Alexandre Aksakof Animismo e Espiritismo



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Transporte de objetos a grandes distâncias


Acabamos de ver: que a força que produz os fenômenos espiríticos não fica limitada à pessoa só do médium nem contida nos limites do aposento onde se realizam as sessões; que pode, pelo contrário, transportar-se a grandes distâncias para comunicar mensagens; que uma manifestação dessa espécie não é a transmissão de pensamento de um cérebro a outro, nem efeito de clarividência. Fomos levados a estas conclusões porque faltam as condições nas quais, segundo o Sr. Hartmann, esses fenômenos psíquicos se devem produzir, e também porque a força em questão se manifesta a distância fisicamente, por meio de pancadas e de movimentos da mesa.

Veremos agora que tal ação física a distância não é simples repercussão ou metamorfose da impressão psíquica recebida pelo médium que se acha a distância, porém que emana de um centro de força independente, a qual não é uma simples força física produzindo sons e deslocando corpos inertes, porém alguma coisa muito mais substancial e complicada, pois que pode não só transmitir uma comunicação, como mesmo transportar um objeto material, e isso não transpondo unicamente o espaço (coisa que pode ser efetuada por meios de que os homens dispõem, e que não estão em contradição com a noção que temos acerca das leis físicas e, por conseguinte, nada oferecem de “sobrenatural”), porém agindo ainda em condições que importam na passagem através da matéria sólida, anulando, por conseguinte, as leis conhecidas da Física e caindo no domínio de que se convencionou chamar “sobrenatural”.

Conseguintemente chegamos, por gradações, a uma categoria de fenômenos que caem, segundo a definição do próprio Sr. Hartmann, sob a designação de “sobrenaturais” ou transcendentes. Como ele não poderia atribuí-los a uma causa natural, e nem sequer a uma ação pessoal do médium, concluiremos daí que é preciso, parar explicá-los, admitir uma força qualquer, de outra ordem, independente do médium. Tomemos um exemplo:

Transporte de uma fotografia de Londres a
Lowestoft, à distância de 175 quilômetros

Eis um caso muito comprobatório e que recebemos de boa fonte. O professor W. F. Barret garante a sua autenticidade e refere-o como se segue:

“Não estou autorizado a publicar o nome nem mesmo as iniciais de quem me comunicou este fato notável. Conheço-o, porém, pessoalmente e certifico que nunca ouvi falar a seu respeito de outra maneira a não ser em termos mui lisonjeiros e com consideração por todos quantos o conhecem, e mais particularmente por um eclesiástico de elevada reputação. Resulta de minha pesquisa, de minhas observações e investigações mais variadas, que não há a menor dúvida a suscitar acerca de sua perfeita boa fé. Dito isso, nada mais farei do que reproduzir a carta que recebi dele em fim do ano de 1876:

“No decurso do ano de 1868, organizei algumas sessões em minha casa, com muitos de meus amigos. Obtínhamos os resultados ordinários: pancadas, deslocamentos e elevação da mesa, etc. Desejoso de estudar esses fenômenos de maneira mais aprofundada, resolvi então organizar uma série de sessões nas quais tomavam parte os meus amigos, bem como médiuns profissionais. Essas experiências realizavam-se em diversos aposentos e em condições variadas. Eu estava intimamente convencido de que os resultados obtidos eram independentes de toda intervenção direta por parte do médium, que não conseguiu exercer influência alguma, quer sobre o gênero das manifestações, quer sobre as condições, elétricas ou outras, necessárias para sua produção; entretanto, eu não tinha uma fé absoluta em seu caráter sobrenatural e compreendia que me seria impossível admitir uma idéia definitiva quanto à participação do médium enquanto não tivesse obtido resultados idênticos sem o concurso de um médium profissional, em condições que excluem toda possibilidade de fraude. Uma ocasião favorável se apresentou dois anos depois, em 1870.

Eu estava então à beira-mar, em Lowestoft, com minha mulher, uma jovem senhora nossa amiga e um senhor de idade, nosso amigo íntimo. Todas essas pessoas, e mais particularmente minha mulher, eram incrédulas e lançavam o ridículo sobre o Espiritismo. Decidimos entretanto tentar a experiência, por curiosidade.

Estávamos instalados no salão, no primeiro andar; eu tinha guardado a chave na algibeira. Apagamos o gás, porém a Lua, que era cheia, lançava através da janela uma luz suficientemente intensa para permitir-nos ver tudo quanto se achava no aposento. A mesa, de nogueira, era de forma retangular, alongada e de peso considerável. Para ser breve, designarei meu amigo com a inicial F. e a jovem senhora sob a inicial A.”

