Alexandre Aksakof Animismo e Espiritismo



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Mediunidade das crianças de
peito e das crianças muito novas


O Sr. Hartmann diz-nos:

“Só um médium que sabe escrever pode obter escrita automática ou escrita a distância (sem o auxílio da mão).” (pág. 49).

É evidente que as crianças de peito não sabem escrever e que, se escrevem, é uma prova concludente de que nos achamos em presença de uma ação inteligente que está acima e fora do organismo da criança. Ora, nos anais do Espiritismo há muitos exemplos desse gênero.

Somente é de lamentar que não se tenha prestado mais atenção a esses fenômenos e que não se tenham feito nesse sentido experiências seguidas e bem organizadas. Não temos que recolher senão observações feitas ocasionalmente, simples menções; porém, por mais breves que elas sejam, não deixam de oferecer-nos um interesse capital.

O primeiro fato desse gênero é citado no livro de Capron, Modern Spiritualism, página. 210; ocorreu em 1850 e Capron conta-o assim:

“Em nosso círculo íntimo, refere o Sr. Leroy Sunderland, nunca qualquer das perguntas apresentadas ficou sem resposta. Essas respostas se obtinham ordinariamente por intermédio de minha filha, a Sra. Margarida Cooper, e algumas vezes por intermédio de sua filha, minha neta, que apenas tinha dois meses. Enquanto eu conservava a criança nos braços, não havendo ao lado nenhuma outra pessoa, obtínhamos respostas (por meio de pancadas) que os nossos correspondentes invisíveis diziam produzirem-se por intervenção desse pequeno médium.”

Tirarei à obra de Mrs. Hardinge, Modern American Spiritualism, o exemplo seguinte:

“Apercebendo-se de que os fenômenos espiríticos tornavam-se cada vez mais freqüentes em Waterford, perto de Nova Iorque, os pastores protestantes do lugar dirigiram-se ao General Bullard, pedindo-lhe que examinasse essa questão em companhia de alguns outros cidadãos, a fim de pôr um termo a esse escândalo. A comissão formada para esse fim dirigiu-se à casa do Sr. Attwood, onde, segundo os boatos, se produziam coisas admiráveis pela mediunidade de seu filho. Os membros da comissão receberam bom acolhimento e foram introduzidos em um aposento onde viram a criança, que se divertia com brinquedos. A chegada dos visitantes não parecia agradar-lhe de qualquer maneira, mas os doces triunfaram finalmente de seu meu humor, e ela se deixou acomodar em uma cadeira alta, perto da mesa. Em breve esse pesado móvel se pôs em movimento, os visitantes foram deslocados com suas cadeiras, pancadas violentas fizeram-se ouvir, e por seu intermédio obtiveram-se diversas comunicações que parecia emanarem de parentes das pessoas presentes. Entre outras, o irmão falecido do General Bullard manifestou o desejo de comunicar-se.

Com o fim de verificar o fenômeno, o general pensou: “Se é verdadeiramente meu irmão, aproxime de mim esta criança com a cadeira.”

Qual não foi sua surpresa e a de todos os assistentes, quando a cadeira na qual estava a criança defronte do general, na outra extremidade da mesa, foi levantada com a criança e, fazendo meia volta, colocou-se suavemente a seu lado. O general era o único a compreender o sentido daquele ato e, com grande confusão dos membros da comissão, ele exclamou, sob o impulso de um sentimento irresistível: “Juro que tudo isso é verdadeiro!”

Um dos exemplos mais bem verificados da mediunidade das crianças nos é fornecido pelo filho da Sra. Jencken (ex-Srta. Kate Fox), em casa de quem se produziram as primeiras manifestações, quando ele apenas tinha dois meses. Encontramos a narração desse fato no Spiritualist de 1873, página 425:

“Certo domingo, a 16 de novembro de 1873, interessantes fenômenos espíritas produziam-se na casa do Sr. Jencken, que nos comunica o que se segue:

– Voltando de uma expedição a Blackheath, para onde me tinha dirigido em companhia de minha mulher, sou informado pela ama de leite que cuidava da criança que durante nossa ausência se tinham dado coisas estranhas: cochichos tinham-se feito ouvir acima do leito da criança, passos tinham ressoado por todo o aposento. A ama mandou buscar a criada de quarto e ambas afirmaram ter ouvido vozes e o roçagar de vestidos.

Esses testemunhos são tanto mais preciosos quanto nem uma nem outra conheciam o poder mediúnico de minha mulher. No mesmo dia de minha chegada, enquanto eu tinha a criança nos braços, na ausência de minha mulher fizeram-se ouvir pancadas – prova evidente das faculdades mediúnicas dessa criança.”

Uma semana depois o Sr. Jencken fazia ao Spiritualist a comunicação seguinte:

“O desenvolvimento das faculdades mediúnicas de meu filho continua sempre. A ama de leite conta ter visto, ontem à noite, muitas mãos fazendo passes sobre a criança.”

Esse caso é particularmente interessante no ponto de vista da teoria do Sr. Hartmann, que deverá explicar-nos como um magnetizador de dois meses, por conseguinte inconsciente, pode sugerir à sua ama de leite a alucinação de mãos fazendo passes em torno de si!...

Aos cinco meses e meio, a criança começou a escrever. Encontramos as informações seguintes a esse respeito no jornal Medium and Daybreak (8 de maio de 1874):

Na primeira página desse número, sob o título Maravilhosas faculdades mediúnicas de uma criança, lemos esse fac-símile:

“Amo essa criança. Deus a abençoe. Aconselho a seu pai que volte sem falta para Londres, na segunda-feira. – Susana.”

Por baixo da assinatura encontra-se a menção seguinte:

“Estas palavras são escritas pela mão do filhinho do Sr. Jencken, quando ele tinha a idade de cinco meses e quinze dias. Estávamos presentes e vimos como o lápis foi colocado na mão da criança pela mesma força invisível que conduziu sua mão.”

Seguem-se as assinaturas: Wason. K. F. Jencken e uma cruz feita pela mão da Sra. Mc Carty, iletrada, a ama de leite que conservava a criança sobre os joelhos.

Citarei ainda o testemunho seguinte do Sr. Wason, publicado no mesmo número:

“Os esposos Jencken tinham vindo de Londres a Brighton por causa da saúde da mãe da criança.

A 6 de março, dia em questão, havia mais de três dias que eles tinham chegado; eu era seu hóspede naquela época, ou, para melhor dizer, ocupávamos um aposento comum. A saúde da Sra. Jencken e de seu filho tinha melhorado visivelmente, mas o Sr. Jencken, pelo contrário, sentia-se indisposto: ele era vítima de dores de cabeça, acompanhadas de nevralgias, e sofria cada vez mais do estômago e dos órgãos digestivos.

Eu atribuía sua moléstia à atividade contínua em que ele vivia entre sua residência de Londres (em Tiple) e Brighton, o que lhe custava quotidianamente um percurso de 105 milhas, e para todo o tempo de sua estada no campo, isto é, no prazo de quatro meses, nunca menos de 8.000 milhas. O Sr. Jencken não partilhava de minha opinião a respeito das causas de sua moléstia e consultou um médico alemão de sua amizade, que lhe deu razão, contra mim; de maneira que tive de abandonar a esperança de convencê-lo de que suas viagens quotidianas em caminho de ferro, em ônibus e em cabriolés lhe eram funestas.

Era, pois, a 6 de março, cerca de 1 hora da tarde; a ama de leite estava sentada, conservando a criança sobre os joelhos, no salão, perto da chaminé; eu estava escrevendo em uma mesa, muito perto da ama, e a Sra. Jencken achava-se no aposento vizinho; a porta estava aberta. De repente a ama exclamou: “A criança tem um lápis na mão!” Ela não disse que esse lápis tinha sido posto na mão da criança por uma força invisível; por conseguinte, não prestei atenção alguma ao que a ama disse, conhecendo por experiência a força com que uma criança nos segura o dedo, e continuei a escrever. Mas a ama exclamou imediatamente, com maior admiração ainda: “A criança está escrevendo!”, o que intrigou a Sra. Jencken, que foi para o quarto.

Levantei-me também e olhei por cima do ombro da Sra. Jencken, e vi, efetivamente, que a criança tinha um lápis na mão e que este assentava sobre a extremidade do papel com a comunicação, da qual tomamos uma fotografia imediatamente. Devo dizer aqui que “Susana” era o nome de minha mulher falecida, a qual, em vida, queria muito às crianças e cujo Espírito (como o supúnhamos) se tinha manifestado por muitas vezes por meio de pancadas e de escrita automática, por intermédio da Sra. Jencken; antes de seu casamento esta última usava o nome, bem conhecido no mundo espírita, de Kate Fox, e foi em sua família que se produziram, nas circunvizinhanças de Nova Iorque, as primeiras manifestações mediúnicas, as pancadas de Rochester, que inauguraram o movimento espiritualista de nosso século.

Quanto ao conselho de Susana, convidando o Sr. Jencken a voltar na segunda-feita para Londres, os leitores lhe darão o seu justo valor quando souberem que depois de ter aceito esse conselho e posto termo à sua atividade contínua, ficou rapidamente curado e tornou-se tão sadio e robusto quanto dantes.

Aceite, etc.

James Wason, Solicitador
Wason’s Buildings – Liverpool.”

Eis aqui outros pormenores acerca do desenvolvimento das faculdades dessa criança, publicados por seu pai no Spiritualist de 20 de março de 1874:

“A faculdade de escrever que tem meu filho parece continuar. A 11 de março, quando minha mulher e eu estávamos à mesa, e a ama sentada com a criança defronte de mim, colocou-se um lápis na mão direita da criança. Minha mulher pôs uma folha de papel em cima dos joelhos da ama, por baixo do lápis. A mão do pequeno escreveu imediatamente esta frase: “Estimo muito este menino. Deus abençoe a sua mãe. Sou feliz. – J. B. F.”

Externei o desejo de que a criança dirigisse algumas palavras a sua avó, que tem mais de noventa anos, e, alguns minutos depois, a força invisível tirou um pedaço de papel de uma mesa e colocou-o sobre os joelhos da ama; ao mesmo tempo um lápis se achou colocado na mão de meu filho e este traçou rapidamente estas palavras: “Estimo minha avó.” O papel e o lápis foram atirados ao chão e pancadas avisaram-me de que o meu desejo tinha sido satisfeito.

Outra manifestação do dom extraordinário de meu filho deu-se nessas poucas semanas passadas. Entrei no quarto da criança para acender a lamparina. Aproximando-me do leito, notei que a sua cabeça estava rodeada por uma auréola que envolveu em pouco tempo todo o seu corpo, lançando reflexos sobre a colcha e o lençol do leito. Soaram pancadas, soletrando: “Vede a auréola.” A Sra. Jencken não se achava no aposento, nem no mesmo andar da casa, de maneira que essa manifestação não pôde ser atribuída à sua ação magnética; além de mim, só estava presente a ama de leite.”

Um estudo acerca do desenvolvimento da mediunidade dessa criança, com circunstanciada narração deste último caso, apareceu no Psychische Studien, 1875, páginas 158-163.

O Sr. Hartmann não fez menção alguma desses fenômenos, sem dúvida porque os explicaria pela ação inconsciente da mediunidade da mãe que estava na casa. Mas, do conjunto dos fenômenos relatados anteriormente e recapitulados nas páginas 159 e 160 do Psychische Studien e que reproduzi aqui em parte, segundo as fontes primitivas dos que se produziram na ausência da mãe e de todos aqueles que vou citar mais adiante, resulta que somente a mediunidade da criança estava em ação. Assim lemos, três meses mais tarde, uma nova comunicação do Sr. Jencken (Spiritualist, 1874, I, pág. 310; veja-se também o Médium, 1874, pág. 408):

“A faculdade de escrever não desaparece na criança. Em uma dessas últimas noites, notei que seus olhos tinham um brilho particular; conforme o movimento de suas mãos, a mãe compreendeu que ela devia escrever. Prepararam-lhe uma grande folha de papel que ela encheu completamente com uma longa comunicação, da qual não lhe dou senão uma parte, em razão de seu caráter privado. Uma outra vez, ela escreveu uma comunicação muito breve, abaixo da qual assinou suas iniciais: F. L. J. Nessa tarde minha mulher estava ausente.

Enquanto eu brincava com meu filho, que se distraía em puxar minha corrente de ouro, ouvi brandamente dar pancadas que soletraram comunicações, testemunhando a presença constante dos mesmos seres que nos rodeiam sempre e agem sobre nós por meios ainda incompreensíveis.

Minha mulher disse-me que lhe é preciso às vezes empregar uma resistência enérgica para impedir seu filho de escrever e que ela preferiria pôr-se em oposição com os seres ocultos do que comprometer a saúde de seu filho.”

Que dirá o Sr. Hartmann do caso seguinte:

“Na noite de 2 de fevereiro de 1874, o Sr. e a Sra. Jencken faziam uma sessão com o Sr. Wason, no salão. A Sra. Jencken teve de repente um desejo invencível de ir ver seu filho. No quadrilátero que separava o salão do aposento da criança, ela avistou uma figura humana que ia ao seu encontro conduzindo a criança nos braços. Trêmula de emoção, recebeu-a, e no mesmo momento o fantasma desapareceu. O Sr. e a Sra. Jencken entraram no quarto da criança, onde encontraram a ama dormindo em sua cama e ignorando completamente o que se tinha passado.” (Médium, 1874, 8 de maio, págs. 167 e 290).

Mais tarde, em 1875, o Sr. Jencken comunica ao Spiritualist (13 de agosto, pág. 75):

“À noite passada, o pequeno Freddy foi retirado do berço, transportado através do quarto e colocado nos braços da mãe com tanta precaução, que as nossas exclamações de surpresa nem sequer perturbaram seu sono.”

A comunicação seguinte nos foi transmitida por pancadas:

“Retiramo-lo para o livrar da influência nociva de forças estranhas.”

O Sr. Hartmann dirá talvez que esse efeito foi produzido pela força nervosa da médium, a mãe? Seria um bizarro capricho da parte de uma mãe!

Do conjunto dos fatos que cito aqui resulta indubitavelmente que o pequeno Jencken era o instrumento de outras forças que não a influência inconsciente de sua própria mãe; para estabelecer este fato, são bastantes as pancadas dadas na ausência desta última. O pai não era médium absolutamente.

De outro lado, por que a “força nervosa” da mãe teria escolhido por instrumento seu próprio filho, um recém-nascido, quando essa força nervosa não deixava de produzir as mesmas manifestações pelo organismo da mãe? Esta suposição é tanto mais fundada quanto a mãe se opunha, com todas as forças, ao desenvolvimento das faculdades mediúnicas de seu filho, com o receio legítimo de que elas podiam prejudicar-lhe a saúde.

Citarei ainda alguns exemplos de crianças médiuns, porque eles são tão raros quão preciosos. A neta do Barão Seymour Kirkup escreveu na idade de nove dias; eis a carta que o barão dirigiu, a esse respeito, ao Sr. J. Jencken:

“Minha filha era médium na idade de dois anos; atualmente ela tem vinte e um anos; sua filha escrevia automaticamente quando tinha nove dias apenas. Conservei as comunicações escritas por ela e enviei-lhe uma fotografia dessa escrita.

Sua mãe deu-a à luz no sétimo mês, e a criança era muito pequena. A mãe segurava-a com a mão, em cima de um travesseiro, tendo na outra mão um livro sobre o qual tinha colocado uma folha de papel; não se sabe por que meio o lápis foi ter à mão da criança. O certo é que Valentina (é seu nome) conserva-o firme em seu pequeno punho.

A princípio ela escreveu as iniciais de seus quatro guias: R. A. D. J., depois do que o lápis caiu. Eu estava persuadido de que ela tinha acabado, mas minha filha Imogenes exclamou: “Ela tem o lápis de novo!” Então a criança traçou as palavras seguintes, com escrita incerta, por cima das letras já escritas: “Non mutare questa, è buona prova, fai cosa ti abbiamo detto; addio.” (Não alteres coisa alguma, é uma boa prova, faze o que te dissemos; adeus.) Verá isso na fotografia.

Redigi igualmente uma minuta que lhe envio. De acordo com o conselho dado pelos guias invisíveis, enviamos a criança com a ama para o campo, logo no dia seguinte; mas pouco tempo depois mandamo-la vir de novo, com o fim de ver se poderíamos obter uma fotografia espírita, pois eu conhecia um fotógrafo médium. Dirigimo-nos à sua casa e tentei fazer fotografar a criança com o lápis na mão; ela, porém, lançou-o fora. Envio-lhe o grupo tal qual pôde ser obtido; nota-se nele o retrato de sua avó Regina, falecida havia vinte anos, na idade de dezenove anos. A fotografia é perfeitamente fiel, assim a dela, como a de minha filha e a da criança.”

O Sr. Jencken acrescenta, por sua vez:

“A carta que recebi de Kirkup era acompanhada por uma fotografia da escrita da criança, por uma ata com sete assinaturas de testemunhas e por um excelente retrato espírita da avó, a célebre Regina.” (Spiritualist, 1875, I, pág. 222).

É de lamentar que não tenham declarado de que gênero era a mediunidade da mãe da criança. Parece que ela não produzia manifestações físicas; nesse caso ela seria completamente estranha às manifestações gráficas de seu filho.

No Médium de 1875, página 647, encontro este artigo: “Outra criança médium”. Trata-se, no caso, do pequeno Artur Omerod, de sete semanas de idade, e cujo rosto se transfigurava e tomava a expressão do rosto de seu avô, no dia da morte; essa criança respondia às perguntas, abrindo e fechando os olhos um número de vezes convencionado, ou, antes, por sorrisos e inclinações de cabeça e apertando as mãos. Não se encontra vestígio algum de mediunidade nos demais membros da família.

No Banner of Light de 1876, lemos a notável narração do fenômeno seguinte:

“Escrita em ardósia por um menino-médium de dois anos de idade. Essa narração foi reproduzida no Spiritualist de 1876, II, página 211.

O Espírito de Essie Mott, filha de J. H. Mott, em Mênfis (Missouri), deixou seu invólucro mortal a 18 de outubro de 1876, na idade de cinco anos e onze meses, depois de longa moléstia. Essie tinha um desenvolvimento intelectual acima de sua idade, e por sua mediunidade deram-se numerosos fatos maravilhosamente convincentes. Com a idade de dois anos apenas, sucedia-lhe, segurando em uma ardósia colocada por baixo da mesa, obter comunicações e respostas escritas, quando ninguém se conservava a seu lado e quando ainda não conhecia a primeira letra do alfabeto.

Durante os dois últimos anos de sua vida, seus pais não consentiam que a utilizassem como médium, persuadidos de que sua saúde, já mui delicada, sofreria muito com isso. Fui convidado por telegrama de Iowa para assistir ao seu enterro. – Warren Chase.”

O testemunho do respeitável Sr. Warren Chase basta para garantir a autenticidade desse fato; ele foi publicado no Psychische Studien de 1877, página 467. O Sr. Hartmann não lhe dá valor algum e, entretanto, que é que falta a esse testemunho?

Mais tarde encontrei, ainda por acaso, o testemunho do Sr. Mc’Call Black, que se converteu à crença dos fatos espiríticos precisamente em conseqüência de comunicações que obteve por intermédio de um seu filho de dois anos (veja-se Religio-Philosophical Journal, 1890, 25 de janeiro).

No Spiritualist de 1880, na página 47, fez-se menção de um menino-médium de dois anos, filho da Sra. Markee, em Búfalo, a qual por sua vez tinha sido médium de nomeada.

Os pormenores contidos nesse artigo não são assaz importantes para que eu os reproduza. Admito de boa vontade que os fatos citados não bastam para estabelecer de maneira absoluta a existência de uma mediunidade independente nas crianças de pequena idade, mas é certo que com o tempo, quando se tiverem estudado esses fenômenos de maneira séria, elas constituirão uma prova indubitável da existência de forças inteligentes, extramediúnicas. Na expectativa, o presente parágrafo deve servir para atrair a atenção para a grande importância desses fatos, cuja existência pode ser considerada como admissível.

Para encerrar esta monografia da mediunidade nas crianças de peito, farei notar que não é raro que as criancinhas vejam aparições; tomemos por exemplo o caso dessa criança de dois anos e meio que brincava com o Espírito de sua irmãzinha falecida (Light, 1882, pág. 337). Posso citar ainda esse exemplo de minha própria experiência, em que uma criança de dois anos, filha de um médium russo muito conhecido, via, ao mesmo tempo que seu pai, o fantasma de uma pessoa a quem conhecia e esfregava as mãos de contentamento, repetindo: “Tia, tia!”

Mencionemos ainda essas crianças – entre as quais havia crianças de peito – que, durante as perseguições dos protestantes de França, eram “possessos de um espírito”, segundo a expressão da época; elas falavam e profetizavam em francês correto e não no dialeto de seu país, as regiões remotas das Cevenas.

Uma testemunha ocular desses acontecimentos, João Vernet, refere que viu uma criança de treze meses falar distintamente o francês e com uma voz muito forte para a sua idade, não podendo ainda andar absolutamente e nunca tendo pronunciado uma única palavra; ela se conservava deitada em seu berço, bem envolta em faixas, e pregava as obras de humildade, em um estado de “arrebatamento”, do mesmo modo que outras crianças, que o Sr. Vernet tinha visto (vede Figuier: História do Maravilhoso, 1860, II, págs. 267, 401, 402, e os Fanáticos de Cevenas, por Eugênio Bonemère).

O Sr. Figuier diz:

“A circunstância de exprimirem-se os inspirados em seu delírio sempre em francês, língua desusada em seus campos, é mui notável. Ela era o resultado dessa exaltação momentânea das faculdades intelectuais que constitui um dos caracteres da moléstia dos convulsionários das Cevenas.”

Como vamos vê-lo, de acordo nesse ponto com os Srs. Hartmann e Ennemoser, a “exaltação das faculdades intelectuais” não pode fornecer explicação a semelhante fenômeno.




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