Alexandre Aksakof Animismo e Espiritismo



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1) O médium é visível; a figura materializada é
invisível ao olho, mas aparece na chapa fotográfica.

Para os fenômenos classificados na primeira categoria, é a fotografia transcendente que nos fornece a prova da objetividade da materialização.

Logicamente, é permitido supor que, se uma fotografia desse gênero pode reproduzir imagens de diferentes formações materiais invisíveis a nossos olhos, esse mesmo processo fotográfico deve, com mais forte razão, poder reproduzir uma forma que adquire, em certas condições, um grau de materialidade que a coloca ao alcance de nossos sentidos, ainda quando essa percepção sensorial não se dê no momento preciso da produção da fotografia; em outros termos, temos razão de acreditar que uma figura que se materializa durante as sessões pode – direi mesmo deve – aparecer em fotografia transcendente. Se a imagem obtida fotograficamente corresponde à forma materializada observada durante a sessão e descrita anteriormente por muitas vezes, a hipótese de uma alucinação torna-se inadmissível.

Esses fenômenos se produziram por muitas vezes. Efetivamente, os médiuns com os quais se obtinha a materialização conseguiram freqüentemente produzir a fotografia transcendente de seus “guias”, isto é, das individualidades que se materializavam habitualmente em suas sessões. Não citarei senão alguns exemplos, começando pela personagem bem conhecida de Katie King, cuja forma materializada, que apareceu sob a influência da médium Srta. Cook, foi fotografada por muitas vezes, a princípio pelo Sr. Harrison com iluminação pelo magnésio, depois pelo Sr. William Crookes à luz elétrica. A mesma figura foi fotografada em fotografia transcendente pelo Sr. Parkes, médium que era bem sucedido especialmente nesse gênero de experiências, e de quem se falou mais acima.

Importa assinalar que as fotografias do Sr. Parkes oferecem a particularidade de terem sido obtidas à luz do magnésio. Eis em que termos essa experiência é exposta pelo Sr. Harrison, que é muito versado na técnica da fotografia em geral e na fotografia espírita em particular:

“No que me diz respeito, não pude reconhecer nenhuma das figuras que apareceram nas chapas do Sr. Parkes. Mas eu variava, tanto quanto possível, as condições nas quais se operava a fotografia. Sem que o Sr. Parkes o soubesse, escrevi à Sra. Corner (Florence Cook), que habitava nas circunvizinhanças, e pedi-lhe que fosse na tarde daquele dia à casa do Sr. Parkes, para assistir a uma sessão de fotografia espírita. Eu estava persuadido de que a presença imprevista de um médium tão poderoso e tão perfeitamente digno de fé modificaria sem a menor dúvida o caráter das imagens que se obtivessem, o que não poderia suceder se essas imagens tivessem sido preparadas com antecedência sobre transparentes. Algumas horas depois da recepção de minha carta, a Sra. Corner dirigiu-se à casa do Sr. e da Sra. Parkes, que não a conheciam. Ela se deu a conhecer e expôs o fim de sua visita. A Sra. Parkes disse-lhe imediatamente: “Oh! desça conosco e tome posição para obter uma fotografia espírita. Estou persuadida de que obteremos uma prova perfeita.” Cheguei nesse momento, com o atraso de um quarto de hora sobre a hora convencionada. O Sr. Parkes entrava nesse momento no aposento com um negativo que acabava de revelar e no qual se desenhava mui distintamente, ao lado da imagem da Sra. Corner, a da célebre Katie, envolta, como sempre, em suas amplas vestes brancas. Esse fato constitui uma excelente prova de lealdade do fotógrafo, porquanto, como o mencionei mais acima, a Sra. Corner se tinha apresentado em casa do Sr. Parkes de forma imprevista, alguns minutos antes de minha chegada.” (ver the Spiritualist, 1875, nº 136, pág. 162).

É útil notar que a imagem de Katie, tal qual foi obtida no decurso daquela sessão, assemelha-se mais aos retratos obtidos pelo Sr. Harrison – que operava constantemente com o magnésio – do que com as obtidas pelo Sr. Crookes com a iluminação elétrica.

Possuo uma prova dessa fotografia, que me foi oferecida em 1886 pela Sra. Cook, mãe da médium; há uma certa semelhança entre esse retrato de Katie e o reproduzido no The spiritualist de 1873, página 200.

O segundo exemplo que quero citar refere-se a formas materializadas de personagens de raça exótica, e que apresentavam, por conseguinte, traços tão característicos que sua identidade podia facilmente ser verificada. Nas sessões dos médiuns senhoritas Wood e Fairlamb, de Newcastle, apareceram, entre outras, duas pequenas figuras de pele negra, que foram em pouco tempo conhecidas com os nomes de Pocha e Cissey. Essas personagens, em suas comunicações, declaravam que eram de raça negra. Os médiuns sensitivos ou clarividentes que assistiam a essas sessões verificaram igualmente que essas personagens eram negras. Para corroborar esses testemunhos, temos as fotografias das médiuns tiradas pelo Sr. Hudson, em Londres. Vê-se em uma delas, a da Srta. Wood, a figura negra de Pocha, que se materializava habitualmente nessas sessões, e sobre a da Srta. Fairlamb a figura de Cissey (ver Medium and Daybreak, 1875, pág. 346).

Em uma fotografia que possuo e que representa as senhoritas Wood e Fairlamb juntas, vê-se, ao lado da Srta. Wood, uma forma vestida de branco, sentada no chão; é Pocha; seu rosto negro está descoberto e, à primeira vista, fica-se impressionado por seu tipo exótico mui característico. Em outra prova – que também possuo – distingue-se, ao lado da Srta. Fairlamb, uma forma vestida de branco, de rosto negro, que parece suspensa no espaço: é Cissey. Essas mesmas figuras, tais quais são reproduzidas pela fotografia transcendente, foram vistas, sob forma de materializações, por centenas de pessoas cujo testemunho citarei quando se tratar da fotografia simples dessas duas formas, em estado de materialização.

Nesse fenômeno, vemos realizadas todas as condições requeridas pelo Sr. Hartmann, a saber: que o médium e a figura materializada se achem reproduzidas na mesma chapa, mas por via transcendente. Citarei aqui um caso excepcional: a pessoa que se expunha diante do aparelho fotográfico não era a médium, era o Sr. Reimers; tinha-se considerado de interesse estudar a mesma manifestação em outras formas de objetivação. Já conhecemos a figura de Bertie, que aparecia nas sessões do Sr. Reimers, feitas com a concorrência de diferentes médiuns. O experimentador não tinha a mínima dúvida sobre a realidade daquela aparição, pois que recebera previamente a impressão de sua mão em farinha e, mais tarde, o gesso daquela mão, como está reproduzido por uma fotografia junto a essa. Estando certo dia em casa de um médium de transe, a Sra. Woodforde, Bertie não tardou em manifestar-se, e o Sr. Reimers, depois de longa conversação, lhe pediu a sua fotografia. Ela respondeu: “Está bem. Espero que a experiência dê bom resultado. Vá amanhã à casa de Hudson; talvez me seja possível satisfazer o seu desejo.” No dia seguinte o Sr. Reimers se dirigiu à casa de Hudson. “Eu mesmo limpei as chapas – diz ele –, e não desviei os olhos delas, até o momento em que foram colocadas na câmara escura.”

Na primeira chapa apareceu, à esquerda do Sr. Reimers, uma forma flutuando no espaço, cujo rosto feminino se distingue perfeitamente; ela estava colocada de maneira que apareciam três quartas partes, olhando para o lado do Sr. Reimers; o resto da cabeça está envolto por uma faixa, formando uma espécie de capuz cônico que desce sobre a nuca, à semelhança de um véu. Não vi aquele toucado em nenhuma das outras fotografias que o Sr. Hudson tirou. O busto da aparição é coberto por uma roupagem que, de um lado, cai até o chão: o corpo não existe; do lado oposto a roupagem é levantada até à altura do queixo, como se fosse mantida por mão dissimulada por baixo. Na segunda exposição, feita imediatamente depois da primeira, a mesma forma apareceu, porém, daquela vez, à direita do Sr. Reimers; ela flutua ainda no espaço, e o rosto está sempre voltado para o lado do Sr. Reimers. Sem a menor dúvida, é absolutamente a mesma figura; mas como era preciso que ela se voltasse para poder aparecer do lado direito, todas as particularidades da fotografia estão modificadas: a forma acha-se mais abaixo do que quando estava à esquerda do Sr. Reimers; também está mais próxima dele; é o mesmo rosto, porém visto de perfil, o mesmo toucado, com outras dobras na faixa, a mesma roupagem caindo até ao chão, mas do lado oposto; e aquela mão, que parecia manter a roupagem de encontro ao busto, desceu até à região inferior do peito, continuando a ficar disfarçada por baixo da fazenda.

Aquela experiência foi descrita pelo Sr. Reimers no Psychische Studien, 1877, pág. 212, mas os pormenores minuciosos que acabo de referir são tirados das próprias fotografias, que ele me tinha enviado. Em uma carta de 15 de maio de 1876, o Sr. Reimers explica por que a princípio tinha vacilado em reconhecer a semelhança que há entre aquelas duas imagens. Diz ele:

“Raramente vi esse rosto distintamente, e por muito tempo fiquei em dúvida antes de reconhecer que me achava em presença da mesma personagem, apresentada sob outro aspecto, tendo sido mudadas todas as condições da exposição. A extrema mobilidade da figura e a curta duração de seu aparecimento me impediram de reter bem os traços do rosto; mas, atualmente, ela aparece com freqüência sob uma forma igual à que é reproduzida nas fotografias inclusas, com um toucado da época da rainha Elisabeth. Ontem ela se mostrou em uma verdadeira nuvem de gaze a elevar-se no espaço, como na fotografia.”

Acrescentarei que a objetividade da materialização de Bertie foi confirmada pelas experiências de fotografia transcendente feitas pelo Sr. Reimers, em sua casa, com o médium que servia habitualmente para produzir aquela materialização. O Sr. Reimers fazia então, com suas próprias mãos, todas as manipulações fotográficas. Deixemos-lhe a palavra:

“Depois de minha estada em Bristol, fui visitar o Sr. Beattie, que tinha obtido tão notáveis resultados naquelas experiências; ali encontrei o Sr. Conselheiro de Estado Aksakof, que estudava igualmente esses fenômenos. Fiz aquisição dos aparelhos necessários, e em pouco tempo fiquei habilitado a produzir imagens. Conhecendo todas as fraudes às quais se tinha recorrido para falsificar essas experiências, resolvi fazer por mim mesmo todas as manipulações necessárias, de maneira a tornar impossível qualquer fraude. Eu mesmo dispus o fundo, a fim de impedir eventualmente a operação química que consiste em produzir, com o auxílio de um certo líquido, uma imagem invisível ao olho, mas que pode ser reproduzida na chapa sensível. Tendo feito esses preparativos, instalei o grupo em meu aposento, de maneira a poder observar todas as personagens, durante todo o tempo da experiência. Nas primeiras exposições somente foram reproduzidas nossas próprias imagens, mas nas sete últimas exposições apareceu a mesma figura que tínhamos visto em número incalculável de vezes. Um fato notável: no decurso dessas sessões, a Sra. L. (médium clarividente) disse-me por muitas vezes: “Vejo uma nuvem branca acima de sua espádua; agora vejo distintamente uma cabeça; conforme suas descrições, deve ser a nossa Bertie!” Efetivamente, em todas as fotografias, a cabeça aparece acima da minha espádua esquerda.” (Psychische Studien, dezembro de 1884, pág. 546).

Mais adiante veremos que o Sr. Reimers obteve daquela figura uma fotografia tirada em completa escuridão.




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