Segue-se a descrição de muitas sessões no decurso das quais se produziram diversos fenômenos de ordem física, tais como: deslocamento de objetos, toques, aparição de luzes e de fantasmas, transporte de flores; o êxito deste último fenômeno nos sugeriu a idéia de tentar obter o transporte de um objeto determinado, que tivesse sido deixado em nosso domicílio.

F. pede que lhe seja trazida uma coisa qualquer de sua casa. Imediatamente sente-se sacudido em todos os sentidos, cai em transe, e então, em cima da mesa, diante dele, descobre-se uma fotografia. Minha mulher apanhou-a e lha mostrou, cerca de quinze minutos depois, quando ele voltou a si. Tendo divisado a imagem, ele a apertou no bolso e disse, com lágrimas nos olhos: “Nunca em minha vida o teria desejado!”

Essa fotografia era a única prova do retrato de uma jovem da qual ele tinha sido noivo outrora. Achava-se em um álbum que estava encerrado em uma caixa, com uma fechadura dupla, em seu aposento, em Londres. De volta à cidade, verificamos o seu desaparecimento, e a mulher do Sr. F., que não sabia que fazíamos sessões de Espiritismo, nos referiu que durante nossa ausência se tinha dado um estalido terrível, em conseqüência do qual todas as pessoas tinham acudido para saber a causa.” (Light, 1883, pág. 30).

Esse mesmo caso é reproduzido no Jornal da Sociedade de Pesquisas Psíquicas, de Londres, completo, com muitos pormenores interessantes (1891, t. XIX, pág. 191).

Eis outro caso mui curioso: agulhas de madeira transportadas à distância de 20 milhas. Tiro-o igualmente do Light (1883, pág. 117):

“Não há muito tempo, fui testemunha do transporte de um objeto à distância de mais de 20 milhas inglesas, por meios desconhecidos dos homens. Serei breve, tanto quanto possível, mas é preciso que diga, previamente, algumas palavras acerca do nosso círculo. Ele se compunha de seis pessoas ao todo, cinco das quais eram antigos espíritas experimentados e o sexto um prosélito de data recente, antigo adepto da escola wesleyana e que tinha propagado ardentemente os princípios dos metodistas e combatido o Espiritismo. Ele tinha abandonado aquela seita e tornara-se pouco a pouco, com surpresa própria, um excelente médium de transe.

Quinze dias antes dessa notável sessão, um de meus amigos, a quem designarei com a inicial H. tinha ido a Iorque para passar as férias conosco (ele era mestre escola). Fazia parte de nosso círculo. Na última sessão, o Sr. H. teve a lembrança de propor aos nossos interlocutores invisíveis que nos levassem a Iorque, depois do seu regresso a casa, um objeto qualquer que se achasse em seu aposento. A resposta foi “Experimentaremos”. Nas duas sessões seguintes, que se realizaram na ausência do Sr. H., não se deu manifestação alguma, coisa inteiramente insólita; porém, na terceira sessão, depois de uma espera que durou de 8 horas a 8 horas e meia, duas agulhas de fazer tricô, do comprimento de um pé, caíram no chão precisamente atrás de mim. Durante essa sessão, a luz era um pouco fraca.

O médium, por cuja intervenção esse fenômeno se produziu, é uma senhora de reputação irrepreensível, acima de toda suspeita e completamente desinteressada, não recebendo um “penny” de gratificação pelas sessões que dava. Durante a experiência em questão, ela caiu em transe, achando-se exatamente defronte de mim. Quando as agulhas caíram, ela pronunciou as palavras seguintes, ou mais ou menos: “As agulhas que trouxemos foram tiradas da caixa que está no vestíbulo do Sr. H. Em cima da tampa havia muitos púcaros de doces; tiramos as agulhas com alguma dificuldade. Durante o dia, o Sr. H. passeou pela encosta das colinas, colhendo bagas, etc.”

Escrevi imediatamente a meu amigo para lhe dar parte do que se tinha passado, e ele me respondeu imediatamente, confirmando todos os pormenores acima relatados. Às 8 horas e meia, no momento em que as agulhas nos tinham sido trazidas, ele e sua mulher estavam prestes a deitar-se. Logo que entraram no quarto de dormir, a Sra. H. ouviu ruído no vestíbulo, mas não lhe deu maior importância, porque esse ruído não se repetiu. Foi provavelmente naquele momento que as agulhas foram tiradas da caixa; elas caíram atrás de minhas costas, justamente na hora correspondente. Aceite, etc.

