Alexandre Aksakof Animismo e Espiritismo



Baixar 2.01 Mb.
Página31/51
Encontro29.11.2017
Tamanho2.01 Mb.
1   ...   27   28   29   30   31   32   33   34   ...   51

6
Médiuns falando línguas
que lhes são desconhecidas


Abordamos uma categoria de fatos que provam de maneira absoluta, em minha opinião, que se dão manifestações de caráter intelectual mais elevado do que o do médium e cuja fonte se acha fora deste último. A definição que o Sr. Hartmann dá desses fenômenos não está de acordo com a realidade.

Ele diz que “o dom das línguas, verificado nas primeiras comunidades cristãs, não é mais do que uma linguagem inconsciente no êxtase religioso” (Espiritismo, pág. 29). É no mesmo sentido que se devem compreender estas palavras: “Certos médiuns manifestam, no decurso de suas transfigurações mímicas, o dom de falar línguas” (pág. 87). Mas apesar de todas as faculdades maravilhosas que o Sr. Hartmann atribui à consciência sonambúlica, ele não lhe concede o dom das línguas senão nos limites da faculdade de “repetir sons, palavras e frases em línguas estrangeiras, ouvidos anteriormente, mas aos quais o médium não prestou atenção alguma” (S., pág. 60).

Em outro lugar diz:

“Os sonâmbulos podem pronunciar e escrever palavras e frases em línguas que não compreendem, se o magnetizador ou outra pessoa qualquer, posta em relação com eles, pronunciam essas palavras e essas frases mentalmente, com o intuito de lhas sugerir; os sonâmbulos chegam até a compreender-lhes o sentido, contanto que a pessoa que lhes transmita a sugestão o compreenda e aposse-se dele enquanto aquele pronuncia a mensagem, quer em voz alta, quer mentalmente. Tem-se a prova disso no fato de os sonâmbulos darem respostas coerentes, em uma língua que lhes é familiar, a perguntas que lhes são apresentadas em língua desconhecida, mas que as respostas só são dadas quando a pergunta é feita em língua desconhecida ao interrogante.” (pág. 66).

Por conseguinte, no fundo, esse fato não passa de uma leitura do pensamento, ou antes – como o diz o Sr. Hartmann –, um caso de transmissão do pensamento espiritualizado (ibidem). Nesse caso o Sr. Hartmann tem toda a razão; nunca um sonâmbulo falou em uma língua que não conhecia. O Sr. Ennemoser verifica-o do mesmo modo em seu livro O Magnetismo (Stuttgard, 1853). E, de acordo com Eschenmayer, ele considera a opinião contrária uma quimera (pág. 27). Eis seu raciocínio:

“Admitindo mesmo que os sonâmbulos possam penetrar em uma língua que lhes é desconhecida, da mesma maneira que podem penetrar nas idéias de outrem, não se poderia, em todos os casos, atribuir a essa faculdade senão a percepção do conteúdo e do sentido dessa língua e não a forma da enunciação, pois que essa última é toda convencional, isto é, estabelecida pelo uso, e necessita um estudo prévio.

O falar é uma arte técnica, da mesma maneira que o tocar um instrumento de música. E aquele que não se adestrou na aplicação de uma língua qualquer, ainda mesmo de maneira rudimentar, não poderá sequer repetir essa linguagem e ainda menos falar essa língua, da mesma maneira que não poderia repetir um trecho de música se não desenvolveu essa faculdade pelo estudo.

Um músico genial criará novas obras, reterá talvez os trechos que tiver ouvido uma só vez, mas não poderá reproduzi-los senão à sua maneira, em seu próprio instrumento. Sucede o mesmo com as línguas; os órgãos do falar são instrumentos que devem ser exercitados para o uso geral e especialmente para cada língua.” (págs. 451 e 452).

Assim, pois, se acharia demonstrada – segundo o Sr. Hartmann – a impossibilidade para um sonâmbulo de falar uma língua que não conhece, ou de fazer música, sem conhecer quer essa língua, quer a música. E entretanto no Espiritismo os fatos dessa natureza são muito conhecidos. Citaremos em primeiro lugar um testemunho indiscutível, o do juiz Edmonds, que observou esse fenômeno em sua própria família, na pessoa de sua filha Laura.24 No prefácio do segundo volume de sua obra intitulada Espiritualismo, publicada em 1855, encontramos informações interessantes acerca do desenvolvimento das faculdades mediúnicas de sua filha, que ele ainda não mencionava naquela época.

“Era uma jovem que havia recebido uma boa educação, uma católica fervorosa. A Igreja lhe ensinava que não desse crédito algum ao Espiritismo, e ela se recusava a assistir a essas manifestações, se bem que elas se renovassem freqüentemente em sua vizinhança.

A casa em que morava acabou por tornar-se o que se chama “mal-assombrada”. Cerca de seis meses se tinham passado assim: ela ouvia constantemente ruídos estranhos e presenciava fenômenos não menos estranhos que se davam sem intervenção humana, como o tinha verificado, e que, entretanto, parecia serem guiados por uma Inteligência. Sua curiosidade foi despertada e ela começou a freqüentar as sessões. Em pouco tempo viu quanto bastava para ficar convencida da presença de um agente inteligente e tornou-se médium por sua vez. Há cerca de um ano que o fato se deu; depois, sua mediunidade atravessou diversas fases. Eu acompanhava tudo isso com o maior interesse.

No começo, tinha estremecimentos convulsivos; pouco tempo depois, escrevia automaticamente, isto é, independentemente da vontade e sem ter consciência do que escrevia.

Dotada de vontade tenaz, podia a qualquer momento interromper a sessão. Depois, tornou-se médium falante. Não caía em transe como muitas outras, isto é, no estado passivo; pelo contrário, tinha consciência de tudo o que dizia e de tudo o que se passava ao redor de si... Depois começou a falar diferentes línguas. Ela não conhece nenhuma outra língua a não ser a materna e o francês, tanto quanto conseguiu aprender no colégio; e entretanto falou nove ou dez línguas, algumas vezes durante uma hora, com facilidade e bem estar perfeitos.

Estrangeiros puderam conversar por seu intermédio com seus amigos falecidos, na língua deles. Deu-se o fato seguinte: um de meus hóspedes, um grego, tinha tido algumas sessões com ela, no decurso das quais ele conversava em língua grega, durante muitas horas, e obtinha por ela respostas quer em grego, quer em inglês. E entretanto, até àquela ocasião, ela nunca tinha ouvido pronunciar uma única palavra em neogrego.

Na mesma época desenvolveram-se suas faculdades musicais. Sucedia-lhe freqüentemente cantar em diversas línguas –italiana, indiana, alemã, polaca, e na atualidade canta freqüentemente em sua língua materna, improvisando as palavras e a música; é preciso dizer que a melodia é particularmente bela e original e que as palavras são de um sentimento muito elevado.” (pág. 45).

Mais tarde, em 1858, o Sr. Edmonds publicou uma série de tratados: Spiritual Tracts, cujo texto tem por título O falar em línguas desconhecidas, no qual ele dá mais amplos pormenores acerca dessa forma da mediunidade de sua filha; ele não oculta o nome da moça e fala acerca de muitos outros casos análogos.

O Spiritual Tracts, número 10, contém cartas publicadas pelo Sr. Edmonds em 1859, no “New York Tribune”, e cuja oitava é intitulada: O falar em línguas desconhecidas ao médium. Nessa carta ele cita mais de cinqüenta exemplos desse fato. Publiquei todas essas cartas em língua alemã, em 1873, em uma brochura: O Espiritismo Americano – Pesquisas do juiz Edmonds. Encontram-se aí numerosos pormenores dos quais reproduzo aqui os mais notáveis, porque dou grande importância a esse gênero de fenômenos. O Sr. Hartmann passou-os em silêncio, da mesma maneira que a moldagem de formas materializadas. Comecemos pelos fatos observados pelo próprio Sr. Edmonds:

“Certa noite vi chegar a minha casa uma jovem, vinda dos Estados de Este. Tinha vindo a Nova Iorque para tentar fortuna; recebera a educação em uma escola primária. Era médium e servia às manifestações de uma personagem desconhecida que se dizia francesa e que a inquietava continuamente. Ela só podia servir-se da língua francesa. Minha filha conversou mais de uma hora com essa personagem por intermédio da moça, a Srta. Dowd. Ambas só falavam o francês, e tão corretamente como se tivessem nascido em França. O dialeto empregado pela Srta. Dowd era uma espécie de dialeto meridional, ao passo que minha filha se exprimia em “parisiense puro”. Isso se passava em meu gabinete de trabalho, em presença de cinco ou seis pessoas.

De outra vez, foram muitos senhores polacos da boa sociedade que pediram para conversar com Laura, que não os conhecia. No decurso dessa entrevista, ela falou por diversas vezes a língua deles, sem conhecê-la. Esses senhores falavam a sua língua e recebiam as respostas quer em inglês, quer em polaco. Esse caso só pode ser confirmado pela própria Laura, porque seus interlocutores se retiraram sem dizer seus nomes.

Eis em que condições se deu a conversação com o grego: Certa noite em que cerca de doze pessoas estavam reunidas em minha casa, o Sr. Green, artista desta cidade, veio acompanhado por um homem que nos apresentou sob o nome do Sr. Evangelides, da Grécia.

Este último falava mal o inglês, mas exprimia-se corretamente em sua língua materna. Em pouco tempo, manifestou-se uma personagem que lhe dirigiu a palavra em inglês e lhe comunicou grande número de fatos que demonstravam que era um amigo, falecido havia longos anos, em sua casa, mas cuja existência nenhum de nós tinha conhecido.

De tempos a tempos, minha filha pronunciava palavras e frases inteiras em grego, o que permitiu ao Sr. Evangelides perguntar se ele mesmo podia falar em grego. A conversação continuou em grego, por parte do Sr. Evangelides e, alternadamente, em grego e em inglês por parte de minha filha. Esta não compreendia bem o que era dito por ela ou por ele em grego; mas sucedia algumas vezes que ela compreendia o que era dito, se bem que ambos falassem em grego. Em certa ocasião, a emoção do Sr. Evangelides era tão intensa que atraía a atenção dos assistentes; nós lhe perguntamos o motivo, mas ele se esquivava de responder.

Foi só no fim da sessão que ele nos disse que, até então, nunca tinha sido testemunha de manifestações espíritas e que, no decurso da conversação, tinha-se entregado a diversas experiências para apreciar a natureza desse gênero de fenômenos. Essas experiências consistiam em abordar diversos assuntos que certamente minha filha não podia conhecer e em mudar freqüentemente de assunto, passando bruscamente de questões de ordem privada a questões políticas, filosóficas ou fisiológicas, etc.

Em resposta a nossas perguntas, ele nos afirmou que a médium compreendia a língua grega e a falava corretamente.

As pessoas presentes eram os Srs. Green, Evangelides, Allen, presidente do Banco de Boston, dois senhores, empresários de caminhos de ferro em um dos Estados de Oeste, minha filha Laura, minha sobrinha Jennie Keyes, eu e outras pessoas cujos nomes não me ocorrem.

Depois, o Sr. Evangelides fez ainda com minha filha muitas outras experiências, no decurso das quais a conversação foi sustentada em língua grega.

Minha sobrinha – de quem acabo de falar –, que é igualmente médium, cantava freqüentemente em italiano – língua que ela não conhece –, improvisando as palavras e a música. Posso citar grande número de casos semelhantes.

Certo dia, minha filha e minha sobrinha foram ao meu gabinete de trabalho e começaram a falar-me em espanhol: uma delas começava a frase, a outra a terminava. Elas se achavam, conforme fui informado, sob a influência de uma pessoa que eu tinha conhecido viva na América Central. Ela fez alusão a coisas que me tinham sucedido e das quais elas tinham tão pouco conhecimento quanto da língua espanhola. Não passamos de três os que podemos testemunhar esse fato.

Minha filha falava-me também na língua indiana, em dialeto Chippewa e Monomonic, que eu conheço bem, por ter passado dois anos entre os índios.

Assim assinalo vários casos em que minha filha falou em língua indiana, espanhola, francesa, polaca e grega. Também lhe ouvi falar o italiano, o português, o húngaro, o latim e outras línguas que não conheço. Esses casos são muito numerosos para que eu possa recordar-me do nome das pessoas presentes.

Passo à enumeração de experiências feitas por pessoas estranhas em minha presença.

A Srta. Helena Leeds, moradora em Boston, 45, Carver Street, médium muito conhecida nessa cidade, falava mui freqüentemente o chinês, e entretanto ela apenas tinha uma educação mui rudimentar e nunca ouvira falar essa língua. Isso lhe sucedeu tão freqüentemente, em certo período de sua mediunidade, que julgo não enganar-me dizendo que cerca de mil testemunhas a ouviram. Eu mesmo assisti umas cem vezes, pelo menos, às suas sessões.

Da mesma maneira ouvi muito freqüentemente a Sra. Sweet, uma das médiuns de nossa cidade, pessoa não muito instruída, falar o francês e até o italiano e o hebraico.

Também assisti a um fenômeno análogo, dando-se as comunicações por meio de pancadas, em língua estrangeira, ao passo que o médium só conhecia o inglês. Em minha casa ouvi a filha do Senador Tallmadge conversar em língua alemã.

Eis minha experiência pessoal nessa questão; ela, porém, apenas constitui pequena parte do que se produziu nesse gênero.” (Tract, nº 6).

O juiz Edmonds, compenetrado da importância dessas manifestações, fez aparecer no Banner um apelo a todos aqueles que tivessem conhecimento de fatos daquela natureza para lhe comunicar. Em menos de um mês ele recebeu cerca de vinte cartas, que lhe davam informações acerca de casos semelhantes. Essa série de experiências forma o conteúdo do apêndice de seus Tracts, ou cerca de cinqüenta páginas. Tiro desse apêndice alguns dos casos mais bem observados e autenticados.

“Cookville, 9 de abril de 1859.

Senhor Editor:

Tendo lido no Banner o convite que o juiz Edmonds fez para lhe comunicarem os fatos mediúnicos referentes ao uso de línguas desconhecidas, venho dar-lhe parte de um fato que se deu há dois anos. Durante três meses, tivemos sessões todos os domingos à noite. Os médiuns eram dois moços, um dos quais era meu genro e o outro meu amigo. Em uma das sessões à qual assistia um desses dois médiuns, aquele último caiu em transe, e em pouco tempo começou a falar uma língua que nenhum de nós conhecia, mas que meu pai e meu irmão reconheceram ser a língua chinesa. Tendo passado algum tempo na Califórnia, eles tinham estado em relação com grande número de chins, mas não falavam sua língua. Na sessão seguinte, os dois médiuns falaram a mesma língua e, depois de uma conversação de alguns minutos, os interlocutores pareceram ter-se reconhecido, e a manifestação da alegria de se encontrarem de novo tornou-se tão turbulenta que o locatário da outra parte a casa – um não-espírita – foi verificar se havia chins em nossa casa, pois que, tendo comerciado com eles, na Califórnia, conhecia muito seus costumes.

Desde então, os dois médiuns caíam freqüentemente sob a mesma influência. Um deles cantava às vezes em chinês, o outro traduzia o texto dessas canções. Nenhum dos assistentes falava essa língua e o médium nunca tinha visto chim algum. Nosso círculo era acessível a todos e o aposento ficava repleto às vezes. Cada qual era coagido a verificar que se ouvia uma língua estrangeira e reconhecia ao mesmo tempo que os médiuns eram pessoas sérias que não podiam ser suspeitas, de maneira que nenhuma explicação desse fenômeno pôde ser encontrada.

Aceite, etc.

S. B. Hoxie.”

* * *


“Flushing, L. J, perto de Nova Iorque, 16 de abril de 1859.

Senhor:


Li nos jornais que desejava ter informações acerca das pessoas que falaram línguas que não conheciam. Ouvi Susana Hoyt pronunciar um discurso patriótico em língua italiana; esse discurso foi traduzido, à medida que ia sendo pronunciado, durante a sessão, por um americano que compreendia o italiano. Estudei essa língua e posso afirmar que foi realmente a língua empregada.

Citarei ainda um homem que mora perto do lago Hempstead, nos arredores de Newtown: ele tem 35 anos de idade e chama-se, se não me engano, Smith. A família Hoyt poderá informá-lo por conta própria. Por muitas vezes ouvi esse homem fazer discursos declamatórios em língua italiana, o que lhe sucede mui freqüentemente. Ele vai muitas vezes à casa dos Hoyt; à primeira vez que eu o ouvi, perguntei a uma das pessoas presentes se ele sabia falar outra coisa além do italiano. Quando Smith voltou a si, afirmou-me nunca ter conhecido nem lido nenhuma outra língua a não ser o inglês.

Aceite, etc.

Wm. P. Prince.”

* * *


“Braintrie, Vermont, 29 de março de 1859.

Senhor:


Tendo lido o aviso publicado no Banner of Light, tenho a honra de levar ao seu conhecimento os fatos seguintes:

Em fevereiro de 1858, eu morava em Leicester, Vermont, no andar da casa do Sr. John Paine. A Sra. Sara Paine, sua nora, é médium. Naquela época achava-se em nossa cidade um francês, que tinha vindo aqui estudar o Espiritualismo. Católico convicto, não lhe dava crédito e até o combatia. Organizou-se uma sessão e, depois de alguns minutos de espera, a médium caiu em transe e começou a falar com o visitante francês, em sua língua materna, de maneira que este último pudesse compreendê-lo perfeitamente. A conversação durou certo tempo sem que nenhum dos assistentes compreendesse o que diziam os dois interlocutores. O francês pediu que a médium escrevesse seu nome, o que ela realizou sem demora; escreveu também os nomes de seu pai e de sua mãe falecidos. Ele nos afirmou que ninguém nos Estados Unidos conhecia esses nomes.

A Sra. Paine nunca tinha visto esse senhor antes. Não conhecia outra língua além de sua língua materna, o inglês.

Só me recordo de algumas das pessoas presentes naquela sessão: os Srs. Joseph Morse, Dr. S. Smith, Issak Morse, John Paine, Edouard Paine, todos de Leicester, o Sr. e a Sra. Nathaniel Churchill, de Brandon, e seu devotado servo.



Nelson Learned.”

* * *


“Lynn, Mass., 24 de março de 1859.

Srs. editores:

Respondendo ao convite que os senhores publicaram no Banner, posso comunicar-lhes os fatos seguintes: a Sra. John Hardy é uma médium que fala inconscientemente em estado de transe; não conhece nem o francês nem dialeto algum indiano, nunca os tendo estudado. Ela se acha sob a influência de um Espírito indiano, Sachma, que fala pelo seu órgão e que realizou muitas curas por seu intermédio. Ele mesmo traduz suas comunicações para o inglês, bem ou mal. Esse fato é muito comprobatório.

Ela se achava também sob a influência de um outro Espírito, o de uma jovem francesa, Luísa Dupont, que tinha sido atriz, conforme parece. Falou em presença de um professor de línguas, que julgou seu estilo e seu falar muito corretos. Esse professor apresentou à Sra. Hardy uma pergunta inconveniente, segundo confessou mais tarde, e recebeu uma resposta tão enérgica, que tomou o chapéu e retirou-se.

Comunico-lhes os nomes das pessoas presentes a essa sessão, sem poder autorizá-lo a publicá-los.

O Sr. Juiz Edmonds poderá informar-se diretamente dessas pessoas.

Aceitem, etc.

John Alley V.
North Common Street, nº 8, Lynn, Mass.”

* * *


“Milan (Ohio), 4 de abril de 1859.

Sr. Juiz Edmonds:

Em resposta a seu apelo publicado no Banner of Light, tenho a honra de comunicar-lhe o que se segue:

No mês de fevereiro de 1857, dirigi-me, em companhia da Sra. Warner, à casa do Sr. Lewis, em Troy (Ohio).

Certa noite em que a Sra. Warner estava incomodada por ligeiro resfriado, caiu sob a influência do Espírito de um índio que se esmerava em lhe prescrever remédios. Nesse ínterim, entrou no aposento um jovem alemão, que era conhecido na casa sob o nome de Milton. Ele sofria de violenta dor de cabeça, mas não fez alusão alguma em presença da Sra. Warner. Esta última se aproximou dele alguns instantes depois e livrou-o de sua dor de cabeça pela simples aplicação das mãos. Depois disse-lhe em língua inglesa – pronunciando-a mal, à maneira indiana – que via um “Espírito pálido”, que tinha deixado seu invólucro terrestre além das “grandes águas” e que desejava falar-lhe. Depois de pequena pausa, ela começou a falar o alemão e lhe repetiu, entre outras coisas, as últimas palavras pronunciadas por sua mãe no leito de morte.

O jovem, que tinha sido até então um obstinado céptico, desfez-se em lágrimas e deu-se por convencido.

A pedido dos membros da família Lewis, ele repetiu essas palavras, que eram as seguintes: “Meus queridos filhos, não posso mais dar-vos pão.” Warner nunca tinha ouvido falar na família desse moço e não conhecia outra língua além do inglês.

O Sr. Pope, cidadão dos mais respeitáveis de Troy, e os numerosos membros de sua família, entrando nesse número o jovem alemão, confirmarão a exatidão desse conto. Eis seu endereço: Welchfield, Geauga County, Ohio.

Em setembro de 1857, a Sra. Warner foi a Milan para fazer ali uma série de conferências públicas. No fim da última conferência ela pronunciou um pequeno discurso em língua indiana e fez a sua tradução. Era um apelo caloroso em favor das tribos indianas. Um cidadão de Milan, o Sr. Merrill, membro influente da Igreja Presbiteriana, que se achava ali, ficou tão satisfeito da autenticidade da língua indiana que declarou que todas as suas dúvidas estavam dissipadas. Ele tinha vivido até à idade de dezoito anos entre os índios e falara correntemente essa língua. Eis seu testemunho:

“Certifico que os fatos referidos pelo Sr. E. Warnee são exatos e que em conseqüência de minhas relações com a médium adquiri a persuasão de que em seu estado normal ela ignora completamente todos os dialetos indianos; estou ao mesmo tempo convencido de que, sob a influência “de um Espírito”, ela pode, efetivamente, falar indiano. Milan, abril de 1859. – James Merrill.”

Autorizo-o a fazer uso da presente se lhe parecer útil.

Ebenezer Warnee.”

* * *


“Chicago, 5 de abril de 1859.

Em resposta ao seu apelo publicado no Banner of Light, posso levar a seu conhecimento os fatos seguintes:

Há cerca de quatro anos, organizei em minha casa sessões com o intuito de estudar o “Espiritualismo moderno”, e apercebi-me de que minha mulher era médium. Essa descoberta incomodou-a vivamente e ela teria dado muito para que tal não tivesse sucedido. Lutou por muito tempo contra a força oculta que a lançava em estado de transe e que falava por intermédio de seu organismo, mas seus preconceitos acabaram por dissipar-se... Do mesmo modo que muitas outras pessoas pertencentes à classe operária, ela não tinha recebido outra instrução além da que se recebe nas escolas primárias. Eis, entre outras coisas, o fato de que fui testemunha:

Em uma sessão em casa do Dr. Budd, à qual assistiam os Srs. Miller, Kimball, Kilburne e outros, ouvimos um concerto vocal, em língua espanhola, que durou mais de duas horas. Pouco depois de termos dado as mãos, minha mulher, uma jovem (a Srta. Scongrall) e um moço que elas viam pela primeira vez caíram simultaneamente em estado de transe e começaram a conversar correntemente entre si, em espanhol. Depois de cerca de um quarto de hora de conversação, o trio levantou-se e entoou uma ária difícil, com palavras igualmente em língua espanhola; cada um cantava sua parte, e todos estavam de perfeito acordo. Eles nos fizeram ouvir doze trechos diversos, discutindo com animação, nos intervalos, acerca do novo trecho que tinham de cantar em seguida.

Depois da audição, os três médiuns voltaram a si e manifestaram grande surpresa sabendo do que se tinha passado. O moço caiu de novo em transe, mas sob o domínio de outra influência, e deu-nos a explicação do que tínhamos visto: o concerto nos tinha sido oferecido por três espanhóis, irmão e duas irmãs, que tinham exercido a profissão de cantores durante sua existência terrestre, para ganhar a vida. Nessa noite, eles não se tinham manifestado unicamente para satisfazer a nossa curiosidade e nos instruir, mas também para provar que a festa de Pentecostes ainda estava em vigor.

Devo acrescentar que não é difícil estabelecer, da maneira mais absoluta, que nenhum dos três médiuns conhece, em seu estado normal, outra língua além da materna.

Durante algum tempo minha mulher se achou sob a influência de “Espíritos” alemães; ela falou e cantou em alemão muitas noites consecutivas. Ninguém do nosso círculo compreendia essa língua. Desejoso de assegurar-me do fato, convidei um doutor alemão, o Sr. Euler, a ir a minha casa e dar-me sua opinião. Ele foi por duas vezes e conversou com a médium, em alemão, durante mais de uma hora em cada visita. Sua surpresa era grande, porém ainda maior a alegria por poder falar a língua materna.

Além do alemão, minha mulher falou o italiano, língua que lhe é igualmente desconhecida.



John Young.”

* * *


“Toledo, 9 de abril de 1859.

Sr. Juiz Edmonds:

Para dar andamento a seu desejo de conhecer exemplos de médium que fale em diversas línguas, venho informá-lo de que eu próprio sou médium e que me sucedeu estar sob a influência do Espírito de um índio e falar sua língua, que desconheço; não posso, por conseguinte, julgar até que ponto é correta minha pronúncia, mas, nesses últimos dias, fiz relações com um senhor que confessava ser céptico e não acreditar na existência de relações com o mundo dos Espíritos. Meu Espírito-guia lhe falou em língua indiana. No estado de clarividência, fiz-lhe a descrição de um chefe índio que tinha morrido, segundo o que me disse, dois ou três dias antes de sua partida de Jowa. Meu guia reconheceu o Espírito do morto e apresentou muitas provas que estabeleciam sua identidade. O senhor de quem falo é mui versado na língua dessa tribo, que ele designou como a dos Pawnees. Inclusa vai uma carta particular que esse senhor me endereçou na ocasião do seu regresso a Jowa e da qual pode extrair as passagens que julgar úteis.

Aceite, etc.



Sarah M. Thompson.”

Eis as passagens mais interessantes da carta em questão:

“Vinton (Jowa), 17 de fevereiro de 1859.

Senhora:


Como sabe, não acredito nas teorias espíritas; estou persuadido, como dantes, de que isso não é outra coisa mais do que a manifestação da influência que o espírito de um homem exerce sobre o de outro. Não me tendo ocupado muito com essas questões, não poderia dizer a que conclusões chegaria se me desse a pesquisas aprofundadas nesse sentido; mas há um fato que não consigo explicar a mim mesmo: é o seu falar em língua indiana; essa linguagem era tão correta e característica quanto a que se ouve nos bivaques índios.

Jacob Wetz.”

Para os outros fatos do mesmo gênero, dos quais tive conhecimento, limitar-me-ei a breves indicações.

No primeiro jornal espírita, o The Spiritual Telegraph, edição em 8º, publicado em Nova Iorque por Partridge (vol. III, 1854, pág. 62), encontra-se a narração seguinte:

“William Brittingam, cuja visita recebemos em nosso escritório, há alguns dias, comunicou-nos um fato interessante. Um certo Sr. Walden, médium falante, de Ellicotville, dirigiu-se recentemente às Springs (Fontes) pertencentes ao Sr. Chase. Na ocasião de sua chegada, enquanto ele ainda se achava no poial, viu caminhar em sua frente uma jovem criada da casa, sueca, com a qual começou a conversar. Nenhuma das pessoas presentes compreendia a língua que falavam; o médium também não tinha consciência do que dizia. A moça, ouvindo que lhe dirigiam a palavra em sua própria língua, tinha tomado parte na conversação; ela parecia profundamente interessada, e sua emoção se tornou tão intensa que ela se desmanchou em pranto. Quando o Sr. Brittingam lhe perguntou pela causa de sua emoção, respondeu sumariamente: “Este homem conhece tudo quanto diz respeito a meus falecidos pai e mãe; perdi meu pai há seis meses; minha mãe morreu há oito anos. Acabam de dizer-me que eles me falam por intermédio deste homem e que me poderão falar por outros médiuns.”

A moça, que nunca tinha visto coisa alguma semelhante, ficara perplexa; perguntava a si mesma como podia suceder que o Sr. Walden, um americano, que não conhecera sua família e ignorava completamente a língua sueca, lhe falasse de maneira tão misteriosa.”

Em 1873, o Sr. Allen Putnam publicou a Biografia da Sra. J. H. Conant, médium falante, outrora muito conhecida na América, a qual transmitia centenas de comunicações, publicadas depois no Banner of Light.

“A Sra. Conant era a primeira a desconfiar das comunicações que transmitia durante seu estado de transe. Sucedia-lhe freqüentemente estar sob a influência de Espíritos indianos que lhe deram o nome de “Tulular”, isto é, “alguma coisa para ver através”. “Como saber, dizia ela, se os sinais e as palavras empregados por Springflower e por outros são verdadeiros e corretos? Não tenho consciência do que digo, e nenhuma das pessoas presentes poderia decidir se há senso comum no que os Espíritos indianos me fazem dizer.” Desejosa de saber o que havia de verdadeiro nessas manifestações, ela se aproveitava de todas as ocasiões favoráveis para verificá-las...

Certo dia recebeu a visita do Coronel Tappan, membro da Junta de Pacificação dos Índios dos Estados Unidos (U. S. Indian Peace Commission), que era acompanhado por muitos senhores, um dos quais havia exercido, durante perto de quinze anos, as funções de agente, por parte do Governo, dos negócios referentes aos índios, e dizia conhecer a maior parte dos dialetos falados pelos aborígenes. Era para ela uma excelente ocasião de realizar seus projetos de verificação. Springflower manifestou-se imediatamente e pôde conversar livremente com o antigo agente; ela parecia mesmo ter certa vantagem sobre este último, pois que lhe sucedia algumas vezes procurar as palavras, ao passo que sua interlocutora parecia estar inteiramente à vontade. A Sra. Conant perguntou a esse senhor se ele acreditava que ela fosse compreendida pelos índios dessa tribo falando sob a influência de Springflower. Ele respondeu que em sua opinião não podia haver nisso a menor dúvida.”

Passo em silêncio todas as comunicações escritas em línguas desconhecidas pelos médiuns. Os casos desse gênero são muito numerosos, mas, em regra, essas comunicações se reduzem a citações de diversos autores, mesmo algumas palavras destacadas, e pode-se sempre dizer que esses fragmentos foram conhecidos, ouvidos ou copiados, conscientemente ou não. Outras vezes são frases curtas que permitem sempre levantar uma dúvida acerca de sua origem. Deram-se realmente numerosos casos em que a convicção íntima dos assistentes era que o médium ignorava de maneira absoluta a língua que escrevia – e posso citá-los de minha própria experiência –, mas são convicções pessoais, que é impossível fazer partilhar por um terceiro; esse gênero de manifestações não apresenta, por conseguinte, mais do que um valor mui limitado, em comparação com a linguagem falada, da qual acabo de citar exemplos.

É preciso citar na mesma categoria de fatos as comunicações transmitidas pelos sinais telegráficos, ignorados pelo médium, o que equivale a escrever uma língua desconhecida. Podem ler-se pormenores a esse respeito no Startling Facts, páginas 247-255. Um exemplo interessante desse fenômeno encontra-se na Biografia da Sra. Conant, de quem se falou mais acima, e cuja tradução é a seguinte:

“Depois de sua estada em Cummings House, em Boston, a Sra. Conant recebeu a visita de um desconhecido, o qual declarou que estudava os fenômenos espiríticos e desejava muito obter de seu amigo uma prova de identidade que ele ainda não tinha conseguido obter; acabava de ver um médium que morava em arrabalde afastado da cidade e que o tinha recomendado a Sra. Conant, declarando que em uma sessão com ela seu desejo seria satisfeito... Tomaram lugar... Subitamente a mão da Sra. Conant começou a executar movimentos bruscos, levantando-se e abaixando-se de maneira bizarra e irregular, de sorte que o lápis batia em cima do papel pancadas destacadas, repetidas com pressa. A Sra. Conant nada compreendia do que se passava e, desesperada por obter um resultado qualquer e perturbada por tal insucesso, disse a seu hóspede: “É inútil continuar. É claro que nenhum Espírito que possa comunicar convosco se acha aqui por ora. Há realmente alguém, mas não acha o meio de manifestar-se.” Qual não foi sua surpresa quando o visitante lhe declarou que estava muito satisfeito, pelo contrário; que a sessão tinha dado bom resultado e que finalmente ele tinha obtido de seu amigo a prova desejada, que ele próprio a escrevera, sem que ela se apercebesse disso. Dadas as explicações, a médium ficou sabendo que o visitante desconhecido era telegrafista de profissão, do mesmo modo que o amigo de quem ele esperava a comunicação; para provar de sua identidade, ele devia comunicar consigo por meio de sinais telegráficos, e é o que a Sra. Conant acabava de fazer de maneira inteiramente mecânica, pois que ela não tinha a mínima idéia do alfabeto telegráfico, admirando-se da sessão não dar resultado algum. O visitante pôde convencer-se, dessa maneira, que a intermediária da comunicação, isto é, a médium, ignorava absolutamente o seu conteúdo.”

O Sr. Crookes refere um fato mui notável, do mesmo gênero:

“Em uma sessão com Home, a pequena régua aproximou-se de mim, deslizando sobre a mesa, à plena luz, e transmitiu-me uma comunicação, dando-me uma pequena pancada sobre a mão na letra precisa do alfabeto, que eu recitava. A outra ponta da régua repousava sobre a mesa, perto das mãos de Home.

As pancadas foram dadas tão distintamente e tão nitidamente, e a pequena régua parecia estar tão por completo sob o domínio da força oculta que dirigia seus movimentos, que me julguei habilitado a perguntar: “A Inteligência que dirige os movimentos desta régua pode mudar o caráter desses movimentos e me dar uma comunicação telegráfica por meio de pancadas em minha mão, empregando o alfabeto Morse?” (tenho todo o fundamento de acreditar que o alfabeto Morse era desconhecido de todas as outras pessoas presentes; eu mesmo só o conhecia imperfeitamente). Imediatamente o caráter das pancadas mudou e a comunicação prosseguiu pela maneira pedida. As letras me foram ditadas mui rapidamente, e só pude tomar nota de algumas palavras que consegui aqui e ali, de modo que o sentido da comunicação se perdeu para mim, mas o que eu tinha visto me indicou claramente que um bom telegrafista se achava na outra extremidade da linha, onde quer que fosse.” (ver Crookes, Researches in the phenomena of Spiritualism, pág. 95).25

Para encerrar esta série de fatos, citarei ainda este caso de uma criança que executou um trecho de música sem que nunca tivesse aprendido aquela arte, como o testemunha o Sr. N. Tallmadge, antigo senador e governador de Wisconsin, pai do médium. No prefácio de um livro que ele editou – The Healing of Nations (Cura das Nações) –, por Linton, Nova Iorque, 1858, diz:

“No mês de junho de 1853, ao meu regresso de Nova Iorque, onde observara diversas manifestações espiríticas, fui à casa de um médium-escrevente que morava em minha vizinhança e recebi uma comunicação na qual me aconselhavam que organizasse um círculo íntimo em minha casa, predizendo-me que um médium, que havia de exceder a todas as minhas previsões, ia formar-se. Externei o desejo de conhecer o nome desse médium, e recebi em resposta que seria minha filha.

– Qual? – perguntei –, pois tenho quatro.

– Emília – responderam-me.

Convidaram-me em seguida para pôr ao piano minha filha Emília, quando as sessões fossem organizadas.

– Ensinar-lhe-eis a tocar? – perguntei.

– Verás – foi a resposta.

Emília era minha filha mais moça, de treze anos. Observarei que ela não conhecia música e nunca tinha tocado uma ária qualquer, pela simples razão de, na época de nossa chegada aqui, termos encontrado o país quase desabitado; era impossível ter um professor de música. Tudo quanto ela sabe aprendeu-o comigo ou com alguém da família. Consegui em pouco tempo organizar um pequeno círculo íntimo. Apresentei a Emília uma folha de papel e um lápis. Sua mão começou a traçar linhas retas que formavam uma série de cinco linhas. Depois ela fez as notas e acrescentou os sinais. Feito isso, deixou cair o lápis e começou a bater sobre a mesa como sobre as teclas de um piano. Lembrei-me então que devia sentá-la diante de um piano; depois de um momento de hesitação, ela aceitou o meu convite e sentou-se ao piano com a firmeza de um artista consumado. Bateu resolutamente no teclado e executou a “Grande Valsa” de Beethoven, em estilo que teria feito honra a um bom músico. Depois tocou muitas árias conhecidas, tais como: “Sweet Home”, “Bonnie Doon”, “The Last Rose of Summer” (Última rosa do estio), “Hail to the Chief” (Glória ao Chefe), “Lilly Dales”, etc. Executou ainda uma ária desconhecida, cantando ao mesmo tempo as palavras improvisadas que se lhe referiam.” (pág. 61).

Que dirá o Sr. Hartmann dos numerosos exemplos que acabo de citar? É evidente que os fenômenos que se produzem contra a vontade e convicções do médium, e principalmente o emprego de uma língua que ele não conhece, nada têm de comum nem com a hiperestesia da memória, nem com a transmissão do pensamento, nem finalmente com a clarividência, que determinam a natureza da consciência sonambúlica. Esta última categoria de fatos tem uma importância capital em vista do veredicto categórico do Sr. Hartmann, proclamando que iguais fenômenos não existem. Está aí, no domínio dos fatos intelectuais, o rubicão que o Sr. Hartmann não poderá transpor e, do mesmo modo que para os fatos físicos da penetração da matéria, desta vez ainda ele deverá depor as armas.

Como esses fenômenos não podem ser explicados por uma ação da consciência normal do médium nem por nenhuma ação da consciência sonambúlica, é preciso necessariamente procurar um terceiro fator. E, como não podemos descobri-lo no médium, somos coagidos a concluir que esse terceiro fator se acha fora do médium.




Compartilhe com seus amigos:
1   ...   27   28   29   30   31   32   33   34   ...   51


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal