Alexandre Aksakof Animismo e Espiritismo



Baixar 2.01 Mb.
Página16/51
Encontro29.11.2017
Tamanho2.01 Mb.
1   ...   12   13   14   15   16   17   18   19   ...   51
3) O agente oculto é visível;
o médium está isolado.

Nesta terceira categoria de experiências, citarei um exemplo que não deve ser desconhecido ao Sr. Hartmann, pois que é relatado no Psychische Studien. É provavelmente o fato que o Dr. H. visa falando das sessões no decurso das quais o médium tinha sido encerrado em uma gaiola.

Efetivamente, na experiência de que se vai tratar e que foi feita em Belper (Inglaterra), o Sr. W. P. Adshead empregou uma gaiola feita especialmente no intuito de encerrar nela o médium durante as sessões de materialização, com o fim de resolver definitivamente a questão seguinte: a aparição da figura materializada é ou não uma coisa distinta da pessoa do médium?

Essa questão foi resolvida em sentido afirmativo. Colocaram o médium, a Srta. Wood, em uma gaiola cuja portinhola foi fechada por meio de parafusos. As plantas do aposento e do gabinete, perto do qual a gaiola tinha sido colocada, são reproduzidas na página 296 do Psychische Studien, de 1878. Foi em tais circunstâncias que se viram aparecer dois fantasmas: o de uma mulher conhecida com o nome de Meggie e depois o de um homem chamado Benny. Um e outro se dirigiram para fora do gabinete (págs. 349, 354 e 451); essas figuras se materializaram em seguida e se desmaterializaram perante os assistentes; finalmente, entregaram-se, uma após outra, à moldagem de um de seus pés, na parafina. Segundo a opinião do Sr. Hartmann, esses resultados se explicam de maneira muito simples: no começo, é o médium em pessoa, trajando uma vestimenta, quer alucinatória, quer levada pela força nervosa, que passa e torna a passar através da gaiola, sem a mínima dificuldade; é, em suma, uma semi-alucinação. A segunda fase desse fenômeno não passa da alucinação completa da figura e das vestimentas. A terceira fase é de novo uma semi-alucinação, porque os moldes reais que se têm obtido importam na intervenção pessoal do médium (Spiritismus, pág. 89). Mas eis o ponto difícil que o Sr. Hartmann passou em silêncio: o fato é que um e outro fantasma deixaram o molde de seu pé esquerdo, de maneira que se obtiveram as formas de dois pés esquerdos, de dimensões e conformação diferentes; e é precisamente dessa particularidade que a experiência tira sua força demonstrativa.

Admitindo-se mesmo que não tivesse havido gaiola (durante a formação dos moldes deixaram-na entreaberta), a prova conservaria, ainda assim, todo o seu vigor, porque não é baseada na prisão do médium, mas na diferença dos moldes, circunstância que o Sr. Hartmann não podia ignorar, em razão da passagem seguinte, que cito textualmente:

“Foi Meggie quem tentou a operação em primeiro lugar. Andando fora do gabinete, aproximou-se do Sr. Smedley e colocou a mão no encosto da cadeira que ele ocupava. À pergunta do Sr. Smedley, se o Espírito tinha necessidade da cadeira, Meggie fez com a cabeça um sinal afirmativo. Ele se levantou e colocou a cadeira defronte dos baldes. Meggie sentou-se ali, conchegou seus longos vestidos e começou a mergulhar o pé esquerdo alternadamente na parafina e na água fria, continuando naquele mister até que a forma ficou pronta.

O fantasma estava tão bem oculto por suas vestimentas que não nos foi possível reconhecer o operador. Um dos assistentes, enganado pela vivacidade dos movimentos, exclamou: “É Benny.”

Então o fantasma colocou a mão sobre a do Sr. Smedley, como se quisesse dizer-lhe: “Toca para ficares sabendo quem sou.” – “É Meggie – disse o Sr. Smedley –, ela acaba de apresentar-me sua pequena mão.”

Quando a camada de parafina adquiriu a espessura conveniente, Meggie pousou o pé esquerdo em cima de seu joelho direito e conservou-se em tal posição cerca de dois minutos; depois retirou o molde, conservou-o em suspensão durante algum tempo e deu-lhe umas pancadas, de maneira que todas as pessoas presentes pudessem vê-lo e ouvir as pancadas; depois mo entregou, a meu pedido, e eu o guardei em lugar seguro. Meggie tentou em seguida a mesma experiência com o pé direito, mas depois de tê-lo mergulhado por duas ou três vezes, levantou-se, provavelmente em conseqüência do esgotamento de forças, dirigiu-se para o gabinete e não voltou mais.

A parafina que lhe tinha aderido ao pé direito foi encontrada no gabinete, em cima do soalho.

Chegou a vez de Benny. Ele fez um cumprimento geral e, segundo costumava, pousou sua grande mão na cabeça do Sr. Smedley. Recebeu a cadeira que lhe ofereciam e colocou-a defronte dos baldes; sentou-se e começou a mergulhar o pé esquerdo alternadamente nos dois baldes, como o fizera Meggie, porém muito mais aceleradamente. A rapidez de sus movimentos dava-lhe a aparência de uma pequena máquina de vapor, segundo a comparação de um dos assistentes.

A fim de dar aos leitores uma idéia exata das condições favoráveis nas quais se achavam os espectadores para acompanhar as operações, mencionarei que durante a moldagem do pé de Benny o Sr. Smedley estava sentado imediatamente à direita do fantasma, de maneira que esse lhe pôde colocar a mão em cima da cabeça e acariciar-lhe o rosto. Eu estava à esquerda de Benny e tão perto que pude receber o molde que ele me oferecia sem deixar o meu lugar; as pessoas que ocupavam a primeira fila de cadeiras estavam cerca de três pés distantes dos dois baldes.

“Todas as pessoas podiam ver perfeitamente a operação, desde a primeira imersão do pé até a terminação do molde; o fenômeno em si é para nós um fato tão inegável quanto a claridade do sol ou a queda da neve. Se um dentre nós tivesse suspeitado que a médium empregara um “artifício sutil” qualquer para nos oferecer o molde de seu próprio pé, pequeno, a suspeita teria desaparecido infalivelmente diante do aspecto do molde que Benny me entregou, depois de tê-lo retirado do pé esquerdo, à vista de toda a assistência. Não pude então reter a exclamação: “Que diferença!”

Quando Benny deu por terminada a moldagem, colocou de novo a cadeira em seu lugar e percorreu o círculo dos espectadores, apertando-lhes a mão e conversando com eles. De súbito, recordou-se de que, a pedido seu, a portinhola da gaiola tinha ficado entreaberta e, querendo provar-nos que a despeito dessa circunstância a médium não tinha intervindo de maneira alguma na experiência, impeliu a mesa de encontro à portinhola da gaiola, depois de tê-la fechado, segurou meu braço com ambas as mãos, comprimiu-o com força sobre a mesa, como se desejasse dizer-me que eu não devia deixá-la desviar-se uma polegada; depois ele se curvou para apanhar a caixa de música que encostou à gaiola em posição de declive, com uma aresta encostada na portinhola da gaiola e a outra no soalho, de maneira que, se a portinhola se abrisse, infalivelmente atiraria a caixa no chão. Em seguida Benny se despediu e desapareceu.

Falta-me declarar que a mesa não se moveu, que depois da sessão se encontrou a caixa de música encostada à gaiola, no mesmo lugar, e que a médium estava na gaiola, ligada à cadeira e em estado de transe. De tudo o que precede é preciso concluir que os moldes em parafina foram obtidos em circunstâncias tão concludentes quanto se a portinhola da gaiola tivesse sido fechada com parafuso. Admitindo mesmo que a experiência com a gaiola deixasse a desejar, os resultados obtidos não deixam de exigir uma explicação:

Em primeiro lugar, um indivíduo só tem um pé esquerdo, ao passo que os moldes obtidos por nós pertencem a dois pés esquerdos, dessemelhantes por suas dimensões e por sua conformação: tomando-se a medida, o pé de Benny tinha 9 polegadas de comprimento e 4 de largura, e o pé de Meggie, 8 de comprimento e 2 1/4 de largura. Além disso, o gabinete era tão rigorosamente vigiado que nenhum ser humano teria podido penetrar ali sem ser imediatamente descoberto.

Então, se as formas de que se trata não foram moldadas sobre os pés da médium – e isso me parece provado de maneira absoluta –, que pés serviram, pois, de modelo?” (Psychische Studien, dezembro de 1878, págs. 545-548; Médium, 1877, pág. 195).

E, entretanto, o Sr. Hartmann afirma resolutamente:

“Todos os relatórios dessa espécie, que deviam servir para provar a pretendida realidade objetiva dos fenômenos, têm o defeito de omitir a questão da identidade do médium e do fantasma, em virtude do isolamento ou do ligamento do médium.” (O Espiritismo, pág. 89).

Desejando fazer a maior luz possível sobre o modo de produção dos moldes de que se acaba de tratar e sobre o grau de dessemelhança entre eles, dirigi-me ao Sr. Adshead, pedindo-lhe que mandasse tirar fotografias para mim, no caso em que os moldes ainda estivessem em bom estado de conservação. O Sr. Adshead acedeu imediatamente a meu desejo e me enviou duas fotografias tiradas pelo Sr. Schmidt, em Belper, as quais deixam ver os moldes sob duas faces: vistos de cima e de lado. Basta um olhar sobre essas provas para descobrir nelas a considerável diferença.

Mas, com o fim de poder julgar com certeza ainda maior, pedi ao Sr. Adshead que sacrificasse os moldes para obter deles provas em gesso, e que me mandasse as fotografias desses últimos, assim como as medidas exatas. O Sr. Adshead teve ainda a extrema fineza de aceder a esse pedido.

Colocando essas fotografias uma sobre a outra, é fácil notar a diferença de forma e de dimensões dos dois pés. Eis as medidas que me comunicou o Sr. Adshead: pé de Meggie, periferia da planta, 19 1/8 polegadas; comprimento, 8 polegadas; pé de Benny, periferia da planta, 21 1/4 polegadas; comprimento, 9 polegadas; circunferência medida na base do pequeno artelho, 9 1/2 polegadas.



Compartilhe com seus amigos:
1   ...   12   13   14   15   16   17   18   19   ...   51


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal