Alexandre Aksakof Animismo e Espiritismo



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Transmissão de comunicações a grande distância


Lemos no livro do Sr. Hartmann:

“Até o presente as sessões espiríticas não oferecem matéria alguma que possa estabelecer o fato da transmissão de representações a grande distância, porque o médium representou geralmente um papel ativo, em vez de achar-se no estado passivo, em relação a um outro médium, afastado, como exigem as experiências dessa natureza.” (pág. 73).

Os fatos estão aí para refutar essa afirmação e a própria teoria. Se bem que raros, os casos de transmissão de comunicações a grandes distâncias existem. Entre as pessoas que estabeleceram esses fatos, é preciso citar, em primeiro lugar, o professor Hare, que lhes atribui, com razão, uma grande importância, e os considera como uma prova absoluta da manifestação de uma força extramediúnica.

Em seu livro Pesquisas Experimentais sobre os Fenômenos Espiríticos ele cita o caso seguinte:

“Achando-me em Cape May (Islândia), a 3 de julho de 1855, incumbi meu Espírito-guia de dirigir-se a Filadélfia, à casa de um de meus amigos, a Sra. Gourlay (North Tenth Street, nº 178) e de lhe dizer que eu pedia a seu marido, o Dr. Gourlay, que se informasse, no Banco de Filadélfia, acerca do vencimento de uma letra de câmbio; incumbi-o também de prevenir a Sra. Gourlay de que às 3 horas e meia eu permaneceria, nesse mesmo dia, perto do espiritoscópio, à espera da resposta. Era então 1 hora da tarde. À hora indicada, meu amigo invisível estava de volta, trazendo-me o resultado da indagação.

Em meu regresso à Filadélfia, a Sra. Gourlay contou-me que meu mensageiro tinha interrompido a comunicação mediúnica que ela estava prestes a transmitir por meio do espiritoscópio, para lhe dar parte da minha comissão, recebida a qual, seu marido e seu irmão dirigiram-se ao Banco para obter essa mesma informação que me tinha sido comunicada no mesmo dia, às 3 horas e meia.

O empregado do Banco, a quem esses senhores se tinham dirigido, lembrava-se perfeitamente bem que lhe tinham pedido essas informações, mas não se dera ao trabalho de consultar o registro, que não estava à mão, o que concorreu para que ele desse uma informação inexata, que estava conforme ao que me tinha comunicado o meu Guia, porém contrária ao que eu esperava – por conseguinte, essas datas não podiam ser o resultado de meus pensamentos. Não falei a ninguém acerca desses incidentes antes de ter visto a Sra. Gourlay e de lhe ter perguntado se durante a minha viagem ela tinha recebido de mim uma comunicação qualquer. Fui informado de que para transmitir minha comissão, meu mensageiro tinha interrompido a comunicação que seu irmão recebia nesse momento, por seu intermédio, de sua mãe falecida.”

Eis um fato que não poderia ser explicado por nenhuma teoria psíquica (transmissão de pensamentos, clarividência, etc.). Efetivamente, a distância, nesse caso, é considerável (perto de 100 milhas); não há “relação psíquica” alguma nem também “intenso interesse da vontade” (amor ou amizade) que tivessem podido estabelecer “uma comunicação telefônica no Absoluto, entre duas pessoas (o professor Hare e a Sra. Gourlay); também não se poderia tratar de “imagens alucinatórias”, de manifestações anímicas provocadas por alucinações sugeridas” (pág. 65); pelo contrário, trata-se de um “pensamento abstrato”, de uma operação comercial; e depois, o segundo médium não se achava em um “estado de passividade em relação ao primeiro médium”, assim como o exige o Sr. Hartmann (pág. 73); muito pelo contrário, ele deu prova de uma plena atividade psíquica; ele estava ocupado em receber uma comunicação que foi interrompida violentamente de maneira inesperada, pela comunicação em questão; demais, os dois médiuns estavam em estado completamente normal. Acrescentemos a isso que o despacho foi transmitido não por intermédio de seus cérebros, mas por meio de um instrumento. Que explicação o Sr. Hartmann nos dará desse caso? Ele dirá talvez que houve, nesse caso, “ação a distância da força nervosa, porque a troca das comunicações se efetuou por via física, com a intervenção de um espiritoscópio”.

Responderei a isso que tal explicação só consegue confundir a questão, visto que o espiritoscópio não passa de um meio mecânico para transmitir o pensamento; está aí precisamente o que não se pode compreender: donde provém esse funcionamento do espiritoscópio, se é preciso admitir que houve somente transmissão de pensamentos? E, desde o momento em que tal transmissão se deu, a dificuldade subsiste sempre, mesmo com complicações, porque seria preciso então admitir que a força nervosa é clarividente e pode ver a distância o espiritoscópio, as letras que aí são marcadas, etc. Só resta ao Sr. Hartmann modificar as condições de seu recurso ao Absoluto, esse Alah que ele invoca in extremis.

Eis outro caso semelhante, que tiro do mesmo modo do livro do professor Hare, que publica (§§ 1485-1492) a carta seguinte:

“Filadélfia, em 6 de setembro de 1855.

Senhor:


No decurso de nossa última entrevista, emitiste o desejo de conhecer alguns fatos tirados de minha experiência pessoal. Há cerca de três anos, eu fazia nesta cidade conferências que tinham por objetivo combater a teoria espiritualista aplicada aos fatos chamados espiríticos e defender a hipótese da corrente nervosa, como instrumento passivo da vontade. Nessa época eu possuía a faculdade de suspender os movimentos psíquicos que se produziam; mais tarde, os agentes ocultos que produziam esses deslocamentos recusaram-se obedecer-me. Eles me explicaram depois que não me tinham concedido esse poder senão temporariamente, a fim de convencer-me, privando-me dessa faculdade.

A leitura de sua narração relativa à comunicação transmitida de Cape May, na cidade em que o senhor mora, no mês de junho passado, por via mediúnica, sugeriu-me a idéia de lhe comunicar um fato análogo, a respeito de uma comunicação que fiz chegar, da mesma maneira, ao círculo espírita daquela cidade.

A 22 de junho de 1855, eu assistia a uma sessão da noite, em casa da Sra. Long (médium escrevente, que morava em Nova Iorque, Thompson Street, 9), e recebia comunicações de seu esposo falecido. Eu estava então incumbido da direção das sessões, que se realizavam em todas as quartas-feiras, em casa do Sr. H. C. Gordon, 113, North Fifth Street, em Filadélfia. Perguntei à minha mulher se ela podia dar-me uma comunicação por intermédio desse círculo, que estava em sessão nesse momento, em Filadélfia. Ela me prometeu experimentar. Pedi-lhe então que transmitisse aos membros desse círculo uma saudação de minha parte e que lhe dissesse que minhas experiências davam um êxito maravilhoso, que eu me compenetrava cada vez mais da gloriosa realidade da comunicação com os Espíritos. Dezessete minutos depois, minha mulher anunciou de novo sua presença e declarou-me que se tinha desempenhado de minha comissão. Na quarta-feira seguinte, achando-me em Filadélfia, à noite, dirigi-me ao círculo e soube que a minha comunicação tinha chegado ali pontualmente; no momento de sua chegada, ocupavam-se em receber uma comunicação proveniente de outra pessoa, a qual foi interrompida por minha mulher, que informou o seu nome e desempenhou sua missão pela mão do Sr. Gordon.

Cerca de doze pessoas estavam presentes, todas dignas de fé, dentre as quais o Sr. e a Sra. Howell, o Sr. e a Sra. Laird, o Sr. Aarão Comfort, o Sr. William Knapp e outras. Sucedendo que eu mesmo não seja médium, não se poderia tratar de simpatia entre os médiuns.



W. West (George Street, 4).”

Tirarei outro exemplo análogo a uma fonte inteiramente segura, ao livro do Sr. Brittan: A discussion on the facts and philosophy of ancient and modern Spiritualism (Exame racional dos fatos e filosofia do Espiritualismo antigo e moderno), por S. B. Brittan e o Dr. Richmond, Nova Iorque, 1853. Na página 289 lemos:

“O Sr. B. Mc. Farland, de Lowell, Mass., tem uma filha, chamada Susana, que tem faculdades mediúnicas. Ela passou o inverno de 1851-1852 no Estado de Geórgia, e ali se deu o fato interessante que se segue. Eu cito-o tal qual é referido na carta que o Sr. Farland me dirigiu:

“Ao Sr. S. B. Brittan.

Senhor:

Na noite de 2 de fevereiro de 1852, no decurso de uma sessão organizada em minha casa, em Lowell, minha mulher perguntou se Luísa (nossa filha falecida) estava presente. A resposta foi afirmativa. À pergunta: “Estás freqüentemente com Susana?” (era nossa única filha sobrevivente, e que se achava nesse momento na Geórgia, com alguns amigos), a resposta foi igualmente afirmativa. Minha mulher formulou então o desejo de que o Espírito se dirigisse para perto de Susana a fim de lhe fazer companhia e preservá-la de qualquer mal durante sua ausência. Luísa respondeu, por meio de pancadas, que iria ter com sua irmã.



Não se deve esquecer de que isso se passava a 2 de fevereiro, à noite. Oito dias depois, recebíamos uma carta de Susana, datada de Atalanta, Geórgia, de 3 de fevereiro de 1852, na qual nos escrevia:

“Ontem à noite, fizemos uma sessão; Luísa apresentou-se-nos dizendo por meio de pancadas: Mamãe quer que eu venha para perto de ti preservar-te contra qualquer mal durante tua ausência de casa. – Luísa.

Vês, por conseguinte, que um agente invisível, intitulando-se minha filha, tinha recebido nossa comunicação em Lowell, Mass., e a transmitira, palavra por palavra, à Atalanta, Geórgia (à distância de 1.000 milhas), em menos de uma hora.

Seu afeiçoado,



B. Mc Farland.”

Fecho este capítulo com a narração de um fato que tem isso de particular: a comunicação foi feita sem designação do destinatário, cuja escolha incumbia ao agente oculto que se manifestava. Esse fato é referido como se segue, em uma carta do Sr. Teathersnaugh, reproduzida no Light de 18 de dezembro de 1886 (pág. 603):

“Respondendo ao desejo que externaste por intermédio da imprensa, venho comunicar-te a exposição de algumas experiências que fiz com a Sra. Maud Lord.

Possuo uma miniatura, pintada há oitenta anos; como tivesse ficado por muito tempo em um invólucro fechado, tive a lembrança de servir-me dele para uma série de experiências às escuras, com diversos médium. Como eu não soubesse o endereço de nenhum médium desse gênero, formulei mentalmente o desejo de que a personalidade que se manifestava em minhas sessões com o nome de S. e que afirmava poder sempre adivinhar meus pensamentos, se dirigisse para perto de um médium e lhe sugerisse a idéia de enviar-me seu endereço. Alguns dias depois recebi uma carta da Sra. Lord, que morava a 200 milhas de mim, a qual me escrevia, entre outras coisas: “S. apareceu em uma de minhas sessões e pediu-me que te mandasse meu endereço, assim como o desejas, o que me apresso em fazê-lo.”




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