Alexandre Aksakof Animismo e Espiritismo



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4) O fantasma e o médium são
simultaneamente visíveis aos espectadores.

Com referência à quarta série de experiências de moldagem, eis algumas passagens tiradas de uma conferência do Sr. Aston, feita em Newcastle, a 19 de setembro de 1877 e impressa no Medium and Daybreak (Londres) de 5 de outubro de 1877, pág. 626:

“Fui testemunha de fatos notáveis que se deram com a médium Srta. Fairlamb e venho comunicar-lhes o que ocorreu na sessão de domingo, 8 de abril passado, nos locais de nossa sociedade. Além da médium, a assistência constava de uma senhora e sete homens.

À chegada da Srta. Fairlamb, levaram à sala designada para a sessão dois baldes, um com parafina fundida e o outro com água fria, e colocaram-nos defronte do gabinete, à distância de 2 pés. O gabinete era formado por meio de uma cortina de tecido de lã verde, fixada na parede por uma de suas pontas, donde ela caía sobre uma barra de ferro curvada em semicírculo, formando uma espécie de tenda. Depois de ter feito uma investigação minuciosa do gabinete e dos baldes, instalou-se a médium no interior do gabinete. Tendo percebido na assistência uma pessoa que lhe era desconhecida, a Srta. Fairlamb pediu que se tomassem todas as precauções necessárias para desviar a menor dúvida sobre a autenticidade dos fenômenos que iam produzir-se. Entretanto, a maior parte das pessoas presentes estavam persuadidas da inutilidade dos meios habitualmente empregados para obter o isolamento da médium, a saber: as cordas ou fitas com as quais a ligavam, os sinetes apostos aos nós, a prisão em um saco ou em uma gaiola, etc., pois que as forças ocultas que se manifestavam nessas sessões parecia superarem todos os obstáculos materiais. Além disso, todas as pessoas depositavam completa confiança na Srta. Fairlamb e em seus guias invisíveis. Renunciamos, pois, às medidas de fiscalização e não tivemos motivos de queixa.

Após cantarmos duas ou três árias, notamos que a cortina se abria lentamente e uma cabeça saía do gabinete; a figura tinha tez morena, olhos negros, e era ornada de barba e bigodes castanhos (a médium é loura, de olhos azuis). Via-se aquela cabeça ora aproximar-se até mostrar as espáduas, ora retirar-se, como se o fantasma quisesse certificar-se de que poderia suportar a luz. Subitamente a cortina se abriu, e diante de nossos olhos se apresentou a forma materializada de um homem. Trajava uma camisa ordinária de flanela de riscado e uma calça de algodão branco; a cabeça estava envolta em uma espécie de lenço ou xale. Era todo o seu trajo. O colarinho e as mangas da camisa eram abotoados. O homem me parecia ter 5 ou 6 pés de estatura, era magro, mas vigorosamente constituído, e seu conjunto dava a impressão de um galhofeiro esbelto e ágil. Depois de ter descrito com os braços alguns movimentos circulares, como se os quisesse desentorpecer, entrou no gabinete para aumentar a chama do gás, que estava disposto de maneira a poder ser graduado quer no interior do gabinete, quer do lado de fora. Em seguida ele apareceu de novo e se entregou a novos exercícios ginásticos, entrou por uma vez ainda atrás da cortina, aumentou a luz e dirigiu-se para o nosso lado com andar desembaraçado e vigoroso. Entregou-se daí em diante a alguns exercícios de corpo e procedeu aos preparativos de moldagem: abaixou-se, tomou os baldes e levou-os para mais perto dos espectadores...

Depois tomou uma cadeira que se achava ao lado do Sr. Armstrong e colocou-a de maneira que o encosto separasse a cortina cerca de 20 polegadas (o que permitiu a três pessoas da assistência ver a médium); sentou-se e começou a moldagem do pé. Durante os quinze minutos que durou a operação, os experimentadores podiam ver ao mesmo tempo o fantasma e a médium, iluminados mais que suficientemente.” (The Medium, 5 de outubro de 1877, pág. 626).

Se eu posso ser juiz no caso, o conjunto dos fatos que reuni neste capítulo constitui uma prova absoluta da objetividade real do fenômeno da materialização, e desde o momento em que se me oferece a oportunidade de responder ao Sr. Hartmann, insisto mui particularmente no princípio que serve de base a essas demonstrações, a saber: – uma vez estabelecida a realidade do fato da formação de moldes por um ser materializado, esse fato prova de modo absoluto que o fenômeno de materialização não deve ser considerado como o efeito de uma alucinação.

Se o Sr. Hartmann não quer admiti-lo, ouviremos a sua réplica com o mais vivo interesse. Não se trata de tal ou qual experiência, é o princípio em si que será preciso refutar.

f) Fotografia de formas materializadas

Trataremos aqui de outra categoria de provas que devem servir para demonstrar a realidade objetiva do fenômeno de materialização: as experiências fotográficas.

Se a fotografia ainda não estivesse descoberta, os meios de verificar o fenômeno em questão estariam limitados aos fatos que acabo de expor, de maneira que a fotografia nos vem dar provas que devemos considerar como de luxo. Direi mesmo que no ponto de vista de sua importância intrínseca, ela não pode, sem restrição, ser colocada na mesma categoria que as experiências de moldagem: estas nos fornecem a reprodução plástica de um membro inteiro materializado, ao passo que a fotografia só nos pode transmitir uma simples imagem plana de uma de suas faces. Por isso não deixo de experimentar certa surpresa perante a opinião do Sr. Hartmann, segundo a qual somente a fotografia pode fornecer uma prova absoluta do fenômeno. A leitura do Psychische Studien lhe deve ter demonstrado que se recorrera às experiências de moldagem como método de demonstração; por conseguinte, ele poderia, como o fez em relação à fotografia, precisar quais são as condições sine qua non a observar, segundo o seu modo de ver, para que tais provas se tornem concludentes. Mas desde que é à fotografia e não à moldagem que o Sr. Hartmann pede uma prova irrefutável, é forçoso que o acompanhemos nesse terreno.

Farei observar, com antecedência, que exigindo tal prova o Sr. Hartmann peca contra a lógica; ela não condiz com as hipóteses que ele emitiu para explicar outros efeitos permanentes produzidos por fenômenos mediúnicos análogos. Tendo sustentado a hipótese dos “efeitos dinâmicos da força nervosa mediúnica” (Dynamische Wirkungen der mediumistischen Nervenkraft) para explicar as impressões feitas por corpos materializados sobre uma substância qualquer, em boa lógica o Sr. Hartmann deveria ter-se limitado àquela hipótese, desenvolvendo-a segundo as exigências, para afirmar que a fotografia de um corpo materializado não pode, em caso algum, provar a existência objetiva desse corpo, que ela não passa do resultado “de uma força nervosa, agindo a distância”. Convém não esquecer que, segundo o Sr. Hartmann, aquela força nervosa mediúnica é uma força física, como a luz, o calor, etc., que, por conseguinte, a objetiva do aparelho fotográfico poderia fazer convergirem sobre a placa sensível os raios daquela força; quanto à ação química necessária para produzir a imagem fotográfica, o Sr. Hartmann poderia admiti-la como suplemento.

Lembremo-nos ainda de que o Sr. Hartmann concede àquela força nervosa a surpreendente propriedade de produzir nos corpos todas as espécies de impressões, determinadas pela fantasia do médium, na fotografia, pois, como em outra parte, a disposição das linhas de tensão “teria sido regulada pela imagem criada na fantasia do médium sonâmbulo”, com a diferença de que “o sistema de linhas de tensão, nesse caso, seria orientado segundo uma superfície plana, isto é: a placa sensível”. Esse efeito poderia ser obtido, quer diretamente, na prova negativa, quer “pela ação, na objetiva do aparelho, de um sistema de forças agindo à maneira de uma superfície qualquer, sem a presença de um corpo”. O Sr. Hartmann aquiesce em admiti-lo nas experiências com as impressões.

Mas não é a mim que compete desenvolver a hipótese do Sr. Hartmann, depois de ter demonstrado a sua insuficiência em relação às impressões.

Desejo apenas tirar dela a seguinte dedução: se, como o pretende o Sr. Hartmann, uma alucinação, cooperando com a força nervosa, pode deixar em um objeto um vestígio duradouro e semelhante “sem que exista uma forma orgânica material”, essa alucinação – auxiliada pela força nervosa – deve igualmente produzir na chapa uma certa imagem, duradoura também, e igualmente conforme à própria alucinação, “sem que exista uma forma orgânica material”. A segunda proposição não é mais do que o corolário da primeira, e a negação de uma importa na negação da outra. Por conseguinte, a fotografia de um corpo materializado não seria, segundo a teoria do Sr. Hartmann, mais do que uma nevro-dinamografia, e entretanto ele a considera como podendo fornecer uma prova absoluta!

Abrigando-me por trás desse argumento, eu poderia escapar à obrigação de procurar provas na fotografia, com tanto maior razão quanto encontrei outras e das mais concludentes; mas o Sr. Hartmann não quis dar à sua hipótese da força nervosa um desenvolvimento completo; ele acede em admitir que a fotografia teria podido fornecer a prova irrecusável da realidade do fenômeno de materialização; devemos, pois, examinar essas provas.

A condição sine qua non exigida pelo Sr. Hartmann seria que o médium e a forma materializada aparecessem conjuntamente na mesma chapa. Essa prova existiria desde há muito tempo se, para obtê-la, não se nos deparassem dificuldades dependentes de condições físicas: sabe-se que a fotografia exige uma luz intensa, enquanto que os fenômenos de materialização não suportam senão uma luz fraca; por conseguinte, para chegar a um resultado satisfatório, que se prestasse às observações, era preciso recorrer à combinação seguinte: colocava-se o médium em um compartimento completamente escuro – um gabinete ou um armário –, diminuía-se a luz que iluminasse o aposento, até um grau correspondente à força do fenômeno de materialização, que devia produzir-se no espaço escuro, para depois poder suportar a luz.

A obrigação de submeter-se a exigências tão complicadas devia naturalmente duplicar a vigilância dos experimentadores, receosos de serem vítimas de uma impostura, voluntária ou não, por parte do médium. Eis-nos coagidos a adotar inumeráveis medidas de precaução, destinadas a colocar o médium na impossibilidade de oferecer-nos um simulacro de fenômeno, e eis-nos de volta à questão do isolamento do médium, medida à qual o Sr. Hartmann recusa todo o valor demonstrativo para esse gênero de investigações, partindo do seguinte argumento: “De todas as maneiras é claro que, se se concede ao médium a propriedade de penetrar a matéria, tem-se necessidade de quaisquer outros meios, exceto o isolamento ou a ligação do médium para provar a sua não identidade com a aparição.”

Antes de passar a essas “outras provas” exigidas pelo Sr. Hartmann, devo dizer algumas palavras sobre seu próprio raciocínio. Do mesmo modo que eu protestei contra esse argumento quando se tratava dos transportes, devo opor-me a ele aqui, a propósito do isolamento e do ligamento do médium. Que significa sob a pena do Sr. Hartmann esta frase: “desde o momento em que se aceita a penetrabilidade da matéria pelo médium”? Quem, pois, aceita? Convém supor que é o próprio Sr. Hartmann quem aceita, pois é nesse ponto que ele baseia suas explicações. Tendo admitido, condicionalmente, todas as outras manifestações físicas do mediunismo para dar delas uma explicação de acordo com as suas idéias, isto é, uma explicação natural, ele admite, condicionalmente também, os fenômenos que os espíritas explicam pela penetração da matéria; por conseguinte, está na obrigação de dar do mesmo modo uma explicação natural desses fenômenos, pois que, eu o repito, o Sr. Hartmann escreveu o seu livro no intuito bem manifesto de provar que não há nada de sobrenatural no Espiritismo, que “o Espiritismo não fornece o menor dado que permita prescindirmos das explicações naturais”, e ensinar aos espíritas que podemos livrar-nos dele “sem fugir das causas naturais” (118).

E eis que para os fenômenos da pretendida penetração da matéria ele não dá explicação alguma. Aceita-as tais quais e as classifica nos fenômenos transcendentes. Ora, fazendo tal concessão, ainda que para uma única categoria de fenômenos, destrói completamente o edifício de seu sistema naturalista. Esse ponto é muito mais grave do que parece à primeira vista e eu fico admirado como a crítica ainda não se apoderou dele! Está aí a falha da couraça da teoria tão bem elaborada pelo Sr. Hartmann: é bastante dar-lhe um golpe para fazer desabar o sistema inteiro.

