendo as dimensões das mãos humanas – o que não ponho em dúvida de maneira alguma –, poder-se-iam dirigi-los a círculos espíritas distantes, como prova irrefutável.

Wellesley, Mass., 14 de setembro de 1875.

William Denton.”

Em carta ulterior, publicada no Banner of Light de 15 de abril de 1876, o Sr. Denton, referindo-se à sua primeira carta, completa-a com essa particularidade importante:

“No decurso da sessão, sucedeu-me por muitas vezes ver sair de sob a mesa dedos ainda cobertos de parafina.”

A carta do Sr. Hardy, marido da médium, confirma esse fato e acrescenta algumas particularidades que não são destituídas de importância, e que vamos reproduzir aqui, segundo o Médium (1875, pág. 647):

“A 15 do corrente, recebi uma carta do professor W. Denton, habitante de Wellesley, a 10 léguas de Boston, e que é muito conhecido por suas conferências sobre a Geologia e sobre o Espiritualismo. Ele participava-me por escrito que tinha encontrado um meio muito simples de obter a moldagem das mãos e dos dedos materializados com a condição de ter à disposição um bom médium. Perguntava-me se a Sra. Hardy consentiria em prestar o seu concurso a essas experiências. Respondi-lhe imediatamente que nos julgaríamos felizes em auxiliá-lo em seus esforços, para demonstrar a realidade do fenômeno das materializações. Na volta do correio, ele me anunciou a sua chegada no dia seguinte, 16. Trouxe os seus preparativos, a respeito dos quais não nos tinha dado informação alguma. Procedemos imediatamente às experiências.

Uma mesa ordinária, de 4 pés de comprimento e 2 de largura, foi abrigada em seu contorno por uma toalha para obter-se um espaço sombrio em sua parte inferior. O Sr. Denton trouxe um balde com água fervendo que não o enchia até os bordos, deitou dentro um pedaço de parafina, que não tardou em fundir-se, sobrenadando. O Sr. Denton colocou o balde por baixo do centro da mesa; a Sra. Hardy tinha tomado lugar em uma das cabeceiras da mesa, tendo o Sr. Denton de um lado e a mim do outro. A fiscalização das mãos era supérflua, pois que todas assentavam na mesa, o que permitia vigiar o seu menor deslocamento. Alguns minutos depois, ouvimos o ruído da água posta em movimento, e então os agentes invisíveis nos anunciaram o êxito da experiência e pediram que a médium estendesse a mão para receber um objeto que lhe seria entregue. Só então a Sra. Hardy introduziu a mão por baixo da mesa: seu braço conservava-se visível durante todo o tempo, desde o punho, e a distância que separava os seus dedos da água nunca foi inferior a 2 pés. As mãos que mergulhavam na parafina dirigiam-se à médium para lhe permitirem tirar os moldes. Obtivemos, por esse meio, de 15 a 20 formas que mostravam distintamente o desenho das unhas e de todas as linhas que sulcavam a pele. Esses dedos podem ser classificados em cinco categorias de dimensões: três ou quatro dentre eles pertenciam a crianças de um a três anos; as outras formas eram muito maiores; finalmente havia uma dentre elas que representava um polegar de tal dimensão como nunca tínhamos visto igual, com a unha e todas as linhas muito claramente salientes.

Todos esses moldes se acham neste momento em poder do Sr. Denton, que se propõe a publicar aquela experiência, minuciosamente, no próximo número do Banner, com a sua assinatura. Esses fatos falam por si mesmos e marcam uma conquista importante no progresso das coisas. Os fenômenos que cito produziram-se em pleno dia, se bem que as cortinas estivessem cerradas; não havia gabinete e a médium não foi coberta com pano algum; tudo se passava na mesma sala e nenhum movimento das pessoas presentes podia escapar aos outros assistentes.

Boston, 20 de setembro de 1875.



John Hardy.”