A. R. Wilson,
20, Orchard Street, Iorque, a 27 de fevereiro de 1883.

“P. S. – O Sr. H. foi a Iorque e reconheceu as agulhas como suas.”



Transporte de uma madeixa de cabelos, por uma
força desconhecida, de Portsmouth a Londres

Um eclesiástico, habitante de Portsmouth, comunicou à redação daquele jornal o fato seguinte:

“Cerca de 10 horas da noite, uma jovem senhora, dotada de faculdades mediúnicas, caiu em transe, em uma sessão organizada em um círculo íntimo, e falou em nome de “Samuel”, a mesma personalidade que se manifestava ordinariamente por seu intermédio, assim como por intervenção de outro médium, o Dr. Monck, que nessa época era hóspede do Sr. F., em Londres. Depois de ter conversado por alguns instantes com os membros do círculo, Samuel pediu tesoura, para cortar uma madeixa dos cabelos da médium, desejando levá-las a seu outro médium, o Sr. Monck. A essas palavras, ele nos deixou, mas a sessão continuou, e com êxito.

No final da sessão, Samuel apareceu de novo, alegre e com ar satisfeito; a menina indiana Daisy, que falava então pela médium, disse-nos que Samuel era notavelmente destro e que com efeito havia desempenhado sua incumbência, que não tínhamos querido levar a sério.

No dia seguinte, cerca de 2 horas da tarde, recebíamos uma carta do Sr. F., que nos escrevia, com grande surpresa nossa:

“Nessa noite, enquanto eu conversava com Monck acerca de diversos assuntos, Samuel apresentou-se subitamente e disse-me: “É a ocasião em que devo dirigir-me a Portsmouth.” Duas horas depois, à vista de todos os assistentes, uma força invisível apoderou-se da mão do médium e, enquanto ele continuava a conversar conosco, sem ao menos olhar para o papel, escreveu: “Boa noite. Venho diretamente da casa da Sra. X., em Portsmouth. Como prova, eis uma madeixa de seus cabelos que cortei e que dou a meu médium aqui presente. Participa-o a seu pai e manda-lhe estes cabelos. Vede-os. – Samuel.” Olhamos para Monck e divisamos, no ângulo sudeste do aposento, uma madeixa de cabelos que se dirigiu para sua cabeça e caiu no chão, donde a levantei. Devo acrescentar que tudo isso se passou não em uma sessão regular, porém de maneira inteiramente inesperada, à plena luz do gás.”

Finalmente, para o objetivo que viso neste capítulo, é indiferente que o objeto seja trazido de um lugar mais ou menos distante; o essencial é provar que o fenômeno conhecido no Espiritismo sob o nome de penetração da matéria é real e que desafia toda explicação “natural”.

É inútil insistir mais em provar que fenômenos tais como a produção de nós em um cordão sem fim, o desaparecimento e o reaparecimento de uma mesa de centro – como é descrito pelo professor Zöllner – não são fenômenos “naturais”, no sentido que o Sr. Hartmann empresta a esta palavra; é preciso supor que o Sr. Zöllner tem razões muito fortes para julgar-se coagido a admitir, para explicar esses fatos, não só a hipótese de uma quarta dimensão, mas ainda a da existência de seres que reinam nesse espaço.

Entre os fatos mais bem averiguados desse gênero, mencionarei o seguinte, verificado pelo Sr. Crookes:

“A Srta. Fox tinha prometido fazer uma sessão em minha casa, em uma noite da primavera do ano passado. Enquanto eu a esperava, meus dois filhos mais velhos achavam-se, em companhia de uma de nossas parentas, na sala de jantar, onde sempre se realizavam as sessões; quanto a mim, achava-me em meu gabinete de trabalho, ocupado em escrever. Ouvindo o rodar de um cabriolé que parou defronte da casa, depois um toque de campainha, fui abrir a porta e imediatamente conduzi a Srta. Fox à sala de jantar, porque ela me disse que não se demoraria por muito tempo e preferiria não subir; colocou o chapéu e o xale em cima de uma cadeira. Ordenei a meus filhos que fossem estudar suas lições em meu gabinete de trabalho, fechei a porta e guardei a chave na algibeira, como costumava fazer durante as sessões.