Dizemos, pois, que se o Sr. Hartmann tivesse querido ficar fiel a seu ponto de partida, não teria usado da licença de admitir em sua teoria do Espiritismo explicação que se baseia no princípio da penetrabilidade da matéria. Para ele, uma corda é uma corda, uma gaiola é uma gaiola, e se o médium está bem atado com uma corda, com os nós selados, ou se está preso em uma gaiola, são condições que o Sr. Hartmann deveria considerar suficientes para garantir a não intervenção pessoal do médium.

O fato de poder o médium “passar através” dos laços que o retêm, “atravessar o tecido de um saco ou sair de uma gaiola, depois entrar de novo” nesses laços ou nessa gaiola, são fenômenos de ordem transcendente que o Sr. Hartmann não poderia admitir sem “infringir os princípios metodológicos” – o que ele exprobra aos espíritas.

O Sr. Hartmann também não tem o direito de fazer pesar sobre os espíritas a responsabilidade de semelhante hipótese. Para certos fenômenos, os espíritas admitem realmente a intervenção dos Espíritos; para outros, a materialização temporária, porém real e objetiva, de um corpo; para outros ainda, a penetração da matéria; mas o Sr. Hartmann se impôs precisamente a tarefa de lhes ensinar como é preciso haver-se para explicar esses diversos fenômenos sem sair dos limites do natural e de lhes demonstrar que não há Espíritos, nem materialização, nem penetração da matéria; por conseguinte, se o Sr. Hartmann consente em admitir esta hipótese, está de acordo com os espíritas e só lhe falta depor as armas.

Assim o Sr. Hartmann aceitaria essa hipótese, a de que um homem pode facilmente livrar-se, desvencilhar-se dos laços que o prendem e colocá-los de novo em seu lugar, atravessar o tecido de um saco, atravessar as barras ou as paredes de uma gaiola? Semelhante concessão por sua parte é tanto mais surpreendente por isso que não se impunha na espécie, pois nos casos igualmente difíceis o Sr. Hartmann tem sempre pronta essa explicação: alucinação.

Eu também poderia demonstrar ao Sr. Hartmann que, ainda quando se admita o princípio da penetrabilidade da matéria, há meios absolutamente seguros para provar a presença do médium atrás da cortina; por exemplo, pode-se reter o médium em uma corrente galvânica, ou mais simplesmente ligá-lo com uma fita cujas pontas fossem mantidas pelos assistentes, ou, melhor ainda – como se praticou com a Srta. Cook –, fazer os cabelos do médium passarem por uma abertura praticada na parede do gabinete, de maneira a deixá-los constantemente sob os olhos dos assistentes (ver The Spiritualist, 1873, pág. 133), etc.

Mas seria inútil determo-nos nessa demonstração, pois que, como o lembrei mais acima, desde que a presença do médium no gabinete está indiscutivelmente estabelecida, objetam-nos com a alucinação.

Posso acrescentar, finalmente, que os fenômenos de materialização atingiram gradualmente um grau de desenvolvimento tal que é permitido não nos preocuparmos com a ligação do médium e considerar o seqüestro como condição de importância secundária, visto que a materialização e a desmaterialização se produziram freqüentemente em presença do médium e dos espectadores, ou ainda, quando o médium estava seqüestrado, em presença dos assistentes.

Mas, qualquer que seja o valor de tal testemunho, é inteiramente inútil apelar para ele, pois que o Sr. Hartmann declara que o testemunho da vista, mais que qualquer outro, é sem valor para a verificação dos fatos. Eis-nos, pois, coagidos a voltar ao nosso ponto de partida e a procurar “outros argumentos” para reabilitar o testemunho coletivo dos homens, baseado no exercício de seus sentidos – testemunho ao qual o Sr. Hartmann recusa peremptoriamente toda a autoridade.

As provas que nos são dadas dos fenômenos de materialização devem ser divididas em cinco categorias, segundo as condições nas quais elas são obtidas:



  • o médium é visível; a figura materializada é invisível ao olho, mas aparece na chapa fotográfica;

  • o médium é invisível; o fantasma é visível e reproduzido pela fotografia;

  • o médium e o fantasma são vistos ao mesmo tempo; apenas o último é fotografado;

  • o médium e o fantasma são ambos visíveis e fotografados ao mesmo tempo;

  • o médium e o fantasma são invisíveis; a fotografia produz-se às escuras.


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