Obtiveram-se, dessa maneira, em uma série de sessões, moldes de mãos e de pés completos e das mais variadas formas. As condições nas quais eram feitas essas experiências, assim como os resultados obtidos, parece deverem ter satisfeito a todas as exigências, mas a crítica completava a sua obra: desenvolvia o seu talento para desmascarar a fraude, pois que naquilo havia fraude. Começou-se por alegar que a médium podia levar à sessão moldes preparados de antemão e dá-los como resultado imediato das experiências. O professor Denton imaginou então a demonstração seguinte: pesava o pedaço de parafina que devia servir para a experiência; depois da sessão pesava o molde obtido, assim como o resto da parafina e, adicionando esses dois últimos pesos, verificava que esse total correspondia exatamente ao peso primitivo da parafina. A prova da pesagem foi feita por muitas vezes em presença de numerosos assistentes, e à frente de comissões nomeadas pelo próprio público; essas experiências foram feitas em Boston, Charlestown, Portland, Baltimore, Washington, etc., e sempre com êxito completo.


Fotografias obtidas das moldagens da mão direita


e do pé direito de uma forma materializada.

Entretanto, a critica não se considerava vencida; pretendia que a médium podia retirar com a mão ou com o pé a quantidade precisa de parafina e ocultá-la dessa ou daquela maneira. Pediram que a médium fosse introduzida em um saco! Essa condição foi aceita e, em cerca de 20 sessões públicas, a médium foi introduzida em um saco que lhe amarravam em redor do pescoço. Os resultados foram os mesmos, e sempre sob a vigilância de uma comissão escolhida pelo público. Essas medidas de fiscalização não pareceram, porém, suficientes: chegaram até a dizer que a médium podia desmanchar e depois refazer parte da costura do saco, desde que tivesse as mãos livres, se bem que os membros da comissão não tivessem notado coisa alguma que pudesse justificar aquela suposição. Acordaram em uma combinação que devia fornecer a prova mais convincente e mais absoluta: exigiram que o molde se formasse dentro de uma caixa fechada à chave. Nessas condições, a experiência tornava-se absolutamente concludente; por isso passo a citar in extenso o relatório que ela ocasionou e que foi publicado no Banner of Light de 27 de maio de 1876, com a assinatura dos membros da comissão. Eis em primeiro lugar a descrição da caixa feita especialmente para a experiência, segundo as instruções do Dr. Gardner:

“Aquela caixa, de forma retangular, mede 30 polegadas de comprimento e de altura, por 24 de largura. O fundo, os quatro apoios dos cantos e a tampa de dois batentes são de madeira, bem como a parte superior das paredes, compreendida entre a tampa e a grade de arame; esse caixilho de madeira, de 8 1/2 polegadas de altura, é perfurado por orifícios espaçados de 1 polegada, e com 3/4 de polegada de diâmetro. Esses orifícios ficam reduzidos a 1/4 de polegada por um folheado colado no interior. O engradado de ferro que forma o corpo da caixa é composto por um único pedaço de arame, cujas duas pontas se reúnem em um dos apoios e ficam cobertas por uma tabuinha de madeira pregada no apoio. A tampa é composta de duas partes, abrindo-se para fora; um dos batentes fecha-se de dois lados por meio de ferrolhos; o outro fechava-se primitivamente por uma simples tranca de alavanca. O engradado, muito sólido e muito espesso, produz malhas de 3/8 de polegada. Depois de muitas sessões bem sucedidas, mas às quais não tínhamos assistido, notaram-se alguns defeitos na caixa e mandaram fazer algumas modificações, a fim de que ela correspondesse a todas as exigências: os dois lados da tampa foram munidos de fechaduras, garantindo o fechamento absoluto da caixa. Se insistimos tão longamente sobre as particularidades daquele aparelho, é porque ele deve servir para estabelecer de maneira peremptória a boa fé da médium.” (reproduzido no The Spiritualist de 9 de junho de 1876, pág. 274).

Eis agora o documento propriamente dito:

“Na segunda-feira, 1º de maio de 1876, em uma sala do pavimento térreo ocupada pelo Sr. Hardy, Praça da Concórdia, nº 4, achavam-se presentes as seguintes pessoas: o Coronel Frederick A. Pope, de Boston; John Wetherbee, J. S. Draper, Epes Sargent, a Sra. Dora Brigham e o Sr. e Sra. Hardy. A caixa foi submetida a escrupuloso exame. O Coronel Pope, perito em todos os trabalhos de marcenaria, virou a caixa em todos os sentidos e examinou-a por todos os lados, quer no exterior, quer no interior. Os outros assistentes acompanharam aquele exame e depois examinaram a caixa por sua vez. O engradado foi objeto de uma atenção muito particular, desejando os experimentadores verificar se havia um meio de alargar, com um instrumento de ferro, as malhas, a ponto de permitir a passagem de um objeto, que tivesse mais de meia polegada de espessura, e estreitá-las em seguida. O exame demonstrou a impossibilidade de semelhante operação sem que ficassem vestígios.

Quando todos os assistentes ficaram convictos da perfeita segurança da caixa, o Sr. Wetherbee tomou um balde cheio de água fria, muito transparente, e colocou-o na caixa, depois de o ter apresentado previamente à inspeção das pessoas presentes. O Coronel Pope lançou mão de um balde de água fervendo, na superfície da qual sobrenadava uma camada de parafina em fusão, e depois de um exame, colocou-o igualmente na caixa. A tampa foi ferrolhada e fechada à chave. Para maior segurança, colaram-se selos em cada orifício de fechadura, ao longo da junta das duas tábuas da tampa e nos cantos, apesar de ser supérflua essa última cautela, uma vez que não devíamos arredar os olhos da médium durante todo o tempo da experiência. Estando a sala iluminada, podíamos verificar, através do engradado, que a caixa não continha outra coisa além dos dois baldes e seu conteúdo.

Para obter a escuridão necessária à produção do fenômeno, cobriu-se a caixa com um pano e diminuiu-se a luz na sala; porém ficava sempre bastante claridade para podermos consultar os relógios e distinguir os rostos dos assistentes, inclusive o da médium. A Sra. Hardy tomou assento defronte do círculo que formávamos em frente, do lado esquerdo da caixa. O Sr. Hardy conservou-se à parte durante todo o tempo, por trás dos assistentes.

Nenhum constrangimento e nenhuma condição foram impostos aos assistentes. Eles não cantavam nem faziam rumor algum, mas a conversação à meia voz manteve-se durante todo o tempo. A Sra. Hardy estava em seu estado normal, não parecendo comovida, nem preocupada. Uma harmonia completa reinava na reunião; os olhos de todos estavam fixos na médium. De vez em quando, faziam-se perguntas ao operador invisível, que respondia por meio de pancadas.

Finalmente, depois de uma espera de quarenta minutos mais ou menos, ouvimos pancadas apressadas e animadas, anunciando-nos o êxito da experiência. Deixamos nossos lugares para ir retirar o pano que cobria a caixa e, olhando-a através da grade de arame, divisamos a forma completa de uma grande mão flutuando na água fria. Examinamos os selos: estavam intactos. Passamos revista ainda uma vez na caixa e verificamos que tudo estava em ordem: madeira e grade não tinham experimentado a mínima mudança. Depois de ter retirado os selos, abrimos os ferrolhos, levantamos a tampa da caixa e retiramos de dentro o balde com a forma. Fomos coagidos – e ainda hoje o somos – a formular a conclusão de que a forma foi produzida e colocada no balde por uma força que tem a faculdade de materializar órgãos humanos, em nada semelhantes aos da médium.

Na quinta-feira, 4 de maio, fizemos outra sessão, na qual tomaram parte, além das pessoas já nomeadas: o Sr. J. W. Day (pertencente à redação do Banner of Light) e o Sr. J. F. Alderman. As experiências foram feitas nas mesmas condições, e com resultado mais admirável ainda do que o da sessão de 1º de maio, visto que as formas obtidas eram de maiores dimensões e tinham os dedos mais separados. Tomaram-se as mesmas precauções, no começo e no fim da sessão, isto é, a caixa foi examinada por duas vezes pelas pessoas presentes. Tendo-se suscitado uma dúvida a respeito da solidez das dobradiças, fez-se vir uma chave de parafuso e experimentou-se a solidez dos parafusos, que foram apertados até o fim.

Além da forma que flutuava no balde, encontramos parte de outra forma no fundo da caixa.

Eis as conclusões a que chegamos:

1º – A forma exata de mão humana, de tamanho natural, produziu-se em caixa fechada, pela ação inteligente de força desconhecida.

2º – As condições nas quais a experiência se produziu põem fora de discussão a boa fé da médium; os resultados obtidos provam, ao mesmo tempo, de maneira indiscutível a realidade de seu poder mediúnico.

3º – Todas as precauções empregadas eram de uma simplicidade e rigor tais, que excluem qualquer idéia de fraude, assim como toda possibilidade de ilusão, de maneira que consideramos definitivo o nosso testemunho.

4º – Essa experiência confirma o fato – desde muito tempo conhecido pelos investigadores – de que mãos temporariamente materializadas, dirigidas por uma inteligência e emanando do organismo invisível, podem tornar-se visíveis e palpáveis.

5º – A experiência da produção de formas de parafina, junto à chamada fotografia espírita, constitui uma prova objetiva da ação de uma força inteligente fora dos organismos visíveis, e constitui um ponto de partida sério para as pesquisas científicas.

6º – A questão de saber “de que maneira essa forma se produziu no interior da caixa” conduz a reflexões que exercem uma influência das mais consideráveis, quer sobre a Filosofia do futuro, quer sobre os problemas da Psicologia e da Fisiologia, e abrem um horizonte novo às pesquisas sobre as forças ocultas e o destino futuro do homem.

Boston, 24 de maio de 1867.

Coronel Frederick A. Pope – 69, Montgomery Street.
Mrs. Dora Brigham – 3, James Street, Franklinest.
J. T. Alderman – 46, Congress Street, Boston.
John Wetherbee – 48, Congress Street.
John W. Day – 9, Montgomery Place.
Epes Sargent – 67, Moreland Street.
J. S. Draper – Wayland, Mass.”

Entre essas assinaturas, notar-se-á a do Sr. Epes Sargent, nome muito conhecido na literatura americana.

Temos, pois, aqui uma experiência feita em condições que correspondem amplamente às exigências do Sr. Hartmann: não há reclusão do médium, ele está sentado com as testemunhas da experiência em uma sala suficientemente iluminada; a forma produz-se em um espaço isolado, que torna impossível qualquer intervenção exterior. Estamos, por conseguinte, diante de um fato que prova de maneira irrecusável, objetiva, e de vez, que as mãos que aparecem nas sessões espiríticas não são o efeito de alucinações, que elas representam um fenômeno real, objetivo, ao qual é perfeitamente aplicável a designação de “materialização” sem que por esse termo pretendamos explicar a própria natureza do fenômeno.

Se ainda há lugar para alguma dúvida, seria que a experiência foi feita na América, pátria clássica do humbug. Para o caso presente, essa objeção não teria o mesmo fundamento como se se tratasse de um fato isolado, novo, sem antecedentes. Ora, para aqueles que estudaram a questão mais de perto, essa experiência não é mais do que o coroamento de uma série completa de pesquisas realizadas com o mesmo objetivo. Demais, a experiência em questão reveste um caráter de autenticidade suficiente, levando-se em consideração as assinaturas e as pessoas que tomaram parte nela, principalmente o professor Denton, inventor do processo empregado; o Dr. Gardner, um dos representantes mais considerados do Espiritualismo na América, que teve a iniciativa da experiência com a caixa e presidiu às primeiras sessões (vide Banner of Light de 1º de abril de 1876); o Sr. Epes Sargent, homem de letras e espiritualista muito conhecido, que escreveu ao diretor do The Spiritualist, em Londres, dirigindo-lhe o relatório da Comissão:

“Tendo assistido às sessões em questão, posso dar garantia da exatidão escrupulosa do relatório.” (The Spiritualist, 1876, pág. 274).

Ele também comunicou àquela mesma revista a opinião do escultor O’Brien, perito nesse gênero de formas (The Spiritualist, 1876, I, pág. 146). Reproduzimos na íntegra esse interessante documento:

“Washington, 20 de janeiro de 1876.

Em vista de uma petição que me foi dirigida nesse sentido, certifico, pela presente, que sou modelador e escultor, exercendo a minha profissão há 25 anos, entrando nesse número muitos anos que passei na Itália para estudar as obras dos grandes mestres da pintura e da escultura; que habito atualmente em Washington, tendo meu gabinete no nº 345, Avenida Pensilvânia; que a 4 de janeiro corrente um amigo me convidou a dirigir-me ao domicílio de um particular (1.016, 1ª Street, N. W., Washington) para examinar ali moldagens em gesso sobre as quais devia dar a minha opinião.

Efetivamente, um senhor que me foi apresentado com o nome de Sr. John Hardy, de Boston me mostrou sete modelos de mãos em gesso, de diferentes dimensões; examinei-os à luz intensa, com a lente. Verifiquei que cada uma dessas provas era uma obra de maravilhosa execução, reproduzindo todas as particularidades anatômicas, bem como as desigualdades da pele, com tal delicadeza qual, até então, eu nunca o tinha verificado em nenhum modelo de mãos ou de qualquer outra região do corpo humano, a não ser as obtidas por moldagem direta em gesso, feita sobre a mão ou sobre outra parte qualquer do corpo e constando de muitos fragmentos, o que chamamos de molde em pedaços. Entretanto, os modelos em questão não mostravam indício algum de soldagem e parecia saírem de um molde sem juntura. Entre esses gessos encontrava-se um que representava, disseram-me, a mão do finado vice-presidente Henry Wilson, e que teria sido obtido depois de sua morte. O gesso me pareceu assemelhar-se singularmente quanto à forma e tamanho, à mão do defunto, que eu tinha examinado pouco tempo depois da sua morte, na ocasião em que eu fora tirar o molde do seu rosto em gesso – único molde que foi tirado. Então eu tinha do mesmo modo a intenção de moldar a sua mão, mas fui impedido disso pelos cirurgiões, que tinham pressa em proceder à autópsia.

Acrescento sem constrangimento, a pedido, que se esse gesso da mão do Sr. Wilson tivesse sido obtido com o emprego de um processo qualquer de moldagem, faria honra ao primeiro artista do mundo.

No que diz respeito especialmente a esse ponto, não hesito em afirmar que, entre os escultores de nomeada, encontrar-se-ia talvez um em cem que pudesse empreender e realizar a moldagem de semelhante mão com todas as minudências, e esse escultor ainda correria o risco de perder o trabalho, visto que, em nossa arte, o único processo para reproduzir os objetos em relevo convexo é o molde em pedaços, o que requer uma raspagem, para extinguir os acréscimos que indicam os encontros das diversas partes do molde – o que importa em considerável trabalho, a julgar pelo exame microscópico ao qual submeti as provas; o remate de um só objeto (supondo que o modelador possa prescindir do auxílio de um bom escultor) exigiria o trabalho de muitos dias.

Nesta mesma tarde e no mesmo lugar mostraram-me duas luvas ou moldes em parafina no gênero dos que teriam servido ao vazamento desses modelos. Examinei minuciosamente esses moldes e não pude descobrir neles nenhum vestígio de soldadura; parecia terem sido feitos de uma só vez, por um processo qualquer, por exemplo: sobre um modelo de semelhança perfeita à mão humana que em seguida tivesse sido mergulhada por muitas vezes em uma substância semilíquida e adesiva como a parafina, e que em seguida tivesse sido retirado dessa luva, deixando-a intacta; mas a forma dessas luvas ou moldes (e, por conseguinte, das provas) com os dedos recurvados, e tendo a palma muitos centímetros maior largura do que punho, tornaria impossível, a meu ver, retirá-los intactos, de maneira que me recuso a formular uma teoria, ainda mesmo pouco satisfatória, acerca da maneira pela qual eles foram produzidos.

Pedem-me ainda que declare que não sou espiritualista, que nunca assisti a sessão alguma e que nunca estive em comunicação com os chamados “médiuns”, que me conste, pelo menos.

Nada entendo da filosofia do “espiritualismo moderno” além do ensino que lhe é atribuído relativamente à imortalidade da alma e à possibilidade de ter relações com os espíritos dos defuntos; a primeira dessas teses é para mim uma questão de fé, e, quanto à segunda, ainda não a considero baseada em provas suficientes para que tome a liberdade de pronunciar-me pró ou contra.



John O’Brien, escultor.”

Em regra geral, admito sem esforço que as narrações que nos vêm da América são freqüentemente exageradas ou inexatas, por isso me apóio em minhas pesquisas espiríticas de preferência nas fontes inglesas, como se pode verificá-lo, e tanto mais quanto conheço a maior parte das pessoas que tomam parte ativa nesse movimento na Inglaterra. É por isso que abro espaço aqui para uma exposição circunstanciada das experiências desse gênero, feitas naquele país, experiências que talvez sejam ainda mais concludentes.




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