Sentamo-nos; a Srta. Fox tomou lugar à minha direita e a outra senhora à minha esquerda. Imediatamente recebemos a ordem, por meio do alfabeto, de apagar o gás, e ficamos em completa escuridão, durante a qual conservei as mãos da Srta. Fox em uma das minhas. Em pouco tempo recebemos a comunicação seguinte: “Vamos produzir uma manifestação que te fará conhecer o nosso poder.” Quase ao mesmo tempo todos ouvimos o tilintar de uma campainha, não em um só lugar, mas em diversos pontos do aposento, ora perto da parede, ora em um canto afastado; umas vezes a campainha vinha bater em minha cabeça; outras vezes batia de encontro ao soalho. Depois de ter soado durante mais de cinco minutos, ela caiu em cima da mesa, perto de minhas mãos.

Durante todo esse tempo, ninguém se moveu e as mãos da jovem Fox ficaram perfeitamente imóveis. Fiz notar que não podia ser minha pequena campainha, pois que eu a tinha deixado na biblioteca (pouco tempo antes da chegada da jovem Fox, eu tinha necessitado de um livro que estava em um canto da estante; a campainha estava em cima do livro e, para tirá-lo, eu a pusera de lado. Graças a essa pequena circunstância, estava seguro de que a campainha se achava realmente na biblioteca). O gás ardia à plena chama no quarto contíguo e teria sido impossível abrir a porta sem iluminar o aposento em que estávamos – admitindo-se que a médium tivesse um compadre que possuísse outra chave, que certamente não havia.

Acendi uma vela e vi, diante de mim, em cima da mesa, a minha campainha. Fui diretamente à biblioteca e vi logo que ela não estava no lugar em que eu a deixara. Perguntei a meu filho mais velho:

– Sabes onde está minha campainha?

– Sim, papá, ela está ali – respondeu ele, indicando o lugar onde ela deveria achar-se.

Depois de ter olhado, ele acrescentou:

– Não, não está mais ali, mas há pouco estava.

– Por conseguinte, entrou alguém no quarto?

– Não, ninguém entrou aqui; mas estou certo de que a campainha estava ali: quando nos disseste que saíssemos da sala de jantar para vir aqui, J. (o mais moço de meus filhos) começou a tocá-la com tal força, que eu não pude trabalhar e pedi-lhe que deixasse de tocar.

J. confirmou o que seu irmão dizia e acrescentou que, depois de ter tocado a campainha, colocara-a no mesmo lugar.” (Crookes – Pesquisas, pág. 171, edição francesa).

Para outros casos, verificados pelo Prof. Crookes, vejam-se suas experiências com a Srta. Fay, publicadas no Spiritualist, 1875, tomo I, página 126.

Em todos os casos mencionados, o transporte do objeto foi mais ou menos inesperado; citarei dois deles em que a experiência foi preparada previamente.

A Sra. Thayer, médium muito conhecida na América, tinha por especialidade provocar o fenômeno do transporte de flores ou de outros objetos. O Coronel Olcott ocupou-se do assunto mui particularmente, submetendo-a às provas mais variadas e tomando a cautela de rodear-se de todas as precauções possíveis. Escolho a experiência seguinte, relatada no Light de 1881, na página 416.

Achando-se em certa tarde no cemitério de Forest Hill, teve a lembrança de fazer uma experiência que ele relata nesses termos:

“Passando por defronte da estufa, notei uma planta rara, de folhas longas, estreitas, brancas ou de cor verde desmaiada. Era a Dracaena Regina. Tracei em uma das folhas, com lápis azul, um sinal cabalístico: dois triângulos entrelaçados, e pedi aos agentes ocultos que me levassem aquela folha no dia seguinte, de noite, à sessão. Coloquei-me propositadamente à direita da Sra. Thayer; tomei suas mãos e segurei-as com força. Subitamente, senti um objeto frio e úmido sobre as mãos. Acendeu-se a vela e vi que era a folha que eu tinha marcado. Fui à estufa e verifiquei que a folha em questão tinha sido efetivamente arrancada.” (Comunicação do Coronel Olcott no New York Sun, 18 de agosto de 1875).

A experiência seguinte, feita pelo Sr. Robert Cooper – muito conhecido dos espíritas por suas pesquisas e observações conscienciosas –, pode ser considerada como prova absoluta do fenômeno:

“Eu assistia freqüentemente às sessões da Sra. Thayer e estava no caso de assegurar-me da autenticidade dos fenômenos que ali se davam. Certo dia me veio a lembrança de que se os agentes invisíveis podiam levar flores a um aposento fechado, poderiam, do mesmo modo, fazê-las penetrar em um cofre fechado; falei nisso à Sra. Thayer. Ela me respondeu que não podia garantir o êxito de semelhante experiência, mas que se prestaria a fazê-la com prazer.

Conseguintemente, fiz aquisição de uma simples caixa de enfardamento, solidamente fabricada, medindo 1 pé em todos os sentidos. Com o fim de ver o interior da caixa, sem abri-la, encaixei na tampa um pedaço de vidro quadrado, preso na parede interna, de maneira que, fechada a caixa, não havia possibilidade alguma de retirá-lo. Cerca de doze pessoas deviam assistir a essa sessão, a primeira que foi feita nesse gênero, se não me engano. Quando os assistentes acabaram de examinar o cofre, fechei-o por meio de um cadeado privilegiado, que obtivera para essa ocasião e cuja chave guardei durante todo o tempo. Além disso, colei uma tira de papel em torno da caixa e lacrei suas duas pontas. Na ocasião de apagar a luz, a Sra. Thayer disse-nos que tinha deixado em casa o lenço com o qual se habituara a cobrir a cabeça durante as sessões, para premunir-se contra a ação das influências elétricas, como dizia. Um dos assistentes tirou da bolsa de viagem um maço de guardanapos chineses de papel e ofereceu-lhe um deles. A Sra. Thayer respondeu que não poderia servir-se dele, porque não era de seda, e o guardanapo ficou em cima da mesa.

Em seguida, apagou-se a luz e entoamos canções. Pouco depois, foi-nos dada a ordem de olhar para a caixa, e distinguimos, através do vidro, alguma coisa que nos parecia serem flores; abriu-se a caixa; ali estava o guardanapo que tínhamos deixado em cima da mesa; foi o desenho que havíamos julgado flores.

Esse êxito nos animou a tentar uma nova experiência. Oito dias depois, reunimo-nos em número de oito. Entre os assistentes achava-se o General Robert, diretor do jornal Mind and Matter (Espírito e Matéria). A caixa foi fechada da mesma maneira que na sessão precedente e todos os assistentes puderam assegurar-se de que ela não continha mais do que o guardanapo chinês que ali fora introduzido na última experiência. Depois de ter apagado a luz, pusemo-nos a cantar, e dez minutos depois pancadas precipitadas e violentas soaram na caixa. Perguntei: “É preciso continuar a cantar?” Em resposta, três pancadas soaram. Por conseguinte, prosseguimos em nossas canções. Em breve sentimos percorrer o aposento um sopro de frescor, que era tanto mais sensível, por isso que a noite era muito quente. Um violento estalido retumbou, como se a caixa tivesse sido quebrada em pedaços. Fez-se luz e pudemos verificar que a caixa estava em perfeito estado e que os selos tinham ficado intactos; na caixa, podíamos ver com perfeição muitas flores e alguns outros objetos, quais sejam: quatro lírios rajados, três rosas – branca, amarela e pálida –, uma espadana, uma fronde de samambaia, muitas outras flores miúdas, um número do Banner of Light e do Voice of Angels e, finalmente, uma fotografia do Sr. Colby.

As flores estavam tão frescas como se tivessem sido colhidas naquela região, e os jornais estavam dobrados como se fosse para serem vendidos. Depois da experiência com a caixa, ainda foi transportada uma quantidade de rosas papoula, a maior das quais prendemos nos cabelos da médium. Lavrou-se uma ata das duas sessões e todos os assistentes a assinaram. Não se poderia exigir testemunho mais comprobatório. O Coronel Olcott, achando-se naquela ocasião em Boston, externou o desejo de tomar parte em uma experiência com a caixa. Lacrou a tampa de um lado, com seu próprio selo. Depois de alguns minutos, a caixa estava cheia de flores até o meio, entre as quais se achava um retalho de fazenda de cerca de 1 jarda de comprimento. O coronel ficou completamente convencido.

Eastburne, 14 de novembro de 1881.



Robert Cooper.”

Há nessa experiência uma particularidade muito característica: o “estalido” que se fez ouvir no momento do transporte das flores, lembrando o que acompanhava a obtenção da fotografia de uma caixa fechada à chave (veja-se mais acima